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Jovens continuam na academia após concluir a graduação

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Formação insuficiente e busca por diferencial no currículo atraem recém-graduados para o mestrado

52% dos portadores do título de mestrado no Brasil têm menos de 39 anos Arte: André Mello

52% dos portadores do título de mestrado no Brasil têm menos de 39 anos Arte: André Mello

Luiza Barros em O Globo

RIO – Com um diploma em Engenharia Mecânica de uma universidade prestigiada na mão em um mercado carente de talentos, Felipe Alfaia certamente não teria dificuldade em encontrar um emprego promissor na iniciativa privada. Ao invés disso, o paraense resolveu se mudar para o Rio de Janeiro e mergulhar a cabeça novamente nos livros, mesmo que isso significasse adiar a sonhada independência financeira por mais alguns anos e viver com uma bolsa de R$ 1.500 por mês.

Aos 23 anos e cursando mestrado na Coppe, na UFRJ, Felipe representa bem a parcela crescente de jovens que crê que apenas a titulação de bacharel não é suficiente para se inserir no mercado de trabalho. Sua decisão de buscar a titulação de mestre, ele explica, faz parte de uma estratégia para ser capaz de abrir sua própria empresa de consultoria técnica dentro de alguns anos.

– O mestrado hoje não é mais só para quem quer dar aula. Para engenheiros, é um certificado de que você é capaz em uma área específica – defende Felipe. – Em uma consultoria, o essencial é que o cliente confie em você tecnicamente. Portanto, tenho que ter um currículo para transmitir essa confiança – acredita o jovem que, na reta final do mestrado, já começa a colher os frutos. Depois de viver um ano como bolsista, ele abriu mão do benefício ao encontrar um emprego em uma prestadora de serviços da Petrobras.

– O fato de eu estar cursando um mestrado, ainda mais na Coppe, foi o que contou ao meu favor para conseguir a vaga – avalia.

Formação insuficiente na graduação, falta de confiança em especializações lato sensu (como os MBAs), possibilidade de seguir a carreira acadêmica, vantagem na pontuação em concursos públicos e aumento na oferta de bolsas estão entre alguns motivos que levam a crescente massa que conclui o ciclo de graduação universitária a encarar o mestrado como caminho natural a ser seguido. Em dez anos, o número de bolsas concedidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) pulou de 13.060 em 2002 para 43.595 no ano passado. A juventude dos mestres brasileiros pode ser atestada por dados da plataforma Lattes, que agrega os currículos de pesquisadores. De acordo com dados fornecidos pelo serviço, 52% dos portadores do título de mestrado no Brasil tem menos de 39 anos.

Se o cenário comprova a valorização do ensino na sociedade, também pode ser reflexo da deficiência dos nossos cursos de graduação, aponta o pró-reitor de Pesquisa, Pós Graduação e Extensão da UFF, Antonio Cláudio da Nobrega, que também explica a opção pelo mestrado, mesmo quando não se sonha com a carreira acadêmica, pela falta de regulação de especializações na modalidade lato sensu.

– De um modo geral, o jovem que se forma busca mais qualificação para se enquadrar no mercado. O mestrado é mais valorizado porque tem o aval da Capes, enquanto o lato sensu não tem essa avaliação externa. O aluno se sente mais seguro, já que faz um investimento com retorno mais reconhecido, embora a especialização também tenha sua importância – pondera, ao lembrar que a procura também ocorre devido a um gargalo na formação de ensino superior:

– Os cursos de graduação, em muitas universidades, ainda têm um padrão conservador, com disciplinas muito rígidas e dificuldade de se atualizar conforme as exigências da sociedade. A pós, por outro lado, tem um pouco mais de agilidade para fornecer um conhecimento específico que não foi suficiente na graduação.

A opinião do professor é endossada pelo economista Renato Leripio, mestrando da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

– Sinto que, na área de Economia, a graduação não é suficiente para se ter um domínio razoável das matérias – conta o jovem, que sonha em conciliar a carreira acadêmica com uma colocação no Banco Central.

