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As mulheres brasileiras e sua literatura gostosa… de ler!

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William Okubo, no Bibliotecários sem Fronteiras

Desculpem o trocadilho, mas o assunto é sério: a literatura produzida pelas mulheres brasileiras atualmente é muito gostosa de ler! Ela é tão, tão, tão gostosa que não queria parar de ler, situação que motivou o atraso desta postagem que deveria ter sido feita no Dia Internacional da Mulher.

Ficou para os últimos minutos do mês da mulher.

A ideia de escrever sobre o tema estava em mente desde o ano passado, mas como havia lido um número pequeno de romances ou livros de contos de “novas” autoras nacionais, nada aconteceu, mas o fato que deu início à saga foi a leitura de um artigo no blog de literatura Posfácio, onde o colunista falou da campanha mundial traduzida aqui com o horroroso #LeiaMulheres2014.

Não estou menosprezando autoras consagradas como Clarice Lispector, Hilda Hilst, Raquel de Queiroz, Maria José Dupré, Ana Maria Machado, Lygia Fagundes Telles, Maria Carolina de Jesus ou autoras com obras já consolidadas e amadas como Martha Medeiros, Cíntia Moscovich e Lya Luft ou mesmo a multimidiática Thalita Rebouças e a Paula Pimenta, estas últimas best-sellers infantojuvenis.

Meu objetivo é tornar mais conhecidas entre os profissionais (torço para que conheçam!) e leitores do blog algumas boas escritoras que podem ser indicadas e lidas, ampliando o leque de leituras para além das autoras internacionais que infestam o mercado literário nacional.

Antes de começar, eu admito, eu sou muito influenciado por aquele maldito discurso do Ortega y Gasset a respeito da Missão do Bibliotecário….

De antemão, informo que as escolhidas escrevem de forma um tanto diferente uma das outras, com estilos bem diferentes e humores idem. Mas vamos a quem interessa: elas e suas obras!

Começo com uma escritora que conheci pessoalmente em meados de 2005, mas cujo primeiro foi lido somente agora.

Ana Paula Maia, nascida no Rio de Janeiro, é autora dos romances O habitante das falhas subterrâneas (7 letras, 2003) e A guerra dos bastardos (Língua geral, 2007). Em 2006 publicou o primeiro folhetim pulp da Internet brasileira em 12 capítulos. Tem contos publicados em diversas antologias, entre elas 25 Mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira (Record, 2004) e Sex´n´Bossa (Mondadori, Itália, 2005).

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De gados e homens (Record, 2013), é seu último romance (é uma novela, pois tem apenas 124 páginas) e é simplesmente devastador. Ana Paula conta o dia-a-dia de trabalhadores em um abatedouro em algum canto do país (o local me lembra muito o interior de Mato Grosso do Sul, lugar onde tenho um primo que trabalha em um abatedouro) sem fazer concessões. É um livro para os fortes e depois de lê-lo você vir a desistir de comer um bom hambúrguer!

[Pô, tive de comprar]

 

Tatiana Salem Levy, é escritora, tradutora e doutora em Estudos de Literatura. Publicou o livro A experiência do fora: Blanchot, Foucault e Deleuze (Relume Dumará) e contos na revista Ficções 11 (7Letras) e nas antologias Paralelos (Agir) e 25 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira (Record). A chave de casa, seu romance de estréia, foi publicado primeiramente em Portugal, pela editora Cotovia.

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A chave da casa (Record, 2007) foi seu romance de estréia e já chegou provocando. Composto de pequenos capítulos (moda na literatura brasileira atual) em narrativa não linear, este livro de tom autobiográfico consegue ser terno, histórico e radical, pois cada em capítulo um momento da vida da personagem é contado, e ela passeia por Portugal, Turquia, Rio de Janeiro, Estados Unidos e por sua cama…. e por falar em cama há trechos quentes, que podem interessar àqueles que curtem uma pegada mais sensual. Mas também há um trecho de tortura (sim, a mãe da personagem viveu a Ditadura brasileira).

[Disponível em várias Bibliotecas Municipais de São Paulo e Biblioteca de Niterói]

 

Carola Saavedra nasceu em Santiago do Chile, em 1973, e veio com a família para o Brasil três anos depois. Morou na Alemanha, onde concluiu um mestrado em comunicação, e também na Espanha e na França. Hoje vive no Rio de Janeiro e é escritora e tradutora. Em 2005, publicou o livro de contos Do lado de fora (7Letras, 2005). Recebeu o prêmio APCA de melhor romance pelo livro Flores azuis (2009). Está entre os vinte melhores jovens escritores brasileiros escolhidos pela revista Granta.

