Sua Segunda Vida Começa Quando Você Descobre Que Só Tem Uma

Posts tagged Holanda

A Casa de Anne Frank: um museu para um livro

0
Anne Frank, em 1940 | © Domínio público / WikiCommons

Anne Frank, em 1940 | © Domínio público / WikiCommons

 

A partir de Primo Levi e Anne Frank, Roney Cytrynowicz analisa a difusão da fotografia do menino Omran Dagneesh dentro de uma ambulância após ser ferido no bombardeio de Alepo

Publicado no Publishnews

Mais de 1,2 milhão turistas visitam anualmente a Casa de Anne Frank, em Amsterdam, na Holanda, inaugurada como museu em 1960. O que atrai as pessoas é a possibilidade de conhecer a casa e o anexo clandestino no qual Anne Frank viveu e escreveu, dos 13 aos 15 anos, seu diário / romance durante a Segunda Guerra Mundial.

De manhã a visita é realizada com ingressos previamente comprados e, à tarde, por ordem de chegada em uma fila quilométrica. É literalmente uma peregrinação com turistas de todo o mundo, especialmente jovens, tornando a casa um dos locais turísticos mais concorridos da capital holandesa.

Entram a cada cinco minutos grupos de cerca de 50 pessoas e o percurso dura de 30 a 40 minutos. O que se visita é uma casa vazia e seu anexo, com algumas fotos da mobília original, mas o percurso emociona e emudece profundamente os visitantes. O pesado silêncio raramente é rompido por algum comentário. Crianças e jovens se identificam profundamente quando a história contada no diário se torna real e palpável.

Uma frase do escritor italiano Primo Levi pode ser uma das chaves para se aproximar do apelo singular exercido em torno do diário, de sua jovem escritora e da visita à Casa: em uma história com a dimensão do Holocausto, em que seis milhões de pessoas foram mortas, a história de uma única vítima, uma menina, comove, emociona. Porque se fôssemos tentar nos aproximar do que significa o genocídio de milhões de pessoas, entre os quais um milhão e meio de crianças e jovens como Anne, escreve Primo Levi, simplesmente não aguentaríamos continuar vivendo.

A frase de Primo Levi pode ser estendida, claro, para a lógica individualizada da cobertura de mídia sobre outros genocídios e massacres, como vimos na semana passada com a difusão da fotografia do menino sírio Omran Dagneesh, de cinco anos, dentro de uma ambulância após ser ferido no bombardeio de Alepo, Síria, ou de Aylan Kurdi, o menino de três anos cujo corpo foi jogado pelo mar na praia em 2015. Segundo a Unicef, a guerra na Síria afeta profundamente a vida de 8,6 milhões de crianças sírias.

Na visita à Casa de Anne Frank, os recortes de jornal no quarto de Anne, uma das poucas características originais preservadas, comovem. Anne sonhava com Hollywood, gostava de histórias de reis e rainhas. Esta banal normalidade da vida de uma jovem contrasta dolorosamente com o seu destino: o assassinato em uma câmara de gás e depois a incineração em um crematório.

A Casa de Anne Frank é um dos lugares turísticos centrais em uma cidade cheia de atrações imperdíveis, como o museu Van Gogh e o Rijkssmusem. Além do Museu Judaico e diversos outros edifícios, como a Sinagoga Portuguesa do século 17, e a ativa Ets Haim Bibliotheek, fundada em 1639 (vale a pena conhecer o site de manuscritos digitalizados, há um roteiro de museus e monumentos relacionado à Segunda Guerra Mundial: o Hollandsche Schouwburg (o teatro judaico que se tornou o trágico ponto de partida da deportação), um novo museu do Holocausto (em uma antiga escola cujo diretor salvou dezenas de crianças da deportação) e o Museu da Resistência.

