Posts tagged livros

10 coisas que você provavelmente não sabe sobre J. R. R. Tolkien

0

1

Ian Castelli, no Mega Curioso

John Ronald Reuel Tokien, ou simplesmente J. R. R. Tolkien, é o homem brilhante que criou o mundo fantástico por trás de obras como “O Senhor dos Anéis”, “O Hobbit” e “O Silmarillion”. Se você não leu os livros dele, você provavelmente já viu alguns dos filmes baseados no rico universo inventado por Tolkien décadas atrás.

Apesar de as suas obras serem extremamente populares, existem muitas pessoas que não conhecem alguns fatos curiosos sobre o Professor Tolkien, como é chamado até hoje pelos seus fãs.

O site Mental Floss reuniu algumas dessas características e nós trazemos esse breve apanhado para vocês também. Quão bem você conhece o criador da Terra-Média, Valinor e Arda no geral? Veja alguns fatos interessantes logo abaixo:

1 – Não foi considerado um típico professor inglês

Tolkien foi um renomado linguista com especialidade em Inglês Antigo e Nórdico Antigo, sendo professor da Universidade de Oxford de 1925 até 1959. Ele foi reconhecido pela quantidade de aulas que ministrou na Universidade, sempre muito além do que o seu contrato demandava. Porém, o mais interessante é o jeito que as aulas de Tolkien possuíam.

Apesar de ser bastante quieto e tímido em público, nas salas Tolkien se transformava com aulas consideradas dinâmicas para a época. Relatos dizem que ele foi a festas em Oxford fantasiado de urso polar, perseguiu um vizinho vestido de guerreiro anglo-saxão com um machado, entre outras histórias. Um aluno dele comentou no passado: “Ele consegue transformar uma sala de aula em um salão de hidromel”.

2 – Não gostou muito de adaptações dos livros

Tolkien foi professor primeiro e depois se tornou escritor, um processo lento e que levou muitos anos para estabelecer os mitos do universo criado por ele. Quando o material publicado fez sucesso, o professor ficou bastante feliz e surpreso, porém recusou várias propostas para adaptar os livros e seus escritos no início – principalmente porque ele achou que essas adaptações não capturavam o escopo épico e nobre das histórias. É no mínimo curioso imaginar o que Tolkien acharia dos filmes dirigidos por Peter Jackson hoje…

1

3 – Apaixonado pela profissão

Escrever os livros da Terra-Média foi algo importante para Tolkien, porém não foi seu trabalho principal. O essencial para ele foi ser professor na Universidade de Oxford, sendo que dedicava bastante tempo com os estudos literários e traduções de obras antigas do inglês.

4 – Um homem bastante romântico

Aos 16 anos, Tolkien se apaixonou por Edith Bratt. Contudo, por Tolkien ser católico e Edith protestante, um padre proibiu que os dois se encontrassem até o jovem completar 21 anos. Ao atingir a idade, Tolkien se encontrou com Edith e os dois puderam se conhecer melhor. Posteriormente, ela terminou o noivado e se converteu ao catolicismo para que os dois pudessem se casar. Eles ficaram juntos até o final de suas vidas e o túmulo de ambos é compartilhado, sendo que ele possui os nomes “Beren” e “Luthien” gravados também – referência a uma das histórias românticas mais emocionantes e épicas já escritas por ele.

1

5 – Alguns desentendimentos com C. S. Lewis

Tolkien e Lewis, autor de “As Crônicas de Nárnia”, são frequentemente chamados de melhores amigos, e realmente todos os indícios apontam que os dois escritores compartilhavam muitas coisas em comum. Contudo, quando Lewis supostamente teve alguns comportamentos considerados anticatólicos, como namorar uma mulher americana divorciada (algo bastante negativo na época), o relacionamento dos dois esfriou.

Tolkien lamentou a separação deles e, quando Lewis faleceu, o professor já idoso escreveu uma carta a sua filha com os seguintes dizeres: “Até o momento eu me sinto como uma árvore velha que está perdendo todas as suas folhas uma por uma, porém isso parece um golpe de machado nas raízes” – comentou, referindo-se à morte de Lewis.

