BKO WAVE SAÚDE

Posts tagged Gabinete

{pra começar} Onde moram as histórias

0
El Ateneo

El Ateneo

Publicado por Virada No Saci

Já compartilhei nesse post aqui a minha paixão por fotos. Minha paixão mais antiga, no entanto, aquela que carrego desde a infância, um dos hábitos que mais gosto de ter na vida, até hoje, é a leitura de um bom livro.

Pra mim, ler sempre era muito mais interessante do que brincar de Barbie, por exemplo, então imaginem que sofri certo bullying quando menor.

Imaginem o que era Otelo, de Shakespeare, Dom Casmurro, de Machado de Assis ou Senhora, de José de Alencar se comparados a qualquer história que eu pudesse inventar durante uma brincadeira. Minha capacidade criativa nunca chegaria a tamanha genialidade, então a brincadeira nunca me despertava maior interesse se comparada a leitura.

Meu maior orgulho foi ter completado, aos 12 anos, a carteira de empréstimos de livros da biblioteca. haha

Engraçado lembrar que, durante algum tempo, ainda quando era mais nova e carregava as inseguranças infantis/adolescentes, escondia, de certo modo, os livros que pegava e os momentos em que lia, porque em geral percebia uns olhares meio esquisitos e já ouvi alguns comentários bem preconceituosos sobre o fato de estar lendo ao invés de interagindo com as outras pessoas e isso não ser saudável.

Hoje em dia sei que nenhuma aula de português me rendeu tanto quanto o meu gosto pela leitura, que jamais deixei de me divertir e conquistar amigos por isso e que, sim, ler é um hábito solitário que nunca me trouxe qualquer tipo de malefício, afinal, se você não sabe conviver bem consigo mesmo, que dirá com uma sociedade inteira cheia de gente maluca.

É por todo esse meu apreço por livros – e aqui falo de livros em si, com folhas de papel e capa, porque ainda não consigo me adaptar a essa modernidade de e-books – que um dos lugares no mundo onde me sinto mais a vontade é em livrarias e bibliotecas. Sou capaz de gastar bastante tempo folheando e lendo trechos de livros sem problema algum.

Adoro de verdade a sensação de estar diante de tantas histórias boas e da possibilidade de conhecer o mundo inteiro e pessoas interessantes de dentro da minha própria casa. Sim, porque sou dessas que passo tranquilamente horas inteiras lendo, me apego de verdade aos personagens e o mais fácil de acontecer é você me pegar aos prantos com um livro nas mãos. (Essa sou eu. haha)

Confesso que, no momento, deixei de frequentar livrarias (sites inclusos) porque tenho uma lista de livros na minha prateleira esperando para serem lidos, mas ainda assim não resisto a uma boa história e sempre acabo adquirindo mais algum exemplar.

Imaginem então como fiquei quando encontrei as imagens dessas livrarias e bibliotecas que trouxe abaixo.

Se entro em alguma dessas juro que não sei se sairia, e se saísse, com certeza seria falida.

Selexyz Dominicanen Boekhandel

1

O nome é difícil, mas a pessoa chora com essa livraria holandesa sim ou sim? Ela fica localizada onde anteriormente havia uma igreja anglicana datada do século de XII. No momento da reforma os arquitetos decidiram manter a antiga estrutura gótica e adicionaram modernas estantes para armazenar os livros. É por causa dessa mistura que o local é tão maravilhoso a ponto de já ter sido escolhida como a livraria mais bonita do mundo pelo The Guardian.

Biblioteca Real Gabinete Português de Leitura

1

Qualquer um de nós poderia facilmente imaginar que essa biblioteca fica localizada em algum local da Europa, mas ela fica aqui mesmo, pertinho da gente, no Rio de Janeiro. Trata-se de um presente deixado pelos nossos queridos colonizadores portugueses. Felizmente esse é um bom presente. A biblioteca foi inaugurada em 1887 e é considerada como a maior biblioteca de obras de autores portugueses fora de Portugal. A visitação é permitida até hoje e vale a pena, né?

El Pendulo

Cafebrería el Péndulo

Uma livraria com uma decoração bem inusitada composta por prateleiras repletas de livros, um café-restaurante, um bar e …várias plantas em seu interior. É considerada a livraria mais charmosa do México e frequentemente oferece consertos e cursos bem concorridos.

