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Ex-aluno de escola pública conta como entrou em universidade dos EUA

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Publicado em UOL

Morador de um bairro da periferia na zona norte de São Paulo, Gustavo de Almeida Silva, 17, sonhava em cursar uma universidade no exterior. Aluno de escola pública, aos 13 anos, o estudante foi correr atrás do seu sonho.

Como? Precisava se preparar para o desafio e resolveu procurar meios de melhorar sua formação.

“O mais importante é acreditar. Parece meio clichê, mas é bem isso”, explica Gustavo, que estudou até o 9º ano em uma escola pública no Jaçanã. Ainda no 7º ano, o estudante se inscreveu em um projeto que concede bolsas de estudos em escolas particulares (Ismart).

Aprovado no programa, Gustavo frequentou, além das aulas na escola pública, um cursinho, ministrado em uma escola particular, por dois anos.

A rotina era intensa. “Às 7h, começava a aula no CEU Jaçanã. Quando acabava, eu pegava um ônibus e um metrô. A aula no [Colégio] Bandeirantes começava às 13h50. Depois eu ficava um tempo estudando e só voltava às 19h para casa”, conta.

Com a jornada dupla, Gustavo conhceu conteúdos que seus colegas da escola pública ainda não tinham visto. “Eu vi que muitas pessoas lá queriam prestar vestibulinho. Tive a ideia de dar aulas de reforço. Eu os ajudava e também treinava”, explica.

Depois de concluir o ensino fundamental, Gustavo teve o ensino médio financiado pelo mesmo programa no Colégio Bandeirantes. “Acordava 4h45, porque a escola ficava bem longe da minha casa. Acabava chegando em casa mais cedo, mas tinha muitas tarefas para fazer. Eu tive que me desdobrar”, conta.

O esforço valeu a pena. Neste mês, o aluno recebeu a aprovação na Dartmouth College, prestigiada faculdade norte-americana. Ela faz parte da chamada Ivy League (ou Liga da Hera, em tradução livre), um grupo com oito universidades norte-americanas que se destacam pela tradição e pela qualidade acadêmica.

“O primeiro passo para conseguir a aprovação é ter vontade. Depois ter em mente qual é o seu objetivo e o que você precisa fazer para alcançá-lo”, afirma.

As aulas na universidade só começam em setembro. “No começo, os alunos têm um currículo mais ou menos comum. Só depois que vão se especializando. Eu estou pensando em fazer algo relacionado à sociologia, ciências políticas ou estudos da América Latina”, explica Gustavo.

Depois de passar por toda a experiência, Gustavo conta que faria tudo novamente, mesmo sem a aprovação. “Enquanto eu estava passando por tudo isso, eu tinha noção de que se não desse certo eu não ira me arrepender. Eu estava fazendo algo em que eu acreditava e dei o meu melhor. Independentemente do resultado, eu já estava satisfeito”, conclui.

País tem quase mil escolas com nomes de presidentes da ditadura

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Das 3.135 unidades escolares públicas que homenageiam ex-dirigentes da República, 976 pertencem aos cinco generais que comandaram o regime militar

Busto do ex-presidente Costa e Silva divide espaço com desenhos infantis em pátio da escola municipal que leva seu nome, em Botafogo Agência O Globo / Leonardo Vieira

Busto do ex-presidente Costa e Silva divide espaço com desenhos infantis em pátio da escola municipal que leva seu nome, em Botafogo Agência O Globo / Leonardo Vieira

Gustavo Uribe e Leonardo Vieira em O Globo

RIO E SÃO PAULO – Na Escola Municipal Presidente Médici, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, boa parte dos alunos tem pouco a dizer sobre o general que governou o país de 1969 a 1974. “Minha vó falou que ele era um sanguinário”, conta uma aluna do 8º ano. “O professor de Geografia disse que ele não era uma boa pessoa”, afirma uma colega de sala, de 14 anos, quando perguntada sobre o gaúcho ditador, responsável pelo período de maior recrudescimento à liberdade de expressão na ditadura militar brasileira. Dentro da unidade, porém, há um mural com fotos do homenageado e, segundo professores, o nome do colégio é usado para abordar o assunto em sala.

