Vitrali Moema

Posts tagged Guilherme

100 livros para inspirar o Jornalismo

0

Publicado por Leonardo Sakamoto

Respondendo a uma leitora receosa em cursar jornalismo, escrevi que poderia recomendar uma lista de livros de reportagens, literatura e reflexões sobre o mundo e a profissão para acompanhá-la na caminhada – seja ela qual fosse. Na verdade, confesso, o comentário foi puramente retórico. E grande foi minha surpresa quando recebi mais de uma centena de mensagens (!) exigindo a tal lista.

Coloquei-me, então, a organizar os títulos. Como um bom livro puxa o outro, foi impossível me ater a apenas uma dúzia de sugestões. E considerando o quão somos incompletos e errado quando sozinhos, pedi ajuda a amigas e amigos jornalistas. Dessa reflexão coletiva, nasceu uma lista com 100 livros para inspirar o jornalismo e ao jornalismo. Pelo menos um para cada mensagem recebida. É claro que listas servem para cometer injustiças, então peço desculpas de antemão.

Agradeço a Antônio Biondi, Caio Cavechini, Carlos Juliano Barros, Claudia Carmello, Cristina Charão, Guilherme Zocchio, José Chrispiniano, Igor Ojeda, Ivan Paganotti, Lúcia Ramos Monteiro, Maurício Hashizume, Maurício Monteiro Filho, Pablo Uchôa, Renato Godinho, Ricardo Mendonça e Spensy Pimentel as contribuições enviadas.

Evitei manuais e afins mais técnicos nessa lista, mas nada impede que apareçam em uma segunda. Incluso estão livros de fotos e graphic novels – afinal, reduzir uma boa história a um texto é besteira.

Mas vale lembrar: isso é para ajudar a inspirar. Jornalismo não se aprende nos livros, o que passa necessariamente pela vivência diária, conhecendo o outro, o diferente. É legal ter bons livros na bagagem, mas eles não substituem bagagem de vida. Que, por mais crucial que seja para um bom jornalismo é o que mais falta na profissão. Seja por falta de oportunidade ou de vontade.

Inspiração, que é boa quando nos carrega para longe. E é excelente quando nos faz mergulhar lá dentro. No início de “O jornalista e o assassino”, Janet Malcolm, sintetiza:

“Qualquer jornalista que não seja demasiado obtuso ou cheio de si para perceber o que está acontecendo sabe que o que ele faz é moralmente indefensável. Ele é uma espécie de confidente, que se nutre da vaidade, da ignorância ou da solidão das pessoas. Tal como a viúva confiante, que acorda um belo dia e descobre que aquele rapaz encantador e todas as suas economias sumiram, o indivíduo que consente em ser tema de um escrito não ficcional aprende — quando o artigo ou livro aparece — a sua própria dura lição. Os jornalistas justificam a própria traição de várias maneiras, de acordo com o temperamento de cada um. Os mais pomposos falam de liberdade de expressão e do ‘direito do público a saber’; os menos talentosos falam sobre a Arte; os mais decentes murmuram algo sobre ganhar a vida.”

Boa leitura!

PS: Sei que deveria explicar cada um deles e ainda farei isso um dia. Procratinadores do mundo, uni-vos. Por ora, basta a lista.

1)  1984, de George Orwell

2)  A Alma Encantadora das Ruas, de João do Rio

3)  A Ascensão e Queda do Terceiro Reich, de William L. Shirer

4)  A Jangada de Pedra, de José Saramago

5)  A Luta, de Norman Mailer

6)  A Mulher do Próximo, de Gay Talese

7)  A Noite dos Proletários, de Jacques Rancière

8)  A Primeira Vítima, de Phillip Knightley

9)  A Rosa do Povo, de Carlos Drummond de Andrade

10)  A Sangue Frio, de Truman Capote

11)  Abusado: o Dono do Morro Santa Marta, de Caco Barcellos

12)  Abutre, de Gil Scott-Heron

13)  Aí pelas Três da Tarde, conto de Raduan Nassar no livro Menina a Caminho

14)  Ao Vivo do Corredor da Morte, de Mumia Abu-Jamal

15)  As Ilusões Perdidas, de Balzac

16)  As Origens do Totalitarismo, de Hannah Arendt

17)  Bombaim, Cidade Máxima, de Suketu Mehta

18)  Cabeça de Turco, de Günter Wallraff

19)  Caixa Preta, de Ivan Sant’anna

20)  Capão Pecado, de Ferréz

21)  Clarice na Cabeceira, de Clarice Lispector (org. Aparecida Maria Nunes)

