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Game of Thrones | George R.R. Martin confirma que não vai terminar o sexto livro neste ano

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Tayná Garcia, no Jovem Nerd

Em um comunicado para a imprensa, George R.R. Martin revelou algo que deixará todos extremamente surpresos: ele não vai finalizar o sexto livro da franquia Game of Thrones neste ano. Então teremos que esperar mais alguns anos (ou décadas) pelo The Winds of Winter.

No entanto o autor diz que devemos olhar para o lado bom, afinal poderemos retornar para Westeros no primeiro volume de Fire & Blood (“Fogo e sangue”, na tradução literal) — um livro “especial”, focado na história da Casa Targaryen.

Confira um trecho do comunicado do escritor:

Não, o inverno não está chegando… pelo menos, não em 2018. Vocês vão ter que continuar esperando pelo The Winds of Winter. Vocês vão poder, no entanto, voltar para Westeros neste ano. Eu quero frisar que Fire & Blood não é um romance. Não é uma narrativa tradicional e nunca teve a intenção de ser… em vez disso, vamos chamá-lo de “história imaginária”. A sua característica essencial é a parte da “história”. Eu adoro ler histórias populares, e era nesse estilo que eu queria escrever. Apesar de ter histórias o bastante aqui para 20 livros. Batalhas, derramamento de sangue, traições, amor, luxúria, terror, guerras religiosos, política, incesto, revisionismo histórico, todas essas coisas divertidas. E agora, estou voltando mais uma vez para escrever o The Winds of Winter.

No texto publicado em seu blog oficial, Martin também frisa que a “enciclopédia” dos Targaryen terá muitos, muitos dragões. Então isso deve amenizar a ansiedade de muitos fãs até o sexto livro chegar.

Você pode conferir o comunicado completo de George R.R. Martin em seu blog oficial.

O primeiro volume de Fire & Blood será lançado no dia 20 de novembro deste ano, nos EUA, e segue sem data para o Brasil. Já The Winds of Winter, sexto volume das Crônicas de Gelo e Fogo, segue sem previsão de lançamento.

3 livros inspiradores sobre mulheres que mudaram o mundo

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Da atriz que liderou as denúncias do assédio em Hollywood a figuras femininas na política, os títulos contam histórias de luta de mulheres em diversas áreas

Mariana Rudzinski, na Elle

Lute Como uma Garota: 60 Feministas que Mudaram o Mundo – Laura Barcella e Fernanda Lopes

Cultrix/Divulgação)

O que a cientista Marie Curie, a artista plástica Judy Chicago, a autora Clarice Lispector e Beyoncé têm em comum? Todas elas, cada uma em sua área de atuação, mudaram o mundo de alguma forma.

Escrito pela norte-americana Laura Barcella, Lute Como uma Garota (Cultrix, 368 págs.) reúne 45 feministas de diversos ramos que abriram o caminho para outras mulheres. Organizados de forma didática e acessível, os perfis são compostos de biografia, legado, algumas das grandes realizações e frases famosas de cada uma das mulheres. O recorte é propositalmente amplo: os perfis selecionados vão desde nomes pouco conhecidos – a escritora feminista do século 18 Mary Wollstonecraft e a socióloga e professora Heleieth Saffioti são exemplos – a celebridades como Oprah Winfrey e Madonna. “Queria escrever um livro amplo, mostrando o valioso trabalho das pessoas que não são nada famosas ao lado de outras que são ícones de poder”, detalha a autora na introdução do volume.

Para a edição brasileira, a jornalista Fernanda Lopes foi responsável por incluir a seção “Brasileiras que foram à luta – 15 perfis biográficos para entender a história do feminismo no Brasil”. Figuras como a compositora Chiquinha Gonzaga, Bertha Lutz – uma das líderes do movimento sufragista no país – e a filósofa e colunista de ELLE, Djamila Ribeiro têm suas histórias registradas no livro.

