Os Dois Mundos de Astrid Jones

Posts tagged leitura

3 razões para você ler mais, mesmo sendo de Exatas

0

leitura_no_computador

Publicado no Boa Informação

Era uma típica aula prática de Programação: os alunos, sentados nos seus computadores, tinham uma lista de problemas para resolver enquanto eu circulava pela sala, ajudando-os com as dúvidas que iam surgindo.

Eis que um dos alunos, um bom aluno, me chama e pergunta: professora, não entendi a questão 17, pode me explicar?

Brinquei com ele que eu não tinha memória de elefante, e não sabia de cabeça qual era a questão 17 da lista. Fui até ele, peguei a apostila e comecei a ler em voz alta o enunciado que tinha umas cinco linhas de texto. Quando eu terminei a leitura, o aluno fez cara de quem foi atingido por um raio de luz e declarou: “Ah, agora entendi!” E começou a escrever o programa para resolver o problema.

– “Como assim, entendeu? Eu só li o problema, nem comecei a explicar…”

Uma fração de segundo depois, quem foi atingida por um raio fui eu: tinha me dado conta de que o que ele não tinha entendido era o texto, e não o problema em si! Uma vez que eu fiz a leitura em voz alta, ele entendeu claramente o que dizia ali e o que era para fazer. Ou seja, o rapaz – um estudante universitário fazendo um curso concorrido de uma instituição pública de ensino superior – tinha um sério problema de leitura.

Este é um exemplo extremo, mas o problema não é tão incomum. E não é que os meus alunos fossem particularmente problemáticos. A pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, encomendada ao IBOPE pela Instituto Pró-livro, indica que o brasileiro lê menos de dois livros a cada três meses. E este número inclui livros apenas parcialmente lidos E livros didáticos.

Ora, a gente sabe que a “galera de humanas” naturalmente puxa essa média para cima… Daí dá para imaginar que o estado das coisas entre a turma de exatas é ainda mais dramático.

Além do aluno da história acima, não foram raros os casos de alunos fazendo careta toda vez que se deparavam com aqueles problemas “com história”. Qualquer coisa que não fosse no formato “resolva a equação abaixo” era visto com medo e até um certo ressentimento.

Entretanto, a leitura correta dos enunciados de questões de prova é o menor dos problemas de um futuro Engenheiro. Por isso, vou contar três motivos para você ler mais e aprimorar esta habilidade fundamental, mesmo você sendo de Exatas até a raiz dos cabelos… Claro que existe muito mais razões para ler que estas, mas será que você já tinha pensado nestas três?

Razão #1: Você gosta de ler

Dizer que não gosta de ler é como dizer que não gosta de garfo e faca. Simplesmente não faz sentido algum!

Ler é meramente uma ferramenta para você atingir um fim. Você pode gostar de carne assada e não gostar de abóbora, mas o garfo e a faca não tem absolutamente nada a ver com isso.

Do mesmo jeito, você pode até não gostar de ler romances do século XIX, mas com certeza tem algum assunto no qual você tem um interesse mais intenso. (mais…)

Por que quem lê tem mais chances de alcançar o sucesso profissional?

0
Fonte: Shutterstock

Fonte: Shutterstock

Entenda os motivos pelos quais o hábito de leitura é um grande diferencial no ambiente de trabalho

Publicado na Universia Brasil

A leitura é um hábito essencial na vida das pessoas para que entrem em contato com novos assuntos e consigam criar um bom senso crítico. Mas você sabia que pessoas com hábito de ler tendem a ser bem-sucedidas profissionalmente? Assim, investir na leitura é o primeiro grande passo para chegar ao sucesso.

A seguir, confira motivos por que os leitores têm mais chances de conseguir um bom futuro profissional do que as outras pessoas:

1 – Aumenta o foco

As pessoas que gostam de ler costumam não conseguir abandonar o livro que têm em mãos, porque desejam muito saber qual o final da obra. Os bem-sucedidos agem da mesma forma: mantém o foco até atingirem a meta que se propuseram. Como estão acostumados com isso no âmbito da leitura, a transferência para o universo profissional é mais simples.

2 – Faz com que o indivíduo estabeleça objetivos
Quando um leitor inicia um livro, estabelece metas, como a quantidade de páginas que lerá por dia ou o prazo em que deverá ter finalizado a leitura. Assim, essas pessoas costumam ser bem-sucedidas, porque carregam a mesma característica para os trabalhos que precisa desenvolver no trabalho. Eles se mantêm dentro de uma estratégia que fará com que alcancem os objetivos.

3 – Gastam o tempo de maneira inteligente
Os leitores costumam aproveitar todos os momentos livres que têm para ler mais um pouco como, por exemplo, no transporte público. Assim, no ambiente de trabalho, planejam todas as atividades para que as realizem da maneira mais rápida e eficiente possível.