6 – As guerras influenciaram Tolkien drasticamente

J. R. R. Tolkien lutou na Primeira Guerra Mundial em uma das batalhas mais intensas e agressivas desse período, conhecida como Batalha de Somme. Muitas das privações que Frodo e Sam passaram no caminho até Mordor refletem um pouco dos horrores que Tolkien viveu nos confrontos reais nas trincheiras. Vários de seus amigos morreram na época ao seu lado, o que fez com que essas tragédias inspirassem algumas das coisas que vemos em “O Senhor dos Anéis”, “O Hobbit” e “O Silmarillion”.

7 – Ele inventou línguas novas por diversão

Como Tolkien foi um filólogo e estudou as mais variadas línguas e seus efeitos culturais, ele manteve seu cérebro exercitado ao desenvolver suas próprias línguas que utilizou nas obras (como os idiomas élficos que possuem suas próprias vertentes, o Quenya e o Sindarin). Inclusive, Tolkien escreveu poemas e músicas nessas línguas fictícias, como modo de agregar aspectos culturais a elas.

1

8 – Muitas das obras foram publicadas após sua morte

Se você escrever algum livro ficará feliz ao publicá-lo enquanto estiver vivo, porém no caso de Tolkien muitos livros foram lançados depois que ele faleceu. Apesar de obras como “O Senhor dos Anéis” e “O Hobbit” terem chego às prateleiras enquanto ele estava vivo, muito mais livros foram editados com base nas extensas anotações que o professor fez sobre o universo de Arda, Valinor e a Terra-Média e publicados posteriormente.

O seu filho, Christopher Tolkien, foi o responsável por reunir essas anotações e editá-las em formato de livros que complementam o mundo criado pelo seu pai. “A História da Terra-Média”, “Contos Inacabados”, “Os Filhos de Húrin”, “O Silmarillion” e “A Lenda de Sugurd e Gudrún” são alguns desses exemplos.

9 – Tolkien não gostava dos nazistas como eles gostavam dele

Os trabalhos de Tolkien na reconstrução do Nórdico Antigo e das lendas germânicas eram extremamente populares entre os nazistas, que tentavam recuperar parte da cultura anciã germânica durante o período de Hitler. Entretanto, o professor disse publicamente ter aversão aos nazistas e à Hitler, inclusive considerando proibir a tradução de “O Hobbit” para o alemão depois que o editor pediu para ele certificar que era um “homem ariano”.

Em uma carta que Tolkien escreveu ao seu filho, ele comentou: “Eu tenho nessa Segunda Guerra um rancor que provavelmente me faria um melhor soldado aos 49 anos do que fui aos 22. Aquele pequeno ignorante Adolf Hitler… Arruinando, pervertendo, aplicando de modo errado o nobre espírito do norte, uma contribuição suprema para a Europa que eu sempre amei e tentei apresentar na sua verdadeira luz”.

10 – Um fã de clubes de estudos

Onde quer que fosse, Tolkien sempre participou e fundou os mais variados clubes de estudo, que normalmente se enchiam após as aulas. Quando foi professor da Universidade de Leeds, ele criou o Viking Club. Já nos eu período em Oxford, ele fundou os Inklings, um grupo focado na discussão literária.

Ressentimento, ciúme, vingança… e livros

0

Escritores, filósofos e especialistas abordam as causas e os efeitos da questão do combate amoroso na literatura. Várias obras chegam ao mesmo tempo às estantes

Winston Manrique Sabogal, no El País

Ilustração de Fernando Vicente.

Ilustração de Fernando Vicente.

Ninguém escapa à tentação. A vingança por um ressentimento amoroso aninhada em algum canto do coração e mascarada como alívio à dor. Três livros recentes confirmam: Merci por ce moment, de Valérie Trierweiler (“Obrigada por este momento”, ainda sem editora no Brasil), é o testemunho-castigo da ex-companheira do presidente da França, François Hollande; Palais de Justice, de José Ángel Valente (ainda sem editora no Brasil), revela passagens pessoais da vida do poeta espanhol; e Así empieza lo malo, de Javier Marías (“Assim começa o mal”, também sem editora no Brasil), exemplo do argumento em uma obra de ficção.

