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Como ajudar seu filho a ser um apaixonado pelos livros

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Se os pais gostam de ler, a tendência é a criança desenvolver esse hábito também desde cedo. Veja mais dicas

Paula Strange, na Gazeta Online

Quando a gente vê uma criança com os olhos vidrados na telinha do celular ou do tablet, imagina que deve ser difícil convencê-la a abrir um livro. Felizmente, vemos por aí uma garotada que mal aprendeu a ler e já ama literatura.

São meninos e meninas que descobriram cedo a companhia dos livros e se divertem com doces personagens, como porquinhos, lobos, princesas e dragões. Um universo que aprenderam a explorar desde bebês, graças a seus pais e professores.

A pequena Maria Clara fazendo leitura com seus pais, Letícia Nalin Lemos e Luis Gustavo Britto Vieira

Contadora de histórias há 15 anos, Dalisa Miranda garante que as páginas são capazes de encantar bebês de colo ainda. “Até os dois anos e idade, contamos historinhas com enredos bem simples e até sem enredo. Basta ter um livro com ilustrações interessantes e caprichar na entonação”, diz ela, que atua em escolas de educação infantil em Vitória.

Imaginação

Nem sempre é preciso ter um livro em mãos, segundo Dalisa, para envolver os pequenos nesse mundo de imaginação: “Os adultos podem usar histórias que já conhecem e incrementá-las como quiserem”, indica.

Não é de hoje que médicos receitam livros para os pequenos pacientes. Em 2015, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou uma campanha para divulgar a importância da leitura para o desenvolvimento infantil, divulgando evidências científicas sobre o impacto desse hábito na vida das crianças.

No ano passado, o jornal “Pediatric Academic Societies Meeting” publicou uma pesquisa que apontou que a proximidade das crianças com os livros ainda na primeira infância pode aumentar as habilidades delas com o vocabulário e a leitura nos anos seguintes.

Para o jornalista e escritor infanto-juvenil Vitor Lopes, a leitura é um exercício bom para ser praticado em família mesmo. “Crianças cujos pais leem têm de tudo para se tornarem leitoras”, afirma ele, autor de “Encolhe, tempo”, lançado em 2011 e que teve mais de 20 mil exemplares vendidos.

Os adultos, diz o autor, não devem subestimar os pequenos leitores. “Eles gostam de bons conteúdos, independente da idade. Não dá para enganar a criança, que têm que ser tratada com respeito intelectual. O livro não precisa ter um texto bobo, infantiloide. O ideal é que tenha palavras que ela não conhece. Porque é um desafio mesmo. A arte é feita para desafiar. Isso desde cedo. O livro prepara para a vida!”, destaca.

Na casa da Maria Clara, de 9 anos, os livros têm um lugar especial. “Antes de nascer ela já tinha livros! Livro de morder, de levar para o banho… E ela foi se habituando e foi uma das primeiras da turma a aprender a ler”, conta a mãe da menina, a arte-educadora Letícia Nalin Lemos, 40 anos.

Mesmo livrinhos de tecido ou borracha já ajudam a criança a descobrir o prazer de ler e ouvir histórias, segundo Lopes: “Há bons livros de banheira, com boas ilustrações, cheios de cores. Parece simplório, mas não é”.

O importante é estimular de várias formas o contato literário. “O livro tem que estar presente em casa, mesmo que seja para decoração, um objeto para ficar visível”, sugere o escritor.

Acesso

“Maria Clara sempre teve livros à disposição, tudo que a gente entendia que era importante para a vivência dela. Achamos que a leitura é importante para o lado cognitivo, ajuda na formação da cidadania, no imaginário, a ter opinião, ganhar argumentos”, comenta o pai, o servidor público Luis Gustavo Britto Vieira, 35 anos.

“Gosto muito de ler! E cada dia tem que ser uma história diferente”, diz o esperto Nycolas que, aos 6 anos, já tem uma coleção de livros em casa.

 

É uma exigência que os pais dele não hesitam em atender. Por isso, todas as noites, antes de ir dormir, tem historinha. Todas as noites mesmo! Até o último dia do ano, Nycolas terá escutado 365 histórias diferentes.

