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Com mais de 220 convidados e atividades gratuitas, Flipelô é aberta hoje e tem Jorge Amado como homenageado

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Maria Bethânia, Emicida, Larissa Luz, Capinan e Martinho da Vila são atrações da Flipelô (Foto: Arte/G1)

Maria Bethânia, Emicida, Larissa Luz, Capinan e Martinho da Vila são atrações da Flipelô (Foto: Arte/G1)

Evento acontece no Centro Histórico de Salvador até domingo (13) e conta com nomes como Emicida, Larissa Luz, Capinan, João Jorge, Luciana Borghi e Martinho da Vila; veja programação.

Publicado no G1

A primeira Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), em Salvador, será aberta nesta quarta-feira (9) com apresentação da cantora Maria Bethânia. Ela participa de um sarau, a partir das 20h, na Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, que fica na Rua da Ordem Terceira, no Centro Histórico da capital.

A apresentação é aberta apenas para convidados, mas todo o restante da programação da Flipelô, que possui uma grade cultural diversificada até o domingo (13), é gratuita e aberta ao público.

O projeto, que comemora os 30 anos da Fundação Casa de Jorge Amado, faz homenagem ao escritor baiano, na medida em que traz o Pelourinho, cenário de parte da sua obra, para o roteiro de eventos literários, além de festejar Zélia Gattai e Myriam Fraga, duas das mais importantes escritoras e personalidades culturais diretamente interligadas com a trajetória de vida do Jorge.

O evento contará com mais de 220 convidados, entre eles nomes como Emicida, Larissa Luz, Capinan, João Jorge Rodrigues, Luciana Borghi, Martinho da Vila entre outros. São esperadas cerca de 30 mil pessoas nas mais de 60 atividades oficiais previstas.

Além da Igreja de São Francisco, a Flipelô vai ocupar museus, teatros, cinema, praças, com debates, encontros, oficinas literárias, apresentações teatrais, leituras dramáticas, exibições de vídeo e shows musicais, que atendem aos públicos adulto e infanto-juvenil.

Na abertura, nesta quarta, Maria Bethânia, que tem mais de 50 anos de carreira e 55 álbuns gravados, vai mesclar leitura e música, com canções pouco usuais em seu repertório, e contará com o acompanhamento do violonista Paulinho Dafilin e do percussionista Carlos Cesar.

Flieplô é realizada no Centro Histórico de Salvador, de 9 a 13 de agosto. (Foto: Egi Santana/G1)

Flieplô é realizada no Centro Histórico de Salvador, de 9 a 13 de agosto. (Foto: Egi Santana/G1)

O sarau é intitulado “Maria Bethânia e as Palavras”, já que a cantora costuma unir poesia ao repertório, declamando poemas de autores como Fernando Pessoa, Marília Gabriela Llansol, Manoel de Barros, entre outros.

Atrações

A homenagem a Jorge Amado se dará em momentos como a Leitura Dramática da obra Compadre de Ogum, no sábado (12), às 11h, no Café Teatro Zélia Gattai, bem como na exibição de filmes como Quincas Berro d’Água, na Saladearte Cine XIV.

O grande amigo Carybé marcará presença no evento com a exposição “100×100 Carybé Ilustra Amado”, que estará aberta à visitação na Galeria Solar do Ferrão, durante todo período da festa. Paloma Amado, filha do escritor, vai ministrar uma oficina de gastronomia com receitas de Zélia Gattai no Senac – Pelourinho, também no sábado, às 11h.

Já as homenagens a Myriam Fraga acontecerão em dois momentos. Uma mesa em torno da poesia da escritora, em que José Carlos Capinan, Jerusa Pires Ferreira e Evelina Hoisel, Presidente da Academia de Letras da Bahia, abordarão aspectos importantes de obra da poeta, culminando com o lançamento do livro inédito, intitulado “Poemas”, no sábado (12).

