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Eles estão redefinindo a literatura fantástica nacional

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Os escritores André Vianco, Raphael Draccon, Carolina Munhóz e Eduardo Spohr.

 

Thomas Schulze, no Play Replay

Era uma vez um grupo de autores que, armados apenas com sua paixão pela literatura e vontade de cativar a imaginação de milhares de leitores, redefiniram o mercado nacional e trouxeram a literatura fantástica para os holofotes. Escritores como André Vianco, Raphael Draccon, Carolina Munhóz, Bárbara Morais e Felipe Castilho, nomes que hoje dividem as prateleiras de todo o país com fenômenos internacionais.

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Aqueles mesmos leitores que, sedentos pelas novas aventuras de Harry Potter, Katniss Evenrdeen, Percy Jackson e Tyrion Lannister, lotavam as livrarias e mega stores do país em busca de uma nova dose de aventuras e emoção, hoje voltam suas atenções para livros produzidos em território nacional. Dragões, hobbits, leões falantes e criaturas mitológicas já se sentem em casa dividindo espaço com criaturas do folclore brasileiro. Westeros faz fronteira com São Paulo tanto quanto a entrada secreta para Hogwarts fica logo ali, perdidinha no metrô de Copacabana.

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Afinal, há mais para se curtir por aí além dos clássicos de J.R.R. Tolkien e C.S. Lewis. Como brinca o best seller André Vianco, “nosso folclore é riquíssimo, extrapola o Saci, a Cuca, existem tantas criaturas e tantas histórias. Elfo e fada já deu, né? (risos)”. Uma visão compartilhada por Felipe Castilho, autor de Ouro, Fogo e Megabytes: “Grande parte dos leitores torcem o nariz quando ouvem/leem a palavra ‘folclore’”, lamenta. “Mas acabam desconstruindo a visão antiga com poucas páginas de leitura. Eles sabem identificar o que é bom para eles, e não deixam preconceitos impedirem a leitura de um livro bacana para eles. Mas já ouvi uns absurdos vindo do povo da área, e isso acaba minando a vontade de outros autores se arriscarem nisso. Na real, não tem nada de diferente de escrever sobre cavalos alados e trolls e bruxas e dragões. Histórias podem ser boas ou ruins com a cultura de qualquer lugar. Eu tento fazer a minha parte enriquecendo a daqui.”

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CONTANDO HISTÓRIAS

“Um livro salvou a minha vida.” Revela a autora Carolina Munhóz. “Hoje, se uma palavra de meus livros puder tocar a vida de uma pessoa, já sinto que estou cumprindo a minha missão”. A jornada de um escritor não poderia ser mais nobre, e felizmente, nunca houve tantos talentos dispostos a elaborar grandes histórias, assim como nunca se consumiu tanta literatura fantástica, tanto em versão digital no seu tablet, computador ou smartphone, como no bom e velho material impresso, aquele formato charmoso que tanto gostamos de ostentar em nossas estantes.

Os números, no entanto, ainda estão um tanto aquém do ideal. Não só no universo da literatura, mas também em outras esferas culturais, como o teatro, cinema e musicais nacionais. De acordo com a Federação de Comércio do Estado do Rio de Janeiro, sete em cada dez brasileiros não leram um livro sequer no ano passado. Um dado quase tão preocupante quanto ainda termos 13 milhões de analfabetos pelas ruas do Brasil.

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Para complicar ainda mais a situação, nem sempre as lojas estão dispostas a dar a devida atenção aos lançamentos de menor repercussão, insistindo em um preconceito que jamais deveria ter existido, mas que hoje soa mais obsoleto do que nunca. “Manter seu livro na vitrine da loja não é fácil.”, explica João Silveira Paschoal, autor de Primeira Alvorada. “Nossa trilogia tem arte muito chamativa na capa, e vende muito bem quando está em exposição. Mas quando não está a situação complica. Isso acontece por que temos muita dificuldade em fazer o publico desviar sua atenção dos best sellers.”

Ainda assim, nossos autores audaciosamente desafiam as estatísticas e desbravam os caminhos para que as próximas gerações de leitores e escritores encontrem um mercado mais convidativo. “Ainda é mais fácil já pegar um título internacional que a editora sabe que tem boa resposta do público leitor”, lamenta Bárbara Morais, autora da saga Anômalos. “Mas, nos últimos cinco anos, novos nomes brasileiros estão despontando e incentivando o mercado a investir e trazer títulos de autores iniciantes nacionais. Teve uma moda de vampiros, uma de anjos, agora estamos na de autores nacionais e não acredito que seja passageira como as anteriores.”

