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Animais fantásticos: 10 coisas que você precisa saber antes de ver o filme

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O novo longa-metragem da franquia Harry Potter traz uma história totalmente inédita para o mundo mágico

Nina Finco, na Época

O filme Animais fantásticos e onde habitam chega aos cinemas nesta quinta-feira (17) e inicia uma nova fase da franquia Harry Potter ao trazer à luz novos personagens e histórias do mundo mágico criado por J.K. Rowling. Antes de ir ao cinema, conheça dez fatos sobre a trama.

Eddie Redmayne é o protagonista do filme Animais fantásticos e onde habitam (Foto: Reprodução Entertainment Weekly)

Eddie Redmayne é o protagonista do filme Animais fantásticos e onde habitam (Foto: Reprodução Entertainment Weekly)

 

1) Quem é Newt Scamander?
Na série original de Harry Potter, os alunos de Hogwarts devem ler um livro chamado Animais fantásticos e onde habitam. Newt Scamander, um amante das criaturas mágicas, é o autor desse livro. Sua afeição pelo tema vem de sua mãe, que era criadora de hipogrifos, um animal alado com cabeça de águia e corpo de cavalo. Quando adolescente, ele foi aluno de Hogwarts como parte da casa de Lufa-Lufa. Ele chegou a ser expulso da escola por colocar a vida das pessoas em risco durante um acidente com uma criatura. Dumbledore era muito afeiçoado a ele.

Depois de adulto, Newt entrou para o Departamento de Regulação e Controle de Criaturas Mágicas do Ministério da Magia, primeiro trabalhando no Escritório de Relocação de Elfos Domésticos e, mais tarde, na Divisão de Bestas. Depois que seus estudos sobre animais fantásticos foram reconhecidos, a editora Obscurus Books encomendou um livro sobre as criaturas. Para escrevê-lo, Scamander viajou o mundo reunindo e documentando tais animais. No novo filme, encontramos Newt (Eddie Redmayne) fazendo uma parada em Nova York antes de voltar para casa.

Capa de Animais fantásticos e onde habitam, livro lançado em 2001 por J.K. Rowling sob o pseudônimo de Newt Scamander (Foto: Divulgação)

Capa de Animais fantásticos e onde habitam, livro lançado em 2001 por J.K. Rowling sob o pseudônimo de Newt Scamander (Foto: Divulgação)

 

2) Obra original
Em 2001, J.K. Rowling lançou Animais fantásticos e onde habitam sob o pseudônimo de Newt Scamander. A obra é um catálogo de várias espécies de criaturas do mundo bruxo. A capa da primeira edição vinha com uma etiqueta “propriedade de Harry Potter”, além de diversas anotações entre as páginas – como se o almanaque tivesse realmente sido usado em sala de aula.

Portanto, a história do filme é totalmente inédita. Ela foi roteirizada pela própria J.K. Rowling, o que garante à trama a qualidade com a qual os fãs estão acostumados. É a primeira vez que Rowling se envolve diretamente com uma produção cinematográfica, e ela afirmou que não foi nada fácil escrever em formato de roteiro.

O novo filme se passa em Nova York, nos anos 1920 (Foto: Reprodução YouTube)

O novo filme se passa em Nova York, nos anos 1920 (Foto: Reprodução YouTube)

 

3) Onde estamos?
O filme se passa em Nova York, na década de 1920, cerca de 70 anos antes do início das aventuras vividas por Harry Potter.

Jacob Kowalski é um trouxa que se vê envolvido nas confusões de Newt (Foto: Reprodução YouTube)

Jacob Kowalski é um trouxa que se vê envolvido nas confusões de Newt (Foto: Reprodução YouTube)

 

4) Novos trouxas
Nos Estados Unidos, onde a história se passa, os humanos que não podem conjurar magia são chamados de “trouxas”, como o público fã de Harry Potter está acostumado. Lá, eles são conhecidos como “não majs”. Nesta história, pela primeira vez, um “não maj” terá grande destaque. Jacob Kowalski (Dan Fogler) é um padeiro simpático que se vê envolvido nas confusões de Newt.
A organização radical chamada Nova Salém, que quer repetir a famosa caça às bruxas (Foto: Reprodução Youtube)

A organização radical chamada Nova Salém, que quer repetir a caça às bruxas (Foto: Reprodução YouTube)

A organização radical chamada Nova Salém, que quer repetir a caça às bruxas (Foto: Reprodução YouTube)

 

5) Conflitos com os trouxas
Em Nova York, surge uma organização radical chamada Nova Salém, que quer repetir a infame caça às bruxas, ocorrida entre os séculos XV e XVIII, para erradicar tudo o que é mágico e “anormal”.