A memória da guerra em Amsterdam não deixa de ter suas tensões. Entre os países da Europa Ocidental, a comunidade judaica da Holanda foi a que, proporcionalmente, teve o maior número de mortos: 110 mil de cerca de 140 mil pessoas. Muitas causas poderiam explicar isso, entre elas a força do governo colaboracionista local e a ação de sua polícia em apoio aos nazistas.

Estes números e fatos contrastam com a imagem de um país inteiro solidário (embora a resistência tenha sido vigorosa), imagem que é muito reforçada pela história da pequena e corajosa rede de solidariedade em torno dos habitantes do anexo da família Frank. Como conta Miep Gies em seu livro (Anne Frank: o outro lado do diário, Best Seller), ajudar os Frank era apenas o certo a fazer.

O Museu da Resistência (imperdível e com uma seção para crianças; o site tem versão em português) integra também um circuito de memória local, entre eles o museu de história da cidade, que celebra e exalta a memória de uma Holanda livre, altiva, independente, empreendedora, lembrando que o país foi a principal potência colonial no século 17, quando ocupou Pernambuco para romper o bloqueio que a união entre Portugal e Espanha impôs à circulação do açúcar produzindo no Nordeste brasileiro.

Quando se pensa na história do livro no século 20, suas diferentes edições, tiragens, circulação, leituras e, principalmente, possibilidades de releituras e reinterpretações, o Diário de Anne Frank é certamente uma das histórias mais interessantes e complexas em seu impacto e sua repercussão, traduzido em pelo menos 72 línguas.

O livro tem já uma expressiva bibliografia em torno da história de suas edições, entre eles Anne Frank: A história do diário que comoveu o mundo, da ensaísta e escritora norte-americana Francine Prose (Zahar, 2010), já resenhado nesta coluna. Prose mostra a força literária das duas camadas de texto que Anne escreveu: o diário e, depois, o romance em forma de diário – e a consciência literária que ela foi adquirindo como escritora. O extraordinário é uma menina de sua idade, naquelas circunstâncias, produzir um texto com tal potência literária e de testemunho.

O Diário, editado pela primeira vez em 1947, tem figurado seguidamente na lista dos livros mais vendidos no Brasil. O número de leitores é crescente e o livro passa de geração em geração, novos leitores descobrem renovados sentidos e mensagens, entre inspirações e esperanças sobre a própria vida e o mundo. É intrigante a contínua apropriação do diário por tantas leituras e metáforas adolescentes e adultas, subjetivas e pessoais.

Abordando por um prisma diferente do de Primo Levi, o psicanalista Bruno Bettelheim sugeriu que uma chave para entender o fascínio pelo livro de Anne Frank é que, embora seja uma história relacionada a Auschwitz, o diário em si não conta o destino final de Anne, de sua família e dos moradores do anexo. O diário termina antes, como se pudéssemos esconder de nós mesmos o que aconteceu depois.

Um texto da psicológica Roseli Sayão sobre adolescência sugere que uma das diferenças da adolescência de hoje para a de anos atrás é que enquanto na de anos atrás jovens escondiam seus segredos dos pais e adultos, hoje eles os escancaram nas redes sociais, sem qualquer constrangimento. Questões da mais profunda intimidade são expostos em público.

Talvez aqui se encontre outra dimensão para entender o sucesso do Diário de Anne Frank: o acesso ao mundo íntimo, aos sentimentos, conflitos, angústias, desejos, sonhos de uma jovem, em uma situação histórica absolutamente limite. Mas o diário não apenas guardava seus segredos dos adultos do próprio anexo. É como se o diário guardasse sua vida do perigo máximo, a ocupação nazista a poucos metros, em uma corrida contra o tempo, da própria morte certa, a morte por gás. E Auschwitz é parte do mundo que os adultos (fora da casa) criaram.

