Os Meninos Que Enganavam Nazistas

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Planejamento de estudos: veja, estudar bem não quer dizer que você deve estudar muito

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Publicado no Amo Direito

Atualmente o que mais vemos hoje em dia é o problema das pessoas não conseguirem estudar tudo que deveriam pelo fato do assunto da prova ser extremamente grande e por muitas das vezes chato. Entretanto, esse problema pode ser facilmente resolvido através de um bom planejamento de estudos. Vou passar o meu e espero que seja útil para você e para seu desenvolvimento a partir de agora.

Estudar horas a fio prejudica mais do que ajuda
Quem nunca chegou em uma situação na qual tinha que deixar pra estudar absolutamente tudo em cima da hora, por ter acumulado o que poderia ter sido estudado durante os meses antecedentes à prova? E o pior, esses estudos arrasadores pouco nos ajudam, só aumentam nossa ansiedade e o medo de sair mal na bendita prova.

Os fatores para se acumular assuntos são diversos, nem sempre quem faz isso é por falta de responsabilidade. No curso de direito, principalmente nas turmas de direito noturno, a maioria dos estudantes trabalham e por conta disso não possuem tempo para estudar como deveria. A dica é: Leia resumos, não caia na besteira de pegar a doutrina bem no dia da prova. A internet está cheia de resumos muito bons, com certeza você vai entender e fazer bem sua prova, ou seja, doutrina no dia da prova NÃO!

Memória fotográfica? Abuse dos mapas mentais!
Muitas pessoas possuem uma memória fotográfica excelente. Essas pessoas aprendem mais um assunto vendo um esquema dele do que ter lido 100 páginas. Se você tem desse estilo pesquise na internet sites que produzem mapas mentais sobre seu assunto e seja feliz! Você vai gostar muito, afinal essa é sua forma mais simples de aprender. É claro que nenhum mapa substitui uma boa doutrina, mas na hora do desespero a melhor coisa a se fazer é estudar tudo resumido.

Isso serve tanto pra quem acumulou o assunto quanto para quem anda com seus estudos em dia. Nesse último caso, é muito bom fazer uso desses mapas na questão de fixar o assunto que você está estudando, até porque você não perderá muito tempo lendo ele, afinal o seu tempo maior será estudando doutrina.

Quantas horas estudar por dia?
Não adianta eu dizer quantas horas você deve estudar, isso é muito relativo e depende de diversas variantes. A disponibilidade de tempo é o maior problema para o estudante de direito, principalmente quando você participa de grupos de estudos, estágios ou até mesmo já exerce algum trabalho e concilia ele com seus estudos.

Não fique com a consciência pesada pelo fato de não ter o dia todo para estudar. lembre-se que qualidade é infinitamente mais importante do que quantidade. Se preocupe em valorizar o tempinho que você tem, estude com foco, se livre das distrações pelo menos nessa hora. É muito melhor você estudar uma ou duas horas focado do que 4 horas sem prestar atenção no que está estudando pelo fato de se distrair com tudo que passa pela frente (Pc, celular, amigos, familiares etc).

Como planejar adequadamente
Se tiver tempo, é a melhor coisa a se fazer. Se você tiver tempo, faça resumos das aulas que seus professores passaram ou até mesmo leia elas e parta para sua doutrina. Depois disso, resuma o que você leu para que não seja necessário você voltar à doutrina novamente para ler a mesma coisa, isso é muito bom para economizar nosso precioso tempinho.

Porém, tem gente que consegue estudar somente pelo caderno com as anotações que são feitas em aula. Se você for assim, é interessante fazer uso de mapas mentais e de doutrina (Se tiver tempo) apenas para ver o assunto de cima em seu conteúdo. Assim, você dominará o assunto muito bem!

