Sua Segunda Vida Começa Quando Você Descobre Que Só Tem Uma

Posts tagged livros e pessoas

Com 60 estandes e livros a partir de R$ 5, Flipoços atrai visitantes em MG

0
Estandes trazem diversidade durante o Flipoços (Foto: Bruno Alves / Flipoços)

Estandes trazem diversidade durante o Flipoços (Foto: Bruno Alves / Flipoços)

 

Livreiros apostam em diversidade e preços mais em conta para clientes.
Escritores independentes aproveitam o espaço para conquistar o público.

Publicado no G1

Com 60 expositores, a 11ª edição do Festival Literário de Poços de Caldas (MG), o Flipoços, oferece opções de leitura para todos os tipos de público. Desde os locais temáticos, com livros sobre educação, negritude e culinária, a estandes com livros infantis, livros feitos de pano e feltro e livros em promoção, que custam a partir de R$ 5.

O livreiro Marcos Ferreira da Silva participa do evento há 7 anos. Ele é de Divinópolis (MG) e roda o Brasil em festivais literários e diz ter um carinho especial por Poços de Caldas. “Essa feira aqui é muito boa. Viemos, neste ano, com um diferencial. Trouxemos um diferencial, que são livros mais procurados, mas também alguns raros”, disse.

Para quem é fã de leitura, como o estudante João Gabriel Marçal Dias, de 21 anos, os livros mais em conta são um prato cheio. “Eu sou apaixonado por literatura, de todos os tipos, então, já guardo um dinheiro para comprar bastante coisa no Flipoços e ler durante o ano”, comentou, enquanto comprava cinco exemplares de romances variados.

Há também, além de livros, cabines fotográficas sobre literatura, estandes voltados a livros de mágica, a revistas, venda de roupas e produtos poéticos em diferentes suportes, venda de doces regionais, de mel, além das palestras e atividades que ocorrem diária e simultaneamente. E ainda o espaço Flipocinhos, com atividades diárias para o público infantil.

Flipocinhos traz atividades para crianças (Foto: Bruno Alves / Flipoços)

Flipocinhos traz atividades para crianças (Foto: Bruno Alves / Flipoços)

 

Autores independentes
Os autores independentes, que também participam do evento, ficam felizes com a movimentação. Neste ano, são esperadas 60 mil pessoas. Para a pedagoga e poeta Marília Rossi, que lança o livreto “Partida”, tem sido uma boa oportunidade. Com uma mala e a pergunta: ’o que te cabe?’, ela disponibiliza post-its para que os passantes possam escrever o que carregam em suas malas pessoais, seja de viagem ou de vida.

“Eu estou no estande de escritores independentes. Resolvi fazer uma intervenção com o público e tem dado certo. No domingo (1º), vendi todos exemplares que eu tinha comigo e tive que mandar fazer mais”, destacou.

O escritor Márcio Dias também está no evento. Para ele, esta é a oportunidade de divulgar o trabalho. “Aqui a gente faz contato, conversa com os visitantes, mostra o trabalho que ele ainda não teve acesso e assim acaba fazendo vendas”, contou.

E estas falas vão ao encontro do que pensa o presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Luís Antônio Torelli, que esteve presente pelo segundo ano no Flipoços. “Eu sou suspeito para falar, mas eu penso que o Flipoços tem os mesmos objetivos que nós, na Câmara, que é fomentar a criação de novos leitores e o evento cumpre esse papel muito bem, ao conseguir colocar o livro como muito acessível ao leitor”, disse.

O hábito de ler como forma de compreender a realidade

0

Saber ler é fundamental, mas compreender as entrelinhas é a chave para uma boa interpretação da realidade.

Ricardo Sorati, no Administradores

Ultimamente, venho pensando sobre a distância entre os livros e as pessoas, isso porque nossos jovens e também nossos adultos não possuem o hábito de ler. A informação passa, necessariamente, pela leitura. Não apenas uma leitura superficial, rápida do que se tem às mãos, mas, sobretudo, uma leitura crítica, imparcial e reflexiva. Leitura crítica no sentido de analisar os fatos apresentados; imparcial significa não ter, nem antes, nem durante um pré-julgamento, isto é, não ser tendencioso. E, por fim, a leitura refletiva, que nos levará a tomar uma decisão, aceitando ou não a informação que o texto nos oferece.