No recém-publicado em português A assimetria e a vida. Artigos e ensaios 1955-1987 (Editora da Unesp, uma edição muito bem cuidada), Primo Levi, no artigo (1980) Com Anne Frank falou à história, conta em uma frase singela o encontro com Otto Frank, pai de Anne: “cruzei em Auschwitz durante uns poucos minutos logo depois da libertação: estava procurando as duas filhas desaparecidas”.

Otto sobreviveu, voltou para casa e encontrou o diário / romance, guardado por Miep Gies. O Diário de Anne Frank e É Isto um Homem?, de Primo Levi, foram publicados pela primeira vez no mesmo ano, em 1947.

Arthur Japin virá à Flip para lançar romance sobre Santos Dumont

0
Alberto Santos Dumont na cesta de um balão, no momento da decolagem. - Arquivo

Alberto Santos Dumont na cesta de um balão, no momento da decolagem. – Arquivo

 

Autor best-seller faz do livro uma investigação sobre coração do aviador

Guilherme Freitas, em O Globo

RIO — Depois do suicídio de Alberto Santos Dumont, em 1932, no Guarujá (SP), o legista encarregado de embalsá-lo tomou uma daquelas atitudes que fazem a realidade parecer mais fantástica do que a ficção. Por motivos nunca esclarecidos, removeu em segredo o coração do inventor do 14-Bis e o guardou, preservado em formol. Só o devolveu ao governo 12 anos depois — desde então ele está a salvo em um monumento no Museu Aeroespacial, no Rio.

O roubo do coração de Santos Dumont é o ponto de partida do romance “O homem com asas”, que o holandês Arthur Japin lançará, pela editora Planeta, na 14ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que acontece entre 29 de junho e 3 de julho. Com 20 anos de carreira, nove livros publicados e centenas de milhares de exemplares vendidos na Europa, o autor de 59 anos encontrou naquela cena insólita uma porta de entrada para escrever sobre um personagem que o fascina há anos: o de um homem deslocado, tímido e solitário que, no entanto, alcança a façanha do primeiro voo mecânico da História.

— Sempre me interessei por personagens que não se encaixam direito no mundo e, por isso mesmo, dão um jeito de transformá-lo para realizar seus sonhos. Santos Dumont cresceu acreditando que poderia voar. Quando diziam a ele que ninguém era capaz disso, ele pensava: “eu serei” — diz Japin ao GLOBO, por telefone.

“O homem com asas” é construído como uma investigação sobre o coração do aviador. Na trama de Japin, o legista se revolta contra a tentativa do governo Getúlio Vargas de acobertar o suicídio de Santos Dumont, que teria se matado pelo desgosto de ver aeronaves sendo usadas pelo regime para bombardear São Paulo durante a Revolução de 1932. Com a polícia em seu encalço, o médico tem a ajuda de amigos do aviador para proteger o coração.

Ao mesmo tempo, o romance narra a vida de Santos Dumont, da infância na rica fazenda de café do pai, em Ribeirão Preto (SP), em fins do século XIX, aos experimentos com dirigíveis e aviões em Paris, no início do século XX. Japin mostra como a imaginação do jovem Alberto foi influenciada pela moderna maquinaria do cafezal e pelas aeronaves mirabolantes dos livros de Jules Verne, autor de clássicos da literatura fantástica como “A volta ao mundo em 80 dias” e “Viagem ao centro da Terra”.

DESILUSÃO COM AVIÕES NA GUERRA

O escritor holandês Arthur Japin - Divulgação / Corbino

O escritor holandês Arthur Japin – Divulgação / Corbino

Lançado em setembro na Holanda, “O homem com asas” já vendeu mais de 30 mil exemplares no país. E pode fazer ainda mais sucesso, a julgar pelas vendas expressivas de romances anteriores de Japin. Inspirado em uma das amantes do poeta italiano Casanova, “Os olhos de Lúcia”, único livro seu editado no Brasil até hoje (pela Companhia das Letras), vendeu 380 mil cópias em todo o mundo. Outros de seus romances históricos, como “Vaslav”, sobre o dançarino Nijinski, tiveram números parecidos. Japin diz ter se impressionado com a reação dos leitores holandeses à história de Santos Dumont.

