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Não leu um livro ultimamente? Culpa da Netflix, dizem pesquisadores

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Guiga Liberato, no Meio Ambiente Rio

Você está atualizado com as últimas séries, mas o livro em sua mesa de cabeceira está juntando poeira – uma situação em que mais e mais pessoas estão se encontrando. Um novo estudo denuncia a queda no número de leitores, à medida que mais tempo é gasto online e assistindo programas de TV.

O velho ditado que a cada segundo, um alemão compra um livro, não se sustenta mais. As pessoas estão gastando mais tempo online e menos tempo lendo, relatam os pesquisadores.

o novo estudo Analisamos as tendências de leitura na Alemanha, descobrindo que as pessoas que compram livros estão se tornando cada vez menos. No ano passado, apenas 44% dos alemães com mais de 10 anos (29,6 milhões de pessoas) compraram um livro. O número caiu quase 18% entre 2013 e 2017, e entre pessoas de 20 a 50 anos, a queda foi ainda mais grave (24% para 37%).

Entre as principais razões para essa queda está a concorrência. Lendo livros é um passatempo agradável, mas as pessoas estão gastando seu tempo on-line e, notavelmente, assistindo séries de programas de TV – não é coincidência que empresas como Netflix ou Amazon estão desfrutando de um tremendo sucesso com seus shows.

Observar as coisas é muitas vezes visto como uma maneira “mais fácil” de gastar o seu tempo, exigindo menos esforço e muitas vezes apresentando menos complexidade do que livros. Há também pressão social – se seus amigos estiverem assistindo às séries mais recentes, você também deve atualizá-los e mantê-los atualizados.

Há crescente pressão social para reagir constantemente e ser sintonizado para que você não seja deixado para trás”, disse Alexander Skipis, chefe da Boersenverein, em um comunicado que acompanha o estudo, intitulado “Compradores de livros, para onde você está indo?”.

No entanto, isso apresenta à indústria do livro uma oportunidade: a vida já é agitada, e a web e os programas de TV só a tornam ainda mais. Ler um livro deve ser apresentado como uma atividade relaxante, uma espécie de intervalo da vida cotidiana.

As pessoas estão ansiando por um tempo”, disse Skipis, ressaltando que todas as faixas etárias relatadas têm uma atitude “muito positiva” em relação aos livros.

No entanto, não devemos interpretar isso como uma diminuição geral na leitura de livros. Talvez surpreendentemente, enquanto menos pessoas estão comprando livros, aqueles que estão comprando estão comprando mais do que nunca. O leitor médio comprou 12 livros no ano passado, acima dos 11 em 2013. O total gasto passou de cerca de 117 euros (US $ 138) para 137 euros.

Assim, enquanto o grupo de não-leitores está ficando maior, o grupo de leitores está ficando mais apaixonado. Uma evolução semelhante foi experimentada pelos e-books: o número de clientes diminuiu, mas as compras globais por pessoa aumentaram.

As pessoas também estão encontrando formas mais criativas e eficientes de incorporar a leitura em suas vidas. Algumas pessoas estão usando aplicativos personalizados para recomendações de livros, outras estão levando livros em lugares inesperados, como o ginásio.

Uma lição interessante, e talvez uma lição importante (embora este não fosse o foco do estudo), é que a diferença entre os dois grupos (leitores e não-leitores) está se tornando cada vez maior. Tantas vezes falamos de dois mundos diferentes, duas sociedades escondidas em uma – aqui também, a mesma tendência é perceptível.

‘Fui professor por 17 anos sem saber ler’

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Queria que pessoas como eu soubessem que há esperança, há solução. Não somos burros, podemos aprender a ler, e nunca é tarde demais (Foto: BBC)

O americano John Corcoran conseguiu se formar na universidade e entrar na docência guardando um segredo que o atormentava. Até que, aos 48 anos, ele decidiu enfrentá-lo.

