Sua Segunda Vida Começa Quando Você Descobre Que Só Tem Uma

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Livro de Paulo Coelho é o mais lido de biblioteca secreta na Síria

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© Getty Images

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Correspondente francesa escreveu sobre grupo de jovens que fundou biblioteca clandestina com 15 mil títulos

Publicado no Notícias ao Minuto

A correspondente de guerra francesa Delphine Minoui revelou ao jornal isralelense ‘Haaretz’ que um livro escrito pelo brasileiro Paulo Coelho é um dos mais populares de uma biblioteca clandestina fundada por jovens na Síria. Segundo a jornalista, ‘O Alquimista’, é o título mais popular entre os 15 mil da coleção. As informações são do jornal O Globo.

“Talvez por causa da jornada que o pastor espanhol faz da Andaluzia às pirâmides egípcias”, sugere Delphine. “Os livros didáticos também são bem procurados, era sua maneira de quebrar o cerco. Os leitores buscam meios para aprender as coisas que eles perderam por causa da guerra”.

Delphine conta a história do grupo no livro “The book smugglers of Daraya” (“Os contrabandistas de livros de Daraya”), lançado no fim de outubro. Ela conta ter encontrado o grupo que reuniu títulos durante quatro anos para fundar a biblioteca.

“Por acaso, encontrei uma foto que me chamou atenção na página “Humanos da Síria”, no Facebook. Um grupo de 20 jovens sentados em uma mesa, praticamente na escuridão, com estantes de livros atrás deles. Consegui o contato de um dos fundadores da biblioteca, chamado Ahmed, e passamos a nos falar regularmente pelo Skype e o WhatsApp, muitas vezes com o som de bombardeios ao fundo”, conta Delphine, que atualmente acompanha o conflito sírio a partie de Istambul, na Turquia.

Antes de ir à Síria acompanhar contra o regime de Bashar Assad, cobria ações norte-americanas no Iraque e no Afeganistão, além da Primavera Árabe no Egito.

Evento de literatura de Terror aproxima jovens a obras clássicas e contemporâneas do gênero

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Obras do gênero terror estarão no evento (Foto: Divulgação)

Obras do gênero terror estarão no evento (Foto: Divulgação)

O maior evento de literatura de terror do estado do Pará acontece nos dias 27 e 28 de outubro, em uma livraria de um shopping na Travessa Padre Eutíquio em Belém.

Publicado no G1

Bruxas, vampiros, zumbis e outras criaturas sobrenaturais, bem como o medo real escrito por autores ao longo de centenas de anos estarão em debate na terceira edição do Thriller in The Book: Convenção das Bruxas. O maior evento de literatura de terror do estado do Pará acontece nos dias 27 e 28 de outubro, em uma livraria de um shopping na Travessa Padre Eutíquio em Belém.

“O evento surgiu como uma possibilidade de unir os leitores do gênero, e hoje, depois de três anos, tem muita gente apoiando, como as 14 editoras nacionais que estão conosco e também as centenas de participantes que já vieram nas edições passadas”, disse Everton Assis, um dos organizadores do evento.

Esse ano a organização do evento decidiu dividir em dois dias devido o número de atividades. Haverá leitura dramática do poema “O Corvo” de Edgar Allan Poe, bate papo com autores paraenses, uma hora dedicada à autora das Crônicas Vampirescas, Anne Rice, além da discussão sobre dezenas de livros que foram lançados recentemente no gênero de thriller e terror.

“Serão quase 50 livros sorteados para os participantes, além de discussões sobre muitas questões do gênero, que está crescendo na cidade. Muitas obras às vezes passam despercebidas nas prateleiras”, diz Everton Assis.

Segundo ele, a exemplo do ano passado, haverá ainda um concurso de fantasias. “Queremos que esse ano seja uma verdadeira convenção de fãs do gênero”, diz.

“O Corvo” dramatizado

Desde que foi lançado em 1846, o Poema “O Corvo”, escrito por Edgar Allan Poe, um dos principais precursores do gênero do terror, atingiu um sucesso estrondoso em todo o mundo, sendo referenciado por outros grandes autores, como Neil Gaiman, além de estar presente na cultura pop, a exemplo dos Simpsons que fez um episódio especial sobre ele. Pensando nisso, em parceria com o grupo teatral “Teatro de Apartamento” será realizada uma leitura dramática, com o objetivo mostrar a importância e imponência do poema.

