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Elogiada por Obama, autora enfrentou família para entrar na escola aos 17

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Tara Westover (//Divulgação)

Tara Westover fala a VEJA sobre a vida reclusa articulada pelo pai extremista até a defesa de seu doutorado em Cambridge: ‘Estudar foi viciante’

 

Meire Kusumoto, na Veja

Até os 17 anos, a americana Tara Westover nunca tinha entrado em uma sala de aula. Dez anos depois, defendeu seu doutorado em história na tradicional Universidade de Cambridge, uma das mais conceituadas do mundo. Para isso, precisou deixar para trás, em sua cidade natal ao pé de uma montanha na área rural do estado de Idaho, nos Estados Unidos, um pai que estocava comida e gasolina para se preparar para o caos do fim do mundo, um irmão que a agredia e uma família que não acreditava no poder da educação ou da medicina tradicional.

Tara é filha de mórmons sobrevivencialistas, como são chamadas as pessoas que acreditam que devem se preparar para emergências provocadas por catástrofes naturais ou rupturas na ordem social e política. O pai de Tara desacreditava o governo, por isso demorou até mesmo para registrar vários de seus filhos — a jovem, por exemplo, só ganhou certidão de nascimento aos 9 anos. Também não matriculou as crianças na escola e não se preocupava em levá-las para o hospital quando se machucavam — achava que sua mulher, que sabia trabalhar com ervas, poderia resolver qualquer enfermidade.

Tara não convivia com pessoas de sua idade e só começou a frequentar aulas tradicionais na faculdade, depois de passar meses estudando sozinha em casa, escondida dos pais, para fazer o exame de admissão. A contragosto, seu pai acabou aceitando que ela fosse estudar na Brigham Young University, uma faculdade privada mantida pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Mas a relação dos dois acabou se deteriorando até se tornar inexistente por outro motivo: a revelação por parte de Tara de que sofria com o abuso de seu irmão mais velho, Shawn, que, violentamente, torcia seu pulso, puxava seu cabelo e enfiava sua cabeça no vaso sanitário a cada desentendimento. Seu pai não aceitou que isso fosse verdade, e proibiu toda a família de manter relações com Tara.

A jovem decidiu contar essa história no livro de memórias A Menina da Montanha, que acaba de ser publicado no Brasil pela Rocco. Lançada em fevereiro no país americano, a obra, que reflete sobre família e educação sem apelar para a autoajuda, se tornou um sucesso: angariou elogios da crítica especializada e permanece há 29 semanas na lista de mais vendidos do jornal The New York Times. Para finalizar, o livro ainda entrou para a lista de leituras de verão do ex-presidente americano Barack Obama, que chamou a obra de “excepcional”.

A VEJA, Tara fala sobre a infância, os primeiros momentos na escola e a relação com a família. Confira a entrevista:

Como descreveria a sua infância? Foi complicada. Em muitos sentidos, foi bonita, cresci em uma bela montanha, meus pais me amavam, pude brincar na fazenda, onde tínhamos animais, era idílico. Mas o ferro-velho que meu pai mantinha era perigoso e, como meus pais não acreditavam em médicos, nós não recebíamos atendimento quando nos machucávamos. Eu tinha um irmão mais velho que era violento e algumas questões não eram resolvidas da maneira que deveriam ter sido.

Acha que o que seu irmão Shawn fez vai impactar a sua vida para sempre?
Por um tempo, tive muitos problemas emocionais por causa disso, não conseguia confiar nas pessoas ou me abrir com elas. Levou alguns anos para que eu pudesse superar isso. Ele usava uma palavra com muita frequência comigo, uma palavra nociva e que me magoava. Ele me chamava de p***. Para uma garota de 16 anos, isso influencia a percepção que ela tem dela mesma de uma maneira negativa. Meu irmão tem muito poder sobre mim, ele me definiu para mim mesma e acho que não há poder maior do que esse.

