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Como escolher uma boa leitura

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Publicado em Revista Escola

A seleção de um livro, entre tantas opções, pode ser feita de diversas maneiras. A mais frequente comigo é a indicação de amigos, que sempre me sugerem títulos de que gostaram muito ou que acreditam ser do meu agrado. Na maioria das vezes, acertam! Por isso, tem vezes que eu mesma peço as sugestões para eles.

Já quando busco um livro por conta própria, vou basicamente pela sinopse. Se a história parecer bacana, me fisga. Mas também pode ser pelo autor, quando eu já o conheço de outras leituras ou quando seu trabalho é de reconhecida qualidade. Ler as críticas publicadas sobre a obra é algo que faço bem pouco, mas sei que há quem não dispense. Já o título e a capa não são aspectos muito determinantes para mim. Porém, como tudo é extremamente maluco na vida e na escolha de um bom livro literário, certa vez um título bizarro me levou a uma publicação realmente interessante. Vou contar essa história…

Há cerca de 5 anos, ainda na época da faculdade, eu passeava com alguns amigos por uma grande livraria no centro de São Paulo. Minha amiga Cecília queria comprar algo de um escritor que ainda não tivesse lido. Em uma das telas que mostram as ofertas da livraria, passou Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios.

O título nos pareceu muito estranho e não dava qualquer pista do que poderíamos esperar daquela história. Quando o anúncio se repetiu, vimos o nome do autor: Marçal Aquino. Nenhum de nós o conhecia. “Sobre o que será?”, perguntávamos uns aos outros, dando não mais do que palpites de pouco fundamento. Não lembro se chegamos a ler a sinopse. Só sei que Cecília o comprou e que eu fiquei ansiosa para pegá-lo emprestado.

Enfim, quando minha vez chegou, terminei a leitura rapidamente. A história é trágica, mas encantadora. A narrativa me envolveu de tal maneira que eu não conseguia parar de ler! Sentia uma necessidade incontrolável de saber o que aconteceria em seguida com as personagens centrais. A loucura intensa de Lavínia e a perturbação de Cauby – que se perdia ao tentar se adaptar ao submundo paraense e ao amor que sentia – me deixaram vidrada. Eu tentava imaginar os caminhos que eles percorreriam e o destino escolhido pelo autor.

Pouco tempo depois, assisti a uma palestra com Aquino, no SESC Pinheiros, que me deixou ainda mais curiosa a respeito de seu trabalho. Hoje, fico feliz por minha amiga ter se intrigado com o título estranho e por ter comprado o livro. Claro que se cercar de indicações e boas análises para escolher suas leituras é bom. Mas aprendi que, às vezes, navegar por mares desconhecidos pode se tornar uma boa surpresa.

E, você, como seleciona suas leituras? Já se surpreendeu com alguma escolha inusitada?

 

 

“Leitura foi o meu refúgio”, diz confeiteira que fugiu de casa aos 12

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leituLucas Rodrigues, no UOL

Ainda pequena, Dreicy Marques teve de ir com sua mãe do Ceará para São Paulo logo após a morte do pai, vítima de bala perdida durante uma festa. Acabou fugindo de casa aos 12 anos. “A leitura foi o meu refúgio. Adolescente, sozinha, na rua, rebelde. Eu tinha que descarregar tudo isso.”

Dreicy cresceu no ambiente da creche onde a mãe trabalhava na capital paulista e, por conta dela, acabou pegando o hábito da leitura. “O que mais conseguia me prender em casa eram os livros. O meu primeiro foi Poliana”, lembra. Sem a companhia deles, ela se sentia presa na pensão onde moravam. “Minha mãe me batia muito, não me deixava ficar na rua brincando e não falava sobre meu pai. Perguntava e ela dizia que não tinha parente dele vivo. Só fui encontrar uma tia agora com a internet.”

Fugida de casa, chegou a morar com alguns amigos até conhecer o primeiro marido, pai de três dos seus filhos. Cuidou de crianças, lavou roupa de pessoas do prédio onde morava e trabalhou como office girl para um escritório de contabilidade. Atualmente faz doces numa confeitaria na região central de São Paulo.

No trajeto para o emprego, acabou conhecendo uma iniciativa do Instituto Brasil Leitor, que implantou bibliotecas gratuitas nas estações de trem e metrô. Pegou 79 livros da biblioteca da estação Paraíso ao longo do período de um ano. “Quando leio, imagino até o cheiro. Tudo foge da minha mente e eu entro nesse mundo que falo que é só meu”, diz. “Não ando mais de cabeça baixa. Agora presto atenção no que as pessoas leem, comento, puxo assunto. Estou mais comunicativa.”

O projeto teve de acabar por falta de patrocínio. “Fiquei muito chateada quando acabou. As meninas que trabalhavam lá tinham até meu telefone. Agora faço um percurso 15 minutos mais curto para ir ao trabalho porque não faço aquela volta toda só para ir à estação [pegar emprestado os livros].”