A vingança na literatura vem de duas estirpes: a primeira, como elemento inspirador e artístico, para iluminar áreas obscuras da condição humana; a outra, espúria, para acertar contas. Segundo escritores, filósofos e especialistas, recorrer à literatura como arma de desilusão não costuma resultar em um bom livro. Por outro lado, é, sim, um território fértil para, a partir daí, criar-se obras boas. É a prova de que a vingança não é um prato que se come frio, mas sim fervendo.

Para a escritora e jornalista espanhola Rosa Montero, a literatura “busca encontrar o sentido do mundo, o sentido da vida, o sentido da dor”. “Não se pode reduzir essa busca imensa e essencial à suja, ridícula e, frequentemente, pateta pequenez de uma vingança amorosa”.

Ninguém escapa à tentação. O rastro de pranto enfurecido do ressentimento está na literatura desde os clássicos gregos e romanos, a Bíblia e As mil e uma noites até As Brasas, de Sándor Marái (Companhia das Letras), e O Túnel, de Ernesto Sábato (Companhia das Letras), passando por Otelo, de Shakespeare, e O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brönte (Landmark).

Da estirpe mais espúria vem um dos livros mais comentados da atualidade na França: Merci pour le moment. Ali, Trierweiler tenta cumprir sua promessa a Hollande – “Vou te destruir” -, assim que ele confessou a ela sua infidelidade. Em 2008 a França viveu um episódio parecido, quando Jean-Paul Enthoven publicou Ce que nous avons eu de meilleur (“O melhor que tivemos”, sem edição no Brasil): ele tinha um filho chamado Raphael quando se tornou amante de Carla Bruni. Mais tarde, ela o abandonou para ficar com Raphael, com quem teve um filho antes de se tornar esposa de Nicolas Sarkozy.

Um dos casos mais parecidos com o livro de Trierweiler, guardadas todas as distâncias literárias, foi assinado por Oscar Wilde em De Profundis (Martin Claret). Quando o autor inglês estava na prisão se sentiu traído pelo amante, Lorde Alfred Douglas, e escreveu a ele uma carta em 1897. Um breve texto que nasce do amor mas onde o escritor recorda o infortúnio causada por Douglas e desaprova certos comportamentos do amante.

Nada mais infrutífero que a vingança, adverte o narrador e poeta Darío Jaramillo. Segundo ele, o que a literatura clássica mostra “é que o vingador está sempre equivocado em relação aos fatos que dão origem ao ato vingativo. Talvez porque o amor louco distorce a percepção e faz enxergarmos coisas que não ocorreram”. Além de infrutífera, Jaramillo contradiz a opinião de que a vingança é prazerosa, porque “o vingador também pode terminar derrotado pela culpa”.

Ninguém escapa à tentação. Outra coisa é que o desenvolvimento da civilização retenha os indivíduos. E de onde vem ou onde nasce esse impulso? Desde a infância a pessoa já está familiarizada com a dialética da vingança e suas estratégias, em geral, afirma o escritor espanhol Jesús Ferrero em Las experiencias del deseo – Eros y misos (“As experiências do desejo – Eros e ódios”, sem edição no Brasil). Segundo o autor, quando se detecta o vingador em uma obra literária, “logo nos identificamos com ele, como se suspeitássemos que o deleite que sua vingança nos proporciona será superior a qualquer outro prazer literário. Por mais objeções morais que esse processo tenha, quase sempre estamos dispostos a nos apaixonar pelo vingador e a desfrutar de sua vingança, como diz [o filósofo] Fernando Savater em A Infância Recuperada (Martins Fontes)”.

É o oposto do grande sentimento ansiado e buscado: o amor. “Se aceitamos que a relação amorosa é a grande aposta intersubjetiva do ser humano, é possível entender que o fracasso dela pode ser vivido por seus protagonistas como a maior das derrotas”, reflete o filósofo Manuel Cruz, autor de Amo, luego existo – Los filósofos y el amor (“Amo, logo existo – Os filósofos e o amor”, sem editora no Brasil). A razão estaria no fato de no amor mais intenso as pessoas se colocarem nas mãos do outro. “Alcançamos o grau máximo de vulnerabilidade. Por isso nada nos prejudica tanto como o desprezo ou a rejeição vindos do outro”.

