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Conheça destinos turísticos famosos da literatura

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Publicado no Massa News

Ler é viajar. Mas que tal viajar de fato para lugares que servem de cenário para importantes obras da literatura mundial? Amantes dos livros e de turismo podem ficar bastante motivados a conhecer os locais que inspiraram seus autores favoritos quando a leitura termina. Por isso, selecionamos alguns destinos imperdíveis para amantes de literatura que não só querem conhecer mais sobre suas histórias preferidas, mas também aproveitar cidades turísticas e tudo o que elas têm para oferecer.

Como alguns destinos são internacionais, é preciso planejar a viagem com antecedência, principalmente na hora de procurar por passagens aéreas. Uma forma de conseguir bons preços é emitir passagens por meio de programa de fidelidade, o que gera boa economia.

La Mancha, Espanha (“Dom Quixote”, Miguel de Cervantes)

“Dom Quixote” é um clássico de Miguel de Cervantes, escrito no início do século XVII, que conta a história de um anti-herói: um pequeno fidalgo castelhano que enlouquece após ler muitos romances de cavalaria. O livro se passa na região de La Mancha, um semi-árido na Espanha central, caracterizado por sua vegetação ressequida e inúmeras colinas. A icônica cena de Dom Quixote lutando contra moinhos de ventos, em delírio, torna-se real numa visita à região, especialmente aos locais que mantêm moinhos medievais, como a “Ruta de Don Quijote” – percurso feito pelo personagem -, o Campo de Criptana e Consuegra.

Kyoto, Japão (“Memórias de uma gueixa”, Arthur Golden)

A obra de Arthur Golden “Memórias de uma gueixa”, publicada em 1997, inspirou o filme homônimo de grande sucesso, mas sua história também tem inspirado uma série de turistas curiosos pela cidade de Kyoto, onde se passa o enredo. Kyoto é sinônimo do passado e da cultura japonesa e nos remete diretamente ao livro. São milhares de templos budistas, 400 santuários e diversos monumentos tombados como Patrimônio da Humanidade. No distrito de Gion, é possível visitar as casas de chá na rua Hanamikoji, onde se desenvolve uma parte da vida de Sayuri, personagem principal do romance.

Ilhéus, Bahia (“Gabriela, cravo e canela”, Jorge Amado)

A história de “Gabriela, cravo e canela”, de Jorge Amado, tem como cenário a super turística cidade de Ilhéus. Publicado em 1958, é um dos mais célebres romances da literatura nacional e tem os acontecimentos sociais e políticos da cidade como fios condutores do enredo. Em Ilhéus é possível conhecer praias e toda a beleza natural da cidade, além de visitar fazendas de cacau para degustação e o lendário cabaré Bataclan.

Moscou, Rússia (“Guerra e paz”, Leon Tolstói)

“Guerra e paz”, de Leon Tolstói, se passa durante a campanha de Napoleão Bonaparte pela invasão da Rússia até a retirada do exército francês do país. A obra é composta por quatro longos livros e é ambientada em diversas cidades russas. O destaque vai para Moscou onde está localizado o Kremlin, um complexo fortificado que seria o principal alvo de Napoleão. Na capital também é possível conhecer outros cenários do livro, como a Academia Militar e o Museu da Batalha de Borodino. Em São Petersburgo, a obra nos leva a visitar o Cemitério Piskaryovskoye, a Fortaleza de Pedro e Paulo e o Museu Hermitage, todos parte da mesma história.

Estocolmo, Suécia (“Millennium”, Stieg Larsson)

A trilogia “Millenium”, de Stieg Larsson, conquistou grande sucesso mundial e seu primeiro livro chegou aos cinemas com o filme “Os homens que não amavam as mulheres”. A história acontece na lindíssima cidade de Estocolmo, na Suécia, onde os personagens Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander fazem de tudo para desvendar crimes contra mulheres. O turismo por lá se especializou tanto em virtude da obra de Larsson que o Museu da Cidade de Estocolmo oferece a Millennium Tour, passando pelos principais cenários do livro.

Rio Grande do Sul (“O tempo e o vento”, Érico Veríssimo)

A história da criação do Rio Grande do Sul é o enredo principal de “O tempo e o vento”, de Érico Veríssimo, que narra as vidas das famílias Terra, Cambará, Caré e Amaral. Ambientada na fictícia cidade de Santa Fé, a obra mistura ficção com dados históricos e acaba servindo como um convite para conhecer terras gaúchas. Qualquer destino rio-grandense que remeta às tradições locais faz lembrar a história de “O tempo e o vento”.

Florença e Ravena, Itália (“A divina comédia”, Dante Alighieri)

Dante Alighieri lançou “A divina comédia” entre 1304 e 1321, em pleno período medieval. Séculos depois, a obra continua sendo referência para a literatura mundial. Embora a jornada do personagem principal percorra o céu e o inferno, muito das referências do autor partem das cidades em que ele viveu, especialmente Florença e Ravena, na Itália. Em Florença, Dante viveu a maior parte de sua vida e é uma das cidades italianas mais procuradas pelos turistas atraídos por sua arte, catedral e museus. Ravena preserva suas características medievais e é onde Dante escreveu a maior parte da “Divina comédia”.

Departamento de Magdalena, Colômbia (“Cem anos de solidão”, Gabriel García Marquez)

Vencedor do Nobel de literatura, Gabriel García Márquez ambientou “Cem anos de solidão” na fictícia cidade de Macondo. Porém, a inspiração foi o Departamento de Magdalena, uma região no norte da Colômbia conhecida pelas cidades de Aracataca e Cartagena. García Marquez nasceu em Aracataca e a cidade tornou-se um bom destino turístico, graças a seus ótimos restaurantes, hotéis e atrativos, como prática de atividades de lazer, mergulho e esportes aquáticos. Já Cartagena, além de histórica, é praiana e está em constante clima de festa.

Conheça Carina Rissi – a autora nacional que vem conquistando o Brasil

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Jadson Lukas, no Cabana do Leitor

No Brasil e no mundo conhecemos muitas e muitas histórias incríveis, mas nem sempre sabemos de toda a trajetória do autor até seu livro ser lido por milhares de pessoas. E, pensando nisso, a editoria de livros do Cabana do Leitor resolveu criar um especial, que será postado 1 vez por semana durante 1 mês, de um autor e falaremos curiosidades sobre eles. Como leitor, eu adoro descobrir como é o autor por trás das páginas de um livro, é uma forma de me conectar com ele e, não podia deixar de falar da autora que me fez conhecer a literatura nacional e me apaixonar por este mundo. É claro que estou falando dela, da diva Carina Rissi.

Carina Rissi nunca imaginou que seria uma autora de sucesso. Desde criança, tem o hábito da leitura, um amor incondicional por Jane Austen e suas obras. Formada em jornalismo, Carina nasceu em Ariranha, uma cidade no interior de São Paulo, onde mora atualmente com sua família, após ter passado uma temporada na capital.

A ideia para escrever seu primeiro livro surgiu de repente: Quando ela estava esquentando um pedaço de lasanha no micro-ondas e faltou energia. Sua mãe lhe aconselhou a colocar a comida em um banho maria, mas ela não fazia ideia do que aquilo significava, então começou a imaginar como seria uma pessoa supermoderna ir parar em um século sem modernidade alguma e então surgiu “Perdida”, seu primeiro romance chicklit.

Perdida conta a estória da Sofia, um garota super moderna do nosso século. Não tem credibilidade no amor, os únicos romances em sua vida são os dos livros.

Após comprar um celular, Sofia percebe que foi parar no século dezenove e tenta desesperadamente voltar para casa. Ela é acolhida pela família Clarke, e com a ajuda do Ian Clarke, Sofia vai encontrando pistas que talvez possam ajuda-la a voltar para casa. Ela apenas não contava que seu coração tinha outros planos…

O processo de escrita do livro “Perdida” levou cinco meses para ficar pronto. Os primeiros capítulos foram escritos em um celular. Carina escrevia em todos os momentos possíveis.