A possibilidade de sair na frente em concursos públicos, inclusive, é uma das vantagens mais citadas pelos jovens ouvidos pela reportagem. Como os editais preveem pontos adicionais para candidatos com mestrado e doutorado, voltar para a faculdade pode valer a pena para concurseiros. Com um diploma de mestre já em mãos e um doutorado em curso na Coppe, Jordana Colmon classifica a Petrobras como “empresa dos sonhos”. Ingressar na pós, a paranaense afirma, foi uma forma de manter o pique dos estudos e se capacitar enquanto tenta conquistar a vaga desejada.

– É um pouco missão impossível estudar para o mestrado e os concursos, mas há semelhança entre os conteúdos. Quero poder usar a pesquisa de forma mais aplicada, em uma empresa como a Petrobras ou a Embraer – explica.

Na outra ponta, uma mudança nas regras de concessão de bolsas em 2010 permitiu a quem já estivesse inserido no mercado somar o benefício ao salário. Segundo a norma, é possível conciliar a bolsa de estudo com o vínculo empregatício, se houver permissão do orientador e a atuação profissional estiver diretamente ligada à pesquisa do aluno. A Capes, no entanto, informa que cada caso é avaliado individualmente e que alunos interessados em acumular o benefício devem procurar a instituição.

A mudança veio a calhar para o historiador Rubens Machado, de 24 anos, que concilia o mestrado em História Social na UFRJ com o trabalho em três colégios diferentes, nas redes pública e privada.

– A prerrogativa de poder acumular a bolsa veio em boa hora, quando eu entrei no mestrado. Há professores que se recusam a assinar a autorização, mas a minha orientadora pensa diferente. A vivência em aula contribui muito para a pesquisa.

Para quem não consegue continuar trabalhando, porém, viver apenas com a bolsa de R$ 1.500 pode ser complicado. Uma das maiores reclamações advém do valor nacional do benefício, o que faz com que estudantes alocados em grandes cidades sofram mais para pagar as contas do que os do interior.

– O valor da bolsa é totalmente insuficiente. Eu vejo que meus amigos que estudaram na mesma faculdade e fazem mestrado e doutorado no Paraná são ricos lá, enquanto eu aqui, no Rio, tenho dificuldades – compara Jordana.

No caso da arquiteta Janaina Matoso, foi justamente o baixo valor da bolsa que a levou a ingressar no mestrado de Urbanismo na UFRJ logo após o fim da faculdade. A jovem de 23 anos avaliou que a única forma de complementar sua formação seria logo no começo da carreira, enquanto ainda vive com a ajuda dos pais, do que mais velha, já empregada, quando possivelmente não teria como abrir mão de um salário para se dedicar exclusivamente à pesquisa.

– O ideal, para o crescimento profissional, seria trabalhar e depois fazer o mestrado. Mas como a bolsa é baixa, é economicamente inviável. Por mais que eu tenha feito essa escolha, foi sobretudo por uma questão econômica. Acredito que, se as bolsas fossem mais atrativas, teríamos profissionais muito mais capacitados – desabafa a mestranda.

Emendar o mestrado com a graduação, porém, pode ser perigoso para quem quer continuar na iniciativa privada, alerta o diretor de educação da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Luiz Edmundo Rosa. Segundo o analista, a estratégia só vale a pena para quem quer seguir carreira acadêmica ou quer mudar de profissão.

– Se você percebe durante o seu curso que não é bem o que você queria fazer, é bom logo em seguida fazer a pós-graduação, já na nova área. Agora, se você quer continuar na mesma carreira, diria para não fazer isso. A pessoa precisa ganhar experiência naquilo que aprendeu. O que se recomenda é uma especialização, e não uma pós-graduação – aconselha Rosa, que explica a diferença entre as duas modalidades:

– A especialização é um complemento, enquanto o mestrado é a oportunidade de revisitar o que já se aprendeu com mais profundidade. O ideal é ir atrás da pós, pelo menos, dois anos depois de entrar no mercado. As escolas europeias não aceitam alguém que acabou de sair da faculdade, justamente porque se espera que o mestrado seja uma troca de experiências entre profissionais.

Sobre os valores das bolsas, a Capes informa que fez dois reajustes em suas bolsas de pós-graduação em menos de um ano. No último, o reajuste na categoria de mestrado saltou de R$ 1.350 para R$ 1.500. Antes desses dois reajustes, o último aumento havia ocorrido em junho de 2008, quando as bolsas de mestrado passaram de R$ 940 para R$ 1.200 mil. Ainda segundo a entidade, entre 2004 e 2008, houve três aumentos, em que as bolsas obtiveram reajuste de 67% sobre os valores de 2002.