A vingança fica, assim, na órbita errática do ressentimento como um elemento fértil para o escritor. A poetisa Clara Janés afirma que se interessa por tudo, mas para transformar tudo em arte, em literatura. Todos os sentimentos lhe servem de aprendizado e exercício, se consegue criar “intensidade, beleza, profundidade e boa escrita”. Mas detesta tudo o que é melodramático. Desde a adolescência a interessam figuras como Medeia e Fedra.

Arquétipos do mundo antigo, onde a mulher casada vivia submetida ao marido, e em caso de traição ou abandono devia se resignar, recuperando seu dote em todo caso, como recorda o especialista Carlos García Gual. Mas o mito e a tragédia tornaram célebres duas mulheres muito vingativas: Medeia e Clitemnestra.

Vingança ou ressentimento que, talvez, sejam estratégias de sobrevivência por parte de quem se vê abandonado, afirma Cruz. “Porque, de fato, não faz sentido culpar ou responsabilizar alguém que deixou de nos amar: que outra coisa essa pessoa poderia fazer, se ainda resta um pouco de amor, senão nos contar a verdade? Mas assumir isso nos levaria a aceitar que a relação amorosa não responde à lógica do intercâmbio (o chamado ‘absurdo’ do amor) ou a assumirmos nós mesmos o peso do fracasso, e quase com toda a certeza isso aumentará a dor até o insuportável (porque não poderíamos evitar pensamentos sobre como pudemos deixar escapar alguém a quem confiamos a vida?)”.

Ninguém escapa à tentação. Nem a acreditar que a vingança é um prato que se come frio, o que Ferrero desmente: “Mais parece um prato que se come fervendo, que acelera as emoções e as batidas do coração e cria faíscas contínuas na mente”.

Quem escapa a seu zumbido?

Ainda que, às vezes, sejam batimentos cardíacos transformados em versos, como os de Darío Jaramillo, em seu poema Vingança:

Ahora tú, vuelta poema, / encasillada en versos que te nombran, / la hermosa, la innombrable, luminosa, / ahora tú, vuelta poema, / tu cuerpo, resplandor, / escarcha, desecho de palabra, / poema apenas tu cuerpo / prisionero en el poema, / vuelto versos que se leen en la sala, / tu cuerpo que es pasado / y es este poema / esta pobre venganza”.

Rio de Janeiro recebe feira literária

0

Publicado no SRZD

primavera dos livros 2014Quem não gosta de uma boa literatura? Há quem prefira os clássicos, outros, os atuais. A comédia e o romance também podem ser uma ótima pedida, depende do dia e do humor. Maior feira literária independente do Brasil, a “Primavera dos Livros” é uma ótima pedida aos simpatizantes das letras. O evento ocorre entre 30 de outubro e 2 de novembro, no Museu da República.

Segundo os organizadores do encontro, 50 mil pessoas devem visitar a feira nos três dias de evento. A feira é resultade de uma parceria entre a Liga Brasileira de Editoras (Libre), o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), Ministério da Cultura, Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro e do Museu da República.

Serviço:

Primavera dos Livros
Local: Museu da República
Endereço: Rua do Catete, 153 – Catete – Rio de Janeiro
Data: 30 de outubro a 2 de novembro de 2014
Horário: 10h às 21h
Classificação: Livre
Entrada franca

Dia do livro: dez deles para você “devorar”

0

1

Publicado por Terra

Sabe aquela sensação gostosa que dá quando você fecha um livro pela última vez ao terminar a leitura e pensa: “e agora, qual o próximo?”. Às vezes são tantas opções que fica difícil de fazer uma escolha.

Neste Dia Nacional do Livro, celebrado neste 29 de outubro, o Terra e a Nuvem de Livros pensaram nisso e prepararam uma lista com dez obras que são leitura “obrigatória” para um bom devorador de livros.

Confira:

1. Romeu e Julieta, de William Shakespeare (Editora Nemo)
A história do amor imortal de Romeu e Julieta ganha nova vida nas páginas desta adaptação em estilo mangá. Uma HQ com todo romantismo e emoção da maior história de amor de todos os tempos!

2. Viagem ao centro da terra, de Julio Verne (Editora Melhoramentos)
Mesclando ficção, informação científica e humor, Julio Verne oferece ao leitor um romance empolgante, em que os personagens são lançados em situações extremas, necessitando dar o melhor de si para superá-las.

