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Portal literário de Arapiraca realiza doação de livros no Centro

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Grupo de jovens à frente do LeroWhite fez feira de doação de livros, com apoio da Casa da Cultura e Biblioteca Municipal

Publicado no Tribuna Hoje

Portal literário de Arapiraca realiza doação de livros no Centro

Foto: Assessoria / Prefeitura de Arapiraca

A paisagem de interior é reforçada não apenas pelo verde, mas pelo farfalhar de sacolas que movimentam as feiras livres e o lepe-lepe das sandálias para lá e para cá. No Centro de Arapiraca, a segunda maior cidade de Alagoas, este é o cenário de todas as segundas-feiras.

Foi neste descortinar de histórias vividas semana após semana que o portal literário LeroWhite decidiu aportar, na Praça Luiz Pereira Lima, defronte ao Museu Zezito Guedes, bairro do Centro.

O grupo de jovens à frente do portal fez uma feira de doação de livros, com o apoio da Casa da Cultura e Biblioteca Municipal Prof. Pedro de França Reis, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Sectur), e também do Estúdio Cumbuca e do digital retoucher Allan Carlos Silva.

Ela teve início às 10h30 desta segunda-feira (29) e surpreendeu muita gente que passava pelo local. “Achei muito interessante a iniciativa do portal por trazer cultura e incentivo à leitura para a praça. Vi crianças, senhoras e até guardas municipais participando dessa corrente. Muito bacana!”, pontua o estudante de biologia Rodrigo Polati, de 27 anos, que conseguiu pegar um exemplar de “Memorial do Convento”, romance de José Saramago, e levar mais algumas publicações infantis para seu sobrinho.

A ação toda funcionou a partir do esquema de monetarização “Pague Quanto Quiser”. “É apenas uma forma de continuarmos a promover ações deste tipo. O dinheiro revertido será para confecção de banners e marca-páginas. Mas, como se trata de doação, os arapiraquenses puderam muito bem visitar nosso estande, garimpar e pegar livros sem precisar pagar nada”, diz Janu Leite.

Ele, que é músico e produtor cultural, se juntou à estudante de Engenharia Química, Vanessa Daiany, e ao projeto de jornalista Breno Airan para agitarem a cena literária local.

“Estou terminando a faculdade de pedagogia e achei este projeto maravilhoso! Estou levando diversos livros tanto para mim, quanto para meus dois filhos. Tenho computador e costumo ler alguns volumes pela tela, mas não tem o mesmo tato que um livro em mãos. E, na minha profissão, a gente tem sempre que ler bastante, se atualizar. Estão de parabéns o portal LeroWhite e a Secretaria de Cultura por apoiar algo do tipo, que só nos enriquece”, diz Nadja Matias, de 37 anos.

Mais de 250 livros infantis, romances de literatura universal, gestão, auto-ajuda e outros diversos foram movimentados na manhã desta última segunda-feira do ano. A pretensão é fazer uma próxima ação desta perto do Carnaval.

Portal literário de Arapiraca realiza doação de livros no Centro

Breno Airan, Vanessa Daiany e Janu Leite (Foto: Divulgação)

Portal literário

O trio, que é seguido por quase 900 pessoas em página oficial no Facebook, desconstrói muita coisa como sabemos e transformam tudo e nada em pauta para os escritos programados para toda segunda, quarta, sexta-feiras e domingo.

“E se tudo que a gente sabe hoje fosse um grande migué? E se nos ensinaram erradamente e omitiram muita coisa? Bem, vamos criar nossas versões dos fatos com a liberdade poética que nos foi dada ao nascer”, comenta Janu Leite.

“Acho que vem na água, essa poética arapiraquense. Parece que nós, naturais dessa terra, estamos fadados a ter uma percepção diferente sobre as coisas ao redor. Deve ser a água… A gente nasce inquieto, como se quisesse saltar do corpo, e, tenho que dizer, inquietude é um radar natural”, pontua Vanessa Daiany sobre o escrever constante e a respeito da criação do portal.

Com o advento da internet, muitos blogs nasceram feito fonte de água cristalina, mas nem tantos duraram muito tempo. Isso foi um grande aporte para o retorno do formato de crônicas por parte dos escritores. “E um dos pontos é este: o LeroWhite não vai se restringir, se fechar. Criamos esta página para justamente brincar e brindar com o que ulula no cotidiano; haverá crônicas, contos, poesias, tudo sobre a pregnância das coisas”, diz Breno Airan.

