Sua Segunda Vida Começa Quando Você Descobre Que Só Tem Uma

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Adaptações de livros e HQs no cinema podem ser fieis aos originais?

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Muito além do que só traduzir a história, adaptações precisam se preocupar em recriar uma narrativa de forma que funcione na linguagem do cinema

Publicado no 24 Horas News

Adaptações de livros e quadrinhos para o cinema são muito mais frequentes do que um espectador mais desavisado pode pensar: muitas obras antes de chegarem às telas já eram livros que foram aclamados pela crítica ou sucesso de público. Entretanto, apesar de se colocarem dessa forma, ler um livro e ver um filme são experiências narrativas completamente diferentes e não é incomum que boa parte das histórias originais se percam no meio do caminho – ou nunca fizeram parte do plano de roteiro da produção. Por outro lado, obras que trabalham integralmente o conteúdo escrito acabam não agradando. Afinal, é possível ser fiel ao adaptar um livro ou história em quadrinhos para o cinema?

Do papel para as telas

O que não faltam são exemplos de adaptações de um meio para o outro – tanto aquelas que deram muito certo, quanto as que foram verdadeiros erros do início ao fim. Isso, contudo, não faz necessariamente com que a história seja ruim, muito menos que o original seja ruim, são apenas particularidades envolvidas nesse processo. Ler um livro é uma coisa, ver um filme é outra.

 Divulgação "Quarteto Fantástico": três filmes e duas versões fracassadas no cinema

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“Quarteto Fantástico”: três filmes e duas versões fracassadas no cinema

São mídias divergentes que, embora possam dialogar entre si, cada uma tem seu próprio universo e é regida por códigos internos, isso acaba por dificultar a tarefa de transposição. Como o sociólogo Marshall McLuhan escreveu em uma de suas obras, “o meio é a mensagem”, ou seja, a mídia exerce grande influência no produto final e em como ele será consumido. Uma mesma narrativa pode se tornar um clássico da literatura, mas ter versões falhas no cinema: o problema é a inadequação que acontece entre a história e o veículo, não se restringe a uma das partes. Por exemplo, quantas vezes Romeu e Julieta já não viraram filme, mas a peça jamais perdeu seu status de ser uma das maiores obras já feitas em língua inglesa.

Há por outro lado livros que nasceram para as telas. As sagas de Harry Potter e “Senhor dos Anéis” foram extremamente bem sucedidas em ambos dos meios e se sustentam inteiramente tanto nos livros quanto no cinema. O recente sucesso do filme de “It – A Coisa”, que bateu o recorde de filme de terror com a maior bilheteria da história, é baseado no livro homônimo de Sthephen King. Porém há aquelas adaptações que não agradaram nem um pouco, como “Quarteto Fantástico” que, mesmo sendo uma das HQs mais importantes da Marvel, não acertou a mão no cinema.

Chamar esse movimento entre os meios de “adaptação” é uma forma educada de se falar em releitura. É impossível somente migrar o conteúdo de um meio para o outro, é necessário que haja uma tradução da obra para que ela se adeque a nova mídia. A adaptação de “Watchmen”, por exemplo, peca justamente por ser excessivamente fiel aos quadrinhos de Allan Moore – o que é irônico, dado que uma crítica comum feita para filmes com o rótulo é a falta de elementos fidedignos às histórias originais.

O envolvimento lúdico do leitor ou espectador precisa ser levado em conta para se realizar esse trabalho. A experiência que um livro proporciona é diametralmente oposta à de um filme, ou seja, cada um trabalha com seu próprio grau de imersão. “Blade Runner”, livremente baseado no livro “Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas”, ainda seria um clássico caso a narrativa original tivesse sido integralmente conservada na passagem de uma mídia à outra?

Assim, não há uma resposta ideal para como devem ou não ser feitas as adaptações – elas não deixarão de existir, boas ou ruins. Ser fiel ao original é uma questão que não diz respeito à qualidade do produto final, na verdade, isso não diz muita coisa para além da liberdade criativa do diretor envolvido e no tato para entender o que funciona ou não em uma mídia. Além do mais esse aspecto sozinho não pode definir parâmetros objetivos, mesmo sendo um elemento recorrente em críticas.

Isis Valverde elege 4 livros – e escritoras – que marcaram sua vida

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Daniela Carasco, no UOL

Se em frente às câmeras Isis Valverde tem paixão pela atuação, fora delas, é a escrita e a leitura que lhe entusiasmam. “Você procura o que está dentro de você e, na sabedoria dos livros, acaba encontrando algo maravilhoso, a iluminação”, diz.

Isis Valverde Imagem: Reprodução Instagram

Isis Valverde Imagem: Reprodução Instagram

 

Além de ser uma leitora assídua, Isis diz que também a escrever contos e poesias, que ela tem planos de publicar. Enquanto seus versos não saem, ela usa seu Instagram, para compartilhar com seus 7 milhões de seguidores alguns dos títulos preferidos, como “Minutos de Sabedoria”, de Carlos Torres Pastorino, e “Farda Fardão – Camisola de Dormir”, de Jorge Amado.

Ao UOL, a atriz contou aqueles que marcaram sua vida e foram escritos por mulheres.

1. “A Maçã no Escuro”, de Clarice Lispector

“Conta a história de um homem, fugitivo da cena de um crime. Durante a fuga, ocorrem diversos pensamentos que remetem ao existencialismo e à filosofia hindu.”

2. “Pensar é Transgredir”, de Lya Luft

“Sobre a preocupação com o social, à inquietação pelo mistério da vida.”

3. “A Bolsa Amarela”, de Lygia Bojunga

“É um clássico da literatura infantojuvenil. Fala sobre uma menina que entra em conflito consigo mesma e com a família ao reprimir suas vontades.”

4. “Mulheres que Correm com Lobos”, de Clarissa Pinkola Estés

“A partir da interpretação de lendas e histórias antigas, como as de ‘Barba-Azul’, ‘Patinho Feio’, ‘Sapatinhos Vermelhos’ e ‘La Llorona’, a autora redescobre o que é a ‘Mulher Selvagem’.”

O Hobbit | 80 anos do lançamento do clássico de J.R.R. Tolkien

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Muitas vezes visto como um elemento menor diante de O Senhor dos Anéis, a história de Bilbo foi essencial para o trabalho de Tolkien

Fábio de Souza Gomes, no Omelete

O início é uma aula de como prender o leitor na primeira frase. “Numa toca no chão vivia um hobbit”. Não importa se naquele momento ninguém tem a menor ideia do que seja um hobbit ou porque viveria numa toca. É impossível deixar de seguir em frente e descobrir que a toca na verdade é uma confortável residência de muitos cômodos cujo dono é fã de muito conforto. No momento que os hobbits são descritos como criaturas com “quase” nenhum poder mágico, não há mais como abandonar a história.

O cinema transformou os filmes baseados nos livros do J. R.R. Tolkien numa franquia de US$ 5,8 bilhões de dólares, mas nada disso teria acontecido sem O Hobbit. Uma aventura ágil, cheia de suspense, com toques de humor e ambientada numa era distante na qual a magia ainda era cotidiana, o livro cativou leitores e críticos com a história de Bilbo, um hobbit que se envolve numa série de aventuras, culminando com a luta contra um dragão. Lançada em 21 de setembro de 1937, a primeira edição de 1500 exemplares publicada na Inglaterra pela editora George Allen and Unwin Ltd esgotou-se em dezembro do mesmo ano, um grande feito para um autor estreante. Habituado a criar histórias para os filhos, antes de O Hobbit Tolkien havia publicado apenas alguns poemas, e depois dele, dezessete anos se passaram antes que o autor tivesse uma nova obra pronta. E, para desagrado de quem o aguardava, o novo livro não seria a continuação de O Hobbit solicitada, e sim o gigantesco e complexo O Senhor dos Anéis, que está longe de ser ágil e é mais apropriado ao público jovem e adulto.

Mas O Hobbit dessa primeira edição também não é o livro que hoje habita as prateleiras. Não havia planos para uma continuação na história publicada em 1937, assim, o anel que Bilbo e Gollum disputam é apenas um anel mágico capaz de tornar seu usuário invisível. Tanto que ao propor um jogo de adivinhação, Gollum diz a Bilbo que lhe dará um presente caso o hobbit ganhe. Mas quando Bilbo vence, Gollum pede desculpas, pois percebe que havia perdido o anel e não tem presente algum para dar ao vencedor. Bilbo, que a esta altura já havia encontrado o anel em um túnel, diz que aceita como prêmio a ajuda de Gollum para encontrar o caminho e está tudo bem. Gollum mostra a saída ao hobbit e cada um segue com a vida. Foi só quando passou a trabalhar no que seria O Senhor dos Anéis e decidiu colocar o anel de Bilbo no centro da história é que Tolkien resolveu transformá-lo no Um Anel, o Anel do Poder, criando um enorme problema de continuidade. Assim, em 1951, a Allen e Unwin publicou uma edição revisada de O Hobbit com o encontro com Gollum devidamente alterado para encaixar-se na nova história.

