Sua Segunda Vida Começa Quando Você Descobre Que Só Tem Uma

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Quer ajuda para o Enem? Prepare a pipoca e escolha um bom filme

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O cinema aborda temas históricos ou polêmicos que podem ajudar no estudo

Katilaine Chagas, na Gazeta Online

Se para conquistar uma vaga em uma universidade é impossível não seguir uma rotina de estudos, para se dar bem no Enem há pelo menos algumas formas de dar uma aliviada na tensão e ainda se manter por dentro do conteúdo.

Os filmes estão aí, também, para isso. Por exemplo, “Olga”, longa-metragem brasileiro, permite-nos conhecer a história da alemã judia e comunista que acabou deportada do Brasil direto para os campos de concentração nazistas.

E, por tabela, despertar o interesse dos estudantes em itens importantes para o Enem, e para reflexão pessoal, ao abordar o nazismo e o comunismo.

“Cidade de Deus”, outra produção brasileira, ajuda a refletir as desigualdades sociais e origens da violência urbana. Esses títulos são alguns entre inúmeros indicados por professores do ensino médio e de cursos pré-Enem para estimular seus alunos.

“Para o aluno entender a questão é preciso entender aquele cenário. O filme é uma boa dica para visualizar isso. Ele relaxa aprendendo. E ele consegue visualizar no filme o que ele aprendeu em sala de aula” diz a professora de redação do Darwin Bárbara Citeli.

Para a prova de redação, ela e outros professores apostam em quatro grandes áreas: violência urbana, tecnologia, meio ambiente e saúde. Para cada uma, costuma indicar um filme diferente. Respectivamente, o já citado “Cidade de Deus”, “A Rede Social” e o documentário “Uma Verdade Inconveniente”.

Na área da saúde, ela lembrou que os alunos trouxeram para o debate a série “13 Reasons Why”, sobre bullying e suicídio.

O professor de História do Projeto Universidade para Todos (Pupt) Wesley Jesus Barbosa, conhecido como Tio Chico, cita o potencial de um filme despertar a curiosidade do aluno sobre um tema que poderia ser considerado maçante.

“O filme é uma obra de arte. A pretensão inicial é subverter a realidade. Mas há elementos reais ali. Isso estimula (o aluno) a buscar informações a partir do que viu no filme. E é bom para descansar porque é entretenimento também”, diz.

Além do sempre citado clássico “O Nome da Rosa”, lembrado há três décadas nas salas de aula, o professor aconselha também a assistir a “Apocalipse Now”, que ajuda a entender a Guerra Fria e a do Vietnã, e os filmes “A Lista de Schindler” e “A Vida é Bela”, ambos com recortes sobre o nazismo.

O professor de Geografia e Atualidades Lucas Campos, do Salesiano, empolga-se ao citar uma imensa lista de filmes. “Boa parte dos que a gente indica trazem alguma realidade que trabalhamos”, justifica.

Na lista dele, está o filme “Entre os Muros da Escola”, passado todo dentro de uma escola na França e que ajuda a discutir a situação de refugiados, tema presente na imprensa nacional e internacional.

Outra dica do professor é o filme “Okja”, sobre a amizade entre um menina e um animal, desenvolvido pela ciência inicialmente para outros fins. “Trabalha conceitos de Biologia e Geografia, além de conceitos de produção de alimentos, sobre agroindústria e a produção de alimentos transgênicos.”

O estudante do 3º ano do Salesiano Vinícius Raupp, 17 anos, aprova a estratégia dos professores de indicarem filmes. “Fica mais didático. E sai do negócio padrão da sala de aula”, conta o jovem, que pretende tentar a vaga para o curso de Engenharia Mecânica.

DICAS DE FILMES

Olga. Sobre a militante comunista alemã de origem judaica. Veio para o Brasil, mas acabou deportada para a Alemanha nazista.

Entre os Muros da Escola. A história é em uma escola na periferia da França e ajuda a compreender a situação de refugiados.

O Nome da Rosa. Um clássico tanto da literatura quando do cinema. Passado na Idade Média, a história é sobre a investigação de uma série de assassinatos em um mosteiro italiano.