Shakespeare and Company

1

2

A Shakespeare and Company é meu xodó. Se comparada à outras, é uma livraria bem pequena localizada em Paris, mas é super charmosa e com muita história pra contar. Foi fundada originalmente em 1919 e era frequentada por um pessoal como Hemingway, Scott Fitzgerald e James Joyce. Durante a Segunda Guerra Mundial foi fechada, mas felizmente foi reaberta em 1951 por George Whitman. Hoje em dia, além de livraria, fiquei sabendo que ela também funciona como biblioteca e também como uma espécie de hotel para autores iniciantes.

Biblioteca do Vaticano

1

Acho que nem preciso apresentar essa. É a biblioteca mais famosa do mundo, contando com nada menos que 1,1 milhão de livros impressos, 150 mil manuscritos, 300 mil moedas e medalhas e mais de 70 mil pinturas e gravuras! Foi reaberta para a visitação há alguns anos e, além da arquitetura maravilhosa e de uma quantidade inimaginável de livros de grande valor histórico para o mundo, ainda abriga o mistério da sala de livros secretos, que a Igreja Católica não abre nem por ordem do Papa! haha Infelizmente, para ter acesso à biblioteca é preciso ser um especialista em publicações, professor universitário ou estudioso que prepara um doutorado.

El Ateneo

1

Essa livraria está localizada em Buenos Aires, onde anteriormente havia um teatro dos anos 20 e foi escolhida pelo The Guardian como a segunda livraria mais linda do mundo (a primeira é a a Boekhandel Selexyz Dominicanenl, que tá ali em cima). O palco – onde até Carlos Gardel se apresentou – virou um café, com piano ao vivo e além dele há mais cinco andares por onde vale a pena gastar o tempo, o dinheiro e a câmera fotográfica.

Uma semana de boas leituras.

Ceci.

Imagens: Cush Design StudioTudo Sobre LeituraDe LlibreriesCristinaMelloG1, Blog da Marília VeigaNemira.

 

dica da Maria Cecíllia Magalhães

Universidades dos EUA são investigadas por ignorar casos de estupro

0

Pelo menos sete universidades americanas estão sob investigação do Departamento de Educação dos EUA por supostamente ignorar casos de estupro em suas dependências.

Instituições em todo o país são investigadas após denúncias de alunas

Instituições em todo o país são investigadas após denúncias de alunas

Alessandra Corrêa, na BBC

Segundo denúncias de estudantes, as universidades não informam de maneira clara os procedimentos para reportar abusos sexuais e não investigam os casos adequadamente. As alunas afirmam que, em muitos casos, as vítimas são censuradas ou sofrem retaliações, enquanto os agressores não são punidos.

O episódio mais recente é o da University of Southern California (USC), em Los Angeles. Na semana passada, um grupo de alunas veio a público divulgar detalhes da denúncia encaminhada em maio ao Gabinete de Direitos Civis (OCR, na sigla em inglês) do Departamento de Educação.

O documento de 110 páginas relata mais de cem casos em que a universidade teria falhado em sua resposta a relatos de violência sexual no campus e serviu de base para a investigação oficial iniciada em junho.

Uma das estudantes, Tucker Reed, de 23 anos, disse à BBC Brasil que foi estuprada no campus pelo ex-namorado, em 2010, e denunciou o caso à universidade e à polícia em 2012. Ela afirma que chegou apresentar gravações em que o suposto agressor teria admitido o estupro, mas seu caso foi rejeitado.

“Esse processo se arrastou por vários meses”, diz. “Senti como se tivesse sido estuprada novamente.”

Uma das vítimas citadas na denúncia diz que ouviu da polícia responsável pela segurança no campus que mulheres não deveriam “sair, ficar bêbadas e esperar não ser estupradas”. Outra relata que foi obrigada a continuar na mesma turma do acusado de estuprá-la.