Provavelmente não será mesmo. Os resultados dessa longa jornada rumo ao reconhecimento já podem ser notados pelos mais antenados à cena literária, mesmo que os frutos talvez ainda demorem mais alguns anos para serem colhidos pelo grande público. Aqueles que conhecem os prazeres de um bom livro, no entanto, já colocam nossos autores no mesmo patamar que ícones do rock. O que não falta são histórias sobre fãs de todas as idades enfrentando horas e mais horas de fila para aparecer ao lado dos maiores ícones da literatura nacional, cada vez mais próximos do status de grandes estrelas.

“No início a tendência é a gente se apegar aos comentários, seja de amor ou de ódio.” Revela o escritor Raphael Draccon. “Com o tempo vem a experiência e o desapego. Quanto mais famoso, mais pessoas se atinge e não há como agradar a todo mundo. Então o autor vai encontrar alguém dizer que ele é o pior autor do mundo em uma mensagem e logo em seguida outra lhe dizer que é um gênio. E aí ele faz o quê? Acredita que é o pior do mundo ou que é um gênio? Qualquer uma das duas crenças é nociva para ele. O melhor caminho é seguir no caminho do meio e ser grato por ter mais duas pessoas que, apesar das opiniões distintas, não são indiferentes a ele. Porque a morte do artista não vem nem da adoração, nem da antipatia. Ela vem da indiferença.”

NOS OMBROS DE GIGANTES

O crescimento de interesse em nossos autores fez, naturalmente, com que uma nova geração de escritores também sentisse vontade de seguir os passos dos pioneiros da fantasia. Foi o que fez a publicitária e escritora Roberta Splinder, que teve o prazer de ver a obra de seus sonhos (literalmente!) virar realidade “Pode parecer bobo, mas a ideia central de A Torre Acima do Véu surgiu em um sonho, no qual vi claramente pessoas vivendo no topo de prédios altíssimos e que, para sobreviver, deveriam enfrentar os perigos dos andares inferiores.”

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Num claro sinal de amadurecimento do mercado, essa ousada obra distópica não encontrou grande resistência nem por parte das editoras, já dispostas a abraçar um gênero de nicho, e muito menos dos leitores. “Publicar um livro de maneira tradicional exige sempre muito trabalho e dedicação.” explica Roberta. “O principal, no entanto, é encontrar a editora certa, que publique obras no gênero que o autor escreve. No meu caso, fiquei muito satisfeita em trabalhar com a Giz Editorial, que me deu todo o apoio e acreditou no potencial de A Torre Acima do Véu.”

GANHANDO XP

O aumento do interesse do público e editoras em temáticas fantásticas talvez possa ser explicado pelo boom da cultura nerd. Se tornou comum, por todo o planeta, vermos histórias de sucesso sobre super-heróis e todos aqueles mundos medievais incríveis que, até décadas atrás, ficavam restritos apenas às mesas de RPG e cadernos daquele nerd ignorado pelos coleguinhas de escola.

“Desde o início dos anos 2000, ser nerd “está na moda”, e isso tem refletido num aumento da divulgação e da venda de produtos relacionados.”, explica Guilherme Dei Svaldi, editor da Jambô. “Em minha análise, essa popularidade da cultura nerd se deve ao sucesso de alguns produtos, como Harry Potter, O Senhor dos Anéis, filmes de super-heróis, seriados como Lost, entre outros, que levaram ao grande público a paixão pela fantasia que os nerds já tinham há mais tempo.”

Mas não foi só a internet que impactou as vendas do gênero. “Jogadores mais veteranos podem torcer o nariz para jogos estilo Fazendinha Feliz”, prossegue Guilherme, “Mas esses jogos têm um grande mérito: levaram à públicos que normalmente não tinham nada de ‘gamer’, como senhoras de 3ª idade, termos como ‘ganhar XP’ e ‘subir de nível’. Toda essa cultura é muito rica e tem potencial para fazer as pessoas expandirem seus horizontes, aprenderem e, claro se divertirem.”

A paixão pelos RPGs não atrai apenas novos leitores. Também serviu de motivação para autores como João Silveira Paschoal entrarem para o mundo da literatura. “Eu sempre joguei RPG e desenhava muito. Isso me levou a ler muitas coisas.”, revela João. “Só comecei a escrever quando percebi que contar uma história usando a linguagem de quadrinhos demandava muito esforço! Escrevendo em forma de texto flui melhor e mais rápido. Mas nem por isso deixei de desenhar. Hoje eu mesmo faço as capas e as artes dos meu livros.” Para alcançar o sucesso, não é preciso fazer um pouco de tudo, como o João. Mas isso certamente ajuda.

