Sua Segunda Vida Começa Quando Você Descobre Que Só Tem Uma

Posts tagged livros

Edusp lança portal com obras de acesso aberto e gratuito

0

portal_edusp-1024x674

O uso de recursos digitais se configura como um dos focos do trabalho da Editora

Adriana Cruz, no Jornal da USP

A Editora da USP (Edusp) está lançando um portal com obras de acesso aberto e gratuito. Trata-se do Portal Livros Abertos Edusp, destinado a publicar obras, em edições bilíngues, em todas as áreas do conhecimento, sendo uma delas necessariamente em português e a segunda à escolha do autor.

Os livros, aprovados pelo Conselho Editorial da Edusp, estão disponibilizados em formato PDF e e-Pub [arquivo digital padrão específico para e-books]. Uma das obras já disponibilizadas é “Helio Lourenço – Vida e Legado”, de Ricardo Brandt de Oliveira, publicado em comemoração ao centenário de nascimento do professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) e vice-reitor da USP em exercício entre os anos de 1967 e 1969.

“O portal é uma das diretrizes da nova política editorial da Edusp implantada no último ano. É uma ferramenta para que o conhecimento crítico possa circular livremente. Nossa expectativa é que essa iniciativa se amplie e que possamos criar essa cultura na Universidade para que mais autores disponibilizem suas obras”, destaca a presidente da Edusp, Valeria De Marco.

Valéria ressalta que o uso de recursos digitais, a internacionalização e o relacionamento interinstitucional foram os focos do trabalho da Edusp neste período de um ano e meio em que está a frente. No mesmo período, a Editora manteve seu ritmo de publicação, tendo lançado no 94 novos títulos e realizado 52 reimpressões.

Outro projeto importante foi a parceria com a Pró-Reitoria de Graduação para a produção de obras de autoria de docentes da USP e destinadas a estudantes, com o objetivo de qualificar o ensino e contribuir para os cursos de graduação de outras instituições brasileiras. O primeiro edital recebeu mais de 200 inscrições e os primeiros originais estão em produção.

Também foram fortalecidas as relações da Edusp com as editoras das universidades públicas, por meio de coedições.

Com o objetivo de internacionalização, foi estabelecida a atuação conjunta na América Latina com a Eudeba, da Universidad de Buenos Aires, e a Editora da UNAM, da Universidad Nacional Autónoma de México. O objetivo da cooperação é a presença constante nas feiras de livros de Frankfurt e de Beijing e o intercâmbio em feiras nacionais.

Além disso, a Edusp também criou uma livraria virtual para facilitar a aquisição dos livros e atender leitores de todo o país.

Página do Facebook une literatura com memes e resultado é hilário

0

17904100_454380498238040_7388251532023047018_n

Giuliana Viggiano, na Galileu

Se você é fã de literatura, mas também não perde a oportunidade de dar uma boa risada com memes, a página do Facebook Obras literárias com capas de memes genuinamente brasileiros é tudo o que você procurava.

22046145_540821329593956_2575575334518260387_n

A página surgiu em 2016 e foi ideia de Luis Miguel: “A ideia é dar umas risadas e incentivar o pessoal a ler mais, tornar a literatura mais inclusiva, de modo que se identifique com o modo de vida do século 21, principalmente em relação a livros de épocas passadas”, disse em entrevista à GALILEU.

18839320_483608378648585_8169003842249774430_n

Funcionou. Em outubro de 2017 o perfil contava com quase 300 mil curtidas e um grupo na própria rede social no qual os fãs mais “assíduos” podem publicar o que quiserem.

“Eu sempre procuro postar no grupo da página para ver a reação do pessoal em relação ao meme, mas não compactuamos com opiniões ofensivas a minorias”, contou a outra administradora, Isabelle Lara Campos.

16864210_428308524178571_5117182922898803897_n

Cuidar do perfil virou quase um trabalho para os organizadores da página, tarefa que Giovanne Lima às vezes acha complexa. Contudo, ele concorda com a colega Marcia Abreu quando diz que eles “simplesmente se divertem”.

Para ver mais memes geniais, clique aqui.