4 – Têm perspectiva
Como leem muitos tipos de livros, essas pessoas conseguem enxergar a realidade por vários ângulos diferentes. Torna-se, então, mais fácil de criar estratégias que funcionem, além de resolver os problemas muito mais rapidamente.

5 – Refletem muito
Ao entrarem em contato com diferentes tipos de leitura, as pessoas aumentam a capacidade de refletir profundamente sobre diversos assuntos. Assim, transferem essa característica para o âmbito profissional e, consequentemente, pensam em soluções para os problemas mais rapidamente que as pessoas que não possuem o hábito de leitura.

6 – Têm boas habilidades de escrita e leitura
Ler e escrever são duas funções intrinsecamente ligadas e, por isso, quando uma melhora a outra tende a melhorar também. Dentro das empresas, independentemente da área de atuação da pessoa, é comum que a comunicação por meio da boa escrita seja valorizada. Além disso, ler com atenção faz com que as pessoas compreendam melhor as atividades que precisam realizar.

7 – Aumentam a memória
Quanto mais você lê, maior sua capacidade de memorizar informações. O cérebro humano pode armazenar infinitos dados, mas precisa ser estimulado para tal e a leitura é capaz de proporcionar esse fato. Assim, você conseguirá reter melhor o que for falado no trabalho, dificultando as chances de você esquecer-se de alguma atividade importante. Ler é um exercício que deveria ser feito todos os dias, para que o leitor consiga tirar o máximo de proveito possível da situação.

8 – São informados
A leitura faz com que as pessoas fiquem mais informadas sobre o mundo ao redor: os noticiários o mantém por dentro de tudo que acontece e os livros fazem com que entenda pensamentos da época em que foram escritos, podendo relacionar literatura e história. No mercado de trabalho, as pessoas bem informadas são valorizadas e, por isso, é ideal que você invista para criar hábitos de leitura. Mesmo que não goste muito, tente ao menos entrar em contato com notícias.

Mais uma livraria carioca vai fechar as portas: a Saraiva do Village Mall, na Barra

0
fachada-village-mall

Fachada do Village Mall, shopping que vai perder livraria – Guilherme Leporace / Agência O Globo (08/02/2013)

Em nota, empresa diz que seu foco atual é desativar lojas deficitárias. Espaço dará lugar a uma loja da grife Dolce & Gabbana

Simone Candida, no O Globo

RIO — A notícia acrescentou mais uma capítulo à triste saga das livrarias cariocas. Depois da Leonardo Da Vinci — que, após 63 anos no Centro, deve fechar por problemas financeiros —, agora é a vez de uma Saraiva entregar os pontos. Ou melhor, o ponto. E num luxuoso shopping da Barra da Tijuca. A livraria, no Village Mall, endereço voltado para o consumo da classe A, vai encerrar as atividades e dará lugar a uma loja da grife italiana Dolce & Gabbana, como antecipou na terça-feira a coluna Gente Boa, do GLOBO.

A rede, que tem 115 lojas em 17 estados brasileiros e é considerada um modelo de sucesso, não quis dar mais detalhes sobre o fechamento. Informou apenas, por meio de nota, que “o foco da companhia neste momento é a extração de maior valor dos ativos existentes e renegociação ou fechamento de lojas deficitárias em sua rede de varejo”. A data do encerramento das atividades também não foi divulgada. Entre os frequentadores do shopping, comenta-se que a megastore, de cerca de dois mil metros quadrados, costumava ficar bem mais vazia que as vizinhas lojas de grife. A Saraiva é a única livraria do Village Mall e uma das 14 que existem na Barra da Tijuca.

Para especialistas, a filial que será fechada é mais uma vítima da crise. Sergio Herz, Presidente da Livraria Cultura — rede que há três anos transformou o antigo Cine Vitória, no Centro, numa de suas unidades cariocas e virou ponto de encontro na região —, disse que a crise não vem atingindo só o setor, mas o varejo de um modo geral. E o caminho da sobrevivência, para ele, está justamente em adaptar o negócio aos tempos difíceis.

— Esses dois fechamentos são casos pontuais. Hoje as livrarias, assim como outras lojas de varejo, brigam pelo tempo do consumidor, que tem a facilidade de poder comprar tudo pela internet. É preciso encontrar formas de atrair esses leitores — diz ele.

A Livraria Leonardo da Vinci, aberta em 1952 no Edifício Delamare, na Avenida Presidente Vargas, e desde 1956 no subsolo do Edifício Marquês do Herval, na Avenida Rio Branco, lançou no início do mês uma liquidação para pôr fim a seu estoque de cem mil exemplares. Considerado um ícone carioca, o lugar foi frequentado por artistas que vão do modernista Carlos Drummond de Andrade ao punk Rogério Skylab, dois exemplos de poetas que citaram a Da Vinci em suas obras.

