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Literatura de suspense e terror marca presença na 25ª Bienal do Livro

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Os americanos A. J. Finn, autor de “Mulher na Janela”, e Charlie Donlea, de “A Garota do Lago”, participam pela primeira vez do da Bienal Internacional do Livro de São Paulo

Publicado no 24 Horas News

A literatura de suspense e terror tem ganhado cada vez mais fãs ao redor do mundo. No Brasil não é diferente e, para contemplar os leitores assíduos, dois grandes escritores do gênero estarão pela primeira vez no país e participarão da 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em agosto.

A. J. Finn, autor de “A Mulher na Janela”, que ganhará as telas de cinema com Amy Adams no papel principal, e Charlie Donlea, autor de “A Garota do Lago” e “Deixada para trás”, sobem ao Palco Cultural do evento para conversar com o público sobre a literatura de suspense e terror. A ideia é abordar o encantamento que suas histórias produzem nos leitores e a construção das narrativas.

No dia 5 de agosto, às 13h30, A. J. Finn, cuja obra faz sucesso mundo afora e foi vendida para mais de 30 países, se apresenta. Já no dia 8 de agosto, às 16h, é a vez de Charlie Donlea, que estreou há apenas dois anos na literatura e recebeu resenhas fervorosas de grandes nomes nos EUA, entre eles, Mary Kubica. Seus livros no Brasil já alcançam a marca de 150.000 exemplares vendidos. Ele vai contar sobre suas inspirações, falar dos dois primeiros livros e lançar seu novo Thriller, “Don’t Believe IT”.

Outra boa notícia para os fãs do gênero literário é que foi fundada, em janeiro deste ano, a Aberst (Associação Brasileira de Escritores de Romances Policial, Suspense e Terror), que logo criará uma premiação anual para autores do segmento, a exemplo do que acontece em outros países. Esta é uma forma de incentivar a produção da literatura de suspense e terror.

Realizada de 3 a 12 de agosto pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), a 25ª edição marca os 50 anos da Bienal. Durante os 10 dias de evento, os visitantes poderão viver experiências culturais diversas e ter contato direto com autores, em bate-papos e palestras exclusivas.

Com a assinatura “Venha fazer esse download de conhecimento”, a campanha deste ano enfatiza a importância do diálogo, da abertura de perspectivas e busca de novos conceitos. Os debates na Arena Cultural irão abordar desde a literatura infantil, até a literatura de suspense e terror.

Fonte: IG Gente

Príncipe Harry dá livro raro de R$ 41 mil para o sobrinho, o príncipe Louis

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O pequeno ganhou um clássico da literatura infantil inglesa – Foto: Divulgação

Juliana Gomes, na Folha de Pernambuco

O príncipe Harry fez a linha tio fofo e fez questão de dar um presentão de batizado para o sobrinho mais novo, o príncipe Louis. Ele pagou £ 8 mil (R$ 41 mil) por uma primeira edição do clássico da literatura infantil inglesa, “Winnie-the-Pooh”, publicado pela primeira vez em 1926. Naquela época, apenas 30 mil cópias da obra chegaram às livrarias de todo o mundo. E da leva original, as que restaram são consideradas relíquias.

Winnie-the-Pooh – Crédito: Divulgação

Peter Harrington foi o responsável pela venda. Ele é especializado em livros raros e tem um ateliê no Kensignton, bairro nobre da capital inglesa. Em algumas entrevistas, Harry já disse que uma das melhores memórias que tem da infância são as historinhas que ele ouvia da mãe, princesa Diana, antes de dormir.

Segundo o “The Sun”, o príncipe Harry considerou comprar a primeira edição original de “Aline Através do Espelho”, de Lewis Carroll, mas acabou desistindo. Mas não foi por causa do preço – o triplo do que ele acabou levando –, mas por considerar que as aventuras do ursinho eram mais cativantes para o pequeno.

Mudanças no Jabuti deixam autores e editores revoltados

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Para Roger Mello, colocar a ilustração infantil em categoria técnica é desconsiderar o potencial da linguagem
(foto: Arquivo Pessoal/Divulgação.)