Se as origens de O Senhor dos Anéis estão no sucesso de O Hobbit, as raízes da aventura de Bilbo estão ainda mais distantes. Em uma carta ao poeta W. D. Auden em 1955, Tolkien conta que escreveu uma história sobre um dragão aos sete anos, o que não pode ser considerado incomum para um garoto britânico. Mas é revelador que ele não se lembre do enredo e sim do fato de sua mãe ter corrigido seu texto explicando que o correto não era “um verde grande dragão”, mas sim “um grande dragão verde”. Apaixonado pelo estudo de línguas, Tolkien se tornaria professor de anglo-saxão, idioma falado na Inglaterra entre os séculos 5 e 12 e no qual foi escrito Beowulf, poema sobre um guerreiro que entre outras tarefas, enfrenta um dragão. Especialista no texto, Tolkien foi um dos primeiros a defender seu estudo como obra literária e não apenas histórica. Ele acumulava ainda conhecimentos de latim, gótico, celta, espanhol, galês e finlandês, porta de entrada para outra história épica, o Kalevala, além de verdadeira paixão por criar idiomas fictícios.

Todas essas referências já transitavam pelos escritos de Tolkien, uma coleção de textos produzidos durante a Primeira Guerra Mundial, em especial em períodos passados em hospitais. Mas o livro responsável por apresentar a Terra-média aos leitores e transformar seu autor no responsável pelo ressurgimento do gênero de fantasia só nasceria nos anos 30, quando Tolkien enfrentava a cansativa tarefa de corrigir provas e deu de cara com uma folha em branco. Nela ele escreveu a primeira frase de O Hobbit. O aluno que largou o inspirador espaço em branco na prova permanece desconhecido, mas outro garoto passou à posteridade como responsável pela publicação do livro. Filho do editor Stanley Unwin, Rayner Unwin tinha apenas dez anos quando recebeu do pai a tarefa de ler o manuscrito e escrever um relatório a respeito, onde elogiou o volume e o indicou para crianças entre cinco e nove anos. Se tivesse a menor ideia do que estaria iniciando ali, o garoto na certa cobraria mais do que o xelim que recebeu pela resenha.

Biografia traz pistas sobre o enigma Belchior

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O cantor e compositor Belchior, nos anos 70 (Paulo Salomão/Dedoc)

O cantor e compositor Belchior, nos anos 70 (Paulo Salomão/Dedoc)

Livro conta a história do músico a partir de sua passagem por um seminário onde estudava para ser frade

Publicado na Veja

“Belchior nem existia. Morreu como? Como se pode saber que alguém que está desaparecido morreu?”. Esses foram os primeiros pensamentos de Jotabê Medeiros, biógrafo do cantor e compositor cearense Antônio Carlos Belchior, ao receber a notícia da sua morte, em 30 de abril deste ano. À época, o jornalista já havia terminado o livro sobre a vida do músico e se preparava para o xeque-mate: voar até o Rio Grande do Sul e seguir um endereço que conseguira para encontrar e ouvir seu personagem, até então com paradeiro desconhecido pelo público.

O tempo foi curto. Jotabê perdeu um dos irmãos e passou alguns dias recluso. Ao voltar à ativa, teve que mudar seu destino e desembarcar em Fortaleza. Engolir a expectativa de falar com o autor de Anunciação e enfrentar a dura atmosfera de mais um funeral. Belchior: Apenas um Rapaz Latino-Americano (Todavia, 240 páginas, R$ 49,90), ganhou, por isso, um último capítulo: Inmemorial.

A obra traz para os fãs órfãos um resgate biográfico que não chega a explicar o motivo pelo qual Belchior deixou tudo para trás, mas pode dar pequenas pistas. O livro começa com os primeiros anos da sua formação intelectual, no Seminário de Guaramiranga. Belchior estudava para ser frade. “Ficou claro, para mim, que tudo que ele se tornou – um cara que sabia latim, italiano, filosofia, que lia muitos autores clássicos como Dante Alighieri – veio do seminário”, relata Jotabê.

