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Com histórico até a 7ª série, interno da Fundação Casa aprende a ler aos 17

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Quando chegou à Fundação Casa, Jonas disse que o seu sonho era aprender a ler

Quando chegou à Fundação Casa, Jonas disse que o seu sonho era aprender a ler

Marcelle Souza, no UOL

O pedido do jovem infrator ao chegar na Fundação Casa foi incomum: “senhora, eu queria aprender a ler”. Era seu “sonho”, contam as professoras. Sua apreensão também foi pouco usual: ao achar que havia cometido um erro muito grave, Jonas*, 17, resolveu se entregar e cumprir sua pena.

Ele perdeu a liberdade, mas realizou o sonho: prestes a completar 18 anos, após quase um ano de internação, ele começa a ler e a escrever. Até chegar à fundação, Jonas havia estudado até a 7ª série em uma escola pública de São Paulo. Anos na sala de aula, no entanto, não lhe garantiram sequer a leitura e a escrita.

Sem conseguir acompanhar às aulas, ouviu de uma professora que deveria “sentar e apenas copiar”. “Os professores não tinham tempo”, diz. Passava de ano com a aprovação do conselho de classe. Passava, mas não aprendia. “Pegava ônibus só pelo número, não pela letra”.

O histórico escolar registra ainda duas reprovações. Sem aprender e prestes a terminar o ensino fundamental, decidiu abandonar a escola. Cometeu um ato infracional e procurou o fórum da cidade para se entregar. Perdeu a companhia dos amigos, da namorada e o abrigo na casa da mãe.
Na 8ª série sem saber ler

Quando as grades se fecharam, ele ‘adotou’ um novo corte de cabelo (igual para todos os internos), passou a usar o uniforme e percebeu uma chance de realizar o seu maior sonho. Seu histórico escolar lhe garantiu matrícula na 8ª série, atual 9º ano, do ensino fundamental.

Na sala, sentou na primeira fila e começou a fazer reforços de alfabetização. Os outros meninos zombaram dele, mas ele não ligou. Aos poucos, quem só sabia desenhar umas letras passou também a juntar sílabas: pato, vaca, faca, coelho, foram algumas das primeiras palavras que leu sozinho.

“Eu não sabia nada quando entrei aqui. Minha mãe até chorou quando eu ganhei diploma de melhor aluno”, conta o interno. Fez também cursos de corte de cabelo, artes cênicas, artes plásticas, biojóias e aprendeu a fazer sabonetes e salgados. Também é destaque no time de basquete na unidade.

Mario Volpi, representante da Unicef, afirma que as medidas com mais êxito estão relacionadas a estruturas que não necessitam da internação, mas dependem da articulação entre a escola, a comunidade e o sistema de atendimento socioeducativo. “O ideal é que a instituição não precise prender para ele descobrir suas habilidades”, diz.

Logo que entrou na Fundação Casa, Jonas descobriu que seria pai. Perdeu os nove meses de gravidez, o nascimento do bebê e só conheceu a filha quando ela completou três meses. “Agora eu quero trabalhar e cuidar da minha filha. Quero estudar, fazer supletivo e depois fazer uma faculdade, quero ser professor de educação física”, diz.

Jonas ainda não sabe quando sairá da Fundação Casa.

*Nome fictício

perfil do interno da Fundação Casa

Livro dará R$ 1,2 milhão ao primeiro leitor que desvendar seu mistério

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À agência de notícias EFE, o autor não esconde o propósito da ação. “Não tenho vergonha de dizer que espero vender milhões de cópias com este livro”

Fazendo uma verdadeira competição global, o autor lançou o livro em 30 países na semana passada, inclusive no Brasil (Divulgação)

Fazendo uma verdadeira competição global, o autor lançou o livro em 30 países na semana passada, inclusive no Brasil (Divulgação)

Luiza Belloni Veronesi, no InfoMoney

SÃO PAULO – Com o mercado editorial em crise, o escritor James Frey decidiu explorar o lado
“Sherlock Holmes” dos leitores para alavancar as vendas de sua mais nova obra. Frey acabou de lançar o
projeto “Endgame: O Chamado”, “um romance do século 21”, que esconde pistas que levarão a um
prêmio de US$ 500 mil (ou R$ 1,2 milhão) para o primeiro leitor que resolver seu mistério.

