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Patricia Broadfoot: “Escolas não devem avaliar o aprendizado com base em notas”

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Pesquisadora da Universidade de Bristol, na Inglaterra, sugere que escolas façam avaliações mais abrangentes e que os alunos, conhecendo melhor suas dificuldades, assumam o controle do próprio aprendizado

Pesquisadora britânica diz que os testes tradicionais não são suficientes para avaliar os aprendizados dos alunos (Foto: Shutterstock)

Pesquisadora britânica diz que os testes tradicionais não são suficientes para avaliar os aprendizados dos alunos (Foto: Shutterstock)

Amanda Polato, na Época

O momento de receber o boletim com notas mensais ou bimestrais costuma ser tenso para muitas crianças e também para os pais. Mas, para a pesquisadora britânica Patricia Broadfoot, diretora da Faculdade de Educação da Universidade de Bristol, tanta valorização dos números está equivocada. As escolas deveriam olhar para a avaliação de forma muito mais abrangente, diz ela, e ajudar os alunos a entender melhor seus pontos fortes e fracos. “Há estudos que comprovam que, quando a escola dá notas, os alunos tendem a não ouvir os comentários dos professores e, portanto, não sabem como melhorar.”

A proposta da especialista em avaliação, que está em São Paulo nesta semana para uma conferência na 20ª Feira Educar, é usar ferramentas digitais para fazer avaliações formativas, mais preocupadas com o aprendizado em si do que com a somatória de pontos e notas. Segundo ela, jogos e desafios on-line podem ajudar a detectar mais nuances sobre o que os alunos sabem do que os testes tradicionais.

Patricia também critica os testes nacionais padronizados. “Deve haver prestação de contas para a sociedade, mas o melhor seria incentivar as escolas a se autoavaliar rigorosa e continuamente.” Confira a seguir a entrevista da pesquisadora a ÉPOCA:

ÉPOCA – A senhora fala em suas pesquisas sobre a “sociedade da avaliação” e diz que nós acreditamos no poder dos números. Esse tipo de avaliação é eficiente nas escolas?

Patricia Broadfoot – A sociedade da avaliação não é uma coisa positiva. E penso que é especialmente ruim nas escolas, porque treinamos os estudantes a ver o sucesso do seu aprendizado em termos de notas, em vez de ver do aprendizado em si. Nós nos convencemos de que a melhor forma de julgar a qualidade do aprendizado, das escolas e dos sistemas de ensino é por meio de uma série de números. No entanto, deveríamos julgar a qualidade da educação de um modo muito mais abrangente.

ÉPOCA – De modo geral, as escolas estão preparadas para fazer uma avaliação mais focada no aprendizado, a chamada avaliação formativa?

Patricia – Nenhum de nós na área da educação, em qualquer parte do mundo, realmente entende a importância da avaliação formativa. É uma questão que começou a ser estudada há apenas 20 anos. Quando as pessoas se derem conta do quão poderosos são os feedbacks e a avaliação formativa para ajudar os alunos a aprender, o interesse aumentará. Ainda achamos muito difícil mudar, principalmente porque a prioridade da rotina escolar ainda é passar conteúdos aos estudantes. Dessa forma, não há tempo para feedbacks individuais e frequentes. Pesquisas indicam que os alunos não estão satisfeitos com o tempo e a qualidade da avaliação que recebem. Claro que é difícil para os professores se considerarmos o tamanho das salas de aula.

ÉPOCA – Como os processos de avaliação podem melhorar?

Patricia – Deveríamos ter menos avaliações somativas [método convencional, baseado em somatória de notas], e dar feedback como forma de apoiar o aprendizado, provavelmente no formato de texto em vez de números. Há estudos que comprovam que, quando a escola dá notas, os alunos tendem a não ouvir os comentários dos professores e, portanto, não sabem como melhorar. Existem ferramentas digitais que ajudam a identificar aspectos dos aprendizados dos estudantes que não são detectados pelas formas tradicionais de avaliação. Com elas, é possível fazer estudos de caso, propor desafios da vida real, criar testes semelhantes a jogos, em que o estudante pode ir para diferentes níveis de dificuldade. Basta imaginar um jogo de computador, e pensar como eles são complexos e engajam os jovens. É possível usar isso na avaliação escolar.

