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Bienal Internacional do Livro de São Paulo começa hoje

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Best-sellers como Victoria Aveyard, Beth Reekles, David Levithan e Marissa Meyer vão participar do evento, que terá Mauricio de Sousa, Ziraldo, Fernanda Montenegro Lázaro Ramos.

Publicado no G1

A 25ª Bienal Internacioal do Livro de São Paulo começa nesta sexta-feira (3) e traz grandes best-sellers internacionais e também autores brasileiros que arrastam multidões.

Com o tema “Venha fazer esse download de conhecimento”, o evento, que acontece no Pavilhão Anhembi (veja o serviço abaixo), deve oferecer 1,5 mil horas de atividades ao longo de dez dias, até 12 de agosto.

Além das tradicionais sessões de autógrafos e estandes de editoras, a Bienal tem na programação palestras com escritores, debates sobre atualidades, local para saraus e shows, espaço infantil e área dedicada à gastronomia.

“Tivemos o cuidado de trazer uma programação capaz de atingir todos os públicos – das crianças aos adultos – buscando temas atuais”, afirmou, em nota, Luís Antonio Torelli, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), que promove a Bienal.

Veja, abaixo, 5 destaques da Bienal do Livro de SP 2018:

1. Best-sellers internacionais

A partir da esquerda: os escritores best-sellers David Levithan, Marissa Meyer e Tessa Dare, anunciados para a Bienal Internacional do Livro de São Paulo (Foto: Divulgação)

A principal atração da Bienal são os best-sellers estrangeiros que levam os fãs a formar aquelas filas gigantes para pegar um autógrafo. São com astros do rock – só que da literatura.

Dentre os principais, estão:

Victoria Aveyard, americana autora da saga “A rainha vermelha”;
David Levithan, americano que assina “Todo dia”, obra cuja adaptação para o cinema acaba de estrear no cinema, e autor de obras de temática LGBTQ;
Marissa Meyer, americana que escreveu a série “As crônicas lunares”, com versões futuristas de Cinderela, Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel e Branca de Neve;
Beth Reekles, autora de “A barraca do beijo”, que inspirou o filme de mesmo nome e faz bastante sucesso entre os jovens;
Tessa Dare, escritora best-sellers conhecida por seus romances de época e eróticos;
A.J. Finn, autor de “A mulher na janela, que vai ser adaptado para o cinema com Amy Adams na pele da protagonista;
Lauren Blakely, ameriana que escreveu a série “Big Rock”;
Yoav Blum, israelense que assina o best-seller “Os criadores de coincidências”;
Charlie Donlea, escritor americano autor de “A garota do lago” e “Deixada para trás”;
Soman Chainani, americano conhecido pela série “A escola do bem e do mal”.

A partir da esquerda: Victoria Aveyard, Soman Chainani, Yoav Blum e Lauren Blakely, os primeiros autores internacionais anunciados na 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo (Foto: Divulgação)

2. Autores brasileiros

Ziraldo (Foto: Gustavo Garcia/G1)

O time de escritores brasileiros da Bienal também é forte. Vão estar presentes, por exemplo:

Mauricio de Sousa, criador da “Turma da Mônica”;
Ziraldo, “pai” do Menino Maluquinho e de muitos outros personagens;
O escritor e cronista Antonio Prata;
O best-seller de livros policiais Raphael Montes;
Julián Fuks, um dos mais premiados jovens escritores do país, autor de “A resistência”;
Luiz Ruffato.

3. Convidados de fora da literatura

Fernanda Montenegro (Foto: Divulgação/Walter Craveiro)

Como costuma acontecer em outras edições, a Bienal do Livro de 2018 também abre espaço a convidados de outras áreas que não a literatura.

Desta vez, vai haver por exemplo um show do Moraes Moreira. É nesta sexta-feira (3), em um espaço reservado a cordelistas e repentistas que vai receber músicos do Nordeste durante todos os dias do evento.

Outros artistas escalados para passar pelo Anhembi são Fernanda Montenegro e a turma do “Casseta & Planeta”.