Reações provocam a renúncia do curador

Nahima Maciel, no Correio Brasiliense

As mudanças anunciadas pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) para a 60ª edição do Prêmio Jabuti, em maio, ganharam repercussão que resultou na renúncia do curador, Luiz Armando Bagolin, e ameaça de boicote entre os autores e editores. Nas redes sociais, muitos revelaram que desistiram de inscrever seus livros este ano, em resposta à decisão da CBL de não voltar atrás no novo regulamento.

Entre as mudanças no prêmio, um dos mais tradicionais de literatura do Brasil, estão a fusão das categorias infantil e juvenil e a transferência de ilustração para Livro, categoria técnica que abrange ainda Projeto Gráfico, Impressão e Capa. A novidade desagradou a autores e artistas que trabalham com literatura infantojuvenil. Eles acusam a CBL de ignorar as especificidades da produção para jovens e crianças e a diferença entre a ilustração técnica e aquela carregada de simbologia e narrativa.

Autora de mais de 40 livros, boa parte deles infantojuvenis, Marina Colasanti diz que ficou muito surpresa com as novas regras do Jabuti. Ela recebeu um comunicado da editora Brinque-book, pela qual publica alguns livros, sobre a decisão de não participar do prêmio este ano. “Não há uma pessoa na área que não tenha se surpreendido, que não seja contra essas modificações”, garante Marina.

Segundo ela, a CBL cometeu um equívoco ao juntar as categorias infantil e juvenil. “É um desconhecimento do que seja a literatura infantil como suporte para a estruturação da leitura. Essa estruturação se dá por etapas com o livro infantil, o juvenil e o adulto. Juntar dois desses degraus é absurdo”, lamenta. “O raciocínio seguramente foi: ‘a área tem três prêmios, vamos tirar dois’. Mas a área não tinha três prêmios. A área é composta de três segmentos, e cada segmento tinha um prêmio. Não entender isso é desconhecer a área.”

Uma das justificativas da CBL para a redução das categorias é a extensão da cerimônia de premiação, muito longa e enfadonha. “Mas o meio que se encontra para fazê-lo testemunha um preconceito contra a literatura infantil e juvenil que perpassa toda a literatura. Esse preconceito existe, embora o mercado seja muito favorecido pelo segmento”, diz Marina. Para Paula Pimenta, autora que é febre entre jovens leitoras, a fusão não deveria ter ocorrido.

“São duas categorias diferentes e acho injusto que entrem em uma mesma avaliação. Não tem como equiparar um livro de 20 páginas, ilustrado, com um de 200 em texto corrido. Cada um tem suas qualidades, é como colocar dois produtos diferentes para concorrer em um mesmo segmento, gera uma comparação indevida”, diz Paula.

Na carta em que renuncia ao cargo, Bagolin acusa os autores e editores de defenderem interesses pessoais e mercadológicos: “Mas o que realmente importa em minha divergência é alertar para o fato de que há indivíduos que estão agindo contra o novo projeto apenas para defender interesses pessoais e comerciais e não pela possibilidade de prestar uma colaboração desinteressada ao Prêmio Jabuti”. Ele diz que a CBL tem perfeito conhecimento das diferenças entre a produção infantil e juvenil e cita o maior prêmio da área, o Hans Christian Andersen, que tem apenas a categoria infantojuvenil, como referência.

“Não há que eu saiba atualmente nenhum manifesto ou mobilização de nossos autores, ilustradores e editores para que haja uma mudança no Hans Christian Andersen. Ao contrário deste prêmio, contudo, o Jabuti não é voltado exclusivamente seja à literatura infantil, seja à juvenil, seja à ilustração infantil”, escreve. Este ano, Jabuti ficará sem curador.

