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10 livros mais citados no Facebook

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10 livros mais citados no Facebook

Carlos Willian Leite, na Revista Bula

Durante todo o ano de 2014 surgiram enquetes no Facebook pedindo para que as pessoas listassem seus livros preferidos — e sugerissem que os amigos fizessem o mesmo.

Na última quinzena do mês de agosto, a equipe do Facebook Data Science monitorou todas as postagens que citassem os termos ’10 livros’ ou ‘dez livros’. Aproximadamente 130 mil enquetes foram compiladas. Estados Unidos, Reino Unido e Índia lideraram o ranking de participações. A idade média dos participantes foi de 37 anos. O número de mulheres que responderam a enquete foi três vezes superior ao número de homens.

No resultado, clássicos como “Orgulho e Preconceito”, de Jane Austen, e “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J.D. Salinger, se misturam a ‘Blockbusters’ como “O Sol é Para Todos”, de Harper Lee, e “Jogos Vorazes”, de Suzanne Collins. “O Alquimista”, de Paulo Coelho, é o único livro de autor brasileiro que aparece na lista dos 100 livros mais citados. Ficou em o 20º lugar.

A lista:

1º — Harry Potter — J.K. Rowling (21,1%)

2º — O Sol é Para Todos — Harper Lee (14,5%)

3º — O Senhor dos Anéis — J.R.R. Tolkien (13,9%)

4º — O Hobbit — J.R.R. Tolkien (7,5%)

5º — Orgulho e Preconceito — Jane Austen (7,3%)

6º — A Bíblia Sagrada (7,2%)

7º — O Guia do Mochileiro das Galáxias — Douglas Adams (6%)

8º — Jogos Vorazes — Suzanne Collins (5,8%)

9º — O Apanhador no Campo de Centeio — J.D. Salinger (5,7%)

10º — As Crônicas de Nárnia — C.S. Lewis (5,6%)

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A ressaca literária

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A ressaca literária

Foto: Flickr.com/toreo/сс-by

Afinal os livros também provocam ressaca! Esse fenômeno foi reconhecido pela primeira vez em língua inglesa, na qual surgiu a expressão book hangover que significa um estado no qual o mundo envolvente parece ser completamente diferente, porque a pessoa acabou de ler um livro no qual esteve mergulhado completamente.

Anna Fedorova, na Voz da Rússia

Nem todos possuem a capacidade de se dissolver dentro de um livro, as pessoas com uma prevalência da parte racional têm bastante mais dificuldade em se separar da realidade que os que vivem das emoções. A ressaca dos livros faz sofrer com maior frequência as pessoas que possuem uma estrutura psíquica refinada, como os poetas, pintores, ou seja, aqueles cuja vida está de uma maneira ou de outra relacionada com a criatividade. A escritora e crítica literária Oksana Liskovaya explicou à Voz da Rússia como ela vê essa “ressaca literária”:

– Esse é um fenômeno frequente em pessoas emotivas, capazes de viver o livro e de perder o seu “eu” durante a leitura. São precisamente as emoções ativas que produzem o efeito da ressaca literária.

– Como perceber que se está refém desse fenômeno?

– Passado algum tempo depois da leitura, você sente a “carência de adrenalina”, claro que ela não tem nada de comum com a ressaca verdadeira. Ela não provoca sentimento de culpa nem a fotofobia, mas surge a sensação de alheamento da realidade, depois da leitura de um livro absorvente é necessário tempo para “acordar” e deixar de depender da realidade ficcional que acabou de te absorver.

É difícil destacar uma categoria de livros que possam produzir esse efeito: das últimas ressacas literárias que eu vivi a “culpa” foi de “A Saga dos Forsyte” de John Galsworthy, de “A História Sem Fim” de Michael Ende e de “Suave é a Noite” de F. Scott Fitzgerald. Eles são muito diferentes em seus sistemas textuais, mas é possível que, especificamente no meu caso, eles tenham algo que os una, alguma dose individual que provoca a reação do organismo.

– É possível sentir a ressaca literária enquanto se lê um livro?

– Neste momento eu sinto essa síndrome não após o fim da leitura do livro completo, mas durante o processo de leitura. Em “A Montanha Mágica” de Thomas Mann há episódios de tal forma fortes que é preciso algum tempo para recuperar, passar por um estado parecido à depressão antes de continuar a leitura. Eu sinto que me “asfixio” com o que li e não consigo fisicamente regressar ao estado anterior sem uma “desintoxicação”.

– Na sua opinião, a ressaca literária é um fenômeno positivo ou negativo? Ele dificulta a vida ou ajuda a viver?