17884617_452977961711627_2803257162373802765_n

17904004_453994911609932_1678779217508205508_n

18058142_462687090740714_8761880975059391482_n

18341880_469073850102038_4438413980713209698_n

18767708_481249728884450_6170681342176179098_n

19905031_502635120079244_5910390269994016748_n

20155591_508868739455882_2039635114428394316_n

20156063_509461476063275_1738235999599573797_n

20914710_523886857954070_386027148742591355_n

21034352_525697227773033_7445212341212226192_n

21106615_526078674401555_8171400914262114318_n

21462409_533205623688860_5213887041412670638_n

Por que o Brasil nunca ganhou o Nobel de Literatura? Mas ele merecia um?

1
Quadro de Militão dos Santos.

Quadro de Militão dos Santos.

Rodrigo Casarin, no Página Cinco

Por que o Brasil nunca ganhou um Nobel? Essa pergunta sempre ressurge em outubro, quando a Academia Sueca anuncia os vencedores do ano nas seis categorias do prêmio: Física, Química, Medicina, Literatura, Ciências Econômicas e Paz. Bom, como ninguém sabe exatamente quais são os critérios adotados por aqueles que escolhem os premiados, posso especular os motivos pelos quais ninguém do país foi agraciado até aqui – focarei na Literatura, mas os pontos podem ser estendidos para as outras áreas nobelizáveis, creio.

A primeira questão é a nossa língua. Apesar de o português, língua nativa de mais de 250 milhões de pessoas, ser o sexto idioma mais falado do mundo, apenas 10,3 milhões dessa gente está em um país mais ou menos central no panorama global, em Portugal. E digo mais ou menos central porque está na Europa, mas longe de ter a mesma relevância de uma Alemanha, França ou Itália – consequentemente, a língua passa a ter impacto menor do que, respectivamente, o alemão, o francês ou o italiano.

É sabido que um autor finlandês, por exemplo, prefere ter seu livro traduzido para o alemão, francês ou italiano. Isso porque estar nessas línguas aumenta as chances dele ser visto como um escritor incontornável – basta ver Mario Vargas Llosa, Gabriel García Márquez, Gabriela Mistral e outros premiados latino-americanos que escrevem ou escreviam em espanhol, idioma também de relevância considerável. Claro que há premiados do Nobel que escreviam em línguas “menos badaladas”, como o egípcio Naguib Mahfouz (árabe) e, óbvio, José Saramago, o único a levar o galardão cunhando palavras em português, mas esses são exceções.

Junte a língua à posição global do Brasil e o problema aumenta. Se o português não é uma língua central, tampouco somos um país que chama grande atenção no globo – em que pese continuarmos entre as maiores economias da Terra, ninguém liga para o que acontece no pasto. Principalmente em termos culturais, ainda nos veem por aí como uma caricatura: samba, carnaval… Isso faz com que seja ainda mais difícil notarem nossas virtudes literárias, que obviamente existem.

Exemplos de brasileiros que poderiam ter levado o Nobel? Jorge Amado (talvez o que tenha chegado mais perto por conta do sucesso que ainda faz no exterior), Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos e Ariano Suassuna. Dentre os vivos (e, portanto, virtualmente na disputa), Lygia Fagundes Telles, cogitada há algum tempo, e o outrora recluso Raduan Nassar são opções consideráveis. Todos esses nomes são escritores melhores do que Svetlana Alexievich, por exemplo, a premiada em 2015. No entanto, vale lembrar que diversos gênios das letras jamais foram agraciados pela Academia Sueca, como Jorge Luis Borges, Liev Tolstói, Marcel Proust, Virginia Woolf e James Joyce.

O Brasil merece um Nobel de Literatura?

O prêmio é entregue a escritores, não a países – em que pese a língua e a nação ajudarem e evidenciar ou ocultar esses escritores. Apesar disso, quando alguém ganha o Nobel, automaticamente é dito que o prêmio foi para tal país. Sim, já disse que temos autores que mereceriam o galardão, mas agora mudo ligeiramente a pergunta: o Brasil é um país que merece o Nobel de Literatura?

Apesar de dados indicarem que mais da metade da nossa população tem o hábito de ler livros, o que vemos na prática não costuma corresponder aos números. Além disso, quase 50% desses que dizem ler costumam ter a “Bíblia” como leitura. A tiragem de livros literários no país – que gira em torno de 3000 exemplares ou menos – dá uma dimensão melhor de como o brasileiro se relaciona com tal arte. Não bastasse, o governo vem investindo cada vez menos na área e anunciou há pouco que não fará editais para a compra de obras literárias para escolas e bibliotecas em 2018. Dito isso, repito: o Brasil é um país que merece o Nobel de Literatura?

