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Documentário promete retratar a vida íntima do discreto autor de “O apanhador no campo de centeio”

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O escritor americano J.D. Salinger também será mote de livro

O autor americano e exemplares de sua mais célebre obra AP Photo/Amy Sancetta

O autor americano e exemplares de sua mais célebre obra AP Photo/Amy Sancetta

Publicado em O Globo

RIO – Autor de “O apanhador no campo de centeio” e um dos reclusos mais famosos dos Estados Unidos, J.D. Salinger (1919-2010) será mote de um documentário, cujos detalhes são mantidos em segredo tanto quanto ele próprio o fazia com sua vida privada.

“Salinger”, o filme, foi escrito ao longo de nove anos por Shane Salerno, que também dirige e produz o longa, bancado por ele mesmo. O projeto é uma virada na carreira de Salerno, mais conhecido pelo trabalho como roteirista de blockbusters tradicionais como “Alien vs. Predador”.

Mas a promessa de descobrir detalhes da vida de um dos escritores mais respeitados da América provou ser uma atração enorme para Hollywood. “Salinger” foi comprado pelo magnata do cinema independente Harvey Weinstein depois de ter viso uma exibição privada na manhã do Oscar deste ano. Mesmo que, na amostra, não tenha visto todas as revelações que o filme promete, ele fechou negócio imediatamente.

Salerno e sua equipe também estão lançando um programa de TV baseado no documentário e já fecharam acordo com a editora Simon and Schuster para publicar um livro chamado “A guerra particular de J.D. Salinger”.

Como Salerno não dá entrevistas, há especulações febris sobre detalhes de casos de amor e rumores de manuscritos inéditos de Salinger. Uma das poucas pistas veio quando Salerno anunciou o negócio do livro. “O mito que as pessoas criaram e acreditaram nos últimos 60 anos em torno de J.D. Salinger é de alguém muito puro para ser publicado, muito sensível para ser tocado. Substituímos esse mito por um ser humano extraordinariamente complexo e profundamente contraditório. Nosso livro oferece uma completa reavaliação e reinterpretação de seu trabalho e de sua vida”, disse Salerno.

Adolescente autista pode ser cotado para o prêmio Nobel

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Jacob Barnett, de 14 anos, estuda sistema quânticos

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Publicado em O Globo

O adolescente norte-americano, Jacob Barnett, de 14 anos, diagnosticado com autismo aos dois, pode ser cotado para receber o prêmio Nobel de Física. Em entrevista à rede de televisão britânica BBC, a mãe de Jacob, Kristine Barnett, disse que na época do diagnóstico do autismo do tipo que varia entre o moderado e o forte, os médicos disseram que ele não aprenderia nem a ler e tampouco a escrever.

— Foram tempos difícieis e eu só queria dar uma educação apropriada ao meu filho — conta a mãe, autora do livro “The Spark: a mother’s story of Nurturing Genius” (A centelha: a história de uma mãe de um gênio em desenvolvimento, em uma tradução livre), onde descreve as experiências do filho.

Apesar do diagnóstico pessimista, a mãe de Jacob conta que buscou estimular o desenvolvimento da capacidade de aprendizado do filho e o cercou de elementos que ele gostava, como música. Aos dois anos, relata Kristine, Jacob fazia terapia todos os dias desenvolver a fala, mas ela percebeu que era nos momentos em que estava em casa que ele fazia experiências fantásticas.

— Ele recriava no chão mapas de locais que visitávamos, recitava o alfabeto de trás para frente e aprendeu a falar quatro línguas diferentes — conta Kristine, que percebeu que o filho era diferente quando o levou a um planetário e ele respondeu a todas as perguntas sobre a lua e a massa relativa dos astros, feitas por um instrutor — Ele tinha três anos e meio na época e ficamos muito surpresos.

Para Jacob, que entrou na faculdade aos 11 anos, os conceitos de física e astronomia são de fácil assimilação:

— As perguntas que o instutor fez naquele dia eram triviais — disse rindo à jornalista da BBC.

No ano passado, Jacob fez uma apresentação no TEDx com a temática “A importãncia de parar de aprender e começar a pensar”. Hoje, Jacob prepara sua tese de Phd em sistemas quânticos.

