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Balanço da Flupp: foco na periferia

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Com debates que foram da Primavera Árabe à política de leitura, festival reuniu público variado em Vigário Geral

Próxima edição deve ser na Mangueira

Debate. No sábado, o egípcio Tamim Al-Barghouti (esquerda) e o iraquiano Hassan Blasim (direita) se encontraram com mediação de Mamede Mustafá Jarouch (foto: Paula Giolito)

Debate. No sábado, o egípcio Tamim Al-Barghouti (esquerda) e o iraquiano Hassan Blasim (direita) se encontraram com mediação de Mamede Mustafá Jarouch (foto: Paula Giolito)

André Miranda, em O Globo

RIO – Até o ano passado, a família do jovem Hugo Virgilio, de 15 anos, andava pela rua observando pessoas. Hoje, depois de terem participado da primeira Flupp, realizada no ano passado no Morro dos Prazeres, e da segunda, encerrada neste domingo em Vigário Geral, eles fazem diferente. Observam personagens.

Hugo e seus pais — a professora do Ensino Fundamental Sonia Oliveira e o técnico de aquecedor solar Paulo Virgilio — são exemplos do que uma iniciativa como a Flupp pode representar para os moradores das comunidades carentes do Rio. O evento nasceu em 2012 como a Festa Literária das UPPs e ganhou uma nova persona este ano: a Festa Literária das Periferias, que reuniu entre quarta-feira e ontem 26 autores brasileiros e estrangeiros no Centro Cultural Waly Salomão, sede do AfroReggae em Vigário Geral, uma favela sem UPP. No ano que vem, é quase certo que a festa seja realizada na Mangueira.

— Foi automático caminharmos para o tema da periferia — diz Toni Marques, curador das duas edições da Flupp. — E não é apenas uma periferia geográfica, mas também periferia de linguagem. No ano passado, até pela insegurança da novidade, nós tentamos abranger um pouco de tudo. Este ano, compreendemos melhor a natureza da festa e nos concentramos.

Com o foco na periferia, a Flupp reuniu nomes como o poeta egípcio de origem palestina Tamim Al-Bargouthi, a escritora britânica Bernardine Evaristo, a quadrinista francesa Julie Maroh e a imortal brasileira Nélia Piñon.

— No Egito e em alguns países árabes, começamos a mostrar que a poesia pode falar o idioma do povo. Ela aparece pintada nos muros, é recitada em universidades e é até usada como toque de telefone celular. A poesia, hoje, para nós, é um método de liberdade individual — afirmou Al-Bargouthi, durante sua mesa na Flupp, na tarde de sábado.

A presença de Al-Bargouthi era uma das mais esperadas em Vigário Geral: primeiro por ele ter se tornado uma das principais vozes a transformar os acontecimento da Primavera Árabe em arte, e, também, por não ter conseguido viajar para o Brasil em julho, onde participaria da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, festival irmão e que serviu de inspiração para a Flupp.

— No Iraque, houve uma vez em que um menino jogou uma berinjela em soldados americanos. Eles ficaram assustadíssimos pensando que era uma bomba e se esconderam. Os comerciantes da rua perceberam e passaram todos a jogar berinjelas nos soldados. Eles enfrentaram aqueles homens armados com berinjelas, foi a forma poética que encontraram para encarar a situação — contou Al-Bargouthi.

Festival de ideias

Outro que esteve em Vigário Geral foi Jonathan Douglas, diretor do Nacional Literacy Trust, instituição britânica que se dedica a apoiar o desenvolvimento da alfabetização. Douglas viajou a convite do British Council para participar, ontem, da mesa “Políticas Públicas para Leitura no Brasil e no Mundo”, ao lado de José Castilho Marques Neto, secretário-executivo do Plano Nacional de Livro e da Leitura no Brasil.

— O que mais me chamou a atenção aqui é que a plateia é uma mistura de moradores da favela e de gente de fora — disse Doulgas. — Um grande festival não é feito de livros. É feito de ideias, e é isso o que estou vendo aqui.

Foi exatamente a ideia da Flupp que levou a família de Hugo Virgilio do Morro dos Prazeres, onde moram, para Vigário Geral. O garoto escreve desde os 9 anos e já lançou um livro, patrocinado por parentes: “Mistério da Casa Rosa”.

— A Flupp foi importante para o nosso filho e abriu também nossos olhos. Agora, até eu fico com vontade de escrever — conta Paulo Virgilio, pai de Hugo.

Waly Salomão ganha exposição em Vigário Geral

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Poeta baiano ganha homenagem em mostra multimídia como parte da programação da FLUPP

Publicado na Veja Rio

Waly Salomão: poeta baiano ganha exposição em Vigário Geral (Foto: Divulgação)

A partir desta quarta (20), o Centro Cultural Waly Salomão, em Vigário Geral, recebe uma exposição em homenagem ao poeta baiano que dá nome ao espaço. A ideia nasceu de um convite de José Junior, coordenador do grupo AfroReggae, aos curadores, com o objetivo de celebrar os vinte anos do projeto, já que a data coincide com os dez anos da morte de Waly Salomão e os 70 anos de seu nascimento. A exposição faz parte da programação da segunda edição da Festa Literária das Periferias (FLUPP) e fica em cartaz até o dia 20 de dezembro e, em fevereiro, segue para o Itaú Cultural, em São Paulo.

