Praças da Cidade

Posts tagged filhos

Problemas no casamento? Quer superar uma traição? Você precisa ler Laços

0

lacos

Rodrigo Casarin, no Página Cinco

“Caso tenha esquecido, egrégio senhor, permita-me recordar: sou a sua mulher. Sei que antigamente isso lhe agradava e agora, de uma hora para outra, já começou a aborrecê-lo. Sei que faz de conta que não existo e que nunca existi, porque não quer fazer feio diante da gente culta que você frequenta. Sei que ter uma vida regrada, ter de voltar para casa na hora do jantar, dormir comigo e não com quem lhe dá na telha faz com que se sinta um cretino. Sei que você tem vergonha de dizer: vejam, me casei no dia 11 de outubro de 1962, aos vinte e dois anos; disse sim na frente do padre, numa igreja do bairro Stella, e o fiz só por amor, não porque precisasse me proteger; vejam, tenho minhas responsabilidades, e se vocês não entendem o que significa ter responsabilidades, é porque são pessoas mesquinhas. Sei disso, sei perfeitamente. Mas, quer você queira, quer não, o dado concreto é este: eu sou sua mulher e você é meu marido, estamos casados há doze anos – doze anos em outubro – e temos dois filhos, Sandro, nascido em 1965, e Anna, nascida em 1969. Preciso mostrar os documentos para refrescar sua memória?”

É assim que começa “Laços”, do italiano Domenico Starnone, recém-publicado no Brasil pela Todavia e certamente um dos melhores romances que li neste ano. Aldo, a quem a carta é destinada, deixou sua mulher, Vanda, a autora da missiva, para viver uma aventura amorosa com uma jovem por quem se apaixonou. Foi claro com a esposa quando expôs seus sentimentos, saiu de casa e, por mais que tentasse cumprir um teatro protocolar vez ou outra, acabou por se distanciar dos filhos. No entanto, quando a paixão se extinguiu, regressou ao antigo lar, à família que ele supunha estar bovinamente esperando que voltasse. Por mais que as aparências eventualmente fossem ao encontro da capenga teoria, a relação entre o casal e seus filhos já estava condenada.

domenico

Domenico Starnone.

Em um texto breve – o livro tem 144 páginas – e fragmentado, formando um quebra-cabeças cujas peças se destinam a diferentes atores da história, Starnone constrói uma narrativa que se passa em diferentes cenários da Itália e atravessa mais de 50 anos da vida do casal. São diversas as questões que balizam “Laços”: crise da meia idade, a liberação sexual dos anos 1970, o casamento enquanto instituição, o machismo, as responsabilidades de pai e mãe no trato com seus rebentos…

 

No entanto, o grande pilar da obra é outro: as relações de confiança que uma vez quebradas jamais retornam ao seu estado original. Assim que Aldo volta à casa, uma guerra fria imediatamente se instala entre ele e Vanda, que se posta como a legítima e exclusiva dona daquele lar. Sem que nenhum dos dois tenha força, estrutura ou disposição para uma ruptura definitiva, ambos passam a se arrastar pela vida tendo o outro como fardo – ela exalando rancor, ele numa insustentável posição de vítima. Isso, evidentemente, impacta diretamente na formação de Sandro e Anna, que crescem olhando de forma no mínimo desconfiada para os pais. Toda essa complexa e abalada relação é construída de forma magistral por Starnone.

Metamorfose-de-Narciso_Salvador-Dali-1024x683

“Metamorfose de Narciso”, de Salvador Dalí.

“Toda a estrutura deste romance, na verdade, me parece uma série de caixas chinesas, com cada elemento da trama inserido de forma discreta e impecável dentro do elemento seguinte. Não há furos na construção, nada de fissuras. Nenhum detalhe escapou à atenção do autor; assim como na casa de Aldo e Vanda – o marido e a mulher que estão no centro da narrativa -, cada coisa está em seu lugar, em perfeita ordem”, analisa a escritora e tradutora Jhumpa Lahiri no prefácio do volume.