TRABALHO, NÃO MAGIA

Assinar um contrato de vários dígitos com uma editora tradicional é o sonho de centenas de autores por todo o país, só que mesmo alguns de nossos nomes mais tradicionais já buscam métodos alternativos para continuar em evidência. Foi o que fez André Vianco, primeiro criando o seu próprio selo, a Calíope, e então lecionando em aulas de escrita virtuais pela Vivendo de Inventar. “Meus contratos com a editora anterior se encerraram e eu queria cuidar melhor da minha obra, de perto.” explica.

Mas será que uma iniciativa tão ousada e incomum dá retorno financeiro? Não há um caminho fácil para o sucesso, nem uma fórmula mágica para que seu livro chame mais atenção que o último lançamento de George R.R. Martin. O que existe é muito trabalho duro e respeito por sua obra e fãs. Como ensinou Felipe Castilho, “Eu edito, escrevo por encomenda, roteirizo, dou aulas, e acho que tudo isso foi porque sempre me envolvi com o mercado, quando trabalhei com livrarias e editoras. Acho que buscar melhorar a sua técnica de escrita e conhecer os dois lados do ramo de sua paixão (tanto o da arte quanto a parte em que o dinheiro influencia) é essencial para você se situar e definir o que realmente tem a sua cara, o que tem a ver com você, o que te move. Depois disso, é trilhar o caminho. Pode parecer clichê, mas conhecer a si mesmo é essencial para isso. É como escolher tênis confortáveis para a tal caminhada.”

Nossos autores vivem histórias tão distintas quanto as tramas de seus livros, mas todos possuem algo em comum: juntos, estão escrevendo um Brasil fantástico para todos nós.

Um cafezinho com Eric Novello

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Cristine, no Cafeína Literária

Depois de ler a resenha de Exorcismos, amores e uma dose de blues, que tal conhecer um pouco mais sobre o autor? Eric Novello topou responder a algumas perguntas e matar nossa curiosidade sobre algumas coisas.

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(foto: http://ericnovello.com.br/)

Eric Novello já trabalhou em bancadas de laboratórios, drogarias e instalações industriais. Estreou na literatura em 2004 com um romance ambientado na Roma de Júlio Cesar, e publicou projetos diversos desde então.
Multitarefas, é tradutor técnico e literário. Presta serviços ocasionais de leitura crítica e copidesque, tendo trabalhado com vários autores da nova geração.
(saiba mais no blog do autor)



Cafeína: Como vc “se descobriu” escritor?

Eric Novello: Mesmo comemorando 10 anos do lançamento do meu primeiro livro agora em 2014, ainda estou no processo de me descobrir como escritor. Só de 2010 para cá entendi o que de fato queria da minha literatura, qual seria o meu projeto como autor e os terrenos criativos que pretendia explorar. Mas se formos pensar no primeiro impulso, no momento em que a pulga começou a morder a orelha, diria que me descobri escritor por conta da insatisfação. Comecei a implicar com o final de todos os livros que lia, com as resoluções dos filmes que via, e acabei entendendo que, na verdade, tudo não passava de vontade de interferir naquelas histórias. O bom e velho “em vez de reclamar, vá lá e faça”.
O passo seguinte foi ver se eu realmente teria disciplina para isso.


Cafeína: Há dez anos, ao publicar seu primeiro livro, como você se imaginava no futuro? Ou ainda, passava pela sua cabeça a possibilidade de, dez anos depois, ter uma experiência tão graticante quanto a de estar numa bienal lançando um livro e recebendo o carinho dos fãs?

Eric Novello: Dez anos atrás tudo que eu queria era descobrir se seria capaz de começar e terminar um livro. Eu realmente não sabia que escrever um romance era tão complicado, não tinha as ferramentas que tenho hoje como autor, não tinha a estrutura de uma grande editora por trás, e o mercado era completamente diferente, engessado, diria até que avesso à literatura de gênero. Então ficava difícil prever tudo isso que vem acontecendo. E nem falo de bola de cristal ou projetos utópicos adolescentes. Me refiro a previsões embasadas, porque é claro que sempre queremos o melhor para nós mesmos.

Agora, conforme os anos foram passando, ficou mais fácil enxergar as placas de sinalização gritando “seja persistente e siga por aqui!”, todas apontando para o mesmo caminho. Meu compromisso com a literatura e com o processo criativo é muito grande. É onde eu me encontro como pessoa e como profissional. Não existe Eric sem isso. Então foi só investir no que importa de verdade, que é escrever, e confiar que o restante chegaria.

A experiência da Bienal foi fantástica e, como todo ponto de chegada, tenho certeza que se transformará em um novo ponto de partida para as próximas conquistas.


Cafeína: De onde veio a ideia para Exorcismos, amores e uma dose de blues?

