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Livraria da Travessa vai abrir loja em Lisboa e em São Paulo

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A primeira loja da Travessa em São Paulo foi inaugurada em 2017 no Instituto Moreira Salles (Foto: IMS/Divulgação)

Na contramão da crise que coloca em xeque o futuro das livrarias Cultura e Saraiva, Livraria da Travessa deve registrar crescimento de 15% em 2018; inauguração das lojas de São Paulo e de Lisboa será em 2019

Maria Fernanda Rodrigues, na Folha de S.Paulo

Enquanto as livrarias Cultura e Saraiva estão às voltas com suas recuperações judiciais, com o abastecimento das lojas para o Natal, tradicionalmente um bom período para o mercado editorial, e, sobretudo, com a sua sobrevivência, a Livraria da Travessa prepara voos maiores.

Rui Campos, criador, nos anos 1990, da rede que conta hoje com nove lojas (no Rio, em SP e Ribeirão Preto), está em Lisboa para planejar sua primeira livraria internacional. Prevista para ser inaugurada ainda no primeiro semestre e com projeto de Bel Lobo, como as outras unidades da rede desde a primeira – a de Ipanema –, ela terá 300 m² e será instalada no térreo de um casarão tombado no bairro cult de Príncipe Real. É nesse palacete que fica a Casa Pau-Brasil, um espaço que abriga, desde 2017, marcas brasileiras (de sabonete, chocolate, roupa, etc.) e artistas.

Rui não vê o movimento como um projeto de expansão, algo que tenha sido planejado. Mas apareceu o convite e ele achou que dava para fazer lá uma livraria com a alma da Travessa. “Os portugueses são apaixonados pelo mundo da edição, da literatura e, principalmente, da poesia – o que remete a um espaço de livraria como é a Travessa. Isso nos deu a certeza de que podemos fazer esse trabalho em Portugal”, conta o livreiro, que nunca imaginou que teria uma loja fora do País.

Casa Pau-Brasil, ilustração de Plinio Castilho (Casa Pau-Brasil/Divulgação)

Ao contrário do que se pode supor, a livraria não será exclusiva de obras de autores brasileiros, explica Rui. “Os livros brasileiros são fundamentais no projeto e a expectativa é que eles estejam lá, claro. Mas a ideia é trabalhar fortemente também o livro europeu – de autores portugueses, mas também franceses e ingleses. Lisboa é uma cidade absolutamente capitalista.”

A livraria contará com cerca de 40 mil títulos e o investimento será de R$ 1 milhão. O valor é um pouco mais alto do que o que será usado para abrir sua primeira loja de rua em São Paulo – um sonho antigo de Rui, que nunca tinha encontrado o lugar que imaginava, e dos editores, que consideram a Travessa uma das mais sérias livrarias do País, e que foi revelado na semana passada.

A Travessa já tem uma loja pequena (180 m² no Instituto Moreira Salles, com títulos de arte e fotografia, e uma provisória na Bienal de São Paulo, que termina domingo. A partir de março, estará também na altura do número 400 da Rua dos Pinheiros, ocupando uma casa de 180 m² – mais compacta do que as outras. Será sua primeira loja de rua em São Paulo.

“Ainda não é o que a Travessa poderia oferecer em Pinheiros, mas esta loja, que estamos chamando de cubo Travessa por causa do formato da casa, será mais focada. Faremos uma curadoria de livros mais afinada”, conta o livreiro.
Os dois projetos da rede coincidem com o formato que tem sido mais bem-sucedido no momento: o das livrarias médias. “As megas não estão bem e as de tamanho médio estão conseguindo manter o foco no atendimento, na curadoria e na criação de um ambiente agradável. É o caso da Travessa, da Martins Fontes e da Livraria da Vila, que não estão reclamando de nada e têm um modelo que está fazendo sucesso no mundo todo”, diz.

O livreiro Rui Campos (Foto: Daniel Mello/Divulgação)

Rui comenta que havia uma expectativa de crise, mas que este final de ano está sendo “impressionante”. Em novembro, sua empresa registrou crescimento de 30% em comparação com o mesmo período do ano passado. O desempenho anual deve ser 15% melhor do que o de 2017. Outro plano dele para evitar a crise é investir em papelaria de luxo, sacolas e coisas do gênero. “É um paradoxo: neste mundo cada vez mais virtual, nunca se consumiu tanto lápis e caderno”, diz. A ideia é tentar compensar as perdas com CDs e DVDs, que já representaram 20% do negócio e hoje estão na casa dos 8%.

O erro da concorrência, que amarga sua pior crise, avalia o livreiro, foi ter “perdido o foco no livro, no atendimento e no que significa ser uma livraria”.

Maiores livrarias do Brasil se recusam a vender “Minha Luta”, de Hitler

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Edição da Centauro foi rejeitada pelas principais livrarias do Brasil | Foto: Reprodução / CP

Edição da Centauro foi rejeitada pelas principais livrarias do Brasil | Foto: Reprodução / CP

 

Uma das obras mais polêmicas já publicadas, entrou em domínio público este ano

Publicado no Correio do Povo

As maiores livrarias do Brasil (Saraiva, Cultura, Travessa e da Vila) decidiram não vender em suas lojas físicas e virtuais a edição impressa de “Minha Luta”, de Adolf Hitler, lançada pela editora Centauro e disponível no mercado desde o dia 4 de janeiro.

