Vitrali Moema

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George R.R. Martin dará bolsa de estudos para autores de fantasia

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Criador original de “Guerra dos Tronos” procura novos talentos – Robert Galbraith / Reuters

Escritor busca talentos na criação de universos fictícios

Publicado em O Globo

RIO — Autor da saga “As crônicas de gelo e fogo”, que deu origem à série “Game of Thrones”, da HBO, George R.R. Martin quer ver seu mercado crescer. O autor anunciou, em seu blog oficial, que vai bancar uma bolsa de estudos para um escritor interessado em criar universos de fantasia — como o continente Westeros, onde se passa “Game of thrones”, ou a Terra Média de “O Senhor dos Anéis”.

Martin cita na postagem que, entre os demais elementos de uma boa história, “a fantasia épica também requer um cenário memorável”. O vencedor ganhará um curso de escrita com duração de seis semanas, que ocorrerá em Seattle, nos Estados Unidos.

PROCESSO DE SELEÇÃO

Para ele, a explosão de popularidade da série de livros “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien, nos anos 60, fez com que muitos leitores se interessassem mais pelo universo das obras.

“O poster em milhares de dormitórios de faculdades pelo país não era de um personagem ou uma cena, mas sim um mapa da Terra Média”, diz um trecho da postagem.

A seleção será anual e o bolsista escolhido em um julgamento “às cegas” dentre os que se inscreverem para o curso, o Clarion West Writers Workshop. Os critérios levados em conta serão o talento na criação de universos fictícios e a necessidade financeira pela bolsa.

Segundo a postagem, não haverá limitações de idade, raça, sexo, religião, cor da pele, local de origem ou campo de estudo. A bolsa cobrirá, durante as seis semanas, taxas de estudo, matrícula e alojamento.

Julgamento de ‘Adolf Hitler’ mobiliza alunos de escola em Mogi das Cruzes

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Júri tem direito a promotoria, advogados, juiz e jurados.
Professor usa julgamento para ensinar história.

Sala se divide em acusação e defesa para julgar 'Hitler'. (Foto: Jenifer Carpani/G1)

Sala se divide em acusação e defesa para julgar ‘Hitler’. (Foto: Jenifer Carpani/G1)

Jenifer Carpani, no G1

Mesmo morto há quase 70 anos, ‘Adolf Hitler’ foi absolvido nesta semana de todas as acusações em um julgamento que aconteceu em Mogi da Cruzes (SP). O júri de sete pessoas decidiu por cinco votos a dois, que o ditador era inocente. O julgamento faz parte de uma aula de história, que acontece há 10 anos na Escola Técnica Presidente Vargas, na cidade.

Anualmente, ‘Hitler’ passa por cerca de seis julgamentos iguais a esse que têm direito a promotoria, acusação, juiz, e o ‘próprio’ réu. Os alunos do 3º ano do Ensino Médio da escola se reúnem para debater sobre os erros e acertos do ditador. O julgamento termina com a decisão do júri, formado por outros sete alunos convidados, que decide após o debate qual dos grupos se saiu melhor.

O professor de história Paulo Ciaccio é o responsável pela implantação do trabalho na escola. “Faço o julgamento há 10 anos. A ideia surgiu após um professor de faculdade fazer uma vez um julgamento de um personagem histórico. Eu acabei pegando a ideia dele para colocar em prática aqui. E funcionou. Agora fazemos todos os anos, virou uma tradição”, diz.

Segundo Ciaccio, neste ano serão 240 alunos do 3º ano que farão os seis julgamentos até sexta-feira (28). Ele explica que cada sala tem o seu e os alunos são divididos: metade da sala acusará e metade da sala defenderá o ditador. “Eu faço um sorteio. Eu não permito que se escolha o que quer fazer, para que não tenha nenhum tipo de tendência. Então eu pego o nome deles antes e faço o sorteio. Nesse ano, por exemplo, tem muitos alunos que queriam defender e serão da acusação”, explica.

Acusação X Defesa

O G1 acompanhou um dos julgamentos de 2014. Poucos momentos antes de começar, os alunos vestidos com roupa social, estudavam e afinavam os últimos detalhes do debate. Visivelmente nervosos, alguns treinavam o que iriam falar – tanto na defesa quanto na acusação – e tentavam, disfarçadamente, descobrir o que o outro grupo estava preparando.