Eric Novello: “Exorcismos” foi uma convergência de múltiplas influências e acontecimentos.

Sempre gostei da possibilidade de trazer elementos de fantasia para a vida contemporânea. Tirá-la dos reinos mágicos e jogá-la no meio da cidade, mesclada a problemas comuns como ntolerância, violência, desemprego. Ficava me perguntando quais seriam as consequências para o mercado de trabalho se um lobisomem pudesse se assumir como tal. Afinal, o cara seria mais forte do que eu, mais ágil do que eu. Em uma guerra, daria um soldado diferente. Como ladrão ou policial, teria suas vantagens sobre uma pessoa comum. Então criei, ainda muito novo, um começo de história passado no Rio de Janeiro que brincava com essa ambientação. Um texto descompromissado que nunca foi pra frente. Anos depois, descobri que esse era um filão bem explorado da fantasia, com vários autores de sucesso lá fora, passei a ler 90% deles, e me tornei um leitor feliz. Para quem havia passado a adolescência lendo Hellblazer e Sandman, encontrar livros aparentados foi como descobrir um novo sabor favorito de sorvete.

Essa história ficou ecoando na minha cabeça e acabou gerando novos personagens. Criei 70 páginas com eles, mas percebi que a história que eu queria contar começava um pouco antes. Pra ser sincero, muito antes! E resolvi ir atrás dela.

Enquanto fazia essa seleção de ideias, comecei a pensar em um título. Eu estava numa crise de “que droga, não sei como chamar o próximo livro, preciso de um título legal” E acabei criando esse nome “Exorcismos, Amores e Uma Dose de Blues”. O passo seguinte foi descobrir o que eu queria desses elementos e se eles cabiam na história que eu estava buscando.

Pesquisar canções clássicas e contemporâneas de blues foi uma inspiração e tanto, não preciso nem dizer, e ajudaram a compor o protagonista do livro, que é o Tiago Boanerges.

Para fechar o ciclo, só faltava fazer uma detox de todos os livros similares que havia lido nos últimos anos. Me afastar de tudo que pudesse me colocar no caminho mais fácil, que pudesse me aproximar do pastiche que a fantasia urbana se tornou. Criar um universo de fantasia com ambientação contemporânea que carregasse 100% da minha identidade como autor levou perto de 5 anos. Pelos primeiros comentários, acho que valeu a pena.


Cafeína: Além do blues, presente por todo o livro, que outras inspirações te “alimentaram” durante a escrita?

Eric Novello: Se formos nos ater ao período de escrita, teve um desafio autoimposto que foi buscar inspiração em imagens. Pesquisar
fotos, arte, cenas estáticas de filmes, ilustrações, e extrair algo dali. Foi difícil para caramba, porque a relação imagem-palavra é mais complexa do que parece. A descrição de uma fotografia nunca é tão boa quanto a fotografia em si. E o mesmo acontece no sentido inverso, se mudarmos a referência de origem.

Essa fruição que eu já conseguia com a literatura, com a música e com o cinema, inexistia na minha relação com as imagens e eu quis quebrar isso enquanto escrevia Exorcismos, Amores e Uma Dose de Blues, o que me levou a criar um tumblr: http://ericnovello.tumblr.com/

O resultado disso só entenderei com o tempo.

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Cafeína: A capa do livro foi uma referência proposital ao Neon Azul ou apenas uma feliz coincidência?

Eric Novello: Foi uma feliz coincidência! Por incrível que pareça, o capista teve a ideia sem conhecer meus trabalhos anteriores.
Cheguei a mandar algumas sugestões para a capa, mas em nenhum momento falei de emularmos o neon dos letreiros.
O que tem ali são diversas brincadeiras com o conteúdo do livro. Easter eggs para o leitor.


Cafeína: Qual sua rotina de escritor? Tem algum “ritual” ou mania?

Eric Novello: Ainda estou na fase de ressaca pós término do livro e Bienal. Por isso a rotina anda inexistente. Mas tudo que eu preciso é saber que terei paz para
escrever durante um período longo, entre 4 e 5 horas. Nisso concordo com o George RR Martin. Não sou muito de aproveitar espaços pingados. Intervalos de meia hora não servem para o modo labiríntico como a minha cabeça funciona. Prefiro escrever uma vez por semana por um tempo longo do que escrever todo dia. Isso vale inclusive para a revisão.

Tem autor que escreve em caderno, no ônibus, no caminho para a casa. Eu não consigo. Não posso ter telefone tocando, gente me chamando, barulho de aspirador de pó. O único liberado para atrapalhar minha concentração aqui no escritório é o Odin, meu maine coon.