Seus pais pararam de falar com você quando revelou o abuso que sofria de Shawn. Como lida com isso? Para sempre será uma tragédia eu ter precisado abrir mão dos meus pais para que pudesse cuidar de mim mesma. Queria muito que essa escolha nunca tivesse existido, mas uma vez que apareceu, sou grata por ter conseguido deixá-los e cuidar de mim. Isso não significa que eu não os ame ou que não valorize a vida que eles levam, mas levou muito tempo para que eu percebesse que há limites para as obrigações que temos com as nossas famílias. Às vezes, quando o que você deve à sua família está em conflito com o que você deve a si mesmo, tudo bem escolher a si mesmo. Hoje não sei se um dia vamos voltar a ter contato, está fora das minhas mãos. É uma decisão que eles têm que fazer.

Seu pai e seu irmão Shawn sempre falavam sobre como uma mulher decente deveria ser e agir. Como isso influenciou a sua noção do gênero feminino? Internalizei parte da retórica que culpa a mulher por sentimentos e ações que os homens têm. Nunca tinha ouvido falar de feminismo até ir estudar em Cambridge, quando tinha 21 anos. Precisei pensar muito sobre essas ideias, textos e o que eu via. Cresci com uma ideia muito particular do que era ser mulher, e para mim isso estava muito ligado à maternidade. Eu não tinha uma concepção de mulheres fazendo ou sendo algo além disso. Levei muitos anos para que eu confiasse nos meus próprios instintos sobre quem eu era em vez do que o que as outras pessoas me diziam. Hoje, me considero feminista.

De onde veio a força para estudar sozinha para tentar uma vaga na faculdade? Não tenho certeza, mas eu sabia que não queria trabalhar mais com o meu pai. Não tinha muita noção do que era educação ou faculdade, mas sabia que seriam coisas diferentes da vida que eu levava e que a vida que eu tinha não era o que eu queria. Quando descobri que tinha passado no teste e iria começar a faculdade, aos 17 anos, fiquei nervosa e ao mesmo tempo animada, porque era uma oportunidade de sair pela porta e encontrar um mundo diferente.

Como foi o período de adaptação? Eu não tinha o traquejo social de que precisava, porque nunca tinha passado muito tempo com pessoas da minha própria idade. Acho que sempre terei um pouco de ansiedade social. Eu tendo a pensar demais nas coisas e a querer uma fórmula para interagir com as pessoas, e não existe fórmula. Nos estudos, também foi complicado, porque eu não tinha conhecimento sobre muita coisa. Uma das primeiras questões que fiz na faculdade foi perguntando o que era o holocausto, nunca tinha ouvido falar naquilo antes. Também não sabia o que eram direitos civis e achava que a Europa era um país, não um continente. Havia muitos buracos na minha educação que me separavam dos outros estudantes.

No livro, você conta que uma vez te perguntaram se sentia raiva por seus pais nunca a terem colocado na escola. Você, instintivamente, disse que não. Como vê esse assunto hoje? Cresci com a forte ideia de respeito e não sentia que tinha o direito de ter raiva dos meus pais por isso. Sempre era meu instinto concordar com eles e não os criticar. Respeito é uma coisa boa, no geral, mas no meu caso foi difícil por ter sofrido tanto na faculdade e não conseguir entender por que eu não tinha tido uma educação elementar. Foi difícil aceitar que eu talvez não concordasse com a maneira como meus pais tinham me criado.

Por que decidiu estudar história? Aprender sobre história, quando eu nunca tinha tido a oportunidade antes, foi muito viciante porque pude ver todas as perspectivas. Quando criança, fui criada com perspectiva do meu pai. De repente ter acesso a vários pontos de vista diferentes fez com que eu pudesse escolher o que pensar, e não apenas assumir a visão de mundo que meu pai tinha. Foi viciante e um ato de autoafirmação.

O prólogo do livro diz que ele não é sobre religião, que há pessoas religiosas boas e ruins. Incomoda a você a associação que algumas pessoas fazem da religião como algo ruim? É uma simplificação excessiva, reducionista. Há pessoas boas, ruins, gentis, imprudentes, patéticas, egoístas. Vi todo tipo de pessoa com todo tipo de crença e nunca achei que você ter uma crença define se você é gentil ou não. No caso do meu pai, a religião era um fator, mas eu sempre achei que ele sofria de alguma doença mental, como bipolaridade. Acredito que a doença mental provavelmente foi o que levou ao extremismo religioso e não o contrário. Hoje não sou religiosa, me considero agnóstica. Mas sou amigável a religiões, não tenho pensamentos ou sentimentos negativos em relação a isso.

