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Mães são as maiores influenciadoras da leitura na infância, indica pesquisa

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Ler junto com a criança é divertido, fortalece o vínculo entre pais e filhos e estimula o gosto pela leitura.

Ler junto com a criança é divertido, fortalece o vínculo entre pais e filhos e estimula o gosto pela leitura.

 

Publicado no Catraquinha

A quarta Edição da Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, encomendada pelo Instituto Pró-Livro ao Ibope Inteligência, investigou o comportamento dos leitores brasileiros e os maiores influenciadores dos hábitos de leitura do brasileiro.

Os resultados indicam que o hábito de leitura dos pais têm forte influência na construção do hábito de leitura dos filhos, e que a figura da mãe é bastante importante no estímulo ao prazer da leitura, somada à figura do pai ou de um outro parente pode-se perceber a influência da família na formação de leitores.

De acordo com a pesquisa, 33% dos respondentes sofreu a influência de alguém para começar a gostar de ler. Destes 33%, 11% afirmam que a mãe ou um responsável do sexo feminino influenciou o gosto pela leitura; 7% dizem terem sido influenciados por um professor ou uma professora; e 4% dos entrevistados alegaram ainda que o pai ou o responsável do sexo masculino foi o influenciador.

A pesquisa aponta ainda que, em relação ao hábito de leitura dos pais, 17% dos entrevistados leem com frequência, 24% leem às vezes e 53% nunca leem.

Por que entrar para um clube do livro?

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Ler é uma experiência sensorial: o cheiro das páginas, o peso nas mãos, o recorte afiado das páginas roçando as falanges

Ler é uma experiência sensorial: o cheiro das páginas, o peso nas mãos, o recorte afiado das páginas roçando as falanges

 

Participei de um grupo de leitura e descobri que compartilhar histórias tem um poder bem maior do que imaginamos

Marcela Campos, no Papo de Homem

Ler pode ser uma coisa solitária. Não que eu possa negar a delícia que é cobrir o corpo com uma manta quente e, com um livro apoiado nas coxas, viajar por algumas horas. Mas descobrir a possibilidade de compartilhar o que se lê é bastante tentador. Que atire a primeira pedra quem nunca fechou um livro com olhos de interrogação ou línguas quentes para recontarem histórias à sua própria versão. Depois de alguns anos lendo a sós, procuramos companhia.

É claro que já sabia que estes clubes existiam. Aquele filme com Robin Williams e alguma vivência deram conta de apresentar o conceito. Mas clubes de leitura são um tanto quanto intimistas, quase como redutos misteriosos que adentram mundos aos quais não pertencemos. Em alguma hora de nossas vidas a chance bate à porta, e eu é que não fui doida de recusar a primeira chamada.

Boa lábia convenceu um amigo a me acompanhar na leitura de junho. Uma prateleira vazia e – pasmem – uma lista de próximas leituras zerada me permitiram o luxo de engolir o que viesse em mãos. Foi com essa determinação e certa liberdade que caminhamos até a Livraria Zaccara numa quarta à tarde pra comprar Foe.

O livro da vez era do sulafricano J.M. Coetzee, que eu não conhecia, mas já é famoso por obras como Desonra e um prêmio Nobel de Literatura. Tudo certo, tudo promissor… Até eu fechar o livro me perguntando que raios de sentido aquelas palavras todas faziam. E aí eu comecei a me sentir profundamente grata por ter me inscrito num clube do livro.
Ler é hábito

Quem não consegue passar na frente de uma livraria sem conter o comichão entende o que estou dizendo.

É daqueles hábitos que impregnam na pele logo na adolescência, e quando nos damos conta já perdemos o sono e viramos madrugadas. Não é uma questão de treino, mas de se jogar na teia, achar a história que te gruda os olhos, e a partir daí construir o que poderíamos chamar de vício. Descobrir a leitura é como descobrir a sexualidade: fazemos na surdina, aos poucos, tateando com calma, até descarrilhar de uma vez, sem volta.

A maioria das pessoas que lê muito não vai saber te apontar uma razão do porquê de fazer o que faz: necessidade, prazer, aprendizado, tédio, mãos vazias ou simplesmente porque sempre foi assim.

Costumo dizer que é mais fácil quando o hábito vem de casa. É deitar no colo da mãe que corre os olhos por um romance espírita, admirar o pai que lê até panfleto de supermercado e acumula as respostas pras infindáveis perguntas de uma criança de cinco anos. É imitar e querer juntar dois com dois naquele primeiro livrinho inflável, pra usar na banheira, que tem mais imagens do que palavras. É dormir com a voz materna nas orelhas, contando diferentes versões do João e o Pé de Feijão. Ler é emocional.