Publicado no G1 [via BBC Brasil]

ohn Corcoran teve uma infância comum no Estado americano do Novo México, nas décadas de 1940 e 50. Frequentou a escola e a universidade e se tornou professor quando se formou – mas fez tudo isso guardando um segredo improvável: ele não conseguia ler uma frase sequer. Em depoimento à BBC, ele relata o sofrimento de ter tido que recorrer a estratégias frequentes para esconder seu analfabetismo, até decidir revelar a verdade ao mundo, aos 48 anos:

“Quando eu era criança, escutava dos meus pais que eu era um vencedor. E, nos meus primeiros seis anos, eu acreditei nisso.

Demorei a aprender a falar, mas frequentava a escola cheio de expectativas de aprender a ler como minhas irmãs – e tudo correu bem nos primeiros anos, porque o que mais se exigia das crianças era fazer fila, sentar, ficar caladas e ir ao banheiro no horário determinado.

Até que, na segunda série, a gente precisava aprende a ler. Mas para mim (o livro didático) era como um jornal em mandarim – não entendia o que estava naquelas linhas. E, aos seis, sete e oito anos de idade, eu não sabia como explicar esse problema.

Lembro-me de rezar à noite pedindo: ‘por favor, Deus, faça com que eu saiba ler amanhã ao acordar’. Às vezes eu abria um livro para ver se havia ocorrido um milagre. Mas isso não acontecia.

Na escola, eu fui colocado na fileira dos ‘burros’, com um monte de outras crianças com dificuldades para aprender a ler. Não sabia como tinha ido parar ali, como sair dali e nem que perguntas eu precisava fazer.

O professor não chamava a nossa fileira de ‘crianças burras’ – não havia esse tipo de crueldade -, mas os colegas falavam assim. E quando você senta na fileira dos burros, você começa a achar que é burro mesmo.

Nas reuniões escolares, meu professor só disse aos meus pais, ‘ele é inteligente, ele vai entender’. E me passaram para a terceira série.

‘Ele é inteligente, ele vai entender’. E me passaram para a quarta série.

‘Ele é inteligente, ele vai entender’. E me passaram para a quinta série.

Mas a verdade é que eu não estava entendendo.

Na quinta série, eu praticamente havia desistido de aprender a ler. Eu me levantava de manhã, me vestia e ia para a escola como se estivesse indo para a guerra. Eu odiava a sala de aula. Era um ambiente hostil e eu precisava encontrar formas de sobreviver.

Na quinta série, eu praticamente havia desistido de aprender a ler, conta John (Foto: Arquivo pessoal)

Quando cheguei à sétima série, passava a maior parte dos dias na sala do diretor. Eu era briguento, desafiador, palhaço, perturbador; até ser expulso da escola.

Mas esse comportamento não refletia como eu me sentia por dentro – não era quem eu queria ser. Eu queria ser alguém diferente, queria ser bem-sucedido, um bom aluno. Mas simplesmente não conseguia.

Na oitava série, cansei de envergonhar a mim mesmo e à minha família. Decidi que ia me comportar. E, no ensino médio, se você se comporta, você consegue avançar dentro do sistema. Então decidi ser um queridinho do professor e fazer todo o possível para passar o sistema.

Queria ser atleta – eu tinha habilidades atléticas e matemáticas, tanto que conseguia contar dinheiro e fazer tabuada antes mesmo de ir pra escola.

Eu também tinha habilidades sociais. Andava com os garotos universitários e namorava a menina com as notas mais altas da escola. Fui ‘rei da festa de formatura’ e conseguia que meus colegas – geralmente meninas – fizessem a lição de casa para mim.

Conseguia escrever meu nome e lembrava algumas palavras, mas era incapaz de escrever uma frase. No ensino médio, eu lia como se estivesse na segunda série. E nunca disse isso para ninguém.

Durante as provas, eu colava ou passava a folha para alguém responder as perguntas para mim.

Mas, quando passei para a universidade com uma bolsa de atleta, a história mudou.