Xingu. Trajetória dos irmãos Villas-Bôas pelo interior do Centro-Oeste brasileiro. Bom para compreender a marcha para o oeste, período em que Getúlio Vargas incentivou a migração para o interior.

Central do Brasil. Uma ex-professora se mantém escrevendo cartas de analfabetos para parentes. A história trata das migrações internas e a busca por melhores condições de vida em outros estados.

Clash. Foca no período pós-eleição do presidente Mohamed Morsi, no Egito. Trata a questão da Primavera Árabe, aborda Oriente Médio, grupos terroristas e disputas políticas

Complexo: Universo Paralelo. Obra sobre a ocupação do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, a vida e religiosidade nas favelas.

A Revolução dos Bichos. Baseado no livro de George Orwell, o filme trata de maneira metafórica a Revolução Russa, que completa 100 anos em 2017.

Matemática do Diabo. É sobre um jovem de origem judaica que volta no tempo e para em 1941, na Polônia, quando o país foi invadido por nazistas

Invictus. Nelson Mandela, eleito presidente da África do Sul, tenta reunificar o país, ainda dividido mesmo após o fim do apartheid, por meio do esporte.

Mississipi em Chamas. Investigação sobre a morte de ativistas de direitos civis nos EUA na década de 1960. Trata sobre racismo e permite um paralelo com países que ainda sofrem com a discriminação.

Adaptações de livros e HQs no cinema podem ser fieis aos originais?

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Muito além do que só traduzir a história, adaptações precisam se preocupar em recriar uma narrativa de forma que funcione na linguagem do cinema

Publicado no 24 Horas News

Adaptações de livros e quadrinhos para o cinema são muito mais frequentes do que um espectador mais desavisado pode pensar: muitas obras antes de chegarem às telas já eram livros que foram aclamados pela crítica ou sucesso de público. Entretanto, apesar de se colocarem dessa forma, ler um livro e ver um filme são experiências narrativas completamente diferentes e não é incomum que boa parte das histórias originais se percam no meio do caminho – ou nunca fizeram parte do plano de roteiro da produção. Por outro lado, obras que trabalham integralmente o conteúdo escrito acabam não agradando. Afinal, é possível ser fiel ao adaptar um livro ou história em quadrinhos para o cinema?

Do papel para as telas

O que não faltam são exemplos de adaptações de um meio para o outro – tanto aquelas que deram muito certo, quanto as que foram verdadeiros erros do início ao fim. Isso, contudo, não faz necessariamente com que a história seja ruim, muito menos que o original seja ruim, são apenas particularidades envolvidas nesse processo. Ler um livro é uma coisa, ver um filme é outra.

 Divulgação "Quarteto Fantástico": três filmes e duas versões fracassadas no cinema

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“Quarteto Fantástico”: três filmes e duas versões fracassadas no cinema

São mídias divergentes que, embora possam dialogar entre si, cada uma tem seu próprio universo e é regida por códigos internos, isso acaba por dificultar a tarefa de transposição. Como o sociólogo Marshall McLuhan escreveu em uma de suas obras, “o meio é a mensagem”, ou seja, a mídia exerce grande influência no produto final e em como ele será consumido. Uma mesma narrativa pode se tornar um clássico da literatura, mas ter versões falhas no cinema: o problema é a inadequação que acontece entre a história e o veículo, não se restringe a uma das partes. Por exemplo, quantas vezes Romeu e Julieta já não viraram filme, mas a peça jamais perdeu seu status de ser uma das maiores obras já feitas em língua inglesa.

Há por outro lado livros que nasceram para as telas. As sagas de Harry Potter e “Senhor dos Anéis” foram extremamente bem sucedidas em ambos dos meios e se sustentam inteiramente tanto nos livros quanto no cinema. O recente sucesso do filme de “It – A Coisa”, que bateu o recorde de filme de terror com a maior bilheteria da história, é baseado no livro homônimo de Sthephen King. Porém há aquelas adaptações que não agradaram nem um pouco, como “Quarteto Fantástico” que, mesmo sendo uma das HQs mais importantes da Marvel, não acertou a mão no cinema.

