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Mapas fantásticos: como os autores imaginam seus mundos da ficção

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O livro inédito “The Writer’s Map” traz imagens inéditas de mapas fantásticos da literatura mundial, além de histórias de como eles foram criados

Luis Antonio Costa, no Showmetech

Um dos grandes prazeres da vida, para um amante de livros (especialmente livros de fantasia), é abrir uma capa para encontrar um mapa secreto cheio de detalhes de uma terra prestes a ser descoberta. Os mapas fantásticos de um escritor sugerem um mundo totalmente imaginado.

No início de um livro, um mapa é uma promessa. No meio de, um guia. E no final é um lembrete de todos os lugares que a história levou até você. Neste artigo, iremos explorar histórias de como famosos mapas fantásticos da literatura foram criados.
A literatura dos mapas fantásticos

Um novo livro, chamado The Writer’s Map: An Atlas of Imaginary Lands (“O mapa do escritor: um atlas de terras imaginárias”, sem tradução para o português), contém dezenas de mapas fantásticos que os escritores desenharam ou que foram criados por outras pessoas para ilustrar os lugares que criaram.

Ainda não disponível no Brasil, “The Writer’s Map” explora a criação de mapas famosos da ficção.

“Todos os mapas são produtos da imaginação humana”, escreve Huw Lewis-Jones, editor do livro. “Para alguns escritores, fazer um mapa é absolutamente fundamental para a arte de moldar e contar sua história.”

O livro inclui o mapa da Utopia de Thomas More, que, quando publicado em 1516, continha o primeiro mapa de fantasia em uma obra de ficção. O livro também tem os mapas fantásticos que foram objetos de obsessão de muitas crianças: a Terra Média, a misteriosa Nárnia, a Floresta dos Cem Acres, as estradas que Milo explora em O pedágio do fantasma.

Mapa da ilha da “Família Robinson”, desenhado por Johann David Wyss

Mas também há mais tesouros aqui: o esboço de Mordor, de J.R.R. Tolkien, em papel milimétrico; esboços de C.S. Lewis; mapas inéditos dos cadernos de David Mitchell, que os utiliza para ajudar a imaginar os mundos de seus livros, como Os Mil Outonos de Jacob de Zoet; O percurso de Jack Kerouac em On the Road (uma fantasia de um tipo diferente).

Fãs de “O Senhor dos Anéis” vão adorar conferir os detalhes do mapa original da Terra-Média.

Entre esses mapas, o da Ilha do Tesouro é um marco, “um dos mais icônicos mapas literários de todos”, escreve Lewis-Jones. Ele aparece mais de uma vez nos ensaios do livro, escritos por autores e cartógrafos. Robert Louis Stevenson primeiro esboçou o mapa em 1881 como uma distração para seu enteado, e um X vermelho marca o local onde o tesouro foi enterrado.

Esse mapa inflamou um instinto cartográfico em gerações de escritores. Essa é uma experiência comum para escritores amantes de mapas – o mapa de um livro gera outro.

Em um ensaio, Cressida Cowell, autora de How to Train Your Dragon (“Como Treinar seu Dragão”, em português), escreve sobre ser inspirada em mapas desenhados pelos Brontës quando crianças, “em livros minúsculos e bonitos que eram em si mesmos um fascínio, pois a escrita era tão pequena quanto se criado por ratos.”

Criando mundos imaginários

Para muitos escritores, a cartografia é um esforço prático que os atrai para o seu próprio trabalho. “Eu sempre me dedico às histórias”, escreve Abi Elphinstone, o autor dos livros Dreamsnatcher. “Eu começo cada história que escrevo desenhando um mapa porque é somente quando meus personagens começam a se mover de um lugar para outro que um enredo se desenrola.”

Mitchell não imprime mapas em seus livros, mas precisa deles para passar pela escrita. “Se estou descrevendo a ascensão de uma montanha à personagem, preciso saber o que ela encontrará no caminho”, escreve ele. Mas também: fazer mapas é divertido.

Mapa desenhado por Munro Orr de “A Ilha do Tesouro”, por Robert Louis Stevenson.

Philip Pullman (autor dos livros da série “His Dark Materials”) fala: “A escrita é uma questão de labuta mal-humorada. Desenhar é pura alegria. Desenhar um mapa para acompanhar uma história é uma brincadeira, com a diversão adicional de colorir. ”

Mitchell também diz: “Enquanto eu estava ocupado sonhando com topografia, eu não tinha que sujar as mãos com a mecânica do enredo e personagem.” E Elphinstone confirma: “É uma das partes mais libertadoras e emocionantes da narrativa.”