22)  Coração das Trevas, Joseph Conrad

23)  Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski

24)  De Pernas pro Ar, Eduardo Galeano

25)  Dedo-Duro, de João Antonio

26)  Devassos no Paraíso, de João Silvério Trevisan

27)  Dez dias que abalaram o mundo, de John Reed

28)  Dom Casmurro, de Machado de Assis

29)  Ébano: minha vida na África, de Ryszard Kapuscinski

30)  Elogiemos os homens ilustres, de James Agee e Walker Evans

31)  Entre os vândalos, de Bill Bufford

32)  Entrevista: o diálogo possível, de Cremilda Medina

33)  Fábrica de mentiras, de Günter Walraff

34)  Fama e Anonimato, de Gay Talese

35)  Gomorra, de Roberto Saviano

36)  Gostaríamos de informá-lo de que amanhã seremos mortos com nossas famílias: Histórias de Ruanda, de Philip Gourevitch

37)  Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa

38)  Hiroshima, de John Hersey

39)  Jornalistas e Revolucionários, de Bernardo Kucinski

40)  K., de Bernardo Kucinski

41)  Ligeiramente Fora de Foco, de Robert Capa

42)  Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa

43)  Malagueta, Perus e Bacanaço & Malhação do Judas Carioca, de João Antônio

44)  Maus, de Art Spiegelman

45)  Medo e Delírio em Las Vegas, de Hunter S. Thompson

46)  Minha razão de viver, de Samuel Wainer

47)  Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto

48)  Muito longe de casa, de Ishmael Beah

49)  Na natureza selvagem, de Jon Krakauer

50)  Na Pior em Paris e Londres, George Orwell

51)  Nada de novo no front, de Erich Maria Remarque

52)  No Logo, de Naomi Klein

53)  Notícias de um Sequestro, de Gabriel García Marquez

54)  Notícias do Planalto, de Mário Sérgio Conti

55)  O Ano I da Revolução Russa, de Victor Serge

56)  O Brasil Privatizado, de Aloysio Biondi

57)  O Estado de Exceção, de Giorgio Agamben

58)  O Guia dos Curiosos, de Marcelo Duarte

59)  O Inverno da Guerra, de Joel Silveira

60)  O jornalista e o assassino, de Janet Malcolm

61)  O livro das vidas: obituários do New York Times, de Matinas Sukuzi Jr. (org.)

62)  O Mundo Assombrado pelos Demônios, de Carl Sagan

63)  O Processo, de Franz Kafka

64)   O Quinze, de Rachel de Queiroz

65)  O Reino e o Poder, de Gay Talese

66)  O Segredo de Joe Gould, de Joseph Mitchell

67)  O Tesouro de Sierra Madre, de B. Traven

68)  O teste do ácido do refresco elétrico, de Tom Wolfe

69)  Olga, de Fernando Morais

70)  On the Road, de Jack Kerouac

71)  Operação Massacre, de Rodolfo Walsh

72)  Os mandarins, de Simone de Beauvoir

73)  Os novos cães de guarda, de Serge Halimi

74)  Os Sertões, de Euclides da Cunha

75)  Os Testamentos Traídos, de Milan Kundera

76)  Os últimos soldados da guerra fria, de Fernando Morais

77)  Pela bandeira do paraíso, de Jon Krakauer

78)  Perdoa-me por me traíres, de Nelson Rodrigues

79)  Planeta Favela, de Mike Davis

80)  Por quem os sinos dobram, de Ernest Hemingway

81)  Procedimento Operacional Padrão, de Errol Morris e Philip Gurevitch

82)  Radical Chic e o novo jornalismo, de Tom Wolf

83)  Rota 66, de Caco Barcellos

84)  Sagarana, de Guimarães Rosa

85)  Sapato Florido, de Mario Quintana

86)  Shaking the Foundations: 200 Years of Investigative Journalism in America, de Bruce Shapiro

87)  Showrnalismo: a notícia como espetáculo, de José Arbex Jr.

