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Projeto que reduz pena de presos que lerem livros chega à Assembleia

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Serão reduzidos quatro dias da pena para cada leitura concluída pelo preso, chegando ao máximo de 48 dias de redução por ano

Imagem: Extra Globo

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Publicado por O Povo

Chegou à Assembleia nesta sexta-feira, 21, mensagem do governador Cid Gomes (Pros) que prevê remição de penas para detentos por meio da leitura de obras literárias. Segundo a proposta, válida para os regimes fechado e semiaberto, serão reduzidos quatro dias da pena para cada leitura concluída pelo preso, chegando ao máximo de 48 dias de redução por ano.

Segundo o governador, a medida busca combater a ociosidade nas penitenciárias e ampliar a ressocialização de presos através da leitura. “A leitura possibilita integração do indivíduo à sociedade, na medida em que lhe proporciona melhor senso crítico, pois por meio da leitura durante o período em que cumpre pena o indivíduo retorna à sociedade mais adaptado ao seu convívio”.

Segunda chance

Para conseguir a redução, no entanto, o preso terá que formular um relatório de leitura ou resenha da obra. Para fins de redução da pena, cada preso poderá escolher uma obra literária por mês, tendo prazo de 21 a 30 dias para elaborar texto sobre o livro. O relatório será feito individualmente, de forma presencial e com acompanhamento de fiscais.

O relatório será elaborado por presos alfabetizados pelo Ensino Fundamental ou equivalente. Já a resenha será feita por presos com Ensino Médio, Superior ou Pós-Superior. Pelo projeto, ficam formadas ainda comissões de leitura, que ficarão encarregadas de atualizar os acervos das penitenciárias e estimular a atividade da leitura.

Em novo romance, Ian McEwan explora mundo jurídico e religioso

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Juíza precisa decidir sobre caso de jovem com leucemia cujos pais religiosos recusam transfusão de sangue

Premiado escritor britânico leu várias sentenças judiciais para escrever novo livro e diz que descobriu nelas um “subgênero literário” - André Teixeira / Agência O Globo

Premiado escritor britânico leu várias sentenças judiciais para escrever novo livro e diz que descobriu nelas um “subgênero literário” – André Teixeira / Agência O Globo

Maurício Meireles em O Globo

RIO – É bem possível que Ian McEwan, em 66 anos de vida, tenha entrado mais vezes na lista final do Man Booker Prize do que em uma igreja. Embora seja ateu, ele, que é um dos maiores romancistas britânicos em atividade, botou as testemunhas de Jeová no centro do conflito legal — e moral — atravessado pela protagonista de seu novo livro: “A balada de Adam Henry”, lançado no Brasil pela Companhia das Letras, com tradução de Jorio Dauster. Enquanto escrevia o romance, McEwan se lembrava de algumas vezes ter feito a seguinte pergunta a membros dessa religião, que batiam à sua porta para convertê-lo: você deixaria seu filho de 8 anos morrer, se para salvá-lo fosse preciso uma transfusão de sangue?

Todos diziam sim, que era a lei de Deus. O romancista rebatia dizendo que muita gente acharia tal resposta estarrecedora: tudo bem um adulto morrer por suas crenças, mas fazer o mesmo com uma criança não é correto, argumentava.

— Para eles, eu só pensava assim porque não entendia a morte. Diziam que a morte não é o fim, mas o começo. O começo da vida no Paraíso — lembra McEwan. — Eles estão convencidos não só de que Deus existe, mas de que conhecem os desejos d’Ele. O que na verdade é só uma versão dos seus próprios desejos.

Testemunhas de Jeová se opõem, por dogma religioso, a transfusões de sangue. E é com isso que Fiona, personagem principal do livro, precisa lidar. Juíza de uma Vara de Família com uma crise no casamento — o marido sai de casa para viver um romance —, ela precisa julgar o caso de Adam Henry. Com 17 anos, sofrendo de leucemia, o rapaz precisa de uma transfusão, mas os pais se recusam a permiti-la. O hospital recorre ao Judiciário para fazer o procedimento de forma compulsória. Assim, em “A balada de Adam Henry” vai buscar a dimensão literária do mundo da lei.