O que eu faço
Depende da situação. Se eu estiver acompanhando o assunto certinho, eu leio a doutrina assim que chego em casa mesmo cansado, às vezes não dá mas faço assim sempre que posso. Depois, assisto uma vídeo aula sobre o assunto do dia no youtube, e o melhor de tudo é que isso é de graça! Os melhores são o saber direito e o prova final

Se eu não tiver estudado certinho a disciplina, eu faço uso de apostilas resumidas para pelo menos ter uma noção básica do assunto e decoro pequenos conceitos importantes sobre a disciplina para não zerar na prova. Quando dá eu vejo uns mapas mentais, mas não faço isso sempre e faço resumos do que os professores falam em sala de aula. Eu prefiro ler doutrina mesmo, só recorro aos mapas quando não tem mais jeito, rs. Independentemente de estar ou não com o assunto eu vejo os vídeos! São os melhores professores do Brasil e duram no máximo uma hora, show de bola.

Conclusão
Muitas vezes não conseguimos fazer um bom planejamento de estudos por vários motivos, mas isso não é desculpa para não estudar. Sempre há um jeitinho de você dar uma lidinha no assunto, seja por resumo, anotação, mapa mental ou leitura de doutrina. O mais aconselhável é que nós leiamos todos os dias nem que seja um pouquinho. É com esse trabalho de formiguinha, juntando pedrinha por pedrinha, que um dia iremos conseguir construir nosso castelo!

O que não podemos é deixar de estudar, se o tempo for extremamente curto a internet está para ser usada, cabe a você fazer um bom proveito dela e filtrar os bons conteúdos. Abraços e bons estudos!

Fonte: diariojurista

Tarefas que exigem maior concentração: dicas para estar sempre focado nos estudos

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Publicado no Amo Direito

Justamente as tarefas que exigem um nível maior de concentração parecem nos dispersar com mais rapidez, não é mesmo?

Há alguns fatores que atrapalham bastante a nossa capacidade de manter o foco nos estudos. Um dos principais é a não satisfação das nossas necessidades fisiológicas como fome, sede, sono, calor, etc. Ficar incomodado com isso, além de desconcentrar, pode causar irritação e consequente abandono do momento de estudo.

Procure sempre manter um ambiente organizado e agradável, livre de ruídos. Isso também pode ajudar muito na concentração e melhor aproveitamento dos estudos.

O gestor da área de educação do CEBRAC (Centro Brasileiro de Cursos), listou algumas dicas simples, mas que se aplicadas de fato, poderão te ajudar a manter o foco!

Dica 1 – Elimine as distrações. Nos momentos reservados ao estudo, verifique se você está livre de músicas, televisão, pessoas conversando, celular, etc.

Dica 2 – Para que seus estudos sejam eficazes, procure um local arejado e confortável. Temperatura (nem calor demais, nem frio demais) e uma cadeira adequada, que auxilia na sua postura, ajudam você a se concentrar melhor.

Dica 3 – Seja organizado com seus estudos. Estabelecer um cronograma de atividades diárias e prazos para executar tarefas ajudam você a não se dispersar e alcançar objetivos de forma consistente.

Dica 4 – Para renovar o ânimo e se concentrar melhor nos estudos, faça um passeio ao ar livre. Ambientes naturais, como parques e praças, possuem um alto poder de redução da fadiga. Por isso, procure por este ambientes para sua mente se recompor.

Dica 5 – Pequenas pausas são necessárias para manter o foco nos estudos. Quando a concentração nos estudos cai, é hora de dar um tempinho, tomar uma água para depois retornar com muito mais energia!

Fonte: estudos 10

Não consegue se concentrar por muito tempo? Entenda por que isso não é ruim

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Hugoa Araújo, no UOL

Se gosta de estudar pelo computador, você provavelmente não percebe, mas, quando começa a navegar por diversas abas, assistir a vídeos e até conversar com amigos, também está aprendendo

Se gosta de estudar pelo computador, você provavelmente não percebe, mas, quando começa a navegar por diversas abas, assistir a vídeos e até conversar com amigos, também está aprendendo

Você consegue ficar por horas no computador, navegando pela internet, assistindo a vídeos e interagindo nas redes sociais. Mas, quando chega a hora de estudar ou fazer qualquer outra tarefa, não fica concentrado por muito tempo e logo perde o foco. E com os prazos chegando ao fim, logo bate o desespero.