Nestes tempos de informações rápidas, que nos chegam às mãos pelos mais variados tipos de tecnologias, temos de ter o cuidado de checar a fonte. Os chamados analfabetos funcionais, definidos como os indivíduos que diante um texto ou uma simples operação matemática não conseguem interpretar tais situações, mesmo conhecendo as letras e os números, são muito comum em nossa sociedade, que não têm uma boa educação de base.

Um dado alarmante me chamou a atenção: um percentual elevadíssimo da população brasileira, 70%, não leu um livro durante todo o ano de 2014 (pesquisa feita pela Fecomércio do Rio de Janeiro). Isso é preocupante. Mas a questão central disso tudo é por que muitos não têm o habito de ler. Hábito é feito diariamente, aos poucos; os pais devem introduzir este “gosto” em seus filhos desde os primeiros anos. Como disse anteriormente, as informações estão à nossa disposição; mas para que saibamos extrair todo o conteúdo deste texto, devemos ter sempre a cautela, a temperança para não incorrermos em interpretações erradas, e, com isso, chegarmos à conclusões equivocadas.

Por isso, neste ano de eleições municipais, que saibamos ler o contexto e interpreta-lo; converse com os candidatos; conheça-os; saiba suas reais propostas. E que saibamos, antes de mais nada, cultivar o habito da leitura, para que não sejamos enganados pelas falsas informações aí difundidas. Portanto, como disse Tryrion Lannister “ uma mente necessita de livros da mesma forma que uma espada necessita de uma pedra de amolar se quisermos que se mantenha afiada”.

Professor no Afeganistão pedala km’s para levar livros a vilas remotas onde não existem escolas

1

livros_interna

Publicado no Hypeness

Saber Hosseini, um professor de Bamiyan, no Afeganistão, transformou sua bicicleta em uma biblioteca itinerante, dando inicio ao projeto “Children’s Book Foundation”. Todo fim de semana, ele carrega sua bike com livros e os leva até vilarejos remotos, onde não existem escolas, dando assim oportunidade as crianças locais de terem acesso a livros e educação.

Hosseini conta que a ideia surgiu há seis meses, quando conversou sobre o projeto com alguns amigos. Estes, gostaram da iniciativa, e fizeram algumas doações para ajudar o professor a comprar os primeiros livros. No início, a biblioteca contava com 200 exemplares. Hoje, com a ajuda de mais doadores, a coleção já conta com mais de 6 mil livros.

943786_767304140073904_8198442022959680428_n

Nós usamos a bicicleta por várias razões: primeiro, porque não temos dinheiro suficiente para comprar carros. Segundo, porque algumas aldeias são acessíveis apenas por bicicleta ou moto. E, por último, porque o Taliban tem, por vezes, utilizado bicicletas em seus ataques a bomba. Então a mensagem que quero transmitir é que podemos substituir a violência pela cultura.”, conta o professor.

12998619_768728456598139_3706139145386491092_n

O projeto funciona parecido com uma biblioteca. Toda semana, novos livros chegam as comunidades, e os antigos são recolhidos, sendo levados para crianças de outros vilarejos.

“A maioria destas crianças tem idade para estar no terceiro ou quarto ano, mas a verdade é que eles não sabem nem ler ou escrever. Isso não deveria acontecer”, disse Hosseini.

13010612_769224829881835_6449067766225832130_n

Sempre que chega aos vilarejos, o professor tenta conversar com as crianças sobre vários assuntos. Certa vez, Hosseini conta que conversou sobre armas, falando que elas deveriam dizer não as armas e sim aos livros. Na semana seguinte, quando retornou ao local, recebeu armas de plástico de todas as crianças do vilarejo, que se reuniram para entregá-las para ele sob uma condição: na outra semana gostariam de ser a primeira parada do projeto, para que pudessem assim escolher os exemplares com mais variedade. “Foi o momento mais alegre da minha vida!”, afirmou o professor.

13076652_768728479931470_1162447582770210627_n

O projeto, que já tem uma biblioteca física e mais cinco em construção, agora conta com um financiamento coletivo para arrecadar fundos para mais e mais livros. A cada $1 recebido, até dois livros podem ser comprados. Um valor tão insignificativo para nós, mas que pode ajudar a mudar a vida de uma criança!