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Toda terça (Companhia das Letras) é um livro escrito a partir de um Divã, local onde dois personagens, uma mulher e um homem, contam seus encontros e desencontros amorosos. Ou seja, aparentemente um livro simples e tradicional mas muito bem escrito.

[Disponível em várias Bibliotecas Municipais de São Paulo e Biblioteca Parque de Manguinhos]

 

Adriana Lisboa começou oficialmente sua carreira em 1999, com a publicação do romance Os fios da memória, ao qual se seguiram outros quatro: Sinfonia em branco (2001), que a levou a ser apontada pela crítica como uma das mais importantes revelações da nova literatura brasileira, Um beijo de colombina (2003), Rakushisha (2007) e Azul-corvo (2010). Em 2004 lançou uma coletânea de contos curtos e poemas em prosa, Caligrafias, com desenhos originais de Gianguido Bonfanti. Em 2007 publicou a novela O coração às vezes para de bater, adaptada para o cinema por Maria Camargo. Sua obra se completa com três livros infanto-juvenis: Língua de trapos (2005), A sereia e o caçador de borboletas (2009), ambos ilustrados por Rui de Oliveira, e Contos populares japoneses (2008), ilustrado por Janaína Tokitaka.

Capa Sinfonia em branco alta.indd

Sinfonia em branco (Alfaguara, 2011) se encontra entre os livros mais belos e trágicos que já li. Do ponto de vista de beleza ele me lembrou muito alguns trechos de “Reparação” do Ian McEwan um dos livros que indiquei outro dia como um dos dez melhores que já li. Alguns silêncios parece que gritavam mil palavras enquanto lia. Já o trágico lembrou-me “Os sofrimentos do jovem Werther” do Goethe. Me recuso revelar a história, mas apesar da leveza da escrita o livro é tão pesado quanto o da Ana Paula Maia.

[Disponível na Mário de Andrade e Biblioteca de Niterói]

 

Luisa Geisler nasceu em Canoas (RS), mas passa dois terços de seu tempo em Porto Alegre, estudando Relações Internacionais. Contos de mentira é seu livro de estreia, mas conquistou o prêmio Sesc de literatura. Para alguém que nasceu em 1991, não é pouco o que já fez: ganhou prêmios literários, publicou contos em antologias, revistas e na internet, traduziu, lecionou inglês, arrancou os sisos, tentou fugir de casa, estudou cinco idiomas estrangeiros e somou outros tantos feitos afins.

Quica

Quiçá (Record, 2013) é o segundo livro da jovem autora e nele ela demonstra muita habilidade para misturar vários momentos em um único capítulo do livro, ou seja, ela utiliza a narrativa não linear que cai muito bem nos dois jovens personagens principais, os primos Clarissa, de 11 anos, e Arthur de 18 anos, onde o segundo, após uma tentativa de suicídio, vai morar com a família da garota. Mas o grande problema de convivência não será entre os dois jovens tão diferentes entre si, mas sim com seus pais, família e porque não com a sociedade. Vale muito a pena ser lido!

[Disponível na Mário de Andrade - Circulante, Biblioteca de São Paulo e Biblioteca de Niterói]

 

Vanessa Bárbara nasceu em 1982, é jornalista e escritora. É colunista do International New York Times e da Folha de S.Paulo. Publicou o romance Noites de alface (Alfaguara, 2013), a graphic novel A máquina de Goldberg (Quadrinhos na Cia., 2012, em parceria com Fido Nesti), o livro-reportagem O livro amarelo do terminal (Cosac Naify, 2008, Prêmio Jabuti de Reportagem), o romance O verão do Chibo (Alfaguara, 2008, em parceria com Emilio Fraia) e o infantil Endrigo, o escavador de umbigo (Ed. 34, 2011). É também tradutora e preparadora da Companhia das Letras. Ela contribui para o blog com uma coluna mensal.

Capa Noites de alface.indd

Noites de alface (Alfaguara, 2013) é delicioso. A história dos dois velhinhos do bairro do bairro do Mandaqui em São Paulo (não, o livro não se passa no Mandaqui, mas tudo leva a crer que sim, pois é o bairro onde a autora mora e idolatra) me fez rir à toa em vários momentos. Em seguida, com um deles sozinho após a partida de um deles, certa melancolia toma conta da obra, mas mesmo assim o humor (mesmo que negro) é visível a cada momento até o desfecho inesperado. Recomendo, e dou meu exemplar de presente para quem lembrar de algo que ligue ela aos bibliotecários e bibliotecas…. (risos sarcásticos).