Milena Duchiade, herdeira do negócio, afirma que é impossível continuar operando com prejuízo. Numa tentativa de diminuir as perdas, a casa já desocupou duas das quatro salas onde funcionava. Segundo ela, o modelo de negócio se tornou inviável porque a livraria não tem café, nem vende artigos de papelaria e informática.

QUEDA DE ATÉ 10% NAS VENDAS

Segundo a Associação Estadual de Livrarias do Rio de Janeiro, nos últimos dois anos, 18 estabelecimentos encerraram suas atividades na cidade. E o mercado vem amargando, desde o início do ano, uma retração nas vendas entre 5% e 10%. Na página da associação, os livreiros divulgam as últimas notícias sobre aberturas e fechamentos na cidade (www.facebook.com/pages/Associação-Estadual-de-Livrarias).

— Com o aumento dos aluguéis muito acima da inflação, associado a uma elevação das tarifas públicas, as livrarias, principalmente as que estão localizadas em locais muito nobres, não estão suportando os custos. Tanto que muitas mudaram de endereço para tentar sobreviver — diz Gláucio Cunha Cruz Pereira, diretor da associação.

Ele, no entanto, argumenta que há uma leve reação das livrarias do Rio.

— Nos últimos dois anos, 18 fecharam, mas outras 15 foram abertas, incluindo a Saraiva do Village Mall, que agora vai fechar. A loja Baratos da Ribeiro, por exemplo, que ficava na Rua Barata Ribeiro, em Copacabana, mudou-se para Botafogo, onde os aluguéis são mais baratos — lembra.

CIDADE TEM CEM LIVRARIAS

Nesse mercado de poucas vendas, somente as lojas que oferecem algo mais que livros, como produtos de papelaria e de informática, DVDs e CDs — curiosamente, o perfil da Saraiva do Village Mall —, ou as livrarias mais especializadas estão conseguindo se manter abertas.

De acordo com o último levantamento da associação, que reúne 53 livreiros do estado, o município tem cem livrarias, sendo que 50 ficam concentradas no Centro, no entorno das avenidas Rio Branco e Presidente Vargas. Entre as que resistiram, uma das mais antigas é a Livraria da Federação Espírita Brasileira, na Avenida Passos, no Centro. Ela é especializada em livros da doutrina espírita e foi fundada em 31 de março de 1897.

 

Estudante de 14 anos ensina pai, avó e vizinhos a ler em zona rural de GO

0

4263351_x360

Garoto montou uma sala de aula improvisada para lecionar em povoado.
Com sonho de ser pedagogo, ele é monitor de leitura na escola que estuda.

Publicado no G1

Quando terminam as aulas do estudante Janiel Vieira, de 14 anos, no período da manhã, ele começa uma nova maratona no povoado de Cabeceira Alta, a 80 km de Rio Verde, no sudoeste de Goiás. Após adquirir aprendizados na escola, ele usa o período da tarde para repassar o que sabe aos outros. Foi desta forma que ele alfabetizou o pai, a avó e alguns vizinhos da comunidade rural onde vive.

O adolescente, que sonha se formar em pedagogia, improvisou um espaço no fundo do quintal de casa e criou sua própria sala de aula. Com livros doados pela escola onde estuda, ele ensina um grupo a ler e escrever. “No momento em que estou ensinando, também estou aprendendo. Vou levar isso para o resto da minha vida”, diz o menino.

Além da leitura, o pai de Janiel, o trabalhador rural Jerônimo Vieira, também aprendeu matemática com o filho. “A divisão eu aprendi com ele. Não sabia nada e com ele eu aprendi muito”, diz, orgulhoso.

Já a aposentada Claudina Cabral, avó de Janiel, teve o privilégio de receber aulas particulares. Com livros emprestados e usando as paredes de placa como quadro negro, ela aprendeu a ler. “Depois que ele começou a me dar aula, eu melhorei muito. Fico muito entretida com as aulas dele”, conta.

Monitor
O estudante ainda concilia as aulas na comunidade com o cargo de monitor para alunos menores na escola. Uma das atividades que ele mais gosta é o cantinho de leitura, onde mostra às crianças que é possível viajar mesmo sem sair de onde está.

“Ele ajuda a gente a aprender algumas palavras que a gente ainda não sabe. É uma coisa diferente, onde a gente nunca foi e pode ir ao mundo da leitura”, diz Adriele Cabral, de 8 anos.