88)  Sidarta, de Hermann Hesse

89)  Sobre a televisão, de Pierre Bourdieu

90)  Sobre Ética e Imprensa, de Eugênio Bucci

91)  Terra Sonâmbula, de Mia Couto

92)  The Black Hole of Empire, de Partha Chatterjee

93)  The Onion Field, de Joseph Wambaugh

94)  Toda Mafalda, de Quino

95)  Todos os Homens do Presidente, de Carl Bernstein e Bob Woodward

96)  Tudo o que é sólido desmancha no ar: a aventura da modernidade, de Marshall Berman

97)  Uma história de Sarajevo, de Joe Sacco

98)  Vidas Secas, de Graciliano Ramos

99)  Vigiar e Punir, de Michel Foucault

100) Viver para Contar, de Gabriel García Marquez

8 capítulos deletados que mudariam radicalmente o desfecho de grandes obras

0

1

Guilherme Carmona, no Literatortura

Às vezes não é necessário mais que uma frase para mudar drasticamente o desfecho de um livro. Tirar um trecho do contexto geral de uma obra literária pode danificá-la de forma radical, de certa forma desvirtuando o significado original com que a obra foi concebida. Mas também é possível imaginar que, se alguns capítulos de algumas obras não houvessem sido omitidos, talvez certos livros nunca tivessem chegado às mãos do público. Segue abaixo uma lista de obras famosas que, de uma maneira ou de outra, não são a idealização original de seus criadores.

8 – O Drácula de Bram Stoker

2

Se há um livro que influenciou radicalmente o gênero de terror e tornou-se referência para gerações de escritores e leitores, muito provavelmente este livro é O Drácula de Bram Stoker. O livro conta a história da tentativa de Drácula de se mudar da Transilvânia para a Inglaterra e sua batalha com um grupo liderado por Abraham Van Helsing. Bram Stoker pode não ter sido o idealizador dos vampiros, mas definitivamente definiu o estilo de vampiro moderno.

O capítulo deletado:

O castelo do Drácula desmorona e ele morre, de modo a esconder o fato de que algum dia um vampiro viveu ali. Mas, talvez na intenção de escrever uma sequência para o livro ou estar preocupado em fazer um final muito semelhante ao de A Queda da Casa de Usher, de Edgar Allan Poe, Stoker cortou a cena.

Se não fosse deletado…

É muito provável que perdesse o caráter original e toda a importância da obra passasse despercebida por seu capítulo final ser demasiado semelhante ao de A Queda da Casa de Usher. Ou seja, Stoker seria mais um escritor que copiou Poe e jamais teria entrado para a história.

7 – O Retrato de Dorian Gray

3

O Retrato de Dorian Gray é a obra mais conhecida do escritor irlandês Oscar Wilde e é considerada um dos clássicos modernos da Literatura Ocidental. O livro conta a história de um jovem de rara beleza que tem seu retrato pintado e se deslumbra com a própria imagem. Apavorado com a efemeridade de sua beleza e seduzido pela possibilidade de uma vida guiada pelo prazer, Dorian então “vende” a alma para que o quadro possa envelhecer em seu lugar. Além de uma reflexão magistral sobre a juventude, o prazer e a suposta oposição entre beleza e inteligência, o livro é uma crítica mordaz aos costumes da Inglaterra Vitoriana do fim do séc. XIX.

O capítulo deletado:

A publicação do livro, em 1890, causou rebuliço entre os editores devido às diversas passagens onde eram descritas cenas sensuais entre homens. A homossexualidade estava longe de ser uma prática aceitável entre os ingleses da era Vitoriana, e a sugestão que Wilde recebeu de seu editor foi “diluir” o conteúdo homossexual em sete novos capítulos. Passagens com conteúdo mais explícito foram cortadas de vez e o livro foi um estouro. Wilde, porém, foi mandado para a prisão por sua preferência sexual.

