Marcelo Nova - o Galope do Tempo

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A história de 18 grandes mulheres brasileiras, reunidas num livro on-line

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Carolina Maria de Jesus, um dos principais nomes da literatura no Brasil - Foto: Audálio Dantas/Agência Brasil Link para matéria: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/03/21/A-hist%C3%B3ria-de-18-grandes-mulheres-brasileiras-reunidas-num-livro-on-line © 2017 | Todos os direitos deste material são reservados ao NEXO JORNAL LTDA., conforme a Lei nº 9.610/98. A sua publicação, redistribuição, transmissão e reescrita sem autorização prévia é proibida.

Carolina Maria de Jesus, um dos principais nomes da literatura no Brasil – Foto: Audálio Dantas/Agência Brasil

Lançada pela Fundação Joaquim Nabuco, obra traça o perfil de personagens que se destacaram em diferentes áreas

Caio do Valle, no Nexo

Salvaguardadas as exceções, ainda é tímido, na tradicional narrativa histórica, o espaço conferido às mulheres na construção social, política, cultural e econômica do Brasil. O protagonismo masculino perdura nesse terreno, bem como no da memória social. Assim, o passado segue se organizando em torno do vulto de grandes homens, refletidos em monumentos, nomes de ruas e episódios consagrados no imaginário popular. Um livro gratuito publicado pela Fundação Joaquim Nabuco, do Recife, tenta corrigir um pouco dessa distorção, apresentando 18 mulheres brasileiras que se destacaram ao longo dos últimos séculos. Em comum entre si, as homenageadas na obra “Memória Feminina: mulheres na história, história de mulheres” têm contribuições que se encontram, “em sua maioria, representadas em museus e espaços de memórias”, como arquivos e centros culturais.

Apesar desse foco, segundo escrevem na apresentação os pesquisadores Maria Elisabete Arruda de Assis e Maurício Antunes, além de patrimônios materiais (representados por objetos pessoais, obras de arte, manuscritos, livros), buscou-se acessar os imateriais. Quer dizer, os que “não estavam apenas nos museus brasileiros, mas também nas comunidades locais”: tradições legadas de uma geração para a outra. É por isso que o leitor encontra artigos sobre as cirandas de Lia de Itamaracá, a preservação da tradição religiosa de matriz africana Xambá por Mãe Biu em Pernambuco, bem como a contribuição de Dona Santa, na preservação dos maracatus. Também há um texto sobre a líder sindicalista Margarida Alves, defensora dos direitos dos trabalhadores sem terra assassinada em 1983 e inspiradora da Marcha das Margaridas.

A importância feminina na literatura
No campo das letras, aparecem Carolina Maria de Jesus, Pagu e Clarice Lispector. A primeira, moradora de uma favela paulistana, ganhou notoriedade mundial ao publicar o livro “Quarto de despejo: diário de uma favelada”, em 1960. Nessa obra, vêm à tona as condições precárias de vida de parcela significativa da população, em especial das mulheres pobres.

“Essas mulheres, como Carolina, responsáveis por seu próprio sustento, apesar de desqualificadas pela imprensa e por fontes oficiais, compunham um grupo que teve presença constante e intensa pelas ruas da cidade de São Paulo desde o período colonial. Suas falas, entretanto, sempre apareciam de forma indireta, transcritas nos documentos pela pena dos escrivães, o que as impedia de assumir um protagonismo narrativo”
Elena Pajaro Peres historiadora, responsável pelo artigo sobre Carolina Maria de Jesus

Figuras de destaque nas lutas feministas e nas artes
O livro ainda traz o perfil de pessoas de “inestimável contribuição para a mudança do papel da mulher na sociedade quanto aos seus direitos”, como a zoóloga Bertha Lutz, sufragista nos anos 1920, e a escritora Francisca Senhorinha da Motta Diniz, que fundou, no século 19, o primeiro periódico do país pela emancipação feminina. As artistas plásticas Tarsila do Amaral, Maria de Lourdes Martins Pereira de Souza, Lygia Pape, Djanira da Motta e Silva, Georgina de Albuquerque e Nair de Teffé aparecem retratadas em seus contextos históricos e por meio de suas trajetórias de vida e profissional. Há ainda relatos sobre a atriz Leila Diniz, identificada como um símbolo da liberdade sexual dos anos 1960, e Nise da Silveira, proeminente figura da psiquiatria brasileira no século passado. Um capítulo do livro é dedicado à figura da “Miss Sambaqui”, um crânio de mulher pré-histórico encontrado no litoral paulista na década de 1950.