Pensei: ‘Meu Deus, isso é demais para mim, como vou fazer?’

Entrei para uma fraternidade que tinha cópias de provas antigas. Era uma das formas que eu usava para colar. Tentei acompanhar as aulas ao lado de um colega, para me ajudar. E tentei também estratégias mais criativas e desesperadas para passar de ano.

Em uma prova, o professor escreveu quatro perguntas na lousa para copiarmos. Eu estava sentado no fundo da sala, perto da janela. Com muito sacrifício, eu escrevi as quatro perguntas. Mas não sabia o que elas queriam dizer.

Havia combinado com um amigo de ficar do lado de fora da janela. Ele era provavelmente o aluno mais esperto que eu conhecia, e havia acertado de apresentar ele para a menina de quem ele gostava. Então, ele respondeu as perguntas para mim.

Em outra ocasião, eu invadi a sala do professor três noites seguidas, à meia-noite, como um ladrão, para procurar pela prova. Eu sabia que havia cruzado uma linha – não era mais apenas um estudante que colava, eu era um criminoso.

E mesmo assim não consegui encontrar a prova. Deduzi que ela estaria dentro de um gaveteiro trancado à chave, então chamei três amigos para irem comigo à sala do professor à 1h da manhã. Carregamos o gaveteiro, colocamos dentro de um carro e o levamos embora. Consegui que um chaveiro abrisse para mim e peguei uma cópia da prova, e um amigo inteligente me deu as respostas.

Devolvemos o gaveteiro e, às 5h da manhã daquele dia, eu acordei pensando: ‘Missão impossível cumprida!’. Me sentia muito bem por ser tão esperto.

Mas simplesmente deitei na minha cama e comecei a chorar como um bebê.

Por que eu não pedi ajuda? Porque não acreditava que ninguém poderia me ensinar a ler. Era um segredo que eu guardava.

Meus pais e professores diziam que pessoas com diploma universitário conseguem empregos melhores e vidas melhores, então acreditei nisso. Minha motivação era apenas conseguir o diploma. Talvez algum dia, por osmose, por orações ou por milagre eu aprendesse a ler.

Assim eu me formei, e havia uma escassez de professores. Recebi uma oferta de emprego. É a coisa mais ilógica de se pensar: eu havia escapado da jaula do leão e voltava para atiçar o leão outra vez.

Por que virei professor? Olhando para trás, parece uma loucura. Mas eu havia cursado a escola e a universidade sem ser desmascarado, então ser professor parecia um bom esconderijo. Ninguém suspeita que um professor não sabia ler.

Ensinei coisas diversas. Fui técnico de atletismo. Ensinei estudos sociais. Ensinei digitação – conseguia digitar 65 palavras por minuto, sem saber o que estava digitando. Nunca escrevi nada na lousa, e não havia palavras escritas nas minhas salas de aula. Havia muitos filmes e discussões.

Mas eu lembro do medo que sentia. Eu sequer conseguia fazer a chamada. Tinha que pedir aos estudantes para pronunciar seus nomes, para que eu pudesse sabê-los. E identificava dois ou três estudantes para me ajudar nas aulas. Eles não suspeitavam de nada – ninguém suspeita do professor.

Um dos meus maiores pavores eram as reuniões semanais de professores. Às vezes o diretor pedia que alguém escrevesse as ideias na lousa. Eu tinha um plano: se ele me pedisse, eu ia fingir um desmaio e torcer para que eles chamassem o socorro. Eu fazia de tudo para não ser flagrado, e não fui.

Às vezes eu me sentia um bom professor, porque eu trabalhava duro e realmente me importava com o que fazia. Mas eu não era um bom professor. Eu estava errado. Meu lugar não era na sala de aula, eu estava invadindo um terreno que não era meu. Algumas vezes isso me deixava fisicamente doente, mas eu estava dentro de uma armadilha e não podia contar para ninguém.