3. O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry (Editora Agir)
“O Pequeno Príncipe” foi escrito e ilustrado por Antoine de Saint-Exupéry um ano antes de sua morte, em 1944. Piloto de avião durante a Segunda Grande Guerra, o autor se fez o narrador da história, que começa com uma aventura vivida no deserto depois de uma pane no meio do Saara. Certa manhã, é acordado pelo Pequeno Príncipe, que lhe pede: “desenha-me um carneiro”? É aí que começa o relato das fantasias de uma criança como as outras, que questiona as coisas mais simples da vida com pureza e ingenuidade.

A obra mostra como as “pessoas grandes” se preocupam com coisas inúteis e não dão valor ao que merece. É nesse livro em que surge a Raposa, terno personagem que ensina ao menino o segredo do amor. “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”.

4. Histórias extraordinárias, de Edgar Allan Poe (Editora Ediouro)
O homem sempre sentiu medo, sobretudo daquilo que não pode entender, do incerto e — por que não dizer? — do proibido. Talvez por isso o horror tenha algo que nos afaste, mas que também nos atraia e nos deixe fascinados. E foi desbravando essa estranha e ambígua sensação que o contista, crítico e poeta americano Edgar Allan Poe se consagrou como um dos mestres do gênero do terror e o pai da literatura policial.

5. Um rio chamado Atlântico, de Alberto da Costa e Silva (Editora Nova Fronteira)
A obra reúne 16 textos sobre as relações históricas entre o Brasil e a África, sobre a África que moldou o Brasil e o Brasil que ficou na África, publicados desde 1961 em jornais e revistas ou lidos em seminários sobre a história do continente africano. Os autores procuraram não se desatar do poeta Costa e Silva. Se é o poeta quem anda pelas ruas dos bairros brasileiros de Lagos e Ajuda, quem desenha as fachadas das casas térreas e dos sobrados neles construídos pelos ex-escravos retornados do Brasil e quem traz das páginas dos documentos e dos livros as personagens com que se povoam estes ensaios, é o historiador quem lhe guia cuidadosamente os passos.

6. O tigre em casa e a caça do tigre, de Eduardo Lizalde (Editora Alameda)
É impossível não sentir a grandeza da descrição do tigre, animal plástico que representa o ser humano em suas várias facetas e relações. É impossível não reconhecer o impacto de seus poemas sobre o ódio, ódio que constitui a única prova da existência de alguma coisa. É impossível permanecer impassível diante da mordacidade da série de poemas “Lamentação por uma cadela”. Eduardo Lizalde, nascido em 1929, é um dos grandes poetas mexicanos do século 20.

7. Há prendisajens com o xão, de Ondjaki (Editora Pallas)
Do chão promovido a almofada, do nosso limite a ele, do nosso encontro sob ele em algum tempo desconhecido, Ondjaki nos transporta para um diálogo com o tempo, com a palavra, com a liberdade da escrita, com a imaginação de seres misteriosos. Descrições de uma natureza em brisa de jangada e zunzum de abelha. E há também o encontro do sentimento com os seres que somos. Mais conhecido como prosador no Brasil, o autor nos oferece sua escrita em poesia construindo (ou desconstruindo) com muita intimidade cada palavra, cada verso, à sombra das árvores, pela alma das gaivotas, perto de um cardume de tardes. Ou do chão.

8. Relembramentos, de Vilma Guimarães Rosa (Editora Nova Fronteira)
Vilma Guimarães Rosa viaja por memórias para tecer um retrato comovente de seu pai, Guimarães Rosa, considerado por muitos o maior escritor da nossa literatura. Por meio de fotos, cartas, lembranças de um passado rico e cheio de histórias, o pai, sempre rememorado com carinho pela filha, é revelado como um homem singular, amoroso, profundamente religioso e com um senso de humor surpreendente. Relembramentos é uma ode a um gênio feita com a delicadeza de uma escritora inspirada e o amor de uma filha saudosa.

