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Escritoras dizem que livros de ficção ajudam a superar doenças

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Publicado no Saúde Abril

Elas se conheceram enquanto estudavam literatura na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e, desde então, tornaram-se amigas inseparáveis. Entre uma indicação de livro e outro, Ella e Susan criaram o serviço de biblioterapia, em que ficções são prescritas para tratar os mais diferentes males — de câncer e perna quebrada a falta de entusiasmo e enjoo matinal.

O resultado desse trabalho é o recém-lançado Farmácia Literária (Verus Editora), que reúne prescrições de leituras para tudo o que é chateação. Fizemos uma entrevista exclusiva por e-mail com a dupla, que você confere abaixo. E não perca: na edição de janeiro de SAÚDE, que chega às bancas na semana que vem, você poderá conferir uma reportagem completa sobre o livro.

A biblioterapia é bem conhecida e aceita no Reino Unido?

Quando nós dizemos que somos biblioterapeutas, a maioria das pessoas dizem: “O que é isso?”. Então, não, o conceito é bem novo por aqui também. A palavra foi retirada do Grego Antigo e significa “curar por meio dos livros”. O conceito é o mesmo desde aquela época.

Mas nós gostamos de pensar que somos as primeiras a trazê-lo para o uso contemporâneo. É interessante notar a forma como as pessoas reagem quando explicamos. Algumas simplesmente não entendem (provavelmente elas não leem ficção). Já as que compreendem geralmente dizem para nós: “Por que alguém não pensou nisso antes?”

É como se todos soubéssemos subconscientemente que, além do entretenimento, mudamos quando lemos romances. Só não tínhamos um nome para isso. Outro dia nós estávamos dando uma palestra na França e, no final, um sujeito chegou até a gente e disse: “Vocês deram sentido para minha vida. Eu li ‘biblioterapeuticamente’ durante toda a minha vida e não sabia disso”.

Vocês acham que é possível implementar um programa de biblioterapia em hospitais e asilos? Como uma iniciativa dessas poderia beneficiar os pacientes?

Sim, estudos estão mostrando que ler pode ser extremamente efetivo para estresse, ansiedade e até mesmo para casos de depressão moderada e falta de confiança. Nós amaríamos ver uma cópia de Farmácia Literária na sala de espera de todos os especialistas. No Reino Unido, os médicos da família podem se valer de um esquema de prescrição de livros. A ideia surgiu a partir da Agência de Leitura, uma organização não governamental que seleciona obras para pacientes depressivos.

Por que vocês resolveram prescrever apenas livros de ficção? Como eles podem ajudar alguém a superar seus problemas?

De certa maneira, nós estamos reagindo à expansão dos livros de autoajuda que ocorreu durante os anos 1990. Nós sentimos que a literatura era uma fonte poderosa subutilizada. E olha que é difícil pensar em problemas da vida que não tenham sido experimentados por algum personagem literário de maneira bastante intensa.

Na ficção, nós encontramos a experiência humana em sua maneira mais profunda e intensa. São fatos que não são explorados como deveriam nas interações do dia a dia. Ler sobre personagens que passaram ou sentiram coisas que estou vivenciando agora nos deixa menos solitários.

E, claro, outros livros nos mostram como olhar sob diferentes ângulos, além de nos inspirar a tomarmos atitudes que são grandes. Existe uma relação entre a “teoria da mente” e ler ficções literárias, de acordo com estudos recentes. A leitura desenvolve nossa capacidade de empatia, de nos colocar no lugar do outro. Pois é isso que fazemos nos livros: ver as coisas de outra perspectiva.

Mas vocês não acham que outros estilos de livros — como as biografias e os de autoajuda — não poderiam ser uma importante ferramenta para tratar algumas doenças?

Susan Elderkin: Certamente existe um espaço para os livros de autoajuda. Eu me lembro de ler um deles nos anos 1990 e ficar bem inspirada. Mas ter contato com a coragem de Atticus Finch, de O Sol é para Todos [escrito por Haper Lee] foi o que realmente ficou comigo por muitos e muitos anos. Ele sentia o medo e fazia as coisas mesmo assim.

