Vitrali Moema

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Após Nobel, Patrick Modiano terá seis livros publicados no Brasil em 5 meses

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Raquel Cozer, na Folha de S.Paulo

O livro infantil “Filomena Firmeza” (Cosac Naify), único título de Patrick Modiano disponível nas livrarias do Brasil quando o francês foi anunciado vencedor do Prêmio Nobel, no último dia 9, terá a companhia de outros seis títulos do autor nos próximos cinco meses.

Três deles —”Remissão da Pena”, “Flores da Ruína” e “Primavera do Cão”— foram adquiridos só um dia depois do anúncio na Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, pela Record, que os planeja para o início do ano que vem.

Os outros, que já tinham sido editados no Brasil nos anos 1980 e 1990, mas estavam fora de catálogo —”Uma Rua de Roma”, “Ronda da Noite” e “Dora Bruder”—, foram renegociados dias atrás pela Rocco. Como a editora já tem as traduções, pretende recolocá-los nas livrarias até dezembro.

Nos últimos dez anos, quatro vencedores do Nobel de Literatura não tinham nenhum livro disponível no Brasil na ocasião do prêmio, e três tinham apenas um. Sete, incluindo Modiano, tiveram mais obras publicadas antes, mas que estavam indisponíveis no momento do prêmio.

Filomena Firmeza Patrick Modiano

Filomena Firmeza
Patrick Modiano

Quase todos passaram a ter obras editadas com mais frequência nos anos seguintes.

A urgência das editoras em contratar e editar as obras é sintomática de duas questões envolvendo edições de vencedores de prêmios Nobel de Literatura no país.

A primeira é que boa parte dos autores cuja obra se destaca o suficiente para merecer a mais importante honraria mundial de literatura costuma ganhar pouca atenção por aqui até ser premiada –e nesse ponto o nosso mercado não difere muito de outros, como o norte-americano.

Nos EUA, mercado avesso a traduções, é comum que até pessoas mais “lidas e cosmopolitas” desconheçam o vencedor quando ele não escreve em língua inglesa.

No Brasil, mercado mais aberto a obras estrangeiras, os entraves incluem o investimento em títulos de pouco retorno financeiro e a baixa disponibilidade de bons tradutores de idiomas mais difíceis.

Dois dos prêmios Nobel dos últimos dez anos continuam sem edições no Brasil graças a esses fatores. São eles: o britânico Harold Pinter (por escrever teatro, gênero pouco editado) e o sueco Tomas Tranströmer (por escrever poesia num idioma pouco traduzido aqui).

“Muitas vezes a língua é uma barreira, como aconteceu com o Mo Yan”, explica Otavio Marques da Costa, publisher da Companhia das Letras, sobre o chinês agraciado com o Nobel de 2012.

De Mo Yan, a editora lançará os romances “Rãs” e “Sorgo Vermelho” na tradução de Amilton Reis, que em 2013 verteu outra obra do autor, “Mudança”, para a Cosac Naify.

O escritor francês Patrick Modiano concede entrevista após ser premiado neste ano / Charles Platiau/Reuters

O escritor francês Patrick Modiano concede entrevista após ser premiado neste ano / Charles Platiau/Reuters

IMPACTO IMEDIATO

A segunda questão envolvendo a urgência das editoras em publicar livros dos premiados é que, em termos estritamente comerciais, o fato de um autor se tornar um Nobel só tem impacto se os livros estiverem disponíveis no momento ou logo após o anúncio do prêmio.

Um exemplo desse impacto imediato pôde ser verificado no final de 2013, quando a edição de “Vida Querida”, de Alice Munro, que estava quase pronta no momento em que a canadense venceu o Nobel, chegou às livrarias apenas três semanas depois pela Companhia das Letras.

Enquanto o livro anterior “Felicidade Demais” (2010) tinha vendido menos de mil exemplares, “Vida Querida” conseguiu atingir 7.000 cópias vendidas em um ano.

“O Nobel tem relevância expressiva na venda quando a obra está publicada. Não fez diferença quando publicamos ‘Pawana’ [de Le Clézio, que saiu no ano seguinte à premiação do francês, em 2008], mas agora, com o Modiano, fez. As livrarias procuram o livro intensamente”, diz Isabel Lopes Coelho, diretora do núcleo infanto-juvenil da Cosac Naify.

Estudo mostra que jovens da Geração Y leem mais livros

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88% da geração Geração Y dos Estados Unidos leram pelo menos um livro no último ano, contra 79% dos mais velhos

Publicado por Universia

Fonte: Shutterstock Os jovens da Geração Y possuem hábitos de leitura similares aos das pessoas com mais de 30 anos

Fonte: Shutterstock
Os jovens da Geração Y possuem hábitos de leitura similares aos das pessoas com mais de 30 anos

Uma pesquisa realizada pelo Pew Research Center, um dos mais importantes institutos dos Estados Unidos, mostra que 88% dos norte-americanos entre 16 e 29 anos leram um livro no último ano, contra 79% daqueles mais velhos.

A pesquisa reúne informações de diversos anos de estudo sobre o papel das bibliotecas na vida norte-americana e o seu impacto nas comunidades com foco especial na Geração Y. Segundo a pesquisa, esse grupo possui hábitos de leitura similares aos das pessoas com mais de 30 anos, mas têm mais chance de terem lido um livro nos últimos 12 meses. Cerca de 43% afirmam ter lido um livro (em qualquer formato) diariamente, proporção similar a de adultos mais velhos.