[Pô, tive que comprar] 

 

Beatriz Bracher nasceu em São Paulo, em 1961. Formada em Letras, foi editora da revista 34 Letras, de literatura e filosofia, e uma das fundadoras da Editora 34, onde trabalhou por oito anos. Sua experiência com cinema inclui o argumento do filme Cronicamente inviável (1994), co-autora do roteiro premiado do longa-metragem Os inquilinos (2009), pelo o qual ganhou o prêmio de “Melhor Roteiro do Festival do Rio”, ambos em parceria com Sérgio Bianchi e co-autora do roteiro de O abismo prateado (2011), longa-metragem de Karim Aïnouz, selecionado para a Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes. Sua estréia como escritora de livros foi em 2002, com o romance Azul e dura. Em 2009, lançou seu primeiro livro de contos, Meu amor, vencedor do Prêmio Clarice Lispector, da Biblioteca Nacional.

meuamor

Meu amor (34, 2009) é a obra da autora mais experiente da lista, mas não a considero tão conhecida, por isso, entrou na lista. Também a conheço, pois fiz uma visita monitorada especial para ela na Biblioteca Mário de Andrade quando trabalhava lá, e admito que parecia que andava com uma nobre de alguma corte inglesa ao mesmo tempo que ela ria de alguns comentários deste bobo. Mas deixemos minha paixão platônica de lado: a obra traz alguns contos de alguém com severo olhar crítico e ao mesmo tempo amoroso sobre o viver no Brasil hoje. Do ponto de vista privilegiado de alguém ligado a famosa classe média brasileira é incrível a sensibilidade para escrever algo como o trecho abaixo:

Estava parada em um engarrafamento, no final de um dia poluído. O homem surgiu e bateu na janela com uma arma preta. O movimento de sua boca berrava e a voz chegava baixa. Passa o dinheiro, passa o dinheiro ou vai morrer. Agora, abre a janela, agora, agora, ou vai morrer, ou vai morrer. Olhava louco para mim, olhava louco para mim. Ou vai morrer, ou vai morrer. Olhava sua boca, seus olhos, a arma preta, a aflição e a raiva e me convencia que era cinema. Não tentei explicar-lhe, ele entenderia. O vidro blindado transformava sua ação, eu podia olhar, observar os detalhes de sua roupa, a língua escura e o tamanho pequeno das mãos agarrando a arma preta. A arma preta apontada contra meus olhos, o canal oco da arma preta tremendo, argumento claro, abre, sua vaca, eu vou atirar. Minha curiosidade apática minava sua decisão, o argumento oscilava.
O rapaz entendeu sua impossibilidade, titubeou, apoiou as mãos no vidro, uma fechada na arma, aproximou o rosto e cuspiu minha morte mais uma vez. Eram de um animal os olhos, a palma da mão suada e a saliva. Furioso, enjaulado, um fila brasileiro latindo e pulando atrás das grades enquanto caminhamos na calçada. Ele segurou a arma com as duas mãos e mirou meu rosto. Eu mirava calma e hipnotizada, intrigada com o fim.
Um frio monstruoso me sobe do estômago e para meu coração. Hoje é dia de rodízio, eu não estou no blindado. Meus olhos pulam de horror, as mãos crispadas na boca aberta e hirta, sem qualquer possibilidade de voz, pedi piedade. Ele entendeu e riu. Num só golpe, quebrou o vidro com a mão da arma, esmurrou meu rosto e sumiu deixando o revólver de brinquedo no meu colo manchado com o nosso sangue.

[Disponível em várias Bibliotecas Municipais de São Paulo, Biblioteca de São Paulo e Bibliotecas Parque de Manguinhos e Niterói]

 

Natércia Pontes é uma escritora nascida em Fortaleza, filha de Augusto Pontes, ex-secretário da Cultura do Ceará. Estudou Radialismo no Rio de Janeiro. Mudou-se em 2007 para São Paulo. (mais…)

Pais incentivam paixão dos filhos pela leitura: ‘Livraria é parada obrigatória’

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Enzo gosta de ler livros e histórias em quadrinhos (Foto: Jéssica Bitencourt / G1)

Enzo gosta de ler livros e histórias em quadrinhos (Foto: Jéssica Bitencourt / G1)

Adolescente começou a ler e-books, mas irmão não aprova a escolha.
Pais acreditam que exemplo fortaleceu a paixão pelos livros.