— Durante a aula, temos que explicar o período Médici deixando que eles tenham o seu próprio olhar sobre o ex-presidente, com senso crítico. Nossa função é fazer o aluno se colocar nesse debate. Explicar a razão da homenagem e contextualizá-la com a época — argumenta Gabriella Fernandes Castellano, professora de História.

Inaugurada em 1975, com a presença do próprio Médici, a unidade em Bangu é uma das 160 escolas públicas de ensino básico e pré-escolar no país batizadas com o nome do ditador. Um levantamento feito pelo GLOBO mostra que há no Brasil 976 colégios municipais, estaduais e federais com os nomes dos cinco presidentes do Regime Militar, de 1964 a 1985 (ficaram fora da conta os ministros da junta que chefiou o país de agosto a outubro de 1969). Só o marechal Humberto Castello Branco, que governou de 1964 a 1967, é homenageado em 464 unidades. Ao todo, o país tem 3.135 escolas com nomes de ex-presidentes.

Tributo ao ‘carrasco de Vargas’

Além dos chefes de Estado, pessoas importantes durante o período também batizam instituições de ensino. Chefe da polícia política durante a ditadura de Getulio Vargas, Filinto Müller foi senador e presidente da Arena, o partido que deu sustentação política ao Regime Miltar. Ele dá nome a dez colégios brasileiros, como a Escola Estadual Senador Filinto Müller, uma das mais tradicionais de Diadema, na Região Metropolitana de São Paulo.

Assim como na unidade municipal em Bangu, onde quase um terço do corpo docente pediu a mudança do nome há cerca de dois anos, parte da comunidade escolar do colégio em Diadema também tentou rebatizar o prédio.

— A comunidade cogitou trocar o nome porque ele teve relação com a ditadura, mas se entendeu que, apesar disso, há uma identidade muito forte em torno do nome e, assim, decidiu-se preservá-lo — explica o professor de História e Geografia Bruno do Nascimento Santos, que lecionou na unidade durante sete anos.

Muitos alunos de Diadema também ignoram o passado do homenageado. Na saída da escola, nenhum estudante abordado pela equipe de reportagem conhecia a história de Filinto, muitas vezes chamado de “carrasco de Vargas”, acusado de fazer prisões arbitrárias e ordenar sessões de tortura. Em 1936, ele foi o responsável pela prisão de Olga Benário Prestes, militante comunista e mulher de Luiz Carlos Prestes, e por sua deportação para um campo de concentração na Alemanha nazista.

— A escola nunca abriu um debate para falar quem foi ele. Não sei, acho que foi um senador — arrisca uma estudante de 17 anos.

A direção da unidade reconheceu, por meio de um comunicado, que não existe na escola um projeto pedagógico específico para tratar sobre a história de seu homenageado.

Por ironia do destino, uma página do Facebook com o nome do colégio, atualizada por professores e alunos, faz uma defesa ideológica ao comunismo tão combatido por Filinto. “Acho que o socialismo talvez possa trazer este acesso à cultura de massa. Fazer como o Mao Tse-Tung fez com a China”, diz a descrição da página na rede social.

Os pais de alguns dos alunos reconhecem que o passado do patrono não é boa influência, mas não veem razão para mudar o nome da escola.

— Os estudantes não sabem disso, já que passou tanto tempo. Acho que um nome não interfere na educação deles — pondera o motorista Samuel de Oliveira, de 45 anos, pai de uma aluna.

O presidente da Comissão da Verdade de São Paulo, deputado estadual Adriano Diogo (PT), planeja apresentar um projeto de lei para modificar o nome da escola pública em Diadema.

— Isso é a eternização da ditadura militar no Brasil. Enquanto não for revisto, a ditadura não acabou — critica ele.

De acordo com a advogada Rosa Cardoso, da Comissão Nacional da Verdade, o tema das escolas com nomes de pessoas ligadas à ditadura militar ainda não foi amplamente discutido. Mas ela garante que a questão fará parte das recomendações ao final dos trabalhos do grupo. A advogada, porém, alerta para os perigos que podem surgir nesse debate.