Direitos civis

A investigação aberta pelo OCR busca determinar se os direitos civis das alunas foram violados e é baseada no chamado Title IX (Título IX), lei federal que proíbe discriminação sexual na educação. Em carta enviada a universidades em 2011, o Departamento de Educação afirma que “assédio sexual a estudantes, incluindo atos de violência sexual, é uma forma de discriminação sexual proibida pelo Title IX”.

A USC disse em comunicado que quer trabalhar com os agentes federais para esclarecer qualquer preocupação e está revisando suas políticas para garantir o cumprimento da lei.

O caso não é isolado. Também são alvo de investigações as universidades da Carolina do Norte (em Chapel Hill), do Colorado (Boulder), da Califórnia (Berkeley), Occidental College (Los Angeles), Darthmouth College (Hanover, em New Hampshire) e Swarthmore College (nos arredores da Filadélfia, na Pensilvânia).

Em alguns casos, a investigação tem como base outra lei, o Clery Act, que exige que instituições de ensino superior monitorem e divulguem estatísticas criminais nos campi, incluindo crimes sexuais.

Ao responder às investigações, todas as universidades afirmaram que levam o assunto “muito a sério”. Algumas, como Swarthmore e Occidental, já iniciaram revisões de suas políticas e treinamento de funcionários.

Redes sociais

Estudantes criaram movimento nacional contra violência sexual nas universidades

Estudantes criaram movimento nacional contra violência sexual nas universidades

Essa onda recente de investigações é fruto da articulação das próprias estudantes. Diante do que consideram desprezo e abandono por parte das universidades, elas romperam o isolamento geralmente sofrido por vítimas de estupro e iniciaram, com a ajuda da internet e das redes sociais, um movimento nacional contra violência sexual nas universidades.

Reed relatou sua experiência em um blog e criou o grupo Scar (palavra que significa cicatriz, mas também sigla em inglês para Coalizão de Estudantes Contra o Estupro). Seus relatos inspiraram alunas da Universidade do Colorado a fazer a denúncia ao governo.

As estudantes que denunciaram o Occidental College e o Swarthmore College afirmam ter recebido orientação das alunas que haviam feito a denúncia contra a Universidade da Carolina do Norte. Essas, por sua vez, dizem ter se inspirado no projeto “It Happens Here” (“Acontece Aqui”, em tradução livre), iniciado por alunas do Amherst College, em Massachusetts, chamando atenção para o problema.

As alunas do Amherst buscaram ajuda na experiência de Alexandra Brodsky, uma das 16 alunas que denunciaram a Universidade de Yale (no Estado de Connecticut) ao Departamento de Educação em 2011.

“Estamos trabalhando em uma campanha para pressionar o Departamento de Educação a fazer com que a lei seja cumprida”, disse Brodsky à BBC Brasil.

No mês passado ela coordenou um protesto em frente à sede do departamento, em Washington, como parte da campanha Ed Act Now (“Lei da Educação Agora”, em tradução livre), que já coletou mais de 160 mil assinaturas.

As estudantes também estão lançando o projeto “Know your Title IX” (“Conheça seu Título IX”), para educar as alunas sobre seus direitos.

Brodsky conta que quando relatou à universidade que havia sido vítima de estupro, em 2009, ouviu dos diretores que era melhor não comentar o caso com ninguém.

“Ficou claro naquele momento que eu não seria mais a estudante ideal para Yale, mas um potencial desastre de relações públicas, que precisava ser silenciado”, diz. “Me senti traída.”

A universidade, uma das mais prestigiosas dos EUA, já havia sido alvo de investigação anterior, de 2004 a 2011, na qual foi multada em US$ 165 mil (cerca de R$ 373 mil) por não relatar episódios de agressão sexual em suas estatísticas criminais. No caso da denúncia de Brodsky, o Departamento de Educação não multou a universidade, que se comprometeu em melhorar suas políticas sobre casos de agressão sexual.

“A investigação encorajou mudanças na política da universidade, mas não ajudou a melhorar a maneira como as sobreviventes de estupro são tratadas”, diz Brodsky.

“Eu já me formei. Mas continuo ouvindo relatos de estudantes que enfrentam os mesmos problemas.”