E continua: “Mas ele não vai ficar só nisso. Nossa pretensão é criar um blog e um aplicativo para ficar mais fácil acessá-lo, lê-lo, experimentá-lo em todos os seus vieses. Esperamos com sinceridade que este seja um momento de ebulição da literatura em nossa cidade – com quem sabe outros projetos surgindo –, pois já vemos os pauzinhos se mexendo quanto ao jornalismo literário, a exemplo do excelente portal Vidas Anônimas”.

Ele citou a chegada da Livraria Adapter, após um ano de Arapiraca permanecer no limbo, sem qualquer empreendimento do tipo, e a reforma da Casa da Cultura – que em breve contará com um Café Literário – para esta inadiável retomada na produção do setor das letras.

Com efeito, os três têm certo contato com o meio literário. Este último, Breno Airan, recentemente teve dois aforismos seus compondo o livro “É Duro Ser Cabra na Etiópia”, da escritora e atriz Maitê Proença. O produtor cultural e músico Janu Leite já recebeu menção honrosa no Concurso de Poesia Mendonça Neto e teve publicações suas nas antologias poéticas Diário do Escritor 1 e 2 e o pedido da editora Litteris para utilizar uma letra de uma canção de sua autoria numa futura antologia literária. Por sua vez, Vanessa Daiany tem três poemas publicados também numa antologia, desta vez pelo Concurso Maria das Neves de Poesia.

A equipe não se restringe a eles – ainda há o abalroamento dado pelos digital retoucher Allan Carlos Silva e designer Victor Hugo Brito, este último, integrante do Estúdio Cumbuca. O primeiro, que fez a logo do portal, recentemente foi destaque na revista Adobe Photoshop britânica. Já Brito, fez a capa da página da rede social do LeroWhite e está os orientando na identidade visual do projeto, no que também concerne ao futuro blog e app.

“Eles são os nossos ‘Storm Thorgerson’, tenham certeza”, brinca Vanessa Daiany, referindo-se ao idealizador dos conceitos de várias capas da banda Pink Floyd.
Para acessar o portal, basta apenas estar conectado ao Facebook e clicar no link a seguir: facebook.com/lerowhite. Voilà!

Toda a obra poética de Fernando Pessoa para download

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Car­los Wil­li­an Lei­te, no Jornal Opção

1O portal Domínio Público disponibilizou para download a poesia completa de Fernando Pessoa. Embora sem uma ordem cronológica adequada e com edições repetidas, o acervo contempla toda a obra conhecida do poeta português.

Fernando Pessoa nasceu em Lisboa, em junho de 1888, e morreu em novembro de 1935, na mesma cidade. É considerado, ao lado de Luís de Camões, o maior poeta da língua portuguesa e um dos maiores da literatura universal.

Seus poemas mais conhecidos foram assinados pelos heterônimos Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro, além de um semi-heterônimo, Bernardo Soares, que seria o próprio Pessoa, um ajudante de guarda-livros da cidade de Lisboa e autor do “Livro do Desassossego”, uma das obras fundadoras da ficção portuguesa no século XX.

Além de exímio poeta, Fernando Pessoa foi um grande criador de personagens. Mais do que meros pseudônimos, seus heterônimos foram personagens completos, com biografias próprias e estilos literários díspares. Álvaro de Campos, por exemplo, era um engenheiro português com educação inglesa e com forte influência do simbolismo e futurismo. Ricardo Reis era um médico defensor da monarquia e com grande interesse pela cultura latina. Alberto Caeiro, embora com pouca educação formal e uma posição anti-intelectualista (cursou apenas o primário), é considerado um mestre.

Com uma linguagem direta e com a naturalidade do discurso oral, é o mais profícuo entre os heterônimos. São seus “O Guardador de Rebanhos”, “O Pastor Amoroso” e os “Poemas Inconjuntos”. O crítico literário Harold Bloom, em entrevista à revista “Época”, afirmou que a obra de Fernando Pessoa é o legado da língua portuguesa ao mundo. Para acessar: http://bit.ly/ffoF7T

dica do Sidnei Carvalho de Souza

Franz Kafka é homenageado em doodle do Google

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Doodle do Google celebra os 130 anos de nascimento do escritor Franz Kafka

Personagem Gregor Samsa, de A Metamorfose, acorda transformado em um inseto Foto: Reprodução

Personagem Gregor Samsa, de A Metamorfose, acorda transformado em um inseto
Foto: Reprodução

Publicado por Terra

Franz Kafka (3/7/1883 a 3/6/1924), escritor de clássicos da literatura universal como A Metamorfose, O Processo e Carta ao Pai recebe é homenageado em doodle do Google. A imagem relembra a obra A Metamorfose, quando o personagem Gregor Samsa acorda transformado num inseto (algumas traduções descrevem como uma barata). As letras que formam a palavra Google também estão caracterizadas com detalhes que remetem à obra do escritor tcheco.