Marina Colasanti: “Não há uma pessoa na área que não tenha se surpreendido, que não seja contra essas modificações”
(foto: Divulgação )

O escritor Alexandre Castro Gomes, autor de livros infantis, lembra que o gênero já ganhou três Hans Christian Anderesen, o Nobel da área, e é reconhecido no mundo inteiro, mas sofre no Brasil. “A gente não pode exigir nada do Jabuti, porque o prêmio não é nosso, mas a gente pode defender a literatura infantojuvenil. Como pode eles estarem defendendo a formação de leitor quando o jovem leitor está perdendo espaço? Acho que isso é um reflexo de querer didatizar a literatura e a arte, de querer colocar todo mundo na mesma caixa”, diz.

Preconceito

Para Tino Freitas, autor de Brasília, a junção das categorias representa ainda um preconceito em relação ao livro para crianças e jovens. “Por ser infantil, é colocado como pueril e fútil. Infantil e juvenil são dois estilos completamente distintos. É impossível pensar como se fosse uma categoria só. É como premiar romance com poesia”, sugere.

A polêmica começou há quase um mês, quando Volnei Canônica, especialista em infantojuvenil e autor de uma coluna sobre o tema no site Publishnews, criticou as mudanças no prêmio em dois textos nos quais argumenta, também, sobre os critérios de avaliação expressos no regulamento. Em uma reação publicada em post no Facebook, o curador do Jabuti, Luiz Armando Bagolin, ofendeu Canônica ao escrever que ele “se promove como especialista e surfa ao sabor das opiniões” e ao afirmar que o colunista faz a “defesa indefectível de seu amor, Roger Mello. Afinal, hoje é Dia dos Namorados. Beijos a vocês”.

Acusado de ser homofóbico, Bagolin acabou por pedir demissão e, em outro comentário nas redes, acusou os autores de serem cabotinos e de promoverem reserva de mercado ao criticar a redução de possibilidades de ganhar o prêmio. “Em nenhum momento o curador ou a CBL combateram meus argumentos com argumentos. Houve sim uma ofensa pessoal. Mas nunca houve uma argumentação”, lamenta Canônica.

Na semana retrasada, ele participou de uma reunião com o presidente da CBL, Luiz Antônio Torelli, e com o próprio Bagolin, então curador, para apresentar uma carta assinada por 360 autores e artistas — entre eles Ziraldo, Maria Valéria Rezende e o próprio Roger Mello. No documento, os autores apontam três aspectos do prêmio para os quais sugerem mudanças. A CBL alegou ser muito tarde para novas regras, mas aceitou falar dos critérios. “Muitos conceitos que estão nos critérios de avaliação são ultrapassados e retrógrados”, explica Canônica. “Eles colocam, por exemplo, a ilustração como prestadora de serviço para a palavra.”

Ilustração

Para os ilustradores, colocar a ilustração infantil em categoria técnica é desconsiderar o potencial da linguagem. “A ilustração tem um papel muito importante e existe uma responsabilidade de fazer um livro para um jovem. Claro que o jovem vai ler tudo, mas existe uma área de interesse que não é preparar para ler um livro adulto, é entender esse momento. E o Brasil está cheio de escritores excelentes desse segmento e ele está sendo ignorado”, aponta Roger Mello.

Ele lembra que o Jabuti é um prêmio do mercado e que os jovens lotam as feiras e bienais, o que torna ainda mais inexplicável a redução de categorias. “É como se os jovens não existissem”, lamenta.

Para Mariana Massarani, que já ilustrou mais de 150 livros infantis e também é autora, a ilustração não é apenas um detalhe técnico do livro. “Antes do texto, vem a ilustração. Às vezes, você pode ter um livro genial sem texto e outros em que a ilustração e o texto se completam”, explica. “O pessoal do Jabuti não entendeu o valor da ilustração. E é curioso, porque o prêmio sempre foi muito mais valorizado pelo pessoal do infantil do que do adulto.”

É preciso encantar a criança para ela preferir um livro ao YouTube, diz blogueiro

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Ygor Salles, na Folha de S.Paulo

Mateus Luiz de Souza

É missão dos pais e dos educadores fazerem crianças e adolescentes se interessarem por livros e literatura. Mas é preciso mais criatividade do que apenas um “isso é importante para seu futuro”.

