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Inteligência artificial identifica autoria de obras literárias

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O ato de dividir os livros em redes que evoluem no tempo é a principal inovação desse trabalho – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

O ato de dividir os livros em redes que evoluem no tempo é a principal inovação desse trabalho – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

 

Baseado nos métodos de redes complexas e análise de séries temporais, sistema obteve taxa de 88,7% de acerto

Publicado no Jornal da USP

Com uma taxa de 88,7% de acerto, a autoria de 71 obras literárias foi identificada por um sistema de inteligência artificial desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) e do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. No total, o sistema avaliou 80 livros (em inglês) escritos por oito autores, como Charles Dickens, entre outros. O conceito do sistema é baseado em duas metodologias de física estatística: redes complexas e a análise de séries temporais.

As redes complexas têm auxiliado cientistas que trabalham com aprendizado de máquina – que consiste em treinar um sistema computacional a partir de dados, que podem ser de imagens, vídeos e textos, para identificar padrões; no caso do trabalho em questão, as redes complexas têm características não triviais em sua topologia. Já a segunda metodologia ajuda a entender fenômenos e sistemas cuja variação ao longo do tempo não pode ser prevista com modelos simples. Hoje, a análise de séries temporais é bastante útil no sistema financeiro, permitindo, por exemplo, prever a evolução de taxas de câmbio e ações de empresas nas bolsas de valores.

O sistema inteligente realiza vários passos. Cada livro é dividido em parcelas cujas redes de co-ocorrência tenham o mesmo número de palavras, transformando-se assim em uma série de redes. Em uma rede de co-ocorrência, as palavras de um texto são os nós, e cada vez que duas palavras aparecem juntas, uma aresta (ou seja, um link) é estabelecida entre elas. Se essas palavras co-ocorrentes se repetem, aumenta-se o peso das arestas. De cada rede extraem-se medidas de sua topologia. Tais medidas denotam, por exemplo, qual é o padrão de conexão na rede, se há nós muito mais conectados que outros, ou se os nós mais conectados se relacionam com aqueles que têm poucas conexões.

A série temporal é então formada pelas métricas de cada rede (parcela do texto) até o fim do livro analisado. Através das séries temporais relacionadas a esse trabalho, observou-se que há um padrão característico para cada autor, ou seja, as estruturas textuais dos escritores se assemelham às suas digitais. Isso foi aprendido pelo sistema inteligente a partir de algoritmos de aprendizado de máquina – a máquina acertou quais eram os autores de 71 livros analisados, a partir do algoritmo de melhor desempenho.

As características de um texto se revelam na maneira como o texto é estruturado, diz o autor da pesquisa, o professor Osvaldo Novais de Oliveira Junior, do IFSC. Foto: Divulgação/IFSC

As características de um texto se revelam na maneira como o texto é estruturado, diz o autor da pesquisa, o professor Osvaldo Novais de Oliveira Junior, do IFSC. Foto: Divulgação/IFSC

 

Autoria textual

“As características de um texto se revelam na maneira como o texto é estruturado”, explica o coordenador da pesquisa, professor Osvaldo Novais de Oliveira Junior, do IFSC. Segundo ele, o ato de dividir os livros em redes que evoluem no tempo – ao “ler” cada livro – é a principal inovação desse trabalho, pois em outros estudos encontrados na literatura sobre sistemas inteligentes para verificação de autoria textual, cada texto avaliado geralmente corresponde a uma única grande rede de co-ocorrência. Com a divisão dos trechos foi possível incluir metodologias de física estatística de séries temporais, melhorando a capacidade de análise.

Esse sistema “inteligente” poderá ser utilizado, por exemplo, na verificação de eventuais plágios e de qualidade de texto, independentemente do tamanho do conteúdo a ser analisado. O docente do IFSC afirma ainda que o objetivo final desse tipo de pesquisa é ensinar o computador a interpretar texto.