Com curadoria de Marcello Dantas e Carlos Nader, a mostra é dividida em sete módulos, que narram vida e obra do escritor. Os diferentes espaços propõem uma experiência interativa com o público, que poderá, entre outras coisas, tocar tambores, ser içado por puçás e investigar o “Armarinho de Miudezas” de Waly para ter contato com a obra do poeta.

Conheça melhor os sete módulos da exposição:

Aparição
Um enorme tambor será o marco inicial da celebração. Os meninos do Afro Reggae irão invocar uma Aparição de Waly Salomão projetada sobre o Tambor na praça central de Vigário Geral, em frente ao CCWS. Waly com sua personalidade singular surge dominando o espaço como lhe era peculiar.

Câmara de ecos
Seis tambores com projeções no seu interior que, quando tocados, revelam além da sonoridade própria, a amplificação do eco da voz de Waly falando um trecho de um poema, uma palavra, um som. O tocar constante desses tambores traz à tona a voz, a intensidade dos versos, a força da nitidez de sua lábia. O público irá compor com a palavra de Waly.

Pescados Vivos
Instalação em forma puçás onde num quadrado com 3 telas de LCD suspensas por uma espécie de rede de pesca. O visitante adentra o espaço interior desse quadrado com a cabeça para ouvir depoimentos de amigos próximos de Waly. Caetano Veloso, Antonio Cicero, Herbert Vianna, Gilberto Gil, José Junior, entre outros, falam da importância transformadora que o poeta teve em suas vidas.

Algaravias
Na escada do Centro Cultural Waly Salomão, uma cronologia gráfica da vida de Waly, construída não a partir de módulos lineares e sim por afinidades eletivas: família, origem, política, obra, parceiros, usando textos, imagens e vídeos para ilustrar. Essa cronologia foi feita por Marta Braga e Omar Salomão, esposa e filho do poeta, e será permanente no CCWS. Ela dá conta de contextualizar a ampla ação cultural de Waly e seu legado.

Armarinho de Miudezas

Os poemas de Waly sempre fazem alusão às coisas do mundo. Objetos triviais eram alçados ao Olimpo poético. Nesses armários com objetos reais de coisas que Waly citou em seus poemas. As caixinhas se acendem ao toque das mãos dos visitantes revelando seu interior. O som da voz de Waly cita o nome da coisa ali apresentada. Poeta Polifônico – O resultado do tocar essas coisas revela uma polifonia criada pelo visitante com as palavras de Waly retiradas de suas performances e da declamação de seus poemas.

Lábia
As mais antológicas entrevistas de Waly Salomão em uma sala com múltiplas telas exibindo os momentos mais marcantes dessas entrevistas.

Alterar
Poesia quer dizer Trabalho. A mesa de trabalho de um poeta e seus instrumentos de criação, coisas para fazer palavras surgirem estão nessa grande mesa repleta de atividades para o público manipular, de mimeógrafos, a letrasets, de estêncis a máquina de escrever, de serrote a papelão, ao lado da mesa, uma tela mostra o Waly em processo de criação e oferece a oportunidade ao visitante de Alterar tudo o que está escrito com sua vontade.

O Centro Cultural Waly Salomão fica na Rua Santo Antônio, 11, em Vigário Geral.

 

Déjà vu dos mais vendidos

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Edir Macedo, Laurentino Gomes e Padre Marcelo voltam para ficar

Cassia Carrenho, no PublishNews

Os autores dos 3 primeiros lugares da lista geral, Nada a perder 2 (Planeta), 1889 (Globo) e Kairós (Principium), são conhecidos por recorde de vendas e/ou períodos longos na lista de mais vendidos. Nessa semana, Nada a perder 2, do bispo Edir Macedo, garantiu o 1º lugar na lista geral, vendendo 26.843 exemplares para seu público fiel (ou melhor, de fiéis). 1889 (Globo), de Laurentino Gomes, alcançou o 2º lugar na lista geral, com 11.481 exemplares, e alavancou as vendas dos livros anteriores, colocando 1808 (Planeta) e 1822 (Nova Fronteira) na lista de não ficção. O 3º lugar geral ficou com o Padre Marcelo Rossi e seu Kairós, com 10.761 exemplares vendidos. Com estratégias de venda distintas, os 3 devem garantir uma briga nada santa por algum tempo!

Outro livro que merece destaque é O príncipe da privataria (Geração Editorial), que na sua estreia garantiu lugar na lista geral e um excelente 4º lugar na lista de não ficção.

Intenso (Harmelin), novo romance erótico de Sylvia Day, garantiu lugar na lista de ficção, mostrando que, embora já não arranque tanto suspiro, a literatura erótica continua fazendo sucesso. Na lista de ficção, por exemplo, aparecem 6 livros do gênero, ou seja, ainda falta muito para Mr Grey se aposentar.