Jéssica Bittencourt, no G1

Os livros físicos ainda são os favoritos da maioria dos brasileiros, que desde cedo são incentivados a ler nas escolas, e em alguns casos, dentro de casa. No Dia Nacional do Livro Infantil, comemorado nesta sexta-feira (18), uma família de São Vicente, no litoral de São Paulo, mostra que a paixão pela leitura foi passada de uma geração para outra.

Para os professores e coordenadores regionais Gerson Novais Silva e Luciene de Souza, ler faz parte da profissão. Ele coordena a área de Química e ela, de Língua Portuguesa. Desde pequenos, os filhos do casal observam os pais com livros nas mãos. “É a questão do exemplo. Nós sempre lemos muito, tanto pela profissão quanto pelo prazer, e eles se interessavam”, explica Gerson.

Ainda que fosse uma forma de aprendizado, os pais transformaram o hobby em um momento de aproximação com os filhos Letícia, de 14 anos, e Enzo, de 9. “Eu comprei livros de banheira para os dois, aqueles de plástico, e contava histórias durante o banho. Quando a Letícia cresceu um pouco, ela começou a contar as histórias sozinha, e eu ouvia”, conta a mãe, Luciene.

Letícia prefere os meios digitais quando se trata de leitura (Foto: Jéssica Bitencourt / G1)

Letícia prefere os meios digitais quando se trata de
leitura (Foto: Jéssica Bitencourt / G1)

Aluna do Centro Federal de Educação Tecnológica de Cubatão (SP), Letícia começou a ler bem cedo, aos 4 anos. A adolescente é adiantada nos estudos, e já chegou a terminar 30 livros em um ano. “Gosto de ler de tudo, não tenho gênero preferido”, diz a jovem, que tem trocado os livros físicos pelos e-books, os livros digitais. Ela é a única da casa que fez a opção, mas teve um bom motivo. “Vários livros são lançados antes na internet, e quando não aguento a curiosidade, eu baixo e leio no celular”, comenta a estudante.

Gerson e Luciene apoiam a escolha da filha, mas o irmão é contra. Enzo se recusa a ler os livros digitais. “Eu gosto de fazer o ritual do livro novo. Cheirar o papel, ler a contracapa e as orelhas, virar as páginas. Não troco os meus livros nem pela curiosidade de ler a história antes”, declara o menino, que também lê gibis e até arrisca desenhar alguns personagens das HQs.

Os pais da dupla sempre optaram por brinquedos educativos na criação dos filhos, e segundo eles, isso também ajudou a construir o amor pelos livros. “Os dois têm videogame, mas se controlam na hora de jogar. Os presentes preferidos eram lápis de cor, massinha e os livros também. Eles pediam para a gente comprar. A livraria sempre foi parada obrigatória para nós”, brinca Luciene.

Ela e o marido têm orgulho da escolha que os filhos fizeram. “Nunca foi obrigação para eles. Foi sempre uma coisa natural, e nos orgulhamos disso”, comemora o casal.

Pais aprovam e incentivam paixão dos filhos pela leitura (Foto: Jéssica Bitencourt / G1)Pais aprovam e incentivam paixão dos filhos pela leitura (Foto: Jéssica Bitencourt / G1)

Quer estudar em Hogwarts?

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Publicado na revista Galileu

A internet, essa linda, vai realizar o seu maior sonho de infância (pelo menos se você for um Pottermaníaco) – estudar na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. O Hogwarts is Here tem tudo o que você pode querer: uma rede social interna com direito a feed de notícias sobre as novidades de sua casa, uma cerimônia com chapéu seletor (Sonserina não, Sonserina não?), esquema de contabilização de pontos (a Corvinal está na frente por enquanto) e até uma biblioteca com todos os livros mágicos que você pode sonhar.

E, falando em livros, você é obrigado a entregar as tarefas de casa. Afinal, o jogo combina o sistema de um MMORPG (um RPG massivo online) com um MOOC, sigla em inglês para Curso Aberto Online Massivo, que já foi assunto na GALILEU. Cada curso dura nove semanas e tem provas, tarefas de casa e leituras recomendadas.