Uma das obras mais polêmicas já publicadas, entrou em domínio público este ano e vem gerando debates sobre a necessidade de sua reedição para um público mais amplo. A Saraiva e a Livraria Cultura preferiram não explicar os motivos, dizendo apenas se tratar de uma ação comercial.

Já o diretor de Comunicação e Marketing da Livraria da Travessa, Benjamin Magalhães, explicou que não cadastrou a edição da Centauro em suas unidades para a venda porque esta não traz comentários ou notas explicativas contextualizando o conteúdo livro. “Vamos vender em nossas unidades apenas as edições comentadas e contextualizadas. Assim, pretendemos comercializar a edição a ser lançada pela Geração Editorial, que vai trazer essas informações junto com o conteúdo de ‘Minha Luta'”, afirmou. “Consideramos de extrema necessidade explicar o conteúdo de uma obra tão polêmica.”

A Geração promete lançar em março sua edição (que vai ter cerca de mil páginas e com tradução de William Lagos) a partir de uma edição norte-americana editada em 1939. O volume terá 354 notas explicativas, além de dois textos introdutórios de especialistas e uma nota do publisher da editora, Luiz Fernando Emediato, em que apresenta sua justificativa para lançar a obra.

Já Flávio Seibel, diretor Comercial da Livraria da Vila, prefere esperar pelo volume comentado da Geração. “Se nosso departamento comercial decidir vender essa edição, vamos cadastrá-la em nosso sistema para uma eventual procura tanto em nossas lojas físicas como na venda por internet.” Para Seibel, o conteúdo do livro traz o pensamento de seu autor. “Não estamos aqui para julgar e nem para condenar nada. Não podemos deixar de vender livro nenhum. Já comercializei livros que negam o Holocausto”, afirma.

Por outro lado, a livraria Martins Fontes comercializa a edição lançada pela Centauro em sua loja da Avenida Paulista, além de atender pedidos pela internet. “Não podemos julgar se vamos ou não vender um livro por causa do seu conteúdo. O livro, apesar do racismo e de inverdades, é um documento histórico e, como tal, é importante”, disse o diretor executivo Alexandre Martins Fontes.

Ednilson Xavier, diretor da Livraria Cortez, que tem uma unidade em São Paulo, revelou que não comercializa o volume da Centauro por problemas de distribuição da própria editora. “Por se tratar de uma empresa pequena, a Centauro tem dificuldades em distribuir seus livros para livrarias menores. Se não fosse isso, teríamos certamente o livro em nossa loja.”

Proprietário da Centauro, Adalmir Caparros Fagá revelou que, mesmo não conseguindo vender sua edição de “Minha Luta”, traduzida por Klaus von Puschen, em 2001, nas grandes redes, já comercializou mais da metade da primeira tiragem de 6 mil exemplares em livrarias virtuais, como a Livro Bom e Barato (LBB) e a Estante Virtual, que vende livros novos e usados dos sebos. “Cerca de dois mil livros foram comprados pelo LBB e, em média, estamos vendendo 30 exemplares por dia. Por causa disso, já planejamos uma segunda reimpressão.”

Editores

Os editores ouvidos pela reportagem, em sua maioria, são contrários à publicação de “Minha Luta”. Jacó Guinsburg, dono e fundador da Perspectiva, acredita que o texto de Hitler é infame e maldito. “Jamais iria editar ‘Minha Luta’ ou qualquer livro que negue ou faça apologia ao Holocausto, uma das mais tristes páginas de nossa história”, disse.

Também contrário à reedição da obra, Otávio Costa, da Companhia das Letras, justificou: “Não queria ter no meu currículo o fato de ter sido editor de um livro de Adolf Hitler, muito menos o fato de ter ajudado a difundi-lo”. Carlos Andreazza, editor executivo da Record, pensa diferente. “Não se trata de difundir ou não um livro”, explica. “Afinal, seu texto sempre esteve disponível e ainda hoje é facilmente encontrado na rede. E aqui surge uma reflexão importante: o editor é um mediador, um intermediário de excelência, e uma das funções consiste em qualificar essa difusão.”

Em um dos textos introdutórios que vão figurar na edição a ser lançada pela Geração Editorial, Eliane Hatherly Paz, professora da PUC do Rio de Janeiro, entende que a publicação do livro “é a melhor forma de combater leituras equivocadas ou uma possível exaltação da obra de Hitler”.

7 livrarias maravilhosas pelo Brasil

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Ana Laux, no Literatura Policial

“Imagino que o paraíso é uma espécie de livraria”, já dizia Jorge Luis Borges.