Se não fosse deletado…

O mérito de O Retrato de Dorian Gray é ter sido o primeiro livro a falar de homossexualidade, ainda que não explicitamente, e ter uma repercussão gigantesca. Levando em conta que mesmo após a edição do livro Wilde foi acusado de pederastia, talvez fosse esse o caso de ignorar algumas sugestões do editor. Se o livro não houvesse sido tão brutalmente editado, poderia ter pavimentado o caminho para tolerância e aceitação mais cedo na história.

6 – Grandes Esperanças

4

Grandes Esperanças é um clássico da literatura Vitoriana que descreve, em primeira pessoa, a trajetória pessoal de Pip, um rapaz órfão que vive na primeira metade do século XIX. Pip recebe o privilégio de uma fortuna e torna-se membro da aristocracia sem, por um momento sequer, passar por trabalho duro. Ele conhece e liberta o fugitivo Abel Magwitch, que lhe retribui em dinheiro após ser deportado, porém sem que Pip tome conhecimento do fato. A realidade de Magwitch, marginalizado, preso e doente, vai em sentido contrario à de Pip. Grandes Esperanças é considerado por Dickens o seu melhor trabalho, e se foca na relação entre a sociedade e os homens.

O capítulo deletado:

O autor havia originalmente imaginado um final onde Pip encontra-se com sua amada, exausta e deprimida. Ela havia perdido o marido recentemente, e Pip estava sem um tostão. Pip diz que nunca poderia tê-la para si e que ele sabe que ambos têm corações imersos em trevas. A separação, nessa versão, não é nada amigável.

Se não fosse deletado…

Ao mostrar essa versão a alguns amigos, Dickens obteve a resposta de que ela era demasiado deprimente, de modo que acabou trocando-a por algo mais alegre. Enquanto alguns vêem o final feliz como uma recompensa pelo crescimento do caráter de Pip, outros, como o escritor George Bernard Shaw, apontaram o final original como mais coerente com a ideia geral do livro. Atualmente a crítica é dividida neste aspecto.

5 – Harry Potter e as Relíquias da Morte

5

A famosa saga escrita por J.K. Rowling entre 1997 e 2007 conta as aventuras do bruxo Harry Potter e seus amigos Rony Weasley e Hermione Granger na escola de Hogwarts, assim como sua missão de derrotar o bruxo das trevas Lorde Voldemort. Trata-se simplesmente da saga que mais vendeu na história, tendo vendido cerca de 450 milhões de exemplares e sido traduzida para 67 línguas diferentes, sendo que os últimos 4 livros estabeleceram recordes como livros mais rapidamente vendidos na história. Indiscutivelmente foi a série de literatura infanto-juvenil que mais marcou a geração de leitores nascidos nos anos 90.

O capítulo deletado:

Um jornalista, único amigo da autora que sabia do final alternativo, vazou a informação. Dois finais foram considerados pela autora J.K. Rowling para Harry Potter e as Relíquias da Morte. Ela escolheu a versão hoje conhecida: Voldemort morre e Harry salva a todos. O final alternativo não foi tão feliz. Na verdade, ele dá a entender que Voldemort passou a viver como uma estátua em Hogwarts.

Se não fosse deletado…

Rowling não queria que a informação fosse a público, mas podemos agradecer a seu amigo por fornecer uma alternativa a quem não se contentou com o final “felizes para sempre”. Além do fato de Voldemort poder ser uma estátua nos arredores de Hogwarts, Harry, agora o diretor e um homem velho, apaga as memórias de todos sobre Voldemort. Também é dado a entender que o próprio bisneto haveria de se tornar o próximo bruxo das trevas. Um final controverso, mas também prato cheio para quem ansiava por uma sequência para a saga.

