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Bienal do Livro de Pernambuco é encerrada com maior valorização ao mundo geek

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Cosplayers animaram o último dia da Bienal na noite deste domingo Foto: Felipe Ribeiro/ JCImagem

Cosplayers animaram o último dia da Bienal na noite deste domingo
Foto: Felipe Ribeiro/ JCImagem

 

Evento literário testou pela primeira um espaço unicamente dedicado ao universo dos quadrinhos e o público aprovou

Valentine Herold,  no JC Online

Poderia ser um trecho de um capítulo de um livro de ficção ou uma tirinha de uma história em quadrinhos, mas era apenas mais uma cena corriqueira deste domingo (15) na 11° Bienal Internacional do Livro de Pernambuco: Homem Aranha, Arlequina e o Coringa passeando pela praça de alimentação montada no pavilhão do Centro de Convenções. O evento literário que teve início no último dia 6 foi encerrado na noite deste domingo (15) entre cosplay, oficinas, sessões de autógrafos e apresentação musicais – sem esquecer, claro, de muitas vendas de livros.

Em relação ao primeiro fim de semana, a feira reuniu em seus último três dias um público maior. No domingo, muitas famílias passeavam entre os corredores do Cecon à procura de livros. O menor porte estrutural do evento em relação às outras edições foi, entretanto, bastante comentada pelos leitores, assim como a surpresa com o corredor de estandes dedicado ao artesanato e venda de objetos como bolsas e bijuterias. O administrador Washington Moreira estava, como muitos, aproveitando as já tradicionais promoções de último dia com sua esposa, no início da noite de ontem.

“Estou dando uma geral, vim para procurar livros e não tanto para as palestras. Mas apesar das promoções estou achando essa edição da Bienal mais reduzida, com uma variedade de estandes menor que os outros anos”, avaliou.

As críticas dos expositores se assemelham às do público geral, mas a maioria se disse satisfeita com as vendas. “Principalmente nos últimos dias. A partir de quinta tivemos um movimento muito bom”, ressaltou Alexandre Oliveira, do estande da LeYa, que participou pela primeira vez da Bienal de Pernambuco. ‘Há duas semanas eu estava na de Maceió e achei o movimento semelhante”, pontuou.

QUADRINHOS

Se para os vendedores dos estandes de formato clássico esta 11° edição não se diferenciou positivamente das demais, os ilustradores e autores de HQs não poderiam estar mais satisfeitos. Pela primeira vez com um espaço próprio na Bienal do Livro, o Artist’s Alley, os quadrinistas atraíram um bom público de todas as idades. E diferentemente dos outros estandes, eram os próprios autores que atendiam os leitores. Talvez tenha sido justamente essa proximidade que tenha feito da ainda pequena alameda do universo dos quadrinhos um local de fomento à leitura e aos debates.

Um dos coordenadores da feira, Guilherme Robalinho, avaliou o espaço como sendo a grande aposta deste ano . “A Bienal termina esta edição fortalecida. Percebemos o forte carinho que o público tem para com o evento e estamos muito orgulhosos da programação que montamos e das parcerias”, disse. “Vivemos um momento difícil no País mas mesmo assim acho que as vendas superaram as expectativas, as pessoas vieram predispostas e notamos este ano um tempo de permanência maior das pessoas dentro do evento”, finalizou.

Uma certeza que a Bienal de Pernambuco deixou, seguindo a mesma tendência de outros eventos literários, é a de que não se pode mais ignorar o público vindo da internet – como vem demonstrou a forte movimento dos espaços Geek e o próprio Artist’s Alley

17 livros que são armas contra a ascensão de regimes políticos tirânicos

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Claudio Ribeiro, no Jornal Opção

No livro Sobre a Tirania: vinte lições do século XX para o presente (Companhia das Letras, 168 páginas, tradução de Donaldson M. Garschagen), recém-publicado no Brasil, o historiador americano Timothy Snyder oferece ao leitor uma lista de dezessete livros que, se lidos com atenção, podem servir como verdadeiras armas contra a irrupção de regimes políticos tirânicos.

