Sua Segunda Vida Começa Quando Você Descobre Que Só Tem Uma

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Déjà vu dos mais vendidos

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Edir Macedo, Laurentino Gomes e Padre Marcelo voltam para ficar

Cassia Carrenho, no PublishNews

Os autores dos 3 primeiros lugares da lista geral, Nada a perder 2 (Planeta), 1889 (Globo) e Kairós (Principium), são conhecidos por recorde de vendas e/ou períodos longos na lista de mais vendidos. Nessa semana, Nada a perder 2, do bispo Edir Macedo, garantiu o 1º lugar na lista geral, vendendo 26.843 exemplares para seu público fiel (ou melhor, de fiéis). 1889 (Globo), de Laurentino Gomes, alcançou o 2º lugar na lista geral, com 11.481 exemplares, e alavancou as vendas dos livros anteriores, colocando 1808 (Planeta) e 1822 (Nova Fronteira) na lista de não ficção. O 3º lugar geral ficou com o Padre Marcelo Rossi e seu Kairós, com 10.761 exemplares vendidos. Com estratégias de venda distintas, os 3 devem garantir uma briga nada santa por algum tempo!

Outro livro que merece destaque é O príncipe da privataria (Geração Editorial), que na sua estreia garantiu lugar na lista geral e um excelente 4º lugar na lista de não ficção.

Intenso (Harmelin), novo romance erótico de Sylvia Day, garantiu lugar na lista de ficção, mostrando que, embora já não arranque tanto suspiro, a literatura erótica continua fazendo sucesso. Na lista de ficção, por exemplo, aparecem 6 livros do gênero, ou seja, ainda falta muito para Mr Grey se aposentar.

No ranking das editoras, as 3 velhas conhecidas continuam liderando. A Sextante voltou ao seu posto habitual, 1º lugar, com 15 livros; Intrínseca, 2º lugar, com 14, e Record em 3º lugar, com 10.

Paulo Rónai e a inspiração do romance ‘Budapeste’ (de brinde, um poema)

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Raquel Cozer, no A Biblioteca de Raquel

O crítico e tradutor Paulo Rónai (1907-1992) nunca chegou a sumir de livrarias brasileiras. Mesmo que houvesse uma má vontade fora do comum das editoras, ia ser difícil estancar publicações relacionadas a ele, que sofria de uma invejável incontinência produtiva, fosse com traduções, como “Os Meninos da Rua Paulo” (Cosac Naify), de Ferenc Molnár, fosse com obras próprias, como “Curso Básico de Latim” (Cultrix), que é, acredite, o título mais vendido dele no Brasil.

Mas algumas pérolas de sua produção andaram esquecidas, lapso que vem sendo revertido desde 2012, quando quatro editoras passaram a reeditar alguns de seus trabalhos mais importantes como ensaísta, tradutor ou organizador.

A saber: Globo (“A Comédia Humana”, de Balzac), José Olympio (“A Tradução Vivida” e “Escola de Tradutores”; em breve, “Pois É”), Casa da Palavra (“Como Aprendi o Português e Outras Aventuras”; em breve, “Encontros com o Brasil”, “Não Perca o Seu Latim” e “Contos Húngaros”) e Nova Fronteira (em breve, “Mar de Histórias”, parceria com Aurelio Buarque de Holanda).

Esse resgate, incluindo o motivo pelo qual essas obras andaram deixadas de lado, foi tema de reportagem minha para a “Ilustríssima”, mais de um metro e meio de texto, uma maravilha de espaço, mas precisaria de uns três metros para incluir tudo de que gostaria.

Rónai (o segundo da esq. para a dir.) com Drummond (ao centro), de quem ficou amigo (os outros não sei mesmo, você me diga se souber)

Rónai (o segundo da esq. para a dir.) com Drummond (ao centro), de quem ficou amigo (os outros não sei mesmo, você me diga se souber)

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Um ponto que ficou de fora, embora tenha sido conversado com familiares, foi a extensão da inspiração em Paulo Rónai para o romance “Budapeste”, de Chico Buarque.