4 – A Máquina do Tempo

6

Um dos primeiros romances de ficção científica e responsável pela popularização do conceito de viagem no tempo, a Máquina do Tempo, de H.G. Wells, conta a história de um inglês da era Vitoriana que inventa uma máquina do tempo e viaja 800.000 anos no futuro. Lá, ele conhece a realidade distópica onde convivem dois tipos diferentes de homens: os Eloi, hominídeos medrosos e frágeis que vivem na superfície, e os Morlocks, uma assustadora população relegada a desenvolver-se nas profundezas da terra, produzindo toda a infraestrutura necessária à vida dos Eloi ao longo de centenas de milhares de anos. O autor dá a entender que essas duas evoluções distintas da espécie humana resultam de uma divisão de classes.

O capítulo deletado:

O que poucos sabem é que, durante o estágio de edição do livro, com a intenção de demonstrar “a total degeneração” do homem, o editor de Wells pediu um capítulo extra. Nesta versão, o viajante conhece o futuro ainda mais distante dos Eloi e dos Morlocks. Ele descobre uma forma evoluída dos Eloi, que acaba matando por não tê-la reconhecido.

Se não fosse deletado…

Talvez, se não houvesse sido deletado, este capítulo teria feito o público odiar o livro e, por consequência, todo o gênero de ficção científica que seguiria depois.

3 – Alice através do Espelho

7

Nesta sequência de Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll decidiu fazer um livro ainda melhor que o primeiro. O novo livro se focava no jogo de xadrez que ajudou a popularizar Alice no País das Maravilhas, e os obstáculos são colocados como etapas de um jogo de xadrez, com a aparição de personagens marcantes ao longo da trama. Trata-se, em última análise, de uma ode à esperteza infantil e uma crítica à literatura moralista dirigida às crianças da época, desde cedo submissas à lógica aprisionante dos adultos.

O capítulo deletado:

Devido à falta de uma ilustração, um capítulo inteiro da obra foi cortado. O capítulo A wasp in a wig, ou A vespa de peruca, não entrou porque o ilustrador dos livros de Carroll afirmou não ser capaz de desenhá-la, por mais que tentasse.

Se não fosse deletado…

Possivelmente, seria mais um personagem fascinante para o livro, e que, infelizmente, não veio a público. Muitos dos personagens influenciaram a cultura popular (http://en.wikipedia.org/wiki/Category:Music_based_on_Alice_in_Wonderland), a exemplo da música “I am the Walrus”, dos Beatles.

2 – A Autobiografia de Malcolm X

8

A autobiografia de Malcolm X foi um dos livros mais importantes do século XX. Lançado em 1965 a partir de um trabalho conjunto de Malcolm X e o jornalista Alex Haley, o livro tem como base uma série de entrevistas conduzidas por Haley entre 1963 e o assassinato de Malcolm X, em 1965. Além do idealismo do orgulho negro e nacionalismo negro e das filosofias pessoais de Malcolm X, o livro se refere também a um processo de amadurecimento espiritual.

O capítulo deletado:

No entanto, curiosamente, três capítulos foram cortados do livro. Justamente estes três capítulos eram considerados os mais impactantes. Foram escritos durante os últimos meses de vida de Malcolm X e mostravam sua desilusão com a luta pelos direitos civis assim como sua batalha pessoal com a depressão. Haley também censurou prontamente material com teor antissemita que se encontrava na obra. Ele também demonstrava estar ciente de que sua própria morte se aproximava.

Se não fosse deletado…

Os capítulos foram removidos, mas, talvez, se houvessem permanecido, o sucesso comercial do livro certamente seria menor. Por consequência, talvez a causa de Malcolm X talvez não tivesse produzido um impacto tão grande na sociedade.

1 – A Fantástica Fábrica de Chocolate

9

O livro, do escritor britânico Roald Dahl, retrata as aventuras do jovem Charlie Bucket na fábrica de chocolate do excêntrico Willy Wonka. O livro nasceu com base nas experiências de Dahl em seus dias de escola, quando uma grande fábrica de chocolate enviava pacotes para testar a aprovação das crianças durante a década de 1920. A existência de uma fábrica rival e a possibilidade de espionagem da fabricação de produtos criou um sistema de segurança em ambas as fábricas, o que colaborou com o surgimento do mistério envolvendo a produção dos chocolates.