Professor de Janiel, Renato Prado não mede elogios ao falar do garoto e conta que vai tentar ajudá-lo em seu maior desejo. “Ele tem o sonho de fazer pedagogia e voltar para Cabeceira Alta como professor. Nós vamos abrir todas as portas e incentivá-lo sempre que possível”, diz.

Além de dar aulas para comunidade, Janiel ainda é monitor de leitura (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Além de dar aulas para comunidade, Janiel ainda é monitor de leitura (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Levantamento revela trechos mais grifados pelos leitores em ebooks no país

0

Autores independentes se destacam na lista; ‘A culpa é das estrelas’ é o mais marcado

Maurício Meireles, em O Globo

John-Green-author-photoRIO – John Green ainda se lembra bem: estava sentado num café perto de casa, nos Estados Unidos, pensa

ndo sobre a parte de “A culpa é das estrelas” (Intrínseca) que acabara de escrever. Gus, par romântico da protagonista, dizia a ela que há algo prazeroso e puro em declarações de amor. Depois de pensar, o autor emendou: “Estou apaixonado por você e não quero me negar o simples prazer de compartilhar algo verdadeiro. Estou apaixonado por você e sei que o amor é apenas um grito no vácuo, e que o esquecimento é inevitável, e que estamos todos condenados ao fim, e que haverá um dia em que tudo o que fizemos voltará ao pó, e sei que o sol vai engolir a única Terra que podemos chamar de nossa, e eu estou apaixonado por você.” Depois de “lutar” com esse parágrafo, John Green sentiu-se exausto, fechou o computador e voltou para casa.

Três anos depois de o romance ser lançado, o trecho acima tornou-se o mais grifado por usuários brasileiros do Kindle no e-book de “A culpa é das estrelas”. É o que mostra um levantamento exclusivo feito a pedido do GLOBO pela Amazon, a empresa que lidera o comércio de livros digitais no Brasil, sobre as passagens favoritas dos leitores nos 15 e-books mais vendidos no último ano.

A empresa também analisou algumas obras populares, mas que não apareceram entre os líderes de vendas do ano, como “Harry Potter e a pedra filosofal” (Rocco) e “Cinquenta tons mais escuros” (Intrínseca). Se a leitura antes era uma atividade privada, o livro digital trouxe a possibilidade de espreitar o comportamento dos leitores — e é isso que a pesquisa mostra.

— Quando escrevi, esse trecho era consideravelmente maior e mais florido. Meu editor e eu cortamos muito durante a edição. Não imaginei que essa parte fosse se tornar tão popular, mas é um momento importante do livro — conta John Green. — Sempre achei interessante a ideia de que o som não pode viajar no vácuo, e muitas vezes nossos lamentos parecem não ser escutados. Por anos, eu costumava dizer meio de piada coisas como “Todo esforço é um grito no vácuo”. Não sei se ouvi ou li a frase em algum lugar, ou se veio de dentro de mim.

Tudo bem, John Green aparecer na lista não é surpresa alguma — afinal, seu livro é um best-seller internacional, e o Brasil não passou incólume a esse sucesso. Na pesquisa da Amazon, porém, a surpresa fica com a não ficção, a autoajuda e os autores independentes. Seis dos 15 livros da lista são de escritores autopublicados. A baiana Tatiana Amaral, por exemplo, aparece com dois livros da trilogia “Função CEO”: “A descoberta do amor”, o primeiro, é o quarto mais vendido; “A descoberta da verdade”, o segundo da série, é o sétimo.

FRASE AO CONTRÁRIO

Laurentino Gomes: frase de “1808” sobre “caixinha” de Dom João remete aos casos atuais de corrupção no país - Camilla Maia

Laurentino Gomes: frase de “1808” sobre “caixinha” de Dom João remete aos casos atuais de corrupção no país – Camilla Maia

A história é quase a mesma de “Cinquenta tons de cinza”. Tatiana trabalhava como administradora numa empresa familiar de alimentos congelados, quando resolveu escrever um fan fiction sobre a saga “Crepúsculo” — que acabou servindo de ponto de partida para os romances. A série conta a história de Melissa, que vai trabalhar como secretária do CEO de uma empresa. Ele é casado, os dois se apaixonam, mas o poderosão não larga a mulher porque vive um “jogo” com ela — e quem ganhar fica com o dinheiro, as ações, tudo. A mulher do sujeito também é uma megera, que tenta até matar a secretária. A frase mais grifada mostra o momento em que o CEO pede a amante em casamento.

— Há muitos outros trechos que eu achei que iriam agradar mais às pessoas do que esse — reconhece Tatiana.

Outra surpresa aparece em “O pequeno príncipe”, sexto mais vendido no ano: a frase (mais…)

Go to Top