É sobre esse desafio (e outros assuntos, claro) que fala o jornalista Bruno Molinero, do Era Outra Vez, sétimo convidado do Fale, blogueiro, programa de entrevistas com blogueiros da Folha no Instagram Stories.

Confira os melhores trechos.

Passamos por uma crise nas vendas de livros, inclusive de literatura infantojuvenil. Quais os motivos?
A gente deixou de vender porque o país passou e está passando por um momento econômico delicado. O país deixou de vender carro, deixou de vender carro, casa, e livro. Mas é um problema estrutural um pouco maior. O livro para criança está inserido dentro de um conceito maior, não dá para analisar só ele como se estivesse numa redoma de vidro. Tem um problema de estrutura de escola, em que tem uma massa de pai que não lê, professores que não leem, crianças que não leem, aí partir daí produz e vende menos livros porque não tem quem leia. Tem também um problema histórico: o Brasil começou a ter imprensa, e a produzir livro, muito tarde. Não é exagero dizer que estamos nos acostumando a fazer isso, é um processo histórico que é lento. Tem desigualdades econômicas, desigualdades sociais, um monte de coisa que influencia nessas quedas.

E no exterior, como é?
O mercado dos Estados Unidos e a Europa ocidental (Portugal, Itália, Inglaterra, Alemanha) tem um mercado muito forte para criança, é um setor muito valorizado. Dá de dez a zero no nosso, cifras, valores, quantidade de títulos, a qualidade do papel, a impressão, eles estão num estágio mais avançado sem dúvida. A Feira de Bologna, na Itália, é muito famosa, é lá que é revelado o Prêmio Hans Christian Andersen, o Nobel da literatura infantil.

Autores e editores criticam governo por fixar temas em edital de livros. Poderia explicar?
O governo brasileiro sempre foi um grande comprador de livros –até pouco tempo atrás era o maior. Mas no fim do governo Dilma, no bojo da crise econômica, o antigo edital de livros para escolas foi extinto e não se comprou mais livros. E o que parecia uma boa notícia –o governo lançou o PNLD Literário (Programa Nacional do Livro Didático), que teria também livros de literatura. Só que aí editores, autores, ilustradores viram a regra do edital, acharam um pouco complicado, pois, segundo eles, havia uma mistura do que era literatura e o que era escola. Tem que falar sobre a descoberta da juventude, sobre a relação com os amigos, sobre descobrir a si mesmo. Se você quer um tema fora do edital, você tem que explicar e justificar porque quer falar sobre isso. O que autores reclamam é que primeiro você cria uma moral da história para depois criar uma história, e isso é um pensamento inverso do que é produzir literatura. Fora isso, tem uns tamanhos determinados, então qualquer livro fora desse tamanho ou é adaptado ou não vai pode participar ou ser comprado pelo governo.

A literatura, inclusive de crianças, deseja interpretações, reflexões. Nos livros de hoje, elas são muitas vezes menosprezadas?

Eu não diria um menosprezo. Há muitos livros bons publicados, de alta literatura, escritores ótimos, ilustradores ótimos, mas também tem uma massa de livro que se encaixa um pouco nisso que a Sandra Medrano falou, em que o objetivo, a moral da história, por que você quer ensinar a criança a ser uma pessoa virtuosa, isso se sobressai. É um livro que o autor senta e fala, puts, “preciso ensinar a criança a escovar o dente”, então a partir dessa moral ele vai lá e cria uma história, ou reciclar o lixo, aquecimento global, só temas caros ao mundo contemporâneo, e fica uma história um pouco manca. Você não tá criando algo novo, algo que quebra expectativa, você não está fazendo literatura, você está fazendo alguma coisa que carrega uma moral para criança ser melhor, para o professor usar na escola, aí a escola olha “que legal esse livro que ensina a criança a escovar os dentes, vamos comprar”, aí o autor vende mais livros, acaba sendo um problema estrutural.