Mas será que os sistemas computacionais poderão compreender um texto? A resposta de Novais para essa pergunta é positiva, já que nos últimos anos tem havido um enorme progresso nessa área de estudo. Aliás, já se sabe que uma máquina pode, por exemplo, aprender a reconhecer objetos tal como uma criança faz – através de exemplos e, portanto, a partir de padrões! Com o aumento na capacidade de memória e processamento das máquinas, consegue-se antever que tarefas ainda mais complexas possam ser executadas.

A figura exemplifica uma rede de co-ocorrência de palavras extraídas do livro A Tale of Two Cities (Um Conto de Duas Cidades), de Charles Dickens – Imagem: Divulgação IFSC

A figura exemplifica uma rede de co-ocorrência de palavras extraídas do livro A Tale of Two Cities (Um Conto de Duas Cidades), de Charles Dickens – Imagem: Divulgação IFSC

 

Para ter uma máquina que, além de identificar autoria, compreenda o que está escrito em um texto, é preciso treiná-la com o maior número possível de exemplos. Atualmente, o sucesso desse tipo de estratégia é ilustrado pela considerável melhora nos tradutores automáticos, que agora já introduzem aprendizado de máquina. Os projetos do Núcleo Interinstitucional de Linguística Computacional, do qual Novais é membro fundador, em parceria com o Grupo de Computação Interdisciplinar do IFSC da USP, visam a desenvolver métodos e criar conceitos inovadores que também possam ser usados em grandes volumes de dados (o que se chama de Big Data).

“Podemos prever que o trabalho que estamos discutindo sirva de inspiração para projetos nos quais grandes volumes de dados serão processados e que, provavelmente, terão desempenho superior ao que tivemos”, diz o docente. Neste ano, um artigo descrevendo a citada pesquisa foi publicado na revista PLOS ONE, podendo ser acessado na íntegra aqui.

Rui Sintra, da Assessoria de Comunicação do IFSC

Livro recomendado por Bill Gates chega ao Brasil

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João Gabriel de Souza, no TecMundo

Título original: Livro sobre busca por um ‘algoritmo mestre’ chega ao Brasil

A Novatec Editora — empresa especializada em livros de tecnologia — anunciou o lançamento de “O Algoritmo Mestre” no Brasil. A obra escrita por Pedro Domingos chega com a proposta de desmistificar o assunto e tornar seu entendimento mais fácil, exemplificando como a busca pelo algoritmo mestre definitivo transformará o mundo e quais serão essas mudanças.

Segundo o autor, os algoritmos estão cada vez mais presentes e influentes em nossas vidas, podendo ser encontrados em filmes, livros e até em nosso cotidiano. Também conhecido como machine learning, o tema do livro pode ser traduzido como a automação da descoberta ou inteligência artificial, ou seja, aquilo que permite que robôs e computadores inteligentes se autoprogramem, por exemplo.

Capa do livro distribuído pela Novatec

Capa do livro distribuído pela Novatec

 

“O Algoritmo Mestre” já está disponível nas livrarias e foi recomendado por Bill Gates para quem deseja entender o que é a inteligência artificial e a forma como atua.

Feira de Frankfurt aposta em novas tecnologias ligadas à leitura

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Cerca de 275 mil visitantes são esperados este ano na Feira do Livro de Frankfurt Alexander Heimann/buchmesse.de

Cerca de 275 mil visitantes são esperados este ano na Feira do Livro de Frankfurt
Alexander Heimann/buchmesse.de

 

A Feira do Livro de Frankfurt, a maior do mundo, abre suas portas nesta quarta-feira (19) apostando nas novas tecnologias como suporte de apoio para a leitura. Cerca de 275 mil visitantes são esperados no evento que reúne mais de 7 mil expositores de cem países, entre eles, o Brasil.