Me casei durante meu período como professor. O casamento é um sacramento, um compromisso de ser verdadeiro com alguém. Foi a primeira vez que pensei: ‘Vou confiar nessa pessoa, vou contar para ela’.

Eu treinei na frente do espelho: ‘Cathy, eu não sei ler. Cathy, eu não sei ler’.

Uma noite, enquanto estávamos sentados no sofá, eu finalmente disse: ‘Cathy, eu não sei ler’.

Mas ela não entendeu direito. Ela achou que eu estava dizendo que não lia muito. O amor é cego e surdo.

E assim casamos, tivemos um filho e só anos depois ela foi entender.

Eu estava lendo para a nossa filha de três anos. Líamos para ela com frequência, mas não era realmente uma leitura – eu inventava histórias a partir das que conhecia, como Cachinhos Dourados ou Os Três Ursos.

Só que havia um livro novo, Rumpelstiltskin, e a minha filha me disse: ‘Você não está lendo igual à mamãe’.

A minha mulher me ouviu tentando ler um livro infantil e a ficha caiu. Ela se deu conta de que eu sempre pedia para ela escrever coisas para mim, e finalmente ela entendeu quão grave era o meu problema.

Mas nada foi dito, não houve nenhum confronto, ela simplesmente continuou me ajudando.

Não aliviou em nada, porque por dentro eu me sentia burro, me sentia uma farsa. Eu era um enganador. Ensinava meus alunos a buscar a verdade, e era o maior mentiroso da sala. O alívio só veio quando eu finalmente aprendi a ler.

Fui professor entre 1961 e 1978. Oito anos depois de deixar meu emprego, algo finalmente mudou.

Tinha quase 48 anos quando vi Barbara Bush, então primeira-dama dos EUA, falando sobre analfabetismo adulto na TV. Era a causa que ela combatia. Eu nunca havia escutado ninguém falando de analfabetismo adulto antes, achava que era a única pessoa do mundo naquela situação.

Eu estava em um momento de desespero. Queria contar para alguém e queria pedir ajudar. Um dia, estava na fila do mercado e ouvi duas mulheres conversando sobre um homem que estava aprendendo a ler na biblioteca. Elas falavam com muita alegria, e eu não conseguia acreditar.

Fui até a biblioteca, perguntei pela diretora do programa de alfabetização, me sentei com ela e contei que não sabia ler.

Foi a segunda pessoa a quem contei isso na minha vida adulta.

Ganhei uma tutora voluntária de 65 anos. Ela não era uma professora, apenas alguém que amava ler e não queria que ninguém passasse pela vida sem saber fazer o mesmo.

Ela logo tentou fazer com que eu escrevesse, porque eu tinha todos esses pensamentos na cabeça e nunca havia escrito uma frase com eles. A primeira coisa que escrevi foi um poema com meus sentimentos. O bom da poesia é que você não precisa escrever em frases completas.

Ela conseguiu me ensinar a leitura até o nível da sexta série – era como se eu tivesse morrido e ido ao paraíso. Mas levei sete anos para me sentir alfabetizado. Eu chorava, chorava, chorava depois de começar a ler – foi um processo repleto de dor e frustração -, mas isso preencheu um buraco enorme na minha alma. Adultos que não sabem ler tiveram sua infância suspensa, emocionalmente, psicologicamente, academicamente, espiritualmente. Somos pessoas que não cresceram.

Minha tutora me encorajou a contar minha história para motivar outros e promover a alfabetização, mas eu disse: ‘De jeito nenhum. Morei nesta comunidade por 17 anos, meus filhos, meus pais e minha mulher moram aqui. Não é uma história que eu queira contar’.

Até que eu decidi contar. Era um segredo vergonhoso, então foi uma decisão difícil de tomar, mas, quando a tomei, decidi contar minha história para todo o país, para quem quisesse ouvir. Depois de guardar meu segredo por décadas, eu decidi expulsá-lo de mim.

Contei minha história (nos programas de TV) da Oprah, do Larry King.

Era incômodo para as pessoas escutarem a história de um professor que não sabia ler. Teve gente que disse que eu havia inventado a história toda.

Mas eu queria que pessoas como eu soubessem que há esperança, há solução. Não somos ‘burros’, podemos aprender a ler, e nunca é tarde demais.

Infelizmente, continuamos a empurrar crianças e adolescentes pelo sistema escolar sem ensiná-las habilidades básicas de leitura e escrita. Mas podemos romper esse ciclo de fracasso se, em vez de culpar os professores, nos assegurarmos de que eles sejam devidamente treinados.

Por 48 anos, eu vivi no escuro. Mas finalmente eu enterrei o fantasma do meu passado.”

Depoimento concedido a Sarah McDermott, da BBC.

A leitura faz você feliz: 10 boas razões para ler mais

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Gisella Meneguelli, no Green Me

Ler não é apenas fundamental: é necessário! Um livro nos coloca em contato com o outro, nos tira de nós mesmos, nos faz lançar um novo olhar para o mundo. Além de ser uma ótima companhia!

Quando lemos, ficamos sabendo sobre assuntos que não conhecíamos ou dos quais sabíamos muito pouco. O nosso repertório cultural se amplia quando entramos em narrativas imaginárias.

A nossa capacidade imaginativa fica mais elástica e menos formatada, sobretudo, quando é tão fácil termos a mão um smartphone com conteúdos selecionados de acordo com o nosso perfil. A leitura de um livro nos dá uma liberdade de trânsito por outros universos culturais com muito mais solidez do que as fórmulas prontas das redes sociais.

Por isso, aqui estão as 10 razões pelas quais vale a pena você ler mais:

1. Os protagonistas das histórias que preferimos estão de alguma forma relacionados com a nossa vida. Alguns estudos sugerem que muitas pessoas se lembram de ter lido pelo menos uma história que tenha mudado suas vidas e que isso leva a mudanças reais no cérebro. Em suma, alguns personagens podem “influenciar” nosso modo de pensar e nosso comportamento. Também por esta razão é importante escolher não casualmente o que se lê ou o que se lê para uma criança.

2. Estreitamente ligado ao ponto anterior, a leitura gera empatia. A leitura, de fato, leva a uma espécie de simulação de experiências sociais e, portanto, a uma maior empatia com os outros, a uma maior criatividade e a um comportamento cooperativo.

3. Regularmente a leitura de romances aumenta a conectividade de diferentes áreas do cérebro, incluindo as associadas ao processamento linguístico e à resposta sensorial primária, o que ajuda a compreender e visualizar o movimento. E, de acordo com o estudo publicado na revista Brain Connectivity, isso permanece mesmo depois de terminar o livro.

4. Ler um livro estende sua vida. De acordo com a pesquisa da Universidade de Yale em New Haven, de fato, os leitores, independentemente do sexo e estilos de vida, vivem dois anos mais do que aqueles que não tocam em uma folha.

5. A leitura ajuda no desenvolvimento das crianças: a leitura em voz alta para os filhos é um hábito precioso porque estimula o cérebro e melhora o desenvolvimento da linguagem.

6. A leitura combina o sono: ler antes de ir dormir é um bom hábito por vários motivos, sendo um deles adormecer mais sereno.

7. Reduz o estresse e previne ansiedade e depressão: estudos epidemiológicos descobriram que muitos pacientes que sofrem de ansiedade e depressão tiveram um declínio nos sintomas ao ler constantemente romances. Por outro lado, também foi demonstrado que a leitura relaxa os sentidos.

8. Ler em voz alta para cães ajuda as crianças. Parece estranho, mas não é. De fato, uma pesquisa mostrou que ler em voz alta para um cachorro pode ajudar as crianças em idade escolar a melhorar suas habilidades de leitura e construir relacionamentos positivos com os livros e a escola.