Eu não lembro praticamente nada daquele livro de autoajuda. Mas eu nunca me esquecerei de como Atticus Finch permaneceu firme naquilo que acreditava, em oposição a toda uma comunidade sedenta por sangue. Biografias também podem ser bastante inspiradoras. Mas nós geralmente já conhecemos como nosso herói de carne e osso é — mesmo que ele seja uma pessoa como Gandhi, Steve Jobs ou Cristiano Ronaldo.

É muito mais difícil achar a ficção certa, ou seja, saber qual delas vai me ajudar a superar um relacionamento malsucedido ou qual me dará o empurrão necessário para largar o emprego em que estou preso por anos. A literatura — a melhor literatura — é sobre como navegamos nosso próprio caminho por meio dos obstáculos da vida. Seu território é a própria vida e a forma como lidamos com o dia a dia. Nós não podemos imaginar passar toda a existência sem romances e histórias que nos ajudem a situar quem somos. O que importa para nós é explorar os diferentes significados do que é ser humano.

Uma pergunta pessoal: qual livro foi o responsável pelo amor pela leitura que vocês possuem?

Susan Elderkin: Para mim foi O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa e as aventuras subsequentes que se passam em Nárnia na famosa série escrita por C.S. Lewis. Eu me lembro de, quando criança, ler escondida atrás da porta de meu quarto, porque torcia para que ninguém me encontrasse e me fizesse descer para o jantar.

Eu viajei para muitos universos por meio desse livro. Nárnia foi real e vívida para mim mais do que qualquer coisa que experimentei. As emoções que me fez sentir foram fortes. Anos depois, quando eu era estudante na Universidade de Cambridge — onde conheci Ella nas aulas de literatura inglesa —, havia um estacionamento onde fomos andar de bicicleta várias vezes. Eu sempre fui meio mística em relação àquele lugar. Esperava o momento de acender a minha lanterna na névoa e, no meio do caminho, encontrar sem querer o poste de Nárnia e o Mr. Tummus, o fauno que guia Lucy nas primeiras incursões pela nova terra.

Eu pensava que todo mundo imaginava a mesma coisa nesse lugar. Eu amo saber que a leitura é uma experiência compartilhada como esta. Pense como é para a geração que viveu com Harry Potter. Todos eles cresceram conhecendo as mesmas pessoas, passeando pela mesma escola, por meio dos meios livros. Eles dividiram uma cultura!

Ella Berthoud: Foi Os 101 Dálmatas, de Dodie Smith, que me encantou. Foi o primeiro livro que me lembro de ler. Eu fiquei presa naquela narrativa trágica do sequestro dos filhotes. As descrições vívidas do chá e da torrada e o fogo que fazem parte do livro ficaram comigo para sempre. Essa ainda é, até os dias de hoje, a minha leitura de conforto preferida.

A edição brasileira do livro Farmácia Literária inclui alguns dos mais importantes escritores da língua portuguesa, como Machado de Assis, João Guimarães Rosa, Eça de Queiróz e José Saramago. Qual a importância de adaptar para cada país?

Nosso livro já foi publicado em mais de 20 países e nós sabíamos desde o começo que seria absolutamente vital que cada edição abraçasse a literatura local. Precisávamos incluir os títulos que formaram e moldaram a psique da nação ao longo das gerações.

Leitores contemporâneos precisam ver o mundo que eles conhecem refletido em nosso livro, na linguagem que é a mais confortável possível. Então nós trabalhamos para que cada edição fosse mudada em 25 a 30% com novas sugestões de leituras e, em alguns casos, novas curas. Alguns novelistas que escrevem em português já faziam parte do Farmácia Literária original. José Saramago, que nós duas adoramos, e também Fernando Pessoa, cujo Livro do Desassossego é a solução para a insônia.