Mas transformar ideias em mapas não é uma tarefa fácil. Você sabia que não foi o escritor G.R.R. Martin que desenhou os mapas de Westeros e das outras terras do universo de “Game of Thrones”? Jonathan Roberts, um desenhista e também físico teórico ficou encarregado de transpor para o papel as ideias de Martin e criar 12 mapas para o escritor.

Jonathan teve que utilizar uma série de notas detalhadas de Martin para criar os mapas de Westeros do zero.

O mapeamento tem muitas outras dificuldades. Frances Hardinge, escritora britânica de livros infantis, explica o problema de ter descrito em sua escrita uma ilha com um contorno que “lembrava um bípede com cabeça de pássaros”.

Suas primeiras tentativas de mapear o lugar pareciam erradas. “Na verdade, desenhar algo que se pareça tanto com híbrido pássaro-humano quanto com uma massa de terra plausível é muito mais difícil do que você imagina”, escreve ela.

Às vezes, escreve Hardinge, os mundos que ela sonha são “não mapeáveis”. Mas até essas histórias criam mapas nas cabeças dos leitores. “Lugares imaginários podem nos oferecer novos tipos de descoberta”, escreve Lewis-Jones. Um mapa ajuda a moldar a ideia de um lugar fictício de um leitor ou escritor, mas, em última análise, seus limites são limitados apenas por suas imaginações conjuntas.

Voltado a escritores independentes, Prêmio Kindle de Literatura anuncia segunda edição

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Ganhadora do 1º Prêmio Kindle de Literatura, Gisele Mirabai mostra a versão impressa de "Machamba", cuja versão impressa teve lançamento anunciado pela Nova Fronteira nesta quinta-feira (29) (Foto: Nando Dias Gomes/Divulgação)

Ganhadora do 1º Prêmio Kindle de Literatura, Gisele Mirabai mostra a versão impressa de “Machamba”, cuja versão impressa teve lançamento anunciado pela Nova Fronteira nesta quinta-feira (29) (Foto: Nando Dias Gomes/Divulgação)

 

Disputa vai dar R$ 30 mil ao ganhador. Obras precisam ser inéditas e devem ser inscritas primeiro na plataforma de autopublicação KDP.

Publicado no G1

A Amazon e a editora Nova Fronteira anunciaram, nesta quinta-feira (29), o 2º Prêmio Kindle de Literatura, voltado a escritores independentes.

Os concorrentes devem publicar seus romances inéditos e em português no Kindle Direct Publishing (KDP), plataforma de autopublicação da Amazon (clique aqui para ver todas as regras).

O vencedor, a ser anunciado em janeiro de 2018, receberá R$ 30 mil e poderá assinar contrato com a Nova Fronteira para lançar a versão impressa da obra. As inscrições vão de 1º de agosto a 31 de outubro.

As exigências para participar do 2º Prêmio Kindle de Literatura são:

O escritor precisa ser residente no Brasil – no caso de ter menos de 18 anos, é necessário que seja representado por um responsável legal;

O romance precisa ser escrito em português e inédito. O regulamento permite ainda inscrever “obras que tenham pequena parcela do seu conteúdo publicado em blogs pessoais ou revistas eletrônicas, desde que não ultrapasse 25% do total”;

Para participar, é preciso publicar o romance fomato digital no KDP (clique aqui), a plataforma de publicação da Amazon, entre 1º de agosto e 31 de outubro. O KDP é uma ferramenta gratuita;

É preciso usar a hashtag #premiokindle no campo das palavras-chaves durante a publicação;
Os livros inscritos devem ficar exclusivos para o Kindle no período do prêmio;

Os autores vão ter o controle total do processo de publicação, do design de capa até a definição do preço do livro. Eles também podem receber até 70% dos royalties pelo trabalho;

Não podem concorrer romances tenham já tenham sido anterioremente contratados com qualquer editora no Brasil ou no exterior;

O regulamento ainda complementa: “Também não podem ser relacionadas a outras obras do mesmo autor ou de autores diferentes (inclusive no que diz respeito aos personagens, que devem ser inéditos) e não podem fazer parte de uma série”.

Os livros inscritos na segunda edição do Prêmio Kindle vão ser avaliados por editores escolhidos pela Nova Fronteira e pelos escritores Carlos Heitor Cony e Geraldo Carneiro.

