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O brasileiro lê muito

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A reflexão necessária é de que há uma espécie de preconceito aberto e declarado

A reflexão necessária é de que há uma espécie de preconceito aberto e declarado

Paulo Tedesco, no Correio do Brasil

A reflexão necessária é de que há uma espécie de preconceito aberto e declarado, como se chamar o povo de burro fosse regra, ou que as pessoas não compram livros nem leem aquilo que certa elite gostaria porque são ignorantes. Também há a hipótese de que a desinformação sobre o mercado do livro e os índices de leitura seja gigantesca, e que mesmo bons jornalistas e profissionais da comunicação têm dificuldade em encontrar dados que derrubem esse conceito, ou preconceito, sobre os índices de leitura.

População

Não podemos, porém, deixar de observar que para o tamanho do país e da população; se comparados a vizinhos como Argentina, nossa leitura per capta é de fato tímida.

E que a leitura poderia ser melhor, visto, por exemplo, a ausência de leitores com seus livros abertos em lugares públicos como em metrôs e ônibus. Mas, para isso, é bom não esquecer que nas universidades muito ainda se usa; infelizmente, as tais cópias “xerox”, como substituição ao livro, e que essas cópias não entram nos números, tampouco cálculos estatísticos; ou sequer passam nos olhos ávidos de quem procura um leitor de livro aberto numa estação de metrô.

Lemos mal

Em verdade, e aqui uma opinião mais do que honesta, é de que embora leiamos muito a realidade é de que lemos mal, e muito mal. O fato de encontrarmos livros infanto-juvenis adotados em escolas com erros de pontuação e histórias frouxas; ruins, é um comprovador.

Também é comum encontrar autor que se autopublica dizendo vender bem a cada nova tiragem ou novo título; e depois descobrirmos que seus leitores; e eles existem como se comprova na gráfica ou nas vendas pelo KDP da Amazon; não percebem como fracas são suas histórias e como confusos são seus pensamentos ou mesmo a organização do seu texto.

Livros

Há, também, nesse deserto do texto ruim, livros impressos fora do país mas vendidos a preços impressionantemente baixos, livros estes muitas vezes com histórias sofríveis e ilustrações deprimentes.

E ainda há os títulos traduzidos às pressas ou por maus tradutores; e aqui entra a literatura adulta de qualquer área; como outro sinal da má qualidade do que chega ao leitor; que, por sua vez toma aquilo como uma média do que pode ser escrito e do que deve ser lido. Em outras palavras, o referencial do que é bom em escrita e leitura, no Brasil, é um desespero de tão ruim.

Em outros artigos defendi e sigo defendendo a importância da escrita criativa e suas oficinas, pois; como referência, nos EUA pós-guerra; esse foi um dos instrumentos para não só movimentar o mercado norte-americano como por outro reforçar a educação fora das escolas.

Brasil

Enquanto isso, neste Brasil continental de história tão amiga à elites que preferem a escravidão à liberdade; talvez não devesse soar estranho afirmar que o povo brasileiro simplesmente não lê porque é ignorante.

Mas não sou da elite, sou do povo, do estudante da escola pública, e dos otimistas; pois gosto de pensar que apesar das elites e de nossa história de golpes e massacres, o povo ainda lê, e ainda quer ler mais e melhor. E, quem sabe, talvez aí esteja a tarefa dos editores; autores e agentes do mercado: superar o preconceito e fazer mais e melhor pelo leitor brasileiro.

Paulo Tedesco, é escritor, consultor e professor de produção escrita editorial.

Casal que vive em frente a escola pública em Alagoas cria “caixinha de leitura” para incentivar alunos

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Casal promove incentivo a leitura com caixinha pendura na porta de casa (Crédito: Reprodução / Real Deodorense)

Casal promove incentivo a leitura com caixinha pendura na porta de casa (Crédito: Reprodução / Real Deodorense)

 

Objetivo é despertar estudantes para a importância da leitura; metade do acervo foi levado no primeiro dia

Dayane Laet, no TNH1

Pensando em incentivar a leitura dos pequenos que frequentam a escola de ensino articulado Sesi/Senai (Ebep), que fica no centro do município de Marechal Deodoro, no Litoral Sul de Alagoas, um dos moradores decidiu “plantar” uma caixinha de leitura na porta de casa, com o objetivo de incentivar a leitura dos alunos.