Mas pode ser que você ainda esteja procurando motivos pra terminar este artigo se você não é nem daqueles que petiscam um livro por ano. Um clube de leitura, afinal, é pra quem devora obras renomadas, dignas de Nobel e atemporalidade, né?

Não. Assim como a gente não nasce gostando de miojo, nem com aquela mania de escovar os dentes sempre da mesma maneira, o hábito de ler pode ser adquirido. Não posso dizer que é fácil, mas eu tenho certeza que todos temos dentro de nós um apego gostoso por histórias outras que não as nossas próprias vidas, e daí pra ler sem parar é um passo.

A dica é descobrir a história que vai te deixar na fissura – fica mais fácil se você já tiver uma ideia de que gêneros te prendem no cinema e nas séries. Depois, prometer a si mesmo que vai passar das cinquenta primeiras páginas. Quando der conta de si, vai fechar seu primeiro livro querendo mais.

Não comece com preocupações intelectuais. Não vá me pegar um Dostoiévski. Corta essa de julgar o livro dos outros no metrô. Comece pelos mais populares, porque se assim o são, é porque há razão para tal. E associar o momento da leitura a situações confortáveis também ajuda.

Depois que o vício tomar conta fica bem mais fácil expandir sua capacidade de apreensão de conteúdo e concentração. Aí vai ser fichinha acabar com os mais longos e encarar assuntos que não seriam seu primeiro interesse, mas podem te surpreender positivamente. Ah, e também os clássicos.

Entrar pra um clube de leitura se você ainda não lê é uma excelente ideia e um ótimo instrumento de pressão. Ter uma meta pode ajudar bastante pra que você avance na leitura obrigatoriamente em determinado tempo – você não vai querer ser o único da roda que não leu. Além disso, os insights que saem nessas conversas ajudam a afiar as capacidades de interpretação de texto e a delícia de viajar na história.

É sempre tempo pra começar, amigo.

O clube do livro preenche buracos

Entre as top dez sensações do mundo está o sentimento de fechar um livro inquieto com as palavras finais. Aquele remelexo de quem se questiona o porquê daquela história ter sido contada, o que esse autor está tentando me dizer ou o que aconteceu com a Maricota que sumiu no capítulo catorze. Tem obra que deixa buracos e a gente não consegue nem saber se gostou ou não gostou, se fez sentido ou não fez e se deu barato ou não deu.

É aí que cada livro é um pouquinho planejado pra que a atividade não seja solitária. A mão que treme pra ligar e marcar um café com o teu amigo que te emprestou essa porcaria inconclusiva encontra acalento num clube do livro.

Lá é o espaço de desabafar e assumir que você não entendeu absolutamente nada, e que ficou completamente possesso com aquele final. É o espaço de ouvir interpretações diferentes e juntar lé com tré, formando um conjunto mais harmonioso e possivelmente surpreendente. É ali que a gente aprende a ver pelos olhos alheios e expande a nossa capacidade de interpretação de texto pra possibilidades nunca antes imaginadas.

Ali aprendemos a ler pessoas – e a nós mesmos

Sentada junto ao pessoal, percebi que cada um lê uma história. Nem de longe um livro é obra de seu autor, senão de cada um que a reconstroi nas suas cabeças. A troca de versões em si é bem interessante, mas melhor ainda é perceber que cada história é em parte constituída pela personalidade de cada leitor.

Os tais buracos que bons autores são capazes de deixar em suas histórias são preenchidos com quaisquer referências de mundo que tenhamos. Assim, projetamos emoções, reações a certezas em cima daqueles personagens, imaginando como devem ter se sentido nas situações propostas e como provavelmente reagiram, mesmo que essas partes não estejam impressas no papel.

Cientes disso e com audições atentas, conseguimos perceber juízos de valor e necessidades (mais…)

Banco de Livros transforma posto de saúde em biblioteca em Porto Alegre

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Biblioteca montada no bairro Sarandi (Foto: RBSTV/Reprodução)

Biblioteca montada no bairro Sarandi (Foto: RBSTV/Reprodução)

 

Mais de 30 mil livros são doados por ano para o projeto Banco de Livros.
Posto de Saúde da Zona Norte virou também ponto de leitura da cidade.

Publicado no G1

Um projeto leva bibliotecas itinerantes para comunidades carentes de Porto Alegre, transformando qualquer lugar em um espaço para a leitura. Até um posto de saúde da Zona Norte da capital gaúcha deixou de receber apenas doentes e agora também testemunha a visita daqueles que buscam por cultura. Isso é possível por causa de um projeto chamado Banco dos Livros.