Quem atentou para a semelhança às avessas com a vida de Rónai (no livro de Chico, um brasileiro vai lidar com letras na Hungria) foi Sérgio Rodrigues, no extinto No Mínimo. O texto, reproduzido no blog da jornalista Cora Rónai, filha do crítico, me chegou no Facebook via Renata Lins, que disse ter tido, na época, a mesma impressão ao ler “Budapeste”.

Ele escreveu à época, sobre “Como Aprendi o Português e Outras Aventuras”:

“Um livro que, escrito a partir dos anos 40 e lançado em 1975, compartilha com o grande best-seller do momento [o livro de Chico] dois traços fundamentais: a oscilação entre a capital húngara e o Rio de Janeiro (com a diferença de que parte daquela para chegar a este, enquanto o herói buarquiano faz o caminho inverso) e a coragem de mergulhar de cabeça nos abismos da língua, das línguas, da linguagem.

[…] De um lado, encontramos o brasileiro José Costa, que por acaso ou fastio começa a construir uma nova identidade – uma identidade húngara – no dia em que a música de um idioma incompreensível o subjuga e mesmeriza. “Sem a mínima noção do aspecto, da estrutura, do corpo mesmo das palavras, eu não tinha como saber onde cada palavra começava ou até onde ia. Era impossível destacar uma palavra da outra, seria como pretender cortar um rio a faca.”

[…] Do outro lado, temos a presença comovente de um jovem húngaro, Paulo Rónai, e sua paixão também gratuita pelo português, numa Budapeste que estava a poucos anos de se tornar quintal da Alemanha nazista. “A mim, sob seu aspecto escrito, (o português) dava-me antes a impressão de um latim falado por crianças ou velhos, de qualquer maneira gente que não tivesse os dentes. Se os tivesse, como haveria perdido tantas consoantes?”

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Quando entrevistei Laura, filha mais nova de Rónai, perguntei se Chico chegara a falar algo com a família a respeito, algum sinal além da impressão.”Ele nunca falou, mas todo mundo percebe. É fato conhecido. É tão fato que é a história do papai ao contrário”, ela respondeu.

Então perguntei ao Mario Canivello, assessor do Chico, que entrou em contato com o homem, na França, e me enviou a resposta dias depois: “Durante a escrita de Budapeste, Chico leu alguns contos húngaros traduzidos por Paulo Rónai, numa antologia organizada por ele e com prefácio do Guimarães Rosa. Dos contos, ele se lembra de ter tirado alguns apelidos húngaros, como Kriska e Pisti. E se lembra sobretudo de ter adorado o prefácio, mas só isso.”

Tendo lido “Budapeste” e “Como Aprendi o Português e Outras Aventuras”, também tenho a impressão de que foi mais do que isso. Ainda que Chico acredite que não.

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Rónai com a mulher, a professora aposentada Nora, que hoje, duas décadas após essa foto, é campeã de natação na faixa 85-89 anos

Rónai com a mulher, a professora aposentada Nora, que hoje, duas décadas após essa foto, é campeã de natação na faixa 85-89 anos

E vai aqui também a íntegra do poema que encerra a reportagem, enviado por Rónai para Américo, marido de sua irmã Clara.

Foi escrito em 13 de março de 1970, logo depois de Américo ter comprado um carro novo. No aniversário do cunhado, Rónai lhe deu uma pasta para guardar documentos (Américo era um bagunceiro convicto), acompanhada dos seguintes versos:

Américo, eu vos peço,
Prestai atenção ao problema:
Como reza o nosso lema,
Sem ordem não há progresso.

Para que à desordem escapeis
Sem perder tempo em vã busca,
Correndo feliz no fusca,
Guardai bem os vossos papéis

Arquivados, classificados,
Em bom lugar conservados,
Todos na pasta competente,
Para serem encontrados fácilmente.

Afim de atingirdes essa perfeição
Oferecemos-vos neste dia festivo
Para bem e felicidade da nação
Nada menos do que êste arquivo.

Ficai digno dêste lindo móvel
Arranjando quanto antes algum imóvel
Valores à beça, cédulas em quantidade
Consolando-vos assim dos estragos da idade.