 

Se a matemática estiver correta, Dumbledore estaria na casa dos 40 anos durante o decorrer da trama (Foto: Reprodução YouTube)

Se a matemática estiver correta, Dumbledore estaria na casa dos 40 anos durante o decorrer da trama (Foto: Reprodução YouTube)

 

6) Velhos amigos
O filme faz referência a Alvo Dumbledore, poderoso bruxo que eventualmente se tornará diretor de Hogwarts. Dumbledore estaria na casa dos 40 anos durante o decorrer da trama. Já no trailer, descobrimos que ele é um grande fã de Scamander. Além disso, segundo uma entrevista de J.K. Rowling à revista Variety, é provavel que a sexualidade de Dumbledore seja finalmente discutida. Vale lembrar que, em 2007, depois de finalizar os livros, Rowling admitiu que Dumbledore é gay.

Johnny Depp interpreta Gerardo Grindelwald, o vilão da nova saga (Foto: Getty Images)

Johnny Depp interpreta Gerardo Grindelwald, o vilão da nova saga (Foto: Getty Images)

 

7) Um novo vilão
Antes de Voldemort surgir com sua mania de “puros-sangues”, havia outro bruxo com raiva dos “não majs”. Gerardo Grindelwald foi um antigo amigo de Dumbledore que se tornaria um bruxo das trevas. Os dois duelariam pela Varinha das Varinhas, anos mais tarde. Só na semana passada foi revelado que Johnny Depp é o intérprete do vilão na nova saga.

8) Escola americana
Se existem bruxos nos Estados Unidos, então é preciso haver uma escola de magia deste lado do Atlântico. J.K. Rowling apresenta um pouco da Ilvermorny, que fica localizada em Massachusetts. Assim como em Hogwarts, há quatro casas: Serpente Chifruda, Pássaro-Trovão, Pukwudgie e Pumaruna.

Uma animação foi lançada em setembro para mostrar as origens da instituição de ensino. No site oficial, Pottermore, é possível ler a história completa.

O diretor David Yates foi o responsável pelos quatro últimos filmes da saga Harry Potter (Foto: Getty Images)

O diretor David Yates foi o responsável pelos quatro últimos filmes da saga Harry Potter (Foto: Getty Images)

 

9) Direção
O filme é dirigido por David Yates, responsável pelos quatro últimos filmes da saga Harry Potter. No entanto, a primeira opção dos estúdios Warner Bros. foi Alfonso Cuarón, que esteve à frente do terceiro filme de Harry Potter, O prisioneiro de Azkaban.

J.K. Rowling confirmou mais quatro filmes de Animais fantásticos e onde habitam (Foto: Getty Images)

J.K. Rowling confirmou mais quatro filmes de Animais fantásticos e onde habitam (Foto: Getty Images)

 

10) Vem mais por aí
A franquia Harry Potter foi finalizada em 2011, com a segunda parte de Harry Potter e as relíquias da morte. Animais fantásticos marca o início de uma nova e longa saga dentro do mundo mágico de J.K. Rowling. De acordo com ela, serão cinco filmes no total.

Trainspotting pode ganhar série de TV, segundo autor do livro

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Irvine Welsh diz que uma adaptação de seus outros romances pode ser interessante

Arthur Eloi, no Omelete

Trainspotting pode acabar ganhando uma série de TV segundo Irvine Welsh, autor do livro que inspirou o filme de 1996 e sua vindoura sequência.

Em entrevista ao NME, Welsh contou que poderia muito bem fazer um seriado baseado em seus livros derivados que expandem a história dos personagens: “Basicamente, tenho planos para todos eles em vários tipos de adaptações. TV a cabo está dando certo e tem vários processos de desenvolvimento interessantes. Estamos trabalhando com essas coisas diferentes.”

