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Você conhece o papel da literatura no desenvolvimento infantil?

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Ler estimula até os sentidos. Veja de que forma isso acontece

Publicado no G1

A literatura infantil é um caminho que leva a criança a desenvolver a imaginação, ampliar o vocabulário, trabalhar sentimentos de forma prazerosa e significativa e alfabetizar-se, nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Mas o contato com a literatura na infância permite, ainda, que a criança se coloque em diferentes papéis e aprenda, desde cedo, a apreciar a arte.

Para Andrea Bade Fecher, gestora do Bom Jesus Menino Jesus, em Petrópolis (RJ), é difícil, ou melhor, impossível dizer o papel da literatura no desenvolvimento infantil. “Podemos destacar alguns, como a função social: ler para se informar, ampliar o repertório, socializar o conhecimento, agregar valores etc. Em relação ao desenvolvimento, durante a leitura, são ativadas diversas áreas cerebrais ao mesmo tempo. À medida que lemos, ativamos nossas memórias e os campos: visuais, auditivos, da criatividade e, por vezes, até olfativos. Sem contar que não aprendemos apenas com as nossas experiências; aprendemos na interação com seres e objetos, o que torna a literatura uma grande fonte de aprendizado”, afirma.

A criança que tem o contato com a literatura estimulado amplia consideravelmente seu repertório na língua materna (ou outras línguas, caso já tenha contato com elas), e é capaz de relacionar, interpretar e fazer inferências com maior facilidade, melhora sua ortografia e expande seu potencial criativo.

Segundo Andrea, os pais podem estimular a leitura com o exemplo dentro de casa. “Crianças são atentas – não adianta os pais dizerem que a leitura é importante se o filho nunca os viu lendo. Há pesquisas em neurociência que mostram que todo novo hábito pode ser criado em 21 dias. Então vamos lá, faça o seu planejamento e mantenha com seu filho uma rotina de leitura”, incentiva a gestora, que entende que a escola tem papel fundamental nesse processo, pois é nela que o aluno terá contato com leitura de forma mais técnica. “No Bom Jesus, trabalhamos com títulos e autores diversificados, escolhidos com muito critério. Os alunos leem os livros do projeto de leitura, outros que têm relação com o tema do projeto desenvolvido pela turma, leem livros da ciranda de leitura feita em sala de aula e contam ainda com títulos, separados por faixa etária, nas bibliotecas das unidades de ensino. Já no 1º ano são estimulados a ler para a turma ou a dramatizar histórias lidas individualmente ou em grupo. Quando maiores, são estimulados a leituras mais densas, fazem trabalhos orais, expositivos e avaliações em que podem colocar suas descobertas acerca da leitura realizada”, explica.

Então, não se esqueça: na hora da leitura, nada de preconceito! Explore, com a criança, os diversos gêneros textuais, descubra seu campo de interesse, crie uma rotina agradável e divirta-se neste momento único entre pais e filhos!

Homenageado pelo Fliaraxá, Mia Couto busca inspiração na natureza

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Mia Couto durante palestra em Araxá (foto: Franklin Caldeira/Divulgação)

Mia Couto durante palestra em Araxá (foto: Franklin Caldeira/Divulgação)

 

Escritor moçambicano sempre conciliou biologia e literatura. Paixão pelos animais se reflete em suas histórias e nos títulos dos livros

Ana Clara Brant, no UAI

Araxá – Imagine o que significa para um biólogo e amante da natureza ficar hospedado dentro de um parque, rodeado de árvores e várias espécies da fauna e da flora brasileira. “Quis sair para conhecer um pouco do hotel e desbravar a mata. Porém, percebi que se saísse, nunca mais voltaria de tanto que iria gostar (risos). O que seria uma grande vantagem”, brinca o moçambicano Mia Couto, um dos nomes mais importantes da literatura africana.

O lugar a que ele se refere é o icônico Grande Hotel de Araxá, no Alto Paranaíba, que desde quarta-feira recebe o Festival Literário de Araxá (Fliaraxá). Mia é o homenageado da sexta edição do evento, que será encerrado neste domingo. “Não sinto que sou o homenageado, mas sim a literatura. O importante não são os escritores, mas o que fazemos, a obra que deixamos”, diz ele.