— Não podemos ter visão totalitária às avessas e mudar nomes só porque são de direita. Mas se houver provas de que são nomes de criminosos, devem ser mudados. E devem ser mudados por movimento da sociedade civil.

A coordenadora pedagógica da Escola Presidente Costa e Silva, em Botafogo, Fabíola Fernandes Martins, é contra a mudança. Inaugurada em 1970, um ano após a morte do marechal gaúcho, a instituição tem, no pátio do recreio, perto de murais com desenhos infantis e uma mesa de totó, um busto do ex-presidente, responsável pelo Ato Institucional número 5 (AI-5), que deu poderes absolutos ao Regime Militar e possibilitou o fechamento do Congresso Nacional. Hoje, 45 anos depois do decreto, Costa e Silva é homenageado em 295 escolas.

Quando a equipe do jornal foi à escola na Zona Sul do Rio, a unidade não estava funcionando, devido à greve de professores, e, portanto, não havia alunos para entrevistar. Mas Fabíola garante que orienta os estudantes a traçar um quadro comparativo do Brasil com regimes de outros países, para que tirem suas conclusões.

— Temos que ter cuidado para não haver uma generalização negativa contra a carreira militar. Procuramos apresentar os fatos históricos, sem contudo, despertar o ódio às Forças Armadas.

Presidente da Associação Nacional dos Professores de História (Anpuh), Rodrigo Pato de Sá Motta enxerga na situação uma excelente oportunidade pedagógica:

— É bom para mostrar que escola também é espaço de disputa política e aproveitar para politizar um pouco mais as aulas. A decisão de mudar o nome passa pela comunidade escolar. Mas não adianta nada mudar o nome e todos continuarem sem saber quem foi a pessoa. O mais importante é fazer a discussão — argumenta o professor de História da UFMG.

dica do Ailsom Heringer

“10 livros para idiotas [?]” e 1 texto para o maior deles – #ARTIGO RESPOSTA

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Gustavo Magnani, no Literatortura

*este é um ARTIGO RESPOSTA. Leia na íntegra e entenderá que eu não ataco os livros, mas os defendo.

Ontem foi publicado um texto na revista bula [de quem sou seguidor e admirador, pra constar] ao qual os colaboradores do literatortura trouxeram ao nosso grupo, para discutirmos. Não demorou muito, então, para eu receber os links direto dos leitores, abismados com tanta bestialidade bobeira em um único artigo de teor cultural. E veja você, leitor, que poucas vezes aqui usamos palavras sem volta, de teor ofensivo ou pesado, prezamos pelo bom senso, equilíbrio e boa argumentação nas matérias cá escritas. Se por vezes erramos? Naturalmente, mas jamais com a intenção de soar pretensioso ou ofender uma classe, enquanto olhamos de cima, desprezando-a.

Foi isso, porém, que fez o publicitário que escreveu o respectivo artigo: 10 livros para idiotas, repleto de falácias, ignorância teórica (e humana, por que não?) da área e uma pretensão, hum, que não faz jus ao conhecimento aplicado no artigo: por isso o título, que espelha a infeliz afirmação do autor que, por sair conclamando idiotice à torto e à direito, acaba apontando pra si mesmo o que tanto condena. – eu questionei, também, se o texto não seria uma sátira, uma grande ironia… e não [o autor até pode vir a dizer algo do gênero, para amenizar a discussão, mas não há pistas pra tal interpretação. O texto não é falacioso pra ser irônico, é falacioso porque é falacioso mesmo]

Diferente do autor de lá, não quero bater o martelo aqui e concluir a discussão que apontarei, pelo contrário, quero apenas enriquece-la e apontar, dentro da fala originária, os erros, contradições e furos que ele cometeu ao conclamar idiota milhões de pessoas – por pura aleatoriedade.