Chamar esse movimento entre os meios de “adaptação” é uma forma educada de se falar em releitura. É impossível somente migrar o conteúdo de um meio para o outro, é necessário que haja uma tradução da obra para que ela se adeque a nova mídia. A adaptação de “Watchmen”, por exemplo, peca justamente por ser excessivamente fiel aos quadrinhos de Allan Moore – o que é irônico, dado que uma crítica comum feita para filmes com o rótulo é a falta de elementos fidedignos às histórias originais.

O envolvimento lúdico do leitor ou espectador precisa ser levado em conta para se realizar esse trabalho. A experiência que um livro proporciona é diametralmente oposta à de um filme, ou seja, cada um trabalha com seu próprio grau de imersão. “Blade Runner”, livremente baseado no livro “Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas”, ainda seria um clássico caso a narrativa original tivesse sido integralmente conservada na passagem de uma mídia à outra?

Assim, não há uma resposta ideal para como devem ou não ser feitas as adaptações – elas não deixarão de existir, boas ou ruins. Ser fiel ao original é uma questão que não diz respeito à qualidade do produto final, na verdade, isso não diz muita coisa para além da liberdade criativa do diretor envolvido e no tato para entender o que funciona ou não em uma mídia. Além do mais esse aspecto sozinho não pode definir parâmetros objetivos, mesmo sendo um elemento recorrente em críticas.

Conheça seis livros e filmes que contam histórias de mulheres fortes

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Com o lançamento do documentário sobre Lady Gaga, “Five Foot Two”, reunimos outros títulos que contam a vida de personalidades incríveis

Bruna Sabarense, no Metrópoles

Gaga: Five Foot Two
O documentário sobre a vida da cantora Lady Gaga foi lançado na última sexta-feira (22/9), na plataforma Netflix. E conquistou fãs ao retratar a busca da artista em se apresentar ao mundo como uma mulher de 30 anos. O título é uma brincadeira com a altura da americana. Ela mede 5’22 pés, o equivalente a 1,57m. O filme mostra os passos da cantora, nascida Stefani Joanne Germanotta, entre a gravação do seu mais recente álbum, Joanne (2016), e a apresentação no Super Bowl 2017.

Chris Moukarbel, diretor da produção, aborda assuntos polêmicos, como depressão, drogas, rixa com a cantora Madonna, traumas e a doença que fez a celebridade cancelar sua participação no Rock in Rio. “Senti orgulho, tristeza, empoderamento, vulnerabilidade. Mas o que mais me conquistou foi a autenticidade do filme, da maneira que Chris, o diretor, escolheu mostrar meus piores momentos e meus pontos mais altos”, disse a cantora em seu Instagram.

Joan Didion: Center Will Not Hold
Logo depois de anunciar o documentário de Gaga, foi a vez da Netflix divulgar o lançamento de mais uma obra super esperada: um título sobre a vida da jornalista, roteirista e escritora Joan Didion. Ok, ainda não foi lançado, mas falta pouco – dia 27 de outubro. Didion ficou conhecida pelas obras The White Album (1979) e Slouching Toward (1968), vistas como grandes análises da cultura norte-americana. O documentário reúne entrevistas com Didion e o ator Griffin Dunne, além de revelações surpreendentes sobre os seus 50 anos de profissão.

“Vou fazê-lo porque, por incrível que pareça, ninguém, até hoje, fez um documentário sobre Joan Didion – e isso é um mistério!”, conta no trailer Griffin Dunne, sobrinho de Joan que se incumbiu de produzir, ao lado de Susanne Rostock, o primeiro filme sobre sua tia. “Ela provavelmente é a mais influente escritora americana viva hoje”.

What Happened – Hillary Rodham Clinton
Achou que está faltando uma interrogação no título do livro escrito por Hillary Clinton – batizado de “O que aconteceu”? Pois bem, não falta. É uma explicação do que deu errado, em 2016, quando a candidata perdeu a disputa presidenciável para Donald Trump. Na obra, Hillary não esconde o desprezo que sente pelo presidente americano – principalmente pelo seu machismo. Ela reconhece que Trump quebrou todas as regras durante a campanha e confessa que não superou a derrota nas eleições.

