Sua Segunda Vida Começa Quando Você Descobre Que Só Tem Uma

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Obra favorita de Vladimir Nabokov, ‘O Dom’ chega às livrarias

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O escritor russo Vladimir Nabokov Foto: Yousuf Karsh

O escritor russo Vladimir Nabokov Foto: Yousuf Karsh

Melhor livro do autor escrito em russo rivaliza com ‘Lolita’ e ‘Fogo Pálido’ na obra de Nabokov

Paulo Nogueira, no Estadão

Vladimir Nabokov é um dos supremos avatares da mudança de paradigma que se operou na literatura do século 20 – aprofundada e consumada neste século. Ou seja: do autor não mais como configurador de uma identidade nacional, mas como saltimbanco de uma errância centrífuga, nem sempre voluntária, que gostamos de chamar de globalização.

No caso da Rússia, o buraco é ainda mais embaixo. Na terra de Tolstoi, a expressão “escritor russo” sempre teve um status menos comparável a “escritor brasileiro” do que a “profeta bíblico”. Boris Pasternak deu o nome aos bois: “Aqui, um livro é uma consciência fumegante, ou nada!” Quando perguntaram ao grande Valdimir Korolenko, meio ucraniano, qual era sua nacionalidade, ele cravou: “Minha pátria é a literatura russa”. Stevetlana Alexievich, em plena cerimônia do Nobel de 2015, indicou suas três matrizes: mãe ucraniana, pai bielorrusso e “a grande cultura russa, sem a qual não existo”. Por “grande cultura”, leia-se “literatura”.

Nabokov viveu uma infância e juventude idílicas nos arredores de São Petersburgo, onde nasceu em 1899. No café da manhã, a família falava russo, inglês e francês – daí que o escritor fosse trilíngue desde a chupeta. Com 17 anos, publicou o primeiro livro de poemas – e a poesia será um pilar estruturante na prosa de Nabokov, com sua paixão pela plástica e pela música do texto. Em 1920, já com os bolcheviques pintando e bordando, a família se mandou para Berlim – antes, Vladimir fez uma escala de dois anos na Universidade de Cambridge, Inglaterra.

Em Berlim, que jamais engoliu, Nabokov assobiou e chupou cana: ensinou idiomas, deu aulas de tênis e boxe, urdiu problemas de xadrez e palavras cruzadas para jornais e escreveu romances em russo – o nono e último deles, uma de suas obras-primas: O Dom. Em 1923, conheceu o grande amor de sua vida, uma russa-judia chamada Vera. Com Hitler já babando na gravata, a família deu no pé para Paris, depois para os EUA – menos o irmão de Vladimir, Sergei, que morreu num campo de concentração nazista.

Nos EUA, Nabokov borboleteou duplamente. Primeiro, pairando sobre seus romances. Segundo, como especialista em borboletas propriamente ditas. Lecionava literatura em Cornell e era o curador de lepidópteros do Museu de Zoologia em Harvard. Zanzou de leste a oeste dos EUA coletando borboletas, e descreveu centenas de espécimes, batizando alguns. Formulou até uma hipótese para um tipo (“Polyommatus azul”), e foi ridicularizado pelos pares científicos. Trinta anos depois, com os novos recursos tecnológicos, uma sessão solene da Royal Society proclamou em Londres que o escritor tinha razão postumamente – contritos, os cientistas foram caçar sapo de bodoque.

Nabokov escreveu seu best-seller Lolita precisamente quando trotava pelos EUA (que conheceu melhor que Kerouac, Steinbeck ou Fitzgerald) de rede de caçar borboleta em punho. Vera funcionava como secretária, datilógrafa, editora, revisora, tradutora, bibliógrafa, agente, assessora jurídica e motorista – sem falar nos cafunés, claro. Quando ele tentou queimar o manuscrito do romance, foi ela que o impediu.

Lolita, além de um prodígio literário, foi também um “sucèss de scandale”, sinônimo de grana preta. No Brasil, o primeiro crítico a saudar o romance foi Paulo Francis, num artigo intitulado O Prazer do Abominável, publicado em junho de 1959 na revista Senhor. Com os direitos autorais, Nabokov regressou a Europa de mala e cuia e se dedicou apenas à escrita e às borboletas, acampando no quarto andar do Montreux Palace Hotel, na Suíça.