“Mas já não existe o Pottermore?“, você pode estar se perguntando. Sim, a rede oficial do Harry Potter também funciona como um MMORPG, mas tem objetivos diferentes: recontar a história dos livros através de uma narração interativa. A diferença para o Hogwarts is Here é que o game une aulas de verdade (sobre magia, mas vá lá) com a possibilidade do jogador criar seu próprio caminho.

E aí, já está se inscrevendo? Vale lembrar que, uma vez que sua casa é escolhida, você não poderá mais mudá-la – não que grifinórios vão se arrepender e querer virar sonserinos (e vice-versa).

A má notícia? Por enquanto o material está inteiramente em inglês =/.

Nos encontramos na sala comunal?

  (Foto: Reprodução)

Cinco livros essenciais para entender Gabriel García Márquez

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Ele é autor de ‘Cem anos de solidão’ e ‘O amor nos tempos do cólera’.
Escritor colombiano morreu nesta quinta (17), aos 87 anos, no México.

Publicado no G1

O escritor colombiano Gabriel García Márquez morreu aos 87 anos, nesta quinta-feira (17), na Cidade do México. Considerado um dos mais importantes escritores do século 20 e um dos mais renomados autores latinos da história, García Márquez ganhou sucesso internacional após a publicação do romance “Cem anos de solidão”, em 1967.

Entre seus títulos mais conhecidos estão ainda “A incrível e triste história de Cândida Eréndira e sua avó desalmada”, “O outono do patriarca”, “Crônica de uma morte anunciada”, “O amor nos tempos do cólera”, “Do amor e outros demônios” e “Memórias de minhas putas tristes”.

Abaixo, veja os cinco livros essenciais para entender Gabriel García Márquez:

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1. “Cem anos de solidão” (1967)
A obra-prima de García Márquez vendeu, até hoje, mais de 50 milhões de exemplares. É considerado, ao lado de “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes, um dos livros mais importantes da literatura em língua espanhola. Foi traduzido para 35 idiomas. Exemplo máximo do realismo fantástico – gênero característico do boom latino-americano da segunda metade do século XX –, “Cem anos de solidão” se passa na fictícia aldeia de Macondo e acompanha, ao longo de gerações, a saga da família Buendía.

 


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2. “O amor nos tempos do cólera” (1985)
“Foi a época em que fui quase completamente feliz. Gostaria que minha vida tivesse sido como naqueles anos em que escrevi ‘O amor nos tempos do cólera’”, afirmou García Márquez ao “New York Times” três anos após a publicação do romance. Aqui, o autor resgata a verdadeira história da paixão de seu pai, também Gabriel, por Luiza, sua mãe. O pai dela reprovava a relação e conspirava contra. No livro, o casal se chama Florentino e Fermina. “Todas essas coisas para mim são parte da nostalgia. Nostalgia é uma fonte incrível para inspiração literária, para inspiração poética”, comentou na mesma entrevista ao “New York Times”.

 


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3. “Crônica de uma morte anunciada” (1981)

“No dia em que o matariam, Santiago Nasar levantou-se às 5h30 da manhã para esperar o navio em que chegava o bispo.” Na frase de abertura da novela  “Crônica de uma morte anunciada”, García Márquez demonstra um estilo mais enxuto daquele que o havia consagrado e dá mostra de seu lado jornalista, sua primeira profissão.

 


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4. “Notícia de um sequestro” (1996)
Para esse livro, García Márquez colheu depoimentos de várias pessoas envolvidas nos sequestros ocorridos na Colômbia na década 1990. Ele mistura histórias reais com ficção para retratar, principalmente, a guerra do tráfico de drogas em seu país natal. O livro traz reportagens sobre o cotidiano dos cativeiros, as negociações entre traficantes, e a repercussão na vida dos parentes das vítimas.


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5. “Viver para contar” (2002)
Sua autobiografia narra o início de sua carreira como escritor e as origens do realismo fantástico – gênero literário consagrado por García Márquez. Em 2012, Jaime García Márquez, irmão de Gabo, que dirige a Fundação Novo Jornalismo Ibero-Americano (FNPI), lamentou que ele não tivesse mais condições de escrever a segunda parte do livro.

5 Trechos bizarros que você não esperava encontrar em livros clássicos

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Publicado no Dito pelo Maldito

Eu sempre fui encucado com certas classificações de livros. Principalmente quando ela define uma obra como ‘intelectual’. 
Que fatores, além da qualidade básica da escrita, faz alguns livros serem mais valorizados do que outros? E se os leitores têm gostos diferentes; quem decide esse tipo de coisa, afinal?