O autor paraense Andrei Simões ressalta que “O Corvo” deu respeitabilidade a Poe, que até o momento da publicação, não era muito levado a sério como escritor. “Este é um poema atemporal e imortal, pois trabalha um medo simples e primitivo de forma extrema, complexa e cirúrgica”, diz.

Haverá concurso de fantasias (Foto: Divulgação)

Haverá concurso de fantasias (Foto: Divulgação)

Autores paraenses

Desde a sua criação o “Thriller in The Book” funciona como uma vitrine dos autores paraenses, mostrando o que vem sendo publicado na região relacionado ao gênero. Andrei Simões afirma que eventos assim são fundamentais para escritores independentes como ele. “É a nossa chance de conversar cara a cara com fãs de terror e congregar com essas pessoas”, diz.

Além de Andrei Simões, esse ano participarão do bate papo Igor Quadros, autor de Agonia, Breno Torres, que lançou a antologia de contos de terror “Pesadelos Infaustos”, Clara Gianni que tem um conto publicado no livro “Vampiro: um Livro Colaborativo” e Lenmack, um autor independente que tem contos publicados em uma plataforma de livros digitais.

Serviço: Thriller in The Book Ano 3: Convenção das Bruxas, nos dias 27 e 28 de outubro, na Livraria Leitura do Shopping Pátio Belém. Dia 27 às 18h e dia 28 às 16h. Informações: soodaredacao@gmail.com.

Hábito de leitura leva catador de lixo para universidade federal

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O gaúcho Carlos César Alves Correa, de 24 anos, era catador de lixos e hoje estuda Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) (Guilherme Endler, Rede Marista/Divulgação)

O gaúcho Carlos César Alves Correa, de 24 anos, era catador de lixos e hoje estuda Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) (Guilherme Endler, Rede Marista/Divulgação)

Livro doado despertou o desejo do gaúcho Carlos César Alves Correa, hoje com 24 anos, de estudar Letras na UFRGS

Paula Sperb, na Veja

Criado pela avó e pela mãe, Carlos César Alves Correa passou a infância recolhendo lixo das ruas de Porto Alegre. De manhã, coletava papel e latas com outras sete crianças da família. De tarde, frequentava a escola. De noite, ficava na pequena casa de chão batido e paredes de madeira velha. “Quando batia vento forte, o telhado voava”, relembra Correa sobre a moradia da infância. O pátio da casa abrigava ainda a égua da família, animal usado para puxar a carroça com o material recolhido nas ruas.

“As pessoas se sensibilizavam em ver as crianças catando o lixo e doavam comida. Eu tinha vontade de estudar, mas não tinha influência da minha família porque ninguém sequer tinha o ensino fundamental completo. Não culpo eles, nenhum deles recebeu o exemplo antes”, conta o rapaz de 24 anos.

Porém, a família recebia mais do que comida. Quando tinha dez anos, o garoto ganhou um livro que despertou seu desejo de ser professor. “A história era parecida com a minha, de um jovem que queria estudar, mas não tinha recursos. Eu me enxerguei ali”, contou a VEJA.

Foi através da leitura, frequentando bibliotecas públicas da capital gaúcha e “espiando” livros nos sebos, que Correa deixou a rotina de catador de lixo para ser aprovado no curso de Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atualmente, o universitário conta sua história para jovens em vulnerabilidade social através de projetos da Rede Marista, em Porto Alegre. Um desses projetos é a “Rede do Livro”, iniciada em agosto, que incentiva a doação de livros para modificar o baixo índice de leitura no país: 1,7 livro per capta por ano, segundo o Ministério da Cultura. Os voluntários podem doar livros diretamente para pessoas ou instituições de sua escolha e utilizar a “hashtag” #rededolivro nas redes sociais para divulgar a ação. A campanha também promove a doação de sangue.

O gaúcho Carlos César Alves Correa, de 24 anos, conta a jovens em vulnerabilidade social como a leitura transformou sua vida (Guilherme Endler, Rede Marista//Hábito de leitura leva catador de lixo para universidade federal/Divulgação)

O gaúcho Carlos César Alves Correa, de 24 anos, conta a jovens em vulnerabilidade social como a leitura transformou sua vida (Guilherme Endler, Rede Marista//Hábito de leitura leva catador de lixo para universidade federal/Divulgação)

Antes de contar sobre a importância da leitura e da literatura na sua vida para outros jovens, o rapaz chegou a abandonar a escola para ajudar a família com um trabalho mais rentável. “Cortaram água, luz e o aluguel era alto para o que se recebia. Precisei colaborar. Achei que nunca voltaria a estudar”, conta. Mas Correa conseguiu emprego e retomou os estudos. Pagou com o próprio dinheiro um cursinho para se preparar para o vestibular e foi aprovado na UFRGS. Correa foi aprovado pelo sistema de cotas (racial, por renda e por ter estudado em escola pública).

Para conseguir estudar no turno da manhã e tarde, Correa trabalha atualmente em uma empresa de call center. “Meu trabalho tem muita pressão, mas é o único mercado que tem contratado durante a crise e tem flexibilidade de horário para que eu possa ir à universidade”, explica o universitário.
Desde que a leitura se tornou um hábito, Correa elegeu Machado de Assis como seu autor favorito, mas também é admirador dos poetas Mário Quintana e Cecília Meireles. Aluno do quarto semestre, Correa planeja ser professor de escolas públicas assim que se formar para despertar nas crianças o interesse pela literatura e pela leitura.

Por que os jovens universitários estão tão suscetíveis a transtornos mentais?

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 baona via Getty Images O sofrimento psíquico pode estar associado a uma crise do modelo de vida que muitos estudantes levam até chegar à universidade.

baona via Getty Images
O sofrimento psíquico pode estar associado a uma crise do modelo de vida que muitos estudantes levam até chegar à universidade.

Segundo pesquisa, 30% dos alunos de graduação em instituições federais no Brasil procuram atendimento psicológico.

Thais Matos, no HuffpostBrasil

No meio do caminho, tinha uma crise nervosa. Gastrite corroendo o estômago a ponto de tirar a fome e levar a intensos enjoos, seguidos de vômito. Nessa estrada, prazos curtíssimos se atropelavam com a exigência e o descaso dos mentores. No fim do caminho, tinha um diploma universitário. “Por causa da faculdade, desenvolvi ansiedade e pânico”, declara Ana Batista*, recém-graduada em Relações Internacionais na INPG (Instituto Nacional de Pós-Graduação), em São José dos Campos (SP).

Durante as férias de julho, na cadeira do dentista, Luís Ferreira sentiu os batimentos acelerarem, a respiração ofegante e uma dor no peito. Ele teve certeza de que morreria ali, prestes a tirar o siso. Diante do horror do desconhecido, implorou que o levassem ao hospital temendo uma reação à anestesia. Fez uma bateria de exames e lhe disseram que não tinha nada. Esse é o diagnóstico que se recebe em alguns hospitais quando se sofre um ataque de pânico. A partir de então, a sobrevivência do estudante de engenharia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) fora de casa passou a depender da dose diária de Rivotril.

Ana e Luís fazem parte do número cada vez mais expressivo de estudantes que passam por algum tipo de sofrimento psíquico. Segundo pesquisa divulgada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) em 2016, 30% dos alunos de graduação em instituições federais no Brasil procuraram atendimento psicológico dois anos antes. E mais de 10% fizeram uso de algum medicamento psiquiátrico.

Para Ana, o esgotamento físico era acirrado pela rotina absurdamente intensa em três cidades paulistas. “Eu trabalhava em uma cidade, estudava em outra, fazia TCC, dava aula sábados e dormia em uma terceira cidade. Digo dormir porque passar apenas a madrugada em casa não é morar.”

Ela sofreu sozinha durante os seis anos das duas graduações. Durante o último ano, tomou calmante e remédios para dormir todos os dias. Em seu pior momento, faltou inúmeras vezes por não conseguir levantar da cama. “Ninguém se preocupa com o aluno, ninguém pergunta por que você teve tantas faltas.”

Ana buscou por conta própria a ajuda de um psicólogo. “Nem que eu quisesse procurar alguém dentro da faculdade eu conseguiria muita ajuda. Eles não disponibilizam. Em nenhuma das duas instituições que eu estudei”, conta.

Para Luís, o curso dos sonhos na melhor universidade do Brasil revelou-se uma fonte de hostilidade. Ela vinha de diversas frentes: dos outros estudantes, com trotes pesados e comportamentos preconceituosos; dos professores, ora autoritários ora desinteressados; e do próprio modus operandi do curso. Após passar quase 20 dias estudando sem pausa para uma prova, sua nota foi baixíssima: 1,5 de 10. Com isso, veio o sentimento de incapacidade. “A cobrança era tão alta que eu poderia estudar 20 horas por dia e ainda assim tiraria uma nota ridiculamente baixa”, explica.