Clinton lamenta ter desiludido milhões de pessoas e garante que se as eleições fossem hoje agiria de forma diferente. Hillary também admite que escrever o livro não foi fácil e comenta os motivos que, acredita, a levaram a perder, principalmente pela suposta interferência russa.

Rita Lee — Uma Autobiografia
O livro ficou na seção best-sellers um bom tempo – mais de 200 mil cópias vendidas. Prestes a fazer 70 anos, a cantora soltou o verbo e contou tudo na autobiografia mais divertida, sincera e envolvente dos últimos tempos. A Rainha do Rock Nacional, como é conhecida, relembra os tempos de Mutantes e fala sobre episódios difíceis, como a prisão em 1976 e quando foi estuprada com uma chave de fenda na infância.

Revelações inusitadas não ficaram de fora do livro. Por exemplo, como nos anos 1970, “num daqueles momentos droguísticos”, foi resgatada por Hebe Camargo no meio da rua. Teve também uma vez que ela roubou as jiboias do astro do rock Alice Cooper, durante apresentação dele no Brasil, em 1974. A obra foi toda pensada pela própria autora: seleção e sequência das fotografias, legendas, capa e contracapa.

Quelé, a Voz da Cor — Biografia de Clementina de Jesus
Em 2017, completam-se 30 anos desde a morte da cantora Clementina de Jesus. Entre as homenagens estão uma biografia, um filme, uma peça de teatro, um DVD e o relançamento da discografia. O livro foi escrito a oito mãos por jovens jornalistas, três deles nascidos depois da morte da artista.

A publicação aborda a vida e a carreira da cantora de voz e interpretações singulares, nascida em 1901, neta de escravos e intérprete revelada só na velhice. Empregada doméstica, ela só ficou famosa após os 60 anos. Clementina de Jesus ajudou a popularizar no Brasil a cultura africana e o samba em plena na década de 1960, época em que as rádios estavam tomadas por canções da Jovem Guarda e da Bossa Nova.

Hebe – A biografia
Hebe Camargo é um dos grandes nomes da história da televisão brasileira. A estrela, que começou sua carreira cantando no rádio, foi convidada para a primeira transmissão ao vivo da televisão brasileira e nela ficou até sua última gravação, em 2012, sendo conhecida por sua irreverência e autenticidade.

Nesta biografia, o jornalista Artur Xexéo se dedica a contar toda a trajetória da apresentadora que marcou a história do rádio e da televisão no Brasil. Com depoimentos de artistas que acompanharam de perto a carreira de Hebe e relatos dos familiares, este livro vai encantar tanto aos fãs dessa mulher que deixou sua marca na TV brasileira e os aficionados pela história da televisão e do rádio.

Diário de Anne Frank ganha versão em HQ e alerta para riscos da intolerância

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Cena de "O diário de Anne Frank em quadrinhos" - Reprodução

Cena de “O diário de Anne Frank em quadrinhos” – Reprodução

 

Lançado simultaneamente em 50 países, obra foi adaptada por Ari Folman e David Polonsky

Fernando Eichenberg, em O Globo

PARIS – Quando foi contatado pela Fundação Anne Frank para realizar um filme de animação e uma história em quadrinhos baseados no célebre diário da jovem judia que permaneceu escondida durante a Segunda Guerra Mundial e acabou morrendo, aos 15 anos, no campo de concentração nazista de Bergen-Belsen, o cineasta israelense Ari Folman foi categórico em sua resposta: “Não”.

— Era muito grande o nome Anne Frank, e tudo já havia sido feito sobre o diário. Mas voltei para casa, fiquei pensando na razão pela qual haviam me solicitado, e cheguei à conclusão de que era algo que tinha de fazer. Levou uma semana para mudar de ideia e aceitar — explicou o diretor, em entrevista concedida em Paris.