Adriano Capela, seu marido, foi o primeiro a ler e a encoraja-la a publicar e a apoia-la. Eles fizeram publicação independente de “Perdida” por um ano de contrato. O livro foi disponibilizado em e-book e publicado na Alemanha, onde Carina conseguiu muitos leitores e reconhecimento.

Perdida ficou em quarto lugar de livro, em língua Portuguesa, mais vendido da Alemanha e em primeiro lugar em relevância e popularidade nos Estados Unidos.

Com isso, a Verus Editora trouxera o livro Perdida, da Carina Rissi, para ser republicado aqui no Brasil com contrato tradicional, e publicou também o seu segundo livro que se chama “Procura-se Um Marido”. Ambos são referências de sucesso de uma das autoras mais queridas pelo publico leitor do Brasil. Perdida já foi publicado em vários países: Portugal, Ucrânia, Rússia, Itália…

E tem promessa para virar filme. Teremos novidades sobre Perdida nas telonas no decorrer desse ano.

Saiba por que você precisa (re)ler A Hora da Estrela, de Clarice Lispector

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Foto: Divulgação

Cíntia Moscovich* na Revista Donna

O ano de 1977 reservou dois eventos que viriam marcar a vida literária do país – e não só –, ambos relacionados a uma mesma autora e igualmente imprescindíveis para se compreender a história da cultura brasileira. Completando agora 40 anos, a primeira efeméride cai no dia 26 de outubro: era o dia em que se publicava A Hora da Estrela, que viria a se tornar um dos mais lidos romances de Clarice Lispector. Naquele mesmo ano, no dia 9 de dezembro, no Rio, um dia antes de completar 57 anos, Clarice Lispector morria vítima de um câncer de ovário, sem saber exatamente a repercussão daquele romance que, comparado aos demais, era diferente de tudo o que fizera até ali. Ao lado, listamos alguns motivos pelos quais vale a pena aproveitar a data redonda e ler 1) a obra de Clarice Lispector e 2) ler especificamente A Hora da Estrela.

* Escritora, autora de títulos como “Por que Sou Gorda, Mamãe?” e “Essa Coisa Brilhante que é a Chuva”

Por que Clarice Lispector é leitura essencial

Tudo o que é bom segue atual: o amplo domínio da língua e uma inventividade profunda fazem com que a prosa de Clarice seja das mais elegantes, sofisticadas e ricas da literatura nacional.
Trata-se de um texto singelo: mesmo sendo literatura elaborada, ou porque é literatura elaborada, é de uma simplicidade a toda prova.
As redes sociais têm maltratado Clarice: não se pode conhecer a obra dela confiando nas citações ou excertos (que na maioria das vezes nem são dela ou de nenhum dos autores atribuídos). Para conhecer um autor, vá na fonte.
É absolutamente de vanguarda (era para a época e continua sendo). A literatura de Clarice Lispector inaugura uma nova vertente de intimismo, em grande medida contrariando as bases do realismo praticado então.
Clarice trabalha com personagens que têm a consciência alargada. Os sentidos se tornam mais aguçados, e a leitura é uma aventura praticamente erótica.
Os romances são inquietantes, mas os contos são perfeitos: dificilmente algum outro autor dominou ou dominará a narrativa curta com a mesma habilidade com que Clarice o fazia.

