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Para além dos livros: a literatura infantojuvenil do século XXI

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O adolescente do século XXI é preguiçoso, viciado em smartphones, redes sociais, aplicativos e sem grandes ambições. Será? Novas observações sobre o mercado literário direcionado a tal público mostram uma alta gritante nos números de venda de livros infantojuvenis, desconstruindo a dissociação entre a literatura e os jovens.

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Sofia Alves, no Homo Literatus

A maioria dos livros que fazem parte de listas que selecionam os livros mais vendidos da semana ou do mês são de autores infantojuvenis. John Green e Cassandra Clare são dois nomes muito poderosos entre a garotada, arrastando legiões de fãs pelo mundo que se identificam e criam vínculos afetivos com seus personagens.

Os livros têm se difundido entre essa faixa de idade com tal força graças a um conjunto de fatores interessantes e observáveis no cotidiano. A internet torna-se meio de conhecimento e troca de informações sobre os exemplares por abranger uma grande quantidade de pessoas interessadas em determinados assuntos, o que agiliza a busca por novos títulos e apimenta a discussão sobre os enredos, etc. Com isso, o número de blogs que postam resenhas dos últimos lançamentos literários para o público jovem tem crescido exponencialmente e se difundido com uma velocidade impressionante, caracterizando assim uma geração de leitores extremamente ativos e informados sobre seus livros favoritos.

A grande pergunta é: se essa geração utiliza tanto da tecnologia para se informar sobre novos títulos e buscar mais informações sobre aqueles que já tem simpatia, por que o consumo de e-books ainda não é tão alto quanto se estima? Simples: porque nessa faixa de idade há a necessidade da autopromoção. O processo de leitura vai para além da assimilação das palavras. O leitor infantojuvenil precisa mostrar aos seus colegas o que está lendo e o progresso que está tendo, preferindo então a compra de livros físicos. Essa exibição gera uma identificação e, consequentemente, uma aproximação entre pessoas com gostos afins, formando-se então as famosas “tribos”.

Cada um desses grandes escritores queridos pelos adolescentes assume um papel social de grande importância e que acaba por aproximar sua imagem da personalidade dos fãs. O norte-americano John Green, por exemplo, é uma das personalidades mais influentes nas redes sociais da atualidade. Dono de vlogs no Youtube, contas no Twitter e de grandes doações, o autor ganhou o carinho da molecada por seu perfil simples e deslocado, típico dos adolescentes que leem suas obras.

Alguns estudiosos no ramo gostam de atribuir o começo dessa era de fanatismo literário com a explosão do fenômeno Harry Potter, onde milhões de crianças e adolescentes ao redor do mundo devoravam exemplares de 300 a 500 páginas em dias.

O grande questionamento que fica é sobre a qualidade dos livros. Há alguns anos atrás essa mesma faixa de idade lia títulos recomendados por professores e pais, o que trazia às histórias uma moral educacional. No século XXI a leitura está mais associada à diversão, com personagens leves e histórias com uma proximidade emocional de seu público.

A leitura deve ser um processo de crescimento tal como o desenvolvimento biológico de um ser humano. Primeiro deve-se deleitar de histórias mais simples para depois então partir para enredos mais densos e complexos. A fixação nos dois extremos é prejudicial visto que limita as possibilidades de leitura da vida, um dos grandes objetivos da leitura. O ser humano (quase) perfeito é aquele que encontra equilibro entre o que ama e o que detesta.

Câmara aprova leitura obrigatória da Bíblia em escolas de Nova Odessa (SP)

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Lucas Sampaio, na Folha de S.Paulo
A leitura da Bíblia pode se tornar obrigatória nas escolas municipais de Nova Odessa, cidade de 55 mil habitantes a 122 km da capital paulista.

Para isso, basta que o prefeito sancione um projeto de lei aprovado pela Câmara Municipal que impõe aos alunos do 1º ao 5º ano a leitura de um versículo bíblico por dia.

O projeto, que pode atingir 4.000 alunos de 12 escolas, divide os moradores da cidade e é considerado inconstitucional por juristas ouvidos pela Folha.

“O povo só quer saber de coisa errada. Quem sabe estudando a Bíblia não melhora?”, diz o motorista Luiz Vidal, 63.

“A religião não deveria entrar no currículo escolar”, discorda o administrador Mauro Facioli, 57.

Para a advogada Amanda Assunção, “a Bíblia não ensina nada de ruim, mas é preciso respeitar as diferenças”.

Segundo o vereador Vladimir Antônio da Fonseca (SDD), autor do projeto, “a intenção foi a melhor possível”.

Ele, que é evangélico, diz que a leitura do livro “não se contrapõe à ideia de Estado leigo ou laico” e “não desafia os valores consagrados na Constituição”.

Mas, para os especialistas, a lei, se aprovada, será inconstitucional, porque fere a liberdade de crença.

“A escola pública é laica e não pode ter influência de religiões”, diz Odete Medauar, professora da Faculdade de Direito da USP.

“Não se pode impingir essa obrigação aos professores e alunos porque fere a liberdade religiosa e a diferenciação entre Estado e igreja”, concorda Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, ex-presidente da Comissão de Direito Constitucional da OAB/SP.

O prefeito de Nova Odessa, Benjamim Bill Vieira de Souza (PSDB), ainda não decidiu se vai vetar ou sancionar a lei.

“O projeto não é ruim. É bom. A Bíblia é um dos livros mais lidos do mundo”, diz o prefeito. “Só a parte da obrigatoriedade é que acaba criando um transtorno.”

O tucano afirma ter pedido um parecer da Secretaria de Educação e do setor jurídico sobre a legalidade do projeto aprovado, para “ver o que a gente pode fazer para melhorá-lo”.

A OAB-SP reforçou a inconstitucionalidade do projeto, mas disse que só discutirá alguma medida contra a lei caso ela seja sancionada.

Dicas para gostar de ler

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Nathalia Bottino, no Brasil Post
“Ninguém nasce leitor, portanto a tendência natural é ficar longe dos livros. Leitura para valer, aquela paixão que vicia, que nos faz viver entre livros, isto tem que ser desenvolvido, cultivado”. José Luiz Goldfarb não falou da boca para fora: ele realmente vive entre livros. Curador do Prêmio Jabuti por 23 anos e diretor de empresa que coordena projetos voltados ao incentivo da leitura no Brasil, Goldfarb foi livreiro por quase 20 anos, época em que sua principal função era justamente atender novos leitores. Infelizmente o Brasil está longe de ser considerado um país de leitores: de acordo com pesquisa divulgada ano passado pelo IBOPE, apenas 55% dos brasileiros lê regularmente. Mas estamos lutando para mudar isso!

É importante que o hábito da leitura seja adquirido desde a infância. De acordo com José Goldfarb, os pais e a escola têm papel fundamental nisso: “Eles devem dar o exemplo. Se os jovens não veem a paixão pelos livros em casa e nem nos professores, eles acabam associando com estudo e assim não descobrem a leitura por prazer”. Eu tenho um exemplo aqui do lado. Estêvão Reis, meu colega do iba, começou a ler pra valer há 4 anos. Filho de professora, ele sempre viu a leitura como algo obrigatório e monótono. As coisas começaram a mudar quando ele veio para São Paulo. Depois de ver Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1 no cinema, nosso amigo ficou tão curioso para saber o que aconteceria na segunda parte que acabou comprando o livro. “Comecei sem pretensão, eu lia mais porque ficava de bobeira em casa, já que não conhecia quase ninguém na cidade”. Resultado: ele adorou o livro e comprou a coleção completa de Harry Potter. Depois disso, mergulhou em outras séries, e depois em outras, e assim foi. Hoje, o Estêvão é um dos caras que mais lê aqui no iba (de três a quatro livros por mês). “Eu acho que a leitura infantil deve abranger o catálogo de best-sellers também, como O guia do mochileiro das galáxias, pois muitas vezes é mais acessível e o que prende a atenção. E a criança deve ter o poder de escolha do que ler, assim ela consegue desenvolver um perfil de leitura”.

De 0 a 10, quanto a leitura é importante?

“Quem lê muito fala melhor, pensa melhor, escreve melhor e se torna mais bem sucedido”, afirma Miriam Leitão, jornalista, escritora e apaixonada por livros desde criança. Ela me contou que era tão tímida que nem tinha coragem de sair de casa. Depois de começar a ler, percebeu que sempre que falava alguma coisa as pessoas paravam para ouvir. “Eu estava desenvolvendo minha mente! A leitura é uma espécie de musculação para o cérebro”, afirma. De acordo com Miriam, é importante buscar coisas do seu interesse para tomar gosto pela leitura. “Com o tempo, vai ser possível apreciar uma bela história de Machado de Assis, ler Vidas secas, de Graciliano Ramos (livro que eu li várias vezes quando criança), perceber a exuberância de Jorge Amado ou o português inventado que é quase música de Grande sertão: veredas”.

E aí, já te convenci a entrar para o mundo da leitura? Se ainda não, tenho mais um argumento: os livros digitais. A existência deles permite que você leia por meio do dispositivo que for mais conveniente para você naquele momento. “Vejo com muito otimismo o fato de poder acessar tantas obras por computadores, tablets e mesmo celulares”, diz Goldfarb. Por isso, não tem mais desculpa para ficar sem ler porque esqueceu o livro em casa. Ah, e assim como é possível ir a livrarias e ler um pouco de cada livro antes de escolher o que vai levar, no digital existe a possibilidade de baixar trechos gratuitamente dos e-books antes. Não gostou do que leu? Escolha outros até achar um que tenha a ver com você e seja bem-vindo ao universo dos leitores!

Confira dicas para gostar de ler :D

- Que tal começar por séries?

Como o final de um livro instiga o começo do próximo volume, você não vai ter vontade de parar de ler. ;)

- Descubra seu gênero preferido

Converse com amigos para saber o que estão lendo e veja quais assuntos mais interessam a você.

- Dê uma chace aos best-sellers

Geralmente, eles têm apelo mais abrangente e isso significa que as chances de você gostar são maiores.

- Leia trechos para ver se gosta do estilo de narrativa

Baixe capítulos grátis de e-books para escolher os que mais têm a ver com você.

- Comece por textos curtos

Se não gosta de ler coisas extensas, procure revistas ou jornais que trazem crônicas, contos…

- Leia um pouquinho todos os dias

Com o tempo, você vai criando o hábito e quando perceber vai estar lendo por horas.

- Fique longe de distrações

Antes de começar a ler, desligue a TV e afaste-se de tudo que possa distrair você.

- Lembre-se que a leitura não é uma maratona

Não se preocupe com a velocidade: é importante que você leia no seu tempo e preste atenção aos detalhes.

- Leia em momentos em que estiver relaxado

Assim a leitura vai fluir melhor. Pode ser no banheiro, antes de dormir…

- Começou um livro e não gostou? Passe para outro!

Ficar insistindo no livro vai fazer com que você associe a leitura a algo obrigatório e se afaste dela.

- Se gostou de um livro busque outros do mesmo autor

As chances de se identificar com eles são grandes, já que cada autor tem um estilo próprio de escrita.

Grandes universidades oferecem cursos gratuitos e online de Clássicos

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Filosofia Antiga e Medieval, História Grega Antiga são alguns dos conteúdos abordados

Publicado no Catraca Livre

iStock

Cursos contam com conteúdo sobre Filosofia Antiga, História Antiga, entre outros

A Universia Brasil selecionou oito cursos de Clássicos gratuitos e online oferecidos pelas melhores universidades do mundo. Confira:

Filosofia Antiga e Medieval (University of Notre Dame)  iTunes Vídeo - Vídeo no site da University of Notre Dame – Este curso aborda grandes figuras e temas da filosofia antiga e medieval. Há a leitura de textos selecionados de Platão, Aristóteles, Lucrécio, Marco Aurélio, Agostinho e Tomás de Aquino.

História Grega Antiga (Yale University)YouTube - iTunes Áudio - iTunes Vídeo - Download do curso- Curso introdutório de história grega. Mostra como o desenvolvimento da civilização grega se manifesta em conquistas política, intelectual e criativa da Idade do Bronze até o fim do período clássico.

Israel Antigo (New York University) – (Documento em PDF) - YouTube – Uma série de videoaula sobre Israel Antigo.

Filosofia Antiga (UC Berkeley)iTunes - Site UC Berkeley - Uma série de podcasts sobre filosofia antiga.

Sabedoria Antiga e Amor Moderno (Universidade de Notre Dame)iTunes - Site oficial da Universidade de Notre Dame – Trata-se de um curso cada vez mais popular, que aborda o amor humano e as tentativas de unir análise filosófica e imaginação literária. A lista de leitura do curso inclui Platão, Shakespeare e Othello, entre outros.

O Mundo Romano (La Trobe University)iTunes Vídeo  – O curso aborda a história cultural da Roma Antiga, desde a sua literatura, mitologia, arte, arquitetura e suas instituições políticas e civis.

O Heroico e o Anti-heroico na Civilização Grega Clássica (Universidade de Harvard)Site oficial da Universidade de Harvard – Nesse curso o leitor terá contato com algumas das principais obras dos clássicos gregos antigos, de Homero a Platão

A Eneida de Virgílio: A Anatomia de um Clássico (Stanford University)iTunes  – A Eneida, de Virgílio, é um poema épico que gerou um sucesso instantâneo. Tem estado centro de estudos da cultura romana até os dias atuais. Como pode um poema criado em um ambiente tão remoto falar de forma tão eloquente para os tempos atuais? Neste curso, você vai descobrir que tipo de poema é Eneida e quais são os aspectos mais amplos da cultura romana.

Habilidade em matemática e leitura é favorecida por mesmos genes

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Pesquisa envolveu leitura do DNA de crianças e testes cognitivos.
Família e escola também são importantes para aprendizado, diz estudo.

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A habilidade para matemática e para leitura é favorecida em boa medida pelos mesmos genes, segundo um estudo publicado nesta terça-feira (8) na revista “Nature Communications”, que ressalta, no entanto, a importância do meio para desenvolver esses conhecimentos.

Cientistas do King’s College de Londres, liderados por Robert Plomin, utilizaram dados do chamado Estudo do Desenvolvimento Precoce dos Gêmeos (TEDS, em sua sigla em inglês) para ver a influência dos genes nas habilidades de leitura e cálculo de adolescentes de 12 anos de 2.800 famílias britânicas.

A equipe acompanhou gêmeos, com genes compartilhados, e outras crianças, com quem fizeram testes leitura e matemática, conforme as exigências do sistema escolar britânico.

A combinação dos resultados desses testes e dos dados de DNA indicou que há uma “sobreposição significativa” dos genes que determinam a habilidade para a leitura e para os números.

Aproximadamente metade dos genes que influenciam a habilidade de leitura da criança incide também em sua capacidade para as contas, de acordo com o estudo. No entanto, os pesquisadores ressaltam que o entorno familiar e a educação escolar são estratégicas para o desenvolvimento dos pequenos.

“As crianças diferem geneticamente em relação à facilidade aprender e devemos reconhecer e respeitar estas diferenças individuais”, afirma Plomin.

Segundo o cientista, “descobrir que há uma forte influência genética não significa que não se possa fazer nada quando uma criança custa a aprender: o fato de ser hereditário não implica que seja imutável, apenas significa que será preciso um esforço maior dos pais e das escolas para apoiar esse aluno”.

A pesquisa não identifica genes específicos que determinem essas habilidades, mas estabelece conjuntos de genes ou de diferenças genéticas que, individualmente, contribuem em pequena medida para moldar à pessoa.

Fonte: G1

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