ÉPOCA – Qual é o impacto de bons feedbacks para a vida de um estudante? Ela ajuda a desenvolver quais habilidades?

Patricia – Normalmente, chamamos de “learning power” a habilidade de aprender. Nenhum de nós possui um “padrão” de aprendizado fixo. Temos, por exemplo, mais habilidade para aprender algo de que realmente gostamos. O conceito de “learning power” envolve nossas qualificações, habilidades intelectuais, disposição e motivação. Se você entende seus pontos fortes e fracos, e você aprende a gerenciar seu próprio aprendizado, sua habilidade de aprender vai crescer consideravelmente. Professores devem ajudar seus alunos a aprender melhor, para que eles não sejam passivos e apenas recebam o que lhes é ensinado, mas assumam o controle sobre o próprio aprendizado.

ÉPOCA – Há países que já fizeram mudanças significativas nas políticas de avaliação?

Patricia – Sim, alguns países estão implementando a avaliação voltada para o aprendizado, como o meu país, a Inglaterra, Hong Kong e outros asiáticos. Mas as pesquisas mostram que nem sempre as políticas são colocadas em prática, porque pressões culturais e tradições tornam isso mais difícil. Será um longo processo.

ÉPOCA – Qual é o papel dos pais nessa mudança?

Patricia – Os pais tendem a preferir as avaliações por notas, porque se acostumaram com isso. Mas eles precisam entender as novas propostas. Se a escola está tentando implementá-las, não terá sucesso sem a ajuda dos pais.

ÉPOCA – Qual é a sua opinião sobre testes padronizados e em larga escala feitos pelo governo para verificar o desempenho de estudantes e das escolas?

Patricia – Depende da intenção do uso dos dados. Na Inglaterra, há um extensivo uso de testes criados fora das escolas para julgar a qualidade dos professores e das escolas. Isso é feito para os pais. Há evidências de que isso é muito ruim para as escolas, porque os professores têm que focar suas aulas nos testes, além de gerar muito estresse para todos. Sozinhos, os testes não aumentam a qualidade. Alguns países fazem diagnósticos sobre a situação das escolas, o que é mais útil. Um grande desafio é preparar os professores para usar os resultados dos testes e das avaliações e, assim, melhorar suas práticas. Outro problema dos testes padronizados é que, quando os resultados são divulgados nos jornais, não há informações sobre os contextos das escolas. Deve haver prestação de contas para a sociedade, mas o melhor seria incentivar as escolas a se autoavaliar rigorosa e continuamente.

ÉPOCA – Os testes internacionais, como o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos, organizado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), são úteis?

Patricia – Meus colegas estatísticos dizem que é o Pisa é um instrumento muito sofisticado de avaliação, mas governos tendem a interpretar os resultados de forma não tão sofisticada. Potencialmente, os testes internacionais são úteis, porque mostram áreas de um país que precisam ser melhoradas, mas governos fazem diagnósticos errados. É perigoso quando se compreendem mal as razões por trás dos resultados.

Diretora transexual de colégio público diz ter de “matar um leão por segundo”

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A transexual Laysa Machado, que dirige colégio desde 2009 (foto: Arquivo pessoal)

A transexual Laysa Machado, que dirige colégio desde 2009 (foto: Arquivo pessoal)

Publicado na Folha de S.Paulo

Não há estatística oficial, mas a professora Laysa Machado, 41, gosta de dizer que é uma das únicas –senão a única– diretora transexual eleita democraticamente no ensino público no país.

Há três anos, ela é diretora-adjunta de um colégio estadual de São José dos Pinhais (região metropolitana de Curitiba), e foi reeleita em 2011, mesmo diante da “resistência de uma minoria”, segundo ela.

“Você tem que matar um leão por segundo. Se o hetero precisa ser o melhor, a diversidade tem que ser bilhões de vezes melhor”, diz Laysa.

Formada em história e letras, a professora concursada da rede estadual relutou antes de assumir a identidade. “Eu sublimava toda a minha angústia com os estudos.”

Na cidade natal, no interior do Paraná, enfrentou rejeição da família e foi demitida do colégio católico em que lecionava sob acusação de “subversão” após sair em público com seu primeiro vestido, aos 27 anos.