Anonimato e invisibilidade
Segundo Maria Elisabete Arruda de Assis, diretora do Museu da Abolição, e Maurício Antunes, pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, as histórias são cristalizações de muitas outras, anônimas e invisibilizadas. A intenção é que se tornem espelhos para brasileiras, jovens e adultas, se olharem, se reconhecerem e se projetarem no futuro, “como cidadãs a serem respeitadas nas diferenças e na luta pela conquista da igualdade de gênero em nossa sociedade”. Ainda de acordo com eles, o objetivo do livro é desmontar preconceitos que esconderam ou apagaram a presença das mulheres na história do Brasil.

“Nossa história coletiva ganha com acercar-se desse conjunto de mulheres que foram sujeito da história de nosso país: sim, temos pintoras, escultoras, escritoras, atrizes, cientistas que foram rebeldes e afirmaram-se como protagonistas”
Tatau Godinho doutora em ciências sociais, no prefácio do livro

A difícil decisão de abandonar a leitura de um livro

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O delicado dilema não muito comum, mas também não tão desconhecido na vida de um leitor: decidir se continua ou não determinada leitura. Afinal, o que leva alguém a abandonar a leitura de um livro?

Mark Alves, no Bons de Texto

Os motivos podem ser os mais diversos, pois é algo particular de cada um. Mas só um leitor sabe o quanto é difícil para ele decidir deixar de lado alguma leitura, seja ela qual for.

Muitas vezes pela temática, por achar incoerente, por não se identificar com o modo de escrita ou até por expectativas frustradas ao longo da leitura. O fato é que o motivo sempre é dos mais relevantes ou urgentes. Abandonar a leitura de um livro dói tanto quanto um soco no estômago. E não é exagero.

Um leitor não abandona um livro por preguiça, falta de tempo ou desinteresse.
Muitos passam dias ou até semanas tentando decidir se continuam ou não. A pergunta que deve ser feita é: o que me acrescentará a leitura de um livro que sequer estou gostando?
Essa pergunta pode ser respondida internamente, fazendo uma análise a respeito da ideia que o livro parece querer passar até aquele momento em que foi lido.

Muitos títulos são extremamente chamativos, com capas muito atrativas e o conteúdo aparentemente bom.
À primeira vista, quando são vistos nas prateleiras proporcionam um encanto quase que instantâneo. Mas os leitores mais assíduos sabem que, na hora de escolher um livro não deve se levar em conta apenas sua linda capa e o visual externo em geral. É essencial analisar bem a sinopse e, se possível, tentar saber mais informações sobre o autor. Essas pesquisas prévias são de suma importância na hora de adquirir um novo livro.

É sabido que sempre houve e sempre haverão escritores medíocres, que nada têm a passar para a sociedade, senão o seu desejo egoísta de se auto-promover. Claro que a literatura é um espaço amplo e que há lugar para todos. Mas isso não significa que qualquer um pode simplesmente achar que é escritor e tentar convencer as pessoas de que seu escrito tem algo relevante, quando na verdade tem apenas um intuito que não é o do bem coletivo.

Por fim, é recomendável que antes de pensar em abandonar a leitura de um livro, dê-se a oportunidade de ser surpreendido. No início pode ser que a leitura esteja massante, mas na maioria das vezes, é no decorrer e o fim das histórias que estão as melhores partes. Livros não são feitos para apenas ocupar um lugar na estante.

Milton Hatoum avalia que o maior patrimônio é o bom leitor

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Hatoum e o livro que considera a maior obra da literatura (Foto: Divulgação)

Hatoum e o livro que considera a maior obra da literatura (Foto: Divulgação)

 

Amanda Celio, no Correio de Uberlândia

O ofício é escrever e o desafio é captar os dramas universais que atingem o ser humano. Para Milton Hatoum, a literatura não é um jogo de palavras, mas uma forma de conhecimento que o leva a expor um pouco da própria essência nos enredos dos romances, contos, ou crônicas que escreve. O premiado escritor manauense é presença confirmada no 5º Festival Literário de Araxá (Fliaraxá), em que será o homenageado.

O evento acontece entre os dias 14 e 18 deste mês na cidade mineira, com entrada franca. Suas obras são alvo de adaptações para TV, cinema e histórias em quadrinhos. Porém, com quase 30 anos de carreira literária, o autor revela que tudo foi inesperado e que seu maior patrimônio são seus bons leitores.