A ambição da criação poética Rónai abandonou muito cedo, antes mesmo de vir ao Brasil. Mas, em seu acervo no sítio Pois É, em Nova Friburgo –biblioteca para a qual a família busca, sem sucesso, uma instituição disposta a administrar–, há vários poeminhas do gênero. Escritos para amigos, familiares, colegas, sempre como brincadeira.

Gilberto Gil elege os livros prediletos de sua biblioteca

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Gil listou os livros mais importantes de sua formação como homem e artista Fábio Seixo / Agência O Globo

 

Publicado no jornal O Globo

Todos os livros de Gilberto Gil têm vista para o mar. Na sua casa, os volumes estão reunidos em três estantes: uma ocupa uma parede inteira da sala de estar, outra fica na sala de jantar, e a terceira, na sala de TV, todas bem em frente à praia de São Conrado. São centenas deles. Os livros sobre música ficam ao lado dos que tratam de arte barroca; os de religião estão escorados por um “Dicionário gonzagueiro”. Há livros sobre o Rio de Janeiro, a Bahia, o Brasil, e há um chamado “69 lugares para amar”, uma espécie de roteiro romântico do mundo. Há uma pilha só com enciclopédias botânicas. Roberto Carlos talvez nem desconfie, mas nas estantes do Gil estão a salvo dois exemplares da biografia não autorizada “Roberto Carlos em detalhes”, de Paulo César Araújo — cuja tiragem foi incinerada em 2007. A coleção Jorge Amado fica numa prateleira alta, sobre a cabeça de quem circula entre os ambientes, junto a outros objetos sagrados da casa, como uma imagem de São Jorge. Os livros dividem prateleiras com fotos dos filhos, DVDs e instrumentos musicais. Alguns estão com a lombada desgastada pelo uso e há muitos com o cheiro fresco da livraria.

Em meio ao agitado momento político do país, o cantor, compositor e ex-ministro da Cultura Gilberto Gil abre com um show a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o mais importante evento sobre livros e literatura no Brasil, quarta-feira. De lá, volta direto para o Rio, para o lançamento de sua biografia, “Gil bem perto” (Nova Fronteira), feita em conjunto com a jornalista Regina Zappa.

E foi nesse clima de celebração da leitura e de reflexões sobre a própria vida e o Brasil que Gil, a convite da Revista O GLOBO, listou os livros mais importantes de sua formação como homem e artista.

— Minha primeira memória com livros é da cozinha de casa, em Ituaçu (cidade natal, no interior da Bahia). Para mim, os livros eram um utensílio doméstico a mais, como as gamelas que minha avó usava. Estudar era como cozinhar. Foi assim que li Monteiro Lobato, o Tesouro da Juventude, as revistas de guerra que meu pai trazia, misturado aos perfumes da cozinha — detalha Gil, lembrando que em 1976 esta intimidade com o universo “bananada de goiaba, goiabada de marmelo” viraria a música “Sítio do Picapau Amarelo”, a trilha de abertura do seriado infantil da TV Globo. — Eu fui buscar nesta memória da infância, a maneira como eu lia Monteiro Lobato, os elementos da canção.

Da cozinha da avó, o mapa literário de Gilberto Gil segue pela biblioteca da escola, com os livros de poesia de Olavo Bilac, Gonçalves Dias e Castro Alves. Que foram influenciá-lo mais à frente, quando começou a escrever os primeiros poemas, entre 1961 e 1962 (a ultrarromântica “Triste serenata” é uma música originada de um poema dessa época).

— Descobri a poesia estudando português na escola. A poesia era uma categoria importante na vivência da língua. Lendo poesia, você percebe o que mais te atrai, o que mais te surpreende como articulação frasística, como capturação de originalidade. Meus primeiros exercícios de poesia estão impregnados de Olavo Bilac.

Aos nove anos, foi estudar em Salvador, e o mar passou a fazer parte da sua rotina. Foi quando “Capitães de areia” caiu nas suas mãos:

— Foi um magnetismo, a realidade da praia, as negras mercando acarajé, os pescadores. Havia um mundo narrativo sobre essas pessoas organizado em dramaturgias próprias… E era Jorge Amado.

Foi na universidade que os livros começaram a pesar nas costas. Gil estudou Administração de Empresas, e a formação humanística do curso o levou a descobrir o historiador Caio Prado Jr, o sociólogo Florestan Fernandes. Começou a questionar o Brasil e os brasileiros. A perceber as “assimetrias”, como diz, entre as gentes. Até que tomou emprestado na biblioteca da universidade um livro de capa alvinegra. “O capital”, de Karl Marx.

São 14h30m de uma quarta-feira, 19 de junho, aniversário de Chico Buarque, na semana em que as manifestações pelo país ganham corpo. Gil ainda não almoçou, que ver o jogo do Brasil x México, às 16h, pela Copa das Confederações. No dia seguinte viajaria cedo para a Paraíba, onde começaria uma turnê de shows juninos. Pouco antes da entrevista, finalizou uma música nova para a nora, a cantora Ana Cláudia Lomelino, mulher do filho Bem Gil. Está na sala de casa, deixa-se rabiscar para as fotos (escolhe um poema de Pablo Neruda). Usa sandálias que parecem tão confortáveis quanto um par de pantufas. E fala de “O capital”.

— Foi um livro capital — ri. — Li a maior parte do tempo sem entender nada. Lia, relia. Mesmo assim, me despertou o interesse pela crônica política e econômica. Lia nas horas de trabalho. Nessa época eu trabalhava na alfândega, minha função era fiscalizar navios, e eu ia muitas vezes de madrugada para o porto, e ficava ali, algumas vezes lendo dentro do próprio navio. Me lembro de ler “O Capital” às 3h, 4h da manhã, completamente confundido, naquela barafunda de termos e sentimentos.

Impacto parecido ao de “O capital” só sentiria mais tarde, com “Morte e vida severina”, do poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto. Já tinha ouvido falar no livro à época do seu lançamento, em 1955. Mas o épico tupiniquim só lhe revirou o estômago no teatro, na montagem com música de Chico Buarque, dez anos depois, em São Paulo.

— O mergulho foi ali. Depois li “Duas águas”, depois alguém me deu de presente a “Obra completa”. Eu fiz uma escolha: o poeta-símbolo pra mim é João Cabral. Toda minha poesia sofreu uma exigência “cabraliana” depois de conhecer a sua obra — atesta Gil, citando o próprio Tropicalismo.

Tirando a própria “Obra completa” de João Cabral, e “Capitães de Areia”, nenhum dos outros títulos lembrados por Gil está nas estantes de São Conrado. Alguns foram para a casa de Salvador, outros se perderam com o tempo. Há uma dose de desapego, mas outra de circunstância. Certo dia, conta Gil, estava em Salvador, em casa, e fuçou a estante em busca de uma leitura para a tarde. Tomou da prateleira o volume de “Distraídos venceremos”, presente do próprio autor, o poeta curitibano Paulo Leminski, em 1987. Mas qual não foi sua surpresa…

— Já estava todo comido pelas traças. Mas sabe que eu achei interessante? Achei que aquele efeito estava ligado ao tipo de poesia do Leminski… O caminho das traças era o caminho do tempo. Um acréscimo à poesia. O caminho delas foi roubando as letras, deixando palavras esburacadas, e o que é mais pós-modernista? — provoca Gil, citando outro tomo que levaria a uma ilha deserta, acaso houvesse motivo.

Levaria também o romance autobiográfico “As palavras”, de Jean-Paul Sartre, o primeiro livro apresentado a ele pelo amigo Caetano Veloso.

— Eu passo a me interessar por Sartre por causa de Caetano, ele, que até hoje se confessa um existencialista, foi quem me apresentou. Ali fui refletir sobre o que é o existencialismo, e viver o sentimento desta plenitude, da individualidade, erguendo-se em si próprio, sustentando-se em si próprio — comenta Gil, para quem a compreensão “da existência frente à essência”, se for possível resumir o existencialismo desta maneira, pôs em xeque a própria religiosidade. — Todos esses questionamentos, mesmo os anteriores, lá, com “O capital”, de descoberta dos problemas sociais, das assimetrias da sociedade, das imperfeições do indivíduo, tudo isso ia minando uma segurança minha, aquela vida no berçário da divindade (ri da própria metáfora).

