Diário da Maísa

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Quando as páginas dos livros inspiram viagens pelo mundo real

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A torre Azadi é um dos símbolos de Teerã, capital do Irá, a antiga Pérsia de “Mil e uma noites” - D. Stanley/Visual Hunt / Creative Commons/Reprodução

A torre Azadi é um dos símbolos de Teerã, capital do Irá, a antiga Pérsia de “Mil e uma noites” – D. Stanley/Visual Hunt / Creative Commons/Reprodução

 

Empresa carioca promove cursos “in loco” em cenários de clássicos da literatura mundial

Carolina Mazzi, em O Globo

RIO – O Império Persa narrado pela princesa Xerazade de “As mil e uma noites” foi a inspiração principal para que participantes de um grupo de estudos de literatura clássica da PUC-Rio subvertesse a lógica tradicional da sala de aula. Em vez de apenas ouvir e ler sobre os cenários que formam hoje o Irã, a professora Sandra Guimarães resolveu que era hora de ir além da imaginação e organizou uma “viagem-curso” ao país, com saída em 9 de abril e que, garante ela, não se trata somente de um passeio temático. É, sim, um tour aberto ao público:

— Não é só uma viagem turística. Promovemos cursos completos sobre a obra estudada, com aulas no Brasil e no Irã, antes e durante os passeios, ministradas por professores especializados.

A Pérsia narrada nos contos já não existe. Mas foi organizando o curso pelo país e pensando nas imagens narradas no romance que surgiu a ideia para criar a empresa de viagens Philos & Sophias, que agora já promove outros cursos por locais como as cidades na Espanha que marcaram a obra de Cervantes e a França de Ernest Hemingway (com datas ainda a serem definidas, mas confirmadas para 2017 e 2018).

— Mas é claro que, juntamente com os cenários das obras, fazemos passeios culturais para que a realidade daquele livro ou autor também seja contextualizada e outras vertentes da época, como a pintura, por exemplo, também sejam exploradas — diz Sandra.

São muitas inspirações literárias, mas a professora acredita que a ideia para a criação dos cursos não poderia ter sido outra senão o Irã:

— Por se tratar de uma cultura e de cenários muitos diferentes do que estamos acostumados, eu fiz uma aula mais lúdica, usando muitas imagens para que todos pudessem se ambientar. Tanto as histórias narradas no livro, como as fotos e vídeos, inspiraram os alunos, que insistiram para organizamos uma aula fora da sala.

O roteiro terá duração de 14 dias. Nas aulas ministradas por Sandra, há um tour por cenários narrados por Xerazade e importantes pontos históricos, como palácios, mesquitas, museus, sítios arqueológicos (como Pasárgada) e outros prédios históricos na capital, Teerã, além das cidades de Kashan, Isfahan, Shiraz e Persépolis.

Outro curso definido, com saída prevista para 12 de julho, tem como tema a Rússia e sua literatura. Na rota, os museus de Tolstói e Tchekhov, além de locais inspirados nas narrativas do país de Dostoiévski, como a Fortaleza de Tobolsk (um antigo presídio de passagem, onde o autor chegou a ficar) e uma parte da Sibéria (onde, durante o período de trabalhos forçados, provavelmente o romancista se inspirou para escrever alguns de seus clássicos, como “Memórias da Casa dos Mortos”).

Cenários em Moscou, como o Kremlin, inspiraram grandes escritores russos - Kishjar/Visual Hunt / Creative Commons/Reprodução

Cenários em Moscou, como o Kremlin, inspiraram grandes escritores russos – Kishjar/Visual Hunt / Creative Commons/Reprodução

 

Até o fim de 2017, um tour pela França de Hemingway, que morou em Paris na década de 1920, também visitará pontos de interesse do autor e que o inspiraram a escrever algumas de suas obras. Um dos passeios sai da capital francesa e chega a Lyon, trajeto muito percorrido por Hemingway. No caminho, um minicurso enogastronômico ministrado pelo sommelier Joseph Morgan Jr, professor na ABS (Associação Brasileira de Sommeliers).

Sandra afirma que o curso que foca em autores sul-americanos também abrirá inscrições. O roteiro passará, inicialmente, por Peru e Colômbia. A ideia é se aprofundar nas narrativas de Vargas Llosa e do realismo mágico de Gabriel García Márquez, que foi um dos idealizadores da famosa Faculdade de Cinema de Cuba e passou seus últimos dias no México. Por isso, esses dois países também devem ser incluídos no roteiro final, afirma Sandra.

