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Confira as principais diferenças entre os livros e os filmes de ‘O Senhor dos Anéis’

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Uma toca na Vila dos Hobbits, Condado

Uma toca na Vila dos Hobbits, Condado

 

Adaptação cinematográfica de clássico da literatura possui algumas diferenças.

Publicado no Blasting News

Adaptações de clássicos da literatura para o cinema nem sempre são totalmente fiéis. Recentemente, esta polêmica ressurgiu em críticas aos filmes adaptados do clássico de J.R.R. Tolkien, ”O Hobbit”, que conta com cenas bastante modificadas e até com personagens que somente existem nos cinemas, como é o caso da elfo Tauriel e seu romance com o anão Kili. A saga de ”O Senhor dos Anéis” também apresenta algumas diferenças entre suas versões literária e cinematográfica, abaixo estão listadas as principais e mais chamativas:

A idade com que Frodo deixa o Condado

No primeiro filme da Trilogia, A Sociedade do Anel, o tempo que transcorre entre a festa de 111 anos de Bilbo e a visita de Gandalf, alarmado por sua descoberta de que anel herdado por Frodo seria de fato o Um, parece relativamente curto. No entanto, nos #Livros, Gandalf leva 17 anos para concluir que o anel de Bilbo não era um anel comum. Frodo tinha então seus 50 anos quando deixou o Condado em sua missão de transportar o Um Anel até Valfenda, e, posteriormente, até Mordor.

Tom Bombadil

Quem somente assistiu aos filmes da trilogia ‘’O Senhor dos Anéis’’ deve estar se perguntando: quem raios é Tom Bombadil? Isso porque, nos filmes, Tom Bombadil não é sequer citado, apesar de ser personagem bastante importante na primeira parte da saga do Anel. Tom Bombadil salva Frodo e os hobbits de duas situações de perigo (também ocultadas nos filmes) logo no início de sua jornada e também acolhe os hobbits em sua casa, guiando-os posteriormente de volta a estrada quando eles se perdem na Floresta Velha, da qual Tom é senhor e sobre a qual exerce seu poder. Tom Bombadil é uma figura bastante misteriosa, cuja descrição dos livros diz que ‘’estava ali antes dos rios e das árvores’’. Ele também não é afetado pelo Um Anel, e várias teorias acerca de quem – ou o que – ele é afinal rondam a internet.

Arwen e o resgate de Frodo

Nos livros, o papel da elfo Arwen – nos filmes interpretada pela atriz Liv Tyler – é mais reduzido. Ela não resgata Frodo depois de ele ser atingido pela lâmina Morgul no Topo do Vento; quem faz isso é um elfo chamado Glorfindel, levando-o para Valfenda e fugindo dos Nazgûl. Em ambos as versões, livro e filme, Arwen tem um romance com Aragorn.

Narsil

Narsil é a espada do rei dos Dúnedain, Elendil, que foi quebrada durante sua luta com Sauron. Elendil morreu e seu herdeiro, Isildur, cortou o Um Anel da mão de Sauron com a espada quebrada. No filme, a espada quebrada permanece em Valfenda, enquanto no livro, Aragorn, herdeiro de Isildur, carrega consigo os pedaços de Narsil. Em ambas as versões, no entanto, a espada é reforjada em Valfenda durante a Terceira Era e rebatizada de Andúril.

O expurgo do Condado e a morte de Saruman

Nos filmes, Saruman morre esfaqueado por Grima no topo da torre de Orthanc, antes mesmo do Anel ser destruído. Porém, nos livros, Saruman vive um pouquinho mais para praticar suas maldades. Após a destruição do Um Anel, Saruman assume o controle do Condado, transformando a vida dos hobbits em um inferno; estes se revoltam e o expulsam do Condado, porém ainda é Grima que lhe dá o golpe final, matando-o. O capítulo do livro ”O Expurgo do Condado” sequer é citado nos filmes.

O olho de Sauron

Apesar da imagem do Olho no topo da torre de Barad-dûr já ter se tornado popular como uma representação de Sauron, observando e controlando vários lugares da Terra Média, essa imagem figurativa de um olho foi uma invenção de Peter Jackson. Sauron já tinha forma física durante a Guerra do Anel. No livro Sauron recebe nomes como o Olho sem Pálpebra ou o Olho de Barad-dûr, mas isso apenas fazia refererência a sua vigilância constante sobre a Terra Média à procura de seu Anel. Sauron não precisava do Anel para recobrar seu corpo físico e sim para recobrar seu poder.