Foto: Google

Mais uma semana de comemoração para a Saraiva

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Selo Caramelo e ação promocional subiram a editora no ranking

Cassia Carrenho, no PublishNews

1Fazia tempo que não se via uma disputa tão apertada pelos primeiros lugares da lista. Com uma diferença de apenas 74 livros, Cinquenta tons de cinza (Intrínseca)- sim, parece que alguém tomou um remedinho azul – ficou a frente do surpreendente Sonho grande (Primeira Pessoa), que pulou do 9º para a 2º lugar na lista geral. A disputa foi tão grande que entre o 1º e 4º lugares a diferença foi de 310 exemplares.

Outro gol de placa foi marcado pelo livro Casagrande e seus demônios (Globo) que assumiu a liderança da tabela na lista de não ficção.

As novidades da semana foram: ficção, mais um thriller de Harlan Coben, Fique Comigo (Arqueiro) e mais um livro de Assassin’s Creed, Revelações (Galera); não ficção, Guia ilustrado Zahar de filosofia (Zahar); infanto juvenil, Brilhe estrelinha, Vai, equipe!, Voe, abelhinha! e Um dia de sol, todos da Caramelo.

No ranking das editoras o destaque continua para a Editora Saraiva, que com 10 livros do selo infantil Caramelo e 1 da Saraiva foi para a vice liderança. A editora se beneficiou também da ação promocional que fechou com a rede de Livrarias Saraiva para os produtos licenciados da Nickelodeon, que saíram pelo selo Caramelo. Acima da Saraiva, só a Sextante, com 16 títulos. Em 3º vem a Intrínseca, seguida da Ediouro e Record, com 8 cada.

Agonias ilustradas

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Jeferson Bandeira, no Portal Cronópios

Cavalo de Troia

Da dor fez palavras. Congelada chaga em fingidas páginas. O infeliz, ao abrir o livro, sedento por antídoto, não mais escapa ao inexorável abismo.

Felicidade clandestina

Primeiro encontro, inesquecível. Opondo-se às amigas, passa escondida e afobada às estantes. Acuada, cola-o ao peito. De sôfrega a corada, exala o aroma da eterna descoberta.

Hipocondríaco

Só havia um remédio: suicidou-se.

Fé no amor

Num passe, baixou-lhe um espírito sinistro: o amante da mulher. Fez revelações assombrosas e únicas. Cético, largou a mediunidade.

Dia da caça

- Parado, ou eu atiro.
Pobre Cupido, não imaginava ser Hermes aquele homem transvestido.

Passagem

Dois olhos se apagam na terra. Brilha nova estrela no céu.

Grande cartada

Amapola descobriu os dentes de ouro da avó. Numa jogada de mestre, cobriu sua dívida de pó. Mês que vem estuda abrir o túmulo do avô.

ABC

Desejo de infância. No órfão vagar pelas agruras do destino, tropeça num surrado dicionário, obsoleto e desprovido do V. Atroz sina, nunca conceber o sentido da palavra vida.

Quase quixotesco

À noite, picava lençóis. Vencia, a bengaladas, o ventilador. Franzino, guardado pela sobrinha, Alonso amava novelas de cavalaria. Só não amaria uma Dulcineia. Odiava analogias.

Luar sem pouso

Nas temerosas noites de inverno, se envolvia em papelões e desprezados jornais. Tão branca, deitada naquela atmosfera negra e fria da calçada, fazia de ninho o colo do menino.

Multifuncional

Na identidade, masculino. No jeito de ser, feminino. No trabalho, o que o cliente pedisse.

*Micronarrativas do livro Agonias ilustradas

*Micronarrativas do livro Agonias ilustradas

Caetano Veloso: Brisa

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Leio com certa preocupação que o “acordo” sobre a língua portuguesa ficará ainda em banho-maria até 2015

Caetano Veloso, em O Globo

Paquito, duplamente colega meu (já que compõe canções e mantém uma coluna semanal), a propósito da aprovação do novo PDDU pela câmara dos vereadores de Salvador (que, dizem, liberaria as empresas imobiliárias para construir sem respeitar a passagem da brisa), relembrou o divino poema de Bandeira (que Paquito mesmo musicou faz alguns anos):

Recebendo notícias do calor do Rio e curtindo o ventinho brando (é verdade que nem sempre tão brando) que entra por minha casa do Rio Vermelho, emocionei-me ao reler os versos desse pernambucano carioca que fazia poesia assim como quem não faz nada.