“Às vezes, estamos muito cansados e falamos que é para deixar pra outro dia. Mas o Nycolas vai para o quarto chorar e só para quando vamos lá fazer a leitura”, conta a mãe do menino, Sandra Canal, que é professora de educação especial e diretora de uma escola em Pedra Azul, Domingos Martins.

Sandra e o marido, o eletricista e instrutor de rapel Naudimar Fernando, se revezam na tarefa. Acontece também de os dois irem juntos para a sessão de leitura com o pequeno. “Aí, um lê a história e o outro fica ouvindo”, diz a professora.

No ano passado, eles leram 260 histórias para o filho. “Queremos bater o recorde este ano. O Nycolas é quem escolhe as histórias. Pego livros na biblioteca da escola onde trabalho. E tem que ser sempre um novo. Ele não aceita história repetida!”, conta a mãe.

Incentivo

A hora da historinha na cama é um momento especial para toda a família. “Ele ‘abraçou’ essa ideia desde pequeno, e a gente incentiva”, comenta Naudimar.

Nem ele nem a esposa tiveram esse contato íntimo com livros na infância. Oportunidade que eles se orgulham de poder dar ao filho único. “Tenho certeza que ele vai gostar de ler quando for adulto. É um hábito que está se perdendo. O que vemos hoje são as tecnologias no lugar dos livros. Há crianças viciadas. Nycolas tem tablet, adora joguinhos. Mas tem dia e hora para usar”, afirma Sandra.

 

Dicas

Colecione livros e benefícios

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, entre os benefícios da leitura na primeira infância estão:

Fortalecimento do vínculo da criança com quem lê para ela

Desenvolvimento da atenção, concentração, vocabulário, memória e o raciocínio

Estímulo à curiosidade, imaginação e criatividade

Ajuda a criança a perceber e a lidar com os sentimentos e as emoções

Auxilia na boa qualidade do sono

Estimula o desenvolvimento da linguagem oral

Solte seu lado artista

Não basta ler um livro. Ao contar uma história, capriche na entonação, na empolgação. Imite os sons dos bichos, faça vozes diferentes para cada personagem ou cada emoção nova, gesticule bastante, cante se for preciso. Invente as próprias histórias. Bebês e crianças pequenas precisam disso para se atentar na história

Tenha livros em casa

Estudos mostram que quantos mais livros a família tiver em casa, mais desenvolvida será a linguagem da criança no futuro. E não é só ter livros em casa, mas mostrar ao filho que todos leem. Ele tende a seguir o exemplo

Estimule a leitura

Pais que têm livros em casa e os lêem já dão exemplo. Mas vá além: leve a criança para visitar bibliotecas e livrarias. Leve-a para assistir uma contação de histórias com outras crianças

Menos tv, celular e tablet

Não que seu filho não possa ter contato com essas tecnologias. Mas estabeleça um limite para o uso delas, com dia e hora certos. Ofereça livros diferentes sempre que possível, mostre como eles são interessantes. Ou use a tecnologia a seu favor: o tablet pode conter e-books incríveis

Dê livros de presente

Em vez de só comprar brinquedos, que tal presentear também com livros. Uma dica legal também são os serviços de assinatura de livros para crianças, que enviam os exemplares de acordo com a faixa etária dela

Crie rotina de leitura

Mesmo que seu filho seja um bebê, crie o hábito de ler sempre para ele. À medida que for crescendo, estabeleça momentos para a leitura em família: pode ser no café da manhã, antes de ir dormir

Sem pressão

O momento da leitura tem que ser prazeroso. Não force a criança a ler um livro porque você acha que ela tem que ler. Vá com calma. Respeite o gosto dela por determinados temas ou gêneros de leitura

Os seis conselhos de George Orwell para escrever melhor

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Edições do livro ‘1984’ na Feira do Livro de Hong Kong. Aaron Tam / AFP

Escritor os incluiu em ensaio publicado em 1946, em que criticava principalmente a linguagem política

Jaime Rubio Kancock, no El País

Normalmente se diz que não há regras para escrever bem. Mas não é verdade. Ajuda ter em mãos, por exemplo, as seis normas propostas por George Orwell. Seu filho, Richard Blair, as lembrou em uma entrevista feita por Bernardo Marín e publicada há alguns dias pelo EL PAÍS.

