Vitrali Moema

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Autor de “Reparação” ajudou filho em trabalho escolar sobre o livro e a nota final foi mediana!

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Ian McEwan || Créditos: Getty Images

Anderson Nunes, no Glamurama

Escolhido em 2008 pelo jornal britânico “The Times” como um dos 50 melhores escritores do Reino Unido, Ian McEwan tem o pé atrás com relação às escolas de seus filhos e dá até para dizer que ele tem um bom motivo para se sentir assim… Numa entrevista que deu recentemente para uma revista do país, o autor de clássicos como “Reparação”, “Amsterdam” e “Na Praia” revelou que certa vez precisou ajudar o filho Greg a resenhar um de seus textos mais conhecidos – “Amor Obsessivo” – para um trabalho de colégio e no fim a nota do garoto não foi das melhores.

“Confesso que até dei um tutorial para ajudá-lo sobre o que considerar. Não cheguei a ver o que ele escreveu, mas sua professora discordou fundamentalmente do que leu”, disse McEwan. “Acho que ele tirou nota 7, se não me engano”.

Na hora de falar sobre o atual momento da indústria literária, no entanto, o escritor fez jus ao apelido de “Ian Macabro” que ganhou no começo da carreira e se mostrou pessimista: “As vendas de livros de ficção, curiosamente, estão em queda livre e caíram cerca de 35% nos últimos cinco anos. Todo munto tem uma teoria: os novos lançamentos de televisão, talvez um cansaço dos leitores, ninguém sabe… Talvez o que estão escrevendo por aí simplesmente não seja bom o suficiente”.

Em tempo: best-seller de 2007, “Na Praia” foi adaptado para a telona sob a batuta de Dominic Cooke e deverá estrear nos cinemas do hemisfério norte no próximo dia 18. O drama ambientado na praia de Chesil, no sul do Inglaterra, terá Saoirse Ronan e o novato Billy Howle nos papéis principais, e foi considerado por um crítico do “The
Economist” melhor até que a obra original de McEwan na qual foi inspirado.

A mulher que comoveu o Afeganistão com determinação para estudar

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A afegã Jahantab Ahmadi Imagem: Reprodução/Facebook

Publicado no UOL

Em um país no qual as mulheres geralmente aparecem no noticiário devido a mortes e violência, a imagem de uma mãe sentada no chão com uma criança no colo enquanto fazia uma prova de vestibular comoveu o Afeganistão.

Jahantab Ahmadi tem 25 anos e é mãe de três crianças. Ela cresceu em uma família muito pobre em Ushto, uma aldeia remota da província central de Daikundi onde começou a estudar tarde. Aos 18 anos concluiu o ensino fundamental, fase em que as crianças geralmente têm 14 ou 15 anos.

Em seguida, Jahantab casou-se com um agricultor analfabeto e, um ano depois, teve o primeiro filho. Em um país onde o casamento infantil e adolescente é a primeira causa de deserção escolar das meninas, o destino de Jahantab parecia selado, mas contra todas as previsões e com muitas dificuldades, continuou estudando.

Jahantab, que caminhava duas horas por dia até a escola, completou o ensino médio em 2013, mas não pôde continuar os estudos. “Sempre pensei em ir à universidade, mas os problemas me perseguiam”, lamentou.

Há duas semanas, após duas horas de caminhada e dez de ônibus desde sua aldeia, Jahantab chegou a Nili, capital da província de Daikundi, com seu filho de três meses nos braços para fazer a prova de acesso à universidade.

Mas, durante o exame, que foi realizado em um espaço aberto, o bebê começou a chorar por causa de uma dor no ouvido. Ela se levantou da carteira, se sentou no chão para tentar consolar a criança e continuou a responder as questões da prova com uma mão.

A impactante imagem foi fotografada por um professor que fiscalizava a prova. A foto foi compartilhada nas redes sociais e viralizou em questão de horas, gerando uma avalanche de reações.

“Não me dei conta de que alguém tinha me fotografado. Me assustei quando soube, mas as fotos me trouxeram sorte e transformaram o meu sonho em realidade”, narrou Jahantab com o bebê nos braços enquanto aconselhava os outros dois filhos a não saírem do quarto.

O destino dessa mãe mudou definitivamente. Após ver as fotos na internet, Jahantab e a família foram convidados a Cabul pela ativista dos direitos das mulheres Zahra Yagana.