9. A leitura abre a mente e cura as feridas da alma porque uma história se conecta com o mundo, fornece incentivos para sair de uma dificuldade ou inconveniente, ajuda a enfrentar o medo de falhas e dores e a entender que elas fazem parte da vida.
10. A leitura estimula toda a atividade cerebral e aumenta a conectividade do cérebro, é um remédio para a memória e, em geral, para todas as funções cognitivas.

Ficou convencido de que ler faz bem para o corpo e para a alma? Vale ler romance, poesia, biografia, enfim, qualquer livro que lhe dê prazer, felicidade ou que o faça sair do eixo!

Pedro Cardoso estreia na literatura com romance situado num Brasil em convulsão

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Longe da tevê e do Brasil, Pedro Cardoso brinca com o seu ‘desemprego’ Foto: JF Diório/Estadão

Longe da tevê e do Brasil, Pedro Cardoso brinca com o seu ‘desemprego’ Foto: JF Diório/Estadão

 

Ator conta que quis escrever ‘O Livro dos Títulos’ na tentativa de organizar ideias e ansiedades sobre o País

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

“Escrever um livro é talvez a missão mais exigente entre todas as chatices que a humanidade inventou para se aborrecer. Organizar os infinitos detalhes que dão coerência a uma estória inventada é uma tarefa divina que queima o cérebro de um simples mortal; a demanda é sobre-humana.” Quem diz isso é o protagonista do romance de estreia do ator Pedro Cardoso que confessa, logo na primeira linha, que não gosta de ler – mas gosta de livros.

Desde cedo, carregava um exemplar porque achava que, se acreditassem que ele era um grande leitor, não sentiriam pena por ele estar sempre sozinho. Atrás de seu escudo, ele oscilava entre o sono e a vigília, pensava em coisas diversas, nunca lia. Mas ele se apaixonou, e decidiu escrever um livro para a moça – ela, sim, uma grande leitora.

Esse é, basicamente, o enredo de O Livro dos Títulos, uma história de formação, de amor e de loucura que acompanha o personagem ao longo de sua vida. Mas há mais. O pano de fundo é um Brasil socialmente insalubre, em “convulsão social com o surgimento de várias denúncias de casos de corrupção envolvendo todas as forças políticas”. Um país do pré e pós-guerra civil que, ao seu término, terá se dividido em “420 Estados independentes, oriundos das milícias que se formaram durante os anos de conflito. O novo mapa político terá sido definido em uma infinidade de tratados e armistícios, que ficarão conhecidos como Tratados da Des-União Brasileira ou Des-Tratos da Fundação”, conta o narrador.

Pedro revela que quis escrever o livro numa tentativa de organizar algumas ideias e ansiedades sobre o País e compartilhar suas inquietações. “Escrevi sob o impacto dos acontecimentos dos últimos anos e um pouco desesperado de tanta coisa sobre as quais eu gostaria de falar. Mas o livro é um romance e não um ensaio teórico. O que os personagens dizem não é o que eu diria. Eu acho que eu nem sei bem o que eu diria – estou vazio de certezas”, diz.

Ele prefere não dar detalhes sobre a história ou falar sobre o país que criou e que está em desintegração, mas, voltando aos dias de hoje, comenta que são muitos os motivos para nos preocuparmos – e a “tentação fascista que ilude os tolos” é o principal deles. “Nenhum caminho autoritário nos trará nada de bom. Todo totalitarismo é falso e covarde. E os moralismos que se esboçam, com reações descabidas contra a sexualidade e os muitos modos de amar que são próprios da humanidade, são mesmo inquietantes e devem sofrer a nossa mais serena e severa oposição”, diz.

Pedro quer ter esperança, porque “desesperança é um luxo de gente rica e indiferente”. O ator, no entanto, ainda não sabe no que acreditar. “Tenho fé que algo novo haverá de surgir, mas não sei o que seja nem de onde virá. Estou à espera. Ativamente, esperando que algo venha e me diga o que nunca imaginei que seria o futuro. Eu tenho a convicção de que só algo que ainda não se manifestou nos haverá de tirar desse atoleiro em que nos encontramos.”