A lista se encontra na “lição número 9”, intitulada “Trate bem a língua”, na qual podemos ler, como advertência inicial, o seguinte: “Evite proferir as frases que todo mundo usa. Reflita sobre sua maneira de falar, mesmo que apenas para transmitir aquilo que você acha que todos estão dizendo. Faça um esforço para afastar-se da internet. Leia livros.”

Capa do livro “Sobre a Tirania: vinte lições do século XX para o presente” (Companhia das Letras, 2017, 168 páginas)

Capa do livro “Sobre a Tirania: vinte lições do século XX para o presente” (Companhia das Letras, 2017, 168 páginas)

Pois bem, então, o que ler? É esta a questão que Snyder procura responder. E sua resposta começa pela literatura, indo de um clássico incontestável até um romance infantojuvenil de grande sucesso editorial:

“Qualquer bom romance estimula nossa capacidade de pensar sobre situações ambíguas e de julgar as intenções alheias. Os irmãos Karamázov, de Dostoiévski, e A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera, talvez sejam adequados a nosso momento. O romance Não vai acontecer aqui, de Sinclair Lewis, talvez não seja uma grande obra de arte. Complô contra a América, de Philip Roth, é melhor. Um romance conhecido por milhões de jovens americanos e que oferece um relato de tirania e resistência é Harry Potter e as relíquias da morte, de J. K. Rowling. Se você, seus amigos ou seus filhos não o entenderam assim da primeira vez, vale a pena lê-lo de novo.”

Após a indicação desses cinco romances, Snyder indica onze livros de não ficção, que abordam a política e a história do século XX. E finaliza a lista indicando a leitura das Sagradas Escrituras, da tradição judaico-cristã. Para tanto, argumenta:

“Os cristãos podem retornar ao seu livro fundamental, que sempre é muito oportuno. Jesus ensinou que ‘é mais fácil um camelo passar através do buraco de uma agulha do que um único rico entrar no reino de Deus’. Devemos ser modestos, porque ‘quem se exaltar será humilhado e que se humilhar será exaltado’. E é claro que temos de nos preocupar com o que é verdadeiro e com o que é falso: ‘E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará’.”

Reuni, abaixo, todos os dezessete livros indicados. A maior parte está traduzida e publicada no Brasil. Referencio todas as edições, tanto as disponíveis no mercado editorial nacional quanto aquelas que ainda não estão.

É uma ótima oportunidade de leitura, sobretudo para quem está de férias!
Segue a lista:

1 – Os irmãos Karamázov, de Dostoiévski (Editora 34, tradução de Paulo Bezerra).

2 – A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera (Editora Companhia de Bolso, tradução de Tereza Bulhões de Carvalho).

3 – It Can’t Happen Here [Não vai acontecer aqui], de Sinclair Lewis (Editora Signet Classics-Penguin Group).

4 – Complô contra a América, de Philip Roth (Editora Companhia das Lestras, tradução de Paulo Henriques Britto).

5 – Harry Potter e as relíquias da morte, de J. K. Rowling (Editora Rocco, tradução de Lia Wyler).

6 – “A política e a língua inglesa”, de George Orwell, presente no volume Como morrem os pobres e outros ensaios (Editora Companhia das Lestras, tradução de Pedro Maia Soares).
7 – LTI: A linguagem do Terceiro Reich, de Victor Klemperer (Editora Contraponto, tradução de Miriam Bettina P. Oelsner).

8 – Origens do totalitarismo, de Hannah Arendt (Editora Companhia de Bolso, tradução de Roberto Raposo).

9 – O homem revoltado, de Albert Camus (Editora BestBolso, tradução de Valerie Rumjanek).

10 – Mente cativa, de Czeslaw Milosz (Editora Novo Século, tradução de Dante Nery).