Antes disso, citarei aqui a introdução do autor (mas você pode acessar o texto na íntegra e ler aqui, enquanto vai lendo lá:

Está enganado quem acha que idiotas não leem. A verdade é que boa parte da literatura está voltada para eles, que tratam de transformar autores sem talento em multimilionários. Acontece desde antes do tempo em que seu bisavô era criança. Antes disso, Schopenhauer já dizia que “quem escreve para os tolos encontra sempre um grande público”.

Também é notado que não só os livros ruins conseguem leitores idiotas. Clássicos da literatura, alguns dos livros mais brilhantes já escritos, também carregam esse fardo. Nesta lista, elejo os 10 maiores livros para idiotas, que chamam de burro quem fala “indiota”, mas citam “Harry Potter” como um dos melhores livros já escritos na história.

O teor de verdade absoluta tá aí, deu pra sentir, não? “autores sem talentos em multimilionários”. Tem a citação de um autor renomado (Schopenhauer) – fora de contexto, pra melhorar -, que supostamente corrobora a afirmação, né, pra mostrar como ele encontra base nos gênios. E aí começa a ficar ainda mais legal, pois o autor entra no terreno dos clássicos, trata de escrever um deboche sutil (“indiota” e Harry Potter”) e parte pra lista.

Antes de dissecar, um por um, os livros que ele traz, vou deixar claro que: é óbvio que existem idiotas leitores, como existem idiotas cinéfilos, idiotas fazendeiros, idiotas políticos, idiotas sacerdotes e, pasmem, idiotas publicitários. Isso é algo inerente a estar no mundo, a existir. Sempre terão idiotas. Em todos os lugares. Em todas as classes. Em todas as atividades. Todavia, isso não limpa a barra do autor, pois ele não vai por esse lado, mas para o lado de conclamar a idiotice de todos os leitores que ele cita, sem chance de questionamento ou reflexão. Aponta sua arma e pimba!

E o que torna tudo isso ainda mais abismal é que não há lógica definida em seu texto, nem lógica interna [de raciocínio, mesmo], nem amparada em qualquer escola de crítica literária. Nada. Há um bocado de falácias, ao qual, tentarei tratar aqui, à pedido do nosso querido leitor, que sempre envia mensagens desejando saber sobre nossa opinião em cima de determinado fato, matéria. E aqui já aproveito para dizer que não há nada pessoal contra o autor do texto base, obviamente.

Antes da lista, dou a palavra para a linguista e colaboradora Cecília García dar uns pitacos técnicos:

“O que foi dito a respeito do valor dos livros tem, inclusive, um equivoco de concepção de letramento. O conceito de sujeito letrado abrange, por exemplo, como um indivíduo lida com o hábito da leitura. Isto é, ler é um hábito adquirido, que tem passos e etapas. Isso significa que, basicamente, (quase) ninguém sai do “Meu pé de laranja lima” para um Ulysses de uma hora para a outra. Existe um processo, uma escada. Livros com a forma mais fácil – como é o caso das sagas adolescentes – são alguns destes degraus e colaboram para que o indivíduo crie o hábito de sentar, ler, manusear o livro, entender a capa, a organização de capítulos. Tudo é letramento e, tendo este hábito cultivado, é mais fácil mediar o processo até os livros de maior valor acadêmico. Todo leitor precisa passar por este processo – na escola, com os pais, os amigos, a avó, enfim. Ler Crepúsculo também é letramento, por mais que haja muita divergência acadêmica sobre seu real valor enquanto arte literária. Só a arte literária e ela por si só não compõem o letramento de ninguém nem tornam ninguém proficiente na leitura”

10- O morro dos ventos uivantes e a contradição que marca toda a falácia do artigo

[10 livros para idiotas – o link do artigo que eu rebato, pra você acompanhar.]

Existe uma contradição tão notável que já deixa perceptível que a matéria ali é totalmente pessoal e sem nenhuma apuração técnica, visto que, ao longo do texto inteiro, é dito que “best-sellers” não servem para nada, mas quando um deles (crepúsculo), cita O Morro dos Ventos Uivantes, de repente, como quem não quer nada, o autor acha ruim (!) que Stephenie Meyer tenha disseminado um clássico (!!!!!), mas… não era esse o ponto da idiotice dos best? que eles não disseminam nada de “útil”?