Pedro Cardoso vive hoje em Portugal e diz que a decisão não tem a ver com o momento do Brasil. Sempre quis ter uma experiência como essa, mas tudo aconteceu rápido demais – carreira, família – e perdeu a chance de fazer isso mais jovem. Quando teve dinheiro para bancar o sonho, não conseguiu se desvencilhar das obrigações no Brasil – por mais de uma década, ele foi o Agostinho, da Grande Família, sucesso da Globo que chegou ao fim em 2014. Seus projetos atuais estão ligados à peça O Homem Primitivo, escrita por ele e por Graziella Moretto, sua mulher, que trata da gênese e das consequências do sexismo. Graziella planeja um filme sobre a peça que aborda uma questão que, comemora o ator, “está finalmente ganhando o protagonismo que lhe é devido”.

Fora isso, tenta emplacar uma série sobre o Brasil, seus ricos e seus pobres, que não teve, até agora, o apoio de nenhuma emissora. Se não der certo mesmo, o novo escritor considera transformá-lo num romance. “No mais, estudo inglês e francês como um adolescente”, brinca.

Ele está no País para uma série de lançamentos. O banner que coloca atrás da mesa de autógrafos diz: “Ator desempregado à procura de leitores”. Tudo não passa de uma graça, garante. “Uma brincadeira com o fato de eu ter ficado no ar por muitos anos e ter desaparecido desse convívio semanal com o público. Eu sinto saudade disso. O desemprego é brincadeira.”

Mas de volta à vida de escritor. Pedro Cardoso conta que lê desde sempre, o dia inteiro, muito devagar, porque é disléxico. Não se considera um grande leitor e muito menos um erudito ou um grande conhecedor de literatura. “Gosto de ler, simplesmente. Leio alguma teoria, alguma filosofia, bastante sobre história e muitos romances. Mas sou leigo, repito. E gosto de ser um leitor amador. E, muito provavelmente, eu sou também um escritor amador.”

Sua obra faz referências a muitas outras da literatura brasileira e estrangeira, e o título foi escolhido pelo fascínio que sente pelo nome que as coisas têm e pelo poder que ele evoca. A inclusão desses livros todos em sua história foi porque ele quis dar um testemunho de um possível cânone de uma pessoa de seu tempo. “Cada um de nós tem um biblioteca na memória onde estão guardados os livros que lemos e achei que seria interessante para o leitor cotejar o cânone dele com o do meu livro”, explica.

A certa altura, o protagonista, que gostava de deitar no chão e passar os olhos pelos títulos na estante, chegou a escalar uma seleção. “No gol: A Pedra do Reino; na defesa: Lucíola, Fogo Morto, Casa Grande & Senzala; no meio-campo: Quincas Borba, Ed Mort, Juca Mulato e Catatau; no ataque: Benjamim e Budapeste. Técnico: Romanceiro da Inconfidência. Escalou também o time adversário, e seleções para os diversos países combinando gêneros e épocas.

Para o personagem, eles tinham uma outra função. “Cada título me dava uma sugestão de pensamento que, por ser breve e concisa, eu conseguia penetrar; ou, melhor dizendo: eu conseguia me deixar ser por ela penetrado; e usufruía, imaginando que estória se conformaria com aquele título.”

Pedro Cardoso comenta que a história foi chegando a ele à medida que ele a ia contando para um possível leitor. Tem um certo humor ali, e o ator estranharia se ele não tivesse se manifestado. “O que me guiou foi sempre um desejo de agradar, de entreter, de criar um bom momento para o outro. Escrever é, certamente, um modo de organizar o próprio pensamento. E eu estava precisando organizar o meu”, finaliza.

TRECHOS

“Quando me tornei um jovem adulto, aceitei finalmente que eu jamais conseguiria ler um livro, que eu detestava fazer o esforço de me manter atento ao que estava escrito, que eu desejava mesmo era me entregar o mais rápido possível ao mundo dos meus pensamentos, para o qual eu escorregava embalado pelo mantra da leitura.”