— As pessoas ficavam fascinadas e me diziam: por que nunca tínhamos ouvido falar dele? Infelizmente, pouca gente fora do Brasil conhece essa história. Todo mundo acha que os irmãos Wright são os pais da aviação, mas eu adoro defender Santos Dumont. Hoje, posso dizer que ele é mais conhecido na Holanda.

Para reconstruir a vida de seu personagem, o autor veio várias vezes ao Brasil, guiado por seu companheiro, o escritor americano Benjamin Moser, biógrafo de Clarice Lispector, que também participará da Flip. Japin buscou ainda detalhes curiosos que iluminassem a personalidade de Santos Dumont. Quando se mudou para Paris, por exemplo, o aviador pendurou a mesa e as cadeiras no teto da sala, a dois metros do chão. Os convidados precisavam subir escadas para se sentar, mas faziam as refeições como se estivessem em pleno voo.

— Foi o detalhe das cadeiras que fez com que eu me encantasse por Santos Dumont. É como se ele tivesse uma necessidade profunda de se descolar do chão — diz Japin, que usou a imaginação para preencher as lacunas nas biografias do aviador, criando personagens e diálogos. — A ficção começa onde terminam as pistas dos arquivos.

Uma das lacunas nas biografias de Santos Dumont é sobre sua sexualidade, motivo de debates entre pesquisadores até hoje. No romance, Japin retrata o aviador como homossexual e sugere um relacionamento entre ele e o mecânico Albert Chapin, que trabalhou com o brasileiro em suas principais invenções. Japin diz que o tema não deveria ser tratado como tabu.

— Para mim, não há dúvidas de que Santos Dumont era gay. Por algum motivo, no Brasil, algumas pessoas não gostam de ouvir isso. Mas há muito material da época sobre seu jeito feminino e o preconceito que sofria por isso.

Além do preconceito, o aviador sofreu com o destino dado à sua criação. No início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, chegou a visitar chefes de Estado para defender que o avião fosse usado em missões de paz, não bombardeios. Japin acredita que essa desilusão fez com que o brasileiro desistisse de disputar com os irmãos Wright o crédito pela invenção e, por isso, acabasse menos lembrado que os americanos. Cenário que o holandês espera mudar com seu romance.

— Mais que o avião, o legado inspirador de Santos Dumont é sua bravura. Enquanto muitos tentavam voar e fracassavam, ele foi em frente. Vocês já o conhecem bem, mas para mim é um prazer trazê-lo de volta para o resto do mundo. Como escritor, tudo que você espera é que o leitor ame seu personagem tanto quanto você.

 

Programa oferece bolsas exclusivas para brasileiros que queiram estudar na Holanda

0

1

Publicado por Hypeness

Se viajar é bom, porque te permite conhecer o mundo e ficar automaticamente mais rico, estudar no estrangeiro é ainda melhor, porque tem tudo isso e mais o desafio de um novo sistema de ensino, de uma vida fora da sua zona de conforto, de pessoas diferentes e de uma nova rotina. E quando nos perguntam que país europeu a gente escolheria para passar uma temporada, a resposta é imediata: Holanda.

Os motivos são vários, mas para quem vai estudar, saber que a Holanda tem o 3º melhor sistema de ensino superior do mundo é já um ponto (ou vários!) extra para o país das tulipas. Depois, seja viajando ou estudando, é bem provável que você se apaixone pelo estilo de vida, que tem alguns pontos bem fortes, como a mentalidade aberta, o fato de todo mundo falar inglês – com a vantagem de você não precisar aprender holandês – ou a importância que as pessoas dão pra temas como a sustentabilidade, que no Brasil e em outros lugares ainda está dando os primeiros passos.