Game of Thrones | “Acho que novo livro sai este ano”, diz George R.R. Martin

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Publicado no Observatório do Cinema

George R.R. Martin ofereceu uma nova previsão de lançamento para The Winds of Winter (Os Ventos do Inverno, em tradução livre), o próximo livro da saga que inspirou a série Game of Thrones.

Em resposta a um leitor do seu blog, o autor disse que a tão esperada obra pode sair ainda em 2017. Mas ele não conseguiu dar o prazo com segurança:

“Não está finalizada ainda, mas eu fiz progresso – não tanto quanto eu esperava a um ano atrás, quando pensei que estaria pronta até agora. Eu acho que o livro vai sair este ano (mas ei, eu pensava a mesma coisa ano passado)”, finalizou.

Em entrevista anterior, Martin prometeu um livro “obscuro”, com muitas mortes leia aqui.

A série televisiva da HBO inspirada nas obras de Martin já ultrapassaram a trama dos livros, seguindo uma vertente um tanto diferente da original. O que não quer dizer necessariamente que o final de ambas as histórias sejam completamente distintas.

Game of Thrones volta para sua sétima e penúltima temporada em 2017.

Assassinato no Expresso Oriente | Willem Dafoe entra para adaptação de livro de Agatha Christie

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Filmagens começaram em novembro do ano passado

Caio Soares, no Omelete

O Deadline informou que a adaptação cinematográfica de Assassinato no Expresso Oriente ganhou mais um nome de peso: Willem Dafoe está no elenco do novo filme sobre o romance policial de Agatha Christie e vai viver o detetive Gerhard Hardman. A trama acompanha as investigações do detetive Hercule Poirot de um assassinato de um dos passageiros do trem que dá título à obra.

Johnny Depp, Daisy Ridley, Judi Dench, Michelle Pfeiffer e Michael Pena são alguns dos nomes do elenco. O elenco Lucy Boynton (Lei & Ordem), Tom Bateman (da série Jekyll & Hyde), Derek Jacobi (Vicious) e Leslie Odom Jr. (da peça Hamilton) completam o elenco. Kenneth Branagh vai dirigir e fazer o papel do detetive Hercule Poirot. Michael Green (Lanterna Verde) vai escrever o roteiro. Assassinato no Expresso Oriente ainda não tem previsão de estreia.

“A Origem das Espécies” é votado como livro mais influente da história

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Alison Flood, no Milton Ribeiro [via The Guardian]

Depois da lista dos 20 melhores livros acadêmicos, uma pesquisa foi feita em conjunto por especialistas acadêmicos, vendedores de livros, bibliotecários e editores para inaugurar a Academic Book Week, o público foi convidado para votar naquele que eles acreditavam ser o mais influente. Competindo outros títulos na votação, incluindo ‘Uma Reivindicação pelos Direitos da Mulher’ de Mary Wollstonecraft, o romance ‘1984’ de George Orwell e a ‘A Riqueza das Nações’ de Adam Smith, a explicação da Teoria da Evolução de Darwin foi o grande favorito do público, com 26% de votação, disseram os organizadores.

O professor Andrew Prescott, da Universidade de Glasgow, chamou o estudo de 1859 de Darwin de “a demonstração suprema do porquê livros acadêmicos importam”. “Darwin utilizou a observação meticulosa do mundo à nossa volta, combinando com uma reflexão prolongada e profunda para criar um livro o livro que mudou a forma como pensávamos sobre tudo – não só o mundo natural, mas religião, história e sociedade”, disse ele. “Todo pesquisador, não importa se ele está escrevendo livros, criando produtos digitais ou obras de arte, almeja produzir algo tão significativo na história do pensamento como ‘A Origem das Espécies’”.

‘A Origem das Espécies’ foi seguida na votação do público pelo ‘Manifesto Comunista’ e Obras Completas de Shakespeare, com A República de Platão em quarto e o livro Crítica da Razão Pura de Kant em quinto – uma escolha de Alan Staton, da Booksellers Association. “Parece que estamos sendo governados por conveniências e pensamentos contraditórios, e é reconfortante saber que o Imperativo Categórico de Kant é visto como importante“, disse ele.