– Provavelmente é positivo, ele contribui para o entendimento do que se leu, para a aquisição de experiência emocional e intelectual. Pessoalmente, ele não me impede de viver, eu gosto desses estados invulgares, para mim isso é muito confortável e agradável, isso é parecido ao estado criativo, quando estás escrevendo, mergulhas no texto e aqui já não importa se o texto é teu ou de outra pessoa. Eu gosto muito de estar nessa “corrente”.

***

O site Adme.ru, que se dedica às artes, à liberdade e à vida interessante, considera que a ressaca literária é provocada com maior frequência pelos seguintes livros: “Cem Anos de Solidão” de Gabriel García Márquez, “Norwegian Wood” de Haruki Murakami, “O Mestre e Margarida” de Mikhail Bulgakov, “O Perfume” de Patrick Sueskind, “Lolita” de Vladimir Nabokov e “A Menina que Roubava Livros” de Markus Zusak.

A ressaca literária não é um fenômeno linear. Cada pessoa sente-a à sua maneira, há quem fique triste e sinta saudade do livro que acabou, outros se zangam por ele ter acabado, mas há quem descubra o mundo de uma nova forma e seus mistérios invisíveis na vida cotidiana. As sensações que os livros nos oferecem são inestimáveis.

Por que devemos ler para os nossos filhos?

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A importância dos pais lerem para os filhos

A capacidade de compreensão da palavra escrita é um processo complexo e começa com as primeiras histórias que lemos para as crianças.

Michelle Müller, no Brasil Post
A leitura para crianças entrou na lista das orientações básicas que pediatras americanos devem passar aos pais durante as consultas. A importância dessa prática tornou-se oficial recentemente, com a nova declaração da Academia Americana de Pediatria (AAP). Ao recomendar que pais leiam aos filhos diariamente desde o berço, a entidade faz seu primeiro movimento para integrar a medicina pediátrica e o desenvolvimento da linguagem.

A declaração destaca o papel dos livros infantis na aquisição do vocabulário e de outras habilidades de comunicação que devem preceder a alfabetização para garantir o bom desempenho escolar.

Com essa estratégia, os pediatras esperam reduzir as diferenças de linguagem entre crianças de famílias de alta e de baixa renda. No final do ano passado, um estudo da Universidade de Standford concluiu que já aos dois anos é possível perceber diferenças no vocabulário de acordo com escolaridade e renda da família. Filhos de pais com níveis mais altos de educação conhecem, em média, 30% mais palavras nessa idade.

Como um estímulo isolado, os 15 a 20 minutos de leitura diária em família não garantem a educação literária. Seu sucesso depende de outros recursos que se complementam no lento e trabalhoso processo de familiarização com a palavra escrita.

Juntamente com os livros, o diálogo, as canções e as rimas vão construindo no cérebro infantil o caminho que, mais tarde, vai facilitar a passagem do universo das letras. Um universo que não se limita à decodificação dos símbolos: a relação saudável com a palavra escrita envolve a interpretação dos vários tipos de textos, uma capacidade restrita à minoria da população.

A dificuldade de compreensão na leitura é hoje um dos principais desafios da educação.

Começa na infância e com frequência atravessa toda a vida escolar e adulta. No Brasil, 38% dos alunos do ensino superior não dominam habilidades básicas de leitura e escrita, de acordo com levantamento de 2012 do Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), do Instituto Paulo Montenegro. Isso significa que mais de um terço dos profissionais graduados não compreendem um texto com ideias e estruturas gramaticais mais elaboradas e não têm a capacidade de utilizar a palavra escrita para se expressar de forma adequada.

O fato é que aprender a ler é um processo extremamente complexo, que começa no momento em que os pais apresentam o primeiro livro para o bebê e se estende por toda a vida escolar. O cérebro humano se desenvolveu para dominar a linguagem verbal, mas não apresenta nenhuma sequer estrutura dedicada especialmente à compreensão da escrita. Ele precisa criar um circuito para possibilitar a leitura, envolvendo e conectando diversas regiões.

Da região occipital (visual), a informação viaja rapidamente para fazer conexões no hemisfério esquerdo, passando pelo giro fusiforme – área dedicada ao reconhecimento de objetos da natureza, que é reciclada para decodificar os símbolos da escrita. O processo envolve também a área auditiva, que identifica o som e, finalmente, o lobo frontal, que dá significado à palavra de acordo com seu contexto.

O cérebro de um leitor iniciante é diferente de um leitor experiente. De acordo com o neurocientista cognitivo Stanislas Dehaene, em seu livro Os Neurônios da Leitura (Penso Editora), apenas na adolescência – e em pessoas habituadas a ler diariamente – o caminho da leitura estará bem construído no cérebro.