Mas, calma: não ficar concentrado por longos períodos não é necessariamente ruim. Segundo a neurocientista Carla Tieppo, que também é professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, o ideal é estabelecer um tempo no qual você sabe que ficará concentrado na tarefa. Passado esSe intervalo, você deve fazer uma pausa para depois voltar.

E, acredite, as tecnologias podem ser suas aliadas na hora de estudar. Segundo Camila Alexandrini, professora de português e literatura da plataforma “Me Salva!”, os estudantes são capazes de aprender em ambientes comumente considerados como de “dispersão”. Ou seja, o jovem consegue fazer associações entre a vídeo-aula, o debate na rede social e as anotações escolares. “É muito coerente com a vida dos estudantes hoje pensar que esta dispersão é um novo processo de aprendizagem, que não se dá em linha reta e, sim, em redes”, explica.

De todo modo, é necessário cautela. Ou seja, se você gosta de estudar fora do computador, não precisa largar os livros e se forçar a entrar para os meios digitais. Também não vale ficar todo o tempo nas redes sociais em assuntos não relacionados ao que você deseja aprender.

O ideal é achar a plataforma que melhor funciona para você e apostar nela. Seja digital ou analógico, você deve arrumar um tempo para se dedicar e manter a concentração, mesmo que não seja necessariamente longo. O UOL listou algumas dicas que podem ajudar a encontrar o equilíbrio ideal na hora de buscar concentração:

1. Defina seu tempo

“A coisa mais importante é você saber quanto tempo fica concentrado”, afirma Carla Tieppo. Para isso, durante as tarefas diárias, você deve observar quanto tempo consegue render. Na leitura de um texto, por exemplo, durante qual período você realmente apreende o que está escrito ali? Quando começar a se cansar ou ter de reler muitas vezes, é sinal de que seu período ideal já passou.

2. Use as tecnologias a seu favor

Para controlar seu tempo, Eduardo Valladares, professor de português da plataforma “Descomplica”, afirma que você pode utilizar o celular. “Em geral, só se diz que a tecnologia do celular atrapalha. Que nada! Você pode baixar um aplicativo para ajudar a controlar o tempo e a organizar suas tarefas. Trello, Evernote, Pomodoro, HabitBull, Habitica são ótimos exemplos”, conta.

3. Faça pausas

Depois de estudar durante o período que você estabeleceu, a neurocientista Carla Tieppo recomenda que você faça uma pausa. “Você pode checar as notificações do celular, comer algo leve, tomar água, levantar da cadeira”.

4. Faça uma lista de músicas

Outra dica da neurocientista Carla Tieppo é fazer uma playlist com a mesma duração do tempo que você separou para estudar. As músicas devem ser conhecidas e ideais para ficar de plano de fundo — ou seja, aquelas que você gosta de cantar junto não valem! “Não é para ouvir no randômico, e, sim, naquela sequência certa que você definiu. Isso ajuda a diminuir a ansiedade. Você não fica pensando quanto tempo tem de estudar antes de parar. O seu inconsciente vai saber quando está chegando a hora da pausa”, explica.

5. Concentre-se nas redes

Se gosta de estudar pelo computador, você provavelmente não percebe, mas, quando começa a navegar por diversas abas, assistir a vídeos e até conversar com amigos, também está aprendendo. Você faz ligações entre estas diferentes plataformas e vai construindo seu aprendizado, mesmo que não fique muito tempo concentrado na mesma tarefa. “Enquanto está lendo em um site e, em seguida, clica em um vídeo, você continua pensando sobre o que estava estudando. É uma forma de estudar em rede”, explica a professora Camila Alexandrini.

6. Divida as tarefas e se organize

“Divida as tarefas grandes em pedaços menores. Faça uma coisa de cada vez. O menos é mais”, sugere o professor Eduardo Valladares. Para evitar o cansaço, é ideal que você separe as atividades de cada dia e semana. “Há tempo para tudo: lazer, descanso, comer, obrigações e estudo. Faça intervalos e mescle com algo prazeroso. Estudo pode ser divertido”, conclui.

Ex-faxineira mergulha nos livros e é aprovada no STF e mais 3 órgãos

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Marinalva Luiz, ex-faxineira no Supremo Tribunal Federal aprovada em quatro concursos públicos (Foto: Alexandre Bastos/G1)

Marinalva Luiz, ex-faxineira no Supremo Tribunal Federal aprovada em quatro concursos públicos (Foto: Alexandre Bastos/G1)

 

Colegas insinuaram que ela havia comprado gabarito da prova, de 2008.
Mulher também foi aprovada no STJ, Ministério do Trabalho e MPU.

Renata Moraes, no G1

Título original: ‘Pensaram que eu era analfabeta’, diz faxineira do STF que passou no órgão

Após cinco anos trabalhando como faxineira no Supremo Tribunal Federal, Marinalva Luiz achou que era uma brincadeira ver o próprio nome na lista de aprovados no concurso do órgão. A mulher passou semanas mergulhada nos livros e anotações para a prova de técnico judiciário. O resultado também surpreendeu colegas, que chegaram a insinuar que ela havia comprado o gabarito.

“Minha família e amigos já sabiam que eu ia passar, pois eu estudava sem parar e só falava em concurso e mais concurso”, disse. “Muita gente, infelizmente, não gostou da novidade. As pessoas ficaram em choque, não esperavam que uma moça que trabalhou na limpeza do tribunal tivesse conhecimento suficiente para passar, ainda mais que concorri com quem já tinha se formado em advocacia. O preconceito está enraizado na sociedade brasileira ainda.”

O concurso aconteceu em 2008. O salário previsto era de R$ 3 mil – 500% a mais do que os R$ 500 que ela recebia mensalmente. Marinalva foi a 29ª colocada e aguardou os quatro anos de validade do certame pela convocação. Mesmo com a seleção expirando antes, a mulher não desanimou e passou em outras três provas: Superior Tribunal de Justiça, Ministério do Trabalho (onde está atualmente) e Ministério Público da União.

Para ela, o fato de sempre ter apreciado literatura influenciou nas conquistas. “Eu sempre gostei de ler. Lia desde gibi a Karl Max. Na minha casa tinha mais livros e revista do que em qualquer casa do meu bairro. As pessoas não entendiam porque eu e minha irmã líamos tanto. Hoje vejo que isso foi fundamental e um diferencial na minha vida.”

A ex-faxineira em frente a ministério na Esplanada (Foto: Alexandre Bastos/G1)

A ex-faxineira em frente a ministério na Esplanada
(Foto: Alexandre Bastos/G1)

A mulher também baixou conteúdos em sites e pedia ajuda de amigos da família que trabalhavam no Judiciário. Nascida em Anápolis, cidade goiana a 160 quilômetros de Brasília, ela decidiu atuar na área de limpeza porque o salário era melhor do que o que recebia trabalhando em uma loja para noivas e como costureira.

“Duvidavam da minha capacidade porque eu era auxiliar de serviços gerais e, como tal, deveria ter muito pouco estudo. Não aceito que me julguem sem me conhecer”, afirma. “O que me deixou impressionada foi pensarem que, por ter trabalhado na limpeza, era analfabeta ou coisa do gênero. Eu já tinha o ensino médio, trabalhava numa butique mas ganhava menos que na limpeza e trabalhava muito. No STF era muito melhor! Nunca me abati com isso, mas, realmente, inveja é uma coisa que te assusta.”

Marinalva diz que a família tinha pouco recursos, mas que nunca precisou parar de estudar. “Nós eramos pobres, mas tínhamos tudo o que precisávamos. Livros, roupas, brinquedos; meus pais se esforçavam e nos davam. Mas, como todo mundo, você sempre quer mais, e eu queria morar numa casa com piscina, muita árvores, pois lembra muito a minha infância.”

Segundo ela, a melhor vantagem do emprego no serviço público foi poder incluir a mãe como dependente no plano de saúde. “Ela foi muito bem tratada nos melhores hospitais do Plano Piloto e Taguatinga, especialmente no Santa Marta e São Francisco, onde infelizmente, ela veio a falecer, há dois anos.”