A Jout Jout pegou, falou sobre o livro inteiro e o que em tese poderia ser ruim foi incrível pra editora, houve aumento de mais de cem vezes no pedido do livro nas livrarias. Agora, é ruim quando é preciso esse fator externo pra um livro infantil ganhar as manchetes, não?
Você pode ver por esse lado, em que talvez precise de um fator externo para estimular as vendas, mas eu enxergo por outro lado, que bom que ela escolheu falar sobre livro pra criança e isso acabou sendo divulgado, e vendeu, e transformou o Shel Silverstein conhecido no Brasil, um livro antigo. Eu adoraria que caixas de sabão em pó tivesse coisas sobre livro, que toda vez que você comprasse algo no mercado viesse uma resenha de livro infantil. Talvez pouco a pouco o livro se tornaria algo mais do dia a dia da criança. Acho que a Jout Jout fez um serviço super importante pros autores, pros ilustradores, pras crianças, porque realmente é um livro legal, é pouco óbvio, literariamente muito bom, sem formulazinhas para ser educativo, se propõe a fazer literatura.

Como a tecnologia é retratada nos livros infantojuvenis?
Na verdade, todo assunto e qualquer assunto pode ser tema de um livro. A tecnologia claro aparece, até porque quando você fala de criança, a fantasia, a tecnologia, o futuro, sempre pode ser um tema, é fácil de encontrar. Talvez a grande questão da tecnologia dentro da literatura para criança seja a questão do livro digital. Aí sim, é um mercado que não está em expansão, mas também parece que não está em retração, existem exemplos legais de editoras digitais especializadas, é um mercado interessante. Mas também existe muita coisa estranha sendo feita, como um mero PDF, que só vira a página, que você não entende porque aquilo não está sendo impresso, talvez só por uma questão de custo. E mais uma vez comparando com fora, lá temos grandes exemplos de bons livros digitais sendo feitos, e podem ser baixados aqui se você lê em outra língua, inglês principalmente.

Qual a influência da família no processo de ler da criança?
É muito mais natural, simples e fácil você ter um pai leitor, um professor leitor, um tio leitor, um padrinho leitor, que faz a criança se tornar leitora, porque vai sentar com a criança, vai contar aquela história, a criança vai se encantar pelo livro, pela literatura, e a partir daí ela vai aprender a ler, e claro, não é obrigatório, pode acontecer mil coisas pelo caminho, é tudo muito nebuloso, mas é muito mais provável que ela se torne um adulto leitor, e o filho dele se torne uma criança leitora, do que ela por si só e espontânea vontade aos 10 anos entrar numa livraria e comprar o livro. Então o pai, o professor, o mediador, são extremamente importantes nesse aspecto porque mostra possibilidades. A isca tem que ser jogada de alguma maneira.

E ler para bebês? Você recentemente entrevistou Yolanda Reyes, escritora colombiana especialista em formação de leitores.
Segundo ela não tem uma fórmula exata e direta. Não quer dizer que bebês que ouviam livros, os pais contarem histórias, ele vá se tornar um adulto leitor, ou um escritor, mas, segundo ela, é algo muito importante para o bebê, que tem a necessidade de ouvir a sua língua, e ouvir a literatura, porque é a língua mais ritmada, como se fosse a música, a partir daí ele toma esse contato, há uma aproximação entre pais e filhos, no colo, e a partir daí ele cresce e consegue ler, sentar, e aí é aquilo que a gente já conversou, abre mais possibilidades para ele ter um emprego melhor, ganhar mais dinheiro.

Fui falar com uma amiga minha que tem uma irmã de dez anos e ela deu um depoimento super interessante. “Pior que até minha irmã que era rata de leitura foi seduzida pelos vídeos no Youtube”. Como lidar com isso, Bruno?
Não existe uma resposta. Não sei se tem que enfrentar. O vinil não destruiu o CD, a TV não destruiu o cinema, o vídeo do YouTube ou a live no Instagram não vai destruir a literatura. Agora, é questão do pai que está ali no dia a dia, do professor, insistir, tentar fazer com que a criança volte a pegar o livro, leia. Não com um papo chato “isso é importante para seu futuro”, mas tentar encantar a criança para que ela continue lendo, porque de fato isso é importante para o futuro dela.