Por isso, ficamos felizes em anunciar que o programa OTS Brazil está oferecendo um número recorde de bolsas pra brasileiros que queiram estudar na Holanda. O legal de serem exclusivas para cidadãos do nosso país é que a concorrência diminui, então já sabe: essa é a oportunidade ideal pra correr atrás de seu sonho.

Ao todo, são 76 vagas em 23 universidades diferentes, com todos os cursos ministrados em inglês (você pode descobrir quais são aqui). As oportunidades são para cursos de bacharelado, mestrado, MBA, foundation year (preparatório para graduação) e Short Degree (onde só o último ano da graduação é feito no exterior) para estudantes de diversas áreas, com destaque para Artes, Business, Indústria Criativa, Comunicação, Direito, Engenharia e Ciências Humanas. Dependendo da instituição, as bolsas podem ser para descontos na anuidade ou mesmo cobrir 100% do valor do curso, além de que muitas universidades oferecem auxílio para cobrir todos os custos relacionados ao estudo. Os valores podem chegar até 24 mil euros em dinheiro e 32.500 euros em anuidade.

1

E para você ficar a par de tudo, as universidades holandesas vão realizar vários eventos no Brasil em novembro. Tome nota: dia 19, terá palestra online, onde será possível tirar dúvidas em tempo real sobre todas as bolsas oferecidas. Nos dias 26 e 27, um grupo de 13 universidades holandesas estará na UFF, no Rio, e na UNB, em Brasília, em locais de grande movimentação, divulgando seus programas de estudo. E, por fim, nos dias 29 e 30, o grupo de universidades estará presente na 2ª edição da Euro-Pós Brasil, a feira de educação superior europeia, em São Paulo, também prontas a esclarecer as questões dos estudantes brasileiros.

1

Além desse programa especial para brasileiros, existem mais de 60 bolsas de estudo disponíveis na Holanda, que você confere aqui, o que pode realmente fazer a diferença em sua vida profissional futura.

Por existirem todas essas possibilidades, a companhia aérea KLM Brasil oferece bolsas para financiar as passagens dos estudantes. Os detalhes serão divulgados em breve e você só precisa se cadastrar nesse site para ficar a par das novidades.

1

2

Com redação sobre Anne Frank, aluno da periferia de BH viaja para Holanda

1
Willian Junio Moreira de Souza, 14, viajou para a Holanda e conheceu a casa de Anne Frank (foto: Arquivo Pessoal)

Willian Junio Moreira de Souza, 14, viajou para a Holanda e conheceu a casa de Anne Frank (foto: Arquivo Pessoal)

Rayder Bragon, no UOL

A primeira vez em que o adolescente mineiro Willian Junio Moreira de Souza, 14, viajou de avião foi em grande estilo: ele embarcou para Amsterdã, na Holanda. O estudante venceu um concurso de redações com o texto “Anne Frank e a atualidade”, sobre a adolescente perseguida por nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Filho de uma diarista, ele é aluno do 9º ano do ensino fundamental da escola municipal Anne Frank, situada no bairro Confisco, uma região pobre encravada entre as divisas de Belo Horizonte e Contagem, em Minas Gerais.

O concurso que o levou ao exterior foi promovido pelo segundo ano consecutivo pela Confederação Israelita do Brasil (Conib) e pela Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp). Participaram do certame as escolas que levam o nome de Anne Frank no Brasil. Em entrevista por e-mail ao UOL, Willian disse ter encontrado uma Anne Frank ainda atual.

Bullying, racismo, discriminação

O “Diário de Anne Frank”, em que a garota conta sobre sua vida no esconderijo, foi publicado por seu pai, Otto Frank, único sobrevivente da família, em 1947. A jovem morreu em um campo de concentração nazista, aos 16 anos.