Veja dez bibliotecas para conhecer durante as férias

0

Publicado por UOL

1- Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo – Possui um dos maiores acervos do país, formado por livros, periódicos, mapas e multimeios. Para a coleção circulante, coleção São Paulo, sala de atualidades e sala de estudos, o local fica aberto de segunda a sexta, das 8h30 às 20h30; aos sábados, das 10h às 17h. Endereço: rua da Consolação, 94.

Sylvia Masini

Sylvia Masini

2- Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, em São Paulo – São cerca de 17 mil títulos, ou 40 mil volumes de livros e manuscritos. O local fica aberto de segunda a sexta, das 9h30 às 18h30; aos sábados, das 9h às 13h para exposições. Endereço: rua da Biblioteca, s/n, cidade universitária.

Marcos Santos/USP Imagens

Marcos Santos/USP Imagens

3- Gabinete Real Português de Leitura, no Rio de Janeiro – O seu acervo é o maior do país, com cerca de 300 mil volumes. O horário de funcionamento é de segunda a sexta, das 9h às 18h. A biblioteca fica na rua Luís de Camões, 30.

Alexandre Macieira/Riotur

Alexandre Macieira/Riotur

4- Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro – Considerada pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como a sétima maior biblioteca nacional do mundo e, também, é a maior biblioteca da América Latina. A pesquisa ao acervo funciona de segunda a sexta, das 9h às 20h; aos sábados, das 9h às 15h. Endereço: avenida Rio Branco, 219.

Alexandre Macieira/Riotur

Alexandre Macieira/Riotur

5- Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, em Belo Horizonte – Com cerca de 260 mil títulos disponíveis para consulta, entre livros, revistas e jornais correntes e históricos, recebe diariamente 1.500 pessoas. Para empréstimo, referência e estudos periódicos, o local fica aberto de segunda a sexta, das 8h às 20h; aos sábados, das 8h às 12h. Endereço: praça da Liberdade, 21.

Arquivo da BPELB/Divulgação

Arquivo da BPELB/Divulgação

6- Biblioteca Nacional de Brasília – O acervo é dividido em coleções e subcoleções que atendem às necessidades informacionais dos usuários e aos objetivos da biblioteca. É constituído pelas coleções brasiliana e popular. O local funciona de segunda a sexta, das 8h às 19h45. Já aos sábados e domingos, das 12h30 às 18h30. Endereço: setor cultural sul, lote 2, edifício da Biblioteca Nacional.

Lula Marques/Folhapress

Lula Marques/Folhapress

7- Biblioteca Infantil e Juvenil de Belo Horizonte – Oferece um acervo de obras infanto-juvenis de variados gêneros literários e de pesquisa; coleções de jornais e revistas; jogos de montar e de memória. O local funciona de terça a sexta, das 9h às 17h30, e aos sábados, das 9h30 às 13h. Endereço: rua Carangola, 288.

7

Reprodução/Facebook

8- Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba – Possui um acervo de cerca de 600 mil volumes, entre livros, periódicos, fotografias e materiais multimídia. Recebe cerca de 3 mil pessoas e realiza 1,5 mil empréstimos diariamente. O atendimento na biblioteca acontece de segunda a sexta, das 8h30 às 20h, e aos sábados, das 8h30 às 13h. Endereço: rua Cândido Lopes, 133.

Reprodução/Facebook

Reprodução/Facebook

9- Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco, em Recife – É uma das mais ricas do Brasil em edições raras, constituindo um importante patrimônio pelo seu acervo que inclui obras dos tempos coloniais e do império, do período holandês no Estado, sobre história, economia e de outras áreas. Horário de funcionamento: das 8h às 20h45. Endereço: rua João Lira, s/n.

Reprodução/Facebook

Reprodução/Facebook

10- Biblioteca Pública do Estado da Bahia – É uma das maiores bibliotecas públicas do Brasil. Possuiu um acervo de 7.028 livros, 230 catálogos e 68 títulos de revistas só no setor infanto-juvenil. O local funciona todos os dias da semana, incluindo os sábados, das 8h30 às 12h, e os domingos, das 10h às 16h. Endereço: rua General Labatut, 27.