Sem amigos ou incentivo, ele desistiu das matérias gradativamente. Se escondia na casa da namorada durante os dias em que deveria estar na faculdade. Sentindo-se sozinho e sem saber como pedir ajuda aos pais, vendeu suas coisas para ir ao psicólogo sem que ninguém soubesse.

Ele não passou nos dois primeiros semestres da universidade. Foi jubilado. “Eu, de fato, não era mais aluno da Unicamp.” Depois disso, teve que contar aos pais o que havia acontecido. Da mãe, teve todo o ombro e a ajuda necessários. Do pai, a rejeição. Não se falaram mais.

Algumas universidades brasileiras têm se mobilizado para que as diretorias olhem com mais cuidado para o problema do sofrimento psíquico e dos transtornos mentais de seus estudantes. Em setembro, a Faculdade de Economia e Administração da USP lançou uma campanha chamada “Isso não é normal”, na qual os alunos anonimamente declararam o que sentiam no ambiente universitário. As respostas relatavam ataques de ansiedade, desmotivação, problemas para dormir, depressão e pânico.

Para o psicólogo Pablo Castanho, professor e coordenador da clínica-escola Durval Marcondes do Instituto de Psicologia da USP, esse quadro não é um fenômeno atual. “Essa demanda de sofrimento psíquico dos alunos de graduação e pós tem chamado bastante atenção na USP e no exterior. Mas há mais de 20 anos eu já atendia pacientes com as mesmas questões.”

O que causa a impressão de aumento no número de casos, segundo Castanho, é a abertura que temos para tratar o assunto hoje em dia. Isso porque as pessoas estão mais atentas para perceber mudanças de comportamento. “Na USP, existe um movimento de professores entrando em contato com o Instituto de Psicologia, preocupados sobre como podem perceber que um aluno está mal”, revela o professor.

Os motivos

Há cinco fatores que podem explicar a ocorrência de sofrimento psíquico e transtorno mental nos estudantes universitários, de acordo com o psicólogo e professor Pablo Castanho. No entanto, nenhum motivo é a causa isolada do problema.

1. Influência do mercado de trabalho

Para o professor, as universidades estão cada vez mais próximas do mercado de trabalho e as cobranças que existem na atividade profissional chegam à universidade. “Isso vulnerabiliza muito a pessoa”, afirma.

Além disso, ocorre uma “competição predatória”, segundo ele a classifica, “inibindo o fairplay”. Os alunos estão o tempo inteiro em competição por bolsas de estudos, vagas de estágio, liderança nas empresas júnior e intercâmbio, por exemplo.

“Em algumas universidades, a média é criada por um critério comparativo. Para um aluno ir bem, outro necessariamente precisa ir mal. Então acontecem coisas como alunos que escondem livros da biblioteca, ou arrancam páginas para que outros não consigam estudar”, conta Castanho.

Para ele, todo o caminho da formação está impregnado por valores profissionais e mercadológicos. “As crianças estão expostas desde cedo, acreditam que têm que ascender rapidamente. Ao mesmo tempo, elas não aprendem a lidar com esse ambiente competitivo e ficam inseguras e vulneráveis para lidar com as cobranças.”

Mas ele alerta que a solução não está na volta ao modelo de universidade de décadas atrás. “Uma coisa é uma relação com o mercado de trabalho, outra é mimetizar as relações sem se dar conta disso. É preciso fazer uma inserção crítica e investir na solidariedade entre os alunos, evitando mecanismos excessivamente competitivos no dia a dia.”

2. A desarticulação do coletivo

Ao contrário do que se costuma pensar, a pressão da universidade não é a única causa do sofrimento. “Por pior que sejam a pressão pelo resultado, as críticas e ataques aos alunos, e a exposição de estudantes que vão mal, existem estratégias de lidar com isso. O grande problema é a desarticulação dos coletivos.”

Para o psicólogo, com o acirramento da competitividade, o conjunto de alunos perde a força de unidade e não se organiza para enfrentar essa situação ou mesmo se ajudar mutuamente.

3. Crise do modelo de vida

O sofrimento psíquico pode estar associado a uma crise do modelo de vida que muitos estudantes levam até chegar a universidades. “Principalmente os que passam em vestibulares concorridos dedicaram boa parte de suas vidas ao estudo para a prova. Depois que eles passam, não sabem se realmente valeu a pena”, explica Pablo Castanho.