11 – The Power Of The Powerles [O poder dos sem poder], de Václav Havel (Editora Routledge).

12 – “How to Be a Conservative-Liberal-Socialist” [Como ser um conservador-liberal-socialista], de Leszek Kolakowski, presente no volume Modernity On Endless Trial (Editora University Of Chicago Press).

13 – The Uses of Adversity [Os usos da adversidade], de Timothy Garton Ash (Editora Random House).

14 – O peso da responsabilidade, de Tony Judt (Editora Objetiva, tradução de Otacílio Nunes).

15 – Ordinary Men [Homens comuns], de Christopher Browning (Editora Harper Perennial).

16 – Nothing Is True and Everything Is Possible [Nada é verdadeiro e tudo é possível], de Peter Pomerantsev (Editora Faber & Faber).

17 – Bíblia de Jerusalém (Editora Paulus, vários tradutores).

A PUC-SP anuncia sua primeira festa literária!

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Fachada da PUC-SP e detalhe do teatro Tucarena. A 1ª FliPUC acontece de 23 a 25 deste mês! || Créditos: Divulgação

Fachada da PUC-SP e detalhe do teatro Tucarena. A 1ª FliPUC acontece de 23 a 25 deste mês! || Créditos: Divulgação

Publicado no Glamurama

A cidade de São Paulo acaba de ganhar uma nova festa literária. De 23 a 25 de outubro acontece no campus Monte Alegre, no bairro de Perdizes, a “1ª FliPUC – Festa Literária Internacional da PUC-SP”. Durante três dias, os estudantes da universidade e a população apaixonada por livros poderão desfrutar de instigantes mesas e de uma ótima seleção de livros com descontos que chegam a 50%. As mesas de debate ocorrem no Tucarena, enquanto a feira de livros estará montada no saguão em frente ao auditório. O evento terá como grande homenageado o educador, pedagogo e filósofo brasileiro Paulo Freire, uma das personalidades mais importantes da história da PUC-SP.

Para sua 1ª edição, a FliPUC propõe um debate sobre as múltiplas expressões e interfaces da literatura no mundo contemporâneo. Daí, seu tema, Literatura Transversal, com mesas que debatem as seguintes questões: “Caminhos da Crítica”; “Literatura e Cultura Indígena”; “Repensar a Arte e a Literatura – Redes e Literatura”; “Ciência e Tecnologia na África – Racismo e Ciência”; “Literatura e Memória”; “Literatura e Política”; “Literatura e Arte do Passado ao Presente”; “Tudo na Literatura” e “Repensar a cultura”. “Hoje, as festas literárias são uma realidade por todo o Brasil, surgidas a partir de uma iniciativa pioneira de editores e autores que gostavam de curtir férias em Paraty. A Flip iniciou há mais de uma década uma tradição que se expande por diversas cidades”, diz José Luiz Goldfarb, curador do evento, ao lado de Lucia Santaella. Agende-se!

1a FliPUC – Festa Literária da PUC-SP
De 23 a 25 de outubro
Onde: Campus Monte Alegre da PUC-SP, à rua Monte Alegre, 984, no bairro de Perdizes (Debates no Tucarena, Feira de Livros no saguão em frente ao auditório do Tucarena, Esquenta FliPUC no Teatro Tuca e Show de Encerramento no Tucarena)
Entrada para os debates e show de encerramento: Franca.
Curadoria: José Luiz Goldfarb e Lucia Santaella.
Realização: PUC-SP e Educ – Editora da PUC-SP.
Telefone para informações sobre o evento: 11-3670-8085

‘Blade Runner’: Por que a obra de Philip K. Dick continua atual 50 anos depois

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Divulgação Após 30 anos, Harrison Ford volta a Blade Runner como o (agora ex) caçador de androides Deckard.

Divulgação
Após 30 anos, Harrison Ford volta a Blade Runner como o (agora ex) caçador de androides Deckard.