Um dia depois, no domingo (13), às 11h, a Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba) apresenta a Série Myriam Fraga, no Largo do Pelourinho. Com regência do maestro Carlos Prazeres, o repertório é composto pelas obras Divertissement, do compositor francês Jacques Ibert, e ainda a Suíte Sonho de uma noite de verão, do alemão Felix Mendelssohn, composição inspirada na obra homônima do autor inglês William Shakespeare.

A escritora Conceição Evaristo também vai participar da Flipelô (Foto: Divulgação/Flip)

A escritora Conceição Evaristo também vai participar da Flipelô (Foto: Divulgação/Flip)

Com a indagação “Como anda a literatura brasileira contemporânea?”, os escritores Ronaldo Correia de Brito (PE) e Salgado Maranhão (RJ) dialogam com a mediação de José Inácio Vieira de Melo (BA) sobre a cena das letras e do mercado editorial brasileiro, na sexta-feira (10), às 16h, no Museu Eugenio Teixeira Leal.

No dia seguinte, sábado, às 14h, quando o tema de reflexão será “Biografias”, a Flipelô recebe a escritora italiana Antonella Roscilli, biógrafa de Zélia Gattai, e a brasileira Josélia Aguiar, pesquisadora de Jorge Amado, com mediação de Aleilton Fonseca, membro da Academia de Letras da Bahia. O encontro será também no Museu Eugenio Teixeira Leal.

Os autores premiados Franklin Carvalho e Marcio Ribeiro Leite, ganhadores do Sesc de Literatura 2016 e 2008, respectivamente, participam do bate-papo “Literatura Fatal”, no sábado (12), às 15h30, no Sesc-Senac Pelourinho.

Além deles, a Flipelô terá presença marcante de escritores e poetas negros, como na conversa “A Rua É Noiz – Poesia e Protesto”, que colocará em diálogo o rapper Emicida e João Jorge, presidente do bloco afro Olodum (BA), com mediação de Larissa Luz. Já o sambista Martinho da Vila lança o livro Conversas Cariocas, na sexta (11), às 19h. O livro é a reunião de crônicas que Martinho escreveu para um jornal do Rio de Janeiro.

A escritora, poetisa, romancista e ensaísta Conceição Evaristo, considerada uma das principais escritoras do país e referência para milhares de autoras e autores negras e negros no país, será uma das convidadas da roda de debate Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras, na Flipelô, também na sexta (11), às 20h15, no Teatro Sesc-Senac Pelourinho.

No Café Teatro Zélia Gattai, acontece o projeto “A voz edita”, com declamações de poemas e a participação de 12 poetas brasileiros, com curadoria de José Inácio Vieira de Melo. Os saraus também trarão mais dinâmica à palavra escrita e cantada, com momentos espalhados por toda programação. Jackson Costa, Grupo Concriz e Rede Sonora estão entre os nomes confirmados.

A cantora Jussara Silveira apresenta “O Violão e a Palavra”, espetáculo musical em homenagem a Jorge Amado, acompanhada pelo violão de Luciano Salvador Bahia e mediada pelo músico e pesquisador Paquito, na sexta (11), às 21h30.

Integra a programação da Flipelô, na sexta, um diálogo entre o professor Pasquale Neto e o professor Jorge Portugal, atual Secretário de Cultura do Estado, que acontecerá no Museu Eugênio Teixeira Leal, às 16h.

Jorge Portugal também irá lançar neste mesmo dia o livro “Por que o Subaé não molha o mapa”, às 17h30, na Casa Amarela, no Largo do Pelourinho. Ainda na sexta-feira, às 18h30, no Teatro do Sesc-Senac Pelourinho, será lançado o livro “Anos 70 na Bahia”, de Sergio Siqueira.

As crianças terão espaço próprio dentro da programação da Flipelô. A Festa dos Erês terá desde lançamento de livros até contação de histórias. Tudo acontece no domingo (13), das 14h às 17h, no Teatro Sesc Senac Pelourinho.