Mulheres e Poder: Um Manifesto – Mary Beard

(Crítica/Divulgação)

A partir de duas palestras proferidas em 2014 e 2017, a professora da Universidade de Cambridge Mary Beard trata do silenciamento feminino, em especial em situações em que mulheres foram proibidas ou encontraram dificuldades em papéis de liderança. No livro, ela traça as raízes da misoginia, que vêm de Atenas e Roma – o primeiro exemplo de silenciamento feminino, de acordo com ela, estaria na Odisseia, de Homero – e mostra como esta é uma questão que ainda existe hoje e o que tem sido feito a respeito disso. A autora cita os obstáculos enfrentados por Margaret Thatcher, Hillary Clinton, Dilma Rousseff e Angela Merkel na vida política por serem mulheres – a primeira ministra inglesa, por exemplo, teve aulas de elocução para falar com um tom mais grave, característica associada à voz masculina.

“Eu queria descobrir até que que ponto estão profundamente incorporados à cultura ocidental os mecanismos que silenciam as mulheres, que se recusam a levá-las a sério e que as afasta, (às vezes literalmente) dos centros de poder. No que diz respeito a silenciar as mulheres, a cultura ocidental tem milhares de anos de prática”, a historiadora explica no prefácio.

Coragem – Rose McGowan

(Harper Collins/Divulgação)

O nome de Rose McGowan provavelmente é um que você deve ter visto algumas vezes neste ano. Ela foi uma das primeiras atrizes a denunciar o abuso sexual praticado pelo produtor de Hollywood Harvey Weinstein, que levou ao movimento de denúncias do assédio sistemático dentro da indústria do entretenimento. Em janeiro, a atriz publicou sua autobiografia – cuja escrita, inclusive, motivou Weinstein a contratar ex-agentes do serviço secreto de Israel para tentar impedir as revelações de Rose. Agora, o livro chega ao Brasil.

Coragem (Harper Collins, 288 págs.) traz uma narrativa sincera e brutal que vai da infância da atriz, que nasceu dentro de um culto religioso, até o que ela chama de “o maior culto de todos”, Hollywood. Nas páginas, ela detalha, pela primeira vez, o estupro praticado pelo produtor, a quem ela decide se referir como “monstro” e não pelo nome. Na última parte da biografia, Rose incentiva que mulheres tomem a frente de seus projetos e conta sobre os seus: ela deixou a carreira de atriz e agora se empenha em dirigir filmes e pretende lançar um disco. “Coragem é a história de como lutei para sair desses cultos e tomei as rédeas da minha vida. Eu quero ajudar você a fazer o mesmo”, ela declara.

Professor desempregado leva literatura a crianças carentes de Aracaju

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A calçada da casa do professor é transformada em sala de aula (Foto: Mara Lúcia de Paula)

“O que eu faço é com amor e sou muito respeitado por elas, que serão os futuros homens e mulheres da nossa cidade”, diz Luiz Carlos Nascimento.

Anderson Barbosa, no G1

calçada de uma residência localizada em uma rua sem pavimentação, no Bairro 17 de Março em Aracaju, é o local escolhido por um professor desempregado para ensinar literatura às crianças de um dos bairros mais carente da capital de Sergipe, que neste sábado (17) comemora 163 anos de emancipação política.

A sala de aula improvisada funciona uma vez por semana. Na falta de cadeiras, as crianças acomodam-se no chão e vencem o que seria a primeira barreira para se aproximarem dos livros. Depois, desvendam o conteúdo literário trazidos em uma sacola pelo professor Luiz Carlos. Quando não está em uso, o material de apoio fica exposto em um varal à espera do próximo interessado.

A Literatura é a forma de despertar outros conhecimentos científicos, além de promover o prazer estético e dar asas a imaginação desses jovens leitores“, professor Luiz Carlos

O trabalho voluntário começou no mês de novembro de 2017, depois que Luiz Carlos participou de um workshop literário. Desde o início do projeto, 12 crianças participam das atividades e enquanto os pais estão trabalhando. “Educação é o meio de transformação sócio- cultural para a vida de cada uma dessas crianças levando respeito, dignidade, conhecimento e independência financeira”, diz com o sorriso no rosto.

A escritora e coordenadora do Projeto Lê Campo/SE, Jeane Caldas, conheceu o trabalho do professor, e se apaixonou pela causa. “Ele sempre fez este trabalho, mas agora as ações de leitura foram intensificadas, porque conseguimos que fizesse parte do projeto Rede Ler e Compartilhar e Eu Leio, que fazem parte do programa nacional de incentivo à leitura. O programa disponibiliza sacolas circulantes com 30 livros e oferece formação continuada para os professores e mediadores de leitura, mas não paga nada por esse trabalho. Entrei na parceria por meio da Secretaria de Estado de Educação”, conta.