Nascido há 62 anos, Antônio Emílio Leite Couto demonstrava, já menino, paixão pelos bichos. O apelido Mia vem daí. “Quando tinha por volta de 2 ou 3 anos, queria ser chamado assim porque pensava que era um gato. Ou melhor, não posso dizer isso no Brasil, pois, certa vez, contei essa história e todo mundo riu. Depois, percebi que a palavra gato tinha outro sentido aqui”, diverte-se.

Mia Couto sempre conciliou biologia e literatura. A paixão pelos animais se reflete em suas histórias e nos títulos dos livros – O último voo do flamingo, O gato e o escuro e A confissão da leoa. No momento, ele está fascinado pelas corujas.

“Desde que escrevi o conto Os pássaros de Deus, que defende a ideia de que eles são mensageiros, os pássaros começaram a ficar mais presentes na minha vida. Garças e corujas caem na porta do meu sítio, não tenho outra alternativa senão adotá-las. Agora estou com quatro corujinhas. Aliás, os animais nos concedem um grande aprendizado: aprender a amar de maneira que a deixar o outro solto, livre. Não as prendo lá; ficam e voltam quando querem. Não sei se vão virar livro. Só sei que as corujas, agora, são personagens da minha vida. Não me liberto delas nunca mais”, revela.

GAZA Atualmente, Mia se dedica a promover a trilogia As areias do imperador, ficção que aborda a derrocada do Império de Gaza, no Sul de Moçambique, tido como o palco da maior resistência da África à colonização portuguesa. Ele acaba de lançar o último livro da saga, O bebedor de horizontes, em Moçambique e Portugal. Os outros dois são Mulheres de cinzas e A espada e a azagaia.

“Acredito que esse tenha sido o meu maior desafio na literatura. A trilogia exigiu muito de mim, porque é um romance histórico e essa não é a minha praia. Durante quatro anos, fiz um trabalho de investigação muito vasto. Foi a única vez que escrevi uma história ficcional que queria que tivesse relação de verossimilhança e proximidade com o fato histórico, com o personagem histórico”, explica.

O bebedor de horizontes só chegará ao Brasil em 2018. Mia – que veio mais de 30 vezes ao país – é o único africano integrante da Academia Brasileira de Letras. Sócio correspondente eleito em 1998, ele ocupa a cadeira número 5, cujo patrono é o português dom Francisco de Sousa.

*A repórter viajou a convite da organização do evento


Duas perguntas para…

MIA COUTO
ESCRITOR

O tema do Fliaraxá é “Língua, leitura e utopia”. O que você acha dessa tríade?
Assim como toda tríade, ela é falsa porque é uma coisa só. São facetas de uma única entidade. Eu diria que nós não fomos feitos para caber nisso que se chama realidade. Não fomos feitos para caber em nós próprios, numa só vida, numa só pessoa. Essa ideia da utopia não é uma ideia construída. Ela é inerente, faz parte da nossa essência. Para esta relação com uma coisa que não é imediata precisamos saber uma outra língua, que é uma língua muito eufórica: a linguagem da poesia. Para isso, precisamos ter histórias. Somos feitos por histórias. Então, tudo isso faz com que as três entidades que separamos formem uma coisa só.

É a primeira vez que seus livros – a trilogia As areias do imperador – serão traduzidos para o chinês. Qual é a sua expectativa?

Vai ser algo completamente diferente. Em agosto de 2018, vou à China pela primeira vez e estou muito curioso para saber sobre essa cultura, que, aparentemente, já teve uma relação com a África, mas teve uma atitude de uma certa displicência. Há cerca de mil anos, os chineses navegaram pela costa africana, mas desistiram, porque acharam que não valia a pena, que não aprenderiam nada com a África. Mil anos depois, acho que vai ser bem interessante a relação com uma outra África.

Editora rebate racismo de Waack com concurso literário

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No embalo da campanha “#écoisadepreto”, marca procura romances escritos por negros

Publicado no UAI

No embalo da polêmica envolvendo o jornalista Willian Waack, da TV Globo, afastado da emissora por comentários racistas antes de uma gravação, uma editora aproveita para empoderar e promover autores negros com histórias sobre protagonistas negros.