Folman convenceu o diretor de arte e ilustrador David Polonsky, seu parceiro no premiado filme “Valsa com Bashir” (2008) e também em “O Congresso Futurista” (2013), no início também reticente à ideia, e este mês, 70 anos após a primeira publicação do “Diário de Anne Frank”, será lançada em 50 países a inédita versão do livro best-seller em HQ (edição brasileira pela Record). O filme de animação vai estrear nas telas de cinema em 2019, ano do 90° aniversário de nascimento de Anne Frank.

A iniciativa da Fundação Anne Frank foi motivada pela mudança de comportamento de leitura das novas gerações, apegadas às imagens e ilustrações nas telas de tempos virtuais. O objetivo era dar uma nova vida ao relato literário e histórico. Folman utilizou 70% do texto original, condensados em 150 páginas, e os recursos de diálogos e de imagens são reivindicados como uma fiel inspiração da escrita da jovem autora, com a inlusão de elementos dramáticos, mas não ficcionais.

A família Frank partiu de Frankfurt para Amsterdam no final de 1933 por causa da crescente perseguição aos judeus após a ascensão de Hitler ao poder. Mas com a invasão nazista na Holanda, em 1940, o temor recrudesceu. A partir de 6 de julho de 1942, o núcleo familiar (os pais Otto e Edith e as irmãs Margot e Anne) e mais outros quatro foragidos se esconderam no chamado “Anexo”, um apartamento secreto improvisado nas dependências da empresa do pai de Anne.

Em 4 de agosto de 1944, provavelmente graças às informações de um delator até hoje desconhecido, a polícia secreta alemã descobriu o esconderijo, prendeu e deportou seus inquilinos. Após ter passado pelos campos de Westerbork e Auschwitz, Anne Frank morreu de tifo no início de 1945 em Bergen-Belsen, pouco tempo antes da chegada das forças aliadas. Nos 743 dias de cativeiro, ela escrevia a sua amiga imaginária “Kitty” em seu precioso diário. Suas últimas palavras manuscritas datam de 1° de agosto de 1944. Publicado em 1947 por Otto Frank (1889-1980), único sobrevivente da família na guerra, o diário transformado em livro alcançou sucesso internacional, traduzido em mais de 70 idiomas, e gerou ao longo de décadas filmes, documentários e montagens teatrais.

Folman conta que não foi marcado pela primeira leitura da obra, aos 14 anos de idade. Mas ao se deparar novamente com o texto para preparar a HQ, confessa ter ficado “chocado” pela “inacreditável qualidade da escrita”:

— É impressionante sua capacidade de observação. Ela é muito aguda, e por vezes pode ser cruel de tão verdadeira ao contar histórias sobre adultos, suas fraquezas, suas relações, de como estão conectados. É espantoso para uma jovem de 13 anos. E à medida em que ela vai crescendo, é incrível as mudanças na qualidade de escrita e de observação. É uma grande obra. Li umas vinte vezes cada página para trabalhar no roteiro. Em cada uma delas, me dizia: ” Uau, isso deveria entrar na íntegra”. A tarefa mais dura foi fazer os cortes. Trabalhava em 30 páginas do diário para fazer 10 páginas da HQ.

Cena de "O diário de Anne Frank em quadrinhos" - Reprodução

Cena de “O diário de Anne Frank em quadrinhos” – Reprodução

Folman e Polonsky encararam o duplo desafio – HQ e filme – como uma “missão” de memória e de alerta em tempos sombrios. Para o ilustrador, era importante não cair no lugar comum nem no que define como a “indústria do Holocausto”.

— Se fizéssemos algo só didático não seria certo, e só artístico também não. A indústria do Holocausto é quando se usa essas histórias para promover ideologias ou provocar medo. É quando a escola envia crianças de Israel para Auschwitz, numa excursão de um dia, sem que elas realmente entendam tudo o que aconteceu, na única intenção de fomentar o sentimento nacionalista. Isso é ruim — defende Polonsky.

Folman não tem dúvidas de que aumentam o antissemitismo, o racismo e a intolerância no mundo.