As mudanças provocadas pela leitura são tão profundas que afetam não apenas a atividade como a anatomia do cérebro. Segundo Dehaene, a parte de trás do corpo caloso (região que une os hemisférios cerebrais) é mais grossa em letrados, o que mostra forte aumento no fluxo de informações entre os hemisférios. Não apenas ao ler, como ao ouvir palavras, o lado esquerdo do cérebro é mais ativo nas pessoas com hábito de leitura.

Trata-se, portanto de uma transformação que não pode e nem deve acontecer de forma rápida ou precipitada. Apesar de muitos pais e escolas acreditarem que o sucesso na educação infantil está relacionado com a alfabetização precoce, ela pode ser um dos problemas da construção fraca desse novo circuito.

Estudos mostram que a maturidade para a alfabetização geralmente ocorre entre seis de sete anos, quando acontece o que Dehaene chama de “revolução mental”. É quando a criança começa a compreender que a palavra pode ser quebrada em diferentes fonemas. No entanto, nenhum cérebro é igual ao outro e pode haver variações na facilidade com que cada criança se familiariza com a linguagem escrita.

Seja qual for o tempo de cada um, a ampliação da capacidade cerebral requer muita prática. E a AAP está certa ao sugerir que ouvir histórias é o início dessa prática. O autor de livros infantis e especialista em leitura Mem Fox defende que, antes de a criança começar a ler, mil livros sejam lidos para ela. Isso não significa que devam conhecer todos os títulos infantis do mercado: repetições são válidas e importantes nessa fase da infância. Para crianças é uma grande satisfação poder prever o que vai acontecer na história, assim como estarem familiarizadas com as palavras e expressões do livro.

Segundo a diretora do Centro de Pesquisa em Leitura e Linguagem da Universidade e Tuft, Maryanne Wolf, nos primeiros cinco anos as crianças devem ser expostas às diversas formas de linguagem. Autora de Proust and The Squid, livro que explora a ciência do cérebro leitor, ela lembra que o circuito de leitura exige muito desenvolvimento das áreas que abrange. E isso não se consegue ensinando bebês a ler, mas lendo para eles, mostrando a eles, de forma incansável, toda a riqueza de significados e possibilidades que a língua oferece.

Veja sete dicas para ler melhor e se sair bem em exames e concursos

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sete dicas para ler melhor

Getty Images

O material impresso também permite uma seleção maior daquilo que nos interessa ou não

William Douglas, no Midia News [ via UOL]

A importância da leitura reside no fato de ser uma das mais utilizadas fontes de informação, além da mais disponível. Nem sempre podemos contar com um bom professor ou temos tempo para assistir palestras, mas os livros estão sempre disponíveis para quando quisermos.

O material impresso também permite uma seleção maior daquilo que nos interessa ou não. Se vamos assistir a um documentário, somos quase obrigados a participar de todo o processo criativo elaborado pelo diretor/produtor.

Em um jornal, por exemplo, podemos ler rapidamente o texto descobrindo aquilo que compensa uma leitura mais detida e abandonando assuntos que não nos são úteis.

Ler eficientemente, contudo, não significa ler rápido, mas buscar utilidade e prazer no ato de ler e obter o melhor equilíbrio entre três valores: captação maior ou menor de informações; fixação maior ou menor das informações captadas; e velocidade da leitura.

Quando se lê apenas para tomar conhecimento do que está acontecendo pelo mundo, não existe a mesma necessidade de fixação que se dá num texto que irá cair na prova etc.

Daí decorre que faremos diferentes tipos de leitura, conforme nossos interesses. É preciso saber ler de formas diferentes, ora aumentando a velocidade, ora diminuindo.

Existem diversos ritmos de leitura: a informativa, a de lazer e a de estudo (compreensiva). O nível de atenção e as técnicas para a assimilação de cada uma delas variam, conforme se pode imaginar. Quanto maior a necessidade de fixação, maior o número de técnicas a serem utilizadas.

É até possível que num dia em que esteja mais cansado você leia um livro sem todas as fases da leitura de estudo, mas como se fosse uma leitura informativa ou mesmo de lazer.

Eliminando-se vícios e adotando-se alguns cuidados, a qualidade da leitura irá aumentar naturalmente, resultando em maior velocidade, captação e fixação. Quanto mais a pessoa ler e treinar maior será sua velocidade de leitura.

Por isso é tão importante que se invista em ler mais e melhor, sempre que possível, para isso, separei dicas que não podem deixar de ser observadas em se tratando de otimização de leitura:

- Passe a decidir qual espécie de leitura irá fazer em cada caso: informativa, de lazer ou de estudo. Se quiser uma boa retenção daquilo que será lido, utilize as diversas técnicas de fixação e memorização.

- Observe-se para descobrir qual é a sua velocidade de equilíbrio na leitura. Experimente acelerar ou diminuir o ritmo de sua leitura normal e aquilatar o resultado na compreensão, concentração e retenção.