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A iniciativa é da Rico Editora, responsável pelo concurso “É coisa de preto”, nome que aproveita a campanha feita na internet com intuito de combater o preconceito, após o vazamento das declarações de Waack.

Cada participante, com obra já publicada ou não, poderá inscrever seu romance (adulto, infantil ou adolescente) a partir do dia 20 de novembro de 2017. A data de término do concurso acontece no dia 20 de janeiro de 2018, sendo aceitas postagens por e-mail até às 23h59.

A obra vencedora será publicada na Bienal de São Paulo de 2018, com lançamento e autógrafos do autor. O edital pode ser acessado aqui.

Escritora canadense Margaret Atwood se torna ícone pop

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Daniel Oliveira. em O Tempo

Nascida em Ottawa, capital do Canadá, em 1939, Margaret Atwood começou a escrever poemas e peças aos 6 anos. Com 21, ela se formou em literatura na Universidade de Toronto e, aos 23, concluiu o mestrado em Harvard. Desde então, já publicou 16 romances, 15 coletâneas de poemas e inúmeros contos e ensaios.

Isso tudo já a havia consolidado como uma das grandes escritoras da atualidade. Mas foi só em 2017 que o nome de Atwood ultrapassou os confinamentos da alta literatura e ganhou um novo status: o de ícone da cultura pop. Com as adaptações dos romances “O Conto da Aia” (na série “The Handmaid’s Tale”, grande vencedora do último Emmy) e “Vulgo Grace” (na minissérie “Alias Grace”, que estreou na Netflix no último dia 3), a autora e sua obra se tornaram uma espécie de bíblia oracular da atual onda do feminismo – antecipando todas as questões em voga no movimento.

“É difícil responder o porquê disso. Porque ‘The Handmaid’s Tale’ começou a ser produzida antes da eleição do Trump. E ‘Alias Grace’, antes das atuais acusações de assédio em Hollywood. Essas são questões que sempre existiram para nós, mulheres, e de repente se tornaram mais prementes”, analisa Maria Rita Drummond, professora de literatura da Universidade Federal de Santa Catarina.

O que a pesquisadora, que ministra um curso sobre distopias, reconhece na obra de Atwood é uma capacidade de enxergar na dominação da mulher pelo homem e no culto a uma masculinidade tóxica a raiz de vários dos problemas que assolam o mundo hoje. “Mesmo ‘1984’, que é o livro que pula na cabeça das pessoas quando se fala de distopia, é absolutamente cego, surdo e mudo para questões de gênero. Muito do que ele diagnostica ali como problemas da humanidade, como características natas do ser humano, ela diz que não, que são traços de um culto à masculinidade e a uma ideia de homem que não é natural, é algo que se cria”, analisa.

Maria Rita ressalta, porém, que isso não é uma qualidade exclusiva da canadense. Escritoras como Katharine Burdekin, em “Swastika Night” (1937), e Mary Shelley, em “Frankenstein” (1818), já haviam realizado reflexões similares. E o curioso é que, mesmo que a opressão feminina por uma ideologia patriarcal seja um dos temas mais recorrentes em sua obra, Atwood nega que romances como “A Mulher Comestível”, “O Conto da Aia” e “Oryx e Crake” sejam feministas, alegando que esse título se aplicaria apenas a escritores que trabalham conscientemente dentro dos parâmetros do movimento.

“Acho que essa declaração dela tem muito daquela coisa do autor que não quer ser colocado em uma caixinha, o que é válido”, argumenta a professora. No entanto, ela acha que o que importa é o texto. “E se a gente levar em conta as questões centrais propostas pelo feminismo, ou pelos feminismos, não tem como não pensar em ‘O Conto da Aia’ e quase na obra inteira dela, que discute noções recebidas de dominação sexual e estereótipos de gênero”, afirma.

