Posts tagged Língua Portuguesa

Aprenda português na universidade sem pagar nada

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Gilberto Dimenstein, na Folha de S.Paulo

Sem pagar absolutamente nada – e apenas com um clique – é possível aprender português num programa criado para universitários. E mais: ganha-se certificado.

Em apenas uma semana 2.500 pessoas se matricularam.

Esse programa, desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa em Tecnologias Sociais da PUC-SP mostra que o Brasil vai aderindo a essa maravilhosa onda de cursos gratuitos de qualidade, criado por universidades. Note-se que o aluno pode usar esse curso a distância como crédito. E, pela plataforma, pode interagir com alunos e professores.

Surpresa dos organizadores: a maioria dos matriculados nem é da universidade. Mas viram a chance de aprender algo de valor.

Por todos os lados do planeta prosperam esses recursos, os quais já começam a ser traduzidos para a língua portuguesa.

Volto a dizer que, por enquanto, nada substitui o valor do contato humano. Mas esses programas por internet devem ter o impacto na disseminação do saber que, no passado, teve Gutenberg, com a invenção do livro feito na prensa.

Mais informações aqui.

Fiz uma seleção dos cursos gratuitos oferecidos pelas melhores universidades do mundo, inclusive as brasileiras. Clique aqui.

Argentina tira nota máxima em prova de língua portuguesa aplicada por Cambridge

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Estudante concorreu com alunos de sete países

Publicado em O Globo

"Prêmio.A aluna Martina Mizraje, 17 anos, argentina que estuda em São Paulo no colégio britânio St. Francis College há dois anos, recebeu o prêmio da “Cambridge International Examinations” pela nota máxima em uma prova de proficiência em língua portuguesa, nesta semana. Além de concorrer com estudantes brasileiros, Martina enfrentou outros 400 alunos de sete países como Inglaterra, Portugal e Dubai que também prestaram o exame.

Estes testes de proficiência são preparados pela própria Universidade de Cambridge e permitem que alunos de nacionalidades diversas testem suas habilidades em línguas estrangeiras. Os exames Internacionais de Cambridge são aplicados em alunos, de 5 a 19 anos, de instituições que aplicam a metodologia britânica de ensino no país.

Janet Morris, diretora de comunicações do programa de Cambridge, espera o teste aprimore os estudos dos alunos estrangeiros que se dedicam à língua portuguesa.

— Esse é um reflexo do enorme potencial existente no Brasil, não só dos alunos como dos educadores — afirmou Morris.

Aprendizado vai além das aulas de português, garante professor

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Na escola de Boa Vista, todas as disciplinas devem colaborar, nas séries iniciais, para que o estudante desenvolva a capacidade de ler e entender o que está lendo (foto: arquivo da EM Vovô Dandãe – 15/4/10)

Na escola de Boa Vista, todas as disciplinas devem colaborar, nas séries iniciais, para que o estudante desenvolva a capacidade de ler e entender o que está lendo (foto: arquivo da EM Vovô Dandãe – 15/4/10)

Fátima Schenini, no Portal MEC

Ao assumir uma turma do quarto ano do ensino fundamental, o professor Arthur Cândido de Magalhães percebeu que os alunos apresentavam dificuldades para ler e produzir textos. A constatação de que a escola não tinha propostas de leitura nem biblioteca o levou a desenvolver o projeto Leitura e Produção de Textos na Escola – Entre Nessa Você Também! O trabalho acabou premiado na sexta edição do Prêmio Professores do Brasil.

“Considero a leitura como atividade fundamental para a formação dos alunos”, ressalta o professor, que leciona na Escola Municipal Vovô Dandãe, de Boa Vista, Roraima. Segundo ele, a prática da leitura melhora o vocabulário e a capacidade de escrever um bom texto, aguça a criatividade e facilita a compreensão do que é lido. “A aprendizagem da leitura favorece todas as áreas do conhecimento”, destaca.

Para Arthur, que é pedagogo com especialização em educação especial e inclusiva e professor de todas as disciplinas do currículo do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental, é um equívoco achar que só se aprende a ler nas aulas de língua portuguesa. “Todas as disciplinas, nas séries iniciais, devem colaborar para que o indivíduo desenvolva a capacidade de ler e entender o que está lendo”, afirma.