Sartre acusou Nabokov de “não pertencer a nenhuma sociedade”, esquecendo que em boca fechada não entra mosquito. Nabokov respondeu com a luva de pelica da ironia: “Sou um escritor americano, nascido na Rússia e formado na Inglaterra, onde estudei literatura francesa antes de passar quinze anos na Alemanha.” Mas, a sério, ele já tinha dado o xeque-mate no prefácio de O Dom: “A heroína deste livro não é Zina, mas a literatura russa.” Nabokov, sendo universal, é tão russo quanto a vodca (e mais inebriante).

“Da”, “sim” em russo, era inicialmente o título de O Dom, uma obra sutil e prismática, em que cada linha tem três entrelinhas (para os esotéricos, não será coincidência que Shakespeare e Nabokov tenham nascido no mesmo dia, 23 de abril…). Narrada simultaneamente na primeira e na terceira pessoas, exige uma atenção de coruja. No inestimável Keys to The Gift: A Guide do Vladimir Nabokov, Yuri Leving, levanta a lebre de que o último dia do romance é 29 de junho. Ora, descontada a diferença de 13 dias entre os calendários Juliano e Gregoriano, estaríamos em 16 de junho, precisamente a data em que se desenrola o Ulísses de James Joyce. E, em O Dom, o último dia marca o fim da aprendizagem do protagonista Fyodor, que já pode dizer “sim” ao mundo e escrever o livro que acabamos de ler. Como as últimas palavras do Ulísses: “Sim, eu digo sim”.

O Dom retrata a comunidade de expatriados russos em Berlim e o amadurecimento criativo de Fyodor e de seu dom literário. A trama é ralinha, embora tenha sido escrita entre os anos 1936 e 1937, quando o terror stalinista bombava, e se ocupe do período em que o pai de Nabokov foi assassinado em Berlim por um monarquista. Mas rola metaficção aos borbotões (Nabokov é o padroeiro de pós-modernos como Pynchon, David Foster Wallace, Don DeLillo e William Gaddis). A própria primeira frase é interrompida para a citação de um crítico a respeito de… primeiras frases. E o protagonista está escrevendo uma biografia de Chernyshevsky, o autor favorito de Lenin. Uma proverbial paródia literária, na medida em que Nabokov reprovava o gênero biográfico, talvez pelo seu desdém glacial pela psicanálise (“Só os obtusos acreditam que suas aflições mentais são curáveis por uma aplicação diária de mitos gregos em suas partes genitais”).

O Dom era a obra predileta de Nabokov – hoje, seu pedigree crítico se acotovela no pódio nabokoviano com Lolita e Fogo Pálido. E o próprio autor integra a Santíssima Trindade literária da segunda metade do século 20, ao lado de Borges e Beckett (a primeira metade inclui Joyce, Proust e Kafka).

Quando perguntaram a Nabokov qual a língua mais bela, ele tascou: “Meu espírito responde: o inglês; meu ouvido, o francês; meu coração, o russo.” Era um nostálgico do pior tipo: aquele cuja saudade não pode ser saciada, pois o mundo do qual sente falta desapareceu para sempre. Daí o desprezo absoluto pelo emigrado que “odeia os vermelhos porque lhe roubaram o dinheiro”.

Por outro lado, o relicário do escritor – o seu imaginário subjetivo, a sua memória sensível – continuou intocável e tão acessível quanto os lepidópteros. O passado russo de Nabokov não existia mais, mas, em compensação, nunca deixaria de existir. “Tudo está como deveria ser, nada mudará, ninguém morrerá.” Muito menos ele, com seus romances que são belezas frágeis e aladas, como as borboletas: no ano passado, o Museu Nabokov em São Petersburgo foi vandalizado por fanáticos de Putin, que picharam nas paredes: “Libesrast” – um neologismo russo que mistura “liberal” e “pederasta”. Este Dom é, obviamente, uma dádiva literária – menos para o autor ou para seu protagonista do que para nós.