5 motivos para ler “A Hora da Estrela”

É um livro considerado ideal para quem quer começar a ler a obra de Clarice.
É o romance em que, do ponto de vista narrativo, a estrutura se oferece de forma mais linear, sendo sua narrativa longa mais popular.
Macabéa, a protagonista, encarna a típica nordestina que vai tentar a sorte na cidade grande: trata-se, no limite, do romance de Clarice com mais “tintas nacionais”.
Longe de se configurar uma personagem clichê ou arquetípica, Macabéa é das figuras mais comoventes e sensíveis jamais vistas.
O livro foi levado às telas por Suzana Amaral, em 1985, com Marcélia Cartaxo e José Dumont. Vale a pena comparar livro e o filme. Jorge Furtado e o pessoal da Casa de Cinema transformaram o romance em um dos episódios de Cena Aberta, de 2003. A transposição para a teledramaturgia é especialíssima.

Foto: Arquivo Pessoal

Foto: Arquivo Pessoal

A autora

Clarice Lispector é um dos grandes nomes da nossa literatura, reconhecida mundo afora. Sua escrita mistura situações simples do cotidiano (como uma dona de casa que despede a empregada e decide fazer uma faxina no quarto de serviço, em A Paixão Segundo G. H.) com um mergulho profundo nas questões que assolam suas personagens – e todas nós. Foi também cronista e tradutora e tem, entre seus títulos, Perto do Coração Selvagem, Laços de Família e Um Sopro de Vida.

O livro

“É a história de uma moça que era tão pobre que só comia cachorro-quente. Mas não só isso. A história é de uma inocência pisada, uma miséria anônima.” Assim Clarice Lispector resumiu seu livro mais emblemático e popular. Conta a história de Macabéa, nordestina que tenta a sorte no Rio de Janeiro e que, em meio à difícil tarefa de ganhar a vida com menos de um salário mínimo, não abre mão de pequenos prazeres. Como usar um batom vermelho para se sentir como uma estrela de cinema. Por ocasião dos 40 anos de lançamento, a Rocco lançou uma edição comemorativa.

A peça

Os 40 anos de A Hora da Estrela e da morte de Clarice Lispector serão lembrados nos palcos de Porto Alegre. Com direção de Bob Bahlis, Circo para Clarice terá sessão de pré-estreia no dia 7, às 21h, no Teatro Cia de Arte, e depois estreia no dia 14, às 21h, no Teatro Bruno Kiefer, da Casa de Cultura Mario Quintana. Trata-se de uma livre adaptação do livro mais icônico da escritora, incluindo ainda crônicas e cartas de Clarice.

Cidade literária: descubra Recife a partir de seus livros

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Recife já foi cenário de diversas histórias da literatura (Natália Dantas/Divulgação)

Recife já foi cenário de diversas histórias da literatura (Natália Dantas/Divulgação)

A capital pernambucana oferece diversas experiências que aproximam seus habitantes da literatura

Publicado na Superinteressante

As ruas, pontes, os rios e casarios do Recife têm vocação literária – já foram cenário ou personagem nas obras de escritores e poetas consagrados na literatura nacional. João Cabral de Melo Neto, Ascenso Ferreira, Raimundo Carrero, Manuel Bandeira, Clarice Lispector e Marcelino Freire são só alguns dos muitos que já escreveram sobre a cidade. Que tal conhecer mais sobre esse Recife literário através do #hellocidades, projeto da Motorola que quer reconectar você ao lugar onde vive?

Sentada ao lado dos seus livros, no Cais da Alfândega, no Bairro do Recife, a estátua do poeta Ascenso Ferreira, imortalizado pelo escultor Demétrio Albuquerque, observa o curso do Rio Capibaribe e o passar dos dias. Autor dos versos de “Noturno”, Ascenso declama:

“Sozinho de noite

Nas ruas desertas

Do velho Recife

Que atrás do arruado

moderno ficou…

Criança de novo

Eu sinto que sou”

Parando ao lado do poeta, na beira do rio, é possível ler esses versos escritos no passado e, ainda hoje, sentir a conexão entre as palavras de Ascenso Ferreira e o Recife. O escritor e poeta Marcelino Freire deixou a cidade há 26 anos, quando se mudou para a São Paulo. Mas, ainda hoje, sente a forte presença do Recife nos seus escritos.