A Associação Juvenil Afegã, uma ONG com sede no Reino Unido, arrecadou 11 mil libras esterlinas para apoiá-la e o segundo vice-presidente do país, Sarwar Danish, prometeu pagar durante quatro anos os custos de uma residência em Cabul.

Além disso, a presidência do país a ajudou a entrar na faculdade de Economia de uma universidade privada, onde terá todas as despesas cobertas durante esses quatro anos.

“Jahantab é, para mim, a mulher do ano do Afeganistão”, escreveu em uma rede social Farkhunda Zahra Naderi, conselheira do presidente afegão, ao ressaltar que a jovem é “uma referência” e que “mulheres valentes” como ela “acabarão com a violência” no país.

Apoio em casa

Mas há algo mais por trás da coragem. No Afeganistão, as meninas representam 39% dos estudantes em colégios em zonas urbanas e 24% em áreas rurais, e as famílias obrigam que elas abandonem os estudos após o casamento. O caso de Jahantab foi diferente, já que encontrou o apoio incondicional do marido, algo pouco habitual na conservadora sociedade afegã.

“Eu a apoio porque não quero que os meus filhos cresçam analfabetos como eu”, disse ele, ao reconhecer que não pôde ir à escola e quis que os filhos e a sua mulher seguissem com os estudos.

Nem sequer o fato de sua esposa ter aparecido em fotografias, o que vai contra a puritana moral afegã, impactou a fé do marido na companheira.

“Confio na minha mulher, então não me importa o que outros digam. Mesmo se as fotos não tivessem nos beneficiado e tivessem nos prejudicado, não teria me irritado com Jahantab”, acrescentou o marido, enquanto tomava conta das duas crianças mais velhas, de 6 e 3 anos.

Qual é a melhor forma de incentivar a leitura do seu filho?

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Gislene Naxara, no Estadão

Forçar uma criança a ler pode atrapalhar seu desenvolvimento natural. Mas infelizmente isso acontece com frequência, pois algumas famílias costumam antecipar essa situação. Um aluno na fase de Educação Infantil ou de séries iniciais do Fundamental está em processo de alfabetização, que acontece desde seu ingresso na escola. Esse desenvolvimento é muito espontâneo. O pequeno tem uma motivação, que é interna, e tem todo estímulo externo, trazido pela escola e família. Porém, temos que respeitar o tempo de cada um, pois a aprendizagem é individual. Não podemos pular alguma etapa desse desenvolvimento. Nesse sentido, a escola é que sabe dessa caminhada e entende o processo. Por não ser especialista na área, muitas vezes a família pode não compreender e tomar um direcionamento errado. Portanto, a ajuda por parte dos pais é mostrar para a criança a importância da leitura e qual a sua função social, mas sem obrigá-la a ler.

Pai e mãe tornam-se bons exemplos sendo leitores. O segredo é motivar e não exigir. De que forma? Ler para seus filhos, levá-los à biblioteca, à livraria e ter um ambiente letrado em casa. Esses são fatos que ajudam muito mais que atitudes formais de estudo. É a escola que vai orientar a família. Com mais de 30 anos na área de educação e também atuando como coordenadora pedagógica da Educação Infantil no Colégio Salesiano Santa Teresinha, situado na Zona Norte de São Paulo, eu percebi que se houver qualquer necessidade de um acompanhamento diferente, é a instituição que vai dar a orientação. Por isso, os pais devem tomar cuidado, porque às vezes uma expectativa grande acaba atrapalhando a criança, que passa por várias fases que precisam ser respeitadas. Se a família as antecipa, o filho pode se prejudicar, pois fica inseguro e frustrado ao não conseguir corresponder aos anseios.

A unidade escolar tem autoridade nesse processo, que tem de acontecer de maneira espontânea, com o pequeno estudante construindo seu saber de forma participativa, resultando no sucesso e desenvolvimento adequados. Mas, afinal, qual é a melhor forma de incentivar a leitura? Como inseri-la no dia a dia? É importante que seja um hábito diário e, sempre que possível, motivador, envolvente e prazeroso. Em casa, a família deve cuidar para que esses momentos não sejam didáticos, pois competem à escola.