O filósofo Roger Scruton concordou. “Estou satisfeito com Crítica da Razão Pura, que deve ser certamente um dos trabalhos mais difíceis de filosofia já escritos, e que certamente deveria ter sido escolhido como um dos mais influentes de todos os livros acadêmicos”, disse ele sobre o texto do século 18.

“Kant partiu em uma tarefa extraordinária, que foi mostrar os limites da razão humana e, ao mesmo tempo, justificar o uso de nossas faculdades intelectuais dentro desses limites. A visão resultante, de seres autoconscientes envolvidos dentro de um limite, mas sempre pressionando contra ele, com um desejo para o além inacessível, tem me assombrado, como tem assombrado muitos outros desde a primeira vez que Kant expressou”.

Por um ensino autêntico de Filosofia

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Hoje, perde espaço tudo o que representa o pensamento articulado, gerador de unidade e coerência

Hoje, perde espaço tudo o que representa o pensamento articulado, gerador de unidade e coerência

 

Em livro voltado para o Ensino Médio, autor faz conexões entre conceitos filosóficos e o cotidiano dos jovens

Thais Paiva, na Carta Capital

A filosofia permite uma humanização mais eficaz, não porque ensina respostas determinadas, mas porque intensifica nossa autoconsciência e, por conseguinte, colabora para dispormos de nós mesmos com mais liberdade, maturidade e felicidade, explica Juvenal Savian Filho, professor da Universidade Federal de São Paulo.

Autor do recém-lançado Filosofia e filosofias: existência e sentidos, o professor mostra na obra como, em nosso cotidiano, sempre praticaremos Filosofia em certo grau se fizermos a pergunta pelo sentido do que somos, pensamos, sentimos e fazemos. “É só assim que a vida se torna autêntica, que começamos a saber jogar com todos os elementos que condicionam a nossa vida e a produzir espaços de liberdade”.

Em entrevista ao Carta Educação, o professor falou sobre o livro e a necessidade de enxergar a atividade filosófica para além da formação escolar.

Carta Educação: Qual a proposta do livro Filosofia e filosofias: existência e sentidos?

Juvenal Savian Filho: Proponho o livro como um recurso para que os leitores tenham experiências filosóficas autênticas e diversificadas. Aliás, não há apenas um ponto de partida no livro, mas vários, porque a leitura não precisa começar necessariamente pelo primeiro capítulo, mas por qualquer um deles. Os diferentes pontos de partida são sempre tomados da experiência cotidiana, da literatura, da ciência, da arte, etc. Com isso, o objetivo é permitir a vivência de experiências filosóficas, mais do que uma doutrinação ou uma formatação mental específica. O livro se dirige principalmente aos estudantes do Ensino Médio, mas também aos interessados em geral pela Filosofia e a todos os amantes da leitura e da reflexão.

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CE: Quão importante é fazer conexões entre conceitos filosóficos e o cotidiano?

JSF: Para percebermos que a reflexão dos filósofos e das filósofas nasce, em grande medida, de experiências semelhantes às nossas. É claro que certas frentes de reflexão filosófica podem ser “distantes” de nosso cotidiano mais imediato. Um exemplo bastante simples: pode parecer uma especulação separada da vida perguntar se os números são entidades existentes por si mesmas ou se são meros símbolos para retratar convenções; por outro lado, se o assunto são leis, direitos e justiça, uma discussão desse tipo não parecerá nada separada da vida, pois ninguém duvida da importância extrema que há em perguntar se as leis são entidades existentes por si mesmas ou se são convenções, se elas refletem algo da natureza ou se apenas são construções históricas, se são justas pelo simples fato de serem leis ou se a justiça é algo que transcende o mero aparato jurídico de um grupo social. Essas e outras questões mostram quão importante é fazer conexões entre nossas experiências e conceitos filosóficos, principalmente no nível do Ensino Médio, pois nossos jovens merecem um cuidado pedagógico especial que contribua para essa fase tão intensa e ao mesmo tempo tão delicada de seu trabalho de humanização.

CE: O que seria esse processo de humanização?