Bastante famosa pelo filme de Stanley Kubrick, a obra Laranja Mecânica é um clássico da literatura Foto: Nuvem de Livros / Reprodução

Bastante famosa pelo filme de Stanley Kubrick, a obra Laranja Mecânica é um clássico da literatura
Foto: Nuvem de Livros / Reprodução

9. Laranja Mecânica, de Anthony Burgerss (Editora Aleph)
Publicado pela primeira vez em 1962, e imortalizado nove anos depois pelo filme de Stanley Kubrick, “Laranja Mecânica” não só está entre os clássicos eternos da ficção como representa um marco na cultura pop do século 20. Meio século depois, a perturbadora história de Alex – membro de uma gangue de adolescentes que é capturado pelo Estado e submetido a uma terapia de condicionamento social – continua fascinando, e desconcertando, leitores mundo afora.

10. Angu de sangue, de Marcelino Freire (Livro Falante)
Neste audiolivro, Marcelino Freire lê os 17 contos que compõem a obra homônima impressa, incluindo Muribeca, Belinha, Moça de Família, Volte Outro Dia, Socorrinho, Filho do Puto, Troca de Alianças, Angu de Sangue, A Senhora que Era Nossa, Os casais, O Caso da Menina, Sentimentos, Faz de Conta que Não Foi. Nada, A Cidade Ácida, The End, J.C.J. e Mataram o Salva-vidas. Ninguém melhor do que o próprio autor, nesse caso, para reafirmar a vida das suas palavras, que cortam, rasgam, furam, rebolam, vão se embrenhando na gente.

Sete autores, de Thalita Rebouças a Antonio Torres, revelam os livros mais importantes em suas vidas

0

No Dia Nacional do Livro, escritores falam sobre obras essenciais e Guimarães Rosa domina a lista

Thalita Rebouças, Laurentino Gomes e Antônio Torres estão entre os sete autores que escolheram sua obra nacional preferidos no Dia Nacional do Livro - Reprodução

Thalita Rebouças, Laurentino Gomes e Antônio Torres estão entre os sete autores que escolheram sua obra nacional preferidos no Dia Nacional do Livro – Reprodução

Marilise Gomes e Eduardo Rodrigues em O Globo

RIO — No Dia Nacional do Livro, sete autores nacionais respondem uma pergunta considerada por muitos um impasse: “Qual foi o livro nacional mais marcante em sua vida?”. As respostas de Thalita Rebouças, Laurentino Gomes, Bernardo Kucinski, Antônio Torres, Luisa Geisler, Raphael Montes, Clarice Freire foram tão diversas quanto a literatura brasileira e vão desde de a poesia de Adriana Falcão à aventura de Riobaldo, em “O grande sertão veredas”.

A gaúcha Luisa Geisler está na lista dos vinte melhores jovens escritores brasileiros da Revista Granta. Estudante de Ciências Sociais (UFRGS) e Relações Internacionais (ESPM/RS), teve seu livro de estreia, “Contos de mentira” (Record), premiado na categoria conto do Prêmio Sesc de Literatura 2010/2011. No ano seguinte, “Quiçá” (Record) recebeu o mesmo prêmio na categoria romance e foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria autor estreante. Seu livro mais recente é “Luzes de emergência se acenderão automaticamente” (Alfaguara).

“Me lembro da primeira vez que li “Grande Sertão: Veredas”. Tinha algo como 11 anos, alguém o mencionou na escola. Entendi aproximadamente nada. E me lembro da segunda vez que li “Grande Sertão: Veredas”. Meu professor do curso pré-vestibular passara duas aulas a contar a história do livro, prendendo a atenção de uma turma de 200 adolescentes. Tentei de novo. Por já ter noção, entendi uns 60%. Eu me irritava por não entender trechos, ou precisar reler com calma e (pasmem) pensar. Transformei-o quase em um ritual de verão. “Grande Sertão: Veredas” me ensinou o prazer de um livro que seduz nos mistérios dele mesmo e se desvenda mais de uma vez. Não tenho dúvida que comecei a “querer” ser escritora porque “Grande Sertão” mostrou que eu “podia” escrever de um jeito não tão linear, certinho. Foi um livro que mostrou que o leitor importava. Anos depois, tatuei um “Travessia.”, mas sempre duvidei de quem disse entender 100% do livro.”

Raphael Montes ganhou destaque no cenário nacional com sua literatura de suspense. Com o livro “Suicidas” (Ed. Benvirá), o autor, de 24 anos, já foi finalista do Prêmio Benvirá de Literatura, em 2010, do Prêmio Machado de Assis, em 2012, da Biblioteca Nacional e Prêmio São Paulo de Literatura, no ano posterior. Em abril de 2014, publicou “Dias Perfeitos” (Ed. Companhia das Letras), que teve os direitos de tradução vendidos para oito países (EUA, Canadá, Inglaterra, França, Espanha, Itália, Alemanha e Holanda) e será adaptado para o cinema.