Como foi descobrir que seu livro estava na lista de leitura de verão de Barack Obama?
Foi muito emocionante descobrir que meu livro estava sendo lido por um ex-presidente. Fiquei muito animada e muito grata a ele por ter dispensado tempo para isso. Achei que ele trouxe boas reflexões.

As dicas de livros africanos de Barack Obama

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Barack Obama participa de homenagem à Nelson Mandela na África do Sul

Ex-presidente americano recomendou títulos de Chimamanda Ngozi Adichie e Nelson Mandela em post no Facebook

Camilo Rocha, no Nexo

O ex-presidente americano Barack Obama, que esteve no cargo entre 2009 e 2017, mantém há anos o costume de divulgar uma lista de recomendações de leitura.

Este ano, Obama aproveitou que iria viajar para o continente africano para oferecer uma seleção focada em autores africanos. A viagem inclui passagens pelo Quênia, terra do pai de Obama e à África do Sul, onde discursará em uma festa em homenagem aos 100 anos do nascimento de Nelson Mandela.

“Através dos anos, frequentemente me inspirei na tradição literária extraordinária da África”, escreveu Obama em um post no Facebook. Segundo ele, suas sugestões incluem vários dos melhores escritores e pensadores da África, “cada um dos quais ilumina nosso mundo de maneiras poderosas e únicas”.

Além dos cinco títulos de escritores da África, o ex-presidente incluiu na lista também “The world as it is”, de seu conselheiro e ex-membro de gabinete Ben Rhodes, que, nas palavras de Obama, “consegue ver o mundo através dos meus olhos como poucos”.

“O mundo se despedaça”, de Chinua Achebe

Escrito em 1958, foi um dos primeiros títulos de literatura africana em inglês a obter reconhecimento internacional. A história mostra a sociedade nigeriana lidando com a chegada dos primeiros europeus, no fim do século 19. Considerado o livro maior do escritor nigeriano Chinua Achebe, já vendeu mais de 20 milhões de cópias em todo o mundo. “Uma obra-prima que inspirou gerações de escritores na Nigéria, pela África, e por todo o mundo”, escreveu Obama.

“Um grão de trigo”, de Ngũgĩwa Thiong’o

“Uma crônica dos eventos que antecederam a independência do Quênia e uma estimulante história de como fatos transformadores da história influenciam em vidas individuais e relacionamentos”, comentou o ex-presidente sobre o livro de 1967 do queniano Thiong’o. O autor, que chegou a ser preso em 1977 no Quênia, por causa de uma peça teatral, era um dos cotados para o Nobel de Literatura de 2017.

“Longa caminhada até a liberdade”, de Nelson Mandela

A biografia do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela traça a história, “épica” nas palavras de Obama, desde a infância em uma vila do interior até a presidência, passando por seus 27 anos na cadeia. Publicado em 1994, o livro é “leitura essencial para qualquer um que queira entender a história – e depois partir para mudá-la”.

“Americanah”, de Chimamanda Ngozi Adichie

Adichie é chamada por Obama de “uma das grandes escritoras contemporâneas do mundo”. Este livro de 2014 da escritora nigeriana usa a história de dois personagens que têm de viver no exterior para discutir “questões universais de raça e pertencimento”. Segundo a autora declarou ao The Guardian em 2013, o livro “é sobre amor. Quis escrever uma história de amor à moda antiga assumida. Mas é também sobre raça e como nos reinventamos”. O romance foi eleito pelo jornal The New York Times como um dos dez melhores daquele ano.

“The Return” (O retorno, em tradução livre), de Hisham Matar

A obra de 2016 do escritor líbio-britânico trata de seu retorno à Líbia para investigar o desaparecimento em 1990 de seu pai, opositor do regime de Muammar Gaddafi. Para Obama, a escrita de Matar “habilidosamente equilibra um gracioso guia pela história recente da Líbia com a missão obstinada do autor”.