2017 não foi um ano fácil para arte e literatura. Livros infantis foram retirados de escolas e livrarias por pressão de grupos que os acharam impróprios –e isso dos dois lados. Isso continua?
A literatura para criança não está inserida dentro de uma redoma de vidro em que não tem contato com o que está acontecendo fora. É um contexto que começou já há algum tempo, foi mais forte no ano passado, e continua acontecendo de censurar livro. Estamos passando por um momento em que a arte, a produção literária, de teatro, ela vive um patrulhamento tanto de grupos de direita quanto de esquerda, ou afirmativos, que acham que aquilo desrespeita uma minoria ou um grupo e prefere, em vez de procurar a Justiça, eliminar uma obra. Isso acaba caindo na literatura para criança, é inevitável. Isso acontece, continua acontecendo e acho que é um tempo um pouco instável. Tem que ficar de olho, e, sempre que acontecer, noticiar e refletir sobre isso, acho que esse é o papel da imprensa.

E livros sobre Karl Marx para crianças ou biografias para adolescentes sobre feminismo, qual sua opinião?
Esses dois exemplos têm uma pegada mais informativa. O de Marx adapta para um livro infantil as ideias do filósofo, e do grupo feminista pega algumas mulheres importantes do mundo e do Brasil e faz uma pequena biografia para que sobretudo meninas fiquem conhecendo mulheres importantes, e despertem sentimento feminista, de simpatia a outras mulheres, e de empoderamento, essa palavra do ano. Eu acho interessante. Do ponto de vista de mercado é legal, você tenta achar novos públicos, pois talvez uma menina que nunca leu queira ler aquela matéria ou aquele livro porque acha o tema interessante. Do ponto de vista pessoal, de alguém que faz crítica de livro, eu só acho que tem que tomar cuidado para o livro não se tornar um panfleto, não ser alguma coisa de um partido político, que aí foge da proposta.

Um milhão de exemplares infantojuvenis deixaram de ser publicados em 2017

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Pétala Lopes/Folhapress

Bruno Molinero, no Era Outra Vez

Quando comparamos a publicação de literatura infantil e juvenil em 2016 e em 2017, mais de um milhão de exemplares deixaram de chegar às livrarias e a outros pontos de venda.

Os números vieram a público nesta quarta-feira (2), com a última edição da pesquisa “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro”.

O levantamento, encomendado pela CBL (Câmara Brasileira do Livro) e pelo Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livros), mostra que em 2017 foram produzidos cerca de 16 milhões de exemplares de literatura infantil. Entre os juvenis, foram 9,7 milhões.

Já no ano passado os números foram 16,6 milhões (crianças) e 10,2 milhões (adolescentes). Uma redução de quase 1,2 milhão.

A queda está inserida em uma retração geral do mercado de livros no país. Em 2017, foram lançados por volta de 393 milhões exemplares no geral –contra 427 milhões em 2016. Ao todo, o setor sofreu uma retração de 1,9% no faturamento, em valores nominais. Descontada a inflação, a queda chega a 4,8%. É o quarto ano seguido de movimento negativo, com faturamento de R$ 5,1 bilhões.

Mesmo assim, como mostrou a reportagem de Mauricio Meireles na Ilustrada, o setor espera reverter o cenário neste ano. “O que temos visto agora em 2018 é que os dados vão melhorar. Tivemos um primeiro trimestre bastante favorável”, afirmou Marcos Pereira, presidente do Snel e diretor da Sextante.

Curiosamente, como o cenário geral é ruim, a participação da literatura infantojuvenil frente ao mercado obteve uma leve melhorada. Os livros para crianças representaram no ano 4,07% do total de publicações. Os juvenis chegaram a 2,46%. Em 2016, esses números eram de 3,89% e de 2,39%, respectivamente.

Toda essa numeralha pode ser resumida em uma frase: o mar não está para peixe para as editoras que se dedicam a publicar literatura infantojuvenil. Sobretudo porque esses títulos ainda têm vendas muito dependentes do governo –o que anda cada vez mais raro. Juntos, programas de compras governamentais apresentaram, em 2017, queda nominal de 13% em faturamento e de 15% em exemplares comprados.

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