Divulgação

Divulgação

Renato Lessa fala dos desafios à frente da Biblioteca Nacional

0

Cientista político explica em entrevista os primeiros passos que pretende dar para resolver os sérios problemas de infra-estrutura da instituição
Ele discorda dos gastos assumidos pelo governo para a Feira de Frankfurt, mas garante que vai cumprir os compromissos

Renato Lessa posa na Biblioteca Nacional Camilla Maia / Agência O Globo

Renato Lessa posa na Biblioteca Nacional Camilla Maia / Agência O Globo

André Miranda, em O Globo

RIO – Quando foi anunciado que o cientista político Renato Lessa, de 58 anos, seria o novo presidente da Fundação Biblioteca Nacional, uma amiga mandou a ele uma mensagem de parabéns, com um recado: “Que Deus e o governo ajudem você”.

Pelos problemas que o esperam, Lessa realmente vai precisar da ajuda de todos os lados na gestão da instituição. Há um ano, desde uma inundação, sua sede no Rio está sem ar-condicionado, o que, no verão, levou a temperatura dos armazéns de livros para até 50 graus. Outro ponto a ser enfrentado por Lessa, oficialmente no cargo desde segunda-feira, são as críticas quanto aos atrasos e ao orçamento elevado na organização brasileira na Feira de Frankfurt, a maior do mundo para o mercado literário, que vai homenagear o Brasil em outubro.

Em entrevista no gabinete da presidência da Biblioteca Nacional ­­— com as janelas abertas pela falta de refrigeração —, Lessa reconheceu que há muito a ser feito. Segundo ele, serão necessários mais 120 dias para que um sistema antigo de ar-condicionado volte a funcionar na Biblioteca, e o tempo para que o sistema geral seja religado é indeterminado. Lessa também discorda dos gastos assumidos pelo governo para Frankfurt — R$ 15 milhões de investimentos diretos e a possibilidade de mais R$ 3 milhões via renúncia fiscal —, por acreditar que a homenagem deveria ser de responsabilidade do setor privado. Mas promete cumprir os compromissos.

Por fim, o novo presidente da Biblioteca Nacional discorda de Galeno Amorim, que esteve no cargo nos últimos dois anos, quanto à quantidade de municípios sem bibliotecas no Brasil: “É um número vergonhoso”.

Como foi feito o convite para o senhor assumir a presidência da Fundação Biblioteca Nacional? A ministra (Marta Suplicy, da Cultura) pediu algo específico ao senhor?

Foi em meados de março, poucas semanas antes de ela anunciar a mudança. Nós tivemos uma primeira conversa excelente, muito franca. O que me deixou muito seguro para aceitar o convite foi a possibilidade de institucionalizar políticas para a Biblioteca Nacional, sem que dependam de rompantes ou projetos pessoais, com um clima de independência. Além disso, ao mesmo tempo em que a ministra me deu autonomia e liberdade para estruturar a gestão da Biblioteca, ela manifestou também um enquadramento geral de como vê a coisa. A maior preocupação da ministra, da qual eu compartilho inteiramente, é ter uma restruturação tanto da Biblioteca Nacional quanto da política do livro. É um movimento que não incidiu apenas sobre a Biblioteca Nacional, ele inclui também a vinda do Castilho (José Castilho Marques Neto, presidente da editora Unesp) para a reorganização da política do livro e do Sistema Nacional de Bibliotecas como política pública de Estado em Brasília.

A junção de responsabilidades da Biblioteca Nacional com a política do livro era justamente uma das maiores críticas que parte do mercado fazia ao seu antecessor, Galeno Amorim.

A Biblioteca Nacional estava sobrecarregada. O excesso de atribuições torna impossível que todas recebam igual atenção. Não era um desenho adequado. Agora, a Biblioteca vai ficar desasfixiada para cuidar de suas atribuições naturais.

Em alguns de seus artigos publicados em jornais, o senhor já expressou críticas aos governos do PT. Isso em algum momento foi impeditivo para aceitar o convite?

Não foi só ao PT, também fui crítico aos governos anteriores. Mas em momento algum esse assunto apareceu na conversa com a ministra. Meus artigos não são secretos, têm a ver com meu lado de intelectual público, como observador dos hábitos políticos brasileiros. Não foram artigos que se dirigiam a este ou aquele governo. Isso é sabido, é público, estou longe de abjurar as coisas que eu escrevi. E acho que isso qualifica o convite, mostrando a ideia de independência de pensamento e de juízo.