1. Nunca use uma metáfora, comparação ou outra frase feita que esteja acostumado a ver escrita.

2. Nunca use uma palavra longa se pode usar uma curta que signifique o mesmo.

3. Quando possível eliminar uma palavra, sempre elimine.

4. Nunca use a voz passiva quando puder usar a ativa.

5. Nunca use uma expressão estrangeira, una palavra científica ou um termo de jargão se puder pensar em uma palavra equivalente em seu idioma que seja de uso comum.

6. Descumpra qualquer uma dessas regras antes de escrever algo que pareça estúpido.

Orwell as incluiu em um ensaio intitulado Politics and the English Language (A Política e a Língua Inglesa), publicado em 1946 na revista Horizon. O artigo criticava principalmente a linguagem política, mas seus conselhos podem ser aplicados a qualquer texto. Por exemplo, o The Guardian o citou há alguns anos para criticar como escrevemos na internet. E também pode servir para qualquer idioma, apesar de o ponto 4, o que se refere à voz passiva, ser aplicado com mais frequência no inglês.

Para o autor britânico, essa preocupação com a linguagem não é nem “frívola” nem exclusiva dos escritores profissionais. Quando alguém se livra dos maus hábitos ao escrever, “pode pensar com mais clareza, e pensar com clareza é o primeiro passo para a regeneração da política”.

Tópicos imprecisos

Na opinião do autor britânico, são dois os problemas principais de muitos textos: as imagens banais e a falta de precisão. Quando escrevemos temos que deixar que “o significado escolha a palavra, e não ao contrário”, afirma. Tem que se fazer um esforço e pensar antes de começar a juntar letras, para evitar assim “as imagens desgastadas ou confusas, todas as frases pré-fabricadas, as repetições desnecessárias e os enganos e imprecisões”.

Nos textos que critica se acumulam “metáforas moribundas”, que foram tão usadas que perderam seu significado. Pensemos, por exemplo, em “enlouquece as redes sociais”. Outro vício habitual, segundo Orwell, é o de usar termos pretensiosos com a intenção de “dar um ar de imparcialidade científica a juízos tendenciosos”, além de “palavras que quase carecem de significado”.

Por exemplo, termos como democracia, socialismo e liberdade, que normalmente são usados com “significados diferentes que não se podem reconciliar entre si”. Não é o mesmo ler informação sobre notícias falsas em um texto do The New York Times e declarações de Donald Trump, que se apropriou dessa expressão, fake news, para classificar todas as manchetes de que não gosta.

Paradoxalmente, outra palavra que não significa o mesmo de acordo com quem a utiliza é “orwelliano”, usada por “críticos de todos os lados”, como publicou o The New York Times em um artigo que mencionava que esse texto, é, junto com 1984 e A Revolução dos Bichos, um dos mais influentes de Orwell.

George Orwell pensando em se seguir suas cinco primeiras normas ou apostar em a sexta Getty Images

Defender o indefensável

Como já apontamos, Orwell se preocupava principalmente em como eram mal escritos os textos políticos, algo que não podemos dizer que tenha mudado muito. Orwell cita exemplos que parecem muito atuais, como falar de “pacificação” quando “se bombardeia povoados indefesos pelo ar” ou de “transferência de população” quando “se despeja milhões de camponeses de suas terras”.

“Um orador que usa essa classe de fraseologia tomou distância de si mesmo e se transformou em uma máquina” que tenta “defender o indefensável”, escreveu Orwell. O que consegue é que “as mentiras pareçam verdadeiras, e o assassinato, respeitável”. Como recorda Steven Pinker em The Sense of Style, essa abstração tão vaga acaba desumanizando.

Quatro perguntas

É fato que escrever mal é fácil: não precisa se preocupar como nos expressamos, basta escolher expressões do catálogo de frases feitas. Mas também leva a que os textos sejam desagradáveis e ineficazes.

Por outro lado, um escritor cuidadoso se fará ao menos quatro perguntas antes de redigir qualquer texto:

– O que quero dizer?

