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10 projetos criativos para incluir livros na decoração

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publicado na Exame

Se você é aquela pessoa que adora livros e não consegue se desfazer de nenhum, mas não sabe o que fazer com eles, calma! Seus livros podem ser grandes aliados na decoração da sua casa.

O Viva Decora, site que reúne projeto de diferentes arquitetos e profissionais da área, reuniu uma série de projetos em que os livros são peças-chave na decoração.

Do moderno ao clássico, veja nas imagens 10 projetos criativos e inspire-se!

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Agente literário americano Bill Clegg lança seu primeiro livro de ficção

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Clegg diz ter sido influenciado por Willian Faulkner na narrativa de “Você já teve uma família?’’, com um capítulo para cada personagem, e seguido um conselho que dava a seus agenciados: ‘‘Escreva sempre, e apenas, o necessário’’ - JESSE DITTMAR / NYT

Clegg diz ter sido influenciado por Willian Faulkner na narrativa de “Você já teve uma família?’’, com um capítulo para cada personagem, e seguido um conselho que dava a seus agenciados: ‘‘Escreva sempre, e apenas, o necessário’’ – JESSE DITTMAR / NYT

 

Na obra, o convidado da Flip disseca o dia a dia de personagens e suas falhas morais

Eduardo Graça, em O Globo

RIO – O bolo aparece no quinto capítulo, narrado por Rick, um dos muitos personagens de “Você já teve uma família?”, o primeiro livro de ficção do agente literário e memorialista Bill Clegg, convidado da Flip, que acontece entre 29 de junho e 3 de julho. O quitute, de coco com laranjas frescas, tem receita brasileira. É, também, o bolo de um casamento que jamais vai acontecer por conta da tragédia que dá razão de ser ao livro de Clegg, finalista de dois dos mais prestigiados prêmios de literatura em língua inglesa — o Man Booker, britânico, e o National Book, americano —, agora traduzido para o português por Rubens Figueiredo e publicado pela Companhia das Letras.

— Esse bolo foi inspirado no do meu casamento. Meu marido e eu experimentávamos várias opções até que perguntei para o dono do serviço de catering se podia comer uma fatia daquele que estava no álbum de fotos do casamento dele. Ele riu e disse que aquele era um doce caseiro, feito pela mãe, receita antiga da família mineira, para consumo interno. Ela veio do Queens, passou o fim de semana conosco, e o bolo foi o ponto alto culinário da nossa celebração. Nunca mais me esqueci do sabor — diz Clegg.

Há muito do memorialista de sucesso — são da lavra de Clegg “Retrato de um viciado quando jovem” (2011) e “Noventa dias” (2013), disponíveis no Brasil pela mesma Companhia das Letras — no estudo ficcional de uma família formada por seres imperfeitos, repletos de defeitos e falhas morais, às voltas com as maravilhas e consequências do ato de perdoar, o outro e a si mesmo. O autor se debruça sobre vizinhos, forasteiros de ocasião, amigos de escola e parentes de sangue que veem a vida passar em um vilarejo da costa americana.

Wells é uma localidade imaginária baseada tanto nas comunidades extremamente desiguais de Connecticut, estado com significativas comunidades de imigrantes oriundos de Portugal e do Brasil, quanto no distrito de Duchess, no estado de Nova York, que conta com algumas das maiores fortunas do país vivendo lado a lado com moradores se equilibrando para se manter acima da linha de pobreza americana. É lá que vivem os personagens marcados por um incêndio aparentemente acidental, às vésperas de um casamento já agourado, descobre-se aos poucos, por línguas e percepções dos habitantes da cidade.

Cada capítulo curto leva o nome de um dos protagonistas, e o leitor vai se pegar voltando páginas a fim de lembrar quem exatamente são Rick, Lydia, Silas, Edith, Rebecca, George, Dale, Kelly, Lully e Cissy e como eles tocaram a vida de June Reid, a voz central do livro, uma mulher de meia-idade que tenta escapar de seus mortos se refugiando em um motel incolor à beira do Pacífico, em Moclips, quase na fronteira com o Canadá, do outro lado do país:

— Meus livros de memórias eram tentativas de descobrir o porquê de eu ter vivido a agonia do vício, de cocaína e crack, de forma tão intensa, quando tão jovem. Por isso voltei a Sharon, em Connecticut, cidade que deixei aos 17, após o divórcio de meus pais, quando era, essencialmente, um adolescente infeliz. Comecei a escrever sobre o que me lembrava da época, das pessoas, das histórias. E saiu um “ela vai partir”. Ali nascia “Você já teve uma família?”.