Outro dia vi algum amigo dizer no Facebook que “Laços” era um monumento sobre o rancor. Infelizmente não lembro quem foi, mas concordo absolutamente. O romance de Starnone é realmente um monumento ao rancor de gênese conhecida, mas que encontra corpos que não estão dispostos a tratá-lo de fato, pois a única cura possível, no caso, seria o afastamento definitivo de duas pessoas que fingem se amar, se amam de um modo absurdamente peculiar, querem evitar a fadiga de uma separação ou, o que é mais provável, têm um relacionamento que é uma mistura disso tudo junto. O grande problema é que, como vemos no final do livro, essa vida arrastada sobre uma piscina de ódio sempre acaba por perpetuar sentimentos danosos.

Como posso ajudar meu filho no processo de alfabetização?

0

dia_da_consciencia_negra

Ricardo Falzetta, em O Globo

A resposta mais simples e direta é: lendo para ele sempre que possível. Mas dessa resposta deriva uma série de outras questões. E se não houver tempo ou recursos para essa leitura? Quais livros ou textos devo ler para meu filho? E se eu não for capaz de ler? Como devo ajudar nas tarefas de casa?

Há respostas para todas essas perguntas. Há caminhos possíveis para todos os casos, porque toda criança pode e quer aprender. Mas, antes de tudo, é preciso enunciar uma premissa. Desenvolver a capacidade de ler e escrever é um direito. E esse direito deve ser garantido pela escola. A participação da família no processo de alfabetização é importante, mas deve ser vista sempre como complementar. Essa participação, de acordo com as condições socioeconômicas de cada família, vai variar caso a caso.

Escolas que atendem a famílias de baixo nível socioeconômico têm a obrigação de compensar o menor acesso que as crianças terão às culturas do escrito no ambiente familiar. Nesse caso, as políticas públicas devem estar ajustadas para direcionar a essas escolas os maiores investimentos, por exemplo, em acervo e em formação docente. Pois é nessas escolas que estão os maiores desafios. Onde há mais recursos, o ponto de partida está adiante, não é difícil imaginar.

Garantidas as condições adequadas para o trabalho pedagógico, o papel de pais e responsáveis é promover em casa um ambiente o mais letrado possível. E isso não deve ocorrer somente durante o chamado ciclo de alfabetização (no Brasil, os três primeiros anos do Ensino Fundamental). O desenvolvimento da leitura e da escrita se inicia já na primeira infância e, a rigor, não tem data para terminar. O que é preciso garantir até o ciclo de alfabetização é que a criança desenvolva autonomia para seguir adiante. Mas ela sempre estará aprendendo algo novo.

Ler para os filhos com regularidade, demonstrar curiosidade pelas leituras que a criança faz na escola, acompanhar as tarefas, mostrar disponibilidade para ouvir as leituras que a criança fará em casa, conversar sobre as leituras que cada um faz, todas essas práticas ampliam o entendimento da criança sobre a importância social da leitura e da escrita. Se não há tempo para que essas atividades sejam diárias, é preciso garantir um tempo mínimo semanal, com qualidade. Cada família terá de ajustar sua rotina. Em algum momento é necessário tornar explícita, no ambiente familiar, uma “hora da leitura” (da escrita, da conversa sobre o que se lê, etc, etc). A escolha dos livros pode se iniciar pelos autores consagrados. Não busque a simplificação. Fuja das adaptações que infantilizam as histórias em nome de pretensas moralidades. Procure textos instigantes, provocadores e, caso surjam dúvidas,bibliotecários e professores podem ajudar na seleção. Amigos e familiares que já são leitores experientes também podem ajudar. Aos poucos, você cria ou passa a integrar uma comunidade de leitores.

*Com a colaboração de Pricilla Kesley, jornalista do Todos Pela Educação

4 formas de incentivar a leitura nas crianças

0

Leitura

Publicado no Agora MS

Quem já teve a oportunidade de perder-se entre as páginas de um livro sabe que a leitura é uma das melhores atividades para quem deseja momentos relaxantes, prazerosos e cheios de aprendizado. Um livro tem o poder de transportar a mente para dimensões únicas, além de ser uma excelente fonte de inspiração para a criatividade. Entre os diversos capítulos de uma obra, o leitor passa a enxergar a vida de uma maneira diferente e a estimular seu pensamento reflexivo.

Para as crianças, esses benefícios são ainda mais preciosos. Incentivar o hábito da leitura, desde cedo, é muito importante pois é, durante a infância, que os pequenos começam a se desenvolver física e cognitivamente. Além disso, essa é uma fase de descoberta em que as crianças aprendem a distinção entre aquilo que é correto e aquilo que não é, e também iniciam o processo de alfabetização e conhecimento de mundo. Pensando nisso, reunimos algumas dicas para ajudar a você a incentivar o hábito de leitura no seu pequeno. Confira!