Não é sempre, mas quando pode o professor retira dinheiro do próprio bolso e compra lanches para a criançada. Uma forma de incentivar a permanência dos alunos e atrair outros meninos e meninas.

Mesmo em um local improvisado, as crianças parecem encantadas com as histórias descobertas nos livros (Foto: Mara Lúcia de Paula)

Combate à deficiência na leitura

O trabalho do sergipano serve de combate à deficiência da leitura ainda no início da vida escolar, como aponta a Avaliação Nacional de Alfabetização, do Ministério da Educação e Cultura (MEC). O estudo revela que mais da metade dos alunos do terceito ano do ensino fundamental não consegue nota mínima em matérias básicas. No ano de 2014, a insuficiência em leitura era de 56,17% entre os alunos. Dois anos depois o número teve uma pequena queda, 54,73%.

“Quero ver a melhoria do bairro em que moro e dessas crianças, que muitas vezes vão à escola e não conseguem aprender o conteúdo. O que eu faço é com amor, com carinho e sou muito respeitado por elas, que serão os futuros homens e mulheres da nossa cidade. A maior recompensa é o prazer de contar histórias e contribuir no processo de alfabetização dessas crianças”, conta Luiz Carlos.

Brilho no olhar

Quando o professor inicia a história, os olhos da criançada parecem brilhar e ganham a companhia de sorrisos e gargalhadas. Nem mesmo o movimento das ruas tira a concentração dos pequenos leitores. Sinal de que estão envolvidos pelas histórias.

O que mais gosto é de ler e aprender com as histórias que ele nos conta. O professor é muito bom e trata a gente bem. Tio Luiz Carlos é muito legal comigo e com meus colegas do projeto”, afirma Jaycha Rively, de 9 anos.

A menina é filha da vendedora Mara Lúcia de Paula, que também se mostra feliz com o desprendimento do professor e vizinho de bairro. “O que ele faz é louvável e ajuda a construir o futuro dos nossos filhos, sem cobrar nada. É um grande exemplo pra nossa comunidade e para o Brasil”, diz agradecida.

A batalha do mestre

Luiz Carlos nasceu no município de Malhada dos Bois e foi criado em Cedro de São João, ambos na Região do Baixo São Francisco de Sergipe. Filho de pais separados, ele é o mais velho entre nove irmãos, o único com nível superior, conquistado no ano de 2012 após cursar Letras/Português em uma universidade particular na capital.

Concluí a graduação com muita dificuldade financeira, pois estava desempregado. Tive a ajuda de familiares e principalmente de uma ex-diretora da instituição, que me ajudou bastante nesta fase da minha vida”, relembra.

Luiz Carlos já trabalhou em escolas particulares, em programas do governo e atualmente sobrevive dando aulas de reforço em casa, além de fazer ‘bicos’ auxiliando outros professores em projetos educacionais. No mês passado, tudo isso rendeu a ele pouco mais de R$ 200. “É assim que consigo pagar as contas da casa, comprar roupas e alimentos. Deus é quem dá a força pra gente superar todas as dificuldades que a vida nos oferece”, afirma.

Sempre atento aos apelos da comunidade, ele tem como meta fazer um trabalho mais intenso com os jovens e adultos que passam o dia trabalhando e ainda não são alfabetizados.

Criadora de ‘Altered carbon’ discute ‘corpo descartável e mercantilizado’ de futuro distópico

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Cena de ‘Altered Carbon’, série nova da Netflix – Netflix / Divulgação

Laeta Kalogridis ficou conhecida em Hollywood pelos roteiros de “Ilha do medo” (2010) e “O exterminador do futuro: Gênesis” (2015)

Alessandro Giannini, em O Globo

SÃO PAULO — Roteirista de sucesso em Hollywood, Laeta Kalogridis, de 52 anos, ficou conhecida pelo trabalho em filmes como “Ilha do medo” (2010), “Alexandre” (2004) e “O exterminador do futuro: Gênesis” (2015). “Altered carbon” eleva a carreira da escritora a um novo patamar, já que ela surge também como produtora executiva da série original da Netflix. Laeta falou com exclusividade ao GLOBO sobre o que a atraiu na obra do escritor Richard K. Morgan: uma tecnologia que torna o corpo descartável.