Era clara a divisão na sala. A acusação estudava livros e pilhas de papeis sobre o que os promotores falariam em seguida. A defesa, com bigode e cabelo ‘a lá’ Hitler, se reunia no outro canto da sala, tentando decorar os principais argumentos.

Alunos fizeram 'novo símbolo' para identificar membros da defesa. (Foto: Jenifer Carpani/G1)

Alunos fizeram ‘novo símbolo’ para identificar
membros da defesa. (Foto: Jenifer Carpani/G1)

Para o professor, o trabalho da defesa é mais difícil. “É muito mais difícil defender. Primeiro porque ele já foi condenado pelo tribunal de Nuremberg. Só que aí, apareceram tantas teses tentando atenuar a culpa dele. Ele foi errado, mas uma parte acha que ele não foi tão errado assim. Ele fez coisas boas para o país, isso é incontestável. Mas mergulhou a Alemanha na Segunda Guerra Mundial. Tudo o que ele fez de bom ele acabou estragando”, conta.

“O que eu falo para eles: ele é errado. Ele errou. Só que tem que haver uma segunda visão, que tem que ser no debate. Coisa que não houve. Porque quando ele foi julgado ele tinha se matado, né? Por isso que eu falo, fazer esse trabalho é uma coisa muito dinâmica. É um trabalho muito dinâmico e dá um debate muito acalorado, realmente”, afirma.

De blazer, camisa social, e salto, a estudante Letícia Ponciano se mostrava um pouco nervosa antes do início do julgamento. “É que eu vou falar”, justifica. “Foi bem trabalhoso me preparar, estudamos vários argumentos e tivemos um pouco de trabalho. Estamos levando a sério. Mas acho super importante, porque dá um conhecimento a mais. Se no vestibular cair algo do nazismo, eu estou feita”, diz rindo.

Já o aluno Nilton Toaiari Rodrigues Alves, de 17 anos, se disse tranquilo. “Achei o trabalho na parte pedagógica bem interessante. Conseguimos olhar a história mundial de uma maneira diferente. Tem muito assunto sobre isso e podemos ver também que são muitas as teorias”, diz.

A estudante Nathália Kimberly, de 17 anos, também gostou de ter feito a pesquisa antes do julgamento. “Fiz muita pesquisa, e achei super interessante. Consegui ver os dois pontos e a pesquisa ajuda a gente a se envolver, a saber mais”, diz.

Professor fica caracterizado de ditador para julgamento. (Foto: Jenifer Carpani/G1)

Professor fica caracterizado de ditador para julgamento. (Foto: Jenifer Carpani/G1)

Após o professor lembrar mais uma vez aos alunos que se trata de um trabalho pedagógico, o debate começou pela acusação. A promotoria começou dizendo que não negava avanços na Alemanha durante o governo de Hitler, mas acrescentou que não poderiam ser esquecidos os crimes cometidos e que os fins não devem justificar os meios. Acusaram também o réu de matar judeus e outras minorias e também citaram experiências médicas que os nazistas faziam. Falaram também sobre os campos de concentração e mostraram fotos e vídeos dos locais. A promotoria terminou o debate salientando que a intenção é sempre defender a vida e, por isso, o réu não poderia ficar impune.

Por outro lado, em suas falas, a defesa procurou explicar o Tratado de Versalhes e as perdas da Alemanha após o tratado. Além disso, o grupo questionou o número de judeus na Europa e o número de mortes divulgadas e argumentou que o tifo pode ter matado muita gente. Nas considerações finais, a defesa mostrou vítimas da bomba de Hiroshima, no Japão, e disse que essa foi a pior explosão da história da humanidade. O fim dos dois minutos de considerações finais não deixou que eles terminassem o raciocínio.

O juiz foi até os jurados e os sete alunos votaram. Em seguida, o juiz declarou que por cinco votos a dois, o réu estava inocentado de todas as acusações. Para o professor, no entanto, a maior vitória foi mesmo da sala. “O que importa é que eles se aprofundaram, a pesquisa que eles fizeram e o que eles aprenderam durante ela é muito mais do que eu poderia passar no meu período de aula. Não daria tempo. Mas com a pesquisa eles foram além”, diz sorrindo.