A família não pode trazer para casa atitudes ou atividades formais escolares, mas ela pode incentivar, valorizar e motivar. A simples atitude de ir até uma banca de jornal com o filho(a) comprar uma revista ou um jornal – algo que está ficando raro por conta da tecnologia – e deixar a criança pegar uma história em quadrinhos ou outro tipo de publicação infantil, por exemplo, é uma forma muito boa de estimular, pois a insere nessa rotina. Deixá-la folhear revistas, gibis, livros e outros veículos de acordo com a faixa etária. Ler e trazer toda aquela magia da história ajuda muito, ou seja, fazer atividades lúdicas e motivadoras, como sentar e ler os livrinhos dela. Não é levar o pequeno em um cantinho da leitura e deixá-lo lá enquanto faz outras coisas, é estar com ele.

Sempre que possível, o momento de leitura deve ser compartilhado. Além dos materiais didáticos, atualmente as editoras de ótimos livros infantis investem em publicações recreativas, coloridas e informativas, recheadas de interatividade, com belas ilustrações e muitos detalhes do nosso cotidiano. Mas vale lembrar que bom senso é a palavra certa, ou seja, não é recomendável deixar a criança com pouco tempo livre para seu lazer, pois isso também pode prejudicar o desempenho escolar.

O pequeno não deve ter muitas atividades extras, que preencham todo o seu dia. Ele tem que ter o tempo para brincar, descansar ou assistir a um desenho. Ele pode até adorar a leitura, mas também precisa ter uma rotina com outras atividades para participar. Portanto, é necessário regrar o tempo livre entre os livros, os momentos de estudar e de escolher com o que ele vai brincar e o que vai fazer. Afinal, o lúdico faz parte da infância.

Problemas no casamento? Quer superar uma traição? Você precisa ler Laços

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Rodrigo Casarin, no Página Cinco

“Caso tenha esquecido, egrégio senhor, permita-me recordar: sou a sua mulher. Sei que antigamente isso lhe agradava e agora, de uma hora para outra, já começou a aborrecê-lo. Sei que faz de conta que não existo e que nunca existi, porque não quer fazer feio diante da gente culta que você frequenta. Sei que ter uma vida regrada, ter de voltar para casa na hora do jantar, dormir comigo e não com quem lhe dá na telha faz com que se sinta um cretino. Sei que você tem vergonha de dizer: vejam, me casei no dia 11 de outubro de 1962, aos vinte e dois anos; disse sim na frente do padre, numa igreja do bairro Stella, e o fiz só por amor, não porque precisasse me proteger; vejam, tenho minhas responsabilidades, e se vocês não entendem o que significa ter responsabilidades, é porque são pessoas mesquinhas. Sei disso, sei perfeitamente. Mas, quer você queira, quer não, o dado concreto é este: eu sou sua mulher e você é meu marido, estamos casados há doze anos – doze anos em outubro – e temos dois filhos, Sandro, nascido em 1965, e Anna, nascida em 1969. Preciso mostrar os documentos para refrescar sua memória?”

É assim que começa “Laços”, do italiano Domenico Starnone, recém-publicado no Brasil pela Todavia e certamente um dos melhores romances que li neste ano. Aldo, a quem a carta é destinada, deixou sua mulher, Vanda, a autora da missiva, para viver uma aventura amorosa com uma jovem por quem se apaixonou. Foi claro com a esposa quando expôs seus sentimentos, saiu de casa e, por mais que tentasse cumprir um teatro protocolar vez ou outra, acabou por se distanciar dos filhos. No entanto, quando a paixão se extinguiu, regressou ao antigo lar, à família que ele supunha estar bovinamente esperando que voltasse. Por mais que as aparências eventualmente fossem ao encontro da capenga teoria, a relação entre o casal e seus filhos já estava condenada.

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Domenico Starnone.

Em um texto breve – o livro tem 144 páginas – e fragmentado, formando um quebra-cabeças cujas peças se destinam a diferentes atores da história, Starnone constrói uma narrativa que se passa em diferentes cenários da Itália e atravessa mais de 50 anos da vida do casal. São diversas as questões que balizam “Laços”: crise da meia idade, a liberação sexual dos anos 1970, o casamento enquanto instituição, o machismo, as responsabilidades de pai e mãe no trato com seus rebentos…

 

No entanto, o grande pilar da obra é outro: as relações de confiança que uma vez quebradas jamais retornam ao seu estado original. Assim que Aldo volta à casa, uma guerra fria imediatamente se instala entre ele e Vanda, que se posta como a legítima e exclusiva dona daquele lar. Sem que nenhum dos dois tenha força, estrutura ou disposição para uma ruptura definitiva, ambos passam a se arrastar pela vida tendo o outro como fardo – ela exalando rancor, ele numa insustentável posição de vítima. Isso, evidentemente, impacta diretamente na formação de Sandro e Anna, que crescem olhando de forma no mínimo desconfiada para os pais. Toda essa complexa e abalada relação é construída de forma magistral por Starnone.