Claro, nenhum desrespeito pelo Pessoa. Nós amamos seu ritmo compassado, quase soporífico. A coisa mais maravilhosa sobre esse livro é que não há problema se você dormir no meio de uma sentença ou se você se esquecer onde parou na noite anterior. É um texto que perdoa e ama de um jeito que te coloca numa espécie de transe. E não é tão excitante. Logo, é uma ótima coisa para passar os olhos se você não consegue pregá-los.

Eu li Farmácia Literária inteiro e uma das coisas que mais me chamou a atenção foi o estilo leve e humorístico. Vocês acham que essa forma de escrever ajuda a cativar os leitores?

O livro está cheio de piadas, provavelmente por causa de nossa amizade. Como toda boa amizade, ela está baseada num senso de humor compartilhado. Nós amamos falar sobre literatura e sempre rimos muito juntas — o livro apenas reflete isso. Em alguns trechos, só escrevemos para fazer a outra gargalhar.

Nós acreditamos que o bom humor é importante a toda boa escrita. Os melhores novelistas usavam o humor, mesmo que suas histórias fossem sobre algo triste, sério ou terrível. O humor pode e deve coexistir com a escuridão.

Como os livros de ficção podem exercer tanta influência sobre executivos e empreendedores

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“A leitura de romances, ficção e de aventura com certeza foram para mim um dos grandes bem feitores que me formou capaz de exercer cargos de responsabilidade e enfrentar de maneira resiliente os mais diversos problemas do mundo corporativo”

Publicado na Exame

Em pleno século 21, em uma era digital, onde se procuram profissionais multidisciplinares e multitarefa, encontramos centenas de empresas a procura do profissional 2 em 1, contudo de acordo com um estudo feito pela universidade de Utah, apenas 2,5% são realmente capazes de exercer tal tarefa. Em alguns lugares podemos dizer que os chamados “supertasker” são os profissionais do futuro. Mas será mesmo?

De acordo com este estudo podemos entender que os melhores profissionais não são realmente aqueles denominados multi-função, mas sim aqueles capazes de exercer, de maneira efetiva suas tarefas com resiliência perante as mais diferentes situações. Uma grande caraterística em comum entre grandes executivos é a leitura. Mas o que a leitura pode agregar quando se fala em resolução de problemas de situações adversas?

Outro estudo feito na Universidade de Stanford, também nos Estados Unidos, mostra que enquanto um grupo de pessoas lia um trecho do romance, Mansfield Park de Jane Austen, houve um aumento significativo nas áreas associadas a concentração, imaginação e compreensão. Além disso, a leitura de livros de ficção pode expandir consideravelmente a imaginação, assim os leitores de ficção são as pessoas capazes de imaginar os detalhes de uma cena hipotética. Desta maneira pode-se concluir que o estímulo a leitura descompromissada, pode trazer bons estímulos e resultados aos profissionais, desta maneira então imaginar e encontrar meios de apresentar soluções perante problemas adversos.

Para o escritor brasileiro JG Brene, autor dos livros da trilogia Johnny Bleas, a leitura de temas de ficção exerceu forte influência em sua carreira como executivo e empreendedor. “Cada vez mais desejo que as pessoas, independentemente de sua idade ou profissão leiam mais livros de ficção. As leituras técnicas e multifocais também são capazes de exercer grandes influências e melhorias no profissional. Contudo a leitura de livros de ficção, aventura, fantasia e outros assuntos descompromissados, que são lidos apenas para diversão, não apenas torna-se um hábito saudável e relaxante como também a cada página fazemos um grande exercício de imaginação”.

Em sua experiência corporativa e empreendedora, o autor descobriu que as situações adversas que imaginamos enquanto lemos um livro tonam-se um imenso aliado no momento em que encontramos problemas diários em nosso cotidiano corporativo. “A leitura de romances, ficção e de aventura com certeza foram para mim um dos grandes bem feitores que me formou capaz de exercer cargos de responsabilidade e enfrentar de maneira resiliente os mais diversos problemas do mundo corporativo”, comentou.