Mudou-se para Curitiba, iniciou o tratamento hormonal e, quatro anos depois, fez a cirurgia de readequação genital. Hoje, é mulher inclusive em seus documentos.

No Colégio Estadual Chico Mendes, onde está desde 2004, diz que enfrentou preconceito até dos colegas de trabalho, o que, segundo ela, venceu aos poucos, às custas de trabalho.

“Ela sofreu, mas sempre mostrou que, em primeiro lugar, era uma educadora”, conta a colega Gisele Dalagnol.

Calouro da USP desafia preconceito e veste saia para ir à faculdade

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Vitor Pereira, de 20 anos, aderiu ao hábito já cultivado por outros alunos.
Jovem recebeu comentários ofensivos em rede social.

Vitor Pereira posa com a saia que usa nas aulas e a camiseta do curso de têxtil e moda da USP Leste (Foto: Flávio Moraes/G1)

Vitor Pereira posa com a saia que usa nas aulas e a camiseta do curso de têxtil e moda da USP Leste
(Foto: Flávio Moraes/G1)

Ana Carolina Moreno, no G1

Recém-chegado ao curso de têxtil e moda da Universidade de São Paulo (USP), o calouro Vitor Pereira, de 20 anos, decidiu experimentar uma sensação pouco comum entre os homens de hoje: o hábito de vestir saias. “Sempre gostei muito de androginia na moda, nunca pensei que existe roupa de mulher e roupa de homem”, contou o estudante ao G1. No mês passado, ele comprou uma saia xadrez e passou a vesti-la para ir à Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), no campus da Zona Leste da USP. “Sempre quis vestir saia, acho que é mais confortável e libertador.”

Defensor da hipótese de que a moda transcende os gêneros, ele afirma ter colocado em prática pesquisas feitas na faculdade feitas sobre o tema e seguido os passos de alguns colegas veteranos. Na manhã de sexta-feira (3), ele combinou a saia com um par de coturnos e uma camiseta da faculdade.

Achei que fosse haver alguns olhares, porque é uma coisa incomum, mas não a ponto de receber ofensa”
Vitor Pereira, estudante

A atitude do estudante desafia o preconceito contra homens de saia. Três dias após vestir a saia na USP pela primeira vez, Vitor recebeu ofensas anônimas pelo Facebook e criou uma página para defender a causa e divulgar imagens de outros homens que usam saia pelo mundo. “Achei que fosse haver alguns olhares, porque é uma coisa incomum, mas não a ponto de receber ofensa”, afirmou Vitor. “Se você posta um comentário assim é porque você reprime alguma coisa. E se você reprime, isso ou escapa por meio de palavras ou de violência. Sempre tive uma outra visão da USP, de que o pessoal tinha a mente mais aberta.”

Em nota, a assessoria de imprensa da Each afirmou na sexta-feira (3) que a unidade “repudia qualquer tipo de discriminação racial, religiosa, sexual, por gênero e etnia, praticada dentro do ambiente acadêmico ou fora dele”, e que “qualquer manifestação preconceituosa, seja ela qual for, destoa completamente do cotidiano universitário, que apresenta a diversidade em suas mais variadas formas”.

Vítor Pereira usa saia nas aulas do curso de têxtil e moda da USP Leste (Foto: Flávio Moraes/G1)

Vítor Pereira usa saia nas aulas do curso de têxtil e moda da USP Leste (Foto: Flávio Moraes/G1)

Sociologia da moda
A vontade de experimentar ele nutriu durante quase dois anos, mas a compra da primeira saia foi feita em um impulso durante uma visita a um shopping center. Por falta de opção, a saia de Vitor foi comprada em uma loja feminina e precisou ser ajustada por uma costureira para servir ao porte físico do estudante.

Porém, ele não é o primeiro aluno do curso a vestir a peça para ir à aula. Pelo menos outros três garotos também já aderiram ao hábito de usar saia ou vestido.

O aluno do quarto ano Augusto Paz, de 21 anos, vestiu sua primeira saia em 2011, como parte de uma tarefa da disciplina de sociologia da moda. O “teste de desconforto psicológico” exigido pela professora consistia em sair de casa e ir até a faculdade vestindo uma peça de roupa que Augusto nunca usaria. O estudante escolheu uma saia longa azul emprestada pela mãe, que lhe serviu sem necessidade de ajustes.