Sobre as manias, não sou muito delas. Às vezes preciso de música e às vezes de silêncio para encontrar o tom certo de uma cena. Às vezes preciso sair para andar ou ir à varanda conversar comigo mesmo. Mas são apenas maneiras de organizar os pensamentos.


Cafeína: Pode descrever brevemente seu processo criativo? Faz fichas dos personagens, diagrama uma timeline da estória, usa algum software para auxiliar na estruturação da história?

Quais autores você considera como influência ou referência importantes no seu texto?

Eric Novello: Elvira Vigna foi uma pessoa que me ensinou a enxergar a importância das minúcias, a entender que a posição de uma vírgula muda a relação do leitor com o texto, que a ordem das palavras afeta a experiência de leitura. Em termos instrumentais, ler a Elvira é um aprendizado muito grande.

Eu sempre cito também o JG Ballard, principalmente o Crash, porque foi o livro que me ensinou que o sexo e a sexualidade podiam ser trabalhados em diferentes camadas em uma história. E t em o Philip K. Dick, que admiro de monte por ser um gênio na contestação da realidade.

Dava para incluir um bocado de gente aí. Eu sou o tipo de leitor que forma vínculos fortes com alguns livros. Mais do que os autores, são os livros que são importantes. Minha obsessão por Alice no País das Maravilhas que o diga.


Cafeína: EADB acaba de ser lançado. Já tem algum outro projeto em mente? Se sim, pode contar um pouco a respeito?

Eric Novello: Ando numa fase criativa e tanto. Mas, como diria a River Song, nada de spoilers!
O que posso garantir é mais um livro no universo de Exorcismos, Amores e Uma Dose de Blues para o futuro próximo.


Cafeína: Se você estivesse abandonado numa ilha deserta, sem perspectiva de resgate, diga cinco livros que você gostaria de ter consigo.

Eric Novello: Acho que essa foi a pergunta mais fácil de todas!

  1. Por Escrito, da Elvira Vigna
  2. Ubik, do Philip K. Dick
  3. Crash, do JG Ballard
  4. Alice no País das Maravilhas, do Lewis Carroll
  5. Manual de Sobrevivência numa Ilha Deserta, preciso pesquisar o autor.

Contatos:
Blog/Site: Eric Novello
Tumblr: Estranho Mundo de Eric
Facebook: eric.novello
Twitter: @eric_novello
Instagram: @eric_novello
Spotify: Eric Novello
Google+: Eric Novello

Resenha de “Exorcismos, amores e uma dose de blues”

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Cristine Tellier, no Cafeína Literária

Tiago Boanerges é um mago nada convencional. Responsável por exorcizar oníricos fugitivos do mundo dos sonhos, viu o sucesso escorrer pelos dedos ao cometer um erro em uma missão. Demitido, sem amigos e com uma doença misteriosa, descobriu que a sorte é uma amiga traiçoeira e fugaz. Agora, anos depois de recuperar a saúde e transformar a má fama em uma profissão lucrativa, a sorte parece ter se lembrado dele mais uma vez. Uma proposta de seu antigo chefe pode ser a chance que esperava para dar a volta por cima e colocar a vida nos eixos – mas também mergulhar novamente nas armadilhas de um amor que pode lhe custar a vida.
(fonte: goodreads.com)

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Mesmo que o mundo de EABD seja de certa forma uma versão estendida do ambiente do bar que dá nome a talvez seu livro mais conhecido, Neon Azul, não é necessário ter lido os livros anteriores de Novello para entender este. Mas os que leram terão a satisfação de reencontrar a prosa cativante do autor e terão a oportunidade de adentrar uma vez mais o universo urbano criado por ele, sempre com um pé, ou dois, no fantástico. Brincar com a linha tênue que fica entre realidade e fantasia não é algo fácil de ser feito, e o autor consegue fazer o leitor embarcar nesse universo sem duvidar (muito) da “veracidade” dos fatos.

Há talvez algo que incomode alguns leitores, mas que se mostrou uma boa solução narrativa: evitar explicações demais, descrições demais no início do livro. As entidades fantásticas são mencionadas como se o leitor tivesse conhecimento prévio de sua existência. Vampiros, lobisomens, fadas, metamorfos e até mesmo exorcistas já fazem parte do imaginário popular. Mas o que dizer de efrites, salvaxes, lúdicos, primais? É preciso descobrir durante a leitura. E ser mergulhado no Entremudos e em São Paul… opsss Libertà tem o efeito de desnortear o leitor e ao mesmo tempo atiçar sua curiosidade. Curiosidade que o impele a continuar a leitura – ao menos até que se forme uma ideia minimamente compreensível do que é cada coisa. Para os que não curtirem essa falta de informação inicial, Novello foi bonzinho e incluiu um pequeno dicionário ao final do livro.