Segundo o escritor e empreendedor, a leitura descompromissada nos ajuda a prever soluções a problemas futuros, e tem sido um dos alicerces capazes de ajudá-lo com seus objetivos. “Quando lemos um livro apenas por gosto, sem procurar nele de fato um ensinamento acabamos encontram o maior dos aprendizados. O fortalecimento de nossa imaginação, vislumbrando detalhes e nos ajudando a pensar cada vez mais fora da caixa”, explicou João Gabriel Brene.

Brene cita como exemplo um grande estudioso de homens de sucesso, Napoleon Hill, que sempre frisava em suas obras que uma das leis do triunfo dos homens de sucesso é a imaginação, que possibilita o profissional encontrar soluções e negócios que ninguém ainda pensou. “A leitura fantástica e o hábito de forçar-se a mudar a rotina são as melhores maneiras que conheço aumentar minha imaginação e ir atrás de novas soluções e ideias. Esse trabalho constante foi com certeza um dos fatores que tem me dado bom desempenho em tudo aquilo que escolho empreender”, concluiu J.G Brene.

Site do Autor J.G.BRENE:
http://www.jgbrene.com

Website: http://www.jgbrene.com

Os 10 livros de ficção mais vendidos em outubro de 2015 no Brasil

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Livros de romance, suspense, policial e crônicas estão entre os mais vendidos no Brasil em outubro.

Flávia Resende, no Blasting News

Diferente da lista geral de livros mais vendidos do mês publicadas nos meses anteriores, desta vez a lista é dos livros mais vendidos da categoria ficção – que é o que, segundo os comentários recebidos, era o que os leitores mais queriam saber.

Os livros de ficção mais vendidos no mês de outubro são dos gêneros policial, romance, drama e crônica; segundo dados da Publish News.
Top 10 livros de ficção mais vendidos em outubro de 2015

1º lugar: Grey (E. L. James) – Intrínseca

O livro que traz o livro “Cinquenta Tons de Cinza” pela perspectiva de Christian Grey foi o mais vendido do mês entre todas as categorias. Foram 77.320 exemplares vendidos. A autora anunciou há algumas semanas que também lançará “Cinquenta Tons mais Escuros” versão Grey.

2º lugar: A Garota na Teia de Aranha (David Lagercrantz) – Companhia das Letras

“A Garota na Teia de Aranha” é uma continuação da trilogia póstuma Millenium, de Stieg Larsson, que faleceu em 2004. Larsson não viu sequer o lançamento da primeira obra de sua trilogia. O quarto livro vendeu 10.773 unidades.

3º lugar: A garota no Trem (Paula Hawkins) – Record

O livro de suspense ficou em 1º lugar por vinte semanas no top livros mais vendidos do New York Times. No Brasil, foram vendidos 10.298 unidades em outubro.

4º lugar: Destinado (Carina Rissi) – Verus

Terceiro livro da série Perdida, este é um dos dois únicos livros de autores brasileiros a figurar na lista dos mais vendidos de ficção de outubro. Foram vendidas 8.596 unidades.

5º lugar: Cidades de Papel (John Green) – Intrínseca

Desde o lançamento da adaptação para o cinema, em julho de 2015, o livro voltou para a lista dos mais vendidos. Em outubro foram vendidos 7.646 exemplares.

Em 6º lugar ficou “Toda Luz que não podemos Ver”, de Anthony Doerr, publicado pela Intrínseca (5.035); em 7º, “Simples Assim”, de Martha Medeiros, da editora L&PM (4.704); em 8º lugar, “O Conde Enfeitiçado”, de Julia Quinn, da Arqueiro (3.319); em 9º, “Hereges”, de Leonardo Padura, da Boitempo (3.196); e em 10º lugar vem “Eu estive aqui”, de Gayle Forman, da Arqueiro (3.099).

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