Em 2011, Augusto Paz vestiu uma saia pela primeira vez (Foto: Arquivo pessoal/Augusto Paz)

Em 2011, Augusto Paz vestiu uma saia pela
primeira vez (Foto: Arquivo pessoal/Augusto Paz)

Apesar de sempre achar que nunca vestiria a peça, Augusto acabou descobrindo que a saia é bastante confortável e decidiu comprar outros modelos –hoje, ele tem três, que veste de vez em quando. “Compro minhas saias em brechós, procuro o modelo de kilt [saia masculina típica da Escócia]. Fizemos uma pesquisa no ano passado, é muito difícil encontrar saia para homem.”

Vantagens da saia

Além de não esquentar tanto as pernas durante os dias mais quentes, os dois estudantes explicam que a saia também mexe com a postura de quem a veste. “É engraçado ver como uma peça de roupa mexe no visual. Até a maneira de andar muda”, explicou Augusto. “Minha postura tem que ser melhor para não parecer estranho”, afirmou Vitor.

Os dois dizem que a saia não é uma peça de uso diário, mas apenas mais uma opção do guarda-roupa, para vestir quando quiserem. Os motivos para vestirem ou não a saia em um determinado dia são parecidos com os de muitas mulheres. Vitor, por exemplo, desistiu da peça na quinta-feira (2), porque achou que faria frio.
Augusto afirmou que veste as suas de vez em quando. Além da vontade na hora de escolher a roupa do dia, um dos motivos, segundo ele, é o medo da reação que pode receber na rua.

“Tenho medo de violência”, diz. Ele afirma que, na faculdade, o mais comum é receber “olhares de soslaio” e comentários e risadas pelas costas, mas que “é difícil ter uma ação combativa, quando tem é anonimamente pela internet”. Porém, segundo ele, em 2012 um estudante da USP Leste tentou tirar uma foto por debaixo de sua saia. “As reações divergem muito, aqui tem muita gente esclarecida, mas muita gente ignorante.”

Vitor afirmou que não se importa sobre o que os outros pensam dele. Mas admitiu que, quando saiu de casa pela primeira vez vestindo uma saia, o nervosismo fez com que ele ficasse com taquicardia. No ponto de ônibus a caminho da USP Leste, ele diz que muitas pessoas não conseguiam desviar o olhar, e um motorista gritou uma ofensa a ele de dentro de um carro em movimento.

Vítor Pereira, de saia, e Augusto Paz, que também já usou a peça, 'desfilam' com os colegas na USP Leste (Foto: Flávio Moraes/G1)

Vítor Pereira, de saia, e Augusto Paz, que também já usou a peça, ‘desfilam’ com os colegas na USP Leste (Foto: Flávio Moraes/G1)

Reflexo da sociedade

A coordenadora do curso de têxtil e moda da USP, professora Cláudia Garcia Vicentini, acredita que é “curioso” ver, no século 21, manifestações agressivas em relação a homens de saia. “A universidade é um lugar de liberdade de expressão”, disse ela na sexta-feira (3), durante entrevista ao G1 na cantina da faculdade, vestida com uma gravata preta. “Os dois são extremamente inteligentes e bem educados, isso é o que importa”, disse. “Para eles, [vestir saia] é um exercício de diversidade. Qualquer crítica que venha pelo lado negativo não constrói.”

'Universidade é lugar de liberdade de expressão', diz Cláudia Garcia Vicentini, coordenadora do curso de têxtil e moda da USP (Foto: Flávio Moraes/G1)

‘Universidade é lugar de liberdade de expressão’,
diz Cláudia Garcia Vicentini, coordenadora do curso
de têxtil e moda da USP (Foto: Flávio Moraes/G1)

Já a professora Suzana Avelar, responsável pelas disciplinas de história da moda e sociologia da moda, explica que a saia sempre foi uma vestimenta masculina e que, até o Renascentismo, homens e mulheres vestiam as mesmas roupas. Ela questionou os motivos para isso incomodar tanto hoje em dia. “Gostaria que as pessoas pensassem a respeito disso”, afirmou.