Guia de estudos: aprenda a fazer uma boa redação em dez passos

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Lucas Rodrigues, no UOL

Manter-se bem informado e produzir textos dissertativos ao menos uma vez por semana é essencial para conseguir elaborar uma boa redação no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e nos grandes vestibulares. Consultados pelo UOL, especialistas deram dicas para garantir resultados satisfatórios nesse quesito.

Esse roteiro faz parte de uma série de guia de estudos com os dez temas mais importantes de cada disciplina (confira ao lado).

Segundo Arlete Salvador, autora do livro “Como escrever bem para o Enem – Roteiro para uma redação nota 1.000”, conquistar uma escrita apurada é um processo que leva tempo. “O estudante não vai conseguir na última hora escrever melhor se não tiver nenhum tipo de embasamento”, diz.

Ela acredita, contudo, que é possível se exercitar até mesmo em meios diferentes, como nas redes sociais. “Quando for escrever no Facebook, por exemplo, tente escrever sem erros. Descreva aquela viagem que você fez, os lugares, as pessoas, os acontecimentos contemporâneos, um show de música. Diga o que gostou, explique o porquê. Isso contribuiu para o senso crítico”.

Antes da prova
Confira as dicas dadas pela professora Cida Custódio, do Colégio e Curso Objetivo, para a preparação antes do dia da prova de redação:

Mantenha-se informado
“Os temas propostos pelo Enem são sempre relacionados a questões atuais, que de alguma forma estão mobilizando a opinião pública do país. Editoriais de jornais, por serem dissertativos, são os textos mais recomendáveis para despertar o senso crítico do estudante”.

Faça cópias de textos dissertativos
“É bom para assimilar, ao mesmo tempo, estrutura, linguagem, ortografia e pontuação. Nesse caso, caberá antes uma leitura atenta do texto escolhido, que permita ao estudante fazer uma cópia consciente, e não automática”, diz Cida.

“Concluída a cópia, será necessário conferir se foi feita de modo fiel ou displicente. Esse exercício é excelente também para melhorar a capacidade de concentração”.

Escreva duas redações por semana
“Treinar é essencial para garantir um bom desempenho na prova. É importante ainda submeter tais redações à apreciação de um professor, que, com base nas competências levadas em conta pelo Enem na correção das redações, fará uma avaliação criteriosa e personalizada”.

O UOL tem um banco de redações, em que são sugeridos temas atuais a cada mês. Os estudantes podem mandar suas produções, que serão avaliadas por uma equipe especializada em correção de prova de vestibular e Enem.

Conheça os temas anteriores do Enem
“É bastante produtivo fazer ainda algumas redações de temas previamente selecionados, preferencialmente aqueles considerados mais desafiadores”.

No dia da prova
Veja ainda estratégias dadas por Arlete Salvador que devem ser feitas durante a prova de redação:

Encontre o tema
Leia o enunciado e os textos de apoio com atenção. Na folha de rascunho, faça uma lista das ideias principais do assunto geral e dos textos complementares (use uma ou duas palavras para sintetizar essas ideias). Se houver imagens, transforme o conceito central em palavras.

Para a professora Cida, do Objetivo, é fundamental atentar ao encaminhamento sugerido pelos textos motivadores oferecidos pelo Enem. “O candidato independente corre o risco de desconsiderar a coletânea e fugir parcialmente ao tema. Para evitar isso, caberá selecionar duas ou três informações dos textos de apoio e integrá-los ao próprio repertório [cultural e linguístico]”, diz.

Ela enfatiza que aproveitar um ou outro dado da coletânea não significa copiar trechos ou fragmentos, o que é absolutamente impróprio.

Organize as ideias e planeje o texto
Após encontrado o tema, pense sobre o que tem a dizer para aquela discussão. Escolha os argumentos que serão utilizados, duas propostas de intervenção social e qual será a conclusão.

Pense como será a ideia central da introdução e anote na folha de rascunho. O que você pretende defender? Escolha três argumentos que melhor sustentem sua ideia.

Escreva na folha de rascunho
Não se afaste do modelo introdução, desenvolvimento e conclusão. Na hora de elaborar o texto, dê preferência para a terceira pessoa do singular ou do plural, nunca use gírias e utilize expressões de ligação entre parágrafos e ideias.

Se estiver em dúvida sobre uma data, corte-a. Se a indefinição for na grafia de uma palavra, troque-a por um sinônimo.

Para a conclusão, a professora do Objetivo diz que sugestões de intervenção passíveis de serem colocadas em prática serão pertinentes. “Atribuir a responsabilidade pela solução de determinado problema a mais de um setor da sociedade também é importante”, diz.

Invista na linguagem
A professora Cida, do Objetivo, acrescenta que uma linguagem diversificada contribui para o conteúdo do texto. “Contudo, deve-se evitar o vocabulário rebuscado, usado apenas para impressionar a banca. O estudante deve demonstrar repertório linguístico típico de um bom leitor, recém-saído do ensino médio”.

Releia o texto e verifique coerência e coesão
Substitua palavras repetidas por sinônimos e preste atenção se não cometeu deslizes na pontuação –separar sujeito de verbo com vírgula é erro grave–, e na acentuação.

Vale a pena analisar se a introdução apresenta o tema pedido na prova, se os argumentos sustentam a tese escolhida, se as propostas de intervenção social são convincentes e se a conclusão tem conexão com o começo do texto.

Transcreva o texto para a folha oficial
Copie exatamente o que foi produzido na folha de rascunho. Tente fazer uma letra legível e não rabiscar. É importante respeitar os parágrafos, deixando uma pequena margem no início. Logo em seguida, corrija eventuais erros e dê a redação por encerrada.

Maior biblioteca pública da Europa tem 10 andares, jardim suspenso e wi-fi

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Publicado no UOL

http://imguol.com/c/entretenimento/2013/09/18/fachada-da-maior-biblioteca-publica-da-europa-em-birmingham-com-wi-fi-gratuito-em-seus-10-andares-e-jardins-suspensos-o-predio-faz-parte-do-plano-de-renovacao-da-segunda-maior-cidade-1379473483953_956x500.jpg

Esqueça a imagem de livros de páginas amareladas, acumulados em prateleiras poeirentas. Combinando arquitetura, inovações e raridades shakespearianas, a maior biblioteca pública da Europa em número de visitantes redefine o conceito de local de conhecimento.

Localizada a cerca de 2 horas de Londres, a nova biblioteca de Birmingham deve atrair 3,5 milhões de frequentadores por ano, de acordo com as expectativas da organização. Com wi-fi gratuito em seus 10 andares e jardins suspensos, o prédio faz parte do plano de renovação da segunda maior cidade inglesa, mas já serve como referência a outras grandes bibliotecas no velho continente.

O UOL visitou o local, inaugurado no dia 3 de setembro pela jovem paquistanesa Malala Yousafzai. A ativista, que foi levada para Birmingham para receber tratamento após ser baleada pelo Talibã por defender a educação de meninas em seu país, mora atualmente na cidade.

Em um momento em que o governo britânico tem fechado bibliotecas públicas pelo país, abatidas pela recessão, os números estimados para o espaço impressionam.

O prédio de 31 mil metros quadrados foi projeto por arquitetos holandeses para abrigar um milhão de volumes impressos – o maior acervo público no Reino Unido. Desses, 400 mil estão disponíveis para o público.

Conforme o diretor, Brian Gambles, o projeto totalizou £ 188,8 milhões (cerca de R$ 680,95 milhões) – £ 4,2 milhões (R$ 15,15 milhões) a menos do que o orçado.

“É sobretudo um local de transformação: sobre como temos transformado a vida das pessoas, com educação, e sobre como tornar uma biblioteca para a era digital”, ressalta.

Após passar cinco anos trabalhando no projeto, a arquiteta Francine Houben, do escritório holandês Mecanoo, conta que tentou refletir no prédio uma cidade de população jovem e multicultural. Sua obra foi criada para desenvolver os sentidos.

“É uma ode ao círculo”, explica Francine, em referência às formas circulares de diferentes elementos do edifício, como a rotunda de livros, que compreende três andares e conta com luz natural.

Não é apenas a leitura que deve atrair cerca de 10 mil visitantes por dia: o local inclui dois jardins suspensos, anfiteatro ao ar livre, área musical, biblioteca infantil e espaços para estudos com diferentes configurações, entre outros.