 

Autor de ficção científica criou um futuro no qual ninguém gostaria de viver — e parece não estar muito distante dos dias de hoje.

Caio Delcoli, no HuffpostBrasil

Faz pouco tempo que a série O Conto da Aia, da plataforma de streaming Hulu, deixou incontáveis espectadores perplexos com o futuro distópico no qual a história se ambienta. Baseada no icônico romance de Margaret Atwood, a série mostra as mais variadas formas de opressão que as mulheres sofrem cotidianamente sob o poder de um governo autoritário, militarizado e teocrático.

O seriado veio na esteira do aumento da demanda por narrativas distópicas — O Conto da Aia, lançado há mais de 30 anos, voltou a ser bestseller com 1984, história futurista de George Orwell lançada em 1949. No último dia 5, a série Blade Runner juntou-se a esse cenário ao voltar aos cinemas com um futuro neo-noir e chuvoso que também passa longe de ser um lugar bacana para se viver.

 Divulgação/Sony Ryan Gosling (à direita) e Ana de Armas protagonizam Blade Runner 2049, o novo filme da franquia.

Divulgação/Sony
Ryan Gosling (à direita) e Ana de Armas protagonizam Blade Runner 2049, o novo filme da franquia.

Blade Runner 2049, dirigido por Denis Villeneuve (A Chegada), é a sequência do filme de Ridley Scott lançado em 1982, um clássico cult de ficção científica baseado em Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, filosófico livro do norte-americano Philip K. Dick (1928–1982).

Lançado em 1968 — mesmo ano que chegou aos cinemas 2001: Uma Odisseia no Espaço e O Planeta dos Macacos, e o mundo vivia um agudo momento político —, o romance de Dick mostra uma sociedade ultra-tecnológica em meio à destruição causada por uma guerra nuclear de escala global.

“É uma preocupação comum da ficção científica do século 20. Hoje a gente está mais focado em distopias políticas, mas na época da Guerra Fria, as pessoas estavam muito preocupadas com a bomba atômica”, analisa Bárbara Prince, editora do livro da Aleph, em entrevista ao HuffPost Brasil. A editora lança neste mês uma edição comemorativa de 50 anos do livro.

Prince diz que obras como O Conto da Aia refletem a atual discussão sobre lugar de fala na sociedade, ditaduras e fundamentalismos; o romance de Dick, por sua vez, reflete um risco que voltou a ser atual com os frequentes testes nucleares da Coreia do Norte e a troca de ameaças bélicas entre o país e os Estados Unidos. “A qualquer momento alguém pode explodir tudo.”

Ao lado de Black Mirror (Netflix), Blade Runner é a única distopia tecnológica que ainda nos congela a espinha.

Divulgação/Sony Em Blade Runner, as mulheres também não recebem o melhor dos tratamentos.

Divulgação/Sony
Em Blade Runner, as mulheres também não recebem o melhor dos tratamentos.

Entretanto, a discussão sobre lugar de fala também está presente no universo de Blade Runner — e, segundo a editora, este é outro motivo que faz a obra ainda ser atual.

Na história concebida por Dick, a Terra tornou-se uma grande periferia. Após o desastre nuclear, quem podia pagar foi viver em colônias em outros planetas; quem ficou para trás não tinha dinheiro ou foi barrado por não ter posição social.

Os androides, chamados de “replicantes”, servem como escravos aos humanos que vivem nas colônias. No entanto, esses robôs também têm capacidade de refletir e sentir — além de serem assustadoramente semelhantes aos humanos —, e se rebelam. Muitos matam seus patrões, fogem para a Terra e unem-se em grupos que clamam por espaço na sociedade. Para muitos humanos, eles são seres repugnantes. A abordagem que Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? faz de religião e animais também ajudam a compor o tecido de comentário social feito pelo autor.