JSF: No atual contexto produtivista, as disciplinas escolares, sobretudo quando organizadas em função do vestibular, sequer levantam a temática da humanização. Elas operam no registro da hominização, ou seja, da transmissão do estritamente necessário para distinguir-se das outras espécies animais: a assimilação da cultura tradicional, mas não o desenvolvimento das pessoas como sujeitos culturais. Isso não significa necessariamente humanizar-se, tarefa que implica assumir tudo o que determina cada indivíduo e grupo, a fim de desenvolver ao máximo possível e da maneira mais elaborada possível as potencialidades que são propriamente humanas: o pensamento e a liberdade.

CE: O que seria compreender filosoficamente a nós mesmos, aos outros e ao mundo?

JSF: Implica parar de crer que os pensamentos que temos sobre nós mesmos, sobre os outros e sobre o mundo são pensamentos “naturais” ou “normais”; implica também dar-se conta de que os conteúdos de tais pensamentos são, em grande medida, construídos. Compreender filosoficamente a nós mesmos, aos outros e ao mundo requer como primeira tarefa desconstruir os pensamentos que nos fazem falar de “eu/nós”, “outro” e “mundo”. Mas desconstruir não significa destruir! Essa é uma ilusão típica de iniciantes. Desconstruir significa desmontar para ver como funciona. É uma das tarefas mais básicas da Filosofia, sem ainda emitir juízos sobre o pensamento analisado, mas apenas mantendo-se no intuito de entender o funcionamento interno de tal pensamento.

Uma vez desconstruído um pensamento, podemos recusá-lo ou concordar com ele. Por outro lado, não se trata também de apenas fazer análises de pensamentos, procurando, por exemplo, explicações com base nos esquemas causa-efeito ou ação-reação. Se fosse só isso, a Sociologia, a História, a Psicologia, as Neurociências e mesmo as Ciências da Natureza dariam explicações melhores. Trata-se de entender os movimentos do próprio pensamento no seu trabalho de formular descrições e explicações, descobrindo e construindo sentidos; é um movimento em que o pensamento pensa o próprio pensamento. É, no limite, aquilo que prova cabalmente que o ser humano é um ser de significação e não se reduz a um aglomerado de células dirigidas por um cérebro cego e voluptuoso em busca de compensação.

CE: A atividade filosófica vai muito além da formação escolar. Como podemos praticar filosofia em nosso cotidiano?

JSF: A filosofia permite uma humanização mais eficaz, não porque ensine respostas determinadas, mas porque intensifica nossa autoconsciência e, por conseguinte, colabora para dispormos de nós mesmos com mais liberdade, mais maturidade e mais felicidade. Não se trata de refinar as pessoas, nem de conscientizá-las, como se elas não tivessem nenhuma consciência. Trata-se de contribuir para que elas levantem a pergunta essencial pelo que significa existir, conhecer, pensar, amar, agir. Existir é simplesmente seguir o turbilhão de coisas a que estamos acostumados no trabalho, na escola, na família, etc.? Existir é ser pessimista, otimista? Quais as razões do pessimismo e do otimismo? Chegar nesse tipo de pensamento é uma das contribuições mais urgentes da Filosofia. Em nosso cotidiano, sempre praticaremos Filosofia em certo grau se fizermos a pergunta pelo sentido do que somos, pensamos, sentimos e fazemos. É só assim que a vida se torna autêntica, que começamos a saber jogar com todos os elementos que condicionam a nossa vida e a produzir espaços de liberdade.

CE: Em sua opinião, o ato de filosofar está perdendo espaço no mundo atual?

JSF: Sim e não. Hoje, perde espaço tudo o que representa o pensamento articulado, gerador de unidade e buscador de coerência, a produção artística paciente e que se dá o direito de ser menos autorreferente e narcisista, enfim, toda experiência que respeite o tempo da criação, a abertura amorosa à alteridade e a aceitação de que a vida nunca será inteiramente controlável. Ao invés disso tudo, ganha espaço a dispersão, a rapidez, a mercadoria, o consumo, o virtual que dispensa o contato físico, o tempo que não apenas devora tudo, mas que a tudo joga na indiferença. Curiosamente, porém, em vários cantos do planeta se tem denunciado essa dinâmica e se tem valorizado a atividade filosófica como reflexão que encontra os sentidos fornecedores de unidade às diversas experiências.