“Quando o livro já cumpriu com a seu papel com a população, porque já foi lido, ou não vai ser lido, a população então nos doa e nós, como um entidade da sociedade civil, fazemos o conhecimento circular”, diz Valdir da Silveira, presidente do banco dos livros.

Publicações doadas para o banco de livros (Foto: RBSTV/Reprodução)

Publicações doadas para o banco de livros
(Foto: RBSTV/Reprodução)

Uma bibliotecária que participa da ação diz que a nova geração, que já aprendeu a ler com a internet, já desenvolveu o hábito da leitura, que pode migrar para uma plataforma mais antiga de comunicação com os livros.

“Nós temos uma geração que já se acostumou a ler dentro de uma tela, seja um e-book, um computador, um tablet, mas nós temos pessoas que preferem sentir o livro, preferem ter essa sinergia com o livro”, afirma a bibliotecária Neli Miotto, prevendo que o livro ainda vai demorar décadas para desaparecer.

O banco de livros recebe cerca de 30 mil doações por ano, sendo que alguns podem até parecer velharias, mas que aos olhos de quem busca a leitura, são verdadeiras relíquias. “Sempre será útil para uma outra pessoa lê-los”, afirma a empresária Silvana de Fátima Junqueira.

Entre os livros, raridades como “Garibaldi na América”, de 1931, edição original publicada no Rio de Janeiro, publicação esta que vai passar por um processo de digitalização, e que se não fosse pelo trabalho do Banco de Livros, talvez o conhecimento se perdesse.

De volta ao posto de saúde que também foi transformando em ponto de leitura, os próprios funcionários comemoram que hoje o local não é conhecido apenas como um local onde a população busca saúde, mas também como um local onde se busca cultura.

Booktubers conquistam público e mercado literário

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VICTOR ALMEIDA – Jovem de Londrina, no Paraná, é dono do canal Geek Freak, dedicado à cultura pop, especialmente literatura para jovens e animes

VICTOR ALMEIDA – Jovem de Londrina, no Paraná, é dono do canal Geek Freak, dedicado à cultura pop, especialmente literatura para jovens e animes

Publicado no Hoje em Dia

É possível criar canais no YouTube sobre tudo: gastronomia, games, cinema… mas existe um tipo de produção de vídeo que tem ganhado uma crescente atenção especial por parte dos internautas e do mercado publicitário: o de crítica literária. Os booktubers (como são chamados os youtubers que falam sobre literatura) não têm milhões de seguidores como os gamers, mas seu público é extremamente diferenciado e as editoras já compreenderam isso.

Tanto que as empresas passaram a procurar por esses jovens e lhes propor contratos e parcerias. Normalmente funciona assim: a editora paga o youtuber para ler um livro (a ser escolhido dentro de uma lista) e comentá-lo em um vídeo. O contrato é pela leitura, não garante elogios. “Alguns vídeos são patrocinados por autores nacionais, mas todos têm ciência de que a minha opinião não é vendida, mas, sim, o espaço no canal”, explica a capixaba Juliana Cirqueira, 26 anos, dona do canal Nuvem Literária, com mais de 44.900 inscritos.

De acordo com Ana Lima, editora do selo Galera, da Record, os booktubers transformaram o mercado infantojuvenil. “O livro jovem não tem espaço na mídia tradicional, sempre foi o patinho feio da literatura. Vende muito, mas ninguém fala no assunto. Para mim foi ótimo, porque a opinião dos youtubers vale mais para nosso público do que a mídia tradicional”, explica.

JULIANA CIRQUEIRA – Ela deixou de dar aulas de inglês para se dedicar completamente ao canal em que fala de livros variados

JULIANA CIRQUEIRA – Ela deixou de dar aulas de inglês para se dedicar completamente ao canal em que fala de livros variados

Haja tempo

O paranaense Victor Almeida, de 23 anos, há dois anos deu início ao seu canal Geek Freak, que hoje tem mais de 55.600 inscritos. Ele já chegou a receber 30 livros em um mês, mas teve de limitar a sua leitura e os contatos com as editoras. “Muitas vezes você recebe livros que não te interessam e aquilo fica acumulando na sua casa”, diz o youtuber, que prefere literatura jovem.

Designer gráfico e funcionário público, o rapaz une a vida de youtuber com dois empregos. E falar sobre livro não é fácil: tem que ter tempo para ler os livros, gravar os comentários e editar os vídeos. Mas ele garante que fez muitos amigos com essa iniciativa. “A comunidade de booktubers é muito unida. Quando você faz um canal, conhece muita gente. De tempos em tempos, fazemos encontros entre youtubers e fãs. Teve uma vez em que reunimos 500 pessoas”, conta Victor.