O capítulo deletado:

A versão original de A Fantástica Fábrica de Chocolate tinha um número maior de crianças em sua trama (na versão atual, são apenas cinco ganhadores), e um capítulo destinado ao último personagem deletado. O capítulo apresenta a filha de um diretor de escola que é muito dedicada aos estudos. A garota e seus pais ficam sabendo da existência de uma máquina que mistura cereais cuja ingestão causa pontos vermelhos no rosto da criança por uma hora, de modo que ela possa faltar à aula. A revolta é tanta que os personagens tentam sabotar a máquina.

Se não fosse deletado…

Talvez Dahl tenha considerado o desfecho sombrio demais para um livro infantil. Após descobrir o plano da família, Wonka diz, com seu humor característico, que eles próprios farão parte da mistura. Ele logo emenda dizendo que é apenas uma brincadeira, e que os Oompa-Loompas acompanharão a família para a saída. Mas pouco tempo depois os Oompa-Loompas voltam cantando sobre como os amigos de Miranda vão apreciar seu sabor lá na escola…

dica do Sidnei Carvalho de Souza

“A filosofia é hoje mais importante do que jamais foi”, afirma Peter Singer

0

Em entrevista ao site de VEJA, o filósofo Peter Singer afirma que os avanços da ciência irão tornar as discussões éticas cada vez mais fundamentais, e explica suas ideias sobre vegetarianismo, pobreza extrema e eutanásia

Peter Singer já foi considerado um dos mais importantes e controversos filósofos vivos. Sua ideias chegaram a ser comparadas ao nazismo e o levaram a ser chamado de o homem mais perigoso da Terra. Em 2004, no entanto, ele foi eleito o Humanista do Ano pelo Conselho de Sociedades Humanistas Australiano (Joel Travis Sage)

Peter Singer já foi considerado um dos mais importantes e controversos filósofos vivos. Sua ideias chegaram a ser comparadas ao nazismo e o levaram a ser chamado de o homem mais perigoso da Terra. Em 2004, no entanto, ele foi eleito o Humanista do Ano pelo Conselho de Sociedades Humanistas Australiano (Joel Travis Sage)

Guilherme Rosa, na Veja

O australiano Peter Singer é uma figura rara: um filósofo que atrai a atenção de multidões. Seu livro Libertação animal (Ed. WMF Martins Fontes), de 1975, foi um dos responsáveis por dar início aos movimentos modernos de defesa dos animais, influenciando um enorme número de ativistas do vegetarianismo ao redor do mundo. Ao mesmo tempo, suas ideias sobre a eutanásia também movem um grande público, mas na forma de acalorados protestos realizados em suas palestras. Os atos costumam ser organizados por grupos de defesa dos portadores de deficiência física, que encontram em seus escritos ecos da eugenia nazista.

Professor de bioética na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, Singer analisa questões éticas — como aborto, assassinato, desigualdade e direitos dos animais —, partindo do ponto de vista de que todo ser vivo capaz de sofrer e sentir dor deve ter seus interesses considerados. Isso leva o filósofo a afirmar que o consumo de carne e a maior parte das experiências científicas com animais são moralmente errados. Nos últimos anos, Singer tem se envolvido com uma série de organizações de caridade, a fim de ajudar populações pobres ao redor do planeta. Mas também é esse raciocínio que, levado ao extremo, faz Singer chegar a conclusões chocantes, como afirmar que a vida de um cachorro tem o mesmo valor moral que a de um humano recém-nascido.