Marinalva conta que chegou a começar a estudar direito, mas decidiu trancar o curso por ver que não era exatamente o que queria. Ela voltou a costurar e diz sonhar em fazer moda nos próximos anos.

“Voltei a costurar por raiva”, ri. “Toda vez que pedia uma costureira para fazer umas roupas, ela demorava demais ou [as peças] não ficavam do jeito que eu queria. Como já tinha trancado a faculdade, já estava procurando uns cursos para fazer, dar uma boa revisada em ajustes e conhecer novos métodos de ensino. Daí vi que realmente costurar é uma coisa que adoro fazer, independentemente de ser uma profissão. Todo dia faço algo. Para meus amigos e parentes, faço consertos e reformas.”

Dicas
A mulher diz que, para a prova do STF, se preparou com o conteúdo de analista judiciário – com curso superior – e não para o de técnico. Assim, afirma, acumulava mais conhecimento. Ela também conta que estava decidida a passar em concurso e que acha que a determinação contribuiu para o sucesso.

“Vários colegas faziam deboche quando fui aprovada, vieram correndo me falar que não iria ser chamada. É uma coisa que você vê se você quiser. Eu nunca deixei que me jogassem para baixo, mas não imaginei que fosse calar a boca de tanta gente depois que fui aprovada”, conta.

“A primeira dica é: decida onde você quer trabalhar. Eu só fiz concurso para o judiciário porque as matérias são as mesmas e somente o regimento interno que muda. Fiz do Ministério do Trabalho porque queria incentivar uma amiga a estudar e acabei fazendo a inscrição no último dia. Caí aqui de paraquedas”, ri. “Segundo: estude por livros e sites, nunca compre apostilas. Além de resumidas demais, são caríssimas. Um exemplo: quando estudava ainda para o STF, já tinha tudo quanto era exercício feito. Uma amiga comprou uma apostila na banca de revista e fui dar uma olhada apenas nos exercicios sobre a legislação do tribunal.”

Marinalva afirma que os exercícios eram iguais aos que já tinha em casa. A terceira dica dela é manter o foco. “Vi gente estudando ao mesmo tempo para bancos, tribunais, agências reguladoras, Metrô etc. Nossa! Você acha que nosso cérebro armazena todo esse tipo de informação em curto prazo? São órgãos diferentes, as matérias às vezes também são.”

A mulher conta se sentir feliz ao ver que outras pessoas ficam motivadas ao estudar quando conhecem a história dela. Para ela, a principal lição com a própria experiência foi ver que todo mundo é capaz.

“Eu passei num concurso que era disputadíssimo entre os funcionários da minha empresa, estagiários. Eu passei e eles não. O diferencial foi que não estudei para passar, estudei para aprender e entender como funciona o nosso Estado Brasileiro. Fui devagarinho. O que não entendia, voltava e fazia tudo de novo. E uma frase que resume bem o eu fiz foi:’Sem saber que era impossível, ele foi lá e fez’.”

Oito coisas que aprendi com a educação na Finlândia

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Quatro professores de um grupo de 35 brasileiros capacitados no país nórdico contam o que trouxeram da experiência e que impacto ela pode ter no ensino público do Brasil.

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Publicado no G1

Dona de um dos sistemas de ensino mais elogiados do mundo, a Finlândia recebeu, de fevereiro a julho deste ano, 35 professores de institutos federais brasileiros para treinamento e capacitação.

Embora em 2012 o país nórdico tenha caído do topo para a 12ª posição do Pisa, o principal exame internacional de educação (o Brasil ficou na 58ª posição do ranking, entre 65 países), ele ainda é apontado pela OCDE – a entidade que aplica o Pisa – como “um dos líderes mundiais em performance acadêmica” e se destaca pela igualdade na educação, alta qualificação de professores e por constantemente repensar seu currículo escolar.

Os docentes brasileiros foram selecionados pelo programa Professores para o Futuro, do CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Ministério da Educação), para passar cinco meses estudando a educação finlandesa.