Estão na programação os lançamentos de livro A Magia das Palavras, de Raíssa Martins, e Caixinha de Fósforos, de Mabel Veloso; contações de histórias com o Teatro Griô e cortejo da Boiada Multicor.

SERVIÇO

O que: Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô)
Quando: 09 a 13 de agosto de 2017
Onde: Centro Histórico de Salvador
Quanto: gratuito
Informações e programação: disponíveis no site da Flipelô

O que leem as adolescentes da Fundação Casa que já são mães?

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Bruno Molinero, Folha de S.Paulo

Por fora, é um prédio comum. A porta metálica divide o muro branco que tem mais de seis metros de altura com janelas de vidros escuros. Ninguém olha, porque o que acontece dentro desse prédio na Mooca é um mistério para os que passam pela rua ou estacionam o carro em frente aos sobradinhos de classe média do outro lado da calçada –típico dos muitos galpões que ainda se espalham pelo bairro da zona leste de São Paulo. Até que, ao interfone, uma voz metálica, como a unha de uma professora riscando o quadro negro, interroga: “Pois não?”

As boas-vindas vêm na forma de um detector de metais, ficha assinada com dados pessoais, apresentação do documento de identidade e o celular devidamente guardado em uma gaveta –ele deve ficar preso durante todo o tempo em que o seu dono estiver no interior da fortaleza. Mais adiante, ao atravessar corredores cheios de portinhas, onde não é possível saber se é dia ou noite, chega-se a uma antiga sala de aula, dessas de escola. É lá, atrás de portas, grades, chaves, ferrolhos, no fim de corredores tortuosos, protegidos por um muro de seis metros e por toda a burocracia que mora algo frágil: uma biblioteca.

“Eu viajo com o livro. Mas viajo mesmo, como se pudesse sair daqui. A mente parada pensa muita besteira”, diz Mariana, 18.

Já faz dois anos que a jovem de olhos castanhos sempre fixos no interlocutor e cabelos tingidos de loiro não sai à rua. Vestida com um conjunto composto por moletom e calça de mesmas cores –um tom de lilás que dá às roupas um ar de pijama–, Mariana é uma das responsáveis por organizar o acervo e registrar os empréstimos feitos na biblioteca, inaugurada em novembro do ano passado.

“Você tinha que ver o primeiro dia de empréstimos. Ficou um silêncio na quadra. Todo mundo lendo”, lembra.

Tanto a biblioteca quanto a quadra ficam dentro de uma unidade da Fundação Casa, a antiga Febem, onde vivem apenas garotas. Com capacidade para 102 adolescentes, o local conta hoje com 128 meninas, todas entre 12 e 21 anos e com algo em comum: cometeram atos infracionais graves e perderam a liberdade (pela legislação, menores de idade não cometem crimes, mas atos infracionais, e a internação pode chegar a no máximo três anos). As causas mais comuns são roubo, tráfico de drogas e homicídio. Como as infrações aconteceram quando ainda eram menores, os nomes verdadeiros delas e outros detalhes sobre as jovens foram preservados neste texto.

Mas essa unidade tem ainda uma subdivisão interna, inacessível para a maior parte dessas garotas. O prédio é como uma matrioska, aquelas bonecas russas cheias de camadas, com uma grade dentro das grades, um muro dentro dos muros. O local separado é uma casinha nos fundos, com muros pintados com personagens de desenhos animados e um tatame colorido sobre o chão da sala que sustenta brinquedos de bebês, pufes e um pequeno sofá. O restante dos 283 m² acolhem banheiros, uma sala de recreação e quartos mobiliados com camas e berços. Pelos cantos, livros infantis saídos do acervo da biblioteca à disposição.