- Adquira o hábito de consultar dicionários para melhorar seu vocabulário.

- Controle os vícios de leitura e aperfeiçoe as qualidades.

- Comece a distinguir o que está efetivamente escrito no texto daquilo que é sua interpretação.

- Preste atenção na entonação, pois ela pode modificar o sentido do texto.

- Adquira o hábito da leitura.

Com essas diretrizes sua leitura certamente será melhor e, em pouco tempo, você notará a diferença em sua comunicação, provas e no quanto você apreciara a leitura e compreenderá melhor seu conteúdo.

Cartunista islandês lança no Brasil livro com piadas sobre temas polêmicos, de zoofilia ao nazismo

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Em ‘Como você pode rir de uma coisa dessas?’, cartunista islandês faz humor com temas macabros

Cartum de Dagsson, desenhista islandês, autor de "Como você pode rir de uma coisa dessas?" - Reprodução /

Cartum de Dagsson, desenhista islandês, autor de “Como você pode rir de uma coisa dessas?” – Reprodução /

Bolívar Torres em O Globo

RIO – Pode-se rir de tudo — mas não com todo mundo. A clássica frase do francês Pierre Desproges se aplica com perfeição ao trabalho do cartunista Dagsson. Nem todos vão rir dos seus desenhos, por mais que ele tente fazer graça com tudo. Publicados pela primeira vez no Brasil no recém-lançado “Como você pode rir de uma coisa dessas?” (Editora Veneta), que reúne em um só volume três livros do autor islandês, os despudorados cartuns trazem piadas sobre zoofilia, nazismo, vômito, esquartejamento, bullying, miséria, solidão… Um pacote insólito que faz jus ao seu título brasileiro.

— Se todo mundo gostasse do meu trabalho, eu estaria fazendo algo errado — diz o desenhista, em entrevista por e-mail. — As pessoas devem discordar sobre arte. Se alguns se sentem ofendidos por meus cartuns, isso é bom. Não há nada errado em ser ofendido. Eu, por exemplo estou sempre ofendendo a mim mesmo, buscando meus próprios limites.

Para o bem ou para o mal, é impossível ficar indiferente ao livro de Dagsson. Os próprios editores reuniram, na contracapa, algumas das reações iradas na imprensa internacional. Entre os xingamentos dos críticos, “lixo” é talvez o mais suave. “Proíbam esse livro”, suplica um jornalista do “Irish sun”. Já o resenhista do “Gateway Sun” afirma que o autor tem menos talento que o seu cachorro: “Não quero tal livro na minha casa, vou colocá-lo no lixo reciclável na esperança de que seu papel possa ser aproveitado em um título mais merecedor”, resume.

O traço singelo e tosco do cartunista islandês dá um toque infantil aos desenhos (que, de fato, poderiam ter sido feitos por qualquer criança) e que contrasta com a violência dos temas. Buscando constantemente quebrar todos os tabus, Dagsson nos leva a refletir sobre a linha tênue que separa provocação e mau gosto.

— É difícil dizer o que é provocação e o que é mau gosto — avalia o autor. — Acho que esses cartuns são como uma terapia para mim. Tenho consciência da feiura do ser humano e uso o humor para lidar com isso.

Traço infantil e provocação - / Reprodução

Traço infantil e provocação – / Reprodução

A origem dessa visão macabra é um mistério. Dagsson afirma que teve uma infância banal — nenhum trauma, nenhum episódio envolvendo facas ou picadinho de crianças (sim, há um cartum sobre isso). Quando criança, ele gostava de ler quadrinhos como “Calvin & Haroldo”. Só mais tarde, descobrindo Monthy Python na adolescência, percebeu que “assassinatos e vômitos podiam ser divertidos”. Além dos conflitos entre provocação e mau gosto, o cartunista aprecia outra linha tênue: aquela que separa o horror e o humor.

— Minha infância foi normal e entediante — conta. — Quando criança, sempre gostei da fantasia. Tinha uma vívida imaginação. Sou extramente tímido, porém. E ainda o sou. Tinha medo de tudo e usei minha imaginação para escapar da realidade. Agora uso a imaginação para ridicularizar a realidade.

Ao folhear as páginas de “Como você pode rir de uma coisa dessas?”, o leitor poderá achar que atingiu o cume da miséria humana. Dagsson, porém, jura que pode ir mais longe. Por incrível que pareça, ele revela que pratica a autocensura. Chega até a largar a caneta sempre que uma ideia “particularmente horrível” está para ganhar vida. Perguntado sobre qual de seus desenhos considera mais chocante, o cartunista dá a entender que o pior ainda está para vir.

— Acho que esse desenho ainda não foi feito — garante.

Cartunista jura que já praticou autocensura - / Reprodução

Cartunista jura que já praticou autocensura – / Reprodução

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