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Sophia Loren revela detalhes de biografia que chega ao Brasil

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Sophia Loren completou no mês passado 80 anos de idade. Foto: Divulgação

Sophia Loren completou no mês passado 80 anos de idade. Foto: Divulgação

A diva está lançando sua autobiografia Ontem, Hoje e Amanhã – Minha Vida Como um Conto de Fadas, que chegará ao Brasil pela Record
Publicado no D24.am
São Paulo – Uma caminhada. Como aquela que marcou a história do cinema pelas ruelas pobres de Nápoles no filme Two Women. Uma jovem linda, talentosa, caminhando com a cabeça erguida, peito estufado, decote semiaberto, feliz e indo em direção a um destino que parecia programado. Sophia Loren completou no mês passado 80 anos de idade. Se o rascunho do script dessa história poderia apontar para uma vida recheada de dificuldades, ela o transformou em uma história de superação e em um conto de fadas.

Última diva do século 20 ainda viva, Sophia está lançando sua autobiografia Ontem, Hoje e Amanhã – Minha Vida Como um Conto de Fadas, que chegará ao Brasil em uma tradução publicada pela Record. Nele, conta como não teve um pai, não tinha uma casa, não tinha um sobrenome – e as tragédias da Segunda Guerra Mundial apenas se acumulavam diante de uma família que lutava para sobreviver.

Mas sua vida começaria a mudar pouco tempo depois de as bombas silenciarem. Seu primeiro concurso, ela ganhou vestindo uma roupa que sua avó fez usando a cortina da casa. O prêmio foi um rolo de papel de parede que permitiu que a família cobrisse algumas das cicatrizes deixadas nas paredes de casa pelas bombas durante a guerra. Se durante o conflito ela chegou a ser obrigada a dormir em tubos dos esgotos de sua cidade, Pozzuoli, com menos de 18 anos era sua renda que sustentava a casa. Anos depois, tinha refeito a história de sua família.

Dos cortiços onde começou sua vida à suíte presidencial de um dos hotéis mais caros do mundo em Genebra, ela falou ao Estado com exclusividade. Elegante, com enormes brincos de brilhantes e seus óculos inconfundíveis, a italiana não perdeu as expressões em seu rosto que a fizeram uma das atrizes mais cobiçadas pelos diretores. Num longo sofá, Sophia falou de forma pausada e mansa sobre sua vida.

Ao Brasil, todos os elogios do mundo. “Que lindo país.” Mas só um aspecto a incitou a fazer uma brincadeira: a humilhação do Brasil na Copa. “Vocês foram um desastre. Fiquei muito chateada. A Itália não foi bem. Mas 7 x 1, 7 x 1! Imagino a festa, a música que teria sido se o Brasil tivesse vencido”, lamentou. Eis os principais trechos da entrevista:

Por que publicar uma autobiografia agora?
Muita gente escreveu livros sobre mim. Algumas vezes, eu sabia que o livro estava sendo escrito, outras, não e era uma surpresa. Então, eu disse a mim mesma que deveria escrever algo. Como esse é um ano importante para mim, decidi que deveria dar uma declaração. Escrever, de fato, como minha vida começou e repassar ela inteira. Claro, tenho material suficiente para isso. As pessoas que conheci, as correspondências. Comecei a escrever, aos poucos, e me dizia: ‘Vamos ver o que vai acontecer. Se eu gostar, darei a alguém para publicar’.

A senhora mantinha algum diário durante todos esses anos?
Sim. Mas, depois de 20 anos, eu estava arrumando minha casa e vi todos esses diários. Comecei a lê-los. Pensei: ‘O que é que vai acontecer com todo esse material se eu tiver um acidente de carro ou morrer?’. Aquele material era algo que pertencia apenas a mim. Nem mesmo aos meus filhos. Não porque existiam coisas que não deveriam ser lidas. Mas porque eram pessoais. Comecei a rasgar as páginas das coisas que eu não gostava. Mas, então, parei e pensei: ‘Por que estou fazendo isso? Vou queimar tudo e estará tudo terminado’. Foi isso que fiz e fiquei muito feliz. Agora, a cada ano, escrevo um diário. Mas destruo no final.