Já a estudante de letras Barbara Deister reconhece a importância do chamado à reflexão de “Aia”, mas não acredita que o romance possa ser considerado estritamente feminista. “No livro, a protagonista é uma personagem insípida, emocionalmente dependente dos homens, que mantem uma postura resignada ante sua nova realidade e, em algumas passagens, faz críticas pesadas a sua mãe, que ia para a rua fazer piquete e protestar ‘junto com suas amigas feministas e barulhentas’”, descreve. Para ela, as críticas e a desqualificação do feminismo feitas no livro representam a opinião da própria escritora e, por isso, ela preferiu a série, “que mostra uma personagem muito mais complexa, feminista, com mais atitude e menos dependente dos personagens masculinos”.

Outra polêmica envolvendo Atwood diz respeito à sua rejeição de que obras como “Aia” e “Oryx e Crake” sejam categorizadas como ficção científica. Para ela, mesmo sendo distopias futuristas, os livros são “ficções especulativas”. “Para mim, o rótulo da ficção científica pertence a romances com elementos que a humanidade ainda não é capaz de fazer, enquanto a ficção especulativa emprega recursos já disponíveis e se passa no planeta Terra”, explicou.

Drummond vê nisso outra recusa da autora a ser enquadrada numa caixinha. Para além de discussões categóricas, porém, a professora acredita que o verdadeiro poder da obra de Atwood está na compreensão que ela tem da impossibilidade de se entender totalmente o outro – especialmente as mulheres, a quem tão pouca voz foi dada historicamente. Tudo a que se tem acesso são pedaços, fragmentos de discursos – acadêmicos, científicos, jornalísticos, históricos, pessoais. E a obra dela, desde romances como “Vulgo Grace” e “O Assassino Cego” a contos como “O Ovo do Barba Azul”, é sempre construída a partir desses diferentes olhares e gêneros textuais – o que, Drummond reconhece, pode torná-la de difícil leitura para não-iniciados.

Status. Adaptações da obra de Atwood conquistaram o público

Status. Adaptações da obra de Atwood conquistaram o público

“Mas é o que eu mais gosto na literatura dela, essa consciência que você tem de que há sempre mais de uma história sendo contada ao mesmo tempo: alguém contando uma história para alguém, uma história sendo escrita, um futuro imaginado a partir de questões atuais. Essa característica de grandes escritores de questionar a permeabilidade da verdade e enxergar o poder da história que contamos para os outros e para nós mesmos”, sintetiza.

Romances

‘A Mulher Comestível’ (1969)

‘O Laço Sagrado’ (1972)

‘Madame Oráculo’ (1976)

‘A Vida Antes do Homem’ (1979)

‘Lesão Corporal’ (1981)

‘O Conto da Aia’ (1985)

‘Olho de Gato’ (1988)]

‘A Noiva Ladra’ (1993)

‘Vulgo Grace’ (1996)

‘O Assassino Cego’ (2000)

‘Oryx e Crake’ (2003)

‘A Odisseia de Penélope’ (2005)

‘God’s Gardeners’ (2009)

‘O Ano do Dilúvio’ (2009)

‘MaddAddam’ (2013)

‘The Heart Goes Last’ (2015)

Vem mais aí

A ‘Trilogia MaddAddam’ – formada pelos livros “Oryx e Crake”, “O Ano do Dilúvio” e “MaddAddam” – está atualmente sendo adaptada pela HBO.

Adaptação para os cinemas de “O Cemitério”, de Stephen King, é confirmada

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João Abbade, no Jovem Nerd

A Paramount anunciou nesta terça-feira (31) que uma nova adaptação do livro “O Cemitério”, de Stephen King, está sendo feita. A dupla de diretores Kevin Kolsch e Dennis Widmyer, diretores do filme de terror Starry Eyes, vão comandar a nova adaptação.

Em 1989 o livro ganho uma adaptação para os cinemas com o título “Cemitério Maldito” e com a direção de Mary Lambert, que hoje comanda a série Blacklist.

No livro, um médico de Chicago se muda para uma ótima casa em Maine, mas essa residência fica logo ao lado de um cemitério onde crianças de várias gerações enterravam seus animais. Mas o que a família não sabe é que o cemitério vizinho tem poderes místicos que podem trazer os animais de volta a vida.

Antes da adaptação ser confirmada, diversos diretores manifestaram o interesse em dirigir o projeto. Cineastas como Guillermo Del Toro e o diretor de It: A Coisa, Andy Muschietti, eram alguns deles.

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