*Paulo Nogueira é autor de ‘O Amor é um Lugar Comum’ (editora Intermeios)

Livro de suspense de Bill Clinton vai virar série de TV

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O ex-presidente Bill Clinton

O ex-presidente Bill Clinton

Publicado no Cinema 10

Um livro de suspense escrito pelo ex-presidente americano Bill Clinton deve virar série de TV. O canal Showtime adquiriu os direitos de The President is Missing, que Clinton escreveu com James Patterson e ainda não foi lançado.

Os valores de venda dos direitos não foram divulgados, mas segundo o site The Hollywood Reporter, podem passar dos US$ 10 milhões.

A ideia é transformar o thriller em uma série. O livro conta a história do desaparecimento de um presidente americano, com níveis de detalhe que só alguém que já ocupou o cargo pode oferecer. Clinton foi o 42º presidente americano e já publicou livros de não-ficção.

Ainda não há elenco ou data de estreia definidos para a produção. O livro só chega às livrarias em 2018.

Por Fabíola Cunha

Veja o que uma loja em Veneza fez para salvar seus livros das enchentes

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Rhaisa Gaz, no BurnBook

Durante o inverno em Veneza, as marés altas do Mar Adriático fazem com que, muitas vezes, as águas invadam casas e estabelecimentos à beira dos canais. Suas construções antigas rodeadas de água por todos os lados podem ser lindos e inspiradores, mas se transformam em um enorme problema nessa época. Isso fez com que a cidade tenha também uma das mais belas livrarias do mundo, a Libreria Acqua Alta.Para proteger seus livros, a livraria fez uma decoração que não só salvou seus produtos como a tornou um local exótico e estonteante: os livros ficam dispostos em gôndolas, banheiras, barcos e outras peças, que os protegem e, ao mesmo tempo, embelezam o local.

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Alguns livros já destruídos são utilizados como barricadas e até escadas na Acqua Alta, tornando o cenário ainda mais fantástico.

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Acqua Alta conta com mais de 100.000 livros, mapas, quadros e outros objetos espalhados por todo o ambiente.

A livraria foi fundada em 2004 por LuigiFrizzo, e rapidamente se tornou um sucesso, um ponto turístico bastante incomum, mas que carrega todo o charme e excentricidade dessa cidade sustentado por ripas de madeira há séculos.

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Fonte Hypeness

CONHEÇA CINCO DAS LIVRARIAS MAIS BONITAS (E EXCÊNTRICAS) DO MUNDO

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Teca Machado no Burn Book

É apaixonado por livrarias, um bookaholic assumido e um leitor compulsivo?

Então tenho certeza que você morre de felicidades ao ver uma livraria no seu caminho. E se for uma livraria bonita, melhor ainda.

Que tal conhecer cinco das livrarias mais bonitas do mundo?

1. City Lights Bookstore, em São Francisco

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Um canto especial para a poesia! Ela foi fundada pelo poeta Lawrence Ferlinghetti, por isso todo o segundo andar do local é dedicado a um espaço de poesia. Mas em toda a livraria há cadeiras estrategicamente colocadas para que os clientes gastem tempo para escolher qual título levar para casa.

2. Word on the Water, em Londres

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Essa livraria é numa barca. Você pode subir a bordo e fuçar pela coleção (e ainda brincar com os gatos do dono do lugar), ou ficar em terra firme para assistir leituras de poesias e música ao vivo, que acontecem no teto da barca.

3. Boekhandel Dominicanen, na Holanda

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Além da arquitetura incrível, escolher livros dentro de uma igreja com mais de 700 anos é uma experiência que você só terá lá.

4. Libreria Acqua Alta, em Veneza

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Essa livraria é facilmente um dos lugares mais memoráveis e estranhos de Veneza. A loja em si é pequena e recheada de livros que caem de gondolas, banheiras e pequenos barcos. Você pode mergulhar seus pés no canal enquanto lê ou subir uma escada feita inteiramente de livros.

5. Cook & Book, em Bruxelas

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Parte livraria e parte café. A loja é dividida em nove cômodos e cada um deles contém uma seção diferente (música, ficção, infantil, viagem, HQ…). Mas o melhor de tudo é que cada seção é completamente diferente da outra e tem seu próprio design especial e único. Tem até mesmo um cômodo britânico que se parece com um pub.

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