Publicado na RFI

Para os organizadores da Feira de Frankfurt, que vai até 23 de outubro, o objetivo é explorar os vínculos entre arte e tecnologia, para permitir que os visitantes mergulhem em universos até agora acessíveis apenas por meio da leitura. Um exemplo é o livro do artista taiwanês Jimmy Liao “All my world is you” (Meu mundo é você, em tradução livre), que ganha vida quando o leitor coloca óculos de realidade virtual, que lhe permitirão interagir com a heroína da obra, uma misteriosa menina a quem se deve fazer sorrir.

“A literatura não existe apenas nas páginas de um livro”, afirma Suzanne Meeuwissen, da Fundação Holandesa para a Literatura, cujo país é um dos homenageados este ano. Segundo ela, a realidade virtual também é uma nova forma de expressão “para os autores e os artistas que querem explorar este novo terreno que pouco conhecem”.

Inteligência artificial e 3D

Os editores especializados em educação também apostam nas novas tecnologias, seja de aplicativos que convertem os manuais em objetos interativos ou na impressão em 3D para reproduzir órgãos em cursos de biologia. Os visitantes também poderão observar uma “sala de aula do futuro”, na qual estudantes e professores testarão diferentes inovações educacionais.

A questão de saber se estas novas ideias serão geradoras de receitas para o mundo editorial também estará no centro dos debates profissionais que ocorrem durante a Feira. Estas iniciativas inovadoras geram tanta curiosidade e esperança que o espaço chamado “Arts” que ocupam neste ano constitui quase “uma Feira dentro da Feira”.

O vice-presidente do Salão, Holger Volland, destaca que o evento está baseado no “conteúdo independentemente do formato”, e a seção “Arts” visa analisar “este novo modelo de negócios e as sinergias entre arte e tecnologia”.

Artistas, arquitetos e representantes do setor do mundo inteiro também debaterão os desafios e oportunidades da edição digital com base em experiências concretas.

O Salão do Livro, que tem mais de 500 anos, receberá nesta ocasião a visita do rei da Holanda, Willem-Alexander, e do casal real belga, Filipe e Matilde, que inaugurarão juntos o pavilhão flamengo e holandês do evento.

Brasil tem destaque no evento

O Brasil terá destaque no The Markets evento paralelo que seleciona países ou regiões influentes para participar de debates. O panorama do mercado editorial brasileiro será apresentado na palestra “Reading Brazil”, ministrada por Karine Pansa, ex-presidente e atual diretora da Câmara Brasileira do Livro e Diretora Editorial da Girassol Brasil Edições.

O evento contará ainda com outros grandes nomes do mercado editorial brasileiro, como Miriam Gabbai, publisher da Callis Editora e Mariana Warth, editora da Pallas Editoras. As três profissionais fazem parte do Brazilian Publishers, projeto da Câmara Brasileira do Livro, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), que estará representando este ano 30 editoras em um espaço de 180m².

No entanto, não se sabe se fruto da crise brasileira ou do mercado editorial, a menos de um mês do início da Feira de Frankfurt, ainda havia vagas para expositores do estande do Brasil no evento.

Literatura ensinará robôs os fundamentos do comportamento humano

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O método parece responder à necessidade de ensinar rapidamente as inteligências artificiais.

Publicado no Notícias ao Minuto

Uma equipe de investigadores da Universidade de Stanford desenvolveu uma forma rápida e eficaz de ensinar aos robôs sobre o comportamento humano tendo como base obras de ficção.

Para testar o método os investigadores deram a estes robôs acesso à comunidade de escrita online Wattpad e às suas mais de 600 mil obras de ficção da base de dados, sendo que depois de carregados com esta informação os robôs foram capazes de prever o comportamento certo mediante determinada ação com uma taxa de sucesso de 71% enquanto na identificação de objetos e pessoas conseguiram 91%.

“Muitos mais de milhões de palavras, estes padrões mundanos [nas reações de pessoas] são muito mais comuns que as suas partes contrárias dramáticas. As personagens de ficção moderna ligam as luzes antes de entrarem em divisões; reagem a elogios ao corar e não atendem chamadas enquanto estão em reuniões”, partilhou a equipe no seu estudo de acordo com o Engadget.

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