Franz Kafka
Considerado um dos principais escritores de literatura moderna. Sua obra retrata as ansiedades e a alienação do homem do século XX. Kafka nasceu em Praga , cidade que pertencia ao império austro-húngaro, filho de um comerciante judeu, cresceu sob as influências de três culturas: a judia, a tcheca e a alemã. Seu pai, Hermann Kafka foi descrito como um “grande empresário egoísta e arrogante”. A relação de Kafka com seu pai foi gravemente perturbada, conforme explicado na carta ao seu pai, em que ele se queixou de ser profundamente afetado pelo exigente caráter autoritário deste.

Franz Kafka não tinha uma boa relação com o pai Foto: Reprodução

Franz Kafka não tinha uma boa relação com o pai
Foto: Reprodução

No ano de 1902 conhece Max Brod, seu grande amigo, a quem pedirá, em 1922, que destrua todas as suas obras após sua morte. Brod, também escritor, jornalista e compositor, não queimou os manuscritos, diários e cartas e tudo o que restava, como era a última vontade do escritor, acabou publicando os textos do amigo.

Solitário, com a vida afetiva marcada por irresoluções e frustrações, Kafka atingiu pouca fama com seus livros, na maioria editados postumamente. Mesmo assim era respeitado nos círculos de literatura que frequentava.

Kafka faleceu no dia 3 de junho de 1924 no sanatório Kierling, perto de Klosterneuburg na Áustria. A causa oficial da sua morte foi insuficiência cardíaca, apesar de sofrer de tuberculose desde 1917.

Obras
A Metamorfose (novela escrita em 1912 em uma noite em claro conforme descreve, e publicado em 1915) narra o caso de Gregor Samsa, que após acordar de um pesadelo, vê seu corpo transformado em um inseto. Conforme a história se desenvolve o filho se vê inferiorizado com relação a figura paterna. Franz Kafka trata da condição humana, da humilhação, com uma linguagem rica em ironias e metáforas, e que se aprofunda nas relações de poder dentro do âmbito familiar.

A Metamorfose é uma das obras mais famosas do século XX Foto: Reprodução

A Metamorfose é uma das obras mais famosas do século XX
Foto: Reprodução

Em Carta ao Pai a relação com seu pai é exposta em detalhes. Foi escrita em 1919, mas nunca chegou a ser enviada a seu pai, embora houvesse cogitado como revela em carta a Milena Jesenská. O Processo (1925) é um romance, que conta o caso de Josef K., ele se encontra envolto a um nebuloso processo sobre um crime que lhe é desconhecido. A condição humana e sua relação nesta obra, já ultrapassa a dimensão da família, e passa a englobar as relações de dominio do Estado sobre o indivíduo. Em O Castelo (1926), o agrimensor K. é convidado a exercer sua atividade a convite dos senhores de um castelo, mas ao lá chegar é recepcionado com espanto pelos aldeões, ao mesmo tempo em que o acesso ao castelo se torna mais e mais distante.

O termo kafkiano mostra retrata indivíduos sem rumo Foto: Reprodução

O termo kafkiano mostra retrata indivíduos sem rumo
Foto: Reprodução

Kafkiano
Essas três obras-primas definem não apenas boa parte do que se conhece até hoje como “literatura moderna”, mas o próprio caráter do século: kafkiano. No mundo kafkiano, os personagens não sabem que rumo podem tomar, não sabem dos objetivos da sua vida, questionam seriamente a existência e acabam sós, diante de uma situação que não planejaram, pois todos os acontecimentos se viraram contra eles, não lhes oferecendo a oportunidade de se aproveitar da situação e, muitas vezes, nem mesmo de sair dela. Por isso, a temática da solidão como fuga, a paranoia e os delírios de influência estão muito ligados à obra kafkiana .

Os doodles do Google
O Google costuma comemorar datas importantes para a humanidade, como aniversários de invenções e personalidades ligadas à cultura e à política, por exemplo, com customizações do logo na página inicial do site de buscas. O primeiro doodle surgiu em 1998, quando os fundadores do Google criaram um logotipo especial para informar aos usuários do site que eles estavam participando do Burning Man, um festival de contracultura realizado anualmente nos Estados Unidos. O sucesso foi tão grande que hoje a companhia tem uma equipe de designers voltada especialmente para a criação dos logotipos especiais. Já foram criados mais de 300 doodles nos Estados Unidos e mais de 700 para o resto do mundo.