10 livros infantis inesquecíveis

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Há 136 anos, em 18 de abril de 1882, nascia Monteiro Lobato. Para homenagear o autor, que inspirou a criação do Dia Nacional do Livro Infantil, selecionamos 10 obras que marcaram a infância de muitos leitores

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

No Dia Nacional do Livro Infantil, criado em homenagem a Monteiro Lobato, que nasceu no dia 18 de abril de 1882 e foi um dos principais nomes da literatura infantil brasileira, selecionamos 10 livros (há muitos e muitos e muitos outros) que marcaram a infância de pequenos leitores país afora.

1. Ou Isto ou Aquilo, de Cecilia Meireles

“Ou se tem chuva e não se tem sol, / ou se tem sol e não se tem chuva!”… Lançado originalmente em 1964, o livro de Cecilia Meireles que traz ainda poemas inesquecíveis como O Último Andar, As Meninas e A Bailarina marcou a infância de muitas gerações de pequenos leitores – e foi ganhando, ao longo dos anos, novas edições com diferentes ilustrações.

2. Flicts, de Ziraldo

Um livro para mostrar que há lugar para todo mundo no mundo – e para todas as cores, inclusive para Flicts que não consegue se encaixar no arco-íris. Primeiro livro infantil de Ziraldo, ele foi publicado em 1969 e segue entre os mais lidos do autor de O Menino Maluquinho.

3. O Menino Maluquinho, de Ziraldo

De 1980, O Menino Maluquinho virou história em quadrinhos, livro de piada e filme e é a obra mais conhecida de Ziraldo. É a história de um menino levado que apronta todas em casa e na escola.

4. Marcelo Marmelo Martelo, de Ruth Rocha

Outro personagem inesquecível, Marcelo também encanta leitores desde 1976, quando Ruth Rocha lançou a história do menino que trocava o nome das coisas. O volume traz ainda outras duas histórias: Teresinha e Gabriela O Dono da Bola e originou novas histórias protagonizadas pelo garoto.

5. Bisa Bia, Bisa Bel, de Ana Maria Machado

Delicado livro sobre a relação entre uma menina e a bisavó que ela não conheceu. Foi publicado por Ana Maria Machado em 1980 e ganhou várias edições desde então.

6. A Bolsa Amarela, de Lygia Bojunga

E lá se vão mais de 30 edições do livro publicado por Lygia Bojunga em 1976 e que virou um dos clássicos infantojuvenis. Conta a história da menina que guardava, nesta bolsa amarela, a vontade de crescer, de ser garoto e de se tornar escritora.

7. Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato

Depois de publicar Narizinho Arrebitado em 1920, Monteiro Lobato lança, em 1931, Reinações de Narizinho, obra que seria seguida por outras histórias situadas no Sítio do Picapau Amarelo, que ganharam adaptações para a televisão, foram alvo de disputas entre editora e herdeiros e entra em dom

8. A Droga da Obediência, de Pedro Bandeira

Para crianças mais crescidas, A Droga da Obediência é lido em escolas desde seu lançamento, em 1984. Este é o primeiro livro da série Os Karas, em que os amigos Miguel, Chumbinho, Calu, Crânio e Magrí investigam crimes, e que foi revivida por Pedro Bandeira em 2014 no livro A Droga da Amizade.

9. Sapo Vira Rei Vira Sapo, Ruth Rocha e músicas de Chico Buarque

Um livro com disco! Este é um dos três títulos de Ruth Rocha sobre reis. Na história, um sapo vira rei e se revela um rei mandão e autoritário, trazendo a tona questões que continuam atuais, como poder, verdade e democracia. Nos anos 1980, a história integrou a Coleção Taba, da Abril. Os fascículo vinha com um livro ilustrado e um disco, onde se ouvia a história narrada e músicas criadas para a edição – neste caso, as músicas eram de Chico Buarque. Com Nara Leão, Jane Duboc e Ronaldo Mota e a música A Banda.

10. Coleção Reino da Fantasia

Dos anos 1970, a coleção Reino da Fantasia, lançada pela Record, conquistou leitores ainda nos anos 1980 e depois sumiu. Traz histórias como Três Gatinhos, A Pequena Vendedora de Fósforo, Peter Pan, Alice no País das Maravilhas, Cachinhos de Ouro e O Pássaro Azul.

“Não acreditaram que iria terminar”: idosa conclui ensino médio aos 91 anos

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Jéssica Nascimento, no UOL

Os cabelos  brancos e as mãos um pouco trêmulas não atrapalharam o desejo da dona Maria Pereira da Silva, moradora do Recanto das Emas, região a 35 km de Brasilia. Aos 89 anos, ela decidiu que era hora de retomar os estudos e buscar o tão desejado “canudo”: o diploma do ensino médio. Na quarta-feira (28), a idosa fez a última prova. Tirou  nota 7,5 e se formou, com direito a comemoração em uma pizzaria. Agora, ela não pretende ficar parada não. Quer fazer faculdade e se formar em teologia. O UOL foi até a escola onde ela estudou por dois anos para saber mais sobre seus planos, sonhos e lutas.

UOL —  Dona Maria, como foi a infância da senhora? O seu gosto pelos estudos surgiu logo cedo?

Maria Pereira da Silva — Olha, nasci em uma família bem humilde. Morava com meus pais e duas irmãs, no Rio Grande do Norte. Meu pai foi procurar trabalho, e ficou desaparecido por um ano, nesse tempo eu estudava. Inclusive, entrei muito tarde na escola: com 10 anos. Não tinha colégio por lá. Estudei até a terceira série. Aos 14, tive que parar. Fui dar aula na prefeitura da cidade para crianças mais novas.

Por que você parou de estudar? Gostava do que fazia?

Tinha que ajudar em casa, na renda. Minha mãe não trabalhava, tinha que cuidar dos meus irmãos e também não tinha muita oportunidade de emprego. Eu dava aula de matemática, caligrafia e leitura. Ganhava 40 mil réis. Ralava, mas gostava. Sempre gostei de ler, fazer contas. Era uma forma de me manter no estudos. Depois, me casei e vim embora para Brasília.

Quando a senhora decidiu que era hora de voltar a estudar? Sentia falta do ambiente escolar?

Quando fiz 40 anos, fui matricular meus filhos no colégio. A diretora me incentivou a voltar a estudar. Voltei, terminei o ensino fundamental mas parei de novo. Ficava muito cansada porque tinha que cuidar de filhos, casa e também trabalhava em uma rede de fast food. Aí desisti. Mas, aos 89 anos, um dos meus netos, que sempre me via lendo, perguntou se eu queria voltar a estudar. Fiquei meio pensativa, mas ele foi e me matriculou. Logo depois fomos comprar os materiais escolares.

Como foi a rotina nesses dois anos de supletivo? Tinha alguma matéria que era muito complicada? Às vezes tinha preguiça de ir pra aula?
Minha filha, só faltei dois dias no colégio. Isso só porque fiquei doente.

As pernas incharam demais e não conseguia caminhar. Minha rotina era tranquila, arrumava a casa de manhã e estudava à noite. No sábado era o dia inteiro. Minha filha mais velha me levava e buscava. Se atrasasse, eu brigava com ela mesmo. Gosto de compromisso. Uma matéria que não dá pra mim é inglês. Eu amo matemática, fazer contas. Mas inglês é difícil. Eu mal sei falar o português.

A família é muito grande, né? São 11 filhos, 28 netos, 48 bisnetos e três tataranetos. Como eles reagiram quando a senhora disse que iria se formar?

Alguns não acreditaram que eu iria terminar. Nem eu pensei também. Afinal, pela idade, não sei o que vai acontecer amanhã.

Mas eu consegui e todos ficaram muito felizes, até mais do que eu. Comemoramos na quarta-feira em uma pizzaria, cheguei e tinha balões me parabenizando. Ficou lindo e todos estavam muito emocionados.