4. Espaço Infantil

O ator e escritor Lázaro Ramos (Foto: Divulgação)

O quarto destaque é o espaço infantil da Bienal, que é inspirado no “Livro das mil e uma noites”. Por lá, vão passar nomes como Lázaro Ramos e Ana Maria Machado.

Contos, mitos e fábulas devem orientar as atividades do local, que certamente será uma das principais atrações de todo o evento, já que o público infantil é tradicionalmente um dos mais assíduos da Bienal.

5. Debates sobre temas atuais

Djamila Ribeiro (Foto: Walter Craveiro/Divulgação)

O quinto destaque da Bienal é o espaço chamado Salão de Ideias, dedicado a debates sobre temas da atualidade, como feminismo e racismo.

Por lá, vão passar nomes como a escritora e filósofa Djamila Ribeiro, a escritora Ana Maria Gonçalves, a escritora e jornalista Miriam Leitão, a atriz e escritora Maria Ribeiro e o poeta Fabrício Carpinejar.

Veja, abaixo, os principais espaços culturais da 25ª Bienal do Livro

Arena Cultural – receberá best-sellers nacionais e internacionais, como A. J. Finn, Victoria Aveyard, Soman Chainani, Yoav Blum, Tessa Dare, Lauren Blakely, Charlie Donlea, David Levithan, Marissa Meyer, Fernanda Montenegro, Mauricio de Sousa, Bela Gil, Marcos Piangers, Walcyr Carrasco, Adriana Falcão, Ziraldo, e turma do “Casseta & Planeta”

Arena de Autógrafos – receberá os autores que se apresentarão na Arena Cultural para sessões de autógrafos com fãs.
Salão de Ideias – discussões sobre temas atuais (como fakenews, lideranças negras, o protagonismo da mulher negra, abolição da escravatura e feminismo) e artes (literatura, música, cinema). Gêneros literários também vão ser discutidos, casos de crônicas (com Miriam Leitão e Antônio Prata), poesia (Ryane Leão e Alice Sant’ Anna) e romance policial (Raphael Montes e Vitor Bonini).

Espaço Infantil – chamado “Tenda das Mil Fábulas”, teve o nome escolhido em homenagem ao nosso convidado de honra da Bienal, Sharjah, nos Emirados Árabes. É uma referência a uma obra bastante representativa na cultura árabe: o “Livro das Mil Fábulas”, conhecido no ocidente como o “Livro das Mil e Uma Noites”. O espaço deve ter atividades em torno de fábulas, lendas, histórias, contos e mitos. Entre convidados, estão Ana Maria Machado, Lázaro Ramos, Ziraldo, Mauricio de Sousa, Daniel Munduruku, Cristino Wapixana e Yaguarê.

Auditório Edições Sesc São Paulo – espaço para encontros criados a partir dos livros das Edições Sesc e dos temas da programação. Estão previstos debates sobre cinema, música, filosofia, história, arquitetura, meio ambiente e antropologia, dentre outros assuntos.
Espaço Cordel e Repente – espaço com presença de cordelistas e repentistas de oito estados do Nordeste, além de poetas radicados em São Paulo, Rio e Brasília. Vai ter oficinas, debates e encontros com autores. Dentre os convidados, estão Moraes Moreira, Socorro Lira, Maciel Melo e Bráulio Tavares.

BiblioSesc (Praça da Palavra e Praça de Histórias) – duas praças, com caminhões biblioteca e atividades para o público, terão saraus, contação de histórias e slams, além de espetáculos de música e literatura. Elisa Lucinda, Eva Furnari, Xico Sá e Sergio Vaz estão entre os convidados.

Cozinhando com Palavras – espaço com debates, aula-show e bate-papos sobre a relação da gastronomia e cultura (incluindo literatura. Diversidade, questões sociais e patrimônio cultural devem estar na pauta. O chef colombiano Juan Manuel Barriento, do El Cielo, que trabalha com a capacitação de ex-guerrilheiros e refugiados, vai estar presente. Outros convidados são Morena Leite, Gabriela Kapim, Thiago Castanho, Tereza Paim, Ivan Achcar, Breno Lerner, Janaina Rueda, Olivier Anquier, Rodrigo Oliveira e o apresentador Zeca Carmago.

25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo

Quando: de 3 a 12 de agosto
Onde: Pavilhão Anhembi (Pavilhão de Exposições do Anhembi, Av. Olavo Fontoura, 1.209, Santana)
Ingressos: R$ 20 (com meia-entrada) de segunda a quinta-feira; e R$ 25 (com meia-entrada) de sexta-feira a domingo.
Site oficial: www.bienaldolivrosp.com.br

Mais livros religiosos, menos didáticos: o caminho das trevas se solidifica

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“O Triunfo da Morte”, de Pieter Bruegel, O Velho.

Rodrigo Casarin, no Página Cinco

Em 2016 uma pesquisa mostrou que o Brasil é, basicamente, um país de leitores de “Bíblia”. No mesmo ano, logo na sequência, outra apuração apontou para a ascensão dos livros religiosos e a queda da literatura no país. Já no ano passado, mais um indício da supremacia dos livros sacros, cujas vendas novamente cresciam enquanto o comércio de livros científicos diminuía. Pois bem, segundo a pesquisa de Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro em 2017, realizada pela Fipe a pedido do Sindicado Nacional dos Editores de Livros e da Câmara Brasileira do Livro, a toada permanece a mesma.

No ano passado, editoras nacionais produziram cerca de 393 milhões de exemplares, venderam 355 milhões e faturaram R$ 5,17 bilhões, o que, comparando com o ano anterior e considerando a variação do IPCA (2,95%), significa uma queda real de 4,76% no faturamento. Se o encolhimento do mercado já preocupa, os números dos subsetores são ainda mais tenebrosos: enquanto houve novo recuo na produção e no faturamento de livros científicos, técnicos e profissionais e uma queda real de 10,43% entre os livros didáticos, as obras gerais tiveram um crescimento real de 3,77% e as religiosas, de 1,61%.

Como as obras gerais, tal qual o nome entrega, abarcam desde a mais refinada literatura até livros para colorir, foquemos nas outras três categorias, mais específicas: enquanto os números de livros voltados à formação científica, técnica, profissional e pedagógica (os didáticos) minguaram, aqueles destinados majoritariamente ao dogmatismo apresentam novo crescimento.

Já falei em outras oportunidades o quanto o aumento do comércio de títulos religiosos e o encolhimento das obras destinadas essencialmente ao aprimoramento do indivíduo me preocupam. Textos quase sempre destinados a leituras enviesadas me parecem exatamente o contrário do que pensamos quando nos deparamos com a palavra “livro” (e normalmente a confundimos com “literatura”): algo essencialmente aberto, que leva o leitor a diversas possibilidades de mundo, não um apanhado de supostas verdades absolutas.

A novidade é que, de um ano pra cá, o caminho das trevas que apontei em outros textos vem tomando um corpo maior. Mês a mês presenciamos episódios escabrosos relacionados às artes: exposição que se encerra por conta de protestos reacionários, peça que é retirada de cartaz porque uns e outros não suportam ver Jesus, um cara extremamente libertário e acolhedor, ser interpretado por uma atriz transexual, HQ que é tirada de mostra por melindrar policiais ou entusiastas dos homens de farda… Enfim, a onda conservadora, sem brechas ao diálogo e à pluralidade, está aí, definitivamente.

É o reflexo perfeito de uma população que se preocupa cada vez menos em ouvir vozes divergentes, que aos poucos vai trocando livros formadores por calhamaços religiosos normalmente interpretados de forma oportuna por algum “líder espiritual”.