Para o professor Alessandro Soares da Silva, que dá aulas de psicologia política e de sociedade, multiculturalismos e direitos no curso de gestão de políticas públicas, nem o uso de saia por parte dos alunos homens nem a reação agressiva e anônima na internet o surpreendem. Segundo ele, “o que aconteceu com esses meninos é um reflexo de uma socieade que educa para a enfermidade”.

Silva explica que o preconceito é uma “capacidade emburrecedora”, porque “autoriza o sujeito a falar algo de outro sem conhecê-lo”, partindo da premissa de que existe um “sujeito-referência” e todas as pessoas que não são como ele são consideradas inferiores. Entre as características deste sujeito estão o fato de ele ser “branco, eurocêntrico, culto, bonito, sem deformidades, heterossexual e pai de filhos, não de filhas”.

O que aconteceu com esses meninos é um reflexo de uma socieade que educa para a enfermidade”
Alessandro Soares da Silva,
professor da USP

Na questão de gênero, ele afirma que o preconceito aparece nas reações a homens que ocupam espaços que a sociedade quer restringir apenas às mulheres. “O primeiro xingamento que se aprende é comparar o homem à mulher, como se ser mulher fosse algo pior. Há que se pensar na igualdade de gênero.”

Parte das reações violentas também podem ser combatidas, de acordo com o professor, com uma educação que começa em casa e sabe respeitar a diversidade e manter os de valores individuais no âmbito privado. “O que falta ao Brasil é um estado laico”, diz.

Para o estudante Augusto, “as pessoas não estão acostumadas a um homem que adote comportamentos femininos, é uma questão de tolerância”. Por isso ele celebra a posição de figuras célebres, como o cartunista Laerte, que assumiu a vontade de se vestir como mulher. “Acho fantástico, porque as pessoas se acostumaram.”

MEC prepara programa de incentivo para que jovem se torne professor

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Governo quer suprir carência de docentes em exatas e biológicas.
Meta é atender 100 mil alunos do ensino médio e 10 mil de graduação.

Publicado por G1

'Maioria dos jovens não quer ser professor', diz Mozart Neves Ramos, coordenador do programa do MEC (Foto: Reprodução/Globo News)

‘Maioria dos jovens não quer ser professor’, diz
Mozart Neves Ramos, coordenador do programa
do MEC (Foto: Reprodução/Globo News)

O Ministério da Educação prepara um programa de incentivo para que os jovens do ensino médio possam seguir carreira acadêmica na área de ciências ou se tornar professor de educação básica, principalmente nas áreas de matemática, química, física e biologia. Segundo o MEC, o programa terá como meta atender 100 mil estudantes do ensino médio, além de 10 mil de alunos graduação em cursos de licenciatura.

Serão incorporados ao programa os estudantes medalhistas das olimpíadas de matemática e de língua portuguesa, entre outras. Universidades e centros de pesquisa vão oferecer bolsas de incentivo a estudantes do ensino médio e a professores da educação básica, e a professores, pesquisadores e alunos de universidades. Os professores que participarem do programa terão direito a bolsas e poderão ser incluídos em programas de formação e pesquisa.

O programa vai oferecer pós-graduação em universidades federais e particulares para professores de escolas públicas do ensino médio. Segundo reportagem publicada nesta quinta-feira (2) pela “Folha de S. Paulo”, o programa vai atrelar o diploma de pós e um aumento no salário ao bom desempenho dos alunos do professor formado. O MEC, no entanto, diz que isso é uma decisão dos estados e municípios, e que não tem gerência na carreira docente de escolas da educação básica.

O coordenador do programa, Mozart Neves Ramos, disse ao G1 que ainda falta definir como será feita esta avaliação do desempenho dos alunos. “O principal objetivo é tornar atrativa a carreira do magistério no Brasil. Hoje a grande maioria dos jovens não quer ser professor. O país precisa reverter essa situação”, diz o coordenador. Veja a entrevista:

O professor terá de melhorar o aluno para ganhar aumento e certificado?
Mozart Neves Ramos
: Naturalmente isso cabe aos estados no âmbito de suas autonomias. Será importante que o esforço docente de qualificação e de bons resultados em sala de aula tenha um reconhecimento salarial no Plano de Carreira, mas isso cabe aos Estados, como disse, analisarem. Isto não cabe ao MEC. A ideia é que a certificação leve de fato a uma melhoria de desempenho do professor em sala de aula. É preciso ir além da titulação, é preciso que ela chegue até a sala de aula, e assim espera-se que a própria universidade acompanhe e auxilie esse professor após suas atividades na universidade. Esse esforço tem que ser traduzido na melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem escolar.