1 – Não obrigue a criança a ler

O primeiro passo é evitar qualquer tipo de obrigação relacionada à essa atividade. Os pequenos devem se sentir interessados pela leitura e enxergá-la como algo prazeroso. Por isso, a dica é que os próprios pais comecem a ler para os seus filhos, até mesmo para aqueles que já iniciaram o processo de alfabetização. Observando o entusiasmo dos pais, as crianças ficarão ainda mais interessadas pelo livro.

2 – Encontre o tipo de leitura que o seu filho gosta

Levar em conta o gosto da criança é um ponto-chave para incentivar a leitura. Por isso, é fundamental conversar com o seu filho sobre suas preferências ou levá-lo para escolher algum livro na seção infantil da biblioteca ou livraria. Se a criança se interessa por pintura, por exemplo, um livro de colorir pode ser uma boa pedida.

3 – Escolha o livro apropriado para a idade

Um fator fundamental para incentivar a leitura é fazer a escolha do livro de acordo com a idade da criança. Antes da alfabetização, os pequenos tendem a ter um contato visual e a querer sentir os livros com as próprias mãos. Nessa fase, edições de livros coloridos e feitos de plástico são ideais. Já com o início da alfabetização, é indicado que os pais adotem um método de leitura alternada, ou seja, deixar o filho ler uma parte da história e o pai a outra. Nesse momento, prefira livros que tenham um equilíbrio entre a escrita e as ilustrações.

Para não errar na escolha das obras, uma boa opção é assinar um clube do livro e, assim, receber títulos adequados para a idade do seu filho. A Leiturinha é um exemplo de clube de assinatura de livros infantis. O clube conta com uma equipe de curadoria, composta por profissionais especializados na área de pedagogia e psicologia, que seleciona os livros apropriados para a idade de cada criança.

4 -Estimule o interesse para a criação de histórias

Mesmo após a alfabetização, é fundamental a participação dos pais para que os pequenos continuem envolvidos com a leitura. A última dica, então, é instigar a criação de histórias para que os pequenos criem suas próprias narrativas e, quem sabe, até seus próprios livros. Assim, a criança desenvolverá a capacidade cognitiva, criativa e ficará ainda mais interessada por livros.

Quantos mais livros em casa, melhor a capacidade de leitura da criança

0
(Foto: Shutterstock)

(Foto: Shutterstock)

 

Pediatric Academic Societis Meeting comprova o que já sabíamos: ler para o seu bebê ajuda no desenvolvimento dele

Vitória Batistati, na Revista Crescer

No início deste mês, o jornal Pediatric Academic Societies Meeting publicou um novo estudo que mostra que a proximidade das crianças com os livros ainda na primeira infância pode aumentar as habilidades delas com o vocabulário e a leitura nos anos seguintes.

A descoberta dos pediatras foi reveladora: eles perceberam que aquilo que os bebês escutam nas leituras permanece com eles e exerce influência no aprendizado quatro anos depois, quando chega a hora de ingressar no ensino primário. Para chegar a esse resultado, os especialistas analisaram, durante quase 4 anos, a compreensão da linguagem e as habilidades de leitura em mais de 250 mães e seus filhos de 6 meses até eles completarem 4 anos e meio.

A conclusão a qual os pediatras chegaram foi é que, quantos mais livros a família tiver em casa, mais desenvolvida será a linguagem da criança no futuro. Como explica uma das cientistas responsáveis pelo estudo, famílias que possuem 100 livros em casa têm filhos com capacidade de leitura de 1 ano e meio à frente de outras crianças de mesma idade. Conforme o número de livros aumenta, mais avançada é a habilidade do pequeno. “Mas não é só sobre ter 100 ou 500 livros em casa. O que eles querem dizer é que, quando existe uma imersão literária no lar, a criança tem maiores chances de ter contato com a leitura e isso exerce influência no desenvolvimento da linguagem dela. Os 100 livros são, na verdade, 100 oportunidades de a criança ter alguém interpretando uma história para ela”, analisa a psicopedagoga Irene Maluf, membro da Associação Brasileira de Psicopedagogia.