“Bullying, racismo e desrespeito às diferenças fazem parte da vida de muitos jovens como eu”, explica o garoto. “A violência contra minorias de todos os tipos é uma questão que a humanidade ainda não resolveu. Anne Frank não é questão do passado. Muito pelo contrario, é bem atual”, declarou.

“Visitei  a Escola onde Anne Frank estudou e, lá, tive a oportunidade de ler minha redação para os estudantes. Eles me fizeram perguntas e eu também pude conhecer um pouco de seus costumes. Enfim, uma semana de muita aprendizagem”, contou, para emendar em seguida, “é muito bacana conhecer novas pessoas, crenças, costumes e culturas”.

Willian também conheceu a casa em que Anne Frank viveu com a família e o famoso anexo secreto em que a adolescente se escondeu dos nazistas com os familiares por mais de dois anos.

“Conheci os  Museu de Van Gogh e  Neno.  Diverti-me passeando  de bicicleta  e de  barco pelos canais da cidade. Andei de trem, ônibus, van” descreveu o jovem.

Souza disse ter sido instigado a buscar mais conhecimento após a viagem, feita entre os dias 24 e 31 de agosto deste ano. Quando questionado sobre o que mudou na sua vida, ele responde: “Tudo. Existe um mundo a ser descoberto”.

Divulgar o que viu

Willian disse ter se empolgado com as novas descobertas e afirmou querer repassá-las para os colegas da escola, que atende alunos do ensino fundamental.

“[Quero] passar minha experiência para meus colegas e outras pessoas. Quero  continuar a divulgar os ideais de Anne Frank através dos projetos da escola que participo. O power point [a apresentação] da viagem pretendo mostrar para meus colegas e, se tiver oportunidade, em outros espaços da cidade”, relatou.

O adolescente conta que a lição mais importante, na sua opinião, foi a de  nunca desistir dos seus sonhos e objetivos. “Não importa a dificuldade”, disse.

 

Leia o texto vencedor do concurso:

A história de Anne Frank na atualidade

Hoje, vejo a luta das pessoas por um mundo com igualdade, respeito e sem discriminação social. Vejo os negros lutando para conseguir seu espaço nas universidades, na política e nas empresas públicas; os indígenas lutando para preservar a sua cultura e até para não serem queimados em praça pública; as pessoas despertando e acordando para lutar pelos seus direitos.

No período da segunda guerra mundial, as pessoas não tinham nem direito de lutar ou de reivindicar. Acredito que isso é pior: não poder lutar, não ter voz e não ter vez.

Hoje, vejo que as pessoas têm mais oportunidades de lutar pelos seus direitos e liberdade de ir e vir.

Nisso, vejo que a luta de Anne Frank não foi em vão, pois devido ao seu exemplo, muitas pessoas entendem que reivindicar os seus direitos é uma ação e não o parar e esperar.

A história de Anne Frank foi e é importante para a humanidade saber como é o sofrimento das pessoas em uma guerra, a tristeza com a morte de amigos, a falta de água, comida e luz.

Além disso, é importante para nós valorizarmos mais a vida, aquilo que conquistamos, pois as pessoas que viveram durante a guerra, não tinham nada.

Anne Frank nunca deve ser esquecida, pois uma simples história muda vidas. Não vamos deixar que esta história de crueldade se repita por meio do bullying, do preconceito, da discriminação, do racismo e muito mais.

Todos querem mudar o mundo, o universo, mas ninguém dá o primeiro passo mudando a si mesmo.

Mas, apesar disso tudo, eu ainda acredito na bondade humana.

Inovações na educação ‘servem de estímulo a professor’, diz OCDE

0

Estudo vê ‘indícios’ de benefícios trazidos por inovações na sala de aula; relação não é ‘facilmente comprovável’.

classeinteligentekorea
Inovações – de filosofia, estilo e até de recursos tecnológicos – nas escolas podem ter impacto positivo na valorização de professores e, em alguns casos, nas notas dos alunos em algumas disciplinas.