Nossa imaginação precisa da literatura mais do que nunca

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Nenhuma forma de arte ou objeto cultural guarda a potência escondida por aquele monte de palavras impressas na página

Ligia G. Diniz, no El País

Vamos partir de uma situação que grande parte de nós já vivenciou. Estamos saindo do cinema, depois de termos visto uma adaptação de um livro do qual gostamos muito. Na verdade, até que gostamos do filme também: o sentido foi mantido, a escolha do elenco foi adequada, e a trilha sonora reforçou a camada afetiva da narrativa. Por que então sentimos que algo está fora do lugar? Eu penso logo em Fim de Caso, do inglês Graham Greene, levado às telas por Neil Jordan. Mas você pode pensar em Harry Potter, em Alice no País das Maravilhas, em qualquer um dos filmes baseados em romances do Cormac McCarthy. No meu caso, eu tinha a Julianne Moore no papel feminino principal, e com ela nada pode dar muito errado, né? Então, por que me senti um pouco traída e com uma sensação de que havia faltado alguma coisa?

O que sempre falta em um filme sou eu. Parto dessa ideia simples e poderosa, sugerida pelo teórico Wolfgang Iser em um de seus livros, para afirmar que nunca precisamos tanto ler ficção e poesia quanto hoje, porque nunca precisamos tanto de faíscas que ponham em movimento o mecanismo livre da nossa imaginação. Nenhuma forma de arte ou objeto cultural guarda a potência escondida por aquele monte de palavras impressas na página.

Essa potência vem, entre outros aspectos, do tanto que a literatura exige de nós, leitores. Não falo do esforço de compreender um texto, nem da atenção que as histórias e poemas exigem de nós – embora sejam incontornáveis também. Penso no tanto que precisamos investir de nós, como sujeitos afetivos e como corpos sensíveis, para que as palavras se tornem um mundo no qual penetramos. É sempre bom ver Julianne Moore na tela… O problema é que ela, ali, toma o espaço que, de alguma forma, eu havia preenchido na narrativa quando a li.

Somos bombardeados todo dia, o dia inteiro, por informações. Estamos saturados de dados e de interpretações. A literatura – para além do prazer intelectual, inegável – oferece algo diferente. Trata-se de uma energia que o teórico Hans Ulrich Gumbrecht chama de “presença” e que remete a um contato com o mundo que afeta o corpo do indivíduo para além e para aquém do pensamento racional.

Muitos eventos produzem presença, é claro: jogos e exercícios esportivos, shows de música, encontros com amigos, cerimônias religiosas e relações amorosas e sexuais são exemplos óbvios. Por que, então, defender uma prática eminentemente intelectual, como a experiência literária, com o objetivo de “produzir presença”, isto é, de despertar sensações corpóreas e afetos? A resposta está, como já evoquei mais acima, na potência guardada pela ficção e a poesia para disparar a imaginação. Mas o que é, afinal, a imaginação, essa noção tão corriqueira e sobre a qual refletimos tão pouco?

Proponho pensar a imaginação como um espaço de liberdade ilimitada, no qual, a partir de estímulos do mundo exterior, somos confrontados (mas também despertados) a responder com memórias, sentimentos, crenças e conhecimentos para forjar, em última instância, aquilo de faz de cada um de nós diferente dos demais. A leitura de textos literários é uma forma privilegiada de disparar esse mecanismo imenso, porque demanda de nós todas essas reações de modo ininterrupto, exige que nosso corpo esteja ele próprio presente no espaço ficcional com que nos deparamos, sob pena de não existir espaço ficcional algum.

Mais ainda, a experiência literária nos dá a chance de vivenciarmos possibilidades que, no cotidiano, estão fechadas a nós: de explorarmos essas possibilidades como se estivéssemos, de fato, presentes. E a imaginação é o palco em que a vivência dessas possibilidades é encenada, por meio do jogo entre identificações e rejeições.

Resta pensar por que é tão importante encenar possibilidades. Em primeiro lugar, como o escritor Bernardo Carvalho destacou recentemente, estamos vivendo uma confusão generalizada entre realidade e representação artística, em que esta última vem sofrendo sanções violentas, por se haver perdido a medida da diferença entre o real e a retomada desse real em obras artísticas. Carvalho inicia seu texto afirmando, muito acertadamente, que rejeitar ou proibir a representação ficcional do horror que há no mundo é sintoma de um desespero – o desespero causado pela impossibilidade de eliminarmos o horror real. Além disso, diz ele mais adiante, recusar a legitimidade ou a existência de determinadas obras de arte denota o temor à ambivalência dos nossos próprios desejos, sentimentos e certezas.