Por fim, o autor também falou que o processo de criação dos livros já deve considerar possíveis adaptações: “Penso que quando se escreve personagens para um livro, goste ou não, você já planeja como eles funcionariam em um filme. Tenha isso em mente: assim que você os escreve, você já pensa em como leva-los à outros meios.”

Na trama de Trainspotting 2, 20 anos se passaram, muitas coisas mudaram e muitas continuam iguais quando Mark Renton (Ewan McGregor) retorna para o único lugar que pode chamar de lar, enquanto Spud (Ewen Bremmer), Sick Boy (Jonny Lee Miller) e Begbie (Robert Carlyle) esperam por ele. Além disso, sentimentos do passado como tristeza, perda, alegria, vingança, ódio, amor, desejo, arrependimento e auto-destruição também retornam.

Danny Boyle dirige e o lançamento da sequência no Brasil é previsto para 16 de fevereiro de 2017.

Autor de O Hobbit vai ganhar cinebiografia com direito a batalhas da 1ª Guerra Mundial

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Marcel Plasse, no Pipoca Moderna

Depois do sucesso das trilogias “O Senhor dos Anéis” e “O Hobbit”, é a vez do autor das duas obras, o escritor britânico J.R.R. Tolkien (1892-1973), ganhar seu próprio filme. Segundo o site The Hollywood Reporter, o diretor James Strong, que dirigiu episódios das séries “Doctor Who”, “Broadchurch” e “Downton Abbey”, foi contratado para comandar o longa pelos produtores Robert Shaye e Michael Lynne, responsáveis pelos três “O Senhor dos Anéis”.

Intitulado “Middle Earth” (Terra Média), o filme foi roteirizado por Angus Fletcher (“S.E.R.E.”), que pesquisou o material por seis anos. Segundo o site, a trama irá se concentrar no período em que Tolkin lutou na 1ª Guerra Mundial (1914-1918), abordando sua inspiração nas batalhas para escrever “O Hobbit”, seu clássico livro infantil de 1937, e posteriormente a trilogia dos anéis, em 1954.

J.R.R. Tolkien

J.R.R. Tolkien

Foi nesta época que começou sua famosa amizade com C.S. Lewis (1898-1963), autor dos livros de “As Crônicas de Nárnia”. O subtenente Tolkien conheceu o soldado Lewis, de 18 anos, nas trincheiras da famosa Batalha de Somme, na região do Rio Somme, na França, que durou mais de quatro meses, de 1º de julho a 14 de novembro de 1916, e é considerada uma das batalhas mais sangrentas da história. Por curiosidade, do outro lado do conflito, servindo no exército do Kaiser, estava outro jovem que se tornaria famoso, Adolf Hitler.

O projeto ainda está em fase de desenvolvimento e não está claro qual é o envolvimento dos herdeiros de Tolkien com a produção. Nos últimos anos, eles têm se mostrado bastante reservados e críticos em relação aos produtos derivados da obra do escritor.

Animais Fantásticos e Onde Habitam | Como J.K. Rowling assumiu o controle do mundo mágico de Harry Potter nos cinemas

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Como foi para o elenco e a equipe lidar com a autora no set, as surpresas e muito mais

Aline Diniz, no Omelete

Apesar de hoje J.K. Rowling ser uma das mulheres mais ricas do mundo, ela teve um começo difícil na Inglaterra. O primeiro manuscrito de Harry Potter foi recusado inúmeras vezes antes de finalmente encontrar uma editora que o publicasse. Agora, mais de 20 anos depois, Rowling escreve seu primeiro filme: Animais Fantásticos e Onde Habitam. Baseado livremente no livro homônimo publicado originalmente em 2001, o longa é ambientado nos anos 1920 e tem como foco Newt Scamander (Eddie Redmayne), um pesquisador bruxo e magizoologista autor do livro didático sobre animais usado em Hogwarts por inúmeras futuras gerações – incluindo Harry e sua turma.

Não havia, portanto, melhor pessoa para escrever o filme senão Rowling, que conhece tão bem o universo mágico que criou. Mesmo que ela nunca tenha escrito um roteiro antes, o diretor David Yates explicou durante nossa visita ao set de gravações que seria mais fácil ela escrever do que chamar mais uma pessoa para o processo. “Jo criou tudo isso do zero como um roteiro já pronto, então pudemos trabalhar com ela em todos os detalhes, o que é muito interessante”, contou.

