Ansiedade 3 - Ciúme

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Quer ser um líder melhor? Leia ficção científica

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Ficção científica (Pinkypills/Thinkstock)

Ficção científica (Pinkypills/Thinkstock)

 

Cada vez mais escritores de sci-fi são contratados como consultores por empresas como Apple e Google, e até pelo governo norte-americano. Entenda por quê

Claudia Gasparini, na Exame

São Paulo — Na hora de tomar uma decisão, qual é o melhor material de consulta para um líder: um estudo recheado com gráficos e estatísticas sobre seu setor de atuação, ou um instigante livro de ficção científica?

É claro que os relatórios são indispensáveis, mas a arma secreta do gestor pode estar na segunda alternativa. Sim, isso mesmo: em meio às páginas de uma história inventada sobre o futuro, frequentemente estão escondidas sementes de inovação perfeitamente aplicáveis ao presente.

Em artigo para o site da Harvard Business Review, Eliot Peper, autor de livros de sci-fi e conselheiro de investidores e empreendedores do setor digital, diz que a ficção frequentemente inspira os pioneiros no mundo da tecnologia.

O livro “The Diamond Age”, por exemplo, escrito pelo autor de ficção científica Neal Stephenson, inspirou o fundador da Amazon, Jeff Bezos, a criar o e-reader Kindle.

Assinada pelo mesmo escritor, “Snow Crash” (ou “Nevasca”, na versão publicada em português pela Editora Aleph) influenciou as ideias de Sergey Brin, um dos fundadores do Google, sobre as possibilidades da realidade virtual.

Até os famosos “comunicadores” da clássica série “Star Trek”, produzida entre 1966 e 1969, influenciaram a invenção dos celulares.

“Embora seja associada com naves espaciais e alienígenas, a ficção científica oferece muito mais do que escapismo”, escreve Peper. “Ao apresentar realidades alternativas plausíveis, as histórias (…) revelam como o status quo é frágil, e como o futuro pode ser maleável”.

Ter essa consciência é essencial para exercer uma liderança criativa, ágil e arrojada — tanto no mundo da tecnologia quanto em qualquer outra área de atuação.

Estrume e máquinas voadoras

Um fato marcante da história de de Nova York demonstra claramente o papel da fantasia para a solução de problemas reais. No fim do século 19, a metrópole estava na iminência de uma catástrofe sanitária causada pelo principal meio de transporte da época: os cavalos.

Havia entre 100 mil e 200 mil equinos em trânsito constante pela cidade, levando pessoas e produtos para lá e para cá, e deixando no meio do caminho nada menos do que 45 mil toneladas de estrume por mês.

O excremento dos animais se acumulava de tal forma pelas ruas que, em 1898, as autoridades de Manhattan chamaram com urgência especialistas do mundo inteiro para trazer ideias de como solucionar a crise.

A convocação foi em vão, porque nenhum dos experts em urbanismo imaginou um meio de transporte independente da força dos cavalos — os carros só invadiriam Nova York na década de 1910.

“Se os urbanistas do século 19 pudessem ter tido acesso a big data, técnicas de machine learning e outras teorias modernas de gestão, essas ferramentas não os teriam ajudado”, diz Peper. “Elas só teriam confirmado as preocupações que eles já tinham”.

Talvez a história tivesse sido diferente se algum deles tivesse lido histórias “fantasiosas” sobre meios de transporte autônomos — mesmo que as narrativas descrevessem máquinas voadoras que nada tivessem a ver com o protótipo do primeiro carro fabricado na história.

Sem bola de cristal

A história sobre a crise do estrume em Nova York não quer dizer que a ficção científica ajude a fazer previsões. Ao contrário: ela é útil para os líderes não por revelar o futuro, mas por jogar luzes inéditas sobre o presente.

O clássico “1984”, de George Orwell, por exemplo, não tem nada de premonitório. Para Peper, a famosa distopia não previa os problemas de 2017, embora tenha voltado à lista dos best-sellers este ano. O livro era mesmo sobre 1948, o ano em que foi concluído: Orwell projetava ficcionalmente os resultados do que efetivamente estava acontecendo após a Segunda Guerra Mundial.

É pelo poder de sondar os meandros do presente de forma criativa — e não de entreter o leitor com fantasias mirabