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5 Ideias que farão de você um leitor melhor

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Karol Gomes, no Meio Norte

Os livros que podem transformar são aqueles que você lê e relê. Os livros que fazem você pensar. Os livros em que você destaca citações favoritas e sobre os quais você reflete extensivamente. Há um enorme valor em ler devagar. E também há outras formas de absorver o melhor conteúdo deles. Confira algumas dicas de como fazer isso:

1. Escreva suas 10 ideias favoritas sobre o livro

Uma forma muito boa de resumir um livro é escrever suas ideias favoritas sobre ele. Dessa forma, você poderá aproveitar o conteúdo escrevendo um artigo sobre o assunto, realizando uma palestra ou em qualquer outro empreendimento criativo.

2. Faça uma lista com suas citações favoritas

Quem tem um Kindle pode aproveitar o recurso nativo do aparelho que reúne todas citações em um só lugar – basta apenas continuar destacando suas passagens como sempre. Mas você pode fazer isso manualmente, seja copiando e colando as passagens ou reescrevendo-as – só não deixe de lê-las novamente. Além disso, sempre que você estiver procurando alguma inspiração, pesquise suas citações. Você ficará surpreso com quantas pepitas de sabedoria estão te esperando por lá.

3. Recorte o livro em cinco frases

Resuma o que você leu em apenas um parágrafo. Dessa forma, será possível se lembrar do conteúdo rapidamente.

4. Implemente uma ideia do livro hoje

A melhor forma de aproveitar o conteúdo de um livro é colocá-lo em prática. Você vai encontrar resistência interna e também terá que se esforçar para realizar algumas tarefas. Mas vai valer totalmente a pena. Caso você leia um livro esperando fazer o que ele sugere apenas um dia, não terá qualquer benefício. As ideias mais transformadoras são aquelas que você experimenta.

5. Recomende um livro a algué, explicando uma boa ideia dele

Aproveite seu resumo com as 10 ideias favoritas sobre o livro ou sua lista com as citações favoritas (itens 1 e 2 desta lista) e envie-os a um familiar, colega ou amigo. Dessa forma, você vai adicionar valor à vida da pessoa e uma boa recomendação de um livro.

Fonte: Mega Curiosos

Marcelo Gleiser participa da Bienal do Livro do Ceará

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Marcelo Gleiser aproxima questões científicas e filosóficas na busca pelo sentido da existência

Publicado em O Povo

A busca pelo sentido da existência e a vontade de entender nosso papel no universo são questões que permeiam a humanidade. Essas indagações se tornam ainda mais fortes pelo fenômeno que nos rodeia: a vida. É no tripé religião-ciência-filosofia que estão as bases para se enveredar por essa busca, é o que acredita o físico e professor Marcelo Gleiser.

Autor de livros que tratam a ciência de um modo descomplicado – com os quais ganhou dois prêmios Jabuti -, ele estará presente na Bienal do Livro do Ceará para debater a humanidade, o universo e a vida sob perspectiva da ciência, filosofia e religião.

“Vejo uma transformação ocorrendo hoje devido à essa nova percepção da importância e raridade do nosso planeta oferecida pela ciência. Ao nos relacionarmos com o mundo de modo mais profundo, despertamos também um novo tipo de espiritualidade, inspirada pela beleza do mundo natural e por nossa compreensão de que estamos todos juntos no mesmo barco”, comenta.

Aproximar a ciência de quem não entende nada de fórmulas, sem afastar do saber poético ou das questões espirituais pode parecer uma tarefa quase impossível. Porém, Gleiser procura resolver isso ministrando um curso chamado “Física para Poetas”, na Dartmouth College, nos EUA. “Não uso equações e sim ideias para estruturar as aulas. Ideias e os ideais dos homens e mulheres que contribuíram e contribuem para a construção dessa incrível narrativa da natureza chamada ciência”, explica.

Esse cuidado ao estruturar as ideias se reflete na sua escrita. Leitor de Jorge Luis Borges, Edgar Alan Poe, Fernando Pessoa e Monteiro Lobato, é se pondo no lugar do outro que Marcelo tenta escrever. “Quero criar uma narrativa que tenha significado universal, que diga algo válido para o maior número possível de pessoas, independente de onde moram ou no que acreditam”.

Em seu último livro, A simples beleza do inesperado, Marcelo resgata da infância momentos que refletem a busca pela essência e o mistério das coisas que não consegue explicar. Portanto, é ainda na infância que a curiosidade deve ser explorada, podendo formar inclusive novos leitores.

Para ele, é no fazer perguntas que crescemos, porém, o processo educacional não é desenhado para incentivar a dúvida, e sim o culto da certeza. “As crianças que perguntam ‘por quê?’ são em geral silenciadas, sua curiosidade tachada de errada ou de inapropriada. Isso é um crime, e pagamos o preço no final, criando uma sociedade apática, que não se questiona sobre o mundo ou sobre a importância de suas vidas. O Brasil tem muita gente criativa, mas precisa de muitas mais”, defende o professor.

Literatura e ciência

O convite para que Gleiser viesse à Bienal partiu da busca por fomentar uma literatura científica que interaja com a sociedade, comenta Inácio Arruda, secretário de Ciência e Tecnologia do Estado. Para o secretário, é preciso entregar produtos literários que facilitem o conhecimento desses fenômenos que acontecem em nossas vidas.

Durante os dias da Bienal, textos acadêmicos que versam sobre temas como química e botânica, produzidos por pesquisadores cearenses, serão apresentados como um modelo do que pode ser feito.“Na Bienal vamos fazer esse exercício de ver o que podemos aperfeiçoar, a linguagem que podemos utilizar para aproximar as pessoas, e não que elas se assustem com uma fala totalmente científica”.

Inácio também acredita que “descomplicar” esse tipo de leitura pode ser a porta de entrada para outros saberes. “Há ainda um mercado que é pouco explorado. Se publicam muitas teses, as pessoas ficam receosas de ler. Se você deixar essa produção voltada somente para a academia, você deixa de transformar um produto que poderia trazer muita riqueza”, conclui.

Como a vida de Freud pode inspirar a sua

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publicado na Super

Não deve ter sido fácil ser neurocientista no fim do século 19. Freud bem que tentou, mas logo viu que não poderia obter resultados muito satisfatórios naquelas circunstâncias. O que não o impediu, contudo, de buscar verdades maiores sobre o maior dos mistérios: a mente humana.

A busca inicial pela rota científica mais concreta possível para compreender os estados mentais fazia sentido para ele. Embora se considerasse judeu, Freud jamais se viu atraído pela religião. Curiosamente, mais tarde, ele fundou uma linha de pensamento que beirava o dogmatismo.

Sigismund Schlomo Freud, ou Sigmund, como acabou adotando, nasceu em 6 de maio de 1856, na cidade de Freiberg, então parte do Império Austro-Húngaro (hoje parte da República Tcheca). Foi o primeiro de 8 filhos do terceiro casamento de Jakob Freud, um comerciante de lã. A mãe, Amalia Nathansohn, era 20 anos mais nova, e engravidou de Sigmund praticamente na mesma época em que se casara. Embora criado no judaísmo ortodoxo, Jakob acabou se afastando das tradições, embora fosse reconhecido por seu estudo da Torá (a ?bíblia? judaica). A grana era bem curta. O casal vivia num quarto alugado na casa de um serralheiro quando Sigmund nasceu.

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A trajetória de Freud é uma importante história de alerta. Ela mostra como a intuição pode revelar alguns dos mais profundos segredos do âmago humano, mas também como temos de tomar um cuidado extremo para não ficarmos enamorados com ela a ponto de não enxergarmos outros sinais que nos permitam avançar.

Não resta dúvida de que o desenvolvimento da psicanálise ? com seus acertos e erros ? foi importante para o desenvolvimento do pensamento acerca do funcionamento intrínseco da mente. E Freud teve pontos de partida científicos sólidos. Tanto que, de início, buscou na neurologia ? e não na psicologia ? as respostas sobre o tema. Somente depois de constatar que o campo das neurociências então era insipiente demais para destravar os segredos da nossa própria vida mental, ele partiu para o campo da investigação por meio da terapia pela fala e, daí, formulou hipóteses válidas.

O problema foi o que ele fez delas a seguir. Em ciência, hipóteses são proposições extraídas da observação da realidade que precisam posteriormente ser corroboradas por experimentos. No caso de Freud, seus testes eram feitos por meio das histórias de vida de seus pacientes submetidos à psicanálise. Em alguns desses testes, suas ideias pareciam ser corroboradas; em outros, parcialmente; em mais alguns, ele acochambrava; e no restante, simplesmente o mais completo malabarismo era exigido. Em resumo, as hipóteses não justificavam o tanto de confiança que Freud depositava nelas.

No entanto, sua retórica era tão hábil que, a despeito das falhas, a assim chamada teoria psicanalítica ganhou rapidamente um sem-número de adeptos. Há quem diga que a principal contribuição de Freud ao pensamento humano tenha sido na literatura, e não na psicologia! De toda forma, alguns de seus seguidores, dentre eles notoriamente Carl Jung, não tardariam a enxergar rachaduras na torre de marfim de Freud.

Sua resposta foi criar um grupo politizado em defesa da psicanálise. Que reação mais anticientífica? Imagine se, diante da teoria da relatividade geral de Einstein, um grupo de físicos conservadores tentasse criar um comitê para manter os rumos da pesquisa firmemente norteados pelos conceitos newtonianos de espaço e tempo? Seria uma ação no mínimo retrógrada, para não dizer desonesta.