A BBC Brasil conversou com quatro desses professores, para conhecer o que viram na Finlândia e saber se lições trazidas de lá podem facilitar seu trabalho em sala de aula e melhorar o aprendizado nas instituições públicas de ensino onde atuam.

Apesar das diferenças com o sistema brasileiro, os professores disseram ver como “pequenas revoluções” o que podem agregar do ensino finlandês em suas rotinas.

“Vou começar com um trabalho de formiguinha, mostrando aos meus colegas o que aprendi, gravando minhas aulas e adaptando (as metodologias) à nossa realidade e aos nossos estudantes”, diz a professora Giani Barwald Bohm, do Instituto Federal Sul-rio-grandense.

Os 25 institutos federais que enviaram professores ao país nórdico reúnem cursos de ensino médio, profissional e superior com ênfase em ciência e tecnologia.

Veja o que os professores aprenderam na Finlândia:

1. Usar mais projetos nas aulas

Os professores entrevistados pela BBC Brasil dizem que projetos elaborados por alunos e a resolução de problemas estão ganhando protagonismo no ensino finlandês, em detrimento da aula tradicional.

São as metodologias chamadas de “problem-based learning” e “project-based learning” (ensino baseado em problemas ou projetos). Neles, problemas – fictícios ou reais da comunidade – são o ponto de partida do aprendizado. Os alunos aprendem na prática e buscam eles mesmos as soluções.

“Os projetos são desenvolvidos sem o envolvimento tão direto do professor, em que os alunos aprendem não só o conteúdo, mas a gerir um plano e lidar com erros”, diz Bruno Garcês, professor de Química do Instituto Federal do Mato Grosso, que pretende aplicar o método em aulas de experimentos práticos.

Os professores brasileiros visitaram, na Finlândia, cursos superiores baseados inteiramente nessa metodologia.

“Um curso de Administração tem disciplinas tradicionais no primeiro ano. Mas, nos dois anos e meio seguintes, os alunos deixam de ter professores, passam a ter tutores, formam empresas reais e aprendem enquanto desenvolvem o negócio”, diz Francisco Fechine, coordenador do Instituto Federal de Tecnologia da Paraíba.

Não é uma estrutura que sirva para qualquer tipo de curso, mas funciona nos voltados, por exemplo, a empreendedorismo, explica Joelma Kremer, do Instituto Federal de Santa Catarina.

“E os alunos têm uma carga de leitura, para buscar (nos livros) as ferramentas que precisam para resolver os problemas.”

2. Foco na produção de conteúdo pelos alunos

A resolução de problemas e projetos é parte de um ensino mais centrado na produção do próprio aluno. Ao professor cabe mediar a interação na sala de aula e saber quais metas têm de ser alcançadas em cada projeto.

“Nós (no Brasil) somos mais centrados em o professor preparar a aula, dar e corrigir exercícios. O aluno faz pouco. Podemos dar mais espaço para o aluno avaliar o que ele vai desenvolvendo”, diz a professora Giani Barwald Bohm, do Instituto Federal Sul-rio-grandense.

“No modelo tradicional de ensino, quem mais aprende é o professor. Lá (na Finlândia) é o aluno quem tem de buscar conteúdo, e o professor tem que saber qual o objetivo da aula. Para isso você não precisa de muita tecnologia, mas sim de capacitação (dos docentes)”, agrega Joelma Kremer.

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3. Repensar o papel da avaliação

Nesse contexto, a avaliação tem utilidade diferente, diz Kremer: “A avaliação está presente, mas os alunos se autoavaliam, avaliam uns aos outros, e o professor avalia os resultados dos projetos”.

“Ao reduzir o número de testes (formais) e avaliar mais trabalhos em grupo e atividades diferentes, os professores têm um filme do desempenho do aluno, e não apenas a foto (do momento da prova)”, diz Fechine.

“Conhecemos um professor de física finlandês que avaliava seus alunos pelos vídeos que eles gravavam dos experimentos feitos em casa e mandavam por e-mail ou Dropbox.”