Para o jornalista, Belchior parecia ter criado o próprio verbete da Wikipedia em uma entrevista para O Pasquim, em 1978. “A partir dali, ele passou a reproduzir histórias suas e os jornais, também”, conta Medeiros. A reconstituição dos passos e rupturas do músico cearense ao longo da carreira pinta um artista generoso, um compositor invariavelmente aplaudido e outras facetas menos conhecidas, como o gosto pela pintura e a vida amorosa “muito prolixa”, como define o biógrafo.

Para explicar o sumiço do cantor, que esvaneceu em 2007, existem várias especulações, mas nenhuma delas aparece no livro. Fato é que não há exatamente como saber por que Belchior deixou para trás a família com os filhos, os amigos e os fãs. Alguns apontam Edna Prometheu, sua última mulher, como o principal motivo do afastamento. Enquanto outros apostam que o cearense mostrou um descontentamento e uma sabedoria muito lúcida em suas obras, já deixando claro uma sensibilidade incomum que poderia impor a ele, como destino, o exílio.

Mesmo sem decifrar o mistério Belchior, o livro passa por toda a carreira do músico que chegou a dormir em uma construção por falta de dinheiro e a pedir um prato de comida para Elis Regina, que gravaria em seguida algumas de suas canções mais famosas, jogando luz sobre um dos grandes compositores da música brasileira. Além de contar alguns saborosos encontros na vida do cantor, como com seu ídolo, Bob Dylan, em 1990, e também com Zeca Baleiro, que aconteceu já longe dos holofotes, em março de 2014.

Um guia para A Torre Negra: O que é exatamente a maior obra de Stephen King?

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Em meio a tantos elementos da história de um dos principais nomes da literatura fantástica/terror da atualidade, que tal conhecer um pouco do básico para começar a se aventurar nesta obra?

Robinson Samulak Alves, no Cinema com Rapadura

Belos dias e longas noites, fiéis leitores rapadurianos. Eis que a épica saga de Roland rumo à Torre Negra enfim ganha uma versão oficial ao cinema. Porém, o que exatamente é essa tal de Torre Negra? E quem diabos é Roland? E por que é tão importante que ele chegue à Torre (porque uma viagem que leva sete livros e cerca de 4 mil páginas, só pode ser muito importante, certo?)?

Para começar, é importante ter em mente que a série “A Torre Negra” é a magnum opus de Stephen King. Não por se tratar de sua mais longa narrativa, mas por ser a trama que conduz (quase) todo o restante dos livros do autor. É como se os livros do King se passassem em alguns universos, sendo o Mundo Médio o local onde tudo se conecta. Mas então, o que seria o tal “Mundo Médio”?

Stephen King tem uma base literária formada pela influência de diversos escritores. Um dos autores que influencia muito sua narrativa é J.R.R. Tolkien e sua Terra Média. Dessa forma, o chamado Mundo Médio foi a forma que Stephen King pensou em deixar claro que estava tomando o conceito criado por Tolkien, sem necessariamente copiar. Porém seria muito reducionista afirmar que o cenário da obra é uma versão da Terra Média.

Há diversas influências, além de uma infinidade de criações próprias, que compõem o cenário principal. A mais relevante obra a ser citada é o poema “Childe Roland à Torre Negra Chegou” de Robert Browning. Mas esteticamente, talvez possamos imaginar que o Mundo Médio é o lugar onde a obra de Tolkien se encontra com a de Sérgio Leone. Talvez tenhamos assim um bom ponto de partida.
Os Livros

Desenvolvida ao longo de duas décadas, a história de como Roland chega à Torre Negra se inicia com uma simples frase:

“O Homem de Preto fugia pelo deserto, e o pistoleiro ia atrás”.

Dessa forma, acompanhamos ao longo do primeiro livro o início da construção do protagonista Roland, o último pistoleiro de Gilead (cidade onde ele nasceu).

Somos jogados em um universo que já existe, e como o próprio autor deixa claro, já seguiu adiante. Não trata-se da construção de uma mitologia. Nós apenas acompanhamos uma narrativa que acontece em um lugar já estabelecido. E dessa forma, Stephen King nos bombardeia com informações que em um primeiro momento parecem sem sentido. Algumas serão respondidas ainda no primeiro volume, e outras teremos que aguardar um pouco mais.