Peter Singer esteve no Brasil para participar da série de palestras Fronteiras do Pensamento. Em entrevista ao site de VEJA, afirmou que os avanços científicos fazem com que as questões éticas se tornem cada vez mais importantes e comentou avanços recentes como a carne feita em laboratório, as descobertas sobre a consciência dos animais e o desenvolvimento de inteligência artificial:

1Seus argumentos costumam despertar reações apaixonadas — para o bem ou para o mal. Pessoas que não gostam do que o senhor diz já o chamaram de Dr. Morte, nazista e até de o homem mais perigoso do mundo. Ao contrário, pessoas que gostam de suas colocações já o chamaram de o homem mais ético do planeta. Por que seu trabalho costuma ter esse tipo de resposta extremada? Penso que é porque meu campo de estudo é a ética, e as pessoas têm visões muito diferentes quanto a esse tema. Particularmente, eu sigo a lógica de meus argumentos até o fim, mesmo que as conclusões entrem em confronto com o que diz o senso comum. Uma das coisas de que me chamam é de controverso — e isso é verdade. Isso acontece porque eu afirmo que a visão moral comum está, normalmente, errada. As pessoas não parecem ter realmente pensado no assunto, feito as perguntas éticas fundamentais.

Mas o senhor acha que essas reações surgem simplesmente por causa das discussões éticas gerais ou porque o senhor tem posições firmes em temas como aborto, eutanásia e direitos dos animais? É claro que eu podia discutir a ética no nível das generalidades, nunca atingindo esses temas mais difíceis. Aí, eu não seria controverso. A maioria das pessoas não teria nenhum interesse no que digo, talvez nem me entendessem — exceto outros filósofos. Quando estudamos a ética prática não podemos evitar esses tópicos. Não é possível evitar perguntas sobre vida e morte. Você inevitavelmente terá de questionar: por que matar um ser vivo é errado? É pior matar um ser do que outro? Por exemplo, eu até poderia não ter estudado a ética da nossa alimentação a base de carne, mas isso me pareceria muito estranho, porque eu estudo justamente a ética prática — e comer é algo que fazemos todos os dias.

Por que é importante discutir questões éticas? A pergunta responde a si mesma. Discutir por que alguma coisa é importante já é, em si, uma pergunta ética. Você não pode dizer se alguma coisa é importante se não tiver alguma ideia de valores morais. Se você pensar que o ato de prevenir a morte de um milhão de pessoas de fome é mais importante do que o ato de coçar o seu pé, isso já é um valor ético. A partir daí, você já pode começar a se fazer perguntas éticas: por que tenho esses valores? Será que não existem outros valores melhores? A ética é importante porque, quando pensamos no que devemos fazer e como queremos viver, já estamos fazendo ética. Isso é inevitável. A pergunta importante não é se estamos fazendo ou não ética, mas se estamos fazendo isso do modo certo ou errado.

Quais seriam as questões éticas mais importantes de nosso tempo? Sem dúvida nenhuma, a pobreza global é um dos grandes problemas sobre os quais devemos nos deter. Também penso nas mudanças climáticas — um dos grandes desafios morais que teremos de enfrentar nos próximos dez ou vinte anos. É claro, também tenho que citar o tratamento que damos aos animais, um tema que discuti durante toda minha carreira, mas que ainda é muito importante. Há outros temas que eu devo mencionar, como o risco de extinção da espécie humana — que deveria ser reduzido ao máximo — e a seleção genética, que nos dá a possibilidade de melhorar geneticamente nossa espécie. São questões que estão sendo trazidas à tona neste século, com os avanços científicos.

Então o desenvolvimento da ciência não ameaça tornar a filosofia obsoleta? A filosofia é hoje mais importante do que jamais foi. E os cientistas que pensam que a filosofia não importa certamente não têm um grande entendimento do que é a filosofia. Eles costumam pensar que é possível chegar, de modo científico, aos juízos de valores. Mas não dá para fazer isso a partir de descrições do mundo — que é o que a ciência faz. A descrição do mundo e os nossos valores são duas coisas diferentes. Quando estamos pensando em valores, estamos fazendo filosofia. (mais…)

Divulgado trailer de “A menina que roubava livros”

0

Guilherme Cepeda, no Burn Book

Oito anos após a publicação de “A menina que roubava livros”, o autor Markus Zusak anuncia o primeiro trailer oficial da adaptação cinematográfica do clássico. Dê o play e emocione-se com Liesel, Hans, Rosa, Max e Rudy.