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ilustração: Carola Vigna

A narração é em terceira pessoa, mas nem por isso o narrador é onisciente, pois são os passos e os pensamentos de Boanerges que acompanhamos durante a leitura. Mais um motivo para não haver explicações demais no início. Afinal, um exorcista está totalmente familiarizado com as criaturas fantásticas que vivem em Libertá. Contudo, nas excursões ao Entremundos, é através dos olhos da protegida de Boanarges, Julia, uma exorcista aprendiz por assim dizer. Além disso, se Libertà é uma metrópole, carecendo de descrições muito minuciosas (principalmente para leitores paulistanos), o Entremundos só consegue ganhar contornos mais definidos se forem dados mais detalhes sobre sua aparência. Em alguns momentos, diminui a fluidez da leitura, mas não chega a ser um problema.

“É verdade que o Entremundos une características de todos os reflexos conectados a ele?”

“É o que os visitantes dizem. Eu nunca me afastei dos pontos de conexão com Libertà para saber”, respondeu Tiago. “O importante a se ter em mente é: depois do espelho, nossas leis não valem de nada. Então temos de ficar atentos.”

Vale destacar a quantidade de referências a outras obras de fantasia, principalmente Alice no país das maravilhas e Alice através do espelho. É delicioso ir identificando versões “bizarras” de personagens como o Chapeleiro Louco, a Lebre de Março, o Gato de Cheshire, a Lagarta Azul, até mesmo as rosas vermelhas do jardim da Rainha de Copas. Quem conhece o autor um pouco mais de perto, deve achar familiares os nomes de alguns personagens também. Mas a melhor parte é o retorno do Marafo, um boneco com cara de diabrete que mora – ou permanece preso – em uma garrafa.
(Eric, queremos mascotes colecionáveis! 🙂 )

Amantes de filmes e de literatura noir devem se deliciar com a leitura. Todos os elementos estão ali: caras durões e de raciocínio rápido (não exatamente príncipes encantados), muitos crimes, muitos suspeitos, pistas inconclusivas, falsas suspeitas, momentos de ação quase alucinante, autoridades corruptas e, não poderia faltar, a femme fatale. O clima da narrativa é tão característico desse gênero que é quase possível perceber nuvens encobrindo a cidade todo o tempo ou visualizar Boanerges como um Sam Spade “sobrenatural”, faltando apenas o chapéu fedora e o cigarro no canto da boca. E complementando o clima noir, blues, muito blues. “Blues all over the place”. O leitor que ficar com vontade de montar uma playlist com as músicas que aparecem na história não precisa fazê-lo. A playlist já está pronta no Spotify. Testada e aprovada, simplesmente ótima para acompanhar a leitura: http://open.spotify.com/user/eric_novello/playlist/496UB8fvvb7OJheQ60JTAQ

Bienal aposta em novos autores da literatura fantástica nacional

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Visitantes na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo no Pavilhão de Eventos do Anhembi. EFE

Visitantes na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo no Pavilhão de Eventos do Anhembi. EFE

Rodrigo Casarin, no UOL

Nesta quinta-feira (28), às 18h, a Bienal Internacional do Livro de São Paulo realizará a mesa “Literatura Fantástica – a fantasia ganhando espaço”, com os escritores Affonso Solano, Carolina Munhóz e Raphael Draccon. O título da conversa soa bastante oportuno, principalmente se observarmos como a literatura feita com dragões, magos, vampiros, gnomos, elfos e outros seres do tipo ocupa a Bienal. São diversos eventos que tratam do gênero. “A Bienal é o evento de literatura mais popular do país. Por essa característica, atrai o público que ama a cultura pop, onde nós incluímos a maioria do público jovem, principal consumidor da literatura fantástica”, diz Draccon, autor da bem-sucedida trilogia “Os Dragões de Éter”.

André Vianco, um dos principais nomes do segmento, tem uma opinião complementar. “Parece que grande parte dos organizadores, curadores de feiras e eventos do mercado do livro se renderam à fantasia vendo o grande número de leitores que os escritores do gênero atraem para os eventos”. Já Eduardo Spohr, outro autor de destaque, enxerga essa presença como uma consequência da força que o nicho possui. “Ele não está só na Bienal, mas em diversos eventos que têm se espalhado pelo Brasil. Não me refiro só aos com organização oficial, mas falo também de clubes de livros e de encontros agendados por donos de blogs, por exemplo. A internet tem se tornado uma belíssima ferramenta de comunicação para os amantes da literatura, e o legal é ver que essas pessoas também têm se reunido ao vivo, para trocar ideias e experiências.”