“Dizem que eu não sou mais pernambucano. Deixei o Recife faz 26 anos. Meu sotaque tomou fumaça. Daí minha Recife é a da ruptura. Da distância melancólica. Da mágoa sem rancor. Escrevi um livro só para falar da saudade que sinto. Chama-se ‘Rasif’. É o nome do Recife em árabe. Eu nasci nesse lugar distante. Escrevi esse livro de contos para dizer que carrego o Recife ainda comigo. É um caso de amor perdido. Ambos perdemos. Recife nos meus textos, a exemplo do Recife que aparece em meu romance ‘Nossos Ossos’, é sempre uma cidade perdida”, conta o escritor.

Escritor Marcelino Freire deixou o Recife há mais de duas décadas, mas continua resgatando a cidade em suas obras (Marcelino Freire/Divulgação)

Escritor Marcelino Freire deixou o Recife há mais de duas décadas, mas continua resgatando a cidade em suas obras (Marcelino Freire/Divulgação)

Ao ser questionado sobre a vocação literária da capital pernambucana, Freire aponta para uma ‘evocação’ na relação entre o Recife e seus poetas e escritores. “A cidade está parada. Quem dá movimento à cidade somos nós. Ouvimos a cidade e escrevemos o que escutamos. A cidade é prédio e viaduto. As pessoas são minha geografia”, diz.

O jornalista e editor da literária Revista Vacatussa, Thiago Corrêa, acredita no potencial literário da cidade. “Por um certo tempo até achei que o Recife era pouco ‘cantado’ na nossa ficção, achava estranho quando encontrava o Recife nas histórias. Mas, depois que me aprofundei no assunto, vi que não, que ele foi bem problematizado na obra de Osman Lins, Gilvan Lemos, Hermilo Borba Filho, Mauro Mota, Josué de Castro, Carneiro Vilela, Ascenso Ferreira… Talvez hoje esse ímpeto tenha diminuído um pouco, só aparecendo com frequência nos livros de Ronaldo Correia de Brito e Raimundo Carrero”, avalia.

Lançada em 2004, a Revista Vacatussa foi criada por um grupo de ex-alunos da Oficina de Criação Literária comandada pelo escritor Raimundo Carrero, com a ideia de produzir, divulgar e discutir literatura. Às vésperas da sua 14ª edição, a publicação traz os textos de novos talentos e escritores que atuam de forma independente da chancela das grandes editoras. As novidades sobre a Revista Vacatussa podem ser acompanhadas pelo site.

Para o projeto #hellocidades, o escritor e editor da Revista Vacatussa destaca o conto ‘Catana’, que está no livro Retratos imorais de Ronaldo Correia de Brito. “O que me chama a atenção nele é a perspectiva que Ronaldo usa para falar de um período importantíssimo para o Recife, que é o Carnaval”, diz Thiago Corrêa.

Já Marcelino Freire dá uma lista de nomes essenciais para conhecer melhor o Recife dos livros: “Miró da Muribeca é o corpo do Recife. A ponte que caiu, a lama dos córregos, o lixo dos bares. João Cabral me mostrou os caranguejos e me mostrou os coveiros dos cemitérios. Luna Vitrolira e Cida Pedrosa soltam o verbo de Vênus-Veneza. Feridas abertas. Jomard Muniz de Britto é puro atentado — palavra desarmorial, do jeito que eu gosto. Fred Caju é vivo e diz do Recife vivo, longe da naftalina que toma conta dos livros. Carrero é a música disto tudo”, indica.
Ruas literárias do Recife

Além dos livros, o Recife da literatura também pode ser desvendado através do celular. O aplicativo Ruas Literárias do Recife, idealizado pelo cineasta Eric Laurence, busca aproximar o Recife de seus habitantes e visitantes a partir da ótica de diferentes escritores, de diversas épocas, mostrando que a relação com a cidade pode ter outros acessos.