Outro tema que também dá a Blade Runner um lugar especial na ficção científica é o questionamento do que é real ou não. A partir do filme de 1982, por exemplo, iniciou-se a discussão a respeito da origem do personagem de Harrison Ford, o caçador de androides Rick Deckard. Ele é ou não é um replicante? Trata-se de um intenso debate entre os fãs — e também de um reflexo das paranoias de Philip K. Dick.

Em uma convenção de ficção científica na França em 1977, Dick sentou-se à mesa diante do público, deu alguns tapinhas no microfone para testa-lo e anunciou: “Estamos vivendo em uma realidade programada por computadores. A única pista que temos disso é quando alguma variável é mudada e acontece alguma alteração em nossa realidade”.

Divulgação Philip K. Dick está em alta: Blade Runner volta aos cinemas e uma nova série estreia em 2018.

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Philip K. Dick está em alta: Blade Runner volta aos cinemas e uma nova série estreia em 2018.

O autor referia-se à sensação de déjà vu. Ou apenas nos deu mais um exemplo da grave paranoia que lhe acometia.

“Dick tinha problemas psiquiátricos, usava dezenas anfetaminas por semana e escrevia nelas, Ele dizia que tinha experiências espirituais e, em uma delas, viu Deus”, conta Prince. “Em todos os livros dele há a questão do que é real, do que é estar vivo, se a gente está mesmo vivo.”

“A vida toda ele teve esse tipo de transtorno. Não se sabe se era apenas psiquiátrico, ou as drogas, ou tudo isso misturado, mas era um questionamento que o autor colocou na obra dele.”

Enquanto há dúvida a respeito da origem de Deckard, uma certeza em Blade Runner é a marca da misoginia típica de Dick.

No novo longa-metragem, o androide K. (Ryan Gosling) vagueia por uma Los Angeles que transborda publicidade — lá, o capitalismo venceu de goleada — e uma delas é o gigantesco holograma de Joi (Ana de Armas) completamente nua; ela é uma inteligência artificial que faz companhia a homens. Não há sinal de homens que também sejam hologramas para sexo ou comercializem sexo de maneira fria e objetiva, como a prostituta Mariette (Mackenzie Davis).

“Dick tinha muito problema com mulher. Foi casado seis ou sete vezes e há várias histórias de relacionamento abusivo com as esposas dele. Em toda obra dele, a representatividade feminina é péssima”, defende a editora. “A mulher está lá para ser uma coitada, ou muito burra e fazer alguma merda, ou ser um objeto sexual.”

“O homem está nos livros dele para ser um herói e participar da história, mas com a mulher é outra história. Se ele puder escrever sobre o decote dela, ele escreve.”

2049

Trinta anos após os acontecimentos de Blade Runner, o Caçador de Androides, o replicante K., membro do departamento de polícia de LA, recebe a tarefa de investigar um movimento que liberta outros androides. Ele encontra uma caixa com os restos mortais de uma replicante que estava grávida — algo até então considerado impossível. O segredo pode mudar absolutamente tudo.

Além de Gosling, de Armas, Davis e Ford, também estão no elenco Robin Wright, Jared Leto, Sylvia Hoeks, Carla Juri e Dave Bautista. O roteiro é de Michael Green (da série American Gods) e Hampton Fancher (do filme de Ridley Scott); o enredo foi concebido por Fancher, que usou personagens do romance de Dick.

Os curta-metragens 2036: Nexus Dawn, 2048: Nowhere to Run e Blade Runner Black Out 2022 — um anime de Shinichirō Watanabe — complementam a experiência.

A obra de Dick está viva e em boa fase de adaptações. A plataforma de streaming da Amazon lançará em 2018 a terceira temporada da bem-sucedida The Man in the High Castle, distopia que imagina o que seriam os Estados Unidos dos anos 1960 caso o Terceiro Reich tivesse vencido a II Guerra Mundial. Frank Spotnitz (Arquivo X) é o criador.

Hábito de leitura leva catador de lixo para universidade federal

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O gaúcho Carlos César Alves Correa, de 24 anos, era catador de lixos e hoje estuda Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) (Guilherme Endler, Rede Marista/Divulgação)

O gaúcho Carlos César Alves Correa, de 24 anos, era catador de lixos e hoje estuda Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) (Guilherme Endler, Rede Marista/Divulgação)

Livro doado despertou o desejo do gaúcho Carlos César Alves Correa, hoje com 24 anos, de estudar Letras na UFRGS

Paula Sperb, na Veja

Criado pela avó e pela mãe, Carlos César Alves Correa passou a infância recolhendo lixo das ruas de Porto Alegre. De manhã, coletava papel e latas com outras sete crianças da família. De tarde, frequentava a escola. De noite, ficava na pequena casa de chão batido e paredes de madeira velha. “Quando batia vento forte, o telhado voava”, relembra Correa sobre a moradia da infância. O pátio da casa abrigava ainda a égua da família, animal usado para puxar a carroça com o material recolhido nas ruas.

“As pessoas se sensibilizavam em ver as crianças catando o lixo e doavam comida. Eu tinha vontade de estudar, mas não tinha influência da minha família porque ninguém sequer tinha o ensino fundamental completo. Não culpo eles, nenhum deles recebeu o exemplo antes”, conta o rapaz de 24 anos.

Porém, a família recebia mais do que comida. Quando tinha dez anos, o garoto ganhou um livro que despertou seu desejo de ser professor. “A história era parecida com a minha, de um jovem que queria estudar, mas não tinha recursos. Eu me enxerguei ali”, contou a VEJA.

Foi através da leitura, frequentando bibliotecas públicas da capital gaúcha e “espiando” livros nos sebos, que Correa deixou a rotina de catador de lixo para ser aprovado no curso de Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atualmente, o universitário conta sua história para jovens em vulnerabilidade social através de projetos da Rede Marista, em Porto Alegre. Um desses projetos é a “Rede do Livro”, iniciada em agosto, que incentiva a doação de livros para modificar o baixo índice de leitura no país: 1,7 livro per capta por ano, segundo o Ministério da Cultura. Os voluntários podem doar livros diretamente para pessoas ou instituições de sua escolha e utilizar a “hashtag” #rededolivro nas redes sociais para divulgar a ação. A campanha também promove a doação de sangue.

O gaúcho Carlos César Alves Correa, de 24 anos, conta a jovens em vulnerabilidade social como a leitura transformou sua vida (Guilherme Endler, Rede Marista//Hábito de leitura leva catador de lixo para universidade federal/Divulgação)

O gaúcho Carlos César Alves Correa, de 24 anos, conta a jovens em vulnerabilidade social como a leitura transformou sua vida (Guilherme Endler, Rede Marista//Hábito de leitura leva catador de lixo para universidade federal/Divulgação)

Antes de contar sobre a importância da leitura e da literatura na sua vida para outros jovens, o rapaz chegou a abandonar a escola para ajudar a família com um trabalho mais rentável. “Cortaram água, luz e o aluguel era alto para o que se recebia. Precisei colaborar. Achei que nunca voltaria a estudar”, conta. Mas Correa conseguiu emprego e retomou os estudos. Pagou com o próprio dinheiro um cursinho para se preparar para o vestibular e foi aprovado na UFRGS. Correa foi aprovado pelo sistema de cotas (racial, por renda e por ter estudado em escola pública).

Para conseguir estudar no turno da manhã e tarde, Correa trabalha atualmente em uma empresa de call center. “Meu trabalho tem muita pressão, mas é o único mercado que tem contratado durante a crise e tem flexibilidade de horário para que eu possa ir à universidade”, explica o universitário.
Desde que a leitura se tornou um hábito, Correa elegeu Machado de Assis como seu autor favorito, mas também é admirador dos poetas Mário Quintana e Cecília Meireles. Aluno do quarto semestre, Correa planeja ser professor de escolas públicas assim que se formar para despertar nas crianças o interesse pela literatura e pela leitura.

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