A amizade com o escritor e músico suíço Walter Smetak ampliou os questionamentos. Espécie de guru esotérico e filosófico de toda uma geração da MPB, que incluía Tom Zé e Caetano, Smetak emprestou a Gil livros essenciais na sua formação, como os ensaios teosóficos da escritora russa Elena Blavatsky, a “Madame Blavatsky”.

— Houve ainda “Religião comparada”, os “Upanixades” (escrituras hindus). Foi uma época de muita leitura de livros, ao contrário de hoje, que tudo chega pra gente de maneira mais fragmentada, em estantes de links — compara Gil, tirando da prateleira imaginária, no entanto, a Bíblia. — Nunca li inteira. Dos textos que li, “O cântico dos cânticos” foi o que mais me comoveu, e que acabou, futuramente, chegando ao “quântico dos quânticos”, verso chave do álbum “Quanta” (1997).

Da discografia de Gilberto Gil, “Quanta” foi o álbum que mais exigiu estudo, comenta a mulher, Flora Gil.

— Ele mergulhou nas leituras sobre física quântica, neurociência, física, nunca o vi lendo tanto — diz ela.

Do período em que se exilou com Caetano Veloso em Londres, entre 1969 e 1971, Gil lembra-se de outro título que o deixou fascinado: “The politics of ecstasy”, do neurocientista Timothy Leary, o papa da onda hedonismo-LSD nos anos 60 e 70.

— Fiquei louco com aquilo. Fui com uma sacola numa livraria em Charing Cross e roubei dez livros, pois não tinha dinheiro para comprar. Mandei pelo correio para amigos no Brasil. As pessoas precisavam ler aquilo — diverte-se Gil, antes de comparar com o momento atual, das manifestações que levaram o Brasil todo às ruas nas últimas semanas. — Era muito parecido com o que está acontecendo agora. Havia um mundo novo eclodindo, que estimulava minha imaginação, minha criatividade.

Além das longas entrevistas que fez com o músico para a biografia “Gil bem perto” (que inclui também depoimentos de amigos de Gil), a jornalista Regina Zappa passou dias convivendo com ele, em Salvador. Assistiam à novela “Avenida Brasil”, tomavam café da manhã juntos. Aos poucos, Gil ia se lembrando de histórias, nomes, causos. Da relação com os livros, Regina observou que ele é absolutamente intuitivo, lê o que lhe cai nas mãos, o que acha por acaso.

— A formação da infância é muito presente para ele, me chamou a atenção como ele lembra os detalhes daquela época — comenta Regina, também autora de biografias de Chico Buarque, Hugo Carvana e Paulo Casé. — Ele lê muito o que indicam os amigos, Caetano Veloso foi muito importante neste sentido, e agora, Hermano Vianna, José Miguel Wisnik. É interessante como isso tudo vai virando música.

A música “A paz”, por exemplo (“invadiu o meu coração…”), que compôs com João Donato, surgiu do título do livro “Guerra e paz”, de Leon Tolstoi. Na biografia, Gil explica a história: “A letra foi sendo construída sobre essa contradição, reiterando minha insistência sobre o paradoxo”.

Escrever letras de música, sim, muito, e sempre; poesias também, bem como prefácios de outros livros e ensaios (mês passado, lançou o livro “Cultura pela palavra”, em conjunto com o também ex-ministro da Cultura Juca Ferreira, reunindo textos e discursos de ambos sobre Economia Criativa, Lei do Direito Autoral e Lei Rouanet). Mas ficção…

— Eu não me vejo, de maneira alguma. A letra de música é concentrada, econômica, pá, pá, pá. “Domingo no Parque” é uma narrativa, uma tragédia, são três personagens maravilhosos que estão ali. Mas passar dali para 200 páginas é um fôlego que nunca quis ter. Se penso em alguma história, vira música. “Foi a polícia que deu a notícia, que meu amor tinha morrido…” (cantarola “A notícia”). Diferentemente de Chico Buarque, que tem vocação para romancista — explica Gil, cujo romance preferido do amigo é “Estorvo”, fechando a lista da sua estante fundamental.