“O incrível sobre ela é que, com um roteirista comum, você leria e discutiria com ele as diferentes versões do roteiro, passaria observações, e aí ele desapareceria por três meses. Quando a nova versão do roteiro chega, não dá pra lembrar direito como era o anterior e as mudanças meio que passam despercebidas!”, disse Yates sobre o processo.”Com Jo, nós sentamos juntos, discutimos, passamos observações, e ela voltaria com a nova versão 48 horas depois. Nós tivemos um período de desenvolvimento bem intenso no qual ela literalmente entregou várias versões do roteiro em três semanas. Era uma loucura.”

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Yates revelou que ele e os produtores precisaram explicar à Rowling que não era assim que o processo normalmente funcionava com roteiristas: “Ela é extremamente prolífica. Nós não conseguíamos seguir o passo dela; demorávamos mais para mandar as observações do roteiro do que ela demorava para reescrever! [risos] Começou a ficar vergonhoso! Ela entregava uma versão e quando eu, Steve [Kloves] e David Heyman terminávamos de ler, nos reuníamos para discutir tudo e decidíamos quais observações mandar para ela, ela já tinha escrito outra versão! [risos] Ela é uma escritora extraordinária e uma fonte de ideias. O que é incrível sobre essa nova franquia é que não existe a limitação dos livros. Isso é o mundo dela, o universo dela, só que crescido.”

O diretor contou ainda uma curiosa história sobre o conhecimento de Rowling sobre o universo mágico da franquia: “Quando estávamos fazendo o quinto filme, A Ordem da Fênix, precisávamos fazer a árvore genealógica da família Black. Ela tinha uns três, quatro nomes da família [no livro], mas nós teríamos mostrar aquilo [visualmente], então precisávamos de mais. Liguei para ela e dentro de 20 minutos, meia hora, ela me enviou um papel com toda a árvore genealógica da família, voltando umas cinco ou seis gerações com datas de nascimento, morte, quem era casado com quem… Foi incrível!

Foi ela, inclusive, que desenvolveu a ideia de contar a história de Scamander em um novo filme. “Estávamos procurando maneiras de continuar [a franquia]”, explicou o produtor-executivo David Heyman, “Lionel Wigram merece muito do crédito, ele teve uma ideia de fazer um documentário baseado em Animais Fantásticos, mostrando Newt explorando e descobrindo as criaturas. Jo ouviu essa ideia e disse que já estava pensando nesse universo há algum tempo. Não sei se a ideia de Lionel acabou se tornando uma oportunidade dela se pronunciar, mas ela já havia pré-concebido tudo.”

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Mas além de apenas criar o mundo no imaginário, Rowling foi também essencial para a criação física do universo de Animais Fantásticos. O designer de produção Stuart Craig contou que foi ela mesmo quem encontrou o prédio que serviria de base para a criação externa do MACUSA, o Congresso Mágico dos Estados Unidos. “Ela fez sua própria pesquisa sobre Nova York de forma bem diligente e encontrou o edifício Woolworth, que é de mais ou menos 1905, mas em 1926 era o prédio mais alto do mundo. Do lado de fora, ele tem uma decoração bem gótica, um estilo que acabou se tornando sinônimo do mundo mágico de Harry Potter e dessa história”, explicou Craig.

Outra coisa bem milagrosa sobre esse prédio é que, no arco de entrada, bem no topo, tem uma coruja. Esse deve ter sido seu momento ‘eureka’, ver aquela coruja“, contou Craig. “A ideia dela é que a coruja seria animada e voaria até o as portas giratórias logo embaixo, fazendo com que elas girassem cada vez mais rápido, levando os bruxos à esse local mágico. Já lá dentro, a questão seria o que fazer com ele. O edifício Woolworth real é bem impressionante, tem mármores maravilhosos, mas não há nada de ‘mágico’. Então eu decidi bem no início do projeto que esse arranha-céu de 240 metros de altura e 57 andares não tivesse nenhum de seus andares, [criando um imenso pé-direito]. Aí os andares funcionais seriam os do subsolo. Temos cinco andares de subsolo, um lobby impressionante e acima disso, o teto que vai até o topo.”