Em resumo, podemos dizer que ‘livros intelectuais’ são aqueles que abordam temas significativos e profundos. Mas se você prestar atenção, algumas dessas obras possuem trechos surpreendentes que poderiam facilmente fazer parte de alguma comédia pastelão.
Abaixo separamos cinco livros clássicos, considerados ‘intelectuais’, que contêm partes estranhas que talvez tenham lhe passado despercebido:
 
✔  O Conto do Inverno , de William Shakespeare
Obviamente Shakespeare é um mestre da linguagem. Ele passeia entre diferentes situações com facilidade, salteando, como ninguém, entre cenas insanas e a alta tragédia. Alguns estudos definem suas peças como: Uma meditação sobre a morte. Ou ainda: Um julgamento do coração humano. Mas há uma coisa que ninguém consegue explicar…

O momento que você não esperava: Ursos. Shakespeare não era conhecido pela sua direção de palco. Normalmente, dar a deixa de entrada e da morte dos personagens, era tudo que se limitava a fazer. Mas em O Conto do Inverno, há uma encenação que diz: “Ele sai, perseguido por um urso.” Nenhum urso foi mencionado anteriormente na cena, e não havia absolutamente nada que justificasse isso. Uma situação digna de fazer parte dos filmes da franquia ‘Todo Mundo em pânico’… Mas estamos falando em algo escrito pelo mestre do idioma Inglês.

 
✔  Ulysses, de James Joyce
Esta obra-prima literária é verdadeiramente um épico de quase 1.000 páginas, e não há dúvidas de que está na prateleira dos “intelectuais”. A obra é embalada com referências literárias e composta de uma escrita densa. James Joyce disse uma vez que colocou o suficiente no livro para manter os professores ocupados por centenas de anos. Até agora, ele tem tido razão.

O momento que você não esperava: Merda. Literalmente. Logo no início da narrativa, um dos protagonistas é introduzido em algumas páginas inteiramente dedicadas ao coco.

 
✔ Chapeuzinho Vermelho (O original), de Charles Perrault
Como tantos outros contos de fadas que são tão onipresentes em diversas culturas mundiais, há muitas versões diferentes desta história. Em algumas um caçador salva a Chapeuzinho Vermelho, em outras, ela salva a si mesma. Às vezes ela é apresentada com uma menina astuta, ou então, como ingênua, e em outras simplesmente como uma estúpida. Em uma das primeiras, e mais famosas versões do conto, o lobo diz a ela para subir na cama com ele, é aí que ela…

O momento que você não esperava: Primeiro, ela faz uma pausa para tirar as roupas, embora o lobo nunca ter mencionado nada sobre ela se despir. Ela faz isso de livre e espontânea vontade. Se ela sabia que era o lobo, ou se achava que era a sua velha avó que estava sobre a cama, não faço ideia. Mas de qualquer forma,… O que você está fazendo Chapeuzinho Vermelho? O que você está fazendo?

 
✔  Watchmen, de Alan Moore
Ok, essa é, tecnicamente, uma graphic novel, mas a partir do momento que ela é considerada um diferencial dentro do gênero, acho que vale a sua inclusão nessa lista. Esta história é, sem dúvida, um tour conduzido por uma narrativa não linear que salta décadas com facilidade e cria personagens ricas e complexas que não têm medo de ser profundamente falhos.

O momento que você não esperava: Uma das personagens fica nua e transa em pleno planeta Marte. Faz todo o sentido no contexto da história, mas ainda parece algo saído de uma comédia intergaláctica feita por nerds para um trabalho de faculdade.

 
✔ A Filosofia na Alcova, de Marquês de Sade
Este pode ser um contraponto dentre os outros itens desta lista, afinal, os livros do Marques de Sade não ficaram famosos por citar assuntos profundos ou significativos. A obra de Sade sempre foi considerada um tabu infame, não apenas para a sua época, mas também para os padrões de hoje em dia. E se você está se perguntando o porque de eu ter incluído um livro desse autor na categoria ‘intelectual’, acho válido lembrar que ele influenciou muitos pensadores e filósofos do século passado.
O momento que você não esperava: No meio de todo o seu erotismo explícito, Sade consegue encaixar uma ruminação longa, sofisticada e progressista sobre a filosofia e a moral de uma verdadeira república, filosofando sobre o fato da religião ser o ópio do povo.
dica do Fabio Mourão
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