— Há poucos juízes na literatura. Normalmente, quando a ficção encontra a lei é para tratar de criminosos, detetives, espiões, advogados e vítimas. Mas o juiz é uma figura central nesse mundo — afirma Ian McEwan.

‘Às vezes, a lei é muito estúpida. Mas, quando bem aplicada, ela traz uma prosa límpida e precisa.’

– Ian McEwansobre o efeito da lei na literatura

Reconhecido como um mestre da engenharia e da arquitetura do romance, o autor britânico pesquisou muito para escrever o livro — algo comum em seu processo de criação. Ian McEwan conversou com amigos juízes. Leu sentenças judiciais. Foi quando impressionou-se com a qualidade filosófica, histórica e legal dos argumentos dos homens de toga.

— Às vezes, a lei é muito estúpida. Mas, quando bem aplicada, ela traz uma prosa límpida e precisa. Descobri (nas sentenças) um subgênero literário — diz o escritor. — A lei aplicada tem uma dose de racionalidade e compaixão. O direito da família me interessou porque é o mais próximo dos problemas cotidianos, em oposição ao direito penal. Há muito em comum entre a boa literatura e as sentenças judiciais. E, na Vara de Família, os julgamentos envolvem crianças, divórcios, o fim do amor.

Assim, Fiona é um personagem que usa sua racionalidade para organizar a vida alheia — mas que não consegue resolver seus próprios conflitos. Ela escreve muito bem, mas em casa não encontra as palavras para discutir sua vida sexual com o marido. Numa virada da trama, a juíza vai a um quarto de hospital encontrar Adam Henry a fim de clarear seu julgamento sobre o caso. Nesse encontro, ela recita um poema de W. B. Yeats para o jovem, que a partir daquilo começa a questionar suas crenças e depois compõe uma balada — daí o título do romance. O final da história é dúbio.

— Não é uma reflexão sobre a leitura como um todo, mas sobre minha própria experiência ao ler Yeats pela primeira primeira vez, aos 16 anos. Foi o poema que abriu a porta de toda a poesia para mim. Yeats tem esse efeito em adolescentes. Por isso, a balada que Adam compõe é influenciada por ele e tem a mesma métrica do poema — diz Ian McEwan.

CONDIÇÃO HUMANA

Além de ateu, Ian McEwan foi amigo próximo do escritor e jornalista Christopher Hitchens — um crítico sempre virulento da religião. Por isso, poderia surpreender o tratamento humano que o autor britânico dá às testemunhas de Jeová. Mas isso é o resultado de seu amadurecimento. Mais jovem, Ian McEwan escreveu livros conhecidos pela dimensão sombria. Agora, diz ele, sua escrita mudou para uma exploração mais profunda da condição humana.

— Acho que aprendi a perdoar, fiquei mais generoso e tolerante. Por isso, quis tratar as testemunhas de Jeová de modo mais terno. Se eu fosse mais jovem, talvez tivesse agido de forma mais agressiva contra eles, em vez de tentar entendê-los. Seria fácil fazer piada sobre a crença em relação ao sangue, mas não quis desenvolver uma tese ateísta — afirma o escritor. — Sim, meu trabalho mudou, até porque comecei muito jovem. Mas ainda estou interessado em conflitos, dilemas morais e em tentar entender quem nós somos.

Ler um livro pode mudar seu cérebro – pelo menos por um tempo

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Ana Prado, no Guia do Estudante

Uma das coisas mais legais de se mergulhar em um livro é a sensação de sair da sua realidade e se colocar no corpo de outra pessoa. Mas isso não acontece só no sentido figurado – pode acontecer num sentido biológico também. Cientistas da Universidade Emory, nos Estados Unidos, descobriram que ler pode afetar nosso cérebro por dias, como se realmente tivéssemos vivenciado os eventos sobre o qual estamos lendo.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram os efeitos da leitura sobre redes cerebrais usando ressonância magnética funcional (fMRI). Até então, os estudos já feitos só focavam os efeitos imediatos da leitura, com voluntários lendo histórias curtas dentro do scanner. Desta vez, foram analisados os efeitos posteriores. Para isso, 21 estudantes da universidade participaram do experimento por 19 dias consecutivos. Todos eles tiveram de ler “Pompeia”, livro de 2003 escrito por Robert Harris e baseado na erupção real do Monte Vesúvio na Itália antiga.