Foram sete anos de idas e vindas, como agente de Irvine Welsh (“Trainspotting”) e de Benjamin Moser (“o que ele fez com a obra da Clarice Lispector, para os leitores de língua inglesa, me dá uma alegria imensa’’), entre muitos outros, pela primeira vez se vendo em papel reverso: era ele quem teria de encontrar um agente e ver seu livro vendido para editoras. O resultado foi um sucesso de público e crítica de proporções inesperadas para o experiente agente, celebrado como uma das mais importantes “novas” vozes da literatura contemporânea americana. E um dos personagens menores do livro é o ponto de partida para seu segundo romance, ainda sem título, mas com mais de uma centena de páginas escritas e revisadas:

— A estrutura de “Você já teve uma família?” foi influenciada por William Faulkner (1897-1962), especialmente por eu dar vozes a cada um dos personagens, capítulo a capítulo, e por serem todos de um mesmo lugar. Queria um lugar de 1.500 pessoas em que um dos homens mais ricos dos EUA pudesse encontrar na rua com um trabalhador braçal, morador da vizinhança. Também procurei seguir o único conselho que sempre dei no papel de agente: “escreva sempre, e apenas, o necessário”.

DEPENDÊNCIA QUÍMICA

O agente que quase perdeu carreira e prumo por conta da dependência química — “as memórias foram consequência de minha sobriedade, não o oposto” — comanda um escritório em endereço nobre, na Quinta Avenida, e segue confiante no sucesso do livro de papel em oposição à febre dos e-books. E divide com os leitores os dois livros de autores contemporâneos norte-americanos mais interessantes que passaram por suas mãos recentemente: “Eileen”, de Ottessa Moshfegh, escritora de Boston com ascendência croata e iraniana, e “The girls”, de Emma Cline, que será lançado no Brasil pela Intrínseca.

Brasil: um país de leitores… de Bíblia

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Rodrigo Casarin, no Página Cinco

Bastante já foi dito sobre os resultados da 4ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, promovida pelo Instituto Pró-livro e realizada pelo Ibope. Já mostrei aqui no blog mesmo que o país anda lendo mais do que há quatro anos – exceto nossa elite econômica – e que os leitores são pessoas mais ativas do que os não leitores. No entanto, ainda é preciso jogar luz sobre um dos dados que o estudo revela: quando lê, o brasileiro lê principalmente a Bíblia.

Ao perguntar quais tipos de livros os leitores tinham lido no último ano, a pesquisa constatou que 42% deles leram a Bíblia, seguida por livros religiosos, de contos e romances – cada um citado por 22% dos entrevistados, que podiam indicar mais de uma opção. Curioso aqui notar que a Bíblia sequer entrou no gênero de religiosos. Claro que o livro pode ser lido de maneiras diversas – com viés histórico, sociológico, filosófico.. -, mas é evidente que a esmagadora maioria dos leitores que leem a Bíblia o fazem por questões ligadas à religião.

A Bíblia também encabeça os gêneros preferidos de pessoas de todas as faixas etárias (5 a 10, 11 a 13, 14 a 17, 18 a 24, 25 a 29, 30 a 39, 40 a 49, 50 a 69 e 70 e mais) e níveis de escolaridade (Fundamentai I, Fundamental II, Ensino Médio e Superior) abarcados pelo estudo. Foi ainda o título mais citado como última leitura dos entrevistados – 225 menções, seguido por “Diário de um Banana” e “Casamento Blindado”, ambos lembrados 11 vezes – e é a obra mais marcante da vida de 482 pessoas ouvidas – a segunda posição aqui ficou com “A Culpa é Das Estrelas”, mencionado em 56 oportunidades. Não bastasse, é diretamente responsável por uma das curiosidades da pesquisa: ao indicarem o autor do último livro que estavam lendo, alguns entrevistados (1%) citaram entidades religiosas normalmente ligas à Bíblia, como Jesus e Moisés.

Até professores preferem a Bíblia

A Retratos da Leitura no Brasil também apresenta alguns recortes específicos sobre o hábito de leitura dos professores e profissionais da educação. Nessa categoria, a Bíblia também se destaca: ela que lidera, por exemplo, a lista dos 11 títulos mais citados pelos educadores, com 22 menções – “Esperança” está na segunda posição, com 5 citações.

Sobre esses profissionais, há ainda uma contradição nos números: 84% deles garantem que são leitores, no entanto, metade dos entrevistados não citou nenhum título ao ser indagado a respeito de qual era o último livro que havia lido. Estranho tantos professores não recordarem o que leram recentemente, não?

Tendo em vista esse panorama, parece que a frase escolhida pelos organizadores da pesquisa para servir de epílogo à apresentação dos números está um tanto deslocada. Diz ela, que é de autoria do peruano Mario Vargas Llosa: “Um público comprometido com a leitura é crítico, rebelde, inquieto, pouco manipulável e não crê em lemas que, alguns, fazem passar por ideias”. Será mesmo que tantas pessoas adquirem essas características ao lerem a Bíblia. Ou será que, encarando a obra de maneira dogmática, tal leitura não acaba gerando um resultado exatamente oposto àquele desejado pelo Nobel de Literatura de 2010?

O desafio de formar leitores

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Tânia Rêgo/ Agência Brasil

 

A leitura, assim como a culinária, a dança, a costura e a natação, é uma habilidade. Como tal, precisa ser adquirida, treinada, aperfeiçoada e refletida para que seja praticada com autonomia e desenvoltura

Denise Guilherme Viotto, no Carta Educação

Na semana passada saiu o resultado da 4ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro. Os dados divulgados abrem espaço para muitas reflexões – seja porque nos reconhecemos nas respostas e comportamentos ali expostos, seja porque somos cúmplices de alguns cenários ali apresentados. Cenários já muito familiares a todos aqueles comprometidos com o desafio de formar leitores em nosso país.

Segundo os critérios da pesquisa, 44% da população brasileira não é leitora. E dentre as principais razões apresentadas para a ausência da prática da leitura de livros estão a falta de tempo e paciência, o cansaço, a dificuldade e o não gostar de ler.

Todos sabemos que a leitura, assim como a culinária, a dança, a costura e a natação, por exemplo, é uma habilidade. Como tal, precisa ser adquirida, treinada, aperfeiçoada e refletida para que seja praticada com autonomia e desenvoltura. É possível que, para esse número considerável de brasileiros, a falta de interesse por essa habilidade possa ser explicada pela dificuldade que possuem em praticá-la de modo satisfatório.

Bons leitores, assim como bons cozinheiros, dançarinos, costureiros e nadadores, sentem prazer em realizar suas atividades porque possuem competência para fazê-las.

Geralmente, quando perguntamos a alguém se gosta de cozinhar, dançar, costurar, ou nadar, a resposta é sempre positiva quando o sujeito sabe-se competente para praticar essas habilidades. O gosto costuma derivar do reconhecimento da própria capacidade de realizar algo de modo satisfatório.

E como é possível torna-se capaz de fazer algo que não se conhece?

Primeiro, é preciso que o indivíduo adquira algumas competências básicas que, no caso da leitura, passam necessariamente pelo processo de conquista de uma alfabetização plena – tarefa que deveria ser cumprida pelas instituições educativas, garantindo a todos o direito à educação.

Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil

Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil

Um indivíduo plenamente alfabetizado é também um leitor competente que compreende e interpreta textos em diferentes situações, estabelecendo relações entre suas partes, comparando e analisando informações, distinguindo fato de opinião, sendo capaz de fazer inferências e sínteses. Só é possível adquirir todas essas competências tendo acesso à palavra escrita e a experiências diversificadas, nas quais as práticas sociais da língua estejam em jogo. Ou seja, pertencendo a um ambiente letrado. E a construção desse ambiente pode ter o seu início muito antes do ingresso à escola.

Segundo a pesquisa mencionada no início desse texto, mães, pais e parentes foram citados como responsáveis por incentivar o gosto pela leitura por cerca de 27% dos entrevistados. São eles, também, um dos principais influenciadores para escolha e compra de livros. Isso demonstra a importância e a responsabilidade da família para despertar o interesse e a valorização do objeto livro, incluindo momentos para a leitura na rotina, dedicando tempo para visitar bibliotecas e livrarias, investindo parte do orçamento na construção de um acervo próprio, comentando e compartilhando as obras lidas, enfim, construindo – dentro de casa – uma comunidade de leitores.

Mas, todos sabemos que, em um país onde mais de 80 milhões de pessoas se declaram não leitoras, apostar todas as fichas para a mudança desse quadro apenas na família pode resultar em poucos e lentos avanços. Pais, mães e demais parentes podem e devem aproximar as crianças da leitura desde cedo, mas para isso é preciso que o livro esteja acessível. Daí a importância dos diferentes equipamentos culturais, especialmente das bibliotecas públicas e privadas, das boas livrarias com acervos diversificados e atualizados e, principalmente, de medidas que garantam o direito à leitura como política pública de Estado e não de governos.

Saber ler e fazer parte de uma comunidade onde a leitura está presente nos mais diferentes suportes é fundamental, mas essas duas condições só se efetivam na prática quando há acesso a livros e outros bens culturais de qualidade. E acesso, aqui, precisa ser entendido como muito mais do que proximidade com os objetos, mas como a criação de condições para que se possa extrair o máximo desse contato. Daí a importância da mediação feita por leitores mais experientes, que sejam capazes de despertar o desejo pela leitura, construindo oportunidades para que se possa praticar essa habilidade nos diferentes espaços – públicos e privados – com competência, segurança e autonomia.

Por fim, é preciso entender que a não familiaridade com a leitura representa uma falta. Falta de oportunidade de contato com a linguagem escrita, com o diálogo com o diferente, com a fantasia, com o conhecimento, com outros mundos e possibilidades. E talvez esse seja o maior desafio que todos nós brasileiros precisamos enfrentar: o de despertar o desejo pela cultura, pela experiência estética, pela transcendência, pela imaginação como algo indispensável à uma vida plena e um direito pelo qual vale a pena lutar. Sempre.

Um livro escrito em 1909 previu a era da internet

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LIONEL BONAVENTURE/AFP/Getty Images

LIONEL BONAVENTURE/AFP/Getty Images

O escritor E.M. Forster previu a era da internet num livro escrito em 1909, em que retrata o isolamento humano e as consequências de se viver a comunicar apenas através de ecrãs.

Publicado no Observador

O escritor E.M. Forster previu há mais de um século a era da internet e o domínio das comunicações virtuais sobre as realizadas cara-a-cara. As previsões estão descritas na novela de ficção científica A Máquina Pára. O autor é mais conhecido pelas obras Howards End (1910), que deu origem a um filme com o mesmo nome e que valeu à atriz britânica Emma Thompson um Óscar em 1992, e Uma Passagem Para a Índia (1924), entre outros — que versam sobretudo sobre as relações de classe e a hipocrisia da sociedade britânica do início do século passado.

A novela, cujo título no original inglês é The Machine Stops, foi publicada inicialmente em 1909, na The Oxford and Cambridge Review e foi republicada em 1928 na obra The Eternal Moment and Other Stories. Na história, o autor analisa algumas tendências do século que então estava a começar, tais como o isolamento crescente dos indivíduos face ao desenvolvimento tecnológico e industrial e o maior afastamento do homem em relação à natureza.

O livro retrata um mundo dominado pela tecnologia, num período em que os seres humanos, depois de terem esgotado os recursos disponíveis na Terra, têm que passar a viver no subsolo e tornaram-se totalmente dependentes de uma infraestrutura conhecida como “A Máquina”, que parece ser uma vasta rede que permite a videoconferência e funciona como uma plataforma de troca de ideias em segunda mão, conta o The Guardian.

A obra conta a história de uma mãe e de um filho — Vashti e Kuno — que vivem num mundo pós-apocalíptico onde as pessoas vivem em casulos subterrâneos num universo no qual “A Máquina” satisfaz todas as suas necessidades humanas, descreve a BBC.

Os habitantes dos casulos vivem as suas vidas em isolamento e comunicam com o exterior através de ecrãs e de um tubo acústico (speaking tube). Quando “A Máquina” pára, as pessoas não conseguem adaptar-se à vida sem a tecnologia da qual dependiam, a cidade subterrânea colapsa e muitos morrem soterrados pelos escombros.

“Ele previu, com uma precisão surpreendente, o efeito que a tecnologia tem sobre as nossas relações uns com os outros, com os nossos corpos, com a nossa filosofia e cultura,” disse Neil Duffield, que adaptou a história para o palco da York Theatre Royal à BBC, uma peça que vai estar em cena até ao próximo dia 4 de junho.

E. M. Forster descreve na novela um mundo onde as pessoas comunicam essencialmente através de um ecrã, antecipando invenções como as mensagens instantâneas ou o Skype e muito antes de a rádio ser um meio de comunicação de massas. Hoje, “A Máquina Pára” já se tornou alvo de culto, com muitos inovadores e empreendedores a recomendarem a sua leitura, tais como Elon Musk, inventor do Paypal e atualmente presidente das empresas Tesla e Space X.

“As pessoas ao lê-lo dizem: olha, alguém há mais de 100 anos parece ter imaginado o mundo da internet e dos smartphones e muitas das questões que hoje abordamos sobre a forma como as pessoas vivem as suas vidas através da tecnologia e não olham para cima nem veem o mundo ao seu redor”, disse Howard Booth, da Universidade de Manchester e especialista na literatura de Forster à BBC.

A obra tem uma tradução em português do Brasil (A Máquina Para), da autoria de Celso Braida, mas ainda não está publicada em Portugal.

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