Para falar uma língua mercadológica, podemos evocar aqui o fato de que algumas indústrias e companhias multinacionais dão hoje preferência a profissionais com formação humanista, especialmente filosófica, porque esses profissionais têm maior capacidade de visão de conjunto, de operação com situações e pensamentos complexos, de enfrentamento e solução de conflitos. Há escolas que reintroduziram Filosofia com urgência porque perceberam que seus estudantes estavam se tornando cada vez mais frios, calculistas, incapazes de demonstrar afeto e respeito humano. É óbvio que seria muito melhor se a reflexão filosófica fosse valorizada por si mesma e nas suas próprias potências, mas se o contexto atual dificulta tal valorização, então a valorização pelo negativo não deixa de ser válida.

CE: No Brasil, o cenário é o mesmo?

JSF: O Brasil vive uma ambiguidade que beira a estupidez. Hoje, ele é o país que mais investe dinheiro público em Filosofia, desde a contratação de professores do Ensino Médio até o financiamento de pesquisas pós-doutorais no exterior. Temos tudo para criar uma cultura filosófica geral e democratizar o acesso a ela. Aliás, já temos sentido efeitos extremamente positivos nas gerações pós-2008 quando a Filosofia tornou-se novamente obrigatória no Ensino Médio. No entanto, o atual governo corre o risco de pôr o Brasil em pleno retrocesso histórico e na contramão de países ricos. Como? Defendendo que, para modernizar-se, o Brasil precisa de mão de obra especializada. Essa é uma máscara para cortar os investimentos em Filosofia e Ciências Humanas e para priorizar a formação técnica. O atual governo chega a ser perverso ao dar a entender que formação técnica não combina com formação humanista.

Não deixa de haver certa verdade no pensamento segundo o qual, em um sistema capitalista, é preciso desenvolver a produção técnica com mão de obra especializada, pois é essa mesma produção que permitirá financiar cultura – inclusive a Filosofia. O problema é o que o governo está operando no registro de uma falácia, a de defender que a formação de mão de obra especializada se faz por exclusão ou diminuição da formação humanista. O governo atual está nos obrigando a voltar ao Brasil do início dos anos 1970, com a pauta desenvolvimentista e a valorização exagerada do ensino técnico, sem reflexão. Vamos formar máquinas humanas. Mas não nos esqueçamos: máquinas humanas também deprimem, adoecem, perdem o sentido e o gosto de viver, revoltam-se, dificultam a vida em comum.

CE: Quais os diferenciais do livro didático que você acabou de publicar pela Editora Autêntica?
JSF: Em primeiro lugar, um diferencial é o fato de o livro ser escrito por temas e de o tratamento dado aos temas permitir uma formação segura em referenciais básicos de história da filosofia, de lógica, de prática argumentativa e de crítica cultural, mas tudo sempre em harmonia com os temas dos capítulos. Aliás, procurei oferecer dados históricos e filosóficos atualizados, sem continuar a repetir no Ensino Médio coisas que nas pesquisas universitárias já ninguém mais diz, por exemplo, chamar Platão de “dualista” ou de “ingênuo”; tratar os filósofos antigos e medievais como irrelevantes para os modernos e os contemporâneos; deixar no esquecimento autores judeus e muçulmanos.

Também procurei sempre partir de dados cotidianos. Foi um ponto de honra, em muitas partes do livro, iniciar pelas imagens – pinturas, desenhos, fotos – e só então compor o texto, evitando que as imagens fossem manipuladas como acessórios dispensáveis. O mesmo ocorreu com dados culturais – filmes, peças, danças, livros, músicas, esculturas. Outro diferencial é que trato com profundo respeito a experiência religiosa. De fato, apresento os pontos de vista teísta, deísta e ateu, procurando entender filosoficamente as razões de alguém ter fé ou não. Foi-se o tempo de crer que todo filósofo deve gritar que a religião é o ópio do povo e não justificar seu ponto de vista. Aposto no diálogo e no interesse mútuo mesmo quando o tema é delicado ou tenso. Invisto sobremaneira nos exercícios dissertativos, pois estudantes treinados em dissertação são capazes de resolver exercícios de testes, mas o inverso não ocorre.

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