Amor nos Tempos de #Likes

A editora Galera decidiu investir nos booktubers como escritores. Tanto que acaba de lançar “Amor nos Tempos de #Likes”, feito por quatro catarinenses de três canais: Pam Gonçalves (180 mil seguidores), Bel Rodrigues (108 mil inscritos) e o casal Hugo Francioni e Pedro Pedreira, do canal Pedrugo (69 mil seguidores).

“No começo do ano eu escrevi o conto e agora acabo de terminar o meu livro solo que será lançado no segundo semestre. Quem olha de fora não percebe como é todo esse processo. São pontos minuciosos para se trabalhar e tomar um cuidado extremo”, diz Pam Gonçalves, que prefere não ter parcerias com editoras para não ter que ler por obrigação.

“Já tive metas, mas eu não funciono muito bem com obrigação de leitura. Eu leio por prazer, sempre amei ler. A partir do momento que gera um estresse para cumprir metas de leitura, o bloqueio vem e eu não consigo mais me concentrar em nada”, diz a youtuber, que tem de separar um ou dois dias para as gravações e outro para a edição dentro de sua rotina.

Sem obrigação

A pressão é tão grande que Pedro e Hugo decidiram parar de resenhar livros para o canal, mudando-o de Estante Geek para Pedrugo. Hoje preferem falar de temas leves, gostos pessoais e relacionamento. “Como não postamos mais resenhas no canal, tenho lido apenas o que realmente me interessa. Acho que essa decisão foi boa, pois tirou aquele peso de ler algo por obrigação”, diz Hugo.

“Acho que a leitura nunca deve ser uma obrigação. É muito perceptível quando um influenciador fala sobre um livro por falar e quando ele fala por realmente ter gostado da obra”, completa Pedro. Já Bel Rodrigues tem a meta pessoal de leitura de quatro a cinco livros por mês. Se alguém a procura para uma parceria, ela conversa bastante antes de fechar contrato, para saber de antemão se a leitura será prazerosa.

E ela garante que dá tempo de ler tudo isso e se dedicar aos vídeos. “Costumo dizer que não tenho uma rotina certa. O que eu faço todos os dias é ler, mesmo que um pouco, e escrever. Meu dia não está completo se eu não faço essas duas coisas. Sempre gravo de madrugada e tenho um cronograma para pelo menos mais um mês de vídeos”, afirma Bel, completando que está realizando um sonho de infância ao ver sua produção ser publicada em livro de papel.

Empresário usa horário do almoço para ensinar moradora de rua a ler

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Kimberly Yam, no Brasil Post [ via Huffington Post US]

“Quero poder ajudar a todos as pessoas, seja doando comida ou roupas.”

Um morador da Flórida provou ter compaixão de sobra.

Greg Smith, de Orlando, recentemente postou no Facebook sobre um almoço que teve com Amy Joe, uma sem-teto de quem ele ficou amigo. Mas a rotina dos dois mudou quando ela contou algumas coisas da sua vida para ele.

“Amy Joe soltou uma bomba”, escreveu Smith, 25, em seu post. “Ela começou a dizer que usa todo o dinheiro que recebe para alugar livros que a ajudem a aprender a ler, em vez de comprar COMIDA.”

Desde então, ele vem a ajudando a ler e também abriu uma página no GoFundMe para criar a Amy Joe Foundation. Ele quer que o grupo ajude outras pessoas necessitadas.

“Quero poder ajudar a todos as pessoas, seja doando comida ou roupas”, disse Smith à ABC News. “Não quero me limitar a ajudar as pessoas a ler, porque há tantas outras pessoas que precisam de mais ajuda.”

Às terças, Smith lê com Amy Joe um livro emprestado da biblioteca. Ela usa os outros dias da semana para estudar por conta própria.

Smith mencionou em seu post que há algumas semanas vem almoçando com Amy Joe todas as terças-feiras. Nesse período, ele diz que a atitude da sem-teto o conquistou.

“Em meia ou uma hora, vejo como ela é uma pessoa positiva, mesmo que não tenha nada.”

Quando Amy Joe disse para Smith que queria aprender a ler, e como o analfabetismo dificultava a procura por um emprego, Smith ficou emocionado.

“Me destruiu!!! Ela prefere ler para talvez arrumar um emprego do que comer!!!”, explicou ele no post. “Fui abençoado com pais incríveis e com uma família que sempre teve recursos para me prover tudo o que eu quis fazer. Não foi assim com Amy Joe.”

Apesar de Smith ajudar Amy Joe com a leitura desde que a conheceu, ele afirma que há outras pessoas que também precisam de ajuda – e é por isso que ele começou a trabalhar em sua fundação. Segundo a ABC News, ele procurou um advogado para estruturar a entidade e decidiu que o slogan será: “Uma pessoa por vez”.

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