Todos os cursos são voltados para o público em geral, sem a necessidade de conhecimento prévio sobre os autores e suas obras:

— Os cursos podem servir para despertar o interesse mais profundo sobre aquele autor, aquela cultura e demais obras. É um curso sim, mas também uma visita turística, então, mesmo quem não conhece vai gostar. E quem já leu, com certeza, vai ter uma visão nova sobre aquele destino.

SERVIÇO

‘O Oriente das mil e uma noites, Irã’. Saída dia 9/4 e volta dia 21/4. A partir de US$ 5.650, com aéreo e hospedagem.

‘A Rússia através de Tolstói, Dostoiévski e Tchekhov’. Saída dia 12/5 e volta dia 31/5. Preço ainda a definir.

Informações. Para outras viagens e mais detalhes, confira o philosesophias.com.br.

Em pesquisa, professora descobre que Machado de Assis era contador

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Machado de Assis foi o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras (Foto: Reprodução/TV TEM)

Machado de Assis foi o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras (Foto: Reprodução/TV TEM)

 

Publicado no Jornal Floripa

Além de escrever contos, romances, peças teatrais, poemas e crônicas, o escritor carioca Machado de Assis tinha habilidade com os números. Uma pesquisa de cinco anos descobriu que ele dividia o dom com as palavras entre a profissão de contador, que lhe rendeu o cargo de responsável pelas contas do Ministério de Obras e Aviação em 1873, o agora Ministério dos Transportes.

Isabel ficou ainda mais interessada em ler os contos depois da descoberta (Foto: Reprodução/TV TEM)

Isabel ficou ainda mais interessada em ler os contos
depois da descoberta (Foto: Reprodução/TV TEM)

A descoberta partiu de uma curiosidade da professora de contabilidade e pesquisadora Isabel Cristina Sartorelli, da Universidade Federal de São Carlos (UFScar) de Sorocaba (SP). “Eu sabia que os números poderiam conviver harmonicamente com a literatura, e eu via alguma ligação do Machado com questões econômicas quando eu via os contos dele e observava que em vários tinha a figura do guarda livros, que seria o que é hoje o contador.”

Machado de Assis foi o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras e é tido por muitos como o maior nome da Literatura Nacional, por isso o fato de ter habilidades também com os número é inusitado.

A famosa frase “o dinheiro não traz felicidade, para quem não sabe o que fazer com ele”, já dava a dica da outra profissão de Assis. Graças a documentos históricos, como por exemplo a divulgação em um jornal da nomeação do escritor para um cargo público, Isabel conseguiu concluir o trabalho de pesquisa. “O que me deixou assim, especialmente feliz, porque aí realmente eu vi que pode existir sim o casamento entre os números e a literatura”, conta a professora.

Publicações antigas em jornais ajudaram na pesquisa (Foto: Reprodução/TV TEM)

Publicações antigas em jornais ajudaram na pesquisa (Foto: Reprodução/TV TEM)

 

A partir da descoberta, a pesquisadora teve ainda mais vontade de ler os romances e contos de Assis, responsável por obras como Dom Casmurro, Quincas Borba e Memórias Póstumas de Brás Cubas. Os escritos do século 19, de um Brasil que ainda tinha escravos e não era República, são referências até hoje aos estudantes, principalmente nas listas de vestibulares. As obras inspiraram peças teatrais e montagens televisivas.

“Para mim, Machado de Assis foi alguém que buscou na Contabilidade um meio de sobrevivência, mas que sim, se dedicava a literatura. Mas nesse caminho ele não se furtava, não podia deixar de levar o dia a dia dele na contabilidade, dessas questões, para as obras dele”, acredita Isabel. “Então, nesse ponto, eu acho que esse trabalho é interessante porque ajuda a compreender o homem que existe por trás do então Machado de Assis, grande autor de gente conhece”, finaliza.

Romances históricos, como ‘Crônicas Saxônicas’, guiam produções de TV

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Ricardo Bonalume Neto, na Folha de S.Paulo

Exibida no canal de TV a cabo Fox Action e com três temporadas disponíveis na Netflix, a série “Vikings” (2013-) narra a saga de dois famosos guerreiros dinamarqueses, Ragnar Lothbrok e seu irmão Rollo. Eles teriam iniciado a sequência de incursões dos nórdicos nas ilhas britânicas.