A chamada “Casa das Mães”, ou tecnicamente Pami (Programa de Acompanhamento Materno-Infantil), é um espaço específico dentro da Fundação que recebe apenas adolescentes que foram internadas grávidas ou que são mães de bebês e recém-nascidos. Atualmente dez garotas vivem ali, separadas das demais a partir da 32ª semana de gestação ou na companhia de seus filhos –crianças que crescem e passam os primeiros anos de suas vidas dentro da Fundação Casa, onde brincam, são amamentadas, têm as fraldas trocadas e choram de madrugada.

O Pami surgiu em 2003 como alternativa contra a separação de filhos pequenos e mães que perderam a liberdade. Tudo no espaço parece ser exceção à regra do que se imagina de uma unidade da ex-Febem e da questão complexa que passa por discussões sobre a revisão da maioridade penal e a falta de informações e números concretos que mapeiem estatisticamente a criminalidade de adolescentes no país.

A começar pela rotina dessas adolescentes. As mães acordam às 6h para dar banho nos bebês. Depois do café da manhã, elas limpam a casa e organizam a bagunça das crianças. A programação matinal conta ainda com cursos profissionalizantes –de aulas para se tornarem cabeleireiras a fotografas–, idas à biblioteca e tempo livre para ficarem próximas dos filhos. Não é raro ver alguma delas sentadas sobre o tatame, lendo ou mostrando ilustrações de um livro para um bebê deitado no colo. À tarde, vão à escola, que fica dentro da própria Fundação. Na ausência das mães, funcionárias cuidam das crianças.

O dia a dia aparentemente tranquilo pode maquiar a informação de que as internas são, de fato, internas. “Tenho curiosidade de levar minha filha pela primeira vez num parque. Não sei como vai ser”, diz Luisa, 18, mãe de uma menina de dois anos. “Cheguei aqui num piscar de olhos, cinco dias depois do nascimento da minha filha. Me trouxeram sozinha, sem ela. Foi a pior fase da minha vida.” Dois meses depois, a menina foi encaminhada para a Fundação. E Luisa, para a “Casa das Mães”.

LIVROS E COPOS DE VIDRO

Mas não é só a rotina que as diferencia. A própria unidade feminina foge à regra do que é a realidade da Fundação Casa no Estado de São Paulo. A população de jovens infratores é essencialmente masculina. Dos 9.676 adolescentes atendidos hoje, nada menos do que 9.288 são garotos (96% do total). E apenas seis das 145 unidades ativas no Estado são femininas –quatro na capital e apenas uma com Pami.

As infrações também são diferentes. Na estatística geral, os casos mais frequentes são roubo qualificado (43,3%) e tráfico de drogas (38,9%) –homicídio, por exemplo, representa apenas 1% dos casos. Na “Casa da Mães”, os atos mais comuns são tráfico de drogas (36,4%) e homicídio (36,4%). Segundo os números, as mães matam mais. Mas é preciso levar em conta que elas são um grupo pequeno, o que torna complicado fazer uma comparação entre as estatísticas.

“Tive o privilégio de ver de perto o nascimento e o crescimento do meu filho. Vi quando ele começou a engatinhar, deu os primeiros passos, falou as primeiras palavras. Não sei como seria fora, não sei se teria essa oportunidade. Aqui não existe celular, internet, WhatsApp. Você dá mais valor para o contato”, diz Julia, 17, mãe de um menino de dois anos. Fã de animes e mangás quando estava fora, quando “andava com companhias erradas”, a adolescente se tornou fã da escritora Marian Keyes no Pami. “Peguei um livro dela na biblioteca e me apaixonei. Meu favorito é ‘Tem Alguém Aí?’”, conta.

A biblioteca inaugurada no ano passado foi criada em parceria com o Instituto Brasil Leitor, que doou o acervo. O grafite e os desenhos que decoram as paredes da sala reformada e adaptada, bem como os recados na lousa e o restante da decoração, também foram feitos pelas internas. São cerca de mil livros, que ficam à disposição de segunda a sexta, sempre no período da manhã. Na sexta-feira, as adolescentes podem fazer empréstimos e passar o fim de semana com um dos exemplares –foi nesse dia que Mariana viu a quadra da Fundação quieta por causa da leitura.