“Cada biblioteca é diferente. O que é único na de Birmingham é seu acervo e seu patrimônio”, ressalta a arquiteta, que deve ir a São Paulo no final de outubro para uma palestra.

Área dedicada a Shakespeare tem 43 mil livros, incluindo as quatro primeiras coleções publicadas das peças teatrais do autor (conhecidos como “Folios”) e edições raras de obras individuais impressas antes de 1709

Shakespeare no topo

A biblioteca de Birmingham conta com uma das maiores coleções de William Shakespeare no mundo. O dramaturgo inglês – nascido em Stratford-Upon-Avon, cidade na mesma região inglesa – é homenageado em um espaço histórico, remontado no topo do moderno edifício.

A sala fazia parte originalmente da segunda biblioteca da cidade, inaugurada em 1882 (após um incêndio ter destruído o primeiro prédio). Em estilo vitoriano, com painéis de madeira e gabinetes de vidro, ela foi removida inteiramente e restaurada.

Apesar de a coleção shakespeariana ter se tornado maior do que a capacidade da sala já no início do século 20, ela ainda está abrigada no prédio. São 43 mil livros, incluindo as quatro primeiras coleções publicadas das peças teatrais do autor (conhecidos como “Folios”) e edições raras de obras individuais impressas antes de 1709.

As prateleiras do espaço também dispõem de outros importantes acervos, que passam por digitalização para ser disponibilizado ao público. Alguns podem ser conferidos em mesas com touch screen, desenvolvidas especialmente para a biblioteca.

Uma das preciosidades é o arquivo da empresa Boulton & Watt, o mais importante da Revolução Industrial, com cerca de 29 mil desenhos industriais da época.  No catálogo online, há menção da venda de uma máquina a vapor para a cunhagem de moedas para o Brasil, em 1811.

Entre as mais de 8,2 mil publicações datadas antes de 1701, estão três livros impressos em 1479 pelo primeiro gráfico inglês, William Caxton, em perfeito estado. A edição do “Birds of America” (“Aves da América”), publicado pelo naturalista John James Audubon na primeira metade do século 19, figura entre os mais caros do mundo devido sua raridade e é um dos destaques.

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Além disso, a biblioteca pública de Birmingham é a única no Reino Unido a ter uma das coleções nacionais de fotografias, com mais de 3,5 milhões de imagens.

Em outubro, o espaço deverá receber escritores renomados como Lionel Shriver (autora de “Precisamos Falar sobre Kevin” e “O Mundo Pós-Aniversário”) e Carol Ann Duffy (escritora e poetisa escocesa, primeira mulher a ser indicada como “Poeta Laureado” do Reino Unido) durante o festival de literatura de Birmingham.

A expectativa é que a biblioteca se torne um novo destino turístico na região central da Inglaterra.

Afegão transforma consertos de caminhões em poesia e música

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Matiullah Turab fala das ferramentas e da sua ‘dor’ durante o dia. ‘O trabalho de um poeta não é escrever sobre o amor’, disse

Publicado no Extra Alagoas

Afegão transforma consertos de caminhões em poesia e música

Afegão transforma consertos de caminhões em poesia e música

Um afegão está “transformando” o conceito conhecido por poesia. Em vez de falar de natureza e romance, Matiullah Turab retrata o seu trabalho e a sua dor em um estilo poético e musical no país.

O rapaz, filho de um agricultor, faz a sua poesia baseado nos consertos que faz na sua oficina, principalmente caminhões, segundo o jornal “The New York Times”.

“O trabalho de um poeta não é escrever sobre o amor”, declarou. “O trabalho de um poeta não é escrever sobre flores. Um poeta deve escrever sobre o sofrimento e a dor das pessoas”, disse ao jornal.

Matiullah Turab, de 44 anos, diz que oferece em sua poesia uma voz para os afegãos crescidos sobre a guerra e seus autores cínicos, como os norte-americanos, o Talibã, o governo do Afeganistão e do Paquistão.

Versões gravadas de poemas do Sr. Turab se espalharam no país, especialmente entre seus companheiros étnicos, a quem ele chama de campeões. O homem também tem uma estreita ligação com Hezb-i-Islami – parte islâmico do partido político, que faz parte do grupo militante.