A estreia do filme no Brasil está prevista para janeiro de 2014.

Ex-jogadora de vôlei diz que teve pedido de bolsa de estudos recusado

Aluna de educação física da Unip, Ida publicou desabafo no Facebook.
Unip atende alunos carentes pelo Prouni e diz não ter bolsa para ex-atletas.

Paulo Guilherme, no G1

A ex-jogadora de vôlei Ida (Foto: TV Globo/ Reprodução)

A ex-jogadora de vôlei Ida (Foto: TV Globo/
Reprodução)

A ex-jogadora de vôlei Ana Margarida Álvares, a Ida, medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, publicou na sua página no Facebook um post relatando dificuldades e reclamando de não ter conseguido obter uma bolsa de estudos da faculdade Universidade Paulista (Unip), onde cursa o primeiro ano de educação física na unidade Cidade Universitária, Zona Oeste de São Paulo. A mensagem ganhou grande repercussão nas redes sociais e entre os esportistas.

“Agora que parei de jogar, fui atrás de aprimorar conhecimentos para ampliar minha área de atuação no mercado de trabalho e, mesmo tendo o Cref (certificado em educação física), não fui aceita como bolsista na Unip”, escreveu Ida. “Defendi como jogadora de vôlei, por pelo menos cinco anos, o Colégio Objetivo (da Unip). É triste ver que depois de toda essa dedicação para o esporte, não temos sequer apoio para começar um novo caminho.”

O diretor-geral da Unip, José Augusto Nasr, disse que a instituição oferece bolsas de estudos pelos programas oficiais do Ministério da Educação para alunos carentes, o Prouni (bolsas de estudo) e o Fies (financiamento estudantil), com mais de 50 mil estudantes atendidos. Tem também um programa de bolsas para alunos que são atletas em atividade e competem pela Unip. “Em relação à ex-jogadora Ida, caso ela queira comprovar a situação de carência, a universidade se dispõe a estudar sua situação”, disse o diretor.

Sem trabalho

Ida, de 48 anos, tem em seu currículo, além do bronze nas Olimpíadas de 1996, uma medalha de prata no Mundial de 1994 e no Pan-Americano de 1991. Ela defendeu a seleção brasileira feminina de vôlei por 12 anos.

A ex-jogadora disse ao G1 que fez vestibular no início do ano e entrou em educação física na Unip. Pagou a primeira mensalidade, de R$ 450, e a partir daí passou a buscar contato para obter uma bolsa de estudos. Ela disse que frequentou todas as aulas e fez todas as provas e está com mensalidades em atraso.

A ex-jogadora de vôlei Ida postou um desabafo no Facebook (Foto: TV Globo/Reprodução)

A ex-jogadora de vôlei Ida postou um desabafo
no Facebook (Foto: TV Globo/Reprodução)

“Estou sem trabalho. Dou aulas de vôlei para quatro alunos no Clube Pinheiros. Isso não paga minhas contas. Não estou pedindo a bolsa porque sou a Ida do vôlei, mas porque eu preciso e porque acho que é justo”, disse. “Que universidade não gostaria de ter uma atleta olímpica na sala de aula?”

Ida explicou que depois que parou de jogar recebeu um registro provisório para poder dar somente aulas de vôlei, mas precisa se formar em educação física para ter uma atividade regulamentada em academias e clubes se fizer o bacharelado, ou como professora, caso faça o curso de licenciatura.

Ida alertou que muitos atletas olímpicos passam a ter dificuldades financeiras quando param de jogar. “Joguei até 37 anos. Jogar vôlei é muito fácil, a gente vive dentro de uma bolha com todo apoio possível. O problema é quando para de jogar. A maioria não tem faculdade. Então resolvi fazer educação física. E é justamente nessas horas que a gente mais precisa que as instituições viram as costas.”

A ex-jogadora explicou que o dinheiro que ganhou com o ensaio para a revista Playboy, em 1996, ela usou para comprar a casa própria. “O dinheiro que ganhei na vida inteira não dá para viver com as contas que tenho”, disse a ex-atleta.

Go to Top