Dinâmica do julgamento

Primeiramente, a sala é dividida em oito grupos, quatro defendem e quatro serão promotoria. Semanas antes do julgamento, os alunos têm que pesquisar e montar suas teses para a defesa e a acusação. “Eles vão trabalhar em torno dessas teses. Depois, em determinado momento, a sala vira dois grupos e eles escolhem entre eles quem serão os advogados que vão falar. Eu não interfiro em nada nesse processo”, diz.

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Júri assiste julgamento para decidir qual grupo se saiu melhor. (Foto: Jenifer Carpani/G1)

Após o trabalho de pesquisa e montagem das teses, os alunos que irão falar se preparam para o julgamento e os debates. “Eles se organizam porque cada um terá três tempos de cinco minutos intercalados. A promotoria começa e a defesa termina. No fim, há ainda dois minutos para cada grupo, para as considerações finais”, explica. “Então eles vão debatendo, vão criticando e vão mostrando suas ‘verdades’, porque cada um vai ter a sua”.

Paulo diz também que sete alunos formam o júri, que decidirá qual dos dois grupos se saiu melhor no debate. “Nós chamamos duas salas para assistir ao julgamento e pegamos alunos dessas salas para formar o júri. Explico para esses alunos que vão decidir que eles devem esquecer a parte da história analisar o desempenho dos advogados”.

Um outro professor faz o papel de juiz. “O juiz só vai administrar os conflitos. Quem vai trabalhar todinho o conteúdo do debate são os alunos”. O juiz então fica responsável por limitar os tempos de cada grupo e de negar os protestos que são feitos pelos advogados que aguardam a vez de falar. “Todos os protestos fazem parte da dinâmica do trabalho, mas são negados, porque temos que terminar o julgamento ainda hoje”, disse rindo para os alunos, pouco antes do início.

Já o professor Paulo Ciaccio tem outro papel na dinâmica: o de réu. De bigodinho, terno, gravata e suástica no braço, o professor entra no teatro. “Eu sou o personagem Hitler, o réu. Mas é bom lembrar que sou um pesquisador, não sou um nazista ou neonazista. Eu venho assim para deixar o trabalho mais caracterizado”. Durante o julgamento, o professor arranca risadas dos ‘advogados’ e dos outros alunos que assistem aos debates ao fazer sinal de negativo quando os promotores o acusam, interagindo com o que os alunos falam.

Trabalho didático-pedagógico

Em diversos momentos do julgamento, o professor procura deixar claro que este é um trabalho didático-pedagógico. “É um trabalho didático-pedagógico, eu sempre falo para eles, mas é um trabalho interno, escolar, e não para se exibir como nazista no meio da rua”, diz.

Paulo diz que além dos alunos gostarem do julgamento, o trabalho também auxilia na formação deles. “Ajuda a ensinar a pesquisa, o trabalho em equipe, o discernimento da verdade e da história. Qual é a verdade histórica? É aquela que o estudioso, que o pesquisador vai atrás. Então não existe uma verdade só e é isso que eu tento mostrar para eles”, reitera.

No entanto, segundo o professor, ainda há quem julgue de maneira errada o trabalho. “Esse tema é um tabu. Entre os alunos nunca houve quem não gostasse. Os alunos acham a ideia maravilhosa e diferente porque eles estavam acostumados com um padrão de aula tradicional”, diz. “Muitos pais, muitas pessoas religiosas acham que meu trabalho é um absurdo. Porque, como pode alguém, defender Adolf Hitler? Então eu já fui muito criticado inclusive por isso”, lamenta. “As pessoas têm que entender que é um trabalho escolar crítico, de um personagem histórico”, justifica.

“Eu sempre digo que o trabalho é um debate. Não tem vencedor. É um trabalho didático, então um grupo vai acabar se saindo melhor do que o outro. É isso que a gente quer: na hora de trabalhar, na hora de se expressar, na pesquisa é que o aluno acaba tendo um pouquinho de crescimento. Esse é o nosso objetivo, fazer o aluno crescer”, acredita.

Alunos levaram fotos e slides para o julgamento. (Foto: Jenifer Carpani/G1)

Alunos levaram fotos e slides para o julgamento. (Foto: Jenifer Carpani/G1)

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