Além de discussões e encontros de leitores, analisando a programação oficial do evento e das editoras é possível encontrar dezenas de lançamentos de autores nacionais do gênero. O próprio Draccon é um dos que apresentará seu novo livro, “Cemitérios de Dragões”, ao público na Bienal, no sábado, dia 30, com direito a show de cosplay. Por lá, Carolina Munhóz, sua parceira de mesa, já lançou “O Reino das Vozes que Não se Calam”, escrito em co-autoria com a atriz Sophia Abrahão. Algumas outras novidades são “Átina Black e o Império de Cronos”, de Valentine Cirano, “Eterno Castigo”, de Kizzy Ysatis, “Sombra de um Anjo”, de Ana Beatriz Azevedo Brandão – uma menina de 14 anos – e “Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues”, de Eric Novello.

Capa do livro “Exorcismos, Amores e Uma Dose de Blues”, de Eric Novello, aposta da nova literatura fantástica

Apostas
Novello é apontado por Draccon como um dos nomes do gênero que devem despontar com força em breve. Outro que o indicou como grande promessa foi Felipe Pena, escritor, doutor em Letras e organizador da coletânea “Geração Subzero”, que deu destaque a muitos autores do segmento. “Ele tem perfeito domínio da narrativa, não é óbvio e conhece bem seu instrumento de trabalho, que é a língua portuguesa”, declarou Pena.

Quem também é indicada como alguém a se prestar atenção é Bárbara Morais, autora de “A Ilha dos Dissidentes”, que, na Bienal, lança “A Ameaça Invisível”. “Ela honra a tradição feminina que se vê hoje em dia na literatura internacional em relação às distopias”, diz Draccon. “Ela se inspira em distopias e mutantes (X-Men) para falar de segregação social e abordar diversidade étnica e sexual”, argumenta Novello.

Felipe Castilho, autor de “Ouro, Fogo e Megabytes”, que faz fantasia a partir do folclore brasileiro e já começa a ser lido até mesmo em escolas, é outra aposta. Vianco o considera um exemplo de quem sabe dar caráter nacional a um gênero bastante influenciado pelo que é feito no exterior. ” A maioria das obras lançadas soa muito como emulação de franquias de mercado norte-americano e inglês, faltando brasilidade nos livros. Ainda que o autor eleja criaturas tradicionais do folclore estrangeiro, é preciso pôr uma tinta brasileira nesses bichos, é preciso inventar com mais coisas daqui, como faz bem o Felipe.”

Ao ser perguntado como está a literatura fantástica no Brasil, Vianco se queixa da ausência de ousadia. “Por incrível que pareça, acho que falta um pouco de invenção”. Entretanto outros autores têm uma visão mais positiva. Draccon diz que ela está “consolidada, seja na confiança dos leitores ou dos editores”, enquanto Pena define o momento como “pulsante”. “É o gênero que mais cresce. As editoras estão investindo, novos escritores estão aparecendo e os leitores continuam aumentando.”

Nos últimos anos, com o crescimento do interesse do leitor brasileiro pela fantasia – em muito graças a adaptações para o cinema e televisão, como “O Senhor dos Anéis” e “Game of Thrones”, e do sucesso de séries como “Jogos Vorazes” ou até mesmo “Harry Potter” –, o nicho despertou real interesse das editoras. Uma prova disso é que duas importantes casas, a Rocco e a Leya, recentemente criaram selos (Fantástica Rocco e Fantasy – Casa da Palavra, respectivamente) para abrigar esse tipo de livro. Outras já haviam feito movimento semelhante, como a Record, que publica obras do gênero pelo Galera Record.

A trinca fantástica
Se o momento da literatura fantástica nacional é de efervescência, isso muito se deve a Vianco, apontado como principal representante do gênero. Seu primeiro romance, “O Senhor da Chuva”, saiu em 1998 e foi sucedido de “Os Sete”, de 1999, que teve a primeira edição bancada pelo próprio autor, mas despertou atenção do mercado editorial. Com narrativas normalmente protagonizadas por vampiros, a partir de então vieram títulos como “O Vampiro – Rei” e “Vampiros do Rio Douro”. Se somados todos seus títulos, Vianco já vendeu acima de 900 mil exemplares. Mais do que isso, foi uma espécie de abre-alas para que diversos autores pudessem ter seu espaço.