No livro, a senhora conta como chegou a dormir em um tubo de esgoto para fugir das bombas na Segunda Guerra Mundial. Como foi sua infância?
Foi difícil como a de qualquer família normal daqueles anos. Vivemos momentos difíceis com a guerra. Infelizmente, nasci no ano que o mundo explodia. Vi todas as coisas ruins que a guerra traz consigo. Vegetamos. As escolas fecharam, pela noite não podíamos dormir. Crianças não sabem se expressar e veem coisas que não estão certas, e não conseguem dizer e entender o motivo. Foi muito ruim.

E qual foi seu primeiro contato com o cinema?
Foi logo depois da guerra. Quando os americanos começaram a chegar, o único prazer era ir ao único cinema e ver filmes. Ver locais lindos, mulheres lindas, roupas lindas. Fomos com as nossas fantasias. Imaginando estar naqueles locais. Às vezes, em casa, eu e minha irmã imitávamos o que víamos. Agora, isso não era suficiente para mim e para minha irmã. Tivemos o destino cruel de não ter um pai. Na verdade, tínhamos. Mas ele não cuidava de nós.

E qual era essa fantasia que a senhora carregava ao ir ao cinema naquele momento?
Meu sonho era o de ter uma família, como minha amiga do apartamento que havia do outro lado da rua. Ter um pai, ter irmãos, uma família, dinheiro suficiente para colocar um prato de comida na mesa.

A senhora conta no livro como era, ainda muito jovem, de fato, a chefe da família.
Sim, com 15 ou 16 anos.

A senhora tinha consciência dessa responsabilidade?
Não. Tudo aconteceu de forma natural. Para mim, era a rotina. Eu era a única a quem foi pedido que se fizesse algo.

O primeiro momento de triunfo foi ter vencido um concurso de beleza em Nápoles. O prêmio foi equivalente a US$ 35, rolos de papel de parede e uma bilhete de trem para Roma. Quando entrou nesse trem, imaginou que seria um bilhete só de ida na sua carreira?
Não. Ser uma estrela era um motivo de gargalhada para mim. Eu não acreditava. Mas foi uma chance que tive. Estava escrito em algum lugar que, um dia, eu conseguiria atingir tudo isso. Sinceramente acredito nisso. Mas, claro, para chegar a isso, tive de trabalhar muito. O trabalho psicológico, minha pouca idade.

A senhora aponta De Sica como responsável por tê-la formado como atriz. Por quê?
Nós nos encontramos. O primeiro encontro foi muito estranho. Depois, fui ao seu escritório, conversamos. Ele vinha da mesma cidade que eu – Nápoles -, falávamos a mesma língua. Havia um filme que ia produzir, O Ouro de Nápoles. Eles precisavam de uma garota linda, 18 ou 17 anos, de Nápoles. De Sica, então, me disse que era muito bom, já que, no filme, o nome da garota era justamente Sofia. Ali mesmo, ele me disse que me queria no filme e que, em dois dias, eu deveria estar em Nápoles para a filmagem. Quando abri a porta e deixei seu escritório, desmaiei. De Sica era o grande nome.

E como foi essa primeira experiência?
Era tudo novo para mim. E havia muita gente na rua vendo a filmagem. Eu não era ninguém. Mas as pessoas estavam lá para ver De Sica. De repente, me vi em meu lugar, na minha cidade. De Sica costumava interpretar e ensaiar cada um dos personagens do filme. Fazia o papel de todos. Quando ele fazia o meu papel, me dei conta que ele fazia exatamente as coisas que eu fazia. Vínhamos do mesmo lugar, com as mesmas emoções, mesma ironia. Começamos a trabalhar e senti que eu era o seu instrumento. Foi uma alegria.

Foi nesse filme que a senhora encenou provavelmente uma das caminhadas mais famosas da história do cinema. Como aconteceu aquele momento?
No começo, as pessoas que estavam ali não davam bola para mim. Mas, aos poucos, senti que aquele pequeno mundo começou a se transformar em meu amigo. Pensei que, se isso acontecia todos os dias, é porque eu tinha algo a dar àquelas pessoas ali. Comecei a brincar com as pessoas, comecei a atuar para eles. Aos poucos, você vai entendendo a psicologia do que as pessoas querem. Claro, precisa sempre estar em alerta. Mas eu não era estúpida.

A dupla que a senhora formou com Marcello Mastroianni também marcou época no cinema.
Ah, foi química. Desde o primeiro momento que fizemos um filme juntos, a comédia Too Bad she is Bad, gostaram de nós. Foi um grande sucesso. Os novos pedidos vieram, muitas vezes com De Sica, e começamos a fazer filmes dramáticos. Um dos melhores que fizemos foi A Special Day.

No filme Two Women, a senhora interpretou uma mãe sozinha com sua filha na guerra. Até que ponto estava interpretando a sua própria mãe?
Não é que interpretei a minha mãe. Era um personagem de uma mãe na guerra. Portanto, representava minha mãe para mim e o que ela teria feito em meu lugar se estivesse lá. Era uma questão de trabalhar com a fantasia.

Com esse filme, a senhora foi nomeada ao Oscar. Mas nem viajou até os EUA para acompanhar a cerimônia. Por quê?
Nunca um filme estrangeiro havia sido convidado. Quando fui escolhida entre as cinco, senti que era um grande passo. Era muito estranho que tivessem nomeado um filme em italiano. Claro, as atrizes sempre dizem que, quando estão entre as cinco, que já estão felizes. Mentira. Quando você está entre as cinco, você quer ganhar. Mas eu não acreditava e não queria me expor a algo que perderia. De todas as formas, eu pensei que, se ganhasse, eu iria desmaiar. E isso não seria legal no palco. Melhor desmaiar em casa.

Depois de atuar nos EUA, acredita que teve de voltar para a Itália e produzir filmes em sua língua, para ser reconhecida e concorrer a um Oscar?
Não. Fui eu quem mudei as regras nos EUA.
No Brasil, a senhora está associada ao fato de ter anunciado o Oscar para Roberto Benigni, no momento em que o País acreditava que poderia ganhar o prêmio com Walter Salles.
Ah, verdade? Não sabia.

Houve alguma influência da arte brasileira em sua carreira?
Sim, a música. Sem dúvida. Eu ia à loucura com a música brasileira, bossa nova, Tom Jobim, e com os filmes como Orfeu Negro. Além disso, eu ia filmar Tieta, de Jorge Amado.

Por que não aconteceu?
Porque fui para a prisão. Estava tudo pronto. Lina Wertmüller seria a diretora. Seria filmado no Brasil. Está até hoje engasgado na minha garganta.

Como foi a prisão?
Disseram que não paguei impostos sobre um filme que eu fiz. Há três anos, venci o caso. Ou seja, fui à prisão para nada. Mas foi uma experiência.

A senhora faz parte da história da beleza, que ganha novos contornos em cada época. O que é, para a senhora, a beleza?
Qualquer um pode ser lindo. Mesmo se a pessoa não é perfeita. Mas teu olhar precisa mostrar que você é feliz, positivo e que pode ter uma vida boa.

Ex-viciado vira o agente literário da vez

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O agente literário Bill Clegg em sua casa, em Nova York

O agente literário Bill Clegg em sua casa, em Nova York/ Ozier Muhammad/The New York Times

Roberta Campassi, na Folha de S.Paulo

 

O agente literário americano Bill Clegg virou notícia há quatro anos ao publicar “O Retrato de um Viciado Quando Jovem’, livro em que relata seu envolvimento autodestrutivo com álcool e crack.

Hoje afastado dos vícios, Clegg vem chamando a atenção por uma nova e bem-sucedida empreitada nos EUA.

Há dois meses, abriu em Nova York sua própria agência, The Clegg Agency, e emplacou dois negócios milionários que agitaram o mercado editorial internacional.

Representados por Clegg, “Fates and Furies”, quarto livro de Lauren Groff, e “The Girls”, romance de estreia da jovem Emma Cline, foram disputados em leilões nos EUA por 11 e 12 editoras, respectivamente.

O primeiro foi vendido por mais de US$ 1 milhão (R$ 2,4 milhões) e o segundo, por US$ 2 milhões (R$ 4,8 mi), cifras elevadas no mercado de livros.

No Brasil, ambos foram adquiridos pela Intrínseca, por valor não divulgado.

Atencioso e sorridente, o agente literário mais badalado do momento deu entrevista à Folha em plena Feira do Livro de Frankfurt, na semana passada, enquanto promovia concorridos leilões internacionais dos dois títulos.