É algo que extrapola a premissa do prêmio em questão – que, recordo, teoricamente congratula o trabalho do indivíduo, não o que está ao seu redor -, mas me parece que somos um país mais preocupado em ter por ter um Nobel do que em conquistá-lo, do que em merecê-lo. Mesmo com esse cenário calamitoso, não há dúvidas de que nossos políticos se aproveitariam de um galardão desses para tentar vender a ideia de um país de leitores e altamente preocupado com as artes – o que, até pelos últimos medievalismos envolvendo museus, sabemos ser mentira. Olhando por esse aspecto, por ora é até melhor que o Nobel fique longe do Brasil.

Conheça os livros do vencedor do Nobel de literatura publicados no Brasil

0
Capa do livro “O gigante enterrado”, publicado no Brasil pela Companhia das Letras

Capa do livro “O gigante enterrado”, publicado no Brasil pela Companhia das Letras

O escritor nipo-britânico Kazuo Ishiguro foi anunciado, na manhã desta quinta-feira (5), no horário de Brasília, como o ganhador do prêmio Nobel de literatura deste ano. Kazuo Ishiguro também teve três obras adaptadas para o cinema

Publicado na Gazeta do Povo

Kazuo Ishiguro nasceu na cidade de Nagasaki, no Japão. Aos 5 anos, mudou-se com a família para a Inglaterra, tornando-se um escritor de língua inglesa. A revista “Time” o colocou em 32º lugar na sua lista de maiores escritores ingleses do pós-guerra. Time muito provavelmente terá de fazê-lo avançar algumas posições, agora que ele ganhou o Nobel de Literatura.

Ishiguro publicou no Brasil livros como “O Gigante Enterrado”, “Não me Abandone Jamais” e “Os Vestígios do Dia”, que já havia rendido ao autor o Man Booker Prize, outro dos grandes prêmios internacionais de literatura, em 1989.

O anúncio foi dado por Sara Danius, secretária permanente da Academia Sueca, instituição que concede o prêmio. Ela destacou que a obra de Ishiguro tem “grande força emocional” e “desvendou o abismo sob nossa sensação ilusório da conexão com o mundo”.
Confira os livros de Ishiguro publicados no país:

“Os Vestígios do Dia”

Um mordomo à moda antiga se ressente pela decadência da aristocracia britânica no entreguerras e pelo fato de ter um novo patrão que não dá a mínima para o emaranhado de rituais que orientam sua vida.

“Não me Abandone Jamais”

Triângulo amoroso se passa em um internato onde todos os “alunos” são clones, produzidos com a única finalidade de servir de peças de reposição (no caso, seus órgãos).

“O Gigante Enterrado”

Obra trata de um velho casal que viaja por uma paisagem traiçoeira e sem lei para tentar encontrar seu filho, enquanto tateiam a névoa do esquecimento que parece ter se abatido sobre a terra devido a uma maldição.

“Noturnos”

Nas cinco histórias há música e cair da noite a enquadrá-las cenograficamente. Mas o verdadeiro tema comum apenas se revela se o título for também tomado, metaforicamente, como alusão ao momento de esfriamento das esperanças de o talento naturalmente se ajustar ao sucesso, cujas condições se descobrem aleatórias, injustas e, por vezes, ridículas.

“Quando Éramos Órfãos”

Christopher Banks é um garoto que fica órfão aos nove anos de idade. Vinte anos depois, ele se torna um detetive e resolve rever Xangai, palco da guerra entre China e Japão, fazendo com que sua busca pelos pais seja confundida com a busca pela ordem no mundo.

“O Desconsolado”

O renomado pianista Ryder viaja para uma pequena cidade do leste europeu para um concerto. Lá, ele se envolve em uma briga entre o violoncelista Christoff e o maestro bêbado Brodsky, e em todos os lamentos dos moradores locais que desabafam frustrações e sonhos com o pianista.
Obras adaptadas para o cinema

Ishiguro escreveu roteiros – “A Profile of Arthur J. Mason”, “The Gourmet”, “The Saddest Music in the World” e “The White Countess”. O mais inglês dos cineastas americanos, James Ivory, adaptou justamente “A Condessa Branca” em 2005 e, mais de dez anos antes, “Vestígios do Dia”, em 1993.