3 de julho - 130 anos do aniversário de nascimento do escritor Franz Kafka, República Tcheca Foto: Reprodução

3 de julho – 130 anos do aniversário de nascimento do escritor Franz Kafka, República Tcheca
Foto: Reprodução

Bibliotecas digitais: confira 10 acervos de livros, mapas e documentos na internet

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Publicado por UOL

No quadro de Delacroix, o poeta Dante Alighieri, guiado por Virgílio, atravessa o rio Aqueronte a caminho do Inferno, a primeira etapa de sua “Divina Comédia”. Esta, que é uma das maiores obras da literatura universal, pode ser lida na íntegra, em português, no site Domínio Público. Nele você encontra também as mais importantes obras da literatura brasileira, portuguesa e universal, além de imagens e arquivos musicais, cujos direitos autorais já tenham se tornado públicos.

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Capa do primeiro número de Klaxon, revista que congregou os modernistas brasileiros e começou a circular pouco depois da célebre Semana de 1922. Você pode ler os exemplares da publicação, em edição fac-similar, na Brasiliana USP, uma biblioteca digital que guarda um precioso acervo bibliográfico e documental sobre temas brasileiros. Para pesquisas sobre história, cultura e sociedade do Brasil, a Brasiliana é uma fonte que não pode deixar de ser consultada.

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Sabe o que é telemedicina? Tem ideia de como as redes sociais podem atuar na área da saúde? Pois você pode descobrir assistindo à teleconferência do prof. dr. Chao Lung Wen, da Faculdade de Medicina da USP. No site e-aulas USP, há um grande acervo de aulas e teleconferências das áreas de ciências exatas, humanas e biológicas, abertas a qualquer interessado. Não se trata, porém, de material para principiantes, mas para quem já tem base nos assuntos que vai pesquisar.

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Plenário do Congresso Nacional, em 5 de outubro de 1988, na seção de promulgação da atual Constituição Federal. Na Biblioteca Digital do Senado Federal, você encontra 33.895 notícias de jornal sobre a constituinte, que integram um acervo muito variado, composto por mais de 200 mil documentos, cujo tema principal é legislação: livros, obras raras, artigos de revistas e notícias de jornal. Todos podem ser acessados ou baixados gratuitamente.

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Sabe onde fica a Rua Marechal Thaumaturgo, no municípo de mesmo nome? Não? Então, consulte o site do IBGE, que é um verdadeiro atlas on-line e muito mais. Nele você encontra informações atualizadas sobre os 5.570 municípios brasileiros, mapas destinados a públicos diversos, estatísticas, enfim, esse é o canal para quem precisa de informação confiável no que se refere à geografia do Brasil. Vale a pena conferir.

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A caricatura e a frase são de Aparício Torelli, também conhecido como Barão de Itararé, pioneiro do jornalismo de humor no Brasil. A biografia do Barão é uma das muitas que integram a história recente do Brasil e podem ser lidas no excelente Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro, do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas. Basta se cadastrar para ter acesso gratuito ao acervo que reúne 6.584 verbetes de natureza biográfica e 969 temáticos, relativos a instituições, eventos e conceitos de interesse para a história do Brasil pós-1930.

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Quem passa diariamente pela 23 de maio, em São Paulo, talvez não saiba nada sobre Tomie Ohtake, a autora dessa escultura que dá um aspecto inusitado ao cenário da movimentada avenida. Sobre essa grande artista nipo-paulistana, assim como sobre artes plásticas em geral (instituições e museus, obras, termos e conceitos), uma ótima fonte de pesquisa on-line é a Enciclopédia Itaú de Artes Visuais.

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A trágica foto do falso suicícido do jornalista Vladimir Herzog lembre um período trágico da história do Brasil, que você pode conhecer lendo “Vlado – 30 anos depois”, o roteiro do documentário de João Batista de Andrade sobre o fato. O texto integra a coleção Aplauso que resgata a memória do teatro, do cinema e da televisão brasileira. Todos os volumes da coleção estão disponíveis para leitura on-line no site da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, que tem também muitas outras obras para download grátis.

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O Largo do Repuxo, no passeio público do Rossio, na Lisboa do século 19 é um dos cenários do romance “O primo Basílio”, de Eça de Queirós, uma das obras da literatura portuguesa que você pode encontrar para baixar – inclusive em formato de ebook – ou ler on-line no site do Projeto Gutenberg. São cerca de 30 mil obras em língua portuguesa que estão disponíveis, mas, se você souber inglês, esse número pula para mais de 100 mil.