Documentário

Dreicy fará parte do documentário “Sobre Livros e Trilhos”, que pretende contar as histórias de alguns usuários das bibliotecas gratuitas localizadas nas estações de trem e metrô da capital paulista. O diretor André Gustavo entrevistou mais de 400 pessoas e selecionou seis nomes.

“Dreicy, por exemplo, ia amargurada para o trabalho. Depois de conhecer o projeto, ela trocou informações sobre leitura e nos disse que parava num boteco para tomar café e conversava bastante com o dono, que também amava ler”, conta André. “Quando ela chega ao trabalho agora, ela devolve toda essa alegria para a vida. O ciclo dela se transformou.”

Segundo o diretor, o documentário está em fase de captação de recursos para a produção e distribuição.

15 dicas para estimular crianças a ler mais

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Como convencer os pequenos a largar joguinhos e a TV e abrir um livro

Marina Ribeiro, na Época

Estudos comprovam que a ler ajuda a desenvolver o cérebro, ter melhor desempenho acadêmico e até mesmo a criar uma sociedade mais igualitária. Estimular crianças a tomar gosto pelos livros é uma missão importante de pais e educadores.

O professor Júlio César Michelato, coordenador de português do ensino fundamental do colégio Objetivo, afirma que a leitura extraclasse gera resultados em sala de aula. “Há uma diferença enorme na produção dos alunos que leem em relação aos que não costumam pegar em livros – os que leem têm uma bagagem maior, sabem reivindicar, argumentar com mais propriedade.”

Como convencer os pequenos a largar joguinhos e a TV para abrir um livro? Apesar da leitura ser uma atividade divertida e que pode ajudar adultos e crianças a criar laços afetivos, muitas vezes é difícil criar esse hábito. Por isso, reunimos algumas dicas de como estimular os pequenos (ou nem tanto) a ler mais. As férias escolares podem ser uma boa oportunidade para colocá-las em prática!
1. Seja exemplo

Ainda que seja um consenso dizer que é importante ler, 70% dos brasileiros adultos não leram nenhum livro em 2014, segundo uma pesquisa da Fecomercio-RJ. Como a leitura é um ato cultural, é importante que os adultos desenvolvam esse hábito para que a criança também aprenda a desenvolver. “A partir do momento que você está em casa engatinhando, você vê o seu pais lendo um jornal, um livro, uma revista, aquilo automaticamente passa a fazer parte da sua vida”, diz o Michelato.
2. Desligue a televisão

85% dos brasileiros gostam de assistir a televisão durante o tempo livre, enquanto só 28% da população escolhe a leitura, segundo o estudo Retratos da Leitura no Brasil. O problema é que com o eletrodoméstico ligado fica difícil conseguir ler. “A TV desligada também gera um espaço vazio físico e psíquico para a leitura. Especialmente se o adulto também for ler naquele momento”, afirma a professora doutora Beth Cardozo do Programa de Estudos Pós-Graduados em Literatura e Crítica Literária da PUC-SP.
3. Crie um momento de leitura

Use momentos em família para atualizar a leitura. Você com seus livros, as crianças com os delas e conversem sobre o tema. “Além de ser importante ser um exemplo, é bacana mostrar para a criança o que está lendo. Não que ela deva ler aquele livro, mas é interessante mostrar as opções que existem de leitura”, afirma a professora Samantha Ishikawa, do Colégio Santa Maria de São Paulo.

Dá até para pensar em uma espécie de clube do livro, em que vocês escolhem um título e compartilham as impressões depois. Não tenha medo de dizer que não gostou de um livro e as razões para isso. Assim, a criança pode compreender que existem diferentes tipos de obras e que é possível deixar uma obra de lado e começar outra.
4. Ofereça diferentes tipos de texto

Também é bom para oferecer diferentes tipos de texto. Apesar de gerar certa insegurança, não há problema em deixar que crianças leiam conteúdo destinado a diferentes faixas etárias. “Muitas vezes, pais estranham o interesse dos filhos em enciclopédias ou livros de receitas, mas são tipos de texto que podem gerar muito conhecimento para a criança”, afirma Samantha.
5. Respeite o gosto do leitor

Especialmente entre as crianças mais velhas, os pais podem ter preconceitos com os gostos literários dos filhos, que tendem a se interessar por um único gênero. Estimule a leitura desses títulos, mas tente oferecer também outras opções. Leitura demais não machuca. “O fundamental é ter contato com a leitura”, afirma a professora do Santa Maria. Na hora de oferecer novos títulos, é importante conhecer a criança. Observe-a, investigue seus interesses. Acertar na hora de indicar um livro pode garantir que o pequeno se apaixone pela leitura.
6. Incentive contato com os livros

É importante cultivar a relação com livros mesmo antes da alfabetização. Com crianças pequenas, é legal explorar a leitura de imagens ou deixar que o livro seja usado como um objeto para brincadeira. A escritora Lygia Bojunga gostava de contar que antes de aprender a ler brincava de casinha dentro dos livros, que usava como tijolos e paredes. “Isso é importante para criar intimidade com o objeto”, afirma Beth.

No entanto, é preciso tomar cuidado para não dramatizar, caso algum título fique avariado. “Ensine o respeito pelos livros, mas não os deixe encastelados. Não tem motivo para fazer drama por livros rasgados ou riscados”, diz Beth.

(mais…)

Leitura ajuda detentos na remissão de pena em presídio de Hortolândia, SP

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Prisão foi a primeira do estado de São Paulo a implantar a medida.
Presos podem diminuir até 48 dias por ano com o hábito de ler.

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Publicado no G1

O Centro de Progressão Penitenciária de Hortolândia (SP) oferece aos detentos uma forma de adquirir conhecimento e reduzir a pena aplicada pela Justiça com o projeto “A Leitura Liberta”. A unidade foi a primeira do estado de São Paulo a implantar a medida.

Com a leitura, o detento pode reduzir em até quatro dias a pena, caso a avaliação posterior seja positiva. No total, ele pode diminuir 48 dias por ano no tempo de reclusão.

A pedagoga Elisane de Oliveira conta que a partir do segundo livro já é possível ver evolução nos detentos. “No segundo, no terceiro livro você vê a evolução da pessoa”, explica.

Os presos podem alugar um livro a cada 30 dias e, após a leitura, eles precisam participar de oficinas onde irão compartilhar o que aprenderam com aquele determinado autor. “Eu quero que a pessoa se transforme com essa leitura, então, realmente eu tenho que verificar se há essa leitura”, explica.

350 livros por mês
A penitenciária de Hortolândia possui uma sala com mais de 1,5 mil livros no acervo e a média de empréstimos é de 350 unidades por mês.

“Eu descobri que a literatura tinha muito mais coisas para me ensinar do que simplesmente a remissão de pena”, contou um dos presos à EPTV, afiliada da TV Globo.

Segundo o diretor do presídio, Joaquim Gomes da Silva, alguns chegam até a dizer que se tivessem adquirido esse hábito antes tudo seria diferente.

“Alguns presos vem falar comigo e dizer que se tivessem esse entendimento de leitura, de repente ele não não teria cometido o que ele cometeu do lado de fora”, afirma.

Incentivo nacional
O projeto segue uma recomendação do Conselho Nacional de Justiça, que prevê o incentivo à leitura em todos os presídios no Brasil. Em 2016, a expectativa é de que o projeto “A Leitura Liberta” seja aplicado em pelo menos 90% das penitenciárias do estado de São Paulo.

“A literatura te liberta dos seus preconceitos, te liberta do conceito e, às vezes, de como você enxerga as coisas. Te dá uma visão diferente do que você pode fazer na sua vida”, destaca um dos detentos, que já cumpriu mais de 10 anos de pena.

57% dos alunos de 8 anos têm nível baixo em leitura

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Dados, aos quais o ‘Estado’ teve acesso, constam em apresentação realizada neste ano para o Conselho Nacional de Educação

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Publicado em Estadão

Mais de 57% dos estudantes de 8 anos não conseguiram superar os dois primeiros níveis, em uma escala de quatro, de aprendizado em leitura na Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA) de 2013. Em matemática, o porcentual foi de 58%.

Os dados, aos quais o Estado teve acesso, constam em apresentação realizada neste ano para o Conselho Nacional de Educação (CNE). No ano passado, o governo federal não divulgou os resultados sob o argumento de que aquele ainda era o primeiro diagnóstico. As informações referentes à prova de 2014 devem ser liberadas em agosto.

A ANA traz provas de matemática, leitura e também escrita. Nesta última parte, 41,5% dos estudantes não atingiram os dois níveis superiores.

Para cada área, o Inep construiu uma escala de quatro níveis, localizando a pontuação dos alunos nesses intervalos. O Inep não elaborou um indicador unificado, como forma de evitar ranqueamentos.

Segundo o presidente do Inep, Francisco Soares, o governo trabalha, agora, com os dois resultados disponíveis, para definir o que se considera como adequado em termos de alfabetização. “Não tínhamos comparação. Por isso estamos construindo isso com muito cuidado, porque, dependendo da definição, pode ter mais ou menos crianças alfabetizadas”, diz ele.

No caso de leitura, por exemplo, a maioria dos alunos (57%) não consegue localizar informação explícita, situada no meio ou final do texto, em gêneros como lenda e cantiga folclórica. Em escrita, 41,5% dos alunos nos não teriam competência de escrever textos narrativos com mais de uma frase a partir de uma situação dada. Já em matemática, a maior parte (58%) dos alunos não sabe associar valor monetário de um conjunto de moedas ao valor de uma cédula.

A distribuição dos alunos por nível varia por Estado e região. Norte e Nordeste têm 74% dos estudantes nos dois primeiros níveis em matemática. Alagoas, por exemplo, tem 48% dos alunos no primeiro nível, enquanto Santa Catarina concentra 39% dos estudantes no mais alto.

A ANA compõe o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC). O programa envolve União, todos os Estados, 98% dos municípios e 39 universidades públicas, que coordenam as formações. O objetivo é assegurar que todas as crianças estejam alfabetizadas até os 8 anos. Entre 2013 e 2014, o governo investiu R$ 1,7 bilhão no PNAIC.

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