Outro que despontou com uma força estrondosa é Eduardo Spohr, que em 2010 lançou “A Batalha do Apocalipse”. Para compor a obra – sucedida de títulos como “Filhos do Éden” – o escritor criou uma espécie de mitologia própria, em movimento semelhante ao feito por J.R.R. Tolkien em “O Senhor dos Anéis”. Spohr já ultrapassou a marca dos 600 mil livros vendidos, entretanto, procura afastar os holofotes de si mesmo. “Os principais nomes da nossa literatura são e sempre foram os leitores, não os autores. Os autores são apenas coadjuvantes nesse processo. São os leitores que movimentam essa máquina e que nos permitem continuar trabalhando”.

Quem completa a trinca fantástica dos principais escritores do gênero no país é Raphael Draccon. Sua obra de maior destaque é a série “Dragões do Éter”, que já vendeu cerca de 300 mil exemplares. Draccon credita muito de seu sucesso justamente à Bienal, em especial à edição de 2010. “Era a estreia da editora Leya no Brasil, com um espaço modesto, num canto do pavilhão, e nós transformamos aquilo em uma Comic-Con, com a presença dos personagens, vikings entoando gritos de guerra com o público, bruxa com a pele derretida sendo maquiada ao vivo e animação passando na TV. Era uma aposta arriscada, mas o estande virou uma loucura!”. Assume também que não teria oportunidade melhor para marcar a sua estreia na Rocco. “A Bienal de São Paulo foi e sempre será o evento da minha vida”.

Sobre a Bienal
Com o tema de “Diversão, cultura e interatividade: tudo junto e misturado”, a 23ª Bienal do Livro de São Paulo, que vai até o dia 31 de agosto, no Pavilhão de Eventos do Anhembi, é um dos mais importantes do mercado livreiro e literário em toda a América Latina. Conta com 1.500 horas de programação e mais de 400 atrações, dentre elas nomes reconhecidos internacionalmente, como Harlan Coben (“Confie em Mim”), Ken Follet (“Os Pilares da Terra”), Sally Gardner (“Coriandra”), Kiera Cass (“A Seleção”) e Hugh Howey (“Silo”), Cassandra Clare (“Os Instrumentos Mortais”) e Sylvia Day (“Toda Sua”).

Os ingressos para a Bienal, que dão acesso ao Pavilhão do Anhembi, custam entre R$6 e R$14 – dentro do espaço, toda a programação cultural é gratuita, com sendo que os bilhetes para cada evento devem ser retirados com no mínimo 30 minutos de antecedência. O evento conta com  300 expositores, que representarão 750 selos editoriais. Nos dez dias de evento, são esperados mais de 700 mil visitantes, que, para chegarem ao Anhembi, podem utilizar ônibus gratuitos que saem das estações de metrô do Tietê e da Barra Funda (desta segunda, apenas nos finais de semana). Toda a programação oficial pode ser conferida no site www.bienaldolivrosp.com.br.

Autor de ‘Game of Thrones’ rejeita pedido de sexo nos livros

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Fãs sentem falta de cenas mais quentes na série de ‘A Guerra dos Tronos’. George R. R. Martin diz que seu universo criativo ‘não é uma democracia’

O autor de 'Game of Thrones', George R. R. Martin (Reprodução/VEJA)

O autor de ‘Game of Thrones’, George R. R. Martin (Reprodução/VEJA)

Quem conhece Game of Thrones apenas pela TV não imagina que os livros que inspiraram a série, reunidos sob o título de As Crônicas de Gelo e Fogo, são quase pudicos perto dos episódios produzidos e exibidos pela HBO. E assim podem permanecer. Assediado por fãs que querem entender por que seus livros têm menos sexo que a série televisiva que eles inspiraram, e se poderão ter mais, o autor de A Guerra dos Tronos, George R. R. Martin, foi categórico. “Meus livros não são uma democracia”, disse, em conversa com fãs no festival literário de Edimburgo, na Escócia, na noite desta segunda-feira.

De acordo com o autor, a temperatura erótica dos livros só vai subir se a trama assim demandar. Mas é difícil que aconteça porque no papel a história é narrada através do ponto de vista de alguns personagens, o que a torna mais limitada que os personagens da TV. Como nenhum dos personagens cujo ponto de vista é usado na narrativa é gay, por exemplo, não há cenas explícitas de sexo entre homens nos livros. “Este é o jeito como eu gosto de escrever porque é o jeito como experenciamos a vida. Você me vê a partir do seu ponto de vista, e desse ponto de vista você não enxerga o que outros veem”, disse Martin, que contou receber cartas e cartas de fãs — especialmente de mulheres — pedindo cenas de sexo entre homens.

“Mas não posso inserir cenas de sexo simplesmente porque me pendem. Não é uma democracia. Se fosse uma democracia, então Joffrey (o menino rei sádico) teria morrido muito antes do que ele fez”, continuou o escritor, segundo matéria do jornal britânico The Guardian, que cobriu o festival de Edimburgo.

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