Arthur defende a formação do aluno, pela escola, de forma que este perceba e conheça a diversidade textual existente no mundo que o cerca. “A partir daí, é necessário aliar o trabalho de leitura e produção”, salienta. “Um necessita do outro no processo de aprendizagem e não há como separá-los.”

Os estudantes, de acordo com o professor, aprendem a escrever, escrevendo, mas precisam de suporte de leitura que os oriente a respeito da funcionalidade e da estrutura que compõem o gênero textual. “Ler e entender bem um texto facilitará ao aluno também produzir de forma adequada.”

Biblioteca — O projeto, iniciado em 2011, em turma do quarto ano, teve continuidade em 2012, com a mesma turma, então no quinto. Entre as atividades desenvolvidas, Arthur destaca duas visitas à biblioteca pública. Na primeira, os estudantes tiveram a oportunidade de conhecer o local; na segunda, fizeram doação de livros que produziram nas aulas. Um de contos, um de poesias e outro de frases sobre leitura (coletânea).

Na visão do professor, no entanto, o aspecto mais importante observado no desenvolvimento do projeto foi a melhora na aprendizagem. “Os alunos passaram a ler mais e a ter uma postura de leitores”, salienta. Também ampliaram a capacidade de concentração no momento da leitura e de atenção ao ouvir uma história. Conseguiram ainda produzir textos melhores. O mais interessante, de acordo com Arthur, é que os estudantes começaram a perceber as diferenças entre os diversos gêneros de texto, bem como a finalidade.

Para sanar a falta de livros, o professor obteve o empréstimo de 30 obras em outra instituição de ensino da rede estadual na qual também trabalha. A cessão foi feita pelo período de um ano, em 2011. A estratégia foi repetida em 2012, quando ele devolveu as obras e pegou outras 30.

Há 10 anos no magistério, Arthur faz curso de graduação em história pelo programa de Segunda Licenciatura do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor), oferecido pelo Ministério da Educação.

2.500 livros sobre África e Oriente disponíveis online

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2.500 livros sobre África e Oriente disponíveis onlinePublicado no Boas Notícias

A Universidade de Aveiro disponibilizou recentemente, no site do seu projeto “Memória de África e do Oriente”, mais de 2.500 livros referentes à história dos países de Língua Portuguesa, durante a administração colonial.

De acordo com informação avançada no próprio site, o Portal das Memórias de África e do Oriente, da responsabilidade da Fundação Portugal-África, pretende ser “um instrumento fundamental e pioneiro na tentativa de potenciar a memória histórica dos laços que unem Portugal e a Lusofonia, sendo deste modo uma ponte com o nosso passado comum na construção de um identidade coletiva” destes povos.

O site tem vindo a ser reforçado com a digitalização de livros e revistas que estão agora disponíveis na secção “Biblioteca Digital“. Neste momento estão digitalizadas e com livre acesso mais de 2.500 obras que vão desde livros da escola primária do tempo colonial, a relatórios de antigos governadores das então colónias e outros documentos.

O site Memória de África e do Oriente existe desde Setembro de 1996 e é executado pela Universidade de Aveiro e pelo Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento (CESA) de Lisboa, com o apoio de instituições de Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Goa.

Caetano Veloso: Brisa

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Leio com certa preocupação que o “acordo” sobre a língua portuguesa ficará ainda em banho-maria até 2015

Caetano Veloso, em O Globo

Paquito, duplamente colega meu (já que compõe canções e mantém uma coluna semanal), a propósito da aprovação do novo PDDU pela câmara dos vereadores de Salvador (que, dizem, liberaria as empresas imobiliárias para construir sem respeitar a passagem da brisa), relembrou o divino poema de Bandeira (que Paquito mesmo musicou faz alguns anos):

Recebendo notícias do calor do Rio e curtindo o ventinho brando (é verdade que nem sempre tão brando) que entra por minha casa do Rio Vermelho, emocionei-me ao reler os versos desse pernambucano carioca que fazia poesia assim como quem não faz nada.