“A história segue um protagonista, que está fora da cidade de Pompéia e percebe vapor e coisas estranhas acontecendo ao redor do vulcão”, diz o neurocientista Gregory Berns, principal autor do estudo. “Ele tenta voltar para lá a tempo de salvar a mulher que ama. Enquanto isso, o vulcão continua e ninguém na cidade reconhece os sinais”. Segundo ele, o livro foi escolhido por ter uma forte linha narrativa e ser emocionante e cheio de suspense, o que era importante para que os leitores pudessem realmente se envolver com a história.

Todas as manhãs, nos cinco primeiros dias, os voluntários tiveram seu cérebro analisado em estado de repouso pelo scanner de ressonância magnética. Depois disso, eles passaram a receber diariamente, por nove dias, uma parte do livro com cerca de 30 páginas cada, sempre para ler à noite. Nas manhãs seguintes, depois de passarem por um teste inicial para garantir que haviam terminado a leitura da noite anterior, eles passavam por outro exame de fMRI. Para completar, os participantes ainda passaram por exames adicionais por mais cinco dias depois de completar todas as nove seções do romance.

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Resultados
Os pesquisadores descobriram que, nas manhãs seguintes às tarefas de leitura, o cérebro dos voluntários mostraram conectividade elevada no córtex temporal esquerdo, uma área associada à receptividade para a linguagem. “Mesmo que os participantes não estivessem realmente lendo o romance enquanto estavam no scanner, eles mantiveram essa conectividade elevada. Chamamos isso de ‘atividade sombra’, quase como uma memória muscular”, diz Berns.

Outra área que apresentou conectividade intensificada estava próxima do sulco central, uma região sensório-motora primária cujos neurônios são associados à representação das sensações para o corpo – o processo que acontece quando pensamos em correr, por exemplo, e ativamos os neurônios associados ao ato físico de correr. Em outras palavras, o cérebro dos leitores estava funcionando como se eles tivessem realizado uma série de atividades físicas que eles não haviam feito – mas o personagem do seu livro, sim.

“As mudanças neurais que encontramos associadas às sensações físicas e sistemas de movimento sugerem que a leitura de um romance pode transportá-lo para dentro do corpo do protagonista”, diz Berns. “Nós já sabíamos que boas histórias podem colocá-lo no lugar do outro em sentido figurado. Agora estamos vendo que alguma coisa pode estar acontecendo também biologicamente”, completa. E é importante notar que essas mudanças neurais não eram apenas reações imediatas já que persistiram não só pela manhã seguinte às leituras, como também durante os cinco dias após os participantes terminarem o romance.

Como o estudo acabou depois desse tempo, não se sabe quanto essas mudanças neurais podem durar. “Mas o fato de que as detectamos por alguns dias para um romance aleatório que as pessoas tiveram de ler sugere que seus livros favoritos certamente podem ter um efeito maior e mais duradouro sobre a biologia do seu cérebro”, conclui Berns.

dica do Jarbas Aragão

Novo Kindle da Amazon conta com tela sensível ao toque

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Reprodução/Kindle.com

Reprodução/Kindle.com

Saulo Pereira Guimarães, na Exame

São Paulo – Os amantes da leitura vão se apaixonar pelo novo Kindle da Amazon. Em sua nova versão, o leitor eletrônico passou a contar com mais recursos – como a tela de seis polegadas sensível ao toque.

A Amazon também dobrou a capacidade de armazenamento do Kindle em relação à sua versão anterior. Agora, o gadget tem 4 gigabytes só para isso. Outro aprimoramento foi a escolha de um novo processador 20% mais rápido.