Aprendemos desde cedo que, para que haja vida em sociedade, não podemos pôr em prática, na vida cotidiana, toda essa ambivalência. Um dos poderes da obra de arte é, precisamente, o de oferecer uma experiência cuja própria premissa é a existência de paradoxos – afinal, a ficção cria um mundo que, fora dela, não existe, mas no qual precisamos acreditar. A imaginação entra em cena para ampliar as contradições, sem, contudo, tornar a experiência incoerente: estamos, agora, no domínio da associação livre e espontânea entre o que lemos, o que lembramos, o que sabemos e sentimos. Idealmente, ao lermos uma obra literária, não caímos na confusão entre a realidade e a representação dela, e sim nos conectamos a uma realidade cotidianamente inacessível, por meio da interação entre o que o texto propõe e a nossa imaginação. Nesta, acessamos aqueles que somos, mas também aqueles que poderíamos ser – maravilhosos ou terríveis.

Há, ainda, outra defesa para a primazia da literatura como “disparadora” da imaginação. Para ela, recorro a uma história real, que se desenrola neste momento, na Universidade Stanford, uma das melhores do mundo e, além disso, localizada em meio ao Vale do Silício. Lá, hoje se desenvolve boa parte das pesquisas científicas mais importantes sobre inteligência artificial – assunto, aliás, que até pouco tempo atrás só era central em obras de ficção científica (e nem me deixem começar a falar da imaginação de gente como Ursula Le Guin ou Philip K. Dick!)

Em Stanford, encontramos uma dessas figuras que só um ambiente absurdamente privilegiado é capaz de produzir (e de que meritocracia nenhuma, sozinha, pode dar conta): o americano Sam Ginn está no terceiro ano de sua graduação, e irá se formar em ciência da computação e… em literatura comparada (desde 2014, a universidade oferece e incentiva a prática de dupla graduação em computação e em uma área das humanidades). O principal interesse de Sam é na replicação artificial da consciência humana. E um dos principais autores que guiam a pesquisa dele não é um neurocientista ou um programador como ele próprio, mas o filósofo Martin Heidegger (ele fala sobre isso nesta entrevista incrível). Vale contar, também, que, quando não está em sala de aula, Sam atua no laboratório de inteligência artificial da universidade, um trabalho pelo qual recebe, aos 20 anos, um salário que deixaria bastante felizes muitos pesquisadores brasileiros experientes.

No começo deste mês, em um evento em homenagem à obra de Gumbrecht, Sam lembrou a uma plateia formada por professores e pesquisadores de história, filosofia e literatura, que muitas elucubrações que sempre haviam sido do domínio da ficção hoje se tornaram objeto de pesquisas reais. Disse ainda que, se aos cientistas cabem os esforços e a ambição virtualmente irrestritos de inventar o futuro, cabe a nós, das ditas humanidades, oferecer um terreno aberto de discussão sobre esse futuro. Esse terreno constituiria uma base não propriamente ética (o que seria um encargo que excede as nossas capacidades, por mais que alguns de nós se achem aptos a ele…), mas simplesmente humanista, no melhor sentido do termo: um espaço de debate não calcado em posições preconcebidas ou objetivos concretamente delimitados. Entre os futuros imaginados por jovens como ele, Sam mencionou – provocando taquicardia em muitos, e em mim – a possibilidade concreta de uma existência em que a morte terá sido derrotada pela ciência. Se isso será bom ou ruim, não me cabe dizer. Sei apenas que a imaginação humana tem muito trabalho pela frente, e que nenhum esforço da literatura para despertá-la terá sido em vão.

Ligia G. Diniz é doutora em literatura pela UnB e recebeu, em 2017, o prêmio CAPES de melhor tese em Letras pelo seu trabalho, intitulado Por uma Impossível Fenomenologia dos Afetos: Imaginação e Presença na Experiência Literária.