Uma terceira adaptação para cinema foi “Never Let Me Go/Não Me Abandone Jamais”, por Mark Romanek, com Carey Mulligan e Andrew Garfield, em 2010. Ivory, um cineasta meticuloso, mas cuja mise-en-scène sempre foi um tanto débil, talvez sonhasse em ser Luchino Visconti. Só uma vez ele chegou perto, e foi justamente com “Vestígios do Dia”.

Anthony Hopkins faz o mordomo de uma mansão tradicional. Passa a vida servindo a um aristocrata decadente, que flerta com os radicalismos de direita. Em sua submissão – nasceu para servir -, Hopkins desperdiça o afeto de Emma Thompson, que vai trabalhar na casa. É um filme feito com sentido do detalhe, muito bem interpretado. É duro, sobre essas vidas desperdiçadas. O próprio Ivory disse que bastou-lhe seguir o fluxo de Ishiguro. É seu melhor filme.

Irmãos distribuem livros em escolas e comunidades pobres do país

0
“É gratificante poder dividir a minha paixão pela leitura.” Maria Caltabiano, ao lado do irmão Mateus (Leo Martins/Veja SP)

“É gratificante poder dividir a minha paixão pela leitura.” Maria Caltabiano, ao lado do irmão Mateus (Leo Martins/Veja SP)

Maria e Mateus Foz Caltabiano criaram a lêComigo, que já doou 18 000 títulos infanto-juvenis

Sara Ferrari, na Veja SP

Quando eram crianças, o estudante de engenharia Mateus Foz Caltabiano, de 19 anos, e sua irmã, Maria, 17, costumavam doar roupas e brinquedos a pessoas carentes, incentivados pelos pais. Em 2013, tiveram uma ideia diferente: arrecadar livros com amigos e conhecidos. A ação foi um sucesso. “Conseguimos 5 000 exemplares, que abarrotaram uma sala inteira de nossa casa”, conta o garoto.

Para fazer a distribuição, os dois embarcaram, com a família, para o Maranhão. “Elegemos esse destino porque é o estado com um dos menores índices de desenvolvimento humano do país”, explica o rapaz. Eles pagaram a viagem com recursos próprios. Foram 37 dias de expedição, passando por comunidades quilombolas, aldeias indígenas e regiões ribeirinhas.

Encantados com a experiência, os irmãos decidiram criar, em 2014, a lêComigo, organização sem fins lucrativos que fornece livros a bairros pobres e escolas públicas pelo Brasil. Boa parte das obras é arrecadada em eventos promovidos pela Organização da Sociedade Civil (OSC).

“É gratificante poder dividir a minha paixão pela leitura”, diz Maria Caltabiano, ao lado do irmão, Mateus (Leo Martins/Veja SP)

“É gratificante poder dividir a minha paixão pela leitura”, diz Maria Caltabiano, ao lado do irmão, Mateus (Leo Martins/Veja SP)

Em quase três anos de trabalho, foram distribuídos 18 000 títulos infanto-juvenis em estados como Amazonas e Tocantins. Cada local recebe um kit com cerca de 170 exemplares. A dupla faz a entrega pessoalmente, em geral durante as férias escolares, e paga do próprio bolso as despesas, incluindo transporte e estada. O valor pode chegar a 3 000 reais para cada um, dependendo da cidade escolhida.

“Nossa biblioteca era muito pobre”, conta Sheila Ferraz, 37, supervisora pedagógica de uma escola de Jacinto, em Minas Gerais. “Quando os alunos receberam o presente, foi uma festa.” Em São Paulo, dezenas de instituições estaduais de ensino, em bairros como penha, na Zona leste, e Capão Redondo, na Zona sul, já foram contempladas.

Agora, os jovens planejam obter patrocinadores para ampliar o número de pessoas atendidas. “Sempre fui apaixonada pela leitura, e é gratificante poder dividir isso com quem tem menos recursos”, afirma Maria. “Essa trajetória me deixou muito mais comprometido com o meu país”, completa Mateus.

Go to Top