À agência de notícias EFE, o autor não esconde o propósito da ação. “Não tenho vergonha de dizer que
espero vender milhões de cópias com este livro e que ele tem uma vocação comercial”, disse Frey. “Isso
não significa que eu seja um cínico que escreve pensando em uma ideia milionária. Simplesmente tentei
oferecer ao leito a coisa mais legal que veio na minha cabeça.”

Fazendo uma verdadeira competição global, o autor lançou o livro em 30 países na semana passada,
inclusive no Brasil. Ele garante que o mistério presente na obra é “incrivelmente difícil” de ser
solucionado. A editora estima que, no melhor dos casos, levará cerca de nove meses para relacionar as
provas.

“Não importa os motivos que levarão as pessoas a lerem meu livro, desde que o leiam e desfrutem da história”, disse Frey. A obra conta a história de 12 linhagens milenárias que lutam entre si para sobreviver, escolhendo um representante que esteja preparado para uma catástrofe iminente.

No dia das crianças, que tal ler em voz alta uma história infantil?

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Por Sabine, no Blog Folha

A proposta é simples: que tal aproveitar o dia das crianças, comemorado neste domingo (12), para ler em voz alta uma história infantil para os seus filhos, sobrinhos ou para as crianças da sua vizinhança?

A única regra é que o livro não pode ter vínculo com nenhuma religião. E, depois da leitura, a publicação deve permanecer com as crianças, para que elas explorem as imagens, as páginas, as cores.

A leitura de histórias infantis em voz alta ajuda a desenvolver a criatividade e a imaginação das crianças –algo deve ser estimulado justamente nos primeiros anos de vida. Também estreita laços entre a criança e quem está lendo a história infantil. E o mais importante: incentiva a criançada para a literatura e para os livros de maneira geral.

Não é legal?

Trouxe a proposta para o dia das crianças de um projeto de uma cientista molecular da Jordânia, Rana Dajani, que conheci durante a pesquisa que estou fazendo nos Estados Unidos. O projeto se chama “We love reading” (em português, “Nós amamos ler”).

Começou assim: depois de morar um tempo nos EUA e voltar para a Jordânia, Rana se deu conta de que no seu país não há muitas bibliotecas –assim como acontece no Brasil (eu inclusive já escrevi sobre isso). Consequentemente, as crianças da Jordânia não são estimuladas à leitura “por prazer” e acabam associando os livros a provas e exames. Leem pouco ou quase não leem.

Rana viu que na Jordânia quase não há bibliotecas, mas há muitas mesquitas (o país é de maioria muçulmana). Ela, então, decidiu reunir as crianças do seu bairro semanalmente na mesquita mais próxima para ler em voz alta histórias infantis de contexto não religioso. Isso foi em 2006. Adivinhem o que aconteceu? A quantidade de crianças para as sessões começou a aumentar e outros adultos replicaram a proposta em outros bairros.

Hoje, o “We love reading” já se espalhou por outros países árabes e chegou até na África. O projeto virou uma ONG, que já recebeu prêmios no mundo todo –e vai receber o Wise Award daqui uns dias como projeto de destaque em inovação educacional.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Na Jordânia, a iniciativa acabou crescendo mais do que o esperado. Tanto que Rana acabou desenvolvendo uma série de livros infantis sobre temas importantes da atualidade, como mudanças climáticas, para estimular as crianças, por meio da leitura, para as áreas científicas. Não é sensacional?

A cientista me disse que há estudos que mostram que um adulto que cresceu ouvindo histórias encontra nos livros uma espécie de aconchego. É como se, ao ler, sozinho, ele reencontrasse o colo da mãe dele. Trocando em miúdos: a leitura vira um prazer.

Pois então volto à minha proposta: que tal reunir a criançada no dia das crianças para ler uma história? Depois compartilhem aqui no blog a experiência! Quem sabe o hábito de leitura em voz alta acaba virando uma saudável rotina.

 

 

Esse post foi escrito de Chicago, nos Estados Unidos, onde estou fazendo uma pesquisa sobre educação, inovação e empreendedorismo com financiamento da Fundação Eisenhower.

A leitura e a infidelidade

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Cláudia De Villar, no Homo Literatus

A leitura provoca muitos sentimentos, mas percebe-se, já há algum tempo, que esse hábito está levando alguns leitores à infidelidade. Você que pensou que essa infidelidade ocorre quando um deles não lê e é deixado de lado pelo parceiro leitor, engana-se. Ambos traem. Não é uma traição levada pelas narrativas de amor e sexo, mas uma traição literária.