São quatro romances publicados e um quinto em produção. No trabalho de Hatoum, as memórias e lembranças do autor se fundem numa narrativa que tem como pano de fundo as experiências vividas em Manaus. “Tento escrever aquilo que de fato diz alguma coisa dentro de mim. Minhas inquietações e meus questionamentos diante da vida ou da situação política de meu País”, afirma.

Antes de escrever, a leitura de outras obras e, sobretudo, os clássicos autores, como Machado de Assis, Joseph Conrad, William Faulkner e Shakespeare foram fundamentais para Hatoum. Porém, ao finalizar a leitura “Grande Sertão: Veredas”, do mineiro Guimarães Rosa, o escritor sofreu um bloqueio criativo que quase o impediu de seguir na carreira literária. “Para mim, essa é a maior obra da nossa literatura. É ousado e fala de temas como a vida, a metafísica, a religião. Após terminar a leitura eu pensei: por que escrever depois disso? Faz sentido escrever alguma coisa?”, diz.

Com uma linguagem marcante, enredos complexos e o aprofundamento nos dramas familiares, Hatoum é constantemente comparado aos grandes escritores do Brasil e do mundo, de Graciliano Ramos a Marcel Proust. Mas o autor foge das comparações e acredita que seu trabalho apenas traduz o seu próprio modo de ser. “Não saberia escrever algo que não vivenciei. Essas comparações são exageradas. Fico feliz, pois são leitores que foram buscar informações nas minhas influências. É uma honra, mas, certamente não mereço”, afirma.

Adaptações

Os romances e contos de Milton Hatoum também mexem com produtores e artistas de outras mídias. Como exemplo, a obra “Dois irmãos” foi adaptada para o formato das histórias em quadrinhos pelos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, e recebeu, no último mês, o Prêmio Eisner, considerado o Oscar dos quadrinhos. A mesma obra virou minissérie da Rede Globo e estreará em janeiro de 2017, sob a direção de Luiz Fernando Carvalho. “Sempre tive muita sorte com adaptações. O Fábio e o Gabriel trabalharam quatro anos nessa história. Viajaram até Manaus, conversaram muito comigo e o resultado foi maravilhoso. Eu vi o primeiro capítulo da minissérie e é deslumbrante também. Chorei um pouco, pois vi ali alguns momentos da minha infância e juventude”, diz.

Hatoum conta ainda que deixa os roteiristas e produtores livres para trabalharem diretamente nas suas obras. “Eu não imaginava nada disso. Apenas escrevia, pensava no conceito de personagens e na passagem do tempo das histórias”, afirma.

Novo trabalho

Em 2008, Hatoum publicou seu último romance, “Órfãos do Eldorado”. Agora, trabalha há oito anos em um novo projeto. Sob o título provisório de “O lugar mais sombrio”, a ser divido em dois volumes. O primeiro volume é ambientado em Brasília e São Paulo e tem como pano de fundo o período da Ditadura Militar (1964-1985), mas não trata-se de um romance político. “São histórias de vida de vários personagens. É uma pesquisa sobre a vida desses personagens. A fórmula é bem diferente dos meus outros romances. Esse ano não vou terminar nada, mas, quem sabe no ano que vem? Antes que ele acabe comigo”, diz.

Milton Hatoum diz que continua exigente com o próprio trabalho e que ninguém escreve para ser best-seller

CORREIO DE UBERLÂNDIA – Em quase 30 anos de vida literária, com inúmeros prêmios, adaptações de obras e traduções, o que mudou em Milton Hatoum enquanto autor?
MILTON HATOUM – O escritor não pensa muito nessas coisas. Tudo isso aconteceu ao longo do tempo, desde 1989 quando publiquei meu primeiro romance. Continuo exigente com a linguagem, com meu trabalho. Minha exigência é quase doentia, quase um caso clínico, por isso que publico pouco. Fico contente por ter muitos leitores e bons leitores com o alcance de alguns romances. No fundo é o que todo escritor quer. Ninguém escreve para ser best-seller, a não ser aqueles que só pensam nisso. Muda alguma coisa na minha própria obra. Ela começou com um relato íntimo, da memória, com narradores que falavam do passado. Depois de um drama familiar que expandiu para a cidade e, por fim, para o País. E no romance que estou escrevendo, a Amazônia já não aparece mais, não é ambientado lá.