Ainda há uma infinidade de livros físicos em circulação, mas ao mesmo tempo existe hoje um processo de digitalização em curso, de aumento da presença dos livros digitais. Em vista disso, qual o senhor considera ser o papel de uma biblioteca hoje? Esse papel está mudando?

Eu acho que o papel da biblioteca não se altera. O que as configurações novas trazem é a importância de uma biblioteca acrescentar dimensões a seu papel, que é a guarda de acervos valiosos. Fazer a guarda desses acervos incorporando tecnologias que permitam a recuperação e o restauro, mas isso tudo associado a uma perspectiva de publicização, de conquistar públicos leitores de diferentes níveis. Desde o leitor eventual até pessoas profissionalmente ligadas à pesquisa que têm na biblioteca seu local de trabalho. Acho que o futuro da biblioteca tem a ver com a capacidade de atender essa diversidade pública. Mas isso implica naturalmente um projeto agressivo de digitalização, mas não só do acervo específico de uma biblioteca, mas uma digitalização que componha redes de acervos digitalizados. Por exemplo, você pode imaginar uma grande biblioteca virtual que reúna as bibliotecas dos países lusófonos, em que os usuários possam compartilhar os acervos. Outro recorte possível é com a América do Sul. Existe um mundo para ser explorado de compartilhamentos de base da nossa Biblioteca Nacional com outras bibliotecas do mundo.

Como vai a digitalização do acervo da Biblioteca Nacional?

Ainda é muito pequeno, temos cerca de 25 mil títulos digitalizados. São 11 milhões de páginas.

De um total de quantos?

O total é complicado. Nunca houve um censo rigoroso de qual é o tamanho da Biblioteca, é uma coisa que precisamos fazer. Existe um número mágico de 9 milhões.

Mas são 9 milhões de títulos, de volumes físicos?

Por exemplo, naqueles 25 mil títulos digitalizados, a gente considera “O Globo” um título. Mas se forem exemplares, esse número já aumenta. Então não tenho como dizer um percentual do que já foi digitalizado. Mas posso dizer que é muito pouco, muito pequeno em função do volume do acervo. É uma prioridade das maiores, até porque, voltando à pergunta anterior, o papel da biblioteca depende da digitalização.

Falando sobre os problemas que a Biblioteca Nacional enfrentou nos últimos meses, o que ainda mais chama a atenção é a falta de ar-condicionado. É uma situação que se estende há um ano e que é prejudicial para usuários e funcionários, mas também é prejudicial para os livros. Ainda falta muito para isso se resolver?

É horrível para os livros. No pico do verão, me disseram que a temperatura no armazém de obras gerais bateu 50 graus. Você não pode ter um acervo valioso assim. O ideal são 23 graus, 22 graus. Mas, infelizmente, ainda está longe de chegarmos lá. Em marcha, começamos agora um processo de recuperação de um sistema antigo de ar-condicionado, e a estimativa que me deram é que a obra termine em 120 dias. Então a expectativa é que enfrentemos o verão com esse sistema antigo em funcionamento. Será um verão melhor do que o anterior, mas ainda longe do que a Biblioteca precisa. Já o sistema geral de refrigeração é de uma complexidade imensa e vai depender de um projeto de reforma. Temos dinheiro para isso e temos decisão de fazer a obra em seguida. Mas seria irresponsável eu dizer quando isso vai ficar pronto.

Qual a verba para essa reforma da refrigeração?

Existe um volume de recursos para as obras gerais da Biblioteca, que incluem as obras da sede e do anexo. O BNDES entra com pouco mais de R$ 40 milhões. Conseguimos também uma parte do PAC das cidades históricas, fizemos jus aos recursos porque somos um prédio histórico. E vamos ter ainda aplicações do orçamento da Biblioteca. Tudo isso vai dar um total de R$ 70 milhões. Vão ser usados para obras de estrutura, da refrigeração, da recuperação da claraboia, do reboco que andou caindo para a rua, da segurança, coisas assim. Enfim, são obras para levantar a infraestrutura. A administração anterior contratou a Fundação Getulio Vargas para fazer os termos de referência dessas obras, e eu vou ter uma reunião com eles na segunda-feira para saber em que pé isso está.