Frankenstein e a Campeã do Carnaval 2018 no Rio de Janeiro

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Daniela Marttos, na Estação Nerd

A Beija-flor levou para a avenida um tema clássico da literatura e foi a campeã do carnaval 2018 no Rio. A escola conseguiu extrair a essência da história de Mary Shelley em carros super criativos e enredo contagiante.

É claro que, leitora e nerd, não entendo muito de carnaval, mas achei muito legal que uma festa popular que tem uma abrangência tão grande, reacenda o interesse por um clássico da literatura. E se você ficou curioso pela história, trouxe aqui algumas informações que podem ser úteis!

O livro escrito em 1816, quando autora tinha apenas 18 anos. Uma das mais célebres histórias de ficção científica e de horror, choca ainda nos dias de hoje por tratar de um tema delicado: os limites da invenção humana, da ciência, medicina ética e por aí vai.

A obra foi inspiração para inúmeros conteúdos da literatura, TV e cinema. Há um sem número de livros, séries e filmes, em que um cientista obcecado pelo poder do conhecimento arrisca-se na área geneticista e da criação da vida, assim como Victor Frankenstein. O médico que cria o monstro “montado” a partir de partes de outras pessoas que ele rouba do cemitério.

E para quem curte um bom e arrepiante romance gótico, e está interessado em ler o clássico, a Companhia das Letras está lançando uma edição especial incluindo: todas as revisões feitas por Mary Shelley, uma introdução da autora e textos críticos de Percy B. Shelley e Ruy Castro. Há ainda um apêndice com textos de Lorde Byron e do dr. John Polidori.

 

Prêmio Oceanos de literatura abre inscrições para edição 2018

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Obras em língua portuguesa publicadas em qualquer lugar do mundo podem participar do prêmio – Divulgação

 

Concurso abrange escritores lusófonos do mundo inteiro

Publicado em O Globo

RIO — Autores de língua portuguesa de qualquer lugar do mundo poderão inscrever suas obras na edição de 2018 do Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa, parceria entre o Itaú e o Oceanos, a partir do dia 9 de fevereiro.

Obras nos gêneros de poesia, romance, conto, crônica e dramaturgia, que tenham sido publicadas pela primeira vez em 2017, podem participar da premiação.

As inscrições serão feitas a partir do preenchimento dos dados da ficha presente no site www.itaucultural.org.br/oceanos/2018 que estará disponível a partir das 10h do dia 9 de fevereiro até 18 de março. Tanto o as editoras quanto os autores podem inscrever as obras.

O livro deve ser anexado em formato PDF, mesmo que tenha sido publicado apenas em versão impressa, permitindo, assim, que os concorrentes sejam avaliados por um júri internacional, composto por escritores, críticos, professores e jornalistas do Brasil, de Portugal e de países da África lusófona.

A composição da curadoria traz dois novos nomes do universo literário em língua portuguesa, a escritora e jornalista Isabel Lucas, de Portugal, e a editora Mirna Queiroz, do Brasil. As duas se juntam à gestora e idealizadora do prêmio Selma Caetano e ao jornalista Manuel da Costa Pinto, ambos brasileiros.

Premiação

Obras de diferentes gêneros concorrem entre si pelas quatro premiações do Oceanos, que correspondem a um valor total de 230 mil reais – R$ 100 mil para o primeiro colocado, R$ 60 mil para o segundo, R$ 40 mil para o terceiro e R$ 30 mil para o quarto.

O processo de avaliação e atribuição final do Oceanos ocorrerá em três etapas. Na primeira fase, um Júri de Avaliação formado por jurados convidados pela curadoria do prêmio elegerá 50 obras semifinalistas entre os livros inscritos validados pela curadoria e escolherá, por votação, os membros dos júris subsequentes (Júri Intermediário e Júri Final).

Ao Júri Intermediário caberá selecionar dentre os 50 semifinalistas os 10 finalistas, dentre os quais serão escolhidos, pelo Júri Final, os premiados de 2018. Estes serão anunciados no dia 29 de novembro, em local e horário a confirmar.

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