O novo Kindle conta também com Whispersync. Esse recurso permite ao usuário iniciar uma leitura no Kindle e continuar em outro gadget que tenha o app do Kindle instalado (e vice-versa).

Pesando cerca de 191 gramas, o Kindle tem 10,2 milímetros de espessura, resolução de 167 ppi de tela e se conecta a redes Wi-Fi. É bem verdade que o design do gadget é pouco atraente – como destacou o TechRadar. Em seu site, a Amazon vende o Kindle por 299 reais.

Além desse modelo básico, o Kindle conta com duas versões Paperwhite. Uma delas custa 479 reais, tem iluminação de tela e resolução de 212 ppi. A outra, com esses mesmos recursos e que se conecta à rede 3G, sai por 699 reais.

Presidente do Cruzeiro deixa livros no vestiário para motivar jogadores

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Obra com 14 lições de Oscar Schmidt, usada por Gilvan Pinho Tavares em momento instável, é lida por atletas enquanto eles buscam títulos brasileiro e da Copa do Brasil

Alexandre Alliatti, Lucas Borges e Rodrigo Franco, no Globo Esporte

Em idos de outubro, o Cruzeiro viveu raro momento de questionamento no Campeonato Brasileiro. Em seis rodadas, só venceu um jogo. E o presidente do clube, Gilvan Pinho Tavares, resolveu agir. Mas nada de dar bronca no elenco ou aumentar o prêmio por vitórias – gestos tradicionais de cartolas. Ele foi à livraria…

O mandatário celeste resolveu presentear seu elenco com um livro que acabara de ler: “Oscar Schmidt – 14 motivos para viver, vencer e ser feliz”, com texto de Elias Awad. Para isso, teve que sair à cata de dezenas de exemplares. Não os encontrou na primeira livraria. Mas não desistiu. Depois de comentar com os jogadores sobre a obra com lições do maior ídolo da história do basquete brasileiro, deixou os presentes para eles no vestiário da Toca da Raposa. Oscar soube da história pelo Globo Esporte MG e gravou um depoimento para os cruzeirenses.

Lucas Silva com livro de Oscar Schmidt: presente do presidente do Cruzeiro para o elenco (Foto: Alexandre Alliatti)

Lucas Silva com livro de Oscar Schmidt: presente do presidente do Cruzeiro para o elenco (Foto: Alexandre Alliatti)

Alguns jogadores estão lendo o livro nesta reta final de temporada, enquanto o Cruzeiro se aproxima do bicampeonato nacional e tentam ser campeões também da Copa do Brasil. É o caso do volante Lucas Silva.

Lucas Silva diz que gesto do presidente motiva jogadores do Cruzeiro (Foto: Alexandre Alliatti)

Lucas Silva diz que gesto do presidente motiva jogadores do Cruzeiro (Foto: Alexandre Alliatti)

– Ele teve uma conversa conosco sobre o livro. E aí procurou em duas ou três livrarias, mas não tinha na quantidade que ele queria. Passaram-se uns dois dias, e estava no armário de cada um – conta o jogador.

O gesto de Gilvan pegou os atletas de surpresa. Não é comum um presidente deixar livros em um vestiário. A reação parece ter sido positiva.

– Gostamos bastante. Estou começando a ler ainda. O Oscar foi um cara vitorioso no basquete. Isso mostra a preocupação do presidente com os jogadores. É algo que nos motiva – completa Lucas Silva.

O volante gosta particularmente de uma frase do Mão Santa no livro. Nela, ele brinca com o fato de ter 2,05m e, por isso, não se contentar em ser o maior: querer ser o melhor.

As 14 lições do livro são uma referência à camisa que Oscar vestia quando estava em quadra. Ele foi medalha de ouro no Pan 1987 com a seleção brasileira. Em 2011, teve diagnosticado um câncer no cérebro. Desde então, virou um emblema da luta pela sobrevivência – costuma ser muito requisitado para palestras motivacionais.

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