Todas as fotos © Children’s Book Foundation

A escola onde pais e crianças escolhem as matérias

0

steve-jobs-school-students-ipad-classroom-2

Maurice de Hond, consultor holandês de 68 anos, fez fortuna em empresas tecnológicas. Há dois anos criou uma escola onde as crianças e os pais escolhem o que querem aprender. Chamou-lhes Steve Jobs Schools porque ali se ensina através de iPads

Sara Capelo, no Sabado

Esqueça os professores, os cadernos, os quadros de ardósia e até os colegas de carteira. Nas Steve Jobs Schools (começaram por ser 12 e vão em 30, incluindo na África do Sul e no Dubai) as crianças usam iPads e são incentivadas por “treinadores”. Bem-vindo ao futuro, segundo Maurice de Hond, que falou com a SÁBADO ao telefone, a partir da Holanda.

Como é que teve a ideia de criar estas escolas?
Surgiu com a minha filha, que nasceu em 2009. Quando ela tinha seis meses, brincava com uma app para bebés no iPhone. Um ano depois, quando o iPad chegou ao mercado, percebi que ela conseguia manuseá-lo. Quando foi para um centro de aprendizagem, com 3 anos, este ficava no edifício da antiga escola do meu filho, que nasceu no início dos anos 1980. A sala de aula dele estava na mesma, como há 30 anos. E pensei que, tendo uma filha nascida em 2009, tinha de a preparar para 2030. Porque é que deveria levá-la para uma escola que estava num regime do passado? Na Holanda, é possível a pais com boas ideias criarem uma escola financiada pelo Governo. Formei um grupo para redesenharmos a escola, incluir a tecnologia de hoje e usar os talentos das crianças. Pensamos que cada criança é diferente, pelo que temos de fazer abordagens que funcionem com o indivíduo.

O sistema de educação não mudou desde o século XIX?
O que eles faziam nos anos 80 era o mesmo que faziam 60 ou 100 anos antes. Eu andei numa sala de aula com 50 crianças, nos anos 50. Era como numa fábrica porque não havia outra forma. Só quando se tem mais dinheiro é que se pode ter mais professores. Parte do que ensinamos nas escolas está completamente desatualizado.

Que outros sistemas existem na Holanda, além do seu?
No sistema público temos diferentes tipos de abordagem. O Governo controla o resultado final, mas não a forma como se chega lá.

E como funcionam?
Em 7% das escolas públicas, as crianças estão divididas em grupos (dos 4 aos 6 anos, dos 7 aos 9, dos 10 aos 12) e elas trabalham de uma forma mais independente com base no princípio de “ensine-me como aprender e eu fá-lo-ei sozinho”.

Quantos professores têm?
Somos financiados pelo Governo e temos o mesmo número de professores que outras escolas, porque não somos privados – o rácio na Holanda é de um professor por 24 alunos. As crianças não estão todo o dia na mesma sala com o mesmo professor. Cada uma tem o seu treinador (1 por 24, que têm idades diferentes). Cada um é especializado numa área, como Matemática, língua, Geografia. As crianças podem escolher, conforme o seu plano de desenvolvimento, para onde vão. Se já estão avançadas em leitura, porque é que hão-de ir para uma aula sobre isso? E por uma hora por dia testam, através de uma app no iPad, as diferentes disciplinas, como Matemática ou línguas. Fazem oito a 10 mil tarefas por ano, sem a ajuda do professor. Se em 10 tarefas fizerem bem oito, sobem de nível. Caso contrário, vão para um nível mais fácil.

Há livros?
Sim. O que não temos é tantos livros quanto crianças. A minha filha, que está a aprender a ler, fá-lo em parte com apps e no restante com livros de exercícios ligados a essas aplicações. Cada criança tem o seu estilo de aprendizagem. Umas são mais visuais, outras não. O professor decide qual é o tipo de abordagem ideal para cada uma.

img_472x263$2016_04_28_22_28_46_165281

E os pais definem qual deve ser o currículo dos filhos?
De seis em seis semanas há reuniões entre os pais, a criança e o treinador, que discutem o desenvolvimento das seis semanas seguintes. E as crianças levam os iPads para casa para continuarem a usar as apps depois da escola.

Foi contactado por professores infelizes pela forma como ensinavam noutras escolas?
Diziam-me que havia apenas livros de um editor e que eles seguiam o que este entendia que devia ser feito e em que época do ano tinham de o fazer. Mas que havia crianças da mesma idade em que umas iam mais depressa do que outras.