Mas olhando o acervo hoje, é possível que alguma obra tenha sofrido algum dano por causa do calor?

Não tenho notícias de danos ao acervo.

Outra questão muito discutida é a participação brasileira na Feira de Frankfurt, em outubro, quando o país será homenageado. Com a mudança na diretoria da Biblioteca Nacional, muda algo na organização da feira?

A participação brasileira na Feira de Frankfurt é uma política de governo que mobiliza o Ministério da Cultura e o Itamaraty. Acho importante desfazer um pouco a ideia de que a Feira de Frankfurt é a Biblioteca Nacional. Não é. A homenagem em Frankfurt significa que o governo brasileiro aceitou e entendeu que essa é uma oportunidade de promoção brasileira no exterior. O projeto é gerido por um comitê gestor, e a Biblioteca faz parte desse comitê, mas há outros integrantes, como a Funarte e o Ministério da Relações Exteriores.

Mas a Biblioteca tem um papel grande na organização.

Tem um papel grande, sim. Mas, na minha perspectiva, não é um papel compatível com as funcões próprias da Biblioteca. Como a Feira de Frankfurt tem uma dimensão econômica muito forte, algumas questões deveriam estar a cuidado dos editores do setor privado. Eu entendo que também há um interesse estratégico do Brasil, o que leva o poder público a participar, mas não me parece correto que isso seja pensado como exclusivamente fincado dentro de uma esfera estatal. Mas isso foi decidido em 2010 com comprometimentos financeiros e com o comprometimento da Biblioteca em algumas decisões, e isso será mantido. Estamos discutindo, hoje, que esse paradigma não se repita em outros eventos dessa natureza. Não cabe ao presidente da Biblioteca Nacional ser o dirigente dessa internacionalização dos livros brasileiros, e não associo o que penso sobre a Biblioteca Nacional a eventos do tipo. E ainda tenho uma reserva aos custos assumidos para a viabilização de negócios, sobretudo numa indústria que tem pujança, força e muita qualidade.

Quanto vai ser o gasto do governo em Frankfurt?

O orçamento total não vai passar de R$ 18 milhões. Desses, R$ 15 milhões vêm do orçamento do Estado brasileiro, pelo Fundo Nacional de Cultura. Já a Câmara Brasileira do Livro teve autorização para captar, via Lei Rouanet, R$ 13 milhões, dos quais nada ainda foi captado. Então, o que temos garantido hoje são R$ 15 milhões, e ainda faltam R$ 3 milhões para fechar o orçamento. Esse dinheiro virá ou de renúncia fiscal ou de patrocínio.

Houve algumas críticas sobre possíveis atrasos da preparação brasileira para Frankfurt. Alguma dessas críticas chegou ao senhor?

Com relação a prazos, nada chegou a mim. O que eu sei é que houve uma preocupação natural em relação à mudança na presidência da Biblioteca. Essas coisas são institucionais, mas envolvem relações pessoais. Então, quando há uma mudança dessas, surgem incertezas. Mas eu garanto que estamos trabalhando com a perspectiva de realizar o projeto na integridade.

Uma pergunta que é feita há anos e cuja resposta sempre foi um pouco nebulosa é sobre o número de municípios brasileiros ainda sem bibliotecas. O senhor sabe quantos faltam?

Eu não sei o número para te dizer, mas sei que é um número vergonhoso. A questão não é apenas o número de municípios sem biblioteca, mas temos que nos perguntar que bibliotecas existem e que pessoas trabalham nessas bibliotecas. Há gente que trabalha sem salários, com heroísmo. Essa é uma preocupação fortíssima da Elisa Machado, que dirige o Sistema Nacional de Bibliotecas: dar consistência a esse sistema, criando bibliotecas e fortalecendo as bibliotecas que existem.

É curioso porque, quando Galeno Amorim assumiu a presidência da Biblioteca Nacional, há pouco mais de dois anos, ele disse que faltavam “poucas dezenas” de municípios sem biblioteca no Brasil.