A série se passa poucos anos antes do início das “Crônicas Saxônicas” do escritor britânico/americano Bernard Cornwell, 72. Embora não seja vinculado aos livros de Cornwell, o seriado claramente foi inspirado por ele e pela série de livros e de TV “O Último Reino”.

O país que se chamou depois Inglaterra era então constituído por quatro reinos –Wessex, Nortúmbria, Mércia e Ânglia Oriental. O rei Alfredo, o Grande, o pioneiro na unificação do país, é um personagem-chave das “Crônicas” e aparece como bebê em “Vikings”. Cornwell é hoje, sem a menor dúvida, o principal autor dos chamados “romances históricos”. O termo é no mínimo curioso.

“O romance histórico, como eu descobri com alguma preocupação depois de ter escrito dois ou três, pertence a um gênero desprezado”, escreveu o autor inglês Patrick O’Brian (1914-2000), pseudônimo de Richard Patrick Russ.

O’Brian produziu uma obra de 20 livros entre 1970 e 1999 contando as aventuras de um capitão da Marinha Real britânica durante as Guerras Napoleônicas, Jack Aubrey, e seu amigo médico, naturalista e espião, Stephen Maturin (um 21º livro, incompleto, foi publicado postumamente em 2004, com o curioso título “21”, já que o autor ainda não tinha criado um).

Dois dos romances serviram de base ao filme de Peter Weir de 2003, “Mestre dos Mares – O Lado Mais Distante do Mundo”, com Russell Crowe no papel de Aubrey.

Os livros foram classificados como os “melhores romances históricos já escritos” pelo escritor e editor da revista “American Heritage”, Richard Snow, em resenha de capa do suplemento literário do jornal “The New York Times” em 1991.

Apesar de todo esse pedigree, O’Brian reclamava do desprezo –em geral acadêmico– pelo romance histórico.

A categoria só foi reconhecida como um gênero “menor” da literatura no século 20, o mesmo que aconteceu com o romance policial.

CLÁSSICOS MUNDIAIS

Mas é algo que existia há mais tempo, e antes era tratado com louvor. Dois exemplos bastam. O escritor russo Lev Tolstói (1828-1910) escreveu “Guerra e Paz”, sobre a campanha de Napoleão na Rússia em 1812.

O escritor americano James Fenimore Cooper (1789-1851) escreveu “O Último dos Moicanos” baseado em fatos da guerra entre britânicos, franceses e índios de 1754-1763.

Os dois livros são clássicos da literatura mundial. Mas não costumam ser chamados de “romances históricos”, apesar de seus autores escreverem sobre fatos que aconteceram antes de nascerem. Tecnicamente, deveriam ser.

Cornwell sem dúvida é um dos autores mais produtivos do gênero. Produziu cinco séries de romances, além de outros com temas individualizados. A mais conhecida narra as aventuras de um soldado britânico nas Guerras Napoleônicas, Richard Sharpe, também transformada em filmes de TV.

Talvez o detalhe mais interessante nos seus livros seja uma nota final, um posfácio, comentando as fontes históricas da obra, e as “licenças” que ele tomou para produzir sua narrativa. Fica clara a enorme erudição do autor, dando confiança ao leitor de que muitos dos fatos e detalhes correspondem ao melhor conhecimento existente sobre o tema.

Cornwell é admirador daquele que pode ser considerado o pioneiro entre os romancistas históricos do século 20, o escritor inglês Cecil Scott Forester (1899-1966).

Forester escreveu 11 livros da série “Hornblower”, um comandante naval durante as Guerras Napoleônicas, publicados de 1937 a 1967. O primeiro-ministro britânico Winston Churchill leu alguns desses livros ao longo de uma travessia do Atlântico para encontrar o presidente americano Franklin Roosevelt, durante a Segunda Guerra. Churchill adorou os livros.

Cornwell também. Mas, em vez imitar Forester criando um outro capitão da Marinha Real –como foi feito por autores como O’Brian, Dudley Pope ou Victor Suthren, Richard Woodman ou James Nelson–, ele preferiu criar um personagem diferente. Assim surgiu Sharpe, protagonista de 24 romances. Históricos.