E depois, o publicitário reclama do fato da capa de uma reedição do livro constar “O livro favorito de Bella e Edward da série Crepúsculo”, ora, eu também achei isso terrível, do ponto de vista de leitor de clássicos. Agora, do ponto de vista mercadológico, foi a referência encontrada pela editora para poder vender a obra.

“Acontece que a memória do clássico de Ellis Bell, pseudônimo da britânica Emily Brontë, está sendo perturbada nos últimos anos.”

Perturbada pelo quê exatamente? Por ser lida…? Ah sim, pois deveria repousar em berço esplêndido e apenas leitores sábios, direcionados, terem a chance de ler a obra. Entendi.

9- “Inferno”, Dan Brown.

Essa eu faço questão de citar na íntegra:

“Inferno”, o mais recente livro do autor best-seller Dan Brown, é a perfeita definição de “mais do mesmo”. O autor escreveu seis livros; são meia dúzia de histórias iguais com panos de fundo diferentes. Só muda o tema (às vezes nem isso) e as informações pesquisadas. Seus livros possuem personagens sempre iguais, superficiais e ordinários. Dan Brown é um autor para se ler de vez em quando, para relaxar a mente, não ter compromisso algum. Adorar Dan Brown é, digamos… idiotice.

A inconsistência argumentativa é, mais uma vez, notável. Há uma descrição bastante comum do que é Dan Brown e do que se trata sua obra – a qual eu não posso falar por mim, pois nunca li um livro dele -, e no final a conclusão de que quem adora Dan Brown é idiota. mas, nesse meio termo existe uma defesa, um “lado positivo”, que ler pra relaxar a mente não tem problema. Ora, existe aí quase uma vergonha em admitir que gosta de ler os textos do Dan.

“ah… eu leio sim… mas só pra relaxar a mente, né? Ah… Se eu comprei na pré-venda, com o dobro do preço, tenho edição especial, vou na pré-estreia dos filmes? ah… só pra relaxar a mente”

Isso pra não cair no mérito da “adoração”. Até parece conspiração religiosa. Vixi, aí já virou trama do Dan Brown e não pode, pra não sermos idiotas.

8-Assim Falou Zaratustra (Friedrich Nietzsche)

Vamos na íntegra, que é curtinho.

Um exemplo de um livro e escritor genial que é lido por um grande público idiota. Nove entre dez idiotas que querem falar sobre filosofia citam Nietzsche. A razão, confesso, desconheço, mas o fato sempre me incomodou. Talvez seja pelo seu conhecido ateísmo. Existe muito ateu fanático atualmente. Quer algo mais idiota?

tem até dados do Ibope ali. Nove entre dez. E daí que nove entre dez que vão falar de filosofia citam Nich? O que isso tem a ver com “Assim falou zaratustra”, confesso, desconheço, mas o fato me incomodou.

7-A Hora da Estrela (Clarice Lispector)

Ainda acaba que, por isso (popularização nas redes sociais), muita gente se interessa e busca conhecer os autores. O livro oficial desse público é “A Hora da Estrela”, muito porque o livro não chega nem a cem páginas. Esse status pop de Clarice Lispector se elevou ainda mais, recentemente, entre o público adolescente no Brasil por causa do seriado Malhação. Uma das personagens costumava soltar frases aleatórias e remetê-las a Clarice. “Então a anta pisca o olho e os burros vem atrás” — Fatinha Lispector.

Se ele admite que muita gente se interessa e BUSCA os livros (algo que eu nem sei se realmente acontece), por que, então, partindo do pressuposto estabelecido, isso é ruim? Que seja 100, 200 páginas, porque é ruim, eu não entendi. E a crítica velada de que “A Hora da Estrela” é só o livro preferido por ter 100 páginas, desmerece um pouquinho uma das obras mais aclamadas de Clarice, não?