– Quais palavras expressam isso?

– Qual imagem ou expressão deixa mais claro?

– Essa imagem é suficientemente nova para fazer efeito?

E talvez mais duas:

– Posso ser mais breve?

– Disse algo feio que é evitável?

Orwell e a pós-verdade

Os seis conselhos de Orwell para escrever bem são muito conhecidos, mas ultimamente se fala bem mais de outro texto de Orwell: o romance 1984, publicado em 1949, três anos depois de A Política e a Língua Inglesa. O clássico sempre foi popular (a primeira adaptação cinematográfica foi feita em 1956), mas nos últimos meses foi bastante citado em referência à pós-verdade e às notícias falsas. Um exemplo: esse fragmento que poderia explicar a diferença entre uma mentira e uma pós-verdade.

Aqui, a palavra-chave é preto-branco. Como tantas outras palavras da novilíngua, também esta tem dois sentidos antagônicos. Aplicada a um opositor, significa o hábito de afirmar sem pudor que o preto é branco, contrariando a evidência dos fatos. Aplicada a um membro do Partido, designa a lealdade diligente em afirmar que o preto é branco quando a disciplina do Partido assim exige. Mas significa também a capacidade de acreditar que o preto é branco, e mais ainda, de saber que o preto é branco, e esquecer que alguma vez se tenha pensado o contrário. Isso implica a constante alteração do passado, só possível pelo sistema de pensamento que na verdade abarca todo o resto, e que se designa na novilíngua pela palavra duplipensar.

“Ler mais” é uma das suas resoluções de ano novo? Veja essas dicas

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“A Quiet Half Hour”, quadro de 1876 feito pelo britânico Lionel Charles Henley.

Rodrigo Casarin, no Página Cinco

Emagrecer. Melhorar a alimentação. Beber menos. Estas com certeza estão entre as principais resoluções para qualquer ano novo – e há décadas me acompanham a cada virada. Outra que costuma figurar na lista de muita gente é “ler mais”. Impressiona a quantidade de pessoas que reconhecem o valor da leitura, mas não dedicam tempo algum de seu dia – ou semana – à prática. Pensando nesse povo que listei as cinco dicas abaixo (que poderiam ser resumidas a “coloque a bunda no sofá e leia” e “seja senhor das suas escolhas”):

Crie o hábito: ler exige algum esforço e concentração, então é preciso que se crie o hábito da leitura (não tem jeito, de algum modo a atividade terá que estar entre suas prioridades, se não sempre haverá alguma desculpa para não ler). Recomendo reservar uma parte do dia para estar a sós com um livro. Comece com metas modestas: que tal 20 minutos? Se falhar em um dia, compense lendo um pouco mais no outro (30 minutos, talvez).

E reserve um momento à atividade – de preferência um momento em que esteja bem desperto, não só na cama, antes de dormir, lutando para que os olhos não fechem. Claro que é possível ler um pouco também no metrô, parado no trânsito ou enquanto está no banheiro, mas a leitura não deve ser encarada apenas como mera distração para os minutos modorrentos.

 

Um livro por mês: ainda com relação às metas para que se desenvolva o hábito, estipule a quantidade de títulos que você deseja ler em determinado período – e, mais uma vez, vá com calma. Que tal começar lendo um livro por mês? Se todo dia você dedicar 20 minutos à leitura, provavelmente lerá cerca de 10 páginas por dia, o suficiente para dar conta de um volume de 300 páginas entre o dia 1º e o dia 30. Se for bem-sucedido aqui, devorará ao menos 12 livros ao longo do ano, mais do que o dobro da pífia média de leitura nacional (que não chega a 5 livros por ano).

Ah, Rodrigo, mas agora mesmo eu quero ler muito mais do que 12 livros. Eu sei, eu também. Aliás, quero ler muito mais do que mil livros, mas não tem como. Mesmo que você leia um livro por dia, ainda morrerá sem ter lido tudo o que gostaria, pode ter certeza. Então, aprenda a ser preciso nas escolhas.