Flora ainda lembraria outros dois:

— Assim que nos conhecemos, ele me deu um livro que estava lendo, fascinado, “A autobiografia de um iogue” — observa ela. — Outro muito importante é um que ele tem na mesinha de cabeceira, “Autocontroleterapia” (do educador japonês Tomio Kikuchi), sobre técnicas de meditação. Quando ele está doente, em vez de abrir a gaveta de remédio, ele abre este livro.

Menos amor e mais sexo

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Na semana dos namorados, os livros eróticos dominaram a lista

Cassia Carrenho, no PublishNews

Quem apostou nos livros fofinhos, com corações e ursinhos na capa para o Dia dos Namorados, literalmente broxou… Os grandes campeões de venda essa semana foram os recheados de algemas e cintas-liga. O lançamento da Paralela, Para sempre sua, foi direto para o 2º lugar na lista geral, vendendo 16.420 exemplares. Ficou atrás apenas do Inferno (Sextante), que continua esquentando a lista com 20.937 livros vendidos. Só no ranking geral aparecem mais 6 títulos na linha de romance eróticos, entre eles os três fenômenos editoriais da coleção Cinquenta tons (Intrínseca). Já na lista de ficção o número sobe para 8.

Na lista de autoajuda chegaram dois livros do tipo “S2 forever”: Meu jeito de dizer eu te amo (Sextante) e 100 coisas para fazer a dois (Vergara & Riba). Conclusão da semana: o amor é lindo, mas o sexo dá mais dinheiro.

Outras novidades na semana foram: Ficção, O palácio da meia noite (Sumas das Letras); não ficção, Dirceu (Record) e 1942: O Brasil e sua guerra desconhecida, do músico João Barone (Nova Fronteira); infantojuvenil Minha vida fora de série – 2ª temporada (Gutenberg); autoajuda, Louco por viver (Gente), De bem com o espelho (Editora Belas Letras) e Como vender você (Clio); negócios, Sobrou dinheiro (Bestbolso).

No ranking semanal das editoras a Sextante ganhou uma folguinha e ficou com 13 livros. Logo atrás vem a Intrínseca com 10. A Vergara&Riba e a Santillana empataram em 3º lugar, com 9 livros e, também empatados, com 8 livros cada um, Companhia das Letras e Record dividem o 4º lugar.

MEC usa Enem como exigência para bolsas no exterior

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Nas redes sociais, estudantes fazem abaixo-assinado contra critério de seleção

Gabriela Vieira, no Estadão

A exigência de nota mínima no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para a disputa de bolsas de intercâmbio no programa Ciência sem Fronteiras provocou reclamações entre os estudantes de graduação. Nesta terça-feira, 4, o governo federal abriu novas chamadas para o programa em cinco países: Estados Unidos, Alemanha, Canadá, Japão e Hungria. Nos editais, os candidatos encontraram a obrigatoriedade do critério.

Os universitários que pretendem concorrer às bolsas devem “obrigatoriamente ter obtido nota no Enem igual ou superior a 600 pontos, em exames realizados a partir de 2009”, diz o texto. Essa é a primeira vez que o exame aparece como um critério de caráter eliminatório.

Muitos alunos que ingressaram nas universidades antes de 2009 e fizeram a seleção através de vestibulares disseram, no Facebook, que podem perder a oportunidade de participar do programa. Eles alegam que, como outra exigência é ter cursado, no máximo, 90% das disciplinas do curso, muitos dos veteranos não terão tempo de fazer o Enem ainda este ano.

Além disso, reclamam que a avaliação para um programa da graduação tenha como base uma prova que avaliou o desempenho dos alunos ainda no ensino médio e questionam a eficácia do exame, que apresentou falhas em suas últimas edições. Na rede social, um abaixo-assinado para a remoção do Enem como critério principal conta com cerca de 4.500 assinaturas. “O Programa Ciência sem Fronteiras é um avanço para a educação no Brasil, entretanto o programa utiliza a nota do Enem como principal critério de classificação, o que é incoerente. Torna-se necessário uma reconsideração dos métodos avaliativos”, dizem os estudantes.

O Ministério da Educação (MEC) já sinalizou que pretende manter os critérios de seleção. Desde a sua criação, em 2011, o Ciência sem Fronteira já concedeu 41.133 bolsas de intercâmbio. As inscrições abertas neste terça-feira vão até o dia 8 de julho.

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