— Quem poderia imaginar que após Barack Obama os Estados Unidos teriam este estúpido do Donald Trump, nesta maneira como reagiu à manifestação em Charlottesville dos supremacistas brancos, à Ku Klux Klan etc. Em Israel, aqui na França também acontecem coisas. Mas algo bom é que há uma reação. Em 2015, refugiados começaram a chegar em maior número em muitos países ocidentais. Não diria que foram totalmente bem-vindos, mas portas foram abertas para eles, o que não foi o caso em 1939. Algo aconteceu. Há uma esperança, um pequeno otimismo.

Acaso da história, os pais de Folman desembarcaram deportados no campo de Bergen-Belsen no mesmo dia em que Anne Frank. A infância do cineasta foi repleta de relatos do Holocausto. A HQ obedece aos escritos da jovem Anne e termina na última página do diário. Mas para a realização do filme, o diretor exigiu mais liberdade na concepção, que terá uma parte contemporânea, e impôs como condição que fossem abordados os sete meses finais da vida de Anne, desde sua detenção até sua morte.

— Cerca de 40% do filme será o diário, e o restante se passará nos dias de hoje, em Amsterdam. A personagem que conta a história será Kitty, e seu namorado possui um abrigo para refugiados na cidade. Serão constantes os reflexos entre o passado e o presente. E nós não sabemos o capítulo Auschwitz de Anne Frank. Bergen-Belsen era viver no inferno, já era quase a morte chegar lá. Uma das razões pelas quais ela se tornou tão icônica é que ninguém teve de lidar com essa terrível parte final. A percepção é a de que esta jovem menina em cativeiro produziu este diário maravilhoso e depois parou de escrever, não se fala deste período entre agosto de 1944 até março de 1945. No filme vamos tratar disso, será bom para todo mundo.

Sofrimentos à parte, os dois autores afirmam que foi bastante prazeroso o processo de criação da HQ, ao explorarem também o humor da escrita de Anne Frank, apesar de sua trágica condição no “Anexo”. Polonsky conta ter uma avó “drama queen” como a Senhora Van Dann, presente no esconderijo, e com quem Anne se disputava com frequência.

— A ideia foi trazer a história para a vida. Se você tratá-la como algo sagrado, não é algo vivo. Anne Frank tinha muito senso de humor — diz o ilustrador.

Folman trabalhou na mesma sintonia:

— Parece estranho dizer, mas foi muito divertido fazer e criar a HQ. Nos tornamos amigos dos personagens. Meus filhos são um exemplo radical de crianças de computador, não querem saber de livros. Não vou criticar, porque ainda não sabemos no que vai dar esta geração online. Mas nossa ideia era não tratar Anne Frank apenas como um ícone. Soa como um clichê, mas foi mesmo como uma missão para nós, deixar algo para crianças e adultos que não leram o texto original.

Aleph lança edição de 50 anos do livro que inspirou Blade Runner

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Ester Vitkauskas, no Segs

Androides sonham com ovelhas elétricas?, obra-prima de Philip K. Dick, ganha edição de luxo com ilustrações e textos inéditos. Novo filme da série chega em outubro

Nas últimas décadas, Philip K Dick tornou- se o autor de ficção científica com mais textos adaptados para o cinema, mas nenhum filme foi tão aclamado quanto Blade Runner: o caçador de androides, clássico cult de 1982 que foi inspirado no romance Androides sonham com ovelhas elétricas? Em homenagem ao aniversário dessa obra-prima, que completa 50 anos em 2018, e ganha continuação nos cinemas agora em outubro, a Aleph preparou uma edição de luxo que segue a mesma linha de outras edições comemorativas já publicadas pela editora, como Laranja Mecânica – 50 anos, Neuromancer – 30 anos e Forrest Gump – 30 anos, que trazem, além de acabamento diferenciado, materiais extras para enriquecer e aprofundar a experiência da leitura.