Um ou vários? Isso que dizer que você deve ler apenas um livro por vez? Não necessariamente. Há quem se sinta entediado ao ficar muito tempo imerso em uma mesma história. Há também quem se confunda ao encarar várias narrativas simultaneamente. O que recomendo? O que acha de alternar um livro de ficção – um romance ou um volume de contos, por exemplo – com um de não ficção, como uma boa biografia?

O que ler: esqueça os tempos de escola, você não é obrigado a ler “Macunaíma” ou “Vidas Secas”, ainda que sejam livros ótimos. O importante é que identifique o que lhe agrada e vá em frente com as leituras. Gosta de ficção histórica? Beleza. Gosta de romances melosos? Sem problemas. Gosta de livros apimentados – seja com pimenta biquinho ou Carolina Reaper, a mais ardida do mundo? Beleza também. Saiba o que aprecia, isso ajudará a fomentar o hábito da leitura, que é o mais importante para esta resolução de ano novo.

Não faz nem ideia do que curte? Vá à livraria e dedique algum tempo à leitura breve de alguns livros ou baixe amostras de e-books (costumo fazer isso quando quero dar uma olhada no estilo de determinado autor). Também vale caçar dicas por aí – está cheio delas aqui no blog – e pegar livros emprestados com amigos.

 

Dessacralize a leitura: ler não pode ser um martírio. Claro que muitos livros se revelam aos poucos, exigem certa determinação do leitor, mas ninguém tem a obrigação de amar “Crime e Castigo” ou se identificar com as maluquices de “Dom Quixote” – ainda que eu recomende fortemente ambos. Começou a ler e não está gostando do livro? Pode largá-lo, sem dramas, mesmo que seja uma obra elogiada pelo mundo inteiro. Vá para a próxima história, amadureça enquanto leitor e, se você deixou clássicos pelo caminho, dê uma nova chance para eles em outro momento da vida. De minha parte, “Ulisses”, de James Joyce, terá outra oportunidade no futuro; na primeira tentativa, não rolou.

Qualquer hora dou algumas dicas de como um leitor frequente pode incrementar suas leituras.

Você compra mais livros do que consegue ler? Esta palavra te define

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(Foto: Flickr/ABC Open Riverland)

(Foto: Flickr/ABC Open Riverland)

 

Publicado na Galileu

Você não resiste a uma livraria. Mesmo sabendo que já tem vários livros ainda não lidos em casa, entra mesmo assim e sai com novas aquisições. Ou faz o mesmo na internet ao receber um e-mail avisando que alguns livros do assunto pelo qual você tem interesse estão em promoção. Resultado: você tem uma pilha de leituras muito maior do que realmente consegue ler.

Quem é apaixonado por livros provavelmente se identifica com a situação descrita acima. Isso acontece tanto que existem, inclusive, grupos de apoio sobre o assunto em redes sociais voltadas para leitores, como o Goodreads, por exemplo.

Existe ainda uma palavra em japonês que define a sensação já bem conhecida por leitores e compradores ávidos de livros: tsundoku.Trata-se do hábito de comprar materiais de leitura e deixá-los em uma pilha sem nunca serem livros. Em entrevista ao Quartz, o professor de japonês Sahoko Ichikawa, da Universidade Cornell, dos Estados Unidos, explicou que o termo teve origem no século 19 e que “tsunde” significa empilhar coisas e “oku”, deixá-las de lado por um tempo.

Poder da leitura
A ciência estuda a influência que os livros que de fato são lidos têm em seus leitores. Um levantamento recente mostra, por exemplo, que ler Harry Potter faz com que fãs lidem melhor com a morte. Já um estudo publicado no periódico Social Science and Medicine afirma que ler regularmente pode aumentar sua expectativa de vida.

8 dicas para ler mais livros e deixar o smartphone de lado

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8 dicas para ler mais livros e deixar o smartphone de lado  |  Fonte: Shutterstock

8 dicas para ler mais livros e deixar o smartphone de lado | Fonte: Shutterstock

 

Veja como se livrar do vício na internet e ler mais livros durante o ano

Publicado no Universia Portugal

Quando está em casa sem fazer nada ou sentado na sala de espera de um consultório médico, é praticamente instintivo pegar o smartphone para dar uma olhada nas redes sociais ou tentar passar uma nova fase daquele novo jogo online. Na era digital, as opções de entretimento para as horas vagas são imensas, indo desde as séries do Netflix até aos quase infinitos jogos disponíveis na palma da sua mão.