Outra coisa interessante é citar a personagem de Malhação. E agora agradeço por ter televisão na academia, porque eu me lembro exatamente de uma citação de Clarice, onde, pra mim, pareceu muito mais ironia/piada dos roteiristas do que algo a ser levado a sério. Faltou um tiquinho de interpretação aí, também. Quem diria, em…

Para você ver como era tudo uma ironia, brincadeira das roteiristas, pode clicar aqui, ou só acompanhar o diálogo que eu transcrevi de uma das cenas do vídeo, e você verá:

Fatinha: ”Como diria Clarice Lispector: pau que nasce torto nunca se endireita”

Menino: não viaja

Menina: Fatinha, essa frase não foi da Clarice Lispector, não. Essa é de uma letra do “É o tchan”

Vale se informar antes de sair atirando pro lugar errado, ou, caprichar na interpretação.

6 — Saga Crepúsculo (Stephenie Meyer)

Tanto já se disse sobre “Crepúsculo” que falar mal já virou clichê, mas uma saga que mistura história de monstros com romance platônico e que, incrivelmente, consegue ter seus livros entre os mais vendidos do mundo por anos, merece um lugar cativo entre os maiores livros para públicos idiotas.

existem inúmeros motivos pra questionar a qualidade literária de Crepúsculo, mas o autor não concede nenhum, pra que, né? TUDO IDIOTAA!!

5 — O Retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde)

um fator inusitado está seduzindo boa parte dos leitores do autor irlandês: a homossexualidade […] O que se vê ultimamente é um culto à memória de Wilde mais pela sua herança de mártir do que pela sua capacidade intelectual. E não é incomum ouvir palavras proferidas por seus personagens na boca de seus leitores sem nenhum traço de personalidade.

Veja como a matéria não possui nem lógica interna. O Retrato de Dorian Gray, segundo o autor, figura entre os seus 10 livros para idiotas. Mas a crítica dele é dirigida aos leitores “sem nenhum traço de personalidade” …? Falta nexo, falta coerência, falta tato literário, falta sentido. Só não falta ataque gratuito e presunção.

4 — Justin Bieber: A Biografia

Biografias geralmente não são grandes obras literárias e o que se pode dizer da biografia de, na época, uma criança de 16 anos? Biografias deveriam ser feitas apenas para grandes personagens da história na maturidade ou fim de suas vidas, pois praticamente toda sua estória já estaria escrita. Acontece que, para se aproveitar dos milhões de fãs idiotas que possui, Justin Bieber decidiu fazer mais dinheiro e lançar um livro sobre seus 16 anos de vida. O que me deixa horrorizado é que nem sempre são crianças que compram esse tipo de livro.

Eu acho um absurdo Justin ter lançado uma biografia com 16 anos? Lógico. provavelmente ele não viveu nem 1/4 de sua vida. Porém, chamar seus milhões de fãs de idiotas é de um ataque ridículo. Minha prima de 10 anos era uma idiota por ler um livro de 300 páginas, então? Será mesmo? 10 anos.

3 — Porta dos Fundos / Não faz Sentido: Por Trás da Câmera

De sensações do Youtube para escritores best-sellers, os comediantes do Porta dos Fundos e o vlogger Felipe Neto parece que decidiram aventurar-se em novas mídias para fazer um pouco mais de dinheiro explorando seu enorme público idiota. Pessoalmente, acho que eles estão certos mesmo, errado está quem gasta seu dinheirinho com um livro que não acrescentará nada a sua vida.

Esse elitismo literário, crendo que só “grandes obras” devem ser publicadas e circular pelas livrarias, é o que afastou e continuará afastando as crianças, os jovens, o grande público, da literatura. Esse pensamento é vexatório, totalmente preconceituoso e soberbo. Além disso, o autor diz que “errado está quem gasta seu dinheirinho com um livro que não acrescentará nada a sua vida”, mas admite que ler Dan Brown “pra relaxar” pode. Ora, ora, ora…

2 — Kafka para Sobrecarregados (Allan Percy)

“Livros de autoajuda já são, essencialmente, destinados a pessoas idiotas”

Não vou citar o resto. Parei por aí. Eu, Gustavo Magnani, detesto autoajuda, mas conheço pessoas de uma inteligência absurda que são leitoras assíduas do gênero. Além de que, a dona de casa, a mulher que trabalhou o dia inteiro, o pai que chegou do serviço, o pai que cuidou do filho, eles que querem só sentar, ler um livro “fácil”, “didático”, eles são idiotas? Sério mesmo?