O espaço substituiu a antiga biblioteca da unidade, cujo acervo tinha livros técnicos e enciclopédias, mas nenhum de literatura. E, afinal, o que leem as mães e as demais internas da Fundação? Os títulos mais procurados hoje são os das sagas Crepúsculos e Harry Potter, além de best-sellers da escritora Zibia Gasparetto, gibis da Turma da Mônica e obras com temática LGBT. Tanto as garotas do Pami quanto as demais adolescentes têm acesso às prateleiras e podem “trabalhar” como bibliotecárias para ajudar na organização do espaço. As mães também têm livros para bebês, levados para a casa do Pami, onde ficam as crianças.

“Ajuda a passar o tempo mais rápido e a não sentir falta de pequenas coisas lá de fora: como ver a lua, pegar ônibus lotado”, conta Luisa. “Ou tomar água em copo de vidro”, diz Julia, rindo. Por motivos de segurança, objetos de vidro são proibidos no local.

Mas os livros não. Quem quiser doar obras para a biblioteca pode enviá-las por correio ou entregá-las pessoalmente no endereço da unidade: rua Japuruchita, 300, Mooca, São Paulo (SP).

Livro de Bruno Borges entra para lista dos mais vendidos e volume 2 já tem data de lançamento

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Caio Fulgêncio, no G1

primeiro dos 14 livros do estudante de psicologia Bruno Borges, de 25 anos, desaparecido há quatro meses, entrou para a lista “não ficção” dos mais vendidos da semana, entre 24 e 30 do mês passado. O ranking é do site PublishNews, construído a partir da soma das vendas de todas as livrarias pesquisadas. A segunda obra do jovem já tem data para lançamento, disse a editora ao G1.

Livro de Bruno Borges ocupou 20ª posição do ranking (Foto: Divulgação/PublishNews)

Livro de Bruno Borges ocupou 20ª posição do ranking (Foto: Divulgação/PublishNews)

A primeira tiragem do “TAC – Teoria de Absorção de Conhecimentos” foi de 20 mil cópias. A coaching literária Renata Carvalho, de São Paulo, que trabalha na produção dos livros, acrescenta que mais 10 mil exemplares devem ser liberados para venda. A família lançou a obra no dia 20 de junho.

O segundo volume a ser lançado, na verdade, é o terceiro livro escrito por Bruno, explica Renata. A publicação segue uma ordem específica deixada pelo próprio estudante. O título da nova obra, conforme a coaching, é “Caminho para a Verdade Absoluta” e deve ser lançada em aproximadamente 60 dias.

A irmã de Bruno, Gabriela Borges, de 29 anos, diz que a família não imaginava que tantas cópias seriam vendidas. Ela revela que o irmão sempre falou do desejo de se tornar um escritor, mas os parentes não acreditavam muito. “Estamos bem surpresos com a repercussão. Aposto que Bruno não está, já que sempre acreditou nele mesmo”, diz.

Gabriela ressalta que a família não tem pistas sobre o paradeiro de Bruno e existem dias de sofrimento. Segundo ela, com a leitura dos escritos deixados no quarto, foi possível compreender melhor o período de isolamento, um dos assuntos abordados no TAC.

Livro "Teoria da Absorção do Conhecimento" entrou para lista dos mais vendidos (Foto: Reprodução )

Livro “Teoria da Absorção do Conhecimento” entrou para lista dos mais vendidos (Foto: Reprodução )

“É uma montanha-russa de emoções. Têm dias que estamos melhores, mais fortes, e outros não. Toda essa situação, os ataques que sofremos nesses quatro meses e ainda a saudade que sentimos acabam causando um grande estresse. Desejamos só que ele não demore mais, queremos ter uma notícia. Sentimos muita falta. Nossa casa não é completa sem um de nós”, fala.