Brisa é uma linda palavra. Uma linda ideia expressa no som adequado. Fico pensando nos rappers paulistanos, sobretudo Mano Brown, de quem ouço com tanta frequência a palavra “brisa” ocupando área semântica especial, funcionando como metáfora para outras dimensões da vida. Mano Brown e os Racionais, aliás, é que escreveram a música sobre Marighella que soa como feita por quem sente real identificação com a guerrilha. Nada a ver com meu lento lamento semimonumental. Nelson Rodrigues dizia que “Caminhando” de Geraldo Vandré — a canção favorita dos que se queriam revolucionários — era “uma berceuse”. Felizmente ele não teve de viver para ouvir a minha “Um comunista”. Nelson era um tipo angelical de anticomunista (em geral uma malta desagradável). A brisa de Bandeira, Paquito, Brown e Salvador salva tudo.

As palavras se sentem bem na poesia. “Que a brisa do Brasil beija e balança”. Diretamente no épico de Castro Alves ou citado na soneterapia de Augusto de Campos, esse verso é tudo o que as palavras querem para se sentirem bem. Para exercerem sua função e seu destino.

Leio com certa preocupação que o “acordo” sobre a língua portuguesa ficará ainda em banho-maria até 2015. A preocupação não impede que haja alívio. O acordo é cheio de lacunas e é suspeito. Tantos livros corrigidos e reimpressos! Pra quê? Mas o que me interessa comentar aqui é a docilidade — não, não apenas docilidade, a verdadeira paixão — com que os brasileiros adotam essas normas que são anunciadas. Isso me impressiona. Sempre me impressionou. Nos anos 1970, quando caíram os acentos diferenciais e os que indicavam sílaba subtônica (antes, tínhamos de escrever, por exemplo, “fôra”, para diferençar de “fora”, e tínhamos de pôr um acento grave em, por exemplo, “ràpidamente”, para frisar que o advérbio vinha de um adjetivo proparoxítono). Todo mundo se guiou. Em editorial da “Folha”, leio que o “acordo” não é uma dessas leis brasileiras que “não pegam”. Ao contrário. A mim, esse respeito rápido (vejo-o nos jornais e nos e-mails, ouço perguntas sobre as mudanças mesmo de pessoas pouco letradas) me parece da mesma natureza do interesse pelos professores de gramática: o povo quer ordem na língua que fala. Quer saber o que é certo, como se deve escrever. Deseja, num plano mais superficial, exercer sua vaidade; num plano mais profundo, saber que sua língua é respeitada e respeitável, que ela é forte.

Claro que detesto que tenhamos passado a grafar “para” para “para” e para “pára”. Isso só cria confusão e não tem absolutamente nenhuma vantagem. Lendo o excelente “Marighella” de Mário Magalhães, me deparei com alguns casos em que tive de recomeçar a ler a frase para saber se a palavra incial era um “fora” ou um “fôra”. Isso, embora mis velho do que o acordo, tampouco é bom. Para nada. Mas é bom que os falantes procurem adequar-se o mais pronto possível ao que lhes chega anunciado como regra. Eles buscam a norma, assim como o assalariado busca o carro e a geladeira. A vanguarda revolucionária dos sociolinguistas é leninista: eles sabem melhor o que os falantes querem. Segundo eles, os falantes querem que lhes seja dito que está bom do jeito que eles já fazem (sem deixar de contar que existem a norma, o carro e a geladeira).

Não se enganem: gosto do Bagno. Mas ao pensar sobre essas coisas, prefiro voltar a Marighella, Mano Brown, Paquito e Manuel Bandeira. Brisa. Os poetas sabem que os acordos podem ser respeitados porque a poesia vencerá no fim. Eles se submetem sabendo que é coisa de somenos. Não sou poeta para postar-me tão alto. Chio um pouco. Sou um falante popular que sempre quis saber melhor. Por favor, não roubem minha brisa.

Vamos viver no Nordeste, Anarina.

Deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas riquezas, minha vergonha.

Deixarás aqui tua filha, tua avó, teu marido, teu amante.

Aqui faz muito calor.

No Nordeste faz calor também.

Mas lá tem brisa:

Vamos viver de brisa, Anarina

foto: Internet

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