O problema é que as diversas tecnologias disponíveis acabaram por ganhar força e deixaram de lado hobbies mais analógicos, como ler um bom livro. No entanto, é possível contornar todas essas distrações digitais e retomar o hábito e a paixão pela leitura. Veja como:
Um livro de cada vez

Começar a ler mais livros do que aqueles que é capaz é garantia de que vai criar um bloqueio. Ainda que algumas pessoas consigam ler diversas obras ao mesmo tempo, para quem só agora está a retomar a prática, é preciso evitar essa tentação. O leitor pode ficar intimidado e ficar com a impressão de que a leitura é algo muito difícil e nada prazerosa. Por isso, foque-se numa única história de cada vez e se não gostar do livro que estiver a ler, não hesite em deixá-lo de lado e começar a ler um novo. O importante é ir com calma e manter o interesse pela prática.

Desconecte-se para se dedicar à leitura

Se está a passar por uma crise de leitura, em que apenas a visão da capa de um livro já o deixa apavorado, então parte desse fenômeno pode estar ligada ao excesso de tempo que passa online. A internet, apesar das suas memes de gatinhos fofos e de vídeos engraçados, é a maior ferramenta de procrastinação do mundo. Começamos com a intenção de dar apenas uma vista de olhos no Facebook, mas quando nos damos conta já estamos sentados há horas em frente ao computador ou com o smartphone na mão.

Uma forma de reverter esse processo é reservar algum tempo para se desconectar e passar algumas horas a usufruir de um bom livro. Mas para que isso funcione, é preciso ter disciplina. Reserve os dias da semana em que está mais tranquilo e programe um alarme no celular para saber a que horas deve fazer log off do mundo digital.

Revisite os clássicos

Lembra-se do primeiro livro que motivou o seu gosto pela leitura? Provavelmente foi mesmo especial e conquistou a sua atenção com uma boa história. Por isso, quando estiver a passar por uma crise de leitura, abra o seu armário, vasculhe as prateleiras e tente encontrar a obra que o inspirou desde o início, para mergulhar na sua história mais uma vez.

Passeie pela livraria

Pode parecer algo muito simplista, mas aproximar-se desse universo pode resolver a crise com os livros. Por isso, reserve algum tempo para passear pela sua livraria favorita, tomar um bom café e conhecer as novidades. Depois de algumas horas a admirar as capas dos livros e a conversar com os vendedores, sem dúvida retomará a sua inspiração e gosto pela leitura.

Partilhe o hábito com um amigo

Ler é uma atividade que, geralmente é praticada por uma única pessoa, mas ter uma companhia em momentos de crise pode ser a solução para os seus problemas. Fale com amigos que também estejam a querer ler mais livros e crie um clube de leitura e de discussões literárias. Esta tática estimulará o grupo como um todo.

Leia o livro depois do filme

O que é considerado um verdadeiro pecado por algumas pessoas pode ser a solução para a crise de leitura de outras. Se foi ao cinema e adorou um filme baseado na história de um livro, corra para a livraria ou para a biblioteca mais próxima e tente encontrá-lo. Por ser uma história interessante, as hipóteses de se envolver na leitura são ainda maiores. Mas para quem simplesmente não consegue lidar com essa ideia, aposte num livro inédito, mas de uma série que já conheça e que já tenha lido outros capítulos adaptados para o cinema.

Ouça o seu livro

Sentar e folhear as páginas de um livro parece-lhe angustiante? Então aposte nos podcasts. Atualmente, estão já disponíveis neste tipo de plataforma prática e barata uma extensa variedade de gêneros e que pode ser utilizada em casa, no carro ou até mesmo no smartphone.

Experimente novos gêneros

Apesar de ser apaixonado por uma determinada série de livros, ler as suas histórias diversas vezes pode ser muito cansativo. Para evitar que se canse da leitura e para que também tenha a oportunidade de conhecer coisas novas, tente explorar gêneros diferentes dos que está acostumado. Nesta aventura, pode descobrir uma nova série preferida.

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