De que formas as efervescências políticas e os tempos de incertezas atuais lhe atingem?
Acredito que atinge qualquer pessoa com sensibilidade política. Acompanho tudo isso de alguma forma e escrevo crônicas sobre a política brasileira no jornal “Estado de S. Paulo”. Nunca diretamente, mas com viés crítico. Isso atinge de certa forma o que estou escrevendo. O novo romance fala de um grupo de jovens que viveram no período da ditadura. Há algumas semelhanças políticas entre aquele momento e esse, como a violência da polícia. Isso me assombra um pouco. Não consigo ficar alheio ao que está acontecendo. No entanto, não defendo e nunca militei em nenhum partido. A posição do intelectual deve ser independente. Sempre independente.

Tolstoi dizia que “canta a tua aldeia e serás universal”. Isso se encaixa na sua obra?
Hoje em dia está na moda a globalização, alguns escritores escrevem sobre qualquer lugar e mesmo sem a experiência desses lugares. Eu vivi a minha infância em um lugar muito específico. Como escritor do Amazonas eu tento me aprofundar nas questões locais para atingir o universal, uma dimensão mais geral.

Qual a sua avaliação sobre o mercado editorial brasileiro?
Cresceu muito nos últimos anos com um demanda diferente daquela de quando eu comecei. Havia, ao contrário de hoje, muitos suplementos literários de peso. Temos muitas universidades e isso fez com que aumentassem o público leitor.

Pesquisas e estudos apontam um baixo índice de leitura dos brasileiros em relação a outros países. A que você atribui esse desempenho?
Isso se dá, basicamente, por causa da qualidade da nossa escola pública. O jovem brasileiro, de modo geral, não tem acesso à literatura. A escola é precária, o ensino é precário e os professores têm um salário miserável. Não há estímulo. E muitas escolas não possuem bibliotecas ou não têm bons livros nela. Essa é a razão, a grande questão nacional. Nossos políticos fecham os olhos para isso.

Qual a sua análise em relação à produção literária no Brasil atualmente?
É muito diversificado. Há bons escritores desde a minha geração. É difícil falar de muitos. Recebo muitas publicações, só não tenho mais idade para ler tudo.

Quais são os desafios enfrentados pelos jovens escritores no Brasil?
Falta maturidade para os jovens. É preciso esperar um pouco para começar a escrever. Os romances falam sobre a passagem do tempo, por isso, é fundamental esperar o tempo passar. O desafio ainda é ler com calma os bons livros. Eu sou um péssimo conselheiro, mas a literatura pede paciência, sobretudo o romance, que exige reflexão. Não acredito numa espontaneidade, nessa coisa apressada. Para um escritor jovem, eu daria meu exemplo. Eu li muito antes de começar a escrever. Pensei muito no que escrever, no que me tocava profundamente. Às vezes, você escreve 20 livros e não escreve nenhum. Ou escreve um e já é um grande livro. O jovem não deve se apressar. Com o tempo, ele vai encontrar sua razão, ou “desrazão”, para escrever seu livro.

Diante de todas as suas obras publicadas até aqui, qual é sua obra-prima, no seu ponto de vista? Por quê?
Sei que o “Dois Irmãos” tem um alcance enorme. Mas eu mesmo não tenho preferência. O que fiz com cada um deles foi escrever com toda minha energia e paixão pela minha linguagem. O que posso dizer é que em nenhum deles eu fui desonesto com aquilo que quis fazer.

Startup francesa cria livro que adapta história ao leitor

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Via Fabula desenvolveu aplicativo de livros digitais que se adaptam (Foto: Reprodução/Facebook/Via Fabula )

Via Fabula desenvolveu aplicativo de livros digitais que se adaptam (Foto: Reprodução/Facebook/Via Fabula )

 

Aplicativo se adapta ao gosto, à vida e à personalidade do usuário

Publicado na Epoca Negocios

Dizem que a pessoa que se identifica com a história que lê sempre chega ao final dela. Com base nisso, foi criado na França um aplicativo que se adapta ao gosto, à vida e à personalidade de cada leitor. Assim, a história pode variar se o leitor for homem ou mulher, se estiver ou não em um relacionamento, e até mesmo dependendo do lugar em que o livro for lido. A invenção é da Via Fabula, uma startup francesa que desenvolve um aplicativo de livros digitais.

“Nós não fazemos livros interativos, mas adaptativos”, comentou Bruno Marchesson, fundador do projeto. A diferença, segundo explicou, é que as histórias interativas permitem que o leitor escolha o que quer ler, e nas “adaptativas é o livro que escolhe a história que será mostrada ao leitor e que será adaptada a seus gostos e interesses”.

Para isso, o leitor deve baixar gratuitamente o aplicativo, que já conta com mais de 1,1 mil usuários desde que foi lançado, no início deste ano. Depois, é necessário associar a conta a um perfil no Facebook ou preencher um simples questionário e permitir que o aplicativo identifique sua localização geográfica.