O que mais chamou sua atenção em “Carbono alterado”, de Richard K. Morgan, quando leu os livros pela primeira vez?

Gostei da história subjacente. Da forma como uma tecnologia destrutiva pode mudar a maneira como a gente vive como seres humanos. Quando li, achei isso muito interessante e queria ver como ficava na tela.

Há muitos temas incorporados na história e um deles é a possibilidade de alcançar a imortalidade pela troca de corpos. Outras questões subjacentes dizem respeito ao gênero e etnia. Acha que conseguiu despertar interesse por esses temas?

Estava interessada na ideia do corpo se tornar descartável ou mercantilizado. Na vida contemporânea, temos como cultura tratar tudo como dispensável, inclusive o meio ambiente e o nosso planeta. Achava que podíamos levar esse conceito ainda mais além, expandindo-o à relação com os corpos nos quais vivemos. Mas no que diz respeito à mudança de gênero ou etnia acho que não, porque se trata de uma ocorrência corriqueira tanto no livro quanto na série. Não lidamos muito profundamente com essas questões.

Laeta Kalogridis, criadora de ‘Altered carbon’ – Divulgaçaõ

Como foi a colaboração com Morgan?

Falamos muito enquanto eu estava escrevendo e quando começamos a filmar. A visão dele foi o que me levou a adaptar o livro. Então, ele foi um grande parceiro na transposição da sua obra para um novo meio.

No Globo de Ouro deste ano, os principais prêmios de TV foram para histórias femininas, capitaneadas por mulheres. Acha que o momento é favorável para criadoras?

Parece-me que estamos no meio de uma grande mudança, o que é muito bom. Acho que devemos muito às mulheres que vieram antes de nós e lutaram e sofreram para serem vistas e ganhar espaço. Quanto mais diversos e variados os criadores, mais interessante e melhor a conversa vai ser. Sinto-me feliz por fazer parte desse momento. No entanto, acho que temos muito trabalho a fazer, ainda.

Conversando com parte do elenco feminino, quando vieram ao Brasil, em dezembro, elas disseram que ficaram encantadas com o desenho de seus personagens. Houve alguma mudança nesse sentido?

Sim. Estava interessada em expandir o papel que as mulheres tinham no livro. Ao dar a elas mais complexidade e mais força. Acho que conseguimos, porque as mulheres na série me parecem mais interessantes, fortes e complexas.

Que outras mudanças promoveu ao adaptar o livro?

Como os livros são narrados quase inteiramente sob a perspectiva do Kovacs, eu quis expandir isso e ver o mundo sob outros pontos de vista, também.

“Altered carbon” lembra muito alguns clássicos da ficção-científica no cinema, especialmente “Blade Runner — O caçador de androides” (1989). A comparação procede?

Acho que “Altered carbon” é, sim, tributário da procedência e do visual do primeiro “Blade Runner”, ou seja, do trabalho do escritor Phillip K. Dick e também de William Gibson, especialmente da trilogia “Sprawl” (que inclui “Neuromancer”). Aquela ideia de questionar para onde a humanidade vai, de mostrar o encontro entre Ocidente e Oriente, destacar como resultado a explosão populacional, e principalmente destacar as diferenças entre quem tem e quem não tem dinheiro.

Homenageado pelo Fliaraxá, Mia Couto busca inspiração na natureza

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Mia Couto durante palestra em Araxá (foto: Franklin Caldeira/Divulgação)

Mia Couto durante palestra em Araxá (foto: Franklin Caldeira/Divulgação)

 

Escritor moçambicano sempre conciliou biologia e literatura. Paixão pelos animais se reflete em suas histórias e nos títulos dos livros

Ana Clara Brant, no UAI

Araxá – Imagine o que significa para um biólogo e amante da natureza ficar hospedado dentro de um parque, rodeado de árvores e várias espécies da fauna e da flora brasileira. “Quis sair para conhecer um pouco do hotel e desbravar a mata. Porém, percebi que se saísse, nunca mais voltaria de tanto que iria gostar (risos). O que seria uma grande vantagem”, brinca o moçambicano Mia Couto, um dos nomes mais importantes da literatura africana.