Brisa é uma linda palavra. Uma linda ideia expressa no som adequado. Fico pensando nos rappers paulistanos, sobretudo Mano Brown, de quem ouço com tanta frequência a palavra “brisa” ocupando área semântica especial, funcionando como metáfora para outras dimensões da vida. Mano Brown e os Racionais, aliás, é que escreveram a música sobre Marighella que soa como feita por quem sente real identificação com a guerrilha. Nada a ver com meu lento lamento semimonumental. Nelson Rodrigues dizia que “Caminhando” de Geraldo Vandré — a canção favorita dos que se queriam revolucionários — era “uma berceuse”. Felizmente ele não teve de viver para ouvir a minha “Um comunista”. Nelson era um tipo angelical de anticomunista (em geral uma malta desagradável). A brisa de Bandeira, Paquito, Brown e Salvador salva tudo.

As palavras se sentem bem na poesia. “Que a brisa do Brasil beija e balança”. Diretamente no épico de Castro Alves ou citado na soneterapia de Augusto de Campos, esse verso é tudo o que as palavras querem para se sentirem bem. Para exercerem sua função e seu destino.

Leio com certa preocupação que o “acordo” sobre a língua portuguesa ficará ainda em banho-maria até 2015. A preocupação não impede que haja alívio. O acordo é cheio de lacunas e é suspeito. Tantos livros corrigidos e reimpressos! Pra quê? Mas o que me interessa comentar aqui é a docilidade — não, não apenas docilidade, a verdadeira paixão — com que os brasileiros adotam essas normas que são anunciadas. Isso me impressiona. Sempre me impressionou. Nos anos 1970, quando caíram os acentos diferenciais e os que indicavam sílaba subtônica (antes, tínhamos de escrever, por exemplo, “fôra”, para diferençar de “fora”, e tínhamos de pôr um acento grave em, por exemplo, “ràpidamente”, para frisar que o advérbio vinha de um adjetivo proparoxítono). Todo mundo se guiou. Em editorial da “Folha”, leio que o “acordo” não é uma dessas leis brasileiras que “não pegam”. Ao contrário. A mim, esse respeito rápido (vejo-o nos jornais e nos e-mails, ouço perguntas sobre as mudanças mesmo de pessoas pouco letradas) me parece da mesma natureza do interesse pelos professores de gramática: o povo quer ordem na língua que fala. Quer saber o que é certo, como se deve escrever. Deseja, num plano mais superficial, exercer sua vaidade; num plano mais profundo, saber que sua língua é respeitada e respeitável, que ela é forte.

Claro que detesto que tenhamos passado a grafar “para” para “para” e para “pára”. Isso só cria confusão e não tem absolutamente nenhuma vantagem. Lendo o excelente “Marighella” de Mário Magalhães, me deparei com alguns casos em que tive de recomeçar a ler a frase para saber se a palavra incial era um “fora” ou um “fôra”. Isso, embora mis velho do que o acordo, tampouco é bom. Para nada. Mas é bom que os falantes procurem adequar-se o mais pronto possível ao que lhes chega anunciado como regra. Eles buscam a norma, assim como o assalariado busca o carro e a geladeira. A vanguarda revolucionária dos sociolinguistas é leninista: eles sabem melhor o que os falantes querem. Segundo eles, os falantes querem que lhes seja dito que está bom do jeito que eles já fazem (sem deixar de contar que existem a norma, o carro e a geladeira).

Não se enganem: gosto do Bagno. Mas ao pensar sobre essas coisas, prefiro voltar a Marighella, Mano Brown, Paquito e Manuel Bandeira. Brisa. Os poetas sabem que os acordos podem ser respeitados porque a poesia vencerá no fim. Eles se submetem sabendo que é coisa de somenos. Não sou poeta para postar-me tão alto. Chio um pouco. Sou um falante popular que sempre quis saber melhor. Por favor, não roubem minha brisa.

Vamos viver no Nordeste, Anarina.

Deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas riquezas, minha vergonha.

Deixarás aqui tua filha, tua avó, teu marido, teu amante.

Aqui faz muito calor.

No Nordeste faz calor também.

Mas lá tem brisa:

Vamos viver de brisa, Anarina

foto: Internet

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