“Na medida em que é quase impossível determinar um único livro que nos influencia na forma de escrever ou nas ideias, busco na memória o livro nacional que me influenciou na escolha da profissão. Eu tinha doze anos e não gostava de ler – lá em casa, não havia muitos livros e os da escola me pareciam chatos, herméticos, escritos só para que a professora fizesse perguntas difíceis na prova de português.

Foi nessa época, durante um fim de semana em Pentagna (distrito de Valença, interior do Rio de Janeiro), que conheci o tal Sherlock Holmes e tomei gosto pela leitura. Logo depois, minha tia-avó me presenteou com “A droga da obediência”, do Pedro Bandeira. Era uma aventura divertidíssima de uns jovens chamados “Os Karas” que se metem numa trama internacional sobre uma perigosa droga testada em colégios de São Paulo. Fiquei vidrado, enlouquecido com os mistérios, as deduções, as ameaças do Doutor QI. Fechei o livro pensando que queria ser um dos Karas. Não durou muito. Ser detetive não era minha praia. Então, pensei: que tal escrever histórias de detetive?”

Com 18 livros publicados, Thalita Rebouças é sinônimo de sucesso: já vendeu mais de um milhão de exemplares. Com 10 anos já se autodenominava “fazedora de livros”, mas foi só depois de cursar Direito e Jornalismo que a carreira de escritora tornou-se realidade, graças a um incentivo na infância. Seu próximo livro será “360 DIAS DE SUCESSO” (Rocco), já em pré-lançamento.

“Do alto dos meus 14 anos estava na fase “ler é chato”, convicta de que livros eram tediosos e só serviam para fazer provas – e olha que passei a infância devorando Ziraldo, Ruth Rocha e Mauricio de Sousa e a pré-adolescência entregue aos títulos da série “Vaga-lume”. Quando o professor de literatura mandou a turma ler “Feliz Ano Velho”, de Marcelo Rubens Paiva, a coisa mudou de figura.

Ao contrário do que acontecia quando o mestre indicava obras literárias, não torci o nariz. Achei o título diferente, fiquei louca para ler. A curiosidade foi saciada em poucas horas, o tempo que levou para que eu me encantasse com a história – que me fez rir, chorar, refletir e, mais importante: me fez gostar de livros de novo. Pra sempre. Valeu, Marcelo!”

Aos 25 anos de idade, Clarice Freire alcançou primeiro o sucesso nas redes sociais: desde 2011, são mais de 1,2 milhões de pessoas que a acompanham no Facebook e mais de 103 mil seguidores no Instagram. Tamanho o sucesso fez com que ela chegasse às páginas físicas. A pernambucana lançou “Pó de lua” (Ed. Intrínseca) em agosto e desde então, está nas listas de mais vendidos.

“Pense na dificuldade que é, para mim, apontar “o mais”, “o que mais”. Escolher sempre foi um sofrimento, apesar de gostar de superlativos. E isso aumenta com a idade, pode crer. Não que a minha seja muito avançada. Ou seria? Estou em dúvida. A dificuldade da escolha do livro nacional que mais me marcou é grande porque um me marcou mais na poesia, outro na alma, outro nas gargalhadas, outro no aprendizado, cada um em uma fase diferente da vida. Por fim, acabei escolhendo um que li mais recentemente. Se chama “Luna Clara e Apolo Onze”, de Adriana Falcão. Escolhi simplesmente porque ele me transpassou direta e delicadamente pela poesia, pela alma, pela gargalhada e aprendi absurdamente. Poucas coisas me tocam mais que os encontros e desencontros da vida e este livro gira em torno deles, regado de poesia, de nomes e nomenclaturas regadas de significado, de filosofia, de beleza e tudo dentro de um universo fantástico. Muito mais interessante que os nossos universos, na minha opinião. Sentimentos e ideias são personagens tão concretos quanto os de carne e osso. Ou letra e papel. É uma viagem ao coração, passando pela lua dos apaixonados, pela pureza perspicaz da criança e a entrega dos loucos. Um encanto.”