Além da quantidade de livros disponíveis, os autores da pesquisa americana também apontaram dois outros fatores importantes para iniciar a criança nesse mundo: a quantidade de dias por semana que a mãe lia para a criança e a qualidade dessa leitura (o que, para efeitos do estudo, equivalia a conversas sobre a história do livro e comentários sobre as emoções dos personagens do livro).

“Essa pesquisa traz dados bem razoáveis, parecidos com o que a gente vê na realidade”, complementa Irene. Ainda assim, segundo ela, o ideal é começar a ler para a criança quando ela ainda está no útero: “É interessante porque, durante essa leitura, a mãe privilegia a atenção a ele e já cria um contato, um laço. Ele pode não entender ainda, mas vai escutar. É um momento de relacionamento afetivo que tem influência nos anos seguintes”.

3 dicas para ler para o seu filho

– Ao contar uma história de forma oral, consequentemente fazemos entonações e tons de voz diferentes para demonstrar emoções. Ainda que a criança não entenda do que se trata, ela recebe uma estimulação auditiva durante a situação;

– Conforme o bebê cresce e durante a fase “toddler” (de 1 a 3 anos), livros com figuras, cores e objetos são importantes no desenvolvimento da linguagem;

– Pais que leem em casa já dão o exemplo, mas é necessário conscientizar a criança sobre a importância de ler: comente sobre a leitura com seu filho, explicando que você lê para aprender coisas novas, para se divertir, para conhecer uma nova língua, etc.

Morador de rua de BH vence o crack com a ajuda da literatura e já tem dois livros publicados

0

capa_04-768x364

Daniel Froes, no Razões para Acreditar

O mineiro Roberto Nascimento, de Governador Valadares, encontrou na literatura a porta de saída do vício no crack. “De morador de rua a poeta”. É assim como ele define a sua superação.

O vício na droga o fez perder a família, os amigos de infância, o emprego, a autoestima, o sorriso. Mas, graças a sua vontade de dar a volta por cima e o contato com o mundo mágico das letras, ele conseguiu deixar o crack e se tornar um poeta.

“Fui um sem-teto até fevereiro passado. Agora ganho a vida negociando meu livros”, conta Roberto, que já tem dois livros lançados: “O poeta ambulante I e “O poeta ambulante II” – cada um custa apenas 5 reais!

Roberto e a família moraram durante um bom tempo na Zona Leste de Belo Horizonte. Ele estudou só até a 6ª série, casou-se e teve três filhos. Conheceu o crack já adulto e se tornou um dependente químico. A droga desestruturou o casamento de 20 anos e Roberto acabou se separando da esposa.

“Para bancar o consumo do crack, vendi até os aparelhos de celular dos meus filhos. A esposa me largou. Foi com as crianças – tenho duas meninas e um rapaz – para Salinas (Norte de Minas Gerais). Já eu fui para a rua”, lamenta. O crack também lhe tirou o trabalho como pedreiro.

Mas, no dia 27 de fevereiro de 2013, Roberto escutou de um policial o que ele precisava para reunir forças para abandonar o crack. Ele disse a Roberto que, em cada 100 viciados na droga, de dois a três conseguem largar o vício. “Sou um desses dois ou três”, ele disse.

O policial o levou para o programa SOS Drogas, onde Roberto foi amparado por especialistas e encaminhado ao Centro Mineiro de Toxicomania (CMT). Ele começou a frequentar a unidade do Bairro Cruzeiro do Centro de Referência de Saúde Mental (Cersam).

Um novo mundo se abriu com a literatura

Foi lá que Roberto teve o seu primeiro contato com a poesia. Roberto ficou encantado com os textos de Castro Alves (1847-1871) e Gonçalves Dias (1823-1864). O rapaz começou a escrever e declamar seus próprios versos estimulado pelos profissionais do Cersam, que o encorajou a publicar sua primeira obra, em 2014. A segunda foi lançada há pouco tempo.

Hoje, o morador de rua trabalha em um novo projeto ao lado da atriz, cantora, contadora de histórias e professora de literatura Jhê Delacroix. Roberto publicará uma coletânea de cordel no próximo ano. “Percebi que ele tem tino para o cordel. Os cordelistas estão cada vez mais raros nos grandes centros urbanos”, conta a professora do Cersam.

Foto de Capa: Divulgação

via [em.com.br]

Go to Top