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O projeto conta com ilustrações inéditas feitas por um time seleto de 10 artistas, nacionais e estrangeiros, cujo trabalho dialoga com o universo de Dick. A ideia foi desenvolver um novo olhar sobre os personagens e cenários da história, recriando uma estética que vai além daquela difundida pelo filme. Colaboram com suas criações os ingleses Dave McKean e Rebecca Hendin, o argentino Liniers, o norte-americano Peter Kuper, a ucraniana Elena Gumeniuk, o italiano Antonello Silverini e os brasileiros Guilherme Petreca, Gustavo Duarte, Danilo Beyruth e Bianca Pinheiro.

Androides – 50 anos ainda apresenta dois textos inéditos: um prefácio exclusivo assinado pelo escritor e jornalista argentino Rodrigo Frésan, leitor assíduo de ficção científica, especialmente da obra de PKD, que retrata a conturbada e impressionante vida do autor; e um ensaio assinado por Douglas Kellner e Steven Best (professoras na Universidade da Califórnia e na Universidade do Texas, respectivamente), no qual analisam os cenários pós-apocalípticos criados por Dick nesta e em outras obras.

Esta edição comemorativa mantém os extras presentas na edição regular de Androides sonham com ovelhas elétricas?, que a Aleph publica desde 2014: uma carta do autor para os produtores de Blade Runner, na qual profetiza o sucesso da produção; a última entrevista concedida por Dick, publicada em 1982 na revista The Twilight Zone Magazine na ocasião do lançamento do filme; e um posfácio escrito pelo tradutor do livro, Ronaldo Bressane, que avalia Androides em comparação com Blade Runner e comenta aspectos da obra não explorados no cinema, como a preocupação ambiental, além das questões religiosas e metafísicas presentes no texto.

Após 35 anos do lançamento de Blade Runner, a sua continuação, Blade Runner 2049, estreia com forte expectativa no dia 05 de outubro nos cinemas. O longa traz direção de Denis Villeneuve (A Chegada e O Homem Duplicado) e Harrison Ford e Ryan Gosling no elenco.

Sinopse

Rick Deckard é um caçador de recompensas. Ao contrário da maioria da população que sobreviveu à guerra atômica, não emigrou para as colônias interplanetárias após a devastação da Terra, permanecendo numa San Francisco decadente, coberta pela poeira radioativa que dizimou inúmeras espécies de animais e plantas. Na tentativa de trazer algum alento e sentido à sua existência, Deckard busca melhorar seu padrão de vida até que finalmente consiga substituir sua ovelha de estimação elétrica por um animal verdadeiro; um sonho de consumo que vai além de sua condição financeira. Um novo trabalho parece ser o ponto de virada para Rick: perseguir seis androides fugitivos e aposentá-los. Mas suas convicções podem mudar quando percebe que a linha que separa o real do fabricado não é mais tão nítida como ele acreditava.

Em Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, Philip K. Dick cria uma atmosfera sombria e perturbadora para contar uma história impressionante, e, claro, abordar questões filosóficas profundas sobre a natureza da vida, da religião, da tecnologia e da própria condição humana.

Sobre o autor

Philip K. Dick nasceu nos Estados Unidos em 1928. Ao longo de sua vida e de sua carreira, Dick nunca deixou de suspeitar do mundo a sua volta, em aparência e em essência. O profundo questionamento da condição humana e da verdadeira natureza da realidade tornou-se uma marca indelével de sua obra. Tanto que a ficcionista Ursula K. Le Guin chegou a considerá-lo o Jorge Luis Borges norte-americano. Embora não tenha tido o justo reconhecimento em vida, várias de suas obras tornaram-se conhecidas ao serem roteirizadas e transformadas em grandes sucessos do cinema, como o clássico Blade Runner, baseado no romance Androides sonham com ovelhas elétricas?, além de filmes como O vingador do futuro, Minority Report e Os agentes do destino, inspirados em seus contos. Autor de mais de 120 contos e 36 romances, dentre eles VALIS, Ubik, Os três estigmas de Palmer Eldritch e os premiados O homem do castelo alto e Fluam, minhas lágrimas, disse o policial. Philip K. Dick morreu em 1982, aos 53 anos.

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