Ele disse que o primeiro grande evento editorial à frente de sua agência surpreendeu. “Não esperava me sentir tão animado fazendo o que faço há 20 anos, tampouco fechar tantos negócios na própria feira”, afirmou —graças aos contatos via internet, a cada ano a feira perde potencial como balcão de negócios.

Aos 44, Clegg é conhecido no mercado editorial pela simpatia e pelo bom gosto para a ficção literária. Ele não divulga a lista de clientes da Clegg Agency, mas cita ao menos dez nomes, a maioria de autores em início e meio de carreira ainda pouco conhecidos do grande público. Todos escrevem em inglês.

Além de Lauren Groff e Emma Cline, estão na lista o contista Daniyal Mueenuddin, o cineasta e autor John Waters, a autora Rivka Galchen, a poeta Mary Jo Bang, a contista Ottessa Moshfegh e David Levithan —este sim famoso por seus best-seller para jovens “Will & Will”, feito em parceria com John Green e publicado pela Record.

Há ainda Matthew Thomas e Akhil Sharma, dois que neste ano lançaram romances bem recebidos pela crítica de língua inglesa, “We Are Not Ourselves” e “Family Life”.

Não é a primeira vez que Clegg abre seu próprio negócio. No início dos anos 2000, ele fez uma sociedade com a agente Sarah Burnes, mas a desfez abruptamente depois de quatro anos, no auge de seu problema com drogas.

Depois de passar por uma clínica de reabilitação, Clegg ficou oito anos na WME (William Morris Endeavor), uma das maiores agências americanas de autores e artistas.

Ao deixar o emprego neste ano para abrir a Clegg Agency, levou consigo a maior parte dos autores que representava na WME, entre eles Bang, Groff e Sharma. “Eles demonstraram lealdade e crença no projeto”, diz.

COMPARAÇÃO

Não só o talento de Clegg mas também seu caráter personalista e o passado junkie rendem nos bastidores comparações com Andrew Wylie, um dos maiores agentes literários hoje, que representa Philip Roth, Norman Mailer e Italo Calvino, entre outros.

Clegg diz nunca ter ouvido a comparação e evita comentários. Ainda que não seja o novo Wylie, o fato é que seus autores ganham algo raro no mercado editorial: atenção.

“O nome dele já era uma chancela importante para obras literárias”, diz Otávio Marques da Costa, publisher do selo Companhia, da Companhia das Letras. “Mas, depois dos leilões recentes, todo mundo está de olho no que ele promove”, diz.

Há anos, Clegg é amigo de Luiz Schwarcz, editor da Companhia das Letras, que publicou os dois livros do agente no Brasil —além de “O Retrato…”, “Noventa Dias”.

A editora paulista disputou a compra dos direitos de publicação de “The Girls” no Brasil, mas nem as boas relações com Clegg evitaram que a Intrínseca fosse vencedora.

A Clegg Agency não interromperá a carreira do agente como escritor. Seu terceiro livro, “Did You Ever Have a Family”, sairá nos EUA em 2015 e já foi adquirido pela Companhia das Letras.

Com seus próprios livros agenciados pela WME, ele agora tem como meta aumentar rapidamente o número de autores de sua agência. “Há uma exigência cada vez maior por livros excelentes. Meu papel será encontrá-los e promovê-los. Mas só represento o que absolutamente amo. E não me apaixono com muita frequência”, diz.

 

‘Sangue do Olimpo’ massacra aspirantes ao primeiro lugar

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O título vendeu quase três vezes mais do que o segundo lugar, ‘Se eu ficar’

Publicado por PublishNews

A lista de mais vendidos desta semana trouxe uma novidade um pouco sangrenta. A estreia de Sangue do Olimpo (Intrínseca), da série Os heróis do Olimpo, Rick Riordan exterminou a possibilidade de qualquer outro título ficar em primeiro lugar. O título vendeu 27.634 exemplares, quase três vezes mais do que o segundo lugar, Se eu ficar (Novo Conceito), que vendeu 9.645 exemplares. Fazia já onze semanas que um livro não passava da marca de 15 mil exemplares, quanto mais a de 25 mil. O restante da lista não trouxe muitas novidades. Em terceiro lugar ficou o já conhecido Destrua este diário (Intrínseca), com 7.647 exemplares vendidos.

Na lista de ficção, a única novidade foi o romance inacabado de José Saramago, Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas, publicado pela Companhia das Letras, que ficou lá embaixo na lista, em 16º lugar.