Como é que dividem os níveis de ensino? Crianças de 6 anos aprendem o mesmo das de 8?
Estive no Brasil e creio que o sistema de ensino deve ser parecido com o português. A diferença no nosso sistema é que não decidimos em que (mais…)

Dificuldades de ser escritor no Brasil incentivam projetos de publicação coletiva

0
Escritor Cristiano Deveras: “Escritores precisam apostar em estratégias de economia criativa para não depender apenas dos editais públicos”

Escritor Cristiano Deveras: “Escritores precisam apostar em estratégias de economia criativa para não depender apenas dos editais públicos”

 

Antologias e coletâneas têm sido a saída para várias pessoas que pretendem fazer arte escrita no País, mas não têm acesso ao grande mercado editorial

Marcos Nunes Carreiro, no Jornal Opção

Ser escritor no Brasil não é fácil, sobretudo no interior do País, naqueles estados que estão longe das grandes editoras do eixo Rio-São Paulo. Ser escritor não é só escrever, mas se preocupar também com a qualidade da publicação e com a distribuição de seus livros, para ficarmos em dois exemplos.

Acontece que na maioria dos estados — Goiás, por exemplo — existem pequenas editoras e gráficas que fazem vias de editoras, imprimem o livro, mas não conseguem arcar com a distribuição correta das publicações. Isso faz com que a literatura, muitas vezes de qualidade, não saia do estado. Isso quando os autores conseguem recursos para chegar até essas pequenas editoras.

Para tentar superar esses problemas — o financeiro e o de distribuição —, muitos autores, sobretudo os iniciantes, se juntam em projetos co­letivos de publicação. Assim, os custos ficam bem menores para cada au­tor e, com escritores de vá­rios can­tos do País, a literatura “viaja mais”.

É o que tem feito o coletivo “Bar do Escritor”, que reúne escritores do país inteiro e tem atraído, inclusive, estrangeiros. O goiano Cristiano De­ve­ras é quem tem encabeçado o coletivo. Ele conta que o projeto já lançou cinco livros, publicando mais de cem autores iniciantes, vendendo cerca de 15 mil livros.

Cristiano explica que o “Bar do Escritor” abriu, no dia 30 de março, o chamamento para a sexta edição, que será publicada neste ano e já conta com escritores brasileiros e europeus e africanos. “Além dos autores brasileiros”, relata, “já temos confirmada a presença de um português, um angolano e cinco moçambicanos. Queremos incentivar cada vez mais esse intercâmbio literário entre os países lusófonos.”

Para diminuir os custos, o próprio Cristiano, junto com colegas de trabalho, faz a diagramação, revisão e o projeto gráfico. “Quando entrego o material para a editora é só publicar, porque tem editora que cobra pesado para fazer isso”, argumenta. Para ele, antologias são importantes, pois dão a chance de publicação de maneira mais econômica a autores iniciantes. “Além disso, podemos conhecer muitos autores de uma só vez”, afirma.

Desde 2010, o pré-lançamento da coletânea é feita no Rio de Ja­nei­ro, durante a Festa Literária In­ter­nacional de Paraty. “Nosso sarau já é conhecido na feira. Fazemos tudo na praia, em parceira com um francês, que tem um bar no local. Usamos a estrutura para atrair as pessoas e mostrar a elas nosso trabalho, promovendo debates e oficinas”, relata.

Bolsa Hugo de Carvalho Ramos

Cristiano Deveras conta que é “fruto” da Bolsa de Publicação Hugo de Carvalho Ramos, prêmio da União Brasileira dos Escritores Seção Goiás (UBE-GO). Seu primeiro livro, “Jantar das 11”, foi publicado quando venceu o prêmio. “Esse é um dos prêmios mais importantes do Brasil”, afirma.

A partir disso, Cristiano decidiu investir na carreira de escritor. Em 2008, recebeu menção honrosa no Prêmio Literário Cidade do Recife e foi finalista no Prêmio Sesc de Literatura com seu segundo livro: “O etéreo ser de carbono”, publicado em 2013, também por meio da Bolsa da UBE-GO.

Por esse livro, publicado pelo selo editorial goiano R&F, Cristiano foi convidado para participar da Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha. Um dos poucos goianos. Ele relata:

“O país homenageado pela feira daquele ano foi o Brasil e o Mi­nis­tério da Cultura levou 70 autores. Nenhum era goiano. Aliás, a maioria dos escritores levados pelo ministério era do eixo Rio-São Paulo; metade do País não estava representado. Eu fui convidado pela R&F e pude levar a literatura de Goiás para aquela feira, que é a maior do mundo”.

Go to Top