E agora? Qual o próximo passo? A senhora disse que pretende fazer uma faculdade teologia. Qual o motivo do curso? Preparada para quatro anos de estudo?
Sim, quero sim fazer faculdade. Sou evangélica, uma leitora assídua da Biblia. Amo estudá-la. Então, esse curso tem mais minha cara. Sei que faculdade precisa de mais esforço, dedicação, espero estar bem para conseguir. Mas tenho vontade sim, viu?

Qual conselho você daria para quem pensa em seguir o seu exemplo, mas acha que não vai conseguir?

Acredite sempre nos seus sonhos. Vale a pena persistir. Não fique pensando no dia de amanhã, faça o que tiver vontade. Quem tem estudos, tem tudo. Ele vale muita coisa, sabe? Quanto mais, melhor.

5 lições de vida (comprovadas) de “O Pequeno Príncipe”

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publicado na Exame

O Pequeno Príncipe foi publicado em 6 de abril de 1943 apresentando aos seus leitores o pequeno herói da obra mais famosa do autor Antoine de Saint-Exupéry.

O livro conta a história de um piloto que, após derrubar seu avião no deserto do Saara, encontra um garotinho conhecido pelos leitores como o Pequeno Príncipe.

O menino diz ao piloto/narrador sobre o seu planeta natal, um asteroide, e suas viagens a outros mundos no universo, e eles formam um laço pouco provável durante os oitos dias abandonados no deserto.

O livro tem encantado tanto crianças como adultos do mundo todo nos últimos 70 anos. As suas páginas ilustradas foram traduzidas a mais de 250 idiomas e dialetos. Para comemorar seu aniversário, o HuffPost France destaca cinco lições de vida do Pequeno Príncipe.

1. Devemos nos reconectar com a nossa criatividade da infância

O narrador de O Pequeno Príncipe abre o livro com uma história sobre o primeiro desenho que fez quando criança, de uma jiboia digerindo um elefante. Todos os adultos que olhavam a imagem, conta ele, sempre viam a mesma coisa: um chapéu comum.

O narrador diz que ele abandonou sua paixão por desenhar até conhecer o Pequeno Príncipe, que imediatamente reconheceu o desenho pelo que era: um elefante com uma jiboia dentro.

“Mas, quem quer que fosse, ele ou ela, sempre respondia: ‘É um chapéu’. Então eu nem falava de jiboias, nem de florestas virgens, nem de estrelas. Eu me colocava no seu nível. Falava com ele sobre bridge, golfe, política e gravatas. E os adultos ficavam felizes de encontrar um homem tão razoável”.

Lição de vida: Ao crescer, não perca o contato com aquele toque de loucura e criatividade. Os adultos preferem números e ideias práticas, mas eles se esquecem de olhar além da superfície, deixar fluir e ser criativo. A medida que eles perdem a curiosidade, tornam-se mais passivos.

O que diz a ciência: A criatividade e a imaginação trazem benefícios para sua saúde. Um estudo da Revista Psychology of Music mostra que estudantes de piano ficam menos estressados quando improvisam no palco. A música pode também melhorar a percepção de como expressar vocalmente uma emoção, conforme revelou o estudo.

As pessoas criativas são extremamente parecidas ao Pequeno Príncipe; elas sonham, buscam novas experiências e fazem as perguntas certas.

2. Para apreciar os simples prazeres da vida, precisamos ser menos sérios

Na jornada em planetas diferentes o Pequeno Príncipe explica que conheceu um homem de negócios muito sério. Este homem sempre contava todas as estrelas da galáxia e embora dizia ser feliz, pois era dono de todas elas, sua vida era solitária e monótona pois ele não tinha mais nada.

Ele não conseguia sequer apreciar a beleza das estrelas.
“‘Eu as administro. Eu as conto e reconto, disse o homem de negócios. É difícil. Mas eu sou um homem sério”.

Lição de vida: Você não deve comprometer sua alegria pelos simples prazeres da vida.

O que diz a ciência: Muitos estudos afirmam que não há nada melhor do que uma boa gargalhada para levantar o ânimo e melhorar a qualidade de vida.