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Para quem sabe inglês, um excelente atlas on-line é o The World Factbook, mantido pela Central Intelligence Agency, o serviço secreto norte-americano. Deixando de lado as considerações políticas sobre a CIA, que costuma ser alvo de ódio e desprezo tanto for a quanto dentro dos Estados Unidos, o Factbook traz informações atualizadas sobre história, população, governo, economia e geografia, além de mapas de países e regiões do mundo. Gratuitamente, não se encontra nada tão completo e confiável.

Imagens: Reprodução

Granta Portugal publicará inéditos de Fernando Pessoa

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Edição portuguesa da revista, que será lançada em maio, terá cinco sonetos desconhecidos do poeta lisboeta
Os poemas pertencem a diferentes períodos da vida do autor

Escritos entre 1910 e 1929, sonetos de Pessoa trazem alusões políticas e rimas com palavrão Mônica Torres Maia / Arquivo

Escritos entre 1910 e 1929, sonetos de Pessoa trazem alusões políticas e rimas com palavrão Mônica Torres Maia / Arquivo

Bolívar Torres, em O Globo

O primeiro nome revelado pela “Granta” portuguesa é um velho conhecido. Para sua estreia em terras lusitanas, prevista para 21 de maio, a revista literária inglesa, famosa por garimpar escritores no mundo inteiro, publicará cinco sonetos inéditos de Fernando Pessoa, os únicos que ainda permaneciam desconhecidos em sua obra. Trata-se de uma joia rara, descoberta entre os 30 mil documentos guardados na Biblioteca Nacional Portuguesa pelos pesquisadores Jerônimo Pizarro e Carlos Pitella-Leite depois de mais de uma década de investigação.

— Não podia haver melhor maneira de iniciar o projeto Granta, em Portugal, do que com este pequeno tesouro de um dos mais extraordinários poetas de todos os tempos — exulta o jornalista Carlos Vaz Marques, diretor da revista no país. — O tema deste primeiro número é o “Eu”, e Pessoa é o autor de língua portuguesa, e provavelmente da literatura universal, que mais radicalmente problematiza esta questão. Não por acaso uma das primeiras seleções poéticas de Fernando Pessoa, publicada no Rio de Janeiro no princípio dos anos 1970, tinha por título “O eu profundo e outros eus”. É uma sorte e um privilégio que Pessoa tenha escrito nesta nossa língua comum.

Os poemas pertencem a diferentes períodos da vida do autor e não constituem, por isso, um núcleo homogêneo. O mais antigo tem data provável de 1910, o mais recente foi escrito em 1929. Além dos cinco textos publicados pela “Granta”, a equipe de Pizarro e Pitella-Leite ainda descobriu sonetos inéditos escritos por Fernando Pessoa em inglês.

— Sendo Pessoa um autor genialmente multifacetado por natureza, há nestes sonetos diversas faces desse gênio poliédrico — avalia Marques. — Em um dos poemas, por exemplo, encontramos um Pessoa mais rude, capaz de rimar com um palavrão. Um poeta de escárnio e maldizer. Há também um soneto com alusões políticas, e um extraordinário poema de amor que poderá ter tido como destinatária Ofélia Queiroz, a única namorada da poeta.

Depois de ter passado pelo Brasil em 2012, a “Granta” será publicada em Portugal pela editora Tinta da China, com periodicidade semestral e tiragem ainda indefinida. Na noite de lançamento, serão conhecidos os autores contemporâneos selecionados para o primeiro número. A revista contará com um portfólio fotográfico, que, nesta primeira edição, terá assinatura do fotógrafo português Daniel Blaufuks. Outro projeto é explorar o vasto “Baú Granta”, nunca publicado no país, e que conta com textos de nomes famosos como Salman Rushdie, Martin Amis e Saul Bellow.

Além de divulgar novos talentos da língua portuguesa, as futuras publicações continuarão revelando textos inéditos de grandes escritores mortos.

— Para o segundo número, e esta é uma novidade em primeira mão, estamos trabalhando num belíssimo encontro luso-brasileiro: a correspondência literária entre os poetas Jorge de Sena e Carlos Drummond de Andrade — antecipa Marques.

Desacordo Ortográfico

O objetivo, contudo, é seguir o modelo britânico da Granta, especialista em divulgar jovens talentos. A publicação será destinada aos leitores de língua portuguesa de todos os países, informa Marques, e buscará autores em “todo o espaço lusófono”. Mas adianta que a revista não adotará o Acordo Ortográfico, evitando ater-se a “pequenas polêmicas de circunstância”.

— O Acordo Ortográfico é uma convenção política — argumenta o jornalista. — A língua é infinitamente mais do que a ortografia. Deixamos a decisão da forma ortográfica ao cuidado dos autores que publicarem conosco.

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