O lugar a que ele se refere é o icônico Grande Hotel de Araxá, no Alto Paranaíba, que desde quarta-feira recebe o Festival Literário de Araxá (Fliaraxá). Mia é o homenageado da sexta edição do evento, que será encerrado neste domingo. “Não sinto que sou o homenageado, mas sim a literatura. O importante não são os escritores, mas o que fazemos, a obra que deixamos”, diz ele.

Nascido há 62 anos, Antônio Emílio Leite Couto demonstrava, já menino, paixão pelos bichos. O apelido Mia vem daí. “Quando tinha por volta de 2 ou 3 anos, queria ser chamado assim porque pensava que era um gato. Ou melhor, não posso dizer isso no Brasil, pois, certa vez, contei essa história e todo mundo riu. Depois, percebi que a palavra gato tinha outro sentido aqui”, diverte-se.

Mia Couto sempre conciliou biologia e literatura. A paixão pelos animais se reflete em suas histórias e nos títulos dos livros – O último voo do flamingo, O gato e o escuro e A confissão da leoa. No momento, ele está fascinado pelas corujas.

“Desde que escrevi o conto Os pássaros de Deus, que defende a ideia de que eles são mensageiros, os pássaros começaram a ficar mais presentes na minha vida. Garças e corujas caem na porta do meu sítio, não tenho outra alternativa senão adotá-las. Agora estou com quatro corujinhas. Aliás, os animais nos concedem um grande aprendizado: aprender a amar de maneira que a deixar o outro solto, livre. Não as prendo lá; ficam e voltam quando querem. Não sei se vão virar livro. Só sei que as corujas, agora, são personagens da minha vida. Não me liberto delas nunca mais”, revela.

GAZA Atualmente, Mia se dedica a promover a trilogia As areias do imperador, ficção que aborda a derrocada do Império de Gaza, no Sul de Moçambique, tido como o palco da maior resistência da África à colonização portuguesa. Ele acaba de lançar o último livro da saga, O bebedor de horizontes, em Moçambique e Portugal. Os outros dois são Mulheres de cinzas e A espada e a azagaia.

“Acredito que esse tenha sido o meu maior desafio na literatura. A trilogia exigiu muito de mim, porque é um romance histórico e essa não é a minha praia. Durante quatro anos, fiz um trabalho de investigação muito vasto. Foi a única vez que escrevi uma história ficcional que queria que tivesse relação de verossimilhança e proximidade com o fato histórico, com o personagem histórico”, explica.

O bebedor de horizontes só chegará ao Brasil em 2018. Mia – que veio mais de 30 vezes ao país – é o único africano integrante da Academia Brasileira de Letras. Sócio correspondente eleito em 1998, ele ocupa a cadeira número 5, cujo patrono é o português dom Francisco de Sousa.

*A repórter viajou a convite da organização do evento


Duas perguntas para…

MIA COUTO
ESCRITOR

O tema do Fliaraxá é “Língua, leitura e utopia”. O que você acha dessa tríade?
Assim como toda tríade, ela é falsa porque é uma coisa só. São facetas de uma única entidade. Eu diria que nós não fomos feitos para caber nisso que se chama realidade. Não fomos feitos para caber em nós próprios, numa só vida, numa só pessoa. Essa ideia da utopia não é uma ideia construída. Ela é inerente, faz parte da nossa essência. Para esta relação com uma coisa que não é imediata precisamos saber uma outra língua, que é uma língua muito eufórica: a linguagem da poesia. Para isso, precisamos ter histórias. Somos feitos por histórias. Então, tudo isso faz com que as três entidades que separamos formem uma coisa só.

É a primeira vez que seus livros – a trilogia As areias do imperador – serão traduzidos para o chinês. Qual é a sua expectativa?

Vai ser algo completamente diferente. Em agosto de 2018, vou à China pela primeira vez e estou muito curioso para saber sobre essa cultura, que, aparentemente, já teve uma relação com a África, mas teve uma atitude de uma certa displicência. Há cerca de mil anos, os chineses navegaram pela costa africana, mas desistiram, porque acharam que não valia a pena, que não aprenderiam nada com a África. Mil anos depois, acho que vai ser bem interessante a relação com uma outra África.

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