Relembre a história

Antes de sair da casa onde mora em Rio Branco, Bruno Borges deixou 14 livros escritos à mão e criptografados, alguns copiados nas paredes, teto e no chão do quarto. Deixou ainda uma estátua do filósofo Giordano Bruno (1548-1600), por quem tem grande admiração, que custou R$ 10 mil.

Em maio deste ano, Marcelo Ferreira, de 22 anos, amigo do estudante, foi detido pela polícia pelo crime de falso testemunho. Na casa dele, a Polícia Civil encontrou dois contratos – um deles autenticado no dia do desaparecimento – que estabeleciam porcentagens de lucros com a venda dos livros. Ferreira teria ajudado Bruno no projeto.

Policiais também encontraram móveis do quarto do acreano na casa de outro amigo, Bruno Gaiote, que também teria participado na logística. Gaiote, que mora na Bahia, chegou a ser indiciado para depor na capital acreana, mas não compareceu, sendo indiciado indiretamente.

Em entrevista ao Bom Dia Amazônia exibida no dia 3 de julho, Ferreira contou que ajudou Bruno a montar o quarto e sabia do projeto, mas garantiu que não tinha conhecimento do desaparecimento, nem do local que ele pode estar vivendo.

Para a Polícia Civil, que investigou o caso, os contratos, e-mails e mensagens trocadas entre os amigos esclarecem a situação. O sumiço de Bruno foi parte de um plano para garantir a divulgação do trabalho deixado por ele, informou na época o delegado Alcino Souza Júnior.

“A gente encerra neste segundo momento, que é a comprovação de que não foi um homicídio, pelo menos não está comprovado. Também não foi um sequestro, mas que se trata sim de uma vontade própria, onde existe um plano para divulgação das obras”, destacou o delegado.

Doação de livros a presidiários aumenta após reportagem do GLOBO

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Há também mais 19 bibliotecas vinculadas às escolas públicas que funcionam no sistema prisional, entre elas a do presídio Evaristo de Moraes - Márcia Foletto / Agência O Globo

Há também mais 19 bibliotecas vinculadas às escolas públicas que funcionam no sistema prisional, entre elas a do presídio Evaristo de Moraes – Márcia Foletto / Agência O Globo

 

Biblioteca Nacional encaminhará mais de 1.200 volumes a unidades carcerárias do estado

Caio Barreto Briso, em O Globo

RIO – Após a publicação da reportagem sobre remição de pena pela leitura, no último domingo, muitas pessoas entraram em contato com o jornal interessadas em doar livros para o sistema prisional do Rio. O GLOBO recebeu vinte contatos por e-mail e a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) também foi procurada. A Biblioteca Nacional vai doar 18 kits com 68 livros – 1224 volumes no total – para serem distribuídos nos presídios do estados: são publicações da casa que contam a história de Dona Ivone Lara, Chico Buarque, Aluisio de Azevedo e, entre outros, Machado de Assis. Quem quiser doar pode procurar diretamente a Seap no telefone (21) 2334-6267.

– Estamos montando sete novas nos presídios. Antigamente elas ficavam onde preso não tinha acesso, hoje ficam no miolo das unidades. Estamos providenciando também carrinhos de supermercado para distribuir os livros de cela em cela. Algumas unidades não fazem isso porque não têm como transportar os livros, mas até para isso dependemos de parceria – afirma Patrícia Freitas dos Santos, coordenadora de inserção social da Seap e membro do Conselho Penitenciário do Estado.

A secretaria usa uma viatura para buscar os livros: a Biblioteca Nacional já está esperando o veículo buscar o material doado. Enquanto reforça seu acervo de 40 mil livros, espalhados por 54 unidades prisionais, a Seap elabora em parceria com a UniRio o novo programa de remição de pena para a população carcerária fluminense, que se aproxima dos 50 mil presos. Após ser lançado em novembro e beneficiar 188 presos, agora será formada uma nova turma com 500 internos. A universidade vai usar professores e alunos de Letras voluntários, que ajudarão os presos na escolha do livro e na redação de uma resenha sobre o mesmo, exigência para a remição ser aprovada.