É o que sugere um estudo-piloto divulgado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o relatório Mensurando Inovação na Educação.

A análise se debruçou sobre 28 sistemas educacionais (entre países, estados americanos e territórios canadenses, Brasil não incluído) no mundo.

Segundo os especialistas da OCDE, ainda que não haja uma relação facilmente comprovável entre inovação e melhorias na educação, “em geral, países com maiores níveis de inovação veem aumento em alguns resultados educacionais, incluindo melhor performance em matemática na oitava série (13 e 14 anos), resultados de aprendizado mais igualitários e professores mais satisfeitos”.

Entre as inovações analisadas estão materiais didáticos, recursos educacionais, estilo de ensino, aplicação de conhecimento na vida real, interpretação de dados e textos, disponibilidade de computadores e sistemas de e-learning nas aulas, novas formas de organizar atividades curriculares e uso de tecnologia na comunicação com pais e alunos, entre outros.

Porém, os investimentos em tecnologia e inovação não são unanimidade entre estudiosos de educação, já que nem sempre esses investimentos se traduzem em melhor desempenho ou em benefícios mensuráveis – e muitas vezes incorrem em aumento de gastos.

Questão de confiança
O autor do relatório, Stephan Vicent-Lancrin, explica à BBC Brasil que de fato não é possível verificar com certeza a relação direta entre inovação e benefícios. Mas há “indícios” de que aquela tenham efeitos positivos na igualdade de oportunidades entre alunos, no desempenho em disciplinas como matemática e, sobretudo, no estímulo a professores.

“Não podemos afirmar com certeza que as notas melhoram graças a inovações na sala de aula. Mas vemos que inovações trazem confiança para (que agentes participantes da educação) promovam outras mudanças”, diz Vincent-Lancrin.

“A relação mais forte que observamos foi em relação à satisfação de professores. Mais inovações trouxeram mais motivação.”

As práticas foram estudadas pela OCDE entre 2000 e 2011, no ensino primário e secundário, e o país estudado que mais adotou inovações no período foi a Dinamarca (com 37 pontos no índice calculado pelo órgão), seguido por Indonésia (36), Coreia do Sul (32) e Holanda (30).

Entre as mudanças observadas na Dinamarca estão, por exemplo, aumento no uso de testes-padrão elaborados por professores, e mais intercâmbio de conhecimento entre o corpo docente.

Segundo o relatório, “os sistemas educacionais que mais inovaram são também os mais igualitários em termos de desempenho dos estudantes”. Por exemplo, os da Indonésia e da Coreia do Sul.

Sendo assim, o estudo aponta que há uma “presunção” de que mais inovação desencadeie mais igualdade de oportunidades e aprendizado entre alunos, ainda que isso não possa ser efetivamente provado.

Debate
Mas se a adoção de novas práticas na ciência e na economia produtiva é apontada como um fator importante para a competividade global, na educação essa correlação não é tão simples. O próprio estudo aponta que existem também sistemas educacionais com baixa inovação e alto desempenho.

Ao mesmo tempo, argumentos pró-inovação na educação incluem maximizar o retorno do investimento público, buscar avanços no desempenho de alunos e reduzir a desigualdade de oportunidades entre estudantes, aponta a OCDE.

O relatório diz que, “ao contrário do que se costuma pensar, há um nível razoável de inovação no setor educacional, tanto em relação a outros setores da sociedade como em termos absolutos. Setenta por cento dos formandos empregados no setor educacional consideram seus estabelecimentos como altamente inovadores, índice similar ao da média (do restante) da economia (69%)”.

Segundo Stephan Vincent-Lancrin, o setor educacional apresentou índices de inovação mais elevados do que o restante do setor público, mas são necessários mais estudos para entender exatamente seus desdobramentos no ambiente escolar.

“Estamos tentando colocar o assunto no mapa para entender seu impacto”, diz.

Fonte: G1

Go to Top