A conclusão é de que, então, um leitor de autoajuda está destinado a idiotice suprema e irremediável. Me assusta, realmente me assusta, pessoas que supostamente leem tanto, terem uma visão tão preconceituosa, fechada, limitada, como se tudo precisasse encaixar nos seus parâmetros de vida e inteligência. O problema não é da autoajuda, não, o problema é a falta de ajuda que esses seres tiram dos clássicos que tanto veneram – muitas vezes sem a menor noção do que realmente estão lendo.

1 — Cinquenta Tons de Cinza (E.L. James)

“Sim! Ele ainda reina soberano entre os (a) idiotas do mundo.”

Não se preocupe, há um candidato a ocupar esse trono, autor.

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Por que eu fiz questão de tratar ponto por ponto? Para mostrar que não, nenhum leitor é idiota por ler determinado livro, seja erótico, seja biográfico, seja autoajuda, seja lá o que for.

adj. 2 g. s. 2 g.

1. Que ou quem se mostra incapaz de coordenar idéias. = ESTÚPIDO, IMBECIL, PARVO, PATETA

2. Que ou quem denota estupidez. = ESTÚPIDO, IMBECIL, PARVO, PATETA

3. Que ou quem apresenta idiotia. [retirado de priberam]

Acredite, você não é incapaz de coordenar ideias por ler 50 tons de cinza, crepúsculo, porta dos fundos. Essa crença de que todo livro precisa acrescentar, diretamente, algo palpável em sua vida, é conto da carochinha. A literatura não foi feita pra ser uma caixinha de conhecimento facilmente codificado: “olha só, aqui eu li 1984 e não serei mais manipulado pelo governo!!!”… vai nessa, bobinho.

Aprendi [sabe quando alguém define algo que você sente, mas nunca conseguiu definir, expressar?] em uma aula sobre Bakhtin, com um dos melhores professores que já tive, que, primeiro, a arte deve ser sentida. É você e ela, amigo. No livro, é você ali, sentado, deitado, em pé, encurvado, e ela, sempre disposta, a te entregar emoção. Pode ser Dostoiévski, Machado ou Rowling. O sentimento é entre você e o livro. A técnica, o “CONHECIMENTO” são secundários, bem vindos, mas secundários. Um romance pode conter a sabedoria do mundo, mas se ele não for um bom romance, não será bem recebido pelo leitor [e quando falo de bom romance, é de uma forma abstrata. bom romance pra você é diferente de bom romance pra mim].

A recepção da obra pelo indivíduo, é muito mais importante para ele, como Ser, do que a análise crítica de tal livro. A crítica fica pra gente, que ama e adora esse assunto [sim, eu me incluo, pois por mais que defenda a suma e máxima importância da recepção individual, sou um grande aficionado por teoria e crítica literária. Porém, esse sou eu, é um adendo que funciona PRA MIM e pode não funcionar pro Zé – e não, não é de extrema importância que o Zé tenha noção das ferramentas teóricas. É de extrema importância que o Zé seja confrontado, tirado do lugar comum, emocionado. ISSO é importante. Acima de qualquer coisa.]

Quantas histórias você já não ouviu de livros que, literalmente, mudaram a vida das pessoas? Pode ter sido Os Sofrimentos do Jovem Werther, O Apanhador no campo de centeio, ou A Cabana, Kairós, Ágape. E como se mede isso? Como se mede o impacto que um livro pode ter na vida de uma pessoa, por pior que o livro seja para você? Qual a importância disso perante a interpretação da ironia machadiana?