Laurentino Gomes foi responsável por fazer a História Nacional sucesso de vendas e de crítica. Com a publicação do livro “1808”, sobre a chegada da família real no Brasil, ganhou, em 2008, o prêmio de melhor livro de ensaio pela Academia Brasileira de Letras e o Prêmio Jabuti de literatura. Dois anos depois, publicou o livro “1882”, tratando sobre a independência do Brasil. A obra foi “Livro do Ano” na categoria de não-ficção da 53º edição do Prêmio Jabuti. E esse ano, Laurentino Gomes levou o Jabuti categoria Reportagem com “1889”.

“’Sagarana’, de João Guimarães Rosa, é um livro que marcou profundamente toda a minha formação desde a época da adolescência em Maringá, a cidade em que nasci no Paraná. É uma obra de linguagem aparentemente simples e despretenciosa, mas revolucionária e surpreendente na forma e no conteúdo. Meu conto preferido é ‘O Burrinho Pedrês’, o primeiro da obra, que narra a saga e os pensamentos – sim, os pensamentos, porque em Guimarães Rosa os bichos pensam, falam, meditam e filosofam – de um velho e experiente animal durante uma temporada chuvosa de uma fazenda do interior de Minas Gerais. Publicado originalmente em 1946, é um livro de contos, uma pequena obra-prima na qual Guimarães Rosa testou com absoluto êxito a fórmula que, uma década mais tarde, o consagraria definitivamente em ‘Grande Sertão: Veredas’, seu romance mais famoso. Por isso, considero Guimarães Rosa o mais talentoso e inovador de todos os escritores da língua portuguesa. Reinventou a literatura brasileira ao incorporar o vocabulário simples, mas riquíssimo, do sertão de Minas Gerais para contar estórias envolvendo animais, tipos humanos e paisagens. Ainda hoje costumo reler ‘Sagarana’ sempre que possível, na maioria das vezes por simples prazer.”

Nascido em 1937, em São Paulo, Bernardo Kucinski descende de uma família de judeus imigrantes da Polônia. Apesar de graduado em Física pela Universidade de São Paulo, tornou-se tornou-se jornalista e foi editor-assistente da revista Veja e do jornal Gazeta Mercantil e cofundador de vários jornais alternativos, entre os quais “Amanhã”, “Opinião”, “Movimento” e “Em Tempo”, e do site “Carta Maior”. Seu romance “K.” (Cosaf Naify) foi finalista dos prêmios Portugal Telecom e São Paulo de Literatura de 2012 e narra a história de um pai em busca da filha que desapareceu durante a ditadura militar no Brasil.

“Desde a infância leio tanto que não posso dizer ‘este livro foi o que mais me influenciou’. De cada um, algo ficou dentro de mim. Na infância, certamente, Monteiro Lobato tomou conta da minha imaginação. Já na adolescência foram muitos, Jorge Amado, Graciliano, Machado, na maturidade Verissimo, Guimarães Rosa e Clarice. Lembro ainda de ‘A morte e a morte de Quincas Berro D´água’ , de Jorge Amado, ‘Grande Sertão: Veredas’, de Guimarães Rosa e ‘Vidas Secas’, de Graciliano. Hoje, já como escritor em busca de suporte, estou lendo autores portugueses e africanos, e relendo Graciliano e José Lins do Rego.”

Dono da cadeira de número 23 da Academia Brasileira de Letras desde novembro de 2013, Antônio Torres é um dos nomes mais importantes da sua geração. Nasceu no pequeno povoado do Junco (hoje a cidade de Sátiro Dias), no interior da Bahia e, em Salvador, formou-se jornalista, trabalhando no Jornal da Bahia e no Última Hora. Em 2000, recebeu o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras para o conjunto da obra: 17 publicações, entre romances, livros infanto-juvenis, contos e crônicas.

“Vim do sertão (baiano) e já havia chegado a São Paulo quando bati os olhos pela primeira vez num livro de Guimarães Rosa. Foi um deslumbramento. Através de suas páginas, eu iria fazer uma viagem de volta texto à fauna e flora, cheiros, cores e falares da minha infância. Memorável João. Embreei-me em suas veredas.”

Go to Top