No ranking das editoras, as 3 velhas conhecidas continuam liderando. A Sextante voltou ao seu posto habitual, 1º lugar, com 15 livros; Intrínseca, 2º lugar, com 14, e Record em 3º lugar, com 10.

Apaixonada por livros e leitores

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Curitibana forma corrente de leitura com sua empresa de locação. É só telefonar que ela entrega o livro em casa

Adriana Czelusniak, na Gazeta do Povo

Lígia da Silva Maldonado, proprietária da Ligue Livros (Daniel Castellano/Gazeta do Povo)

Lígia da Silva Maldonado, proprietária da Ligue Livros (Daniel Castellano/Gazeta do Povo)

Depois de uma carreira como técnica de enfermagem e como assistente social em hospitais psiquiátricos, Lígia da Silva Maldonado, 54 anos, resolveu unir a vontade de ajudar as pessoas com a paixão que sempre teve pelos livros. Aproveitou a experiência de um período de trabalho em livrarias e criou o próprio negócio, a Ligue Livros, há 24 anos, com a missão de incentivar a leitura. Os clientes pagam uma taxa trimestral ou semestral, pedem os livros por telefone ou e-mail e os recebem em casa. Depois de lidos, são devolvidos e um novo pedido já pode ser feito.

Em um país onde as pessoas dedicam pouco tempo aos livros – em média, apenas dois são lidos por ano, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro –, a Ligue Livros cumpre um papel importante como difusor de leitura. Lígia consegue fazer compras diárias de novos títulos e manter o acervo sempre atualizado.

Mas ela não se restringe apenas às operações de pedidos e trocas dos 18 mil livros que reuniu. Como lê o tempo todo e atende pessoalmente cada pedido, se tornou uma espécie de guia de leitura para os 1.760 clientes – mulheres acima dos 40 anos, em sua maioria. “Consigo divulgar autores e livros que não são tão divulgados pela mídia. E temos à disposição desde edições esgotadas de clássicos até todos os últimos lançamentos do mês”, diz.

Fidelidade

O atendimento próximo e frequente também acaba fidelizando o cliente, que se não quiser não precisa se preocupar nem em escolher qual livro vai ler entre tantas opções de romances em geral, romances históricos, policiais, espionagem, suspense, terror, ficção científica, esotéricos e em outros idiomas. “Se tenho sucesso nas indicações, o leitor fica estimulado e lê mais, o que garante a satisfação com o serviço. Perguntam-me como consegui indicar um livro que tem tudo a ver com o momento. Acho que essa sensibilidade de perceber o que faz bem para cada pessoa vem da minha formação de assistente social”, conta.

Outros “mimos” sem taxas adicionais que agradam a clientela são a possibilidade de pedir mais de um exemplar por vez em período de férias ou feriados e o envio de livros infantis para quem tem filhos. Há quatro anos Lígia resolveu experimentar a locação de DVDs, mas decidiu continuar somente com livros. “Não conseguíamos acompanhar a aquisição dos lançamentos no ritmo das grandes locadoras e com a expansão das tevês a cabo e da internet ficou inviável continuar”, explica.

Aprovado

Associados dão nota 10 para o serviço

A jornalista Roseli Abrão é cliente do Ligue Livros há 20 anos e é considerada pela própria Lígia como uma “leitora voraz”, pois a cada semana lê ao menos três livros. “Não tenho ideia de quantos títulos já li, mas se são uns cem por ano durante 20 anos, faça a conta”, provoca. Roseli diz que se não fosse pelo serviço não teria lido tanto, pois falta­-lhe tempo para ir a livrarias.

Outra cliente é a auxiliar financeira Regina Maria Prim, 58 anos. Ela conta que foi sócia da Best Sellers Club, a primeira locadora de livros de Curitiba. Ao saber que Lígia havia montado a própria livraria, Regina adotou o serviço, em 1998. “Ela promoveu a evolução na locação. É muito prático. Depois de tanto tempo, a Lígia já sabe o estilo e os autores que eu gosto e ela escolhe o que mandar. Se não gosto do livro, é só avisar que ela troca.”

Regina considera mais vantajoso ter um serviço assim, já que lê três livros por mês e desta forma não precisa nem de um lugar para armazená-los. Pela sua conta já foram quase 600 títulos alugados pela Ligue Livros. Mas as vantagens não estão apenas na grande variedade de obras disponíveis e na praticidade de retirada e entrega. “Tem também o fato de a Lígia ser muito simpática. Já aconteceu de ligar para pedir uma troca e a gente ficar um tempão batendo papo”, diz.

Em Curitiba é possível alugar livros pelo telefone e internet
Os clientes pagam uma taxa trimestral ou semestral, pedem os livros por telefone ou e-mail e os recebem em casa. Quanto mais rápido lerem, mais trocas são feitas. São 18 mil livros no acervo e cerca de 1.700 clientes cadastrados.

Serviço

Contato com a Ligue Livros pelos telefones (41) 3367-2466 e 3367-3544, e-mail: liglivros@onda.com.br e site www.liglivros.com.br.

dica do Chicco Sal

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