Apesar de suas “aflições” sociais serem “estreitas e divisionistas”, a sua poesia tem apelo de massa, de acordo com o “The New York Times”. Mr. Turab reserva sua caridade para os afegãos comuns, abatidos pela corrupção e decepção que vivem nesta última década.

“Não há nenhum político genuíno no Afeganistão”, disse ele, quebrando brevemente um raro sorriso. “Até onde eu sei, os políticos precisam do apoio do povo, e nenhum desses políticos têm isso. Para mim, eles são como os acionistas de uma empresa. Eles só pensam em si mesmos e os seus lucros”, relatou ao jornal.

Mesmo com seu desprezo pela política, Mr. Turab manteve-se popular nos “cantos influentes” do governo. O presidente Hamid Karzai até o convidou recentemente para o palácio presidencial em Cabul. “O presidente gostou da minha poesia e me disse que eu tinha uma excelente voz, mas eu não sei por que isso”, disse ele. “Eu critico ele”.

O poeta afegão, apesar de conseguir difundir sua “poesia” pelo país, é quase analfabeto. Embora ele possa, com dificuldade, ler cópias impressas, ele não consegue nem escrever nem ler a escrita dos outros, revelou. Ele disse que constrói sua poesia em sua cabeça e que confia na memória para lembrá-la.

Do G1, em São Paulo

Filha de Chico Mendes prepara livro com biografia do pai

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Entrevista para documentário inédito serviu de base para Elenira Mendes. Livro faz parte da celebração à memória do líder seringueiro

Eduardo Duarte no G1

Chico Mendes livro (Foto: Arquivo de família)

Chico Mendes e os filhos Elenira e Sandino (Foto: Arquivo de família)

O ano de 2013 marca os 25 anos da morte do líder sindical Chico Mendes. Para celebrar sua memória, a filha do sindicalista, Elenira Mendes, prepara um livro biográfico com base em uma entrevista inédita que Chico Mendes concedeu à documentarista norte-americana, Miranda Smith, meses antes de morrer, em 1988.

O material foi gravado em VHS poucos meses antes do assassinato de Chico Mendes e contém mais de 1 hora de uma conversa informal que, segundo Elenira, conta toda a trajetória do pai, desde a infância até suas expectativas para o futuro. “Ele faz uma retrospectiva de toda sua jornada, de uma forma muito singela, à beira da janela”, diz.

Elenira Mendes (Foto: Arquivo pessoal)Elenira Mendes conta detalhes do livro sobre o pai
(Foto: Arquivo pessoal)

De acordo com Elenira, durante a entrevista, Chico Mendes fala do seu engajamento na luta em defesa da floresta e dos seringueiros e de sua preocupação em dar continuidade ao seu legado. “Ele fala que a luta não devia parar e da responsabilidade que os filhos dele e dos seringueiros deviam ter no futuro”.

Elenira conta ainda que o material cedido por Miranda Smith é o mais completo sobre a vida de Chico Mendes. “Muita coisa existe sobre ele [Chico Mendes]. Uma entrevista aqui, um vídeo e um áudio ali, mas nunca foi produzido algo onde ele pudesse dizer o que realmente queria”, comenta.

O documentário começou a ser produzido após Chico Mendes chamar a atenção da mídia internacional para a causa da defesa da Floresta Amazônica e dos prêmios internacionais que recebeu como o Global 500, da ONU, em 1987.

O livro deverá ser publicado no início de 2014 e com base no material que recebeu de Miranda Smith, Elenira pretende também finalizar o documentário e lançar, posteriormente, o filme com essa entrevista.

O livro está em fase de revisão e faz parte das celebrações à memória de Chico Mendes após os 25 anos de sua morte. “Depois de 25 anos, não podemos perder a essência da mensagem que Chico Mendes deixou para o mundo”, concluiu.

Morte de Chico Mendes
O líder seringueiro e ambientalista Francisco Alves Mendes, conhecido por Chico Mendes, morreu em 22 de dezembro de 1988, ao 44 anos, com um tiro no peito, em sua casa, no município de Xapuri (AC).

Defensor do meio ambiente, Chico Mendes já havia denunciado ameaças de morte em função de sua intensa luta contra o desmatamento e pela preservação da Amazônia.

Em dezembro de 1990, a Justiça condenou os fazendeiros Darly Alves da Silva e Darcy Alves Ferreira (filho de Darly), a 19 anos de prisão, pela morte do seringueiro.

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