Então Freud foi completamente desonesto para proteger sua teoria? Não, não foi. Note que, no exemplo de Einstein e Newton, de fato apareceu uma nova teoria capaz de explicar mais fatos e abarcar mais fenômenos. No caso da psicanálise, nunca houve uma tese claramente superior capaz de ?engoli-la?. Não por acaso, apesar de suas falhas (que hoje são reconhecidas e contornadas por uma parcela significativa dos profissionais de psicologia a seguir a linha freudiana), a psicanálise continua a prosperar ? embora encontre resistências entre muitos neurocientistas.

O importante dessa história é: Freud, a exemplo de todos os gênios de todos os tempos, teve boas ideias e más ideias. Nem sempre a intuição leva ao destino certo, mas em muitos casos isso acontece. Ao apontar um novo caminho de investigação da mente, o pai da psicanálise já merece um lugar no panteão dos grandes. Seu problema foi não ter aceito que talvez parte de suas ideias merecessem mais reflexão. E ter tentado impor isso a outros, provavelmente numa batalha de egos com colegas que ele preferia ter como meros seguidores.

O brilhantismo tem um enorme valor, mas não nos torna imunes ao erro. É preciso acima de tudo humildade e flexibilidade para reconhecermos rapidamente quando estamos errados. Freud poderia ter ido ainda mais longe se exercitasse mais essas qualidades.

Os ecos dos protestos de junho de 2013 em livro e debate

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Obra traz ideias ainda em formação de nomes como Paulo Mendes da Rocha, Hans Ulrich Gumbrecht, Gilberto Gil e Fausto Fawcett

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

Quando o brasileiro saiu às ruas para protestar contra o aumento da tarifa de ônibus e contra tantas outras insatisfações em junho de 2013, Natasha Felizi, pesquisadora do Portal Panfletos da Nova Era, e João Paulo Reyes, ativista formado em audiovisual, tiveram que assistir de casa porque esperavam o nascimento da filha. Mas isso não bastava. “Nervosos com essa situação, decidimos produzir um pequeno jornal com textos publicados na internet que estávamos lendo”, conta Reys. Eles então acionaram a artista Maria Borba, que pediria ajuda a uma amiga do mercado editorial para imprimir o material.

Manifestação do Movimento Passe Livre em São Paulo, realizada em 17 de junho

Manifestação do Movimento Passe Livre em São Paulo, realizada em 17 de junho

Chegaram à Rocco, e a editora, que já queria publicar um livro ali, no calor da hora, com textos de intelectuais de peso, convidou o trio para organizar essa obra. Brasil em Movimento – Reflexões a Partir dos Protestos de Junho é o resultado de meses de entrevistas e contato com nomes divers0s – de Davi Kopenawa a Fausto Fawcett, de Gilberto Gil a Hans Ulrich Gumbrecht. Um debate nesta quinta-feira, dia 15, às 19 horas, na Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915), com Lucio Gregori, Raquel Rolnik e Paulo Mendes da Rocha – três dos mais de 30 autores do livro – marcará o lançamento em São Paulo. A ideia não é falar da obra em si, mas, como explica Maria Borba, continuar pensando o Brasil. “Este pensamento e movimento não terminam nunca, são constantes e precisam estar sempre em transformação. A luta continua”, diz.

Trata-se de um livro datado, como os próprios organizadores colocam na apresentação, e João Paulo Reyes justifica sua publicação agora, um ano e meio depois: “Junho foi um momento de importância histórica para o País e deveria ser documentado. É uma maneira de retratar o que as pessoas estavam pensando naquele momento, e transportar essas reflexões no tempo pelo livro, que é uma mídia que alcança o futuro”. Para Maria, o objetivo é apresentar um conjunto de pensamentos abertos, em desenvolvimento – em forma de texto, entrevista e trabalho artístico, e não produzir uma análise. “Uma abertura necessária no sentido de nos permitir acompanhar o movimento de um país”, comenta.

Uma cronologia dos protestos, iniciada com a manifestação em Porto Alegre, no dia 27 de março, contra o aumento da passagem de ônibus e encerrada em 26 de agosto, com a confirmação da condenação em primeira instância do morador de rua Rafael Braga Vieira, preso no Rio durante protesto, completa a obra que reproduz, ainda, obras de Cildo Meirelles, Tunga e Carmela Gross, entre outros.

Mas a história não acaba com o lançamento, acreditam. “O debate tem que continuar ecoando para que os presos políticos, feridos, vítimas da polícia e da repressão desproporcional não tenham suas causas esquecidas ou abafadas. O objetivo maior deste livro talvez seja contribuir para que junho continue ecoando, se possível cada vez mais, até que haja justiça”, diz Natasha Felizi.

Brasil em Movimento – Reflexões a Partir dos Protestos de Junho
Org.: Maria Borba, Natasha Felizi e João Paulo Reyes
Editora: Rocco (448 págs.,R$ 59,50)

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