O que importa aqui é saber que há um pistoleiro e que ele precisa encontrar o tal Homem de Preto, um feiticeiro que assume diversos nomes (um deles sendo Walter).
Os personagens

Walter não é exatamente um vilão, apesar de haver muita vilania nele. O Homem de Preto esteve envolvido com Roland há tempo demais. Ao mesmo tempo que quase foi um carrasco, ele serve como uma ponte. É um personagem que retorna no futuro da saga (assim como irá retornar no passado). Se parece confuso, é porque Stephen King quer deixar bem marcado que neste universo já aconteceram muitas coisas.

Além do Homem de Preto (ou Walter), vale citar Jake, um garoto que é encontrado por Roland no meio do nada e que assume um papel extremamente importante ainda no primeiro livro. Além de impulsionar o protagonista da série, Jake ajuda na construção do personagem principal da obra. Um acontecimento em especial nos faz compreender Roland e sua obsessão pela Torre.

Jake também está ali para nos dar uma pista de algo muito importante. Em determinado momento, ele diz a seguinte frase:

“Vá então. Há outros mundos além deste”.

Mas sobre esses “outros mundos” nós conversamos daqui a pouco.

Jake também serve para introduzir um dos principais conceitos criados por Stephen King para esta obra: o ka-tet.

Ka significa algo próximo do destino de cada pessoa. Nessa mitologia, cada pessoa tem sua própria missão. A de Roland é chegar à Torre Negra. Ao mesmo tempo, outras pessoas têm cada uma seu próprio destino. Em alguns casos, os caminhos se cruzam e enquanto um grupo de pessoas está ligado pelo destino, elas formam um ka-tet. Esse grupo, por ter uma ligação tão forte, acaba conseguindo se conectar de alguma forma. A grosso modo, podemos comparar com o dom da iluminação, apresentado no livro “O Iluminado”.

A série também apresenta uma variedade enorme de criaturas e monstros. Cada um possui seu próprio propósito, muitas vezes não sendo nem bons ou maus. Esse conceito vai variar dependendo de quem interage com eles e como acontece esta interação. Dentre essas criaturas, podemos citar os Taheens. Também conhecidos como “O terceiro povo”, são criaturas meio humano, meio feras.
O lema dos pistoleiros

Existe um ritual pelo qual todo o pistoleiro deve passar durante o treinamento. Ao desafiar seu mestre e vencê-lo, o jovem está apto a ser considerado um pistoleiro no Mundo Médio. Roland compartilha seu passado aos poucos. E conforme ele revela mais informações, é possível perceber que aqueles dignos de viver como pistoleiros fazem parte de uma casta privilegiada e honrada.

Uma das lições que todo o pistoleiro aprende é como usar sua arma. E para isso ele recitam um lema:

“Eu não miro com a mão. Aquele que mira com a mão esqueceu o rosto do pai. Eu miro com o olho.

Eu não atiro com a mão. Aquele que atira com a mão esqueceu o rosto do pai. Eu atiro com a mente.

Eu não mato com a arma. Aquele que mata com a arma esqueceu o rosto do pai. Eu mato com o coração.”

Esse lema é uma forma de lembrar a cada pistoleiro a nunca errar um alvo. É o que os torna figuras lendárias e uma forma de esvaziar a mente e se concentrar no objetivo (ou no alvo).
Os Universos Paralelos de Stephen King

Já que citamos “O Iluminado”, é importante lembrar que não estamos falando apenas da maior obra de Stephen King, mas também daquela que conecta todas as outras. Mesmo não havendo uma relação direta com alguns dos romances ou contos, é possível estabelecer paralelos. Alguns são confirmados com informações apresentadas nos livros, outras fazem parte das “teorias dos fãs”, mas nem por isso são menos prováveis.

Durante a construção da saga, King aproveitou elementos de seus trabalhos já publicados até então para fazerem parte de um multiverso próprio. E por mais que pareça gratuito em alguns momentos, está tudo bem amarrado e justificado. É dessa forma, por exemplo, que podemos ver personagens de “A Hora do Vampiro” surgirem no quinto livro, “Lobos de Calla”, podendo ser vistos como vilões ou heróis, dependendo da obra.

A mesma dinâmica acontece em outros dois livros, que não citam a Torre Negra diretamente, mas aproveitam o multiverso por ela criado para se justificarem. “Desespero” e “Os Justiceiros” são chamados de livros irmãos. Ambos foram lançados no mesmo dia, e contam “a mesma história”, mas em universos diferentes e a partir de pontos de vistas diferentes.