Para o professor, é como se os alunos abrissem mão de uma vida equilibrada para buscarem uma posição. Na universidade, “começa a cair a ficha” de todas as privações e sacrifícios que antes pareciam naturais.

4. Perda de referências

Quando se muda de cidade para cursar a graduação, o universitário passa por uma série de mudanças que demandam “rearranjos psíquicos”. Segundo o psicólogo, quando se sai do grupo em que cresceu, perdem-se referências.

“Muitos alunos saem de contextos nos quais são destaque, com ótimos desempenhos, e, quando chegam à universidade, percebem que são na verdade medianos, quando se deparam com outras pessoas de mesmo nível. É aquela história de ser peixe pequeno em aquário grande ou peixe grande em aquário pequeno. Eles passam, então, por uma quebra da autoimagem e isso gera sofrimento.”

5. Falta de significado

Para o psicólogo, o sofrimento é inerente a um intenso período de estudos, como da universidade, mas é preciso tomar cuidado para que esse incômodo não se torne um adoecimento psíquico.

Para isso, é preciso um contraponto, que pode ser encontrado no significado que a carreira tem para o estudante.

“Uma carga de trabalho muito grande na universidade e a privação de sono são extremos que deixam o aluno mais vulnerável. O fato de ter algo estressante ou desprazeroso não é o problema. Se aquilo faz um sentido na vida da pessoa, é mais fácil passar por dificuldade de lidar com aquilo. Se a pessoa está em uma carreira que não faz sentido, não tem como lidar com toda a carga emocional que ela exige”, conclui.

Cresce número de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

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Jovens: 14,4% não estão sequer procurando trabalho ou ocupação, segundo o IBGE (Thinkstock)

Jovens: 14,4% não estão sequer procurando trabalho ou ocupação, segundo o IBGE (Thinkstock)

 

A proporção dos jovens “nem nem”, que não estudam nem trabalham, aumentou em 2015 em relação a 2014

Publicado na Exame

Rio – O número de jovens de 15 a 29 anos que não estudavam nem trabalhavam em 2015 cresceu no País, chegando a 22,5% da população dessa faixa etária. Sequer procuravam trabalho 14,4% dessas pessoas.

A proporção dos chamados “nem nem” cresceu 2,5 pontos percentuais em relação a 2014 (20%) e 2,8 frente a 2005 (19,7%). O grupo de 18 a 24 anos apresentou o maior porcentual em 2015: 27,4%.

Os dados são da Síntese de Indicadores Sociais, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga nesta sexta-feira, 2.

“É quase um quarto dos jovens, e os números mostram que o porcentual dos `nem nem nem’, que não estudam, não trabalham e não procuram trabalho, não varia mesmo em cenários diferentes”, aponta a analista do IBGE Luanda Botelho, referindo-se ao fato de que os “nem nem nem” terem representado 12,8% dos jovens em 2005.

“No caso dos `nem nem’, a piora do mercado de trabalho influenciou o resultado. Quando a economia piora, os jovens são os mais afetados e os que mais demoram a se recuperar.”

Por conta da maternidade e da maior dedicação a afazeres domésticos, o porcentual de mulheres não estudantes e inativas em 2015 era quase o dobro do que o de homens: 29,8%, contra 15,4%.

Em 2005, estas proporções eram 28,1% e 11,1%.Da população feminina de todas as faixas que não trabalhavam nem estudavam, 91,6% ocupava-se das tarefas da casa, incluindo aí os cuidados com os filhos.

Quando se comparam homens e mulheres que trabalham fora, a persistência da sobrecarga sobre elas quanto às atividades domésticas é evidenciada pelos dados do IBGE.

De 2005 a 2015, o número de horas semanais que os homens gastaram com esse tipo de atividade não se alterou: ficou em 10 horas.

Já entre as mulheres o dispêndio de tempo é o dobro disso, e, somada à jornada de trabalho fora, a jornada total semanal feminina é em média cinco horas maior do que a masculina.

A Síntese é feita pelo IBGE desde 1998. Esta edição utilizou números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2015 e do Censo de 2010, entre outras publicações, e trouxe dados relativos a demografia, famílias, educação, trabalho, distribuição de renda e domicílios. O objetivo da síntese é traçar um perfil das condições de vida da população.

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