O mundo pode estar acabando lá fora, congestionamentos rasgando as esquinas da cidade, a bolsa em queda desconcertante, o Brasil tomou de 7 x 1! Mas quando o papo é dentro de uma livraria ao lado daquela xícara fumegante de café, nada parece tão ruim assim…

Por saber a diferença que esses lugares incríveis fazem na nossa vida, selecionamos 7 livrarias sensacionais pelo Brasil, tanto pela beleza do interior quanto pela experiência que elas proporcionam.

Confira a primeira de outras listas temáticas por vir!
1. LIVRARIA DO PALÁCIO (Belo Horizonte, MG)

livraria do palácio

A Livraria do Palácio recebe lançamentos de livros e eventos culturais. (Foto: página oficial Facebook)

Apresentando um belo design, a Livraria do Palácio abriu em 2013 em Belo Horizonte e fica num dos endereços obrigatórios da cultura mineira: o Palácio das Artes. Situada em frente ao Café do Palácio, sua especialidade são as publicações de artes plásticas e visuais, além de edições raras e obras de autores mineiros.

2. LIVRARIA DA VILA (São Paulo, SP)

livraria da vila

As unidades do Pátio Higienópolis, Lorena e Cidade Jardim. (fotos: site oficial/Leonardo Finotti)

Presente em vários shoppings e localidades da Paulicéia, a Livraria da Vila completa 30 anos em abril. Com lojas nos shoppings Jardim, JK Iguatemi, Pátio Higienópolis, entre outros, proporciona ambientes aconchegantes e funcionais para quem procura passar o tempo lendo ou respirando cultura. A Livraria da Vila foi comprada em 2003 pelo ex-jornalista e empresário Samuel Seibel, que administra a empresa desde então. Site.

3. LIVRARIA CULTURA CONJUNTO NACIONAL (São Paulo, SP)

livraria cultura

A unidade da livraria Cultura na Avenida Paulista é uma das mais bonitas do país. (foto: DailyDOOH.com)

Encravada na avenida mais famosa da cidade, a Paulista, a Livraria Cultura ocupa uma vasta área do Conjunto Nacional, ladeada por outras lojas, escritórios e unidades de serviço. Além de um acervo impressionante – de todas as áreas e com muitíssimos títulos estrangeiros -, a livraria conta com um charmoso café, bancos, cadeiras e puffs para “degustar” livros e arquitetura deslumbrante. Até mesmo José Saramago fez elogios rasgados a ela…

4. LIVRARIA DA TRAVESSA (Rio de Janeiro, RJ)

livraria da travessa

Visão geral da Livraria da Travessa Barra. (Foto: Wikipedia/Gabi Giosa)

No Rio, são sete lojas, contando as dos shoppings Leblon e Barra, mas o charme mesmo fica para as unidades do centro, com ares antigos, mesas abarrotadas de volumes e diversas novidades para além dos grandes catálogos. Não há como negar: todo bom lançamento de livros na cidade passa também pela Travessa, já que a “fauna” frequentadora é composta por intelectuais, artistas, jornalistas e formadores de opinião. A rede tem uma loja no interior de São Paulo e atende pela internet, mas nada como dar uma passadinha lá… Site

5. CASA ABERTA (Itajaí, SC)

O prédio da livraria é instalado na Casa Konder, um patrimônio público tombado. (foto: site oficial)

O prédio da livraria é instalado na Casa Konder, um patrimônio público tombado. (foto: site oficial)

Instalada em uma construção do final do século XIX, A Casa Aberta é uma livraria e sebo que fica neste prédio tombado pelo patrimônio histórico de Itajaí, cidade portuária a 90km de Florianópolis. O lugar vende livros novos, edições raras, quadrinhos, CDs e vinis. Recém-restaurado, o prédio conserva as características históricas do local e mantém um ar de aconchego de casa familiar antiga. Site.

6. LIVRARIA DOM QUIXOTE (Brasília, DF)

livraria dom quixote

As cores da Livraria Dom Quixote. (foto: Guia Melhores Destinos/Monique Renne)

É o avesso da Casaberta e sua aposta é nas linhas modernas, funcionais e sofisticadas, próprias da capital imaginada por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. Tem sete lojas em Brasília, mas um destaque vai para a unidade no Centro Cultural Banco do Brasil, onde se pode desfrutar de um café, exposições de arte, teatro e cinema. Neste sentido, a experiência de ir a uma livraria ganha outros ares, de mergulho cultural mesmo. Site.

7. PALAVRARIA LIVROS & CAFÉS (Porto Alegre, RS)

A Palavraria Livros & Cafés foi inaugurada em 2003, em Porto Alegre. (Foto: Bibliotecas do Brasil)

A Palavraria Livros & Cafés foi inaugurada em 2003, em Porto Alegre. (Foto: Bibliotecas do Brasil)

De ambiente mais caseiro, a Palavraria Livros & Cafés é uma referência quando se fala em cultura porto-alegrense. Inaugurado em 2003, o lugar promove lançamentos de livros independentes, saraus musicais, cursos, oficinas literárias, palestras e debates, além de receber a visita frequente de escritores. É ideal para passar o tempo lendo um livro tranquilamente, tomando uma xícara de café ou uma taça de vinho.

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