Mas para tornar a relação mais interessante, em “Lobo de Calla”, há um momento em que Jake está em Nova York e vê um exemplar de um livro de autoria de Claudia Inez Bachman. Trata-se da esposa fictícia de Richard Bachman, pseudônimo de Stephen King que foi utilizado para assinar alguns de seus livros, entre eles, “Os Justiceiros”.

Vale ainda a citação de “Insônia”, que nos apresenta o terrível Rei Rubro, um dos principais vilões criados por Stephen King, e a maior ameaça na saga da Torre Negra. Ele pode assumir algumas formas, sendo uma aranha a principal (o que também aparece em outros livros).

Em “Os Olhos do Dragão” e “A Dança da Morte”, temos a presença de Randall Flagg. Este personagem já foi chamado em outros momentos de Walter, assim como o Homem de Preto. Ele também é um dos aliados mais importantes do Rei Rubro.

Mas e a tal da Torre Negra?

Há uma espécie de ambiguidade no que diz respeito ao final da grande saga de Stephen King. Diversos fóruns debatem o que exatamente é a Torre Negra, ou como ela afeta os diversos mundos existentes. Em partes essa discussão tem um motivo.

Talvez Stephen King sofra com o final de um livro. Longos projetos criam laços entre obra e autor, por isso é comum eles terem um significado especial. E como você encerra algo que fez parte da sua vida por mais de 20 anos?

Dessa forma, Stephen King oferece um “pré-final” de sua obra. Ele para em um ponto que deveria bastar para qualquer um que acompanhou a narrativa por tanto tempo e tantas páginas. Não apenas para deixar feliz seu leitor, pois nem tudo acaba bem. Mas por se sentir satisfeito.

Porém, o autor sabe que existem aqueles que não se contentam com o “como aconteceu” e precisam saber enfim “o que aconteceu”. A estes (e a todos os curiosos que não conseguem se controlar) o autor dedica as páginas finais, porém não antes de deixar um alerta.

Dessa forma, confira você as palavras do próprio Stephen King sobre o final de sua mais importante saga. O trecho a seguir é uma citação direta do que antecede o derradeiro final. Para evitar um prolongamento desnecessário e eventuais spoilers, alguns trechos foram omitidos, porém sem tirar o real significado do que o autor quis dizer. Para esclarecimento, trechos com (…) foram retirados por espaço e trechos com […] foram retirados por spoilers.

“Levei minha história do início ao fim e estou satisfeito. Foi (…) cheia de monstros e maravilhas e viagens de um lado para o outro. Posso parar agora, pousar a caneta e repousar minha mão cansada (…). Posso fechar os olhos para o Mundo Médio (…). Mas sei que alguns de vocês,(…), provavelmente não pensam exatamente assim. (…). São as pessoas cruéis que negam os Portos Nevoentos, onde os personagens cansados vão para descansar. Dizem que querem saber como tudo acaba. Dizem que querem acompanhar Roland até […].

Espero que a maioria de vocês saibam que não é bem assim. (…) . Espero que tenham vindo realmente ouvir a história, não apenas mastigar as páginas até o final. (…). Os finais, porém, não têm coração. Um final é uma porta fechada que nenhum homem […] consegue abrir. (…)

E assim, meu caro e Fiel Leitor, eu lhe digo o seguinte: você pode parar aqui. Pode deixar sua última memória ser […]. É um belo quadro, não é? Eu penso que sim. E também parece bastante perto do felizes para sempre. […]

Se você continuar, ficará certamente desapontado, talvez até de coração partido. Tenho uma chave guardada no meu cinto, mas tudo que ela abre é aquela porta final, […]. O que está por trás dela não vai melhorar a vida afetiva de ninguém (…). Não existe essa coisa de final feliz. (…)

Os finais não têm coração.

O final é só outro nome para o adeus.

(…)

Ainda queres?

Muito bem, então vem. Aí está [..].

Olhe-a, eu te peço.“

Esse é um resumo do que há de essencial no universo da Torre Negra. Muito disso pode ser citado ou ignorado no filme. Mas nos livros está tudo relacionado. É um universo que se prende a cada novo livro lido. E nos apresenta um pouco do que há por dentro da cabeça de um dos maiores nomes da literatura contemporânea. Cabe a você, fiel leitor, decidir se pretende parar por aqui, ou seguir em frente. Assim como na Torre Negra, a responsabilidade pelo que irá encontrar é completamente sua.

Arte por Mikołaj Birek

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