Nós, que amamos teoria e clássicos, não devemos, de maneira alguma, subirmos num pedestal e lá de cima julgarmos os incultos leitores de best-seller, pois pareceremos bestiais, presunçosos, tolos… idiotas: incapazes de coordenar idéias.

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p.s: para deixar claro – por que eu me dei ao trabalho de escrever um artigo sobre o assunto, você pode se perguntar. Bem, tanto pela interessante discussão que tivemos no grupo, quanto pelo pedido dos leitores, quanto pela reação nos comentários da matéria, quanto pelo alcance e, principalmente, pela paixão em discutir literatura e a cultura em questão: Bakhtin neles!

p.s2: não quis, de maneira alguma, ofender pessoalmente o autor do texto, apenas confrontar suas ideias.

Games em bibliotecas podem incentivar a leitura, diz pesquisa

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Conclusão é de um estudo realizado por uma associação de mídia dos Estados Unidos

João Gustavo Reva no TecMundo
Games em bibliotecas podem incentivar a leitura, diz pesquisa
                         (Fonte da imagem: Reprodução/The New York Times)

Nos Estados Unidos, já existem bibliotecas que oferecem não apenas livros e filmes, mas também jogos e consoles de última geração, conectados a televisores para serem utilizados no local. Uma pesquisa realizada pela organização de mídia NPR chegou à conclusão que esse tipo de oferta não só aumenta o tempo de permanência das pessoas, mas também a quantidade de livros emprestados por elas.

De acordo com Sandy Farmer, uma das diretoras da Biblioteca Pública de Houston, a circulação de publicações aumentou de 15% a 20% desde que a instituição adquiriu consoles portáteis e de mesa, além de algumas dezenas de games, para experimentação no local. O crescimento ocorreu, principalmente, entre as crianças e adolescentes, que passaram a emprestar mais quadrinhos e livros infantis.

Já a BiBlioteca Pública de Nova York criou um programa chamado NYPLarcade, que não apenas incentiva o consumo de games como também a discussão sobre os títulos. Os papos vão além de estratégias para jogar melhor e chegam até mesmo ao caráter de desenvolvimento deles, além dos temas que abordam e de que forma os títulos são capazes de ensinar lições. Aqui, também, crianças e adolescentes constituem boa parte do público.

Keri Adams, bibliotecária da BiBlioteca Pública de Nova Jersey Johnson, afirma que a criação de um espaço sadio e controlado para os pequenos terá grande influência na formação deles. Aqui, porém, vale uma regra: nenhum jogo com censura acima de 17 anos está permitido.

Via BJ

Porta dos Fundos lança livro com base em seus roteiros

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Thalles Libânio, no Vá ler um livro

O canal online, Porta dos Fundos, com temática humorística, já tem estimativa de ganho de, aproximadamente, R$ 3 milhões, só neste ano, através de participações em filmes, campanhas publicitárias e programas de TV.

Portas dos Fundos é um grupo que reúne tudo de mais criativo, por exemplo, eles produzem conteúdo audiovisual voltado para a web, com liberdade editorial de internet e qualidade de TV.

Tem como elenco: Antônio Pedro Tabet, Clarice Falcão, Fábio Porchat, Gabriel Totoro, Gregorio Duvivier, Gustavo Chagas, João Vicente de Castro, Julia Rabello, Leticia Lima, Luis Lobianco, Marcos Veras, Marcus Majella e Rafael Infante.

Entre suas conquistas, mesmo com menos de um ano de existência, a Porta dos Fundos venceu o prêmio de Melhor Programa de Humor para TV, da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), e foi o primeiro canal brasileiro a atingir a marca de 1 milhão de inscritos em um curto período de tempo.

O grupo divulga mais uma grande novidade. Os roteiros dos vídeos serão adaptados em livro, através da Editora Sextante. Os roteiros já confirmados são: Na Lata, Traveco da Firma, Término de Namoro e Entrevista de Emprego. A adaptação terá 240 páginas e com data de lançamento para quarta-feira, 07 de agosto, com noite de autógrafos, dos integrantes, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, São Paulo.

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