Ao longo de nossa visita ao set, Katherine Waterston e Alison Sudol revelaram que ainda não tinham tido a oportunidade de se encontrar com Rowling. No entanto, ambos Dan Fogler e Redmayne já tinham conversado com a autora – e só tinham coisas boas a dizer. Segundo Fogler, “ela é adorável” e “passou a impressão de ser uma personagem da família Weasley, tão bondosa e gentil”. Redmayne, por sua vez, disse que passou por volta de duas horas com a autora. “Conversamos muito sobre a história de Newt, como eram suas relações familiares, […] mas para mim foi mais uma questão de [ler o livro] Animais Fantásticos e Onde Habitam e estudar aqueles animais, suas histórias, para descobrir com ela quais seriam os que apareceriam e porque estariam no filme. Newt vai atrás de animais ameaçados porque eles são uma ameaça ao estatuto do segredo e ele cuida deles. Ele é muito idealista e acredita que com o programa educacional correto, as criaturas podem e devem existir na sociedade mágica.”

FANTASTIC BEASTS AND WHERE TO FIND THEM

Chega aos cinemas ‘Indignação’, adaptação de romance de Philip Roth

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(foto: Sony/divulgação)

(foto: Sony/divulgação)

 

Diretor James Schamus afirma que foi um desafio levar o livro para o cinema. ‘Joguei fora as melhores partes do livro’, confessa

Publicado no UAI

Philip Roth é o maior escritor americano vivo, com prolífica produção de mais de 30 livros. Só que, até o ano passado, apenas cinco deles haviam sido levados para o cinema. Produtor e roteirista renomado, o cineasta James Schamus resolveu arriscar. Já de posse dos direitos do romance Indignação – lançado no Brasil pela Companhia das Letras –, escreveu um roteiro e, antes de começar a filmar, cometeu o que chama de “um ato de idiotice”. Enviou o texto para Roth, atrás de consentimento.

Roth, porém, recusou-se a ler. Para ele, o filme pertencia a Schamus. “Sou um grande fã dos livros do Roth. Então mandei o roteiro porque não ficaria bem com minha consciência se fizesse um filme que ele odiaria. Mas ele fez o incrível favor de me dar liberdade”, diz o diretor.

Sexta adaptação da obra de Roth, Indignação estreia nesta quinta no Brasil. Seus temas são bem típicos do autor: o protagonista judeu, o preconceito, as amarras da tradição, a formação da identidade americana e uma sociedade com a sombra da guerra. As mesmas questões também estarão representadas em Pastoral americana, de Ewan McGregor, que chega ao Brasil em 15 de dezembro.

“O que faz os romances do Roth incríveis é sua voz, a qualidade, a honestidade brutal, que vem da manipulação da forma literária no nível mais alto”, explica Schamus. “A dificuldade em adaptar sua obra está exatamente nessa voz. O cinema é basicamente representação, não tem voz. Você pode ter algum estilo, há cineastas que conseguem fazer do estilo uma espécie de voz literária, mas eles são muito raros e não necessariamente são contadores de história. Para fazer Indignação, cometi a violência terrível de tirar a voz do Roth e deixar apenas os diálogos e as ações dos personagens. Basicamente joguei fora as melhores partes do livro e captei o que havia de cinema ali”, revela.

Schamus é um dos mais respeitados produtores e roteiristas dos EUA. Por suas parcerias com Ang Lee ganhou o prêmio de melhor roteiro em Cannes com Tempestade de gelo (1997) e foi indicado ao Oscar de melhor filme com O segredo de Brokeback Mountain (2005) e de canção original e roteiro adaptado por O tigre o dragão (2000).

UNIVERSIDADE Indignação é seu primeiro longa-metragem como diretor. O filme se passa na década de 1950, nos anos da guerra da Coreia. Logan Lerman faz o papel de um jovem universitário judeu, filho de um açougueiro, que entra em conflito com a repressão sexual e o atraso social da instituição de ensino. O longa-metragem teve sua primeira exibição no Festival de Sundance, em janeiro, e foi muito bem recebido pela crítica americana.

“A história é bastante atual. Roth mostra que é mais fácil olhar para os dias de hoje através de um espelho distorcido do passado. Temos hoje a mesma homofobia, o mesmo machismo, o mesmo racismo e a mesma militarização daquela época”, afirma Schamus.

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