O leitor apaixona-se por uma obra, a narrativa não lhe sai da cabeça. Os sonhos são repletos de lugares e cenários do livro e essa paixão cega os olhos, provoca suores, calafrios. Esse leitor, doente de amor por seu livro, passa somente a falar dele. Não tem mais assunto. O assunto é o livro. A todos que ele encontra é feita uma ‘propaganda’ da obra. As qualidades daquela trama são descritas minimamente. Passa a achar ilógico alguém não se apaixonar por sua obra. Sim, sua, pois nesse momento a obra não é mais do autor, mas sua. Apodera-se do enredo, dos diálogos, dos pensamentos da personagem. Decide vestir-se igualmente ao mocinho da trama. Revolta-se com a proximidade do fim dos capítulos. Porém, a criatura vai a uma livraria e… É amor à primeira vista. Apaixona-se, perdidamente, por outra obra!

Então, o leitor, antes apaixonado pelo livro 1, vai até a prateleira, toca no novo livro, acaricia-o, vagarosamente, sente o seu cheiro, abre o livro, com ar de cientista, toca, novamente, em suas folhas, como se estivesse tocando em uma joia rara, aproxima os olhos, como se fosse míope, e olha com olhos arregalados o prefácio, lê o que há nas orelhas… Ah, as orelhas, são locais fantásticos para o leitor faminto por papel novo e, dessa forma, se vê perdidamente apaixonado pela nova obra. É infiel.

Sim, o leitor, mas o leitor com o terrível fetiche por leitura não consegue controlar os seus instintos literários e é infiel. Trai o livro que ainda está lendo. Muitas vezes, leva a nova obra para casa e a lê escondido, para que não seja descoberto! Vê o livro antigo na cabeceira de sua cama. Deixa-o ali mesmo e passa a levar o novo livro para o serviço. Lê nas horas vagas, lê na hora do almoço, lê nos intervalos, lê no ônibus e, quando chega em casa, age como um leitor honesto. Faz tudo igual, como sempre fez nos tempos remotos, toma banho, janta, assiste à novela e vai deitar ao lado de seu velho livro, de seu amor antigo. Primeiramente, ele olha para a obra e dá um longo suspiro e toca-o, meio a contragosto, abre-o. Nem o olha mais com aquele mesmo olhar apaixonado. Nem aspira mais o seu perfume. Lembra-se do livro que está em seu trabalho. O perfume do novo livro está em sua memória olfativa. Balança a cabeça a fim de espantar aquele cheiro inebriante! Esforça para se concentrar no livro antigo. Não lembra em qual página parou. Procura o marcador de páginas. Encontra-o. Volta a ler e dorme no meio da leitura. Sonha com o livro do serviço e suas páginas tentadoras com os seus belos parágrafos e sua língua, ops, sua linguagem envolvente. É infiel.

Como esse triângulo amoroso termina? Diga você, leitor, o que faz um leitor voraz?

Estudo mostra que jovens da Geração Y leem mais livros

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88% da geração Geração Y dos Estados Unidos leram pelo menos um livro no último ano, contra 79% dos mais velhos

Publicado por Universia

Fonte: Shutterstock Os jovens da Geração Y possuem hábitos de leitura similares aos das pessoas com mais de 30 anos

Fonte: Shutterstock
Os jovens da Geração Y possuem hábitos de leitura similares aos das pessoas com mais de 30 anos

Uma pesquisa realizada pelo Pew Research Center, um dos mais importantes institutos dos Estados Unidos, mostra que 88% dos norte-americanos entre 16 e 29 anos leram um livro no último ano, contra 79% daqueles mais velhos.

A pesquisa reúne informações de diversos anos de estudo sobre o papel das bibliotecas na vida norte-americana e o seu impacto nas comunidades com foco especial na Geração Y. Segundo a pesquisa, esse grupo possui hábitos de leitura similares aos das pessoas com mais de 30 anos, mas têm mais chance de terem lido um livro nos últimos 12 meses. Cerca de 43% afirmam ter lido um livro (em qualquer formato) diariamente, proporção similar a de adultos mais velhos.

O uso de internet entre eles é quase universal, 98%, e as redes sociais são usadas por 90%. Os aparelhos smartphones estão nos bolsos de 77%, e muitos também ainda carregam o tablet (38%) e o leitor de livro eletrônico (24%).

Além disso, 62% acreditam que muita informação útil não está on-line, o que significa um índice maior do que a opinião de 53% de americanos mais velhos. Até por terem tantos eletrônicos, 79% Geração Y dizem que pessoas sem acesso à internet estão em clara desvantagem.

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