4. Usar tecnologia e até a mobília para ajudar o professor

A tecnologia não é parte central desse processo, mas auxilia o trabalho do professor em estimular a participação dos alunos finlandeses.

“Em vez de proibir o celular, os professores os usam em sala de aula para estimular a participação dos alunos – por exemplo, respondendo (via aplicativos especiais) enquetes que tivessem a ver com as aulas”, conta Kremer.

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“Isso torna a aula mais interessante para eles. E é complicado para a gente ficar dizendo, ‘desliga o celular’, algo que já começa estabelecendo uma relação de antipatia com o aluno.”

Os professores brasileiros também conheceram algumas salas de aula com mobília especialmente projetada, diferente do modelo tradicional de cadeiras individuais voltadas à lousa.

“Muitas salas têm sofás, poltronas, mesas ajustáveis para trabalhos individuais ou em grupo e vários projetores”, agrega Kremer. “É um mobiliário pensado para essa metodologia diferente de ensino.”

Fechine vai reproduzir parcialmente a ideia no Instituto Federal da Paraíba, trocando as carteiras de braço por mesas que possam ser agrupadas para trabalhos.

5. Desenvolvimento de habilidades do século 21

A professora Giani Barwald Bohm conta que o ensino fundamental finlandês continua dividido em disciplinas tradicionais, mas focado cada vez mais no desenvolvimento de habilidades dos alunos, e não apenas na assimilação de conteúdo tradicional.

“(São desenvolvidas) competências do século 21, como comunicação, pensamento crítico e empreendedorismo”, diz ela.

Para Fechine, estimular a independência do estudante é uma forma de romper o ciclo de “alunos passivos, que só fazem a tarefa se o professor cobrar, interagem muito pouco”.

6. Intervalos mais frequentes entre as aulas

A Finlândia adota aulas de 45 minutos seguidas de 15 minutos de intervalo na educação básica – prática que Bruno Garcês acha que poderia ser disseminada por aqui. “Tira a tensão de ficar tantas horas sentado”, diz.

Fechine também considera a ideia interessante, mas aponta que a grande carga horária no ensino médio brasileiro dificulta sua aplicação e lembra que na Finlândia ela é acompanhada de uma forte cultura de pontualidade. “As aulas começam no horário e aluno rapidamente entra na (rotina de) resolução de problemas.”

7. Cultivar elos com a vida real e empresas

Muitos dos projetos dos estudantes finlandeses são tocados em parcerias com empresas, para aumentar sua conexão com a vida real e o mercado de trabalho, algo que Garcês acha que poderia ser mais frequente no Brasil.

“Aqui na área rural do Mato Grosso podemos ter uma interação maior com as fazendas locais, ministrando aulas a partir do que os produtores rurais precisam.”

A vantagem disso é que o aluno vê sentido prático e profissional no que está aprendendo, explica Giani Barwald Bohm. “Ele desenvolve algo diretamente para o mercado de trabalho, que vai ter relevância para o próprio estudante e é contextualizado com as empresas locais.”

Ela destaca também as competições de habilidades práticas desenvolvidas por escolas locais (um preparativo para a competição internacional WorldSkills, que neste ano será realizada em São Paulo, pelo Senai, entre quarta e sábado desta semana).

“As empresas são envolvidas na organização e acompanham os alunos no dia a dia e até ficam de olho para contratá-los depois.”

8. Formação mais prática e valorização do professor

A formação dos professores é apontada como a principal chave do sucesso do ensino finlandês. Os brasileiros observaram lá uma capacitação mais prática, voltada ao dia a dia da sala de aula, e mais interação entre o corpo docente.

“Algumas salas têm dois professores – um como ouvinte do outro caso seja menos experiente”, relata Fechine.

“Há uma relação mais direta (entre os professores), com muita conversa entre quem dirige o ensino e quem dá aula”, agrega Barwald Bohm.

“Além disso, há uma valorização cultural do professor lá, semelhante à de outras profissões. O salário é equivalente e as condições de trabalho dão bastante tempo para o planejamento das aulas”, diz Bruno Garcês.

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