Eu não acho. A leitura no Brasil ainda é muito pequena, precisamos aumentar a familiaridade do brasileiro com o livro. Temos que ver isso realisticamente, como um obstáculo e desafio. Não como uma maldição que se abateu sobre a gente. A democratização do país não é só poder votar e ter liberdade para dizer o que pensa, democratização é a população ter acesso à cultura. E a biblioteca é um espaço fundamental desse processo.

Sem nunca ter lido um livro ‘grande’, Leandro, do KLB, estreia na Assembleia

0

Laura Mattos, na Folha de S.Paulo

Ele nunca leu um “livro grande” e não entende de política. É do PSD, o partido de Kassab, mas o que importa mesmo são outras três letras. “Sigla para mim é só KLB.”

Em 1º de fevereiro assume, ou melhor, estreia na Assembleia Legislativa de São Paulo o deputado estadual Leandro do KLB, 30 anos.

Na eleição de 2010, Leandro Finato Scornavacca recebeu pouco mais de 62 mil votos. Ele chega ao cargo depois que o titular, Ary Fossen (PSDB), morreu e outros três suplentes renunciaram para assumir prefeituras do Estado.

Tomou posse no último dia 3 e foi clicado pela imprensa com um estranho visual: terno e gravata. “Vou ter que usar só no plenário. Fora, pode roupa normal”, conta.

Marlene Bergamo/Folhapress
O cantor e agora deputado Leandro, do KLB, durante entrevista à *Folha* na Assembleia paulista
O cantor e agora deputado Leandro, do KLB, durante entrevista à Folha na Assembleia paulista

Com 12 anos de carreira artística e cerca de 5 milhões de CDs vendidos, Leandro está aprendendo a circular pelos corredores da Assembleia. Não se perde mais no caminho do seu novo gabinete, o 1.020, que está sendo decorado pela mãe.

Ele não conhece os detalhes da decoração, mas sabe que terá uma imagem de São Miguel Arcanjo, de quem é devoto. O santo, aliás, será tatuado no bíceps direito do deputado. No tríceps está o logotipo do KLB. Já no braço esquerdo, tem Jesus no tríceps e “The Twilight Zone”, uma série de TV, no bíceps.

Leandro é boxeador profissional, treinado pelo conceituado Miguel de Oliveira, ex-Maguila. Apesar de não participar de campeonatos, faz sparring, ou seja, ajuda no treinamento de pugilistas famosos.

Seu nariz todo mole, com a cartilagem quebrada em diversos pedaços, já passou por Popó, Vitor Belfort e outros.

Desde criança, Leandro gosta de esportes. Já os estudos não são o seu forte. Repetiu as 2ª e 5ª séries (hoje 3º e 6º ano do fundamental) e foi expulso de escolas “várias vezes”. “Era bagunceiro, não estudava muito, explodi os banheiros da escola.”

Nesse tempo de colégio, leu os livros obrigatórios, “aqueles pequenininhos”. “Mas não considero como livros, eram finos, não se aprofundavam tanto no tema. Livro grande mesmo nunca li.”

Ele tem três na prateleira que já começou a folhear, mas não consegue terminar: o best-seller “A Cabana”, de William P. Young, “O Príncipe”, de Maquiavel, e um “de mistério, assassinatos”, de que não se lembra o nome.

Não acredita que o fato de não ler e de não ter feito faculdade atrapalhe o seu trabalho como deputado. “Não faz a menor diferença. Embora a leitura seja importante, a gente tem a oportunidade de viajar o Brasil inteiro, de conhecer as pessoas, os lugares e suas dificuldades.”

Ele e seu irmão Kiko (o K do KLB) entraram na política a convite de Kassab. Em 2011, para deixar o DEM e fundar o PSD, o ex-prefeito de São Paulo usou a estratégia de convidar famosos.

Após uma campanha contra a pedofilia, Leandro diz que irá “defender a família e as crianças”. Para isso, quer “chamar as pessoas certas e elaborar um projeto”.

E não se importa com a indefinição do partido, ora de braços dados com o PT, ora com o PSDB. “Nem sabia disso. Para mim, não muda muito o lado, não tenho esquerda ou direita. Sou como um cidadão qualquer aí fora e só quero dar o melhor de mim.”

Go to Top