O uso de internet entre eles é quase universal, 98%, e as redes sociais são usadas por 90%. Os aparelhos smartphones estão nos bolsos de 77%, e muitos também ainda carregam o tablet (38%) e o leitor de livro eletrônico (24%).

Além disso, 62% acreditam que muita informação útil não está on-line, o que significa um índice maior do que a opinião de 53% de americanos mais velhos. Até por terem tantos eletrônicos, 79% Geração Y dizem que pessoas sem acesso à internet estão em clara desvantagem.

Há exatos 100 anos, Tolkien idealizou o mundo fantástico da Terra-Média

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Ian Castelli, no Megacurioso

Há exato um século, em setembro de 1914, J. R. R. Tolkien teve os primeiros vislumbres do universo fantástico que criou em suas renomadas e principais obras, como “O Hobbit”, “O Senhor dos Anéis” e “O Silmarillion”, livros que encantaram pessoas por gerações e fascinam leitores do mundo todo até hoje.

Mesmo que Tolkien não pudesse prever o impacto que suas criações fantasiosas teriam no mundo real, ele fundamentou todas as suas criações mitológicas como se elas fossem verdadeiras – foram criados línguas, lendas, heróis e até mesmo poemas mitológicos. E foi justamente com os poemas que tudo teve início.

Aos 22 anos, durante o período da Primeira Guerra Mundial, o jovem Tolkien escreveu em Nottinghamshire um aparentemente despretensioso poema sobre um marinheiro estelar que navega em direção ao céu. Batizado de “The Voyage of Éarendel the Evening Star”, esse foi o primeiro texto do universo de Tolkien, que, posteriormente, foi adaptado às mitologias propostas pelo autor.

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Nas frases de 1914, não encontramos referências aos hobbits, elfos ou ao poder do Um Anel, já que esses conceitos provavelmente não estavam na mente do jovem Tolkien. Porém, temos um rascunho de Eärendil, um personagem extremamente importante que foi pai de reis e detentor do poder da luz.

É possível que você se lembre de Eärendil em trechos do livro e dos filmes de “O Senhor dos Anéis”, já que o frasco de luz que Frodo possui e que o protege em Mordor provém do próprio marinheiro estelar Eärendil. Veja abaixo o texto original em inglês (não encontramos traduções livres para o português):

Éarendel sprang up from the Ocean’s cup
In the gloom of the mid-world’s rim;
From the door of Night as a ray of light
Leapt over the twilight brim,
And launching his bark like a silver spark
From the golden-fading sand;
Down the sunlit breath of Day’s fiery Death
He sped from Westerland.

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Caso deseje saber mais sobre Éarendel, existem mais informações sobre ele no livro “Contos Inacabados”, Volume II, editado pelo filho do autor, Christopher Tolkien. Depois de escrever o poema de Éarendel (que posteriormente virou Eärendil), Tolkien começou um processo criativo que se estendeu por anos e que está presente em todas as suas obras. Com o amadurecimento desses conceitos, a Terra-Média foi criada por ele, assim como todas as suas criaturas, lendas e referências.

Inspirado por outros épicos clássicos nórdicos e germânicos, aos poucos as histórias que hoje já conhecemos tão bem ganharam as páginas – e depois, invadiram os cinemas também.

Primavera árabe

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Sahar Delijani, author of Children of the Jacaranda Tree

Vivian Masutti, no Agora São Paulo

Autor dos best-sellers “O Caçador de Pipas” e “O Silêncio das Montanhas”, o escritor afegão Khaled Hosseini não demorou a elogiar “Filhos do Jacarandá” (R$ 34,90, 232 págs.), livro da escritora iraniana Sahar Delijani (foto) recém-lançado no Brasil pela Globo Livros.

O estilo dos dois escritores se assemelha bastante, já que suas obras estão ambientadas na chamada primavera árabe, onda revolucionária que eclodiu no Oriente Médio e no norte da África.

Foto: Psychobooks

Foto: Psychobooks

E as histórias de Hosseini e Sahar também são bem parecidas: ambos retornam décadas no tempo para contar o início dos conflitos em seus respectivos países e o impacto da revolução na vida da população.

Assim como o afegão, a autora iraniana de “Filhos do Jacarandá” não vive mais em sua terra natal e se valeu das histórias contadas por amigos e familiares para narrar as diferentes tramas que se alternam e se complementam no livro.

No caso de Sahar, elas começam com a revolução de 1979, depois que o país passou de monarquia à república e foi submetido ao comando de aiatolá Khomeini.

Nesse período, o tio de Sahar foi executado e seus pais, contrários a ambos os regimes, encarcerados. Como muitas jovens revolucionárias, a mãe de Sahar estava grávida quando foi presa.

É justamente a dor de uma mulher que dá à luz na prisão, sem higiene nem cuidados médicos, que a autora narra no começo do livro, quando a personagem Neda entra em trabalho de parto enquanto é arremessada de um lado para o outro dentro do porta-malas de uma van, com os olhos vendados.

Assim como a menina que nasce na história, Sahar passou seus primeiros 45 dias de vida na penitenciária de Evin, na capital iraniana.

“Tenho uma ligação especial com cada personagem. Cada um deles representa uma parte de mim”, disse a escritora, em entrevista concedida à coluna por e-mail, de Turim.

Ela visitou o Irã há dois anos e confessou que o que viu foi um país repleto de tristeza. “Mas vi também que as pessoas não perderam a esperança.”

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