Eles vão apontar cinco finalistas, que serão divulgados entre 11 e 22 de dezembro. A cerimônia de premiação deve acontecer entre 15 e 31 de janeiro de 2018.

A Amazon informa que o 1º Prêmio Prêmio Kindle de Literatura teve mais de 1,7 mil autores brasileiros, de 460 cidades. Eles publicaram mais de 2 mil livros no KDP.

A ganhadora foi Gisele Mirabai, com o livro “Machamba”. Nesta terça, a Nova Fronteira anunciou o lançamento da versão impressa da obra.

“Eu dizia que o Prêmio Kindle de Literatura foi um divisor de águas na minha carreira, mas hoje sinto que é ainda mais do que isso”, disse, por meio de nota, a vencedora.

“Para mim, o prêmio foi uma ponte: do digital para o impresso, dos ‘nãos’ que eu tinha recebido para o ‘sim’ que eu tanto queria ouvir, mas também uma ponte para um mundo novo, que conecta a autonomia e liberdade da autopublicação, com a qualidade e exigência do mercado de literatura contemporânea.”

Sobre a visibilidade proporcionada pela disputa, o gerente geral de conteúdo para Kindle, Ricardo Garrido, afirmou que “dos mais de 2 mil títulos inscritos [no 1º Prêmio Kindle], mais de 30 estiveram entre os 100 eBooks mais vendidos na Amazon.com.br”.

Cartas escritas por Jack Kerouac quando jovem são descobertas

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Publicado na Folha de S.Paulo

Cartas inéditas do escritor americano Jack Kerouac (1922-1969), autor da obra-prima da geração beatnik “On the Road”, foram descobertas recentemente nos Estados Unidos. De acordo com o jornal “The Guardian”, ao todo 17 cartas, dois cartões postais e sete fragmentos de texto foram encontrados pela filha de um amigo de infância do escritor.

Nos textos, enviados por Kerouac ao amigo George J. Apostolos entre 1940 e 1941, ele se declara completamente apaixonado e fala de outras questões da juventude. Na época, Apostolos vivia em Lowell, Massachusetts, e Kerouac em Nova York, onde cursava uma escola preparatória e, posteriormente, a Universidade da Columbia.

Segundo um representante da casa de leilões Skinner, que irá vender o material em novembro, os textos mostram o escritor no “processo de se tornar Kerouac”.

“É preciso lembrar que são correspondências particulares trocadas entre dois jovens no final dos anos 1930 e começo de 1940. Kerouac faz menção a velhas aventuras colegiais, a saudades de sua casa em Lowell e descreve suas descobertas sociais, bebedeiras, festas e experiências com garotas”, diz o diretor de livros e manuscritos da Skinner, Devon Gray.

O escritor Jack Kerouac, autor de 'On The Road', em foto de 1962

O escritor Jack Kerouac, autor de ‘On The Road’, em foto de 1962. Associated Press

Em um dos textos, Kerouac narra sua paixão e desencanto pela irmã de uma amiga, com quem “pretende se casar”.

“Não há dúvidas de que nem eu nem você já vimos uma criatura tão primorosa como Jacqueline Sheresky”, escreve. “O pescoço dela tem aquela marca de sangue azul. Ele faz uma curva delicada, e como marfim, para um queijo amendoado perfeitamente moldado, e dali para lábios escarlates trementes, que cobrem uma fileira de dentes de mármore.”

O escritor continua a carta com seus planos para ganhar a atenção da garota. “O problema é que não tenho coragem para convidá-la ao baile de formatura…. Se eu pudesse levar esta deusa ao Waldorf, eu viveria o suficiente por uma noite.”

Kerouac ainda conta para Apostolos que temia que outro rapaz, chamado Sokolow, já tivesse convidado Sheresky para a festa, e depois narra como a encontrou dançando com Sokolow no baile. “Que maldito sórdido, um esquisito sem esperança, hipócrita, idealista, inseguro e babaca eu sou.” Em cartas seguintes, ele fala de encontros com outra garota.

De acordo com a casa de leilões, a amizade entre Kerouac e Apostolos nunca foi mencionada por biógrafos, uma vez que os textos nunca estiveram disponíveis para pesquisadores e para o público. A casa espera arrecadar entre US$ 2.000 e US$ 5.000 (entre R$ 4.736 e R$ 11.841) por cada carta.

Segundo Gray, a filha de Apostolos sabia que o pai tinha algumas cartas do escritor, mas achou que elas haviam sido queimadas, até encontrá-las entre as coisas do pai, após a morte do amigo de Kerouac.

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