Também não houve muitas mudanças na lista de não ficção, mas entraram dois novos livros na lista. O Guinness world records 2015 (Agir) e o Guia de estilo – 40 forever (LeYa/Casa da Palavra) ficaram em 13º e 14º lugar respectivamente.

Além de nosso campeão, a lista de infantojuvenis trouxe oito livros da série Diário de um banana e três da Peppa, sendo que dois deles – Peppa e a fada dos dentes e Peppa e a festa do pijama (ambos da Salamandra) – são novidade.

Dos cinco primeiros lugares da lista de autoajuda, três são de Augusto Cury, cada um publicado por uma editora diferente. O primeiro lugar ficou com Ansiedade: Como enfrentar o mal do século (Saraiva), que vendeu 7.236 livros.

Não houve mudança nos três primeiros lugares da lista de negócios, onde a dupla De volta ao mosteiro e O monge e o executivo, ambos da Sextante, venderam 2.764 e 1.436, respectivamente.

No ranking de editoras, o primeiro lugar ficou com a Sextante, que emplacou 13 livros na lista. Na posição seguinte ficaram a Intrínseca e a Vergara & Riba, ambas com 11 livros.

Os livros mais amados pelos brasileiros – segundo o Facebook

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O Facebook decidiu analisar os dados de uma enquete para descobrir quais os livros mais amados por usuários no mundo todo. Agora, dividiu a lista por países

O menino que sobreviveu é favorito (Foto: Getty Images)

O menino que sobreviveu é favorito (Foto: Getty Images)

Publicado por Época

Por volta de setembro, surgiu no Facebook uma brincadeira inocente – os amigos pediam, uns aos outros, que listassem seus 10 livros favoritos. As instruções eram simples: a pessoa não devia pensar demais no assunto, apenas escrever de bate pronto os 10 títulos que, lidos ao longo da vida, tinham marcado mais sua experiência como leitor. Naquele mês, o grupo responsável pela análise de dados do Facebook decidiu analisar os dados dessa brincadeira e montou uma lista com os 10 livros mais amados no mundo. Ou, ao menos, os 10 livros mais amados por usuários do Facebook. Agora, com mais tempo de análise, eles decidiram quebrar esses dados por país.

O Facebook examinou dados de países que amealharam mais de 20 mil respostas à enquete. Foram eles Brasil, França, Itália,índia, México e Filipinas. Na maioria deles, “o menino que sobreviveu” ocupa a primeira posição: a série Harry Potter é desbancada apenas no México, onde os leitores preferem Cem dias de Solidão, de Gabriel Garcia Marquez. Outros títulos que se repetem com insistência são O pequeno príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, e a Bíblia. A escolha pode, com certa segurança, ser relacionada com a idade das pessoas que participaram da brincadeira: a média brasileira foi de 28 anos. Nos outros países, girou em torno de 24. São internautas jovens, muitos dos quais cresceram lendo Harry Potter.

Na lista do Brasil, reproduzida a seguir, não há nenhum autor nacional. O único brasileiro citado é Paulo Coelho – seu livro mais famoso, O Alquimista, é um dos favoritos dos leitores…franceses. Os escritores na França são conhecidos por ter certa birra com relação a Coelho. Não devem ter gostado nada desse resultado. Coelho também desponta entre os favoritos da índia.

Os favoritos no Brasil, segundo o Facebook, são:

1 Harry Potter – J.K. Rowling
2 A Culpa é das Estrelas – John Green
3 O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry
4 A menina que roubava livros – Markus Zusak
5 A Cabana – William P. Young
6 O Caçador de Pipas – Khaled Hosseini
7 Jogos Vorazes – Suzanne Collins
8 A Seleção – Kiera Cass
9 Coração de Tinta – Cornelia Funke
10 Bíblia –

A lista original, com os livros mais marcantes mundialmente, ficou assim:

1. A série Harry Potter – J.K.Rowling
2. O Sol é para Todos, Harper Lee
3. O Senhor do Anéia, J.R.R. Tolkien
4. O Hobbit, J.R.R. Tolkien
5. Orgulho e Preconceito, Jane Austen
6. A Bíblia
7. O Guia do Mochileiro das Galáxias, Douglas Adams
8. A trilogia Jogos Vorazes, Suzanne Collins
9. O apanhador no campo de centeio, J.D. Salinger
10. O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald
11. 1984, George Orwell
12. Mulherzinhas, Louisa May Alcott
13. Jane Eyre, Charlotte Bronte (5.23 percent)
14. A dança da morte, Stephen King
15. E o vento levou, Margaret Mitchell
16. A Wrinkle in Time, Madeleine L’Engle
17. O conto da aia, Margaret Atwood
18. O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, C.S. Lewis
19. O Alquimista, Paulo Coelho
20. Anne de Green Gables, L.M. Montgomery

6 coisas que Aristóteles entendeu errado

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Viking

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Armand Marie Leroi, no Brasil Post

Todo mundo sabe que Aristóteles foi um grande pensador. Ele inventou a lógica, escreveu a Política, a Poética e a Metafísica – livros que os filósofos leem até hoje. Mas pouca gente sabe que também foi um grande cientista – o primeiro. Foi a primeira pessoa a compreender que as teorias sobre o funcionamento do mundo natural têm de ser testadas pela evidência de nossos sentidos: pela realidade empírica. Ele escreveu sobre física, cosmologia e química, mas, principalmente, amava biologia. Ele colecionou milhares de fato sobre animais e plantas e então, em uma dúzia de livros, os explicou. É o maior sistema científico já construído por um homem. Mas até os maiores fãs de Aristóteles – entre os quais me incluo – têm de admitir que ele entendeu algumas coisas errado.

1. As mulheres são monstruosas.

Aristóteles diz que as mulheres têm menos dentes que os homens. Não está claro por que ele pensa nisso. Talvez ele tenha contado os dentes de sua jovem esposa e descobriu que ela não tinha os sisos. Mas os dentes são o menor dos problemas de Aristóteles com as mulheres. Comparadas aos homens, diz ele, elas são “imaturas”, “deficientes”, “deformadas”; são até um pouco “monstruosas”.

Estudiosos feministas levaram isto a sério, como deveriam. Mas tudo está ligado à biologia de Aristóteles. Ele acha que os homens têm sangue mais quente que as mulheres, têm um papel mais importante na reprodução e de modo geral são mais perfeitos. Ele dá algumas evidências para seus comentários. Nota que se você “mutilar” um menino — cortar seus testículos — sua voz nunca engrossará e ele não ficará calvo: ele se tornará feminilizado. A inferência de que as mulheres são naturalmente homens mutilados é razoável, mesmo que não seja exata.

É difícil resistir à conclusão de que as opiniões de Aristóteles sobre a biologia feminina são pelo menos em parte condicionadas pelos costumes patriarcais de sua época. Em Política, ele nem sequer considera a possibilidade de que as mulheres fossem cidadãs. A seu crédito, ele rejeita a sugestão de Platão em A República de que as mulheres deveriam ser partilhadas comunitariamente. Isto, porém, não é uma defesa dos direitos das mulheres: ele apenas pensa que a partilha das mulheres apoiada pelo Estado causará problemas. Provavelmente tinha razão.

2. Algumas pessoas merecem ser escravas.

A Atenas do século 4º funcionava com escravos. Em sua Política, Aristóteles considera a justiça disso. Ele admite que prisioneiros de guerra não merecem ser escravizados: são homens livres que apenas tiveram má sorte. Mas também afirma que algumas pessoas merecem ser escravizadas. Os escravos “naturais” são o tipo de pessoas que têm a capacidade de aceitar ordens, mas não têm inteligência suficiente para pensar por si mesmas. São pessoas mecânicas. Não são muito melhores que os animais.

É uma avaliação bastante dura. Coloque de lado a questão da propriedade, porém, e você poderá ver o que Aristóteles está pretendendo. Ele compreenderia o capitalismo industrial moderno. Ele indicaria que os trabalhadores em um “centro de remessa” do tipo dirigido pelas firmas de encomendas pelo correio, que obedecem roboticamente às ordens de “controladores” ambulantes, são escravos no sentido de que não podem exercer sua razão. Eles são escravos “naturais”? São incapazes de exercitar a razão? Não. Mas é assim que são tratados.