Após essa etapa, as resenhas ainda precisam receber o aval da Vara de Execuções Penal (VEP) e pelo Ministério Público estadual. Cada livro lido equivale a quatro dias de pena a menos, uma garantia prevista na lei federal 12.433/2011, que passou a permitir que, além do trabalho, o estudo também sirva para diminuir pena – a recomendação 44 do Conselho Nacional de Justiça, dois anos depois, formalizou a proposta da remição pela leitura especificamente.

– Poucos presos estudam e poucos trabalham, então a leitura surge como alternativa no processo de ressocialização. O desafio é tornar o projeto uma realidade. E a dificuldade inicial é justamente ter os livros – resume o defensor Marllon Barcelos, coordenador do Núcleo do Sistema Penitenciário da Defensoria Pública.

Além do projeto da remição de pena da Seap, há outras iniciativas de incentivo à leitura. Todas as sextas-feiras, por exemplo, três voluntários da doutrina espírita vão ao Presídio Evaristo de Moraes.

– Sempre levamos livros, espíritas ou não, e eles são disputados, lidos e passados de uns para os outros com alegria e sofreguidão. É algo que nos traz alívio e esperança, mostra quanto um bom livro pode mudar o rumo dos pensamentos ociosos e constantes na revolta e desalento – afirma a voluntária Fernanda Levi.

“VIOLÊNCIA SÓ MUDA COM LIVRO NA MÃO”

Outra iniciativa é da Defensoria Pública, que criou um grupo de leitura no Instituto Penal Oscar Stevenson, em Benfica. A cada livro lido, as mulheres ganham um kit com sabonete, shampoo e absorvente – artigos raros nas celas, já que apenas uma a cada quatro presidiárias recebe visitas. O projeto foi idealizado há seis meses pela defensora pública Melissa Razuk Serrano. Na Penitenciária Feminina Joaquim Ferreira de Souza, onde estão 394 presas, muitas abraçaram os livros. Simone, por exemplo, já leu este mês “O processo”, de Franz Kafka, “A Cabana”, de William P Young, “O livro dos espíritos” e “O céu e o inferno”, de Allan Kardec. Ela faz parte do programa da remição pela leitura.

– Quem não lê aqui dentro, emburrece – afirma a interna Elenice.

Patrícia, coordenadora de inserção social e servidora da Seap há 20 anos, fica feliz com o aumento das doações. Para ela, é um jeito de a sociedade “se importar com o que acontece dentro desses muros”.

– Ledo engano achar que a violência vai diminuir com militares ocupando nossas ruas. Só muda com livro na mão.

Projeto itinerante estimula doação e leitura de livros na cidade de São Paulo

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 A biblioteca itinerante Divulação

A biblioteca itinerante Divulação

Publicado no R7

A partir desta terça (1), tem início o BiciBiblioteca na cidade de São Paulo. O projeto acontece em todas as escolas participantes e incentiva a doação e leitura de livros, com tudo feito através de bicicletas adaptadas e transformadas em bibliotecas itinerantes.

Ao longo de todo este mês, a BiciBiblioteca levará um acervo de três mil livros para crianças do 1º ao 5º ano que podem trocar um livro usado por dois novos. A “brincadeira” é feita simultaneamente com outras escolas. As crianças que participam podem, com a ajuda do professor, preencher uma ficha após a leitura, o que também é um estímulo à escrita.

O BiciBiblioteca segue até dezembro de 2017 e acontece uma vez por mês em cada uma das escolas participantes, que são a EMEBS Helen Keller, Centro Social Dona Diva, Centro Social Vila Morse, Colégio Augusto Laranja.

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