Feito isso, já é possível começar a ler o romance policial “Chronique(s) d’Abîme” (“Crônica(s) do abismo”), que apresenta o primeiro capítulo adaptado à hora e à cidade do leitor, embora por enquanto só esteja disponível na versão francesa.

No entanto, para ter as adaptações que o aplicativo propõe é preciso pagar, como com qualquer livro digital ou de papel, para continuar com a história. O custo é de US$ 4,99, dos quais 30% vão para a plataforma de download, outros 30% para Via Fabula e os 40% restantes para o autor. “É uma verdadeira vantagem para os escritores, pois habitualmente as editoras pagam apenas 10% das vendas a eles”, comparou o empresário.

O escritor Marc Jallier, especializado em terror, foi o escolhido para fazer o piloto deste projeto, apesar de “Chronique(s) d’Abîme” já ter sido publicado há mais de dez anos. Marchesson contou que o escritor decidiu trabalhar com a Via Fabula pelo desafio de escrever seis histórias diferentes que partissem de uma mesma base, com nove finais alternativos e 150 variações no desenvolvimento da história.

“Uma vez ele escutou um de seus leitores dizer que tinha gostado de um livro, mas não do final. Então, quando começamos a trabalhar, lembrou desse episódio e quis tentar não um final diferente, mas muitos mais”, disse.

Isso ocorreu há dois anos e, desde então, Marchesson, que é engenheiro informático, começou a trabalhar com o escritor. Depois, vieram seus dois atuais sócios: o desenvolvedor Rémy Bauer e a web designer e diretora geral Aurélie Chavanne. Após seis meses de trabalho coletivo, o projeto ficou pronto.

“Tudo funciona com um algoritmo que se encarrega de introduzir as variações da história, a partir de uma plataforma informática que muda de forma dinâmica para cada leitor”, detalhou Marchesson.

De acordo com o fundador do projeto, a equipe da Via Fabula “trabalhou com os códigos e a programação” e a diversão ficou com o escritor, que “saiu de sua zona de conforto e pôde explorar verdadeiramente sua criatividade para desenvolver o que pode ser uma nova forma de literatura”.

A Via Fábula trabalha agora na publicação de dois novos livros. Um deles será ilustrado e infantil, que pode ser lançado em breve, segundo Marchesson, para “conquistar” mais crianças e “animá-las para que leiam desde os primeiros anos”.

O segundo será de ficção científica e deve ser disponibilizado até o fim deste ano. “É um documentário de ficção, ou seja, vai ser baseado em histórias reais, mas o ponto de vista de cada personagem mudará de acordo com os desejos dos leitores”, explicou Marchesson.

Nova aplicação de livros digitais adapta as histórias a cada leitor

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publicado no RTP

Uma aplicação de livros digitais que se adapta aos gostos, à vida e à personalidade de cada leitor foi criada em França pela Vía Fábula, uma empresa emergente francesa.

“Não fazemos livros interativos, mas sim adaptativos”, disse à agência espanhola EFE Bruno Marchesson, fundador do projeto.

A diferença é que as histórias interativas permitem que o leitor escolha o que quer ler, e “é o livro que escolhe a história que vai mostrar ao leitor e que se vai adaptar melhor aos seus gostos e interesses”, explicou.

Na aplicação, que já conta com mais de 1.100 utilizadores desde que foi lançado no início deste ano, pode ler-se o policial `Crónicas do abismo`, de Marc Jallier, que apresenta o seu primeiro capítulo adaptado à hora e à cidade do leitor mas, para já, apenas na versão francesa.

O custo é de 4,99 dólares (4,38 euros). Trinta por cento é para a plataforma de descarga, 30% para a Vía Fábula e os restantes 40% são para o autor. “É uma verdadeira vantagem para os escritores, porque normalmente as editoras pagam-lhes apenas 10% das vendas”, disse o empresário.

O livro tem seis histórias diferentes, que partiram da mesma base, com nove finais alternativos e 150 variações de desenvolvimento da história.

“Funciona com um algoritmo que introduz as variações da história, a partir de uma plataforma informática que muda para cada leitor”, disse Marchesson.

A Vía Fábula trabalha agora na publicação de novos livros: um infantil e ilustrado, para conquistar os mais pequenos e “incentivá-los a lerem desde os primeiros anos”, segundo Marchesson e outro de ficção científica, que deverá estar pronto no final de 2016.

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