3. As enguias não se reproduzem.

As enguias são um problema para Aristóteles. O problema é que elas não têm gônadas. Abra o corpo de uma enguia e você não encontrará os espermatozoides e os óvulos que encontra dentro de outros peixes. Como então elas se reproduzem? A solução de Aristóteles é que elas não se reproduzem: apenas são geradas espontaneamente da lama. É claro, Aristóteles não poderia saber sobre a bizarra história de vida da enguia europeia: como ela só desenvolve suas gônadas quando faz uma viagem de 10 mil quilômetros dos rios da Grécia até o mar de Sargaços, nas Bermudas; como ela desova na profundidade, morre, e os filhotes fazem a longa viagem de volta. Mas sua solução para o problema da enguia foi excessivamente radical. Na verdade, ele pensa que muitos animais — moscas, percevejos, sanguessugas, ostras, moluscos — também são gerados espontaneamente de matéria-prima inanimada. A teoria da geração espontânea foi extremamente influente. Foi somente em 1668 que o cientista italiano Francesco Redi mostrou que para que surjam moscas na carne podre outras moscas primeiro têm de depositar ovos nela. O experimento de Redi era simples. Aristóteles poderia tê-lo feito. Mas não fez.

4. A eternidade do mundo.

Aristóteles, um maravilhoso naturalista, tem muitas evidências da evolução à sua frente. Ele vê que as espécies podem ser agrupadas em famílias; ele vê como elas são adaptadas a seus ambientes, e tem uma teoria sobre hereditariedade – a mais sofisticada que existia até que Mendel publicou a sua em 1866. Alguns de seus antecessores, os filósofos pré-socráticos, tinham teorias quase evolucionárias para explicar a origem da vida. Aristóteles avalia, e rejeita, todas elas.

5. Existe vida lá fora.

Aristóteles era um geocêntrico. Ele pensava que a terra se situa no centro do cosmo: o sol, a lua, planetas e estrelas, embutidos em esferas cristalinas, giram ao redor dela. Copérnico, Galileu e Kepler mostraram que ele estava errado. O aspecto mais estranho da cosmologia de Aristóteles, porém, não é seu geocentrismo, mas sua convicção de que os objetos celestes são vivos. Eles são, na verdade, as coisas vivas mais perfeitas; são quase deuses. Ele se pergunta por que a lua não tem asas, e conclui que não precisa delas; tem uma maneira melhor de se deslocar. Tudo faz parte de sua convicção de que o cosmo, em toda a sua reluzente perfeição, tem um objetivo. Nós não; simplesmente pensamos que ele apenas é.

Essa é a astroteologia de Aristóteles. Seu Deus definitivo é o Primeiro Movedor; uma entidade imaterial que vive além das estrelas, e, indiferente à vida na terra, passa seu tempo pensando sobre pensar. As estrelas e os planetas desejam ser como ele e por isso giram eternamente. É por isso que as coisas vivas se reproduzem: elas querem ser como Deus, eternas. Para Aristóteles, o amor literalmente faz o mundo girar.

6. Como as abelhas se reproduzem.

Aristóteles tenta decifrar como as abelhas se reproduzem. A maioria dos animais (com exceção dos geradores espontâneos) tem machos e fêmeas, e é fácil identificá-los. Mas existem três tipos de abelhas: as operárias, os zangões e as abelhas “líderes”, ou rainhas. Ele reúne todos os dados que consegue, os analisa e dá um ciclo de vida para as abelhas que, embora engenhoso, é errado. Mas é o que ele diz no final de seu capítulo sobre as abelhas que importa:

Então esta, pelo menos até onde vai a teoria, parece ser a situação sobre a geração das abelhas — em conjunto, isto é, com o que as pessoas acreditam ser os fatos sobre seu comportamento. Não que haja atualmente qualquer compreensão adequada do que são esses fatos. Se no futuro eles forem compreendidos, será quando a evidência dos sentidos depender mais que de teorias, embora as teorias tenham uma participação, desde que o que elas indicam concorde com os fatos.

Isto é o que eu penso que está acontecendo, mas realmente não sei. Quando tentamos compreender o mundo, devemos considerar as teorias. Mas na verdade são os fatos que importam; e, se os fatos mudam, nossas teorias também devem mudar. É uma declaração sobre como fazer ciência, feita 23 séculos atrás, a primeira. É por isso que, como cientista, posso compreender o que Aristóteles diz. É por isso que gosto tanto dele.

O livro de Armand Marie Leroi, “The Lagoon: How Aristotle Invented Science“, é publicado pela Viking (US$ 29.95).

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