Aplicativo permite uma exploração da cidade por meio de autores e suas histórias (Ruas Literárias do Recife/Divulgação)

Aplicativo permite uma exploração da cidade por meio de autores e suas histórias (Ruas Literárias do Recife/Divulgação)

Por meio do mapeamento das ruas da cidade, a plataforma, que pode ser baixada no seu Android pela Play Store, possibilita um roteiro literário e poético, no qual os recifenses e visitantes podem descobrir como as ruas e suas edificações foram descritas e representadas por escritores pernambucanos.

Entre os autores estão Raimundo Carrero, Ronaldo Correia de Brito, Joaquim Cardozo, Clarice Lispector, Luzilá Gonçalves, Manuel Bandeira, Carlos Pena Filho, Micheliny Verunschy, Paulo Mendes Campos, Antônio Maria, e mais. Nas localizações pesquisadas estão, entre outros, os endereços da Avenida Guararapes, Estrada dos Remédios, Rua da Concórdia, Cais da Alfândega e a Rua Nova, no Centro do Recife, imortalizada por Carneiro Vilela no seu ‘A emparedada da Rua Nova’.

“O grande objetivo do projeto é possibilitar à população apropriar-se de sua memória patrimonial – tanto em sua dimensão material quanto imaterial, fazendo emergir entre as ruas da cidade a sua poesia e prosa”, explica Laurence.

Lançado através do edital Funcultura, do Governo do Estado, o aplicativo traz aproximadamente 150 pontos de localização no Recife, que remetem a trechos de escritos feitos por 82 autores, de diferentes épocas e estilos, desde o século XIX até os dias atuais.

Agora é só sacar o celular, fazer um roteiro e conhecer a capital pernambucana através do olhar de grandes autores da literatura brasileira. Reconecte-se com o Recife e com a literatura pelo hellomoto.com.br. E não se esqueça da hashtag #hellocidades!

Perfil do escritor brasileiro não muda desde 1965, diz pesquisa da UnB

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Análise de 692 romances de 383 escritores mostra que mais de 70% deles são homens, 90% brancos e pelo menos a metade veio do Rio e de SP

Paulo Lannes, no Metropoles

Uma pesquisa realizada na Universidade de Brasília (UnB) traz um relato desanimador sobre a literatura nacional: as grandes editoras seguem publicando obras de escritores brasileiros com o mesmo perfil há mais de 50 anos. O trabalho compreende livros nacionais lançados entre 1965 e 2014. Mais de 70% deles foram escritos por homens, 90% são brancos e pelo menos a metade veio do Rio de Janeiro e de São Paulo.

A análise também entrou no enredo da literatura nacional, chegando à conclusão de que os personagens retratados se aproximam da realidade dos escritores. Cerca de 60% são protagonizados por homens, sendo 80% deles brancos e 95% heterossexuais.

“Os dados mostram que há uma homogeneidade entre os escritores e os romances publicados no Brasil. Isso praticamente não mudou ao longo das décadas. É muito preocupante”, afirma a professora do Departamento de Teoria Literária Regina Dalcastagnè, coordenadora da pesquisa.

Pesquisa
O trabalho, realizado pelo Grupo de Estudos em Literatura Contemporânea da UnB ao longo de 14 anos, contou com a participação de mais de 30 universitários. A pesquisa fez um recorte por editoras em três períodos diferentes.

O primeiro deles foi entre 1965 e 1979, que contava com publicações da José Olympio e da Civilização Brasileira. O segundo recorte foi de 1990 a 2004, com a presença da Companhia das Letras, da Rocco e da Record. Já o último compreende 2005 a 2014 e quase as mesmas editoras, trocando apenas a Rocco pela Objetiva.

“Com a pesquisa, percebemos que as editoras não estão dispostas a diversificar o cenário literário. Assim, caso o leitor esteja atrás de literatura produzidas por mulheres, negros e de diferentes regiões terá que buscar independentes, com menor alcance às livrarias brasileiras”, conclui Regina Dalcastagnè.

Confira, em detalhes, o resultado do estudo da UnB:

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