1Como será medida esta melhora no desempenho dos alunos?
Quanto à avaliação existem instrumentos de aferição, mas vamos discutir melhor com os demais atores sobre isso. Será um processo construído em regime de cooperação. Por exemplo, espera-se, após a certificação, que as aulas do professor possam incorporar novas tecnologias em sala de aula, inclusão de aspectos experimentais que possam ilustrar suas aulas teóricas, ou seja, é possível aferir se suas aulas estão mais motivadores e ricas de novas informações.

Quais ações serão feitas para suprir a carência de professores em exatas e biológicas no ensino médio?
O programa tem como principal objetivo tornar atrativa a carreira do magistério no Brasil. Hoje a grande maioria dos jovens não quer ser professor. O país precisa reverter essa situação. O Programa assim atuará em três eixos: (1) criação de “clusters” de desenvolvimento de ensino, envolvendo professores e alunos das universidades e das redes estaduais de ensino – Ensino Médio (o foco); (2) desenvolvimento de ações que visem a redução da evasão nos cursos de licenciaturas em química, física, matemática e biologia; (3) certificação pós-graduanda de professores da rede ensino e melhoria no plano de carreira, associado ao seu desempenho em sala de aula.

Como atrair o estudante de ensino médio para a carreira docente?
O MEC, através da Capes, disponibilizará bolsas de estudo, tanto para os alunos das licenciaturas como para aqueles do ensino médio envolvidos com o programa. Os melhores alunos de ensino médio poderão se tornar monitor de sua escola, tal como existe na universidade. Além disso, o MEC está estudando outras formas de incentivo.

A Prova Brasil vai incluir este ano pela primeira vez a disciplina de ciências. Como melhorar o ensino de ciências nas escolas?
Exatamente pela escassez de professores nesta área que se efetiva a importância do programa. É um grande desafio nacional. É preciso levar a parte experimental do ensino de ciências para a sala de aula. Química, por exemplo, é uma ciência experimental. Quando os alunos observam uma reação química ocorrendo na prática têm outra motivação, daquela quando apenas se escreve pelo professor e se copia pelo aluno. Ensinar ciências já nas primeiras séries do ensino fundamental é outro aspecto importante. É preciso integrar a teoria e a prática.

EUA: pela 1ª vez, escola integra brancos e negros em baile de formatura

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Casais de brancos e negros entraram juntos para o primeiro baile de formatura sem a segregação racial Foto: Daily Mail / Divulgação

Casais de brancos e negros entraram juntos para o primeiro baile de formatura sem a segregação racial
Foto: Daily Mail / Divulgação

Publicado por Terra

Pela primeira vez na história de um colégio da Geórgia alunos brancos e negros puderam dançar juntos no baile de formatura, no último sábado. A festa aconteceu quase 60 anos após a Suprema Corte dos Estados Unidos ter decidido pela proibição da segregação racial nas escolas do País. As informações são do Daily Mail.

A festa contou com toda a pompa de uma formatura de ensino médio normal americana, com casais chegando juntos em limusines, as meninas usando vestidos longos com babados e muita animação. A única diferença é que os alunos da Wilcox County High School terminaram com a tradição de segregação da comunidade depois de levantar dinheiro para um baile integrado.

Durante décadas, o distrito escolar evitou a união das raças, promovendo bailes separados organizados pelos pais. Mas este ano quatro amigos – dois negros e dois brancos – se uniram para acabar com a prática de fazer festas de formatura separadas para brancos e negros. Eles começaram uma campanha no Facebook pelo baile integrado, que rapidamente ganhou mais de 26 mil seguidores.

Após o sucesso da festa, o distrito escolar anunciou que a partir do próximo ano o baile de formatura integrado será adotado oficialmente pelas escolas. A decisão pode representar o fim definitivo de um dos bastiões da segregação racial que ainda perduram nos Estados Unidos.

dica da Rina Pri

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