Em 2014, os pesquisadores da Universidade Loma Linda, na Califórnia, descobriram que as pessoas que riem mais, frequentemente têm uma memória de curto prazo melhor e sofrem menos com o estresse. Outros estudos, como um conduzido pelos pesquisadores na Universidade de Maryland, mostram que o senso de humor pode nos proteger de um ataque cardíaco.

3. Dar um tempo a si mesmo é a chave para a felicidade

O Pequeno Príncipe relata ter encontrado outro personagem interessante no quinto planeta que visitou, onde cada dia dura apenas um minuto. O acendedor de lampiões, como é conhecido, deve desligar a luz no planeta a cada minuto e daí freneticamente ligá-la de volta um minuto depois. Ele nunca tem tempo para descansar ou dormir.

“Agora que o planeta dá uma volta por minuto, eu não tenho mais um segundo de repouso. Acendo e apago uma vez por minuto!” – O Acendedor de Lampiões

Lição de vida: Você precisa apreciar cada minuto que passa. Aproveite a vida.

O que diz a ciência: Os médicos não cansam de insistir: a falta de sono é catastrófica para a sua saúde. Viver a vida como a do acendedor de lampiões em O Pequeno Príncipe pode causar um aumento no risco de diabete, doenças cardíacas, infarto, tipos específicos de câncer, problemas de memória, mudanças de humor e um aumento no seu apetite.

Os efeitos negativos da falta de sono são vários. Além de dormir, o essencial é dar-se um tempo para se desconectar do trabalho. Não há dúvidas que hoje em dia, o acendedor de lampiões teria sofrido da síndrome de Burnout”.

4. Precisamos ter coragem para explorar

No sexto planeta de sua jornada, o Pequeno Príncipe conheceu um “senhor mais velho que escrevera livros volumosos”. Embora o Pequeno Príncipe inicialmente acredite que o autor era um explorador, ele descobre que na verdade ele é um geografo que jamais saiu nem de sua mesa.

“Não é o geógrafo que vai contar as cidades, os rios, as montanhas, os mares, os oceanos e os desertos. O geógrafo é muito importante para ficar passeando. Ele não abandona a sua escrivaninha”. — O Geografo

Lição de vida: Tendemos a ficar dentro de nossa “zona de conforto” porque é mais fácil do que se arriscar. Mas nós devemos usar o tempo que temos na Terra para ter experiências diferentes, conhecer novas pessoas e viajar pelo mundo.

O que a ciência diz: Existem milhares de motivos para sair da sua zona de conforto, muitas delas cientificamente comprovadas. A ansiedade que você sente ao confrontar o desafio pode até ajudá-lo a ser mais eficiente, de acordo com os psicólogos. E adaptar-se às mudanças nos ajuda a sermos mais afiados quando mais velhos, de acordo com um estudo publicado em 2013.

5. É melhor escolher com o coração

O Pequeno Príncipe está apaixonado com a rosa do seu planeta natal, uma que é como todas as outras rosas que ele vê na Terra. Mas a sua rosa é única porque ele a escolheu. É “única no mundo”, disse a raposa, porque o príncipe passou um tempo cuidando dela.

“Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê verdadeiramente com o coração. O essencial é invisível aos olhos”. – A raposa

Lição de vida: O Pequeno Príncipe representa a espontaneidade. Diferente de muita gente, ele pensa instintivamente, com o coração. De acordo com a raposa, essa é a única forma de descobrir o que realmente importa.

O que a ciência diz: De acordo com um estudo publicado na Revista Organizational Behavior and Human Decision Processes, em 2012, uma decisão intuitiva pode resultar em resultados iguais ou melhores do que uma abordagem analítica.

Nossa intuição ajuda a equilibrar nossas decisões — ela serve para fechar o vazio entre razão e instinto, de acordo com Cholle Francis, autor de “A Inteligência Intuitiva”.

Obviamente, O Pequeno Príncipe possui outros conselhos de vida valiosos. Mas, para aprender ainda mais, talvez você queira perguntar direto para ele. Quando visitar seu planeta, não tem como errar: ele estará vendo o pôr-do-sol com a flor que ama.

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