“Os primeiros anos da guerra se caracterizarão por uma baderna absoluta. A estrutura administrativa do Estado entrará em agonia e colapsará em poucos meses. O país ficará entregue a bandos de vândalos que atacarão indistintamente, com o único intuito de se apoderarem de bens de consumo. Em um primeiríssimo momento, cada cidadão se encontrará responsável pela sua própria segurança. Formar-se-ão milhões de exércitos de um único soldado.”

Dicas para recuperar o hábito da leitura

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(YakobchukOlena/ThinkStock)

(YakobchukOlena/ThinkStock)

 

Adora livros, mas não tem conseguido mais se concentrar em nenhuma história? Esses truques podem lhe ajudar

Anna Laura Moura, na Claudia

A leitura certamente está entre as práticas mais queridas – e terapêuticas! – da sociedade. Não tem erro: todo mundo tem aquele livro que marcou alguma época da vida, mesmo que aquele costume fervoroso de devorar livros não seja frequente. Das bibliografias às HQs, o que vale é a leitura e o bem-estar que tal prática propicia.

Os benefícios de ler regularmente são muitos. Um deles é o conhecimento. Ler sobre diversos assuntos, além de aprimorar a fala e a escrita (quanto mais palavras você conhece, mais amplo se torna seu vocabulário), pode rechear seu repertório cultural!

Ser mais informada implica abrir novas oportunidades tanto no meio social e pessoal quanto na carreira, pois uma pessoa culta que está sempre aberta a aprendizados se torna mais interessante, querida entre os amigos e cobiçada no mercado de trabalho. Abra seu leque de conhecimento através dos livros e veja a diferença!

Além de tudo isso, ler também estimula a sua memória. Quanto mais livros você ler, maior será seu entendimento e capacidade de interpretação. Ao entender a importância de um assunto e as razões pelo qual ele é importante, você conseguirá fixar as ideias, fazendo com que sua memória seja aprimorada.

Outro benefício importante: ler é extremamente terapêutico, pois brinca com a imaginação do leitor, fazendo-o se desconectar da realidade por alguns instantes.

Ficou empolgada? Confira nossas dicas para recuperar o hábito da leitura:

1. Descubra sobre o que você mais gosta de ler

Terror, suspense, romance, bibliografia, livros acadêmicos… as opções são infinitas. Leia livros de diversos tipos até achar o seu preferido. Quando descobrir, mergulhe de cabeça!

2. Desenvolva uma rotina

É impossível retomar uma rotina sem desenvolver uma e isso requer certa organização. É importante que você determine um local ou um horário para ler. Antes de dormir? No metrô durante o trajeto para o trabalho/faculdade/escola? Você escolhe! Torne esse horário o seu momento de conexão.

3. Sempre tenha um livro consigo

A vontade de ler só aumenta quando você sabe que tem um livro na bolsa, pois em um momento oportuno, ele estará lá para te distrair. Não adianta deixar o livro esquecido na estante! Pra desenvolver o hábito, ele precisa ser seu melhor amigo.

4. Faça uma lista de opções

Pesquise bastante em blogs de leitura, siga páginas sobre o assunto nas redes sociais… nesses locais sempre existem ótimas opções para todos os gostos, basta escolher. Se você está começando a criar o hábito agora, comece com livros menores. Se está retomando, até as sagas estão liberadas.

5. Frequente sebos/livrarias/bibliotecas

Os apaixonados por leitura irão concordar: não existe ambiente mais aconchegante que livrarias e afins. Basta entrar em uma e você já sentirá vontade de ler todos os livros disponíveis para vender. Ler um livro apreciando o silêncio de uma biblioteca pode ser mágico, experimente!

Seguindo essas dicas com disciplina, o amor pelos livros surgirá sem dificuldades. Boa leitura!

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