Vai desacelerar no final do ano? Eis bons livros para ler entre os cochilos

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Rodrigo Cazarin, no Página Cinco

Dia 21 de dezembro. Quem nessa época do ano não está pensando em alguns dias de descanso? Para os afortunados que poderão desacelerar e curtir uma praia, uma montanha ou até mesmo o sofá de casa, separei cinco bons livros que servem de companhia entre uma cochilada – ou uma cerveja – e outra:

“Detetive à Deriva”, de Luís Henrique Pellanda (Arquipélago Editorial): Pellanda é atualmente um dos cronistas mais respeitados do país. Suas histórias são retiradas das ruas de Curitiba, de onde surgem achados como um par de botas abandonado, um misterioso rastro de pétalas, um bebê chinês sozinho na calçada e uma família de urubus que habita o topo de um prédio. Vale a leitura para conhecer um cronista que ainda se preocupa mais com uma boa história do que em expor suas opiniões sobre tudo.

“Guerra de Ninguém”, de Sidney Rocha (Iluminuras): daqueles nomes que ainda carecem de reconhecimento que faça jus à qualidade de seu trabalho, Sidney Rocha fala da morte nos contos de seu novo livro. Da morte de quem foi parar em uma cova sem nome em Alto Santo, da morte de uma garotinha jogando videogame, da morte em Bombaim, na Índia. Vale a leitura para conhecer a estética bastante própria do autor e para refletir sobre os caminhos que o mundo tem tomado – sim, férias também servem para isso, principalmente para aqueles que vivem sem tempo para nada além do próprio umbigo.

“Allegro Ma Non Troppo”, de Paulliny Gualberto Tort (Oito e Meio): romance de estreia de Paulliny, a obra narra a jornada de um violinista que precisa atender ao pedido de uma mãe um tanto desvairada: encontrar onde seu irmão mais velho está vivendo, isso após o pai de ambos, um ex-político de certa importância, falecer. Vale a leitura por conta do bom ritmo que autora emprega, pela complexidade dos personagens e pelos cenários que se alternam entre a gélida Brasília e as cachoeiras da Chapada dos Veadeiros.

“De Tudo um Pouco”, de Ana Luisa Escorel (Ouro Sobre Azul): “Conjunto de impressões de alguém frente a seu cotidiano, ao qual se acrescentaram histórias de outro tempo que parecia fazer sentido contar”. É assim que Ana Luisa Escorel define o seu “De Tudo um Pouco”. Vale a pena porque, além da autora ser uma ótima escritora – vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura de 2014 por “Anel de Vidro”, romance que lançou aos 70 anos -, quando reflete sobre o cotidiano, fala a respeito de temas corriqueiros, e quando recorre às memórias, traz registros relacionados a nomes como Rubem Braga e Umberto Eco.

“Eu Contra o Sol”, de Alex Tomé (Confraria do Vento): Benício, um estudante de direito, escapa da morte e tenta entender como funciona a vida adulta enquanto o país ameaça entrar em colapso. No romance, Alex cria um possível retrato da juventude nos dias de hoje. Vale para conhecer um novo autor publicado por uma editora que costuma ousar em suas apostas.

Biblioteca Britânica disponibiliza manuscritos de clássicos da literatura online

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Biblioteca Britânica disponibiliza manuscritos de clássicos da literatura online | Fonte: Shutterstock

Biblioteca Britânica disponibiliza manuscritos de clássicos da literatura online | Fonte: Shutterstock

 

De Jane Austen a Mozart, Biblioteca Britânica disponibiliza clássicos da literatura em portal

Publicado no Universia Brasil

Se você é fã de literatura clássica vai ficar feliz em saber que a Biblioteca Britânica disponibilizou manuscritos de clássicos da literatura – como os primeiros trabalhos de Jane Austen – em um portal gratuito. Para facilitar o acesso, todo o material encontra-se organizado em ordem alfabética.

A coleção, que ganhou o nome de Turning the Pages – Virando as Páginas em português literal – começou há muito tempo, em 2012, quando a Biblioteca disponibilizou o original de Alice no País das Maravilhas, escrito pelo pseudônimo de Lewis Carroll, Charles Dodgson. Junto a outros manuscritos que o local já possuía, a coleção começou a tomar forma.

Além dos clássicos, é possível encontrar obras importantes voltadas para a medicina, textos religiosos e até mesmo bíblias. Alguns dos destaques são composições de Mozart e anotações de livros de Leonardo Da Vinci. É possível que o acervo se expanda, conforme a Biblioteca fizer as digitalizações e tiver acesso a outros.

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