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“Metamorfose de Narciso”, de Salvador Dalí.

“Toda a estrutura deste romance, na verdade, me parece uma série de caixas chinesas, com cada elemento da trama inserido de forma discreta e impecável dentro do elemento seguinte. Não há furos na construção, nada de fissuras. Nenhum detalhe escapou à atenção do autor; assim como na casa de Aldo e Vanda – o marido e a mulher que estão no centro da narrativa -, cada coisa está em seu lugar, em perfeita ordem”, analisa a escritora e tradutora Jhumpa Lahiri no prefácio do volume.

Outro dia vi algum amigo dizer no Facebook que “Laços” era um monumento sobre o rancor. Infelizmente não lembro quem foi, mas concordo absolutamente. O romance de Starnone é realmente um monumento ao rancor de gênese conhecida, mas que encontra corpos que não estão dispostos a tratá-lo de fato, pois a única cura possível, no caso, seria o afastamento definitivo de duas pessoas que fingem se amar, se amam de um modo absurdamente peculiar, querem evitar a fadiga de uma separação ou, o que é mais provável, têm um relacionamento que é uma mistura disso tudo junto. O grande problema é que, como vemos no final do livro, essa vida arrastada sobre uma piscina de ódio sempre acaba por perpetuar sentimentos danosos.

Como posso ajudar meu filho no processo de alfabetização?

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Ricardo Falzetta, em O Globo

A resposta mais simples e direta é: lendo para ele sempre que possível. Mas dessa resposta deriva uma série de outras questões. E se não houver tempo ou recursos para essa leitura? Quais livros ou textos devo ler para meu filho? E se eu não for capaz de ler? Como devo ajudar nas tarefas de casa?

Há respostas para todas essas perguntas. Há caminhos possíveis para todos os casos, porque toda criança pode e quer aprender. Mas, antes de tudo, é preciso enunciar uma premissa. Desenvolver a capacidade de ler e escrever é um direito. E esse direito deve ser garantido pela escola. A participação da família no processo de alfabetização é importante, mas deve ser vista sempre como complementar. Essa participação, de acordo com as condições socioeconômicas de cada família, vai variar caso a caso.

Escolas que atendem a famílias de baixo nível socioeconômico têm a obrigação de compensar o menor acesso que as crianças terão às culturas do escrito no ambiente familiar. Nesse caso, as políticas públicas devem estar ajustadas para direcionar a essas escolas os maiores investimentos, por exemplo, em acervo e em formação docente. Pois é nessas escolas que estão os maiores desafios. Onde há mais recursos, o ponto de partida está adiante, não é difícil imaginar.

Garantidas as condições adequadas para o trabalho pedagógico, o papel de pais e responsáveis é promover em casa um ambiente o mais letrado possível. E isso não deve ocorrer somente durante o chamado ciclo de alfabetização (no Brasil, os três primeiros anos do Ensino Fundamental). O desenvolvimento da leitura e da escrita se inicia já na primeira infância e, a rigor, não tem data para terminar. O que é preciso garantir até o ciclo de alfabetização é que a criança desenvolva autonomia para seguir adiante. Mas ela sempre estará aprendendo algo novo.

Ler para os filhos com regularidade, demonstrar curiosidade pelas leituras que a criança faz na escola, acompanhar as tarefas, mostrar disponibilidade para ouvir as leituras que a criança fará em casa, conversar sobre as leituras que cada um faz, todas essas práticas ampliam o entendimento da criança sobre a importância social da leitura e da escrita. Se não há tempo para que essas atividades sejam diárias, é preciso garantir um tempo mínimo semanal, com qualidade. Cada família terá de ajustar sua rotina. Em algum momento é necessário tornar explícita, no ambiente familiar, uma “hora da leitura” (da escrita, da conversa sobre o que se lê, etc, etc). A escolha dos livros pode se iniciar pelos autores consagrados. Não busque a simplificação. Fuja das adaptações que infantilizam as histórias em nome de pretensas moralidades. Procure textos instigantes, provocadores e, caso surjam dúvidas,bibliotecários e professores podem ajudar na seleção. Amigos e familiares que já são leitores experientes também podem ajudar. Aos poucos, você cria ou passa a integrar uma comunidade de leitores.

*Com a colaboração de Pricilla Kesley, jornalista do Todos Pela Educação

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