O sucesso da caixinha foi tamanho, que mais da metade do acervo – cerca de 40 exemplares – foi levado pelos estudantes no decorrer desta sexta-feira (17), primeiro dia em que a caixinha foi caprichosamente colocada na porta simples, mas muito bem cuidada, para realmente chamar a atenção dos curiosos.

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A ideia foi do morador da casa, o oficial de justiça Ovídio José Souto Galvão, de 54 anos, e sua esposa. “Dinho”, como é conhecido, se inspirou em uma reportagem que contava uma ação parecida, a “Ninho de Livros”, em Fortaleza (CE). “Olhei para minha esposa e disse: podemos fazer isso aqui em casa, já que a escola fica bem aqui em frente”, contou durante entrevista ao TNH1.

Segundo Ovídio, ele quer despertar a curiosidade dos alunos para a leitura. “Antes eles ficavam aqui pela rua, esperando o horário da aula, ociosos”, conta o oficial. “Agora o tempo é preenchido por assuntos de vários temas, conforme cada gosto”, falou, com alegria.

Ainda de acordo com Dinho, não só estudantes mas moradores de todas as idades estão se interessando pelos temas dos exemplares e levando o seu.

Como funciona?

Os alunos podem ler enquanto estão ociosos e devolver à caixinha;

Quem passa pelo local, pode trazer um livro e levar outro;

É possível levar o livro e ler em casa, caso não goste está autorizado repassar;

Quem quiser pode fazer doações de livros colocando direto na caixinha.

“Doações são bem vindas pois restam pouco mais de 20 livros no momento”, concluiu Ovídio.

‘Booktubers’ incentivam hábitos de leitura a jovens em encontro na Feira do Livro de Porto Alegre

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Evento na Feira do Livro de Porto Alegre promoveu o encontro entre criadores de canais de Youtube e seus seguidores, pelo segundo ano consecutivo (Foto: Luiz Ventura/CRL 2017)

Evento na Feira do Livro de Porto Alegre promoveu o encontro entre criadores de canais de Youtube e seus seguidores, pelo segundo ano consecutivo (Foto: Luiz Ventura/CRL 2017)

 

Evento reuniu booktubers, como são conhecidos os criadores de canais de leitura na internet, e seus fãs no último sábado (18).

Publicado no G1

Cada vez mais populares na internet, os canais de literatura servem como ponte entre os jovens e a leitura. Em frente a uma câmera, falando francamente sobre um livro, com contexto e explicações, estes criadores, que já têm até um nome próprio, “booktubers”, angariam seguidores e ajudam a disseminar o hábito de ler, especialmente entre os jovens.

Se muitos dizem que a internet roubou o tempo de leitura entre os mais novos, estes canais oferecem uma outra visão: na verdade, a internet está conquistando cada vez mais leitores.

Os booktubers ganharam um espaço na programação da Feira do Livro de Porto Alegre, que chega ao fim neste domingo (19). A segunda edição do Encontro de Influenciadores Literários e Seguidores contou com os booktubers Pam Gonçalves, de Tubarão (SC), e Vitor Martins, de São Paulo, para encontrar seus seguidores. O evento foi organizado pelos booktubers gaúchos Tamirez Santos e Carlos Eduardo Barzotto.

Vitor acredita na capacidade da internet de transformar os crianças e adolescentes em bons leitores. “Muitos vieram me falar: ‘faz muito tempo que eu não lia um livro, e o jeito que você falou me convenceu e eu li depois de muito tempo”, explica ele, que têm o canal que leva o seu nome desde janeiro de 2015.

Isso porque os canais possibilitam uma experiência coletiva de leitura, que costuma ser uma experiência solitária. “Existe uma relação de comunidade. Nos comentários, por exemplo, as pessoas recomendam outros livros, fazemos maratonas de leitura, eventos, encontros e clubes”, explica ele. Com companhia, os jovens se sentem mais incentivados a ler.

Pam concorda. Criadora de um canal desde 2015, ela acredita que esse tipo de veículo ajuda os adolescentes a se sentirem incluídos na discussão, e encontram pessoas como ideias e gostos parecidos.

“Os canais de literatura são grandes clubes do livro que não têm barreiras de distância. Não acho que um dia vai virar conteúdo do grande público, já que não é de interesse da maior parte da população, mas facilita a discussão entre muitas pessoas a partir de uma atividade que é solitária”.

Menos internet e mais literatura?

“A internet ‘tira’ o tempo não só dos jovens, mas de todos. O jovem tem conexão maior com a internet, mas se você parar para pensar, mas até na internet, a leitura tá sempre presente”, é o que acredita Vitor.

Para o booktuber, assistir aos canais é só o início. São várias as situações que podem puxar o jovem para a leitura. “Envolve sistemas de educação, incentivo de leitura nas escolas, em casa”, resume.

“Eu acho que é uma rede muito grande envovida para que o jovem saia da internet e vá ler um livro. Mas eu acho que é uma missão que tem tudo pra dar certo, na verdade já está dando certo”, afirma.

No papel de mediador, Vitor aposta neste público. “Busco falar a língua do jovem, procurar assuntos em que eles tão interessados, ler livros que eles possam se interessar para comentar no canal”, resume ele.

Pam, por sua vez, lembra que os livros podem ainda aproximar os jovens leitores de assuntos importantes, inspirar questionamentos e provocar novas ideias.

“Livros YA (sigla para young adults, categoria de livros para adolescentes e jovens adultos) tratam de violência, relacionamento abusivo, questões de família e adaptação. Diversos assuntos, considerados tabus ou não, que podem ser tratados em sala de aula, usando livros como exemplo e discutindo as ideias apresentadas pelo booktuber em um vídeo”, aponta.

Quatro livros jovens entre os mais vendidos

O mercado literário está atento à popularidade dos canais de Youtube e suas possibilidades: tanto Pam quanto Vitor já publicaram seus livros para o público jovem.

A oferta de títulos para adolescentes é diversa, como lembra Vitor. “Temos diversos subgêneros: fantasia, ficção científica, mistério policial, realismo mágico. Tem muito lugar para o jovem se encaixar e encontrar o livro que goste de ler”, afirma ele.

Inclusive os livros dos próprios youtubers. Seja de um canal literário ou de outros tipos de criadores, o número de títulos assinados por estrelas da internet só cresce. Para Vitor, esse tipo de leitura é benéfica, já que pode representar a porta de entrada para a consolidação do hábito.

Dos 20 livros mais vendidos da última semana, compilados pelo site especializado Publishnews, quatro são voltados ao público adolescente. Um deles, inclusive, ocupa o segundo lugar. É o “Diário de um Banana: apertem os cintos”, sucesso de Jeff Kinney.

Em sétimo lugar, está o livro do youtuber Felipe Neto, escrito por ele mesmo. Duas posições abaixo, o nono lugar é ocupado pelo lançamento “Tartatugas até lá embaixo”, de John Green, autor de “A culpa é das Estrelas”. Ainda integra a lista o livro “Estopinha”, a cachorrinha de Alexandre Rossi que também faz sucesso na internet voltado para os jovens, o 18º livro mais vendido da semana.

Biblioteca em formato de olho gigante impressiona chineses

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O edifício é um dos cinco edifícios encomendados pelo Instituto de Planejamento e Design Urbano de Tianjin para formar um novo centro cultural para a cidade

Mariana Conte, na Casa Claudia

Em Tianjin, na China, uma biblioteca pública que parece um grande olho vem conquistando a população. O projeto tem assinatura do escritório holandês MVRDV e a forma ocular do átrio pode ser observada de fora do edifício, através da fachada de vidro. As paredes em ondas são encapadas por prateleiras repletas de livros do chão ao teto. No centro, um auditório esférico incandescente forma a pupila.

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As linhas curvas criam espécies de arquibancadas em que os visitantes podem se sentar e ler e observar outras pessoas fazendo o mesmo. Winy Maas, co-fundador da MVRDV, descreveu o projeto como “uma espécie de caverna, uma estante de livros contínua”.

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“Nós criamos um espaço público bonito por dentro. Ser uma espécie de sala de estar urbana é o centro desse projeto”, disse ele ao Dezeen. “As estantes de livros são ótimos espaços para se sentar e, ao mesmo tempo, permitem o acesso aos andares superiores. Os ângulos e as curvas destinam-se a estimular diferentes usos do espaço, tais como a leitura, caminhada, reuniões e debates. Juntos eles formam o “olho” do prédio: para ver e ser visto”, explicou.

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O MVRDV revelou pela primeira vez seus projetos para a Biblioteca Pública de Tianjin em junho de 2016, quando a construção já estava bem encaminhada. É um dos cinco edifícios encomendados pelo Instituto de Planejamento e Design Urbano de Tianjin para formar um novo centro cultural para o distrito de Binhai, na cidade costeira.

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O edifício de 33.700 metros quadrados foi o projeto com conclusão mais rápida do MVRDV até o momento. Foram apenas três anos entre o primeiro esboço e a cerimônia de abertura. Essa agilidade toda causou algumas dores de cabeça em relação ao design. As prateleiras mais altas, por exemplo, são atualmente inacessíveis. Ali, os livros são na verdade uma projeção de imagens. Esses espaços são limpos usando um sistema de andaimes móveis e cordas.

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Áreas de leitura para crianças e idosos estão localizadas no piso térreo, outras salas de leitura se espalham pelo primeiro e segundo andares. Os pavimentos superiores contêm salas de reuniões, escritórios, salas de informática e dois terraços. Salas subterrâneas abrigam um grande arquivo e fornecem armazenamento extra de livros.

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Por que ler é cada vez mais importante

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Publicado em O Povo

O que se espera de um corretor de imóveis? Além de conhecimento técnico do assunto, desenvoltura para apresentar bem um produto e uma boa dose de empatia e criatividade. Habilidades que nem sempre são aprendidas em sala de aula. Pelo menos não foi assim com a jovem Elisiane Rocha, de 31 anos. “Eu era uma pessoa extremamente tímida, tinha muita dificuldade de falar em público. Foi nos livros que aprendi a perder este medo, quanto mais eu lia, mais me sentia mais segura para falar sobre diversos assuntos. Também me inspiro em algumas histórias para apresentar o imóvel de forma diferente”.

A corretora Elisiane Rocha conta que até se inspira em algumas histórias que lê para apresentar um empreendimento MARIANA PARENTE/ESPECIAL PARA O POVO

A corretora Elisiane Rocha conta que até se inspira em algumas histórias que lê para apresentar um empreendimento MARIANA PARENTE/ESPECIAL PARA O POVO

Hábitos como o da Elisiane, apesar de serem fundamentais para o desenvolvimento da carreira, não são tão comuns no Brasil. Uma pesquisa divulgada ano passado pelo Instituto Pró-livro, em parceria com o centro de pesquisas Ibope Inteligência, mostra que apenas metade dos brasileiros lê com regularidade. No Nordeste, este percentual é de 51%. Porém, esta prática é mais frequente entre os que possuem nível superior.

Em parte porque desde muito cedo a forma como estes livros são apresentados às crianças é feita de forma impositiva, obrigatória, explica a técnica de leitura e literatura do Sesc Fortaleza, a pedagoga Lúcia Marques. “O que é um erro. A leitura tem que ser algo prazeroso. Gostar de ler é uma questão de incentivo e oportunidade”.

Para ela, quem lê por prazer, tem mais chances de se tornar um profissional bem sucedido. “Quem lê mais, escreve bem, tem um vocabulário mais rico, se expressa melhor e, com certeza, aprende mais. E isso vale para qualquer instância da vida”.

A editora executiva da Fundação Demócrito Rocha, Regina Ribeiro, explica, que de um modo geral, um bom leitor pode se desenvolver mais rapidamente num espaço de tempo menor. Ela pondera que a leitura sozinha não faz milagres. Mas afirma que, entre os leitores, é fácil detectar certa “autonomia mental” que pode ser muito importante na hora de lidar com produtos que exigem criatividade. “Em qualquer área ou empresa uma pessoa com boa prática de leitura tem condições de agregar. No mínimo, terá uma boa conversa”.

Também destaca que pesquisas em Harvard mostram que mesmo a literatura de ficção é recomendada para melhorar a performance em muitas áreas. “Não existe uma receita pronta. Cada pessoa poderá ler o mesmo livro de uma forma diferente. No geral, a leitura contribui com a imaginação, com um melhor uso das palavras e um refino na capacidade de ser irônico e bem humorado. E não tem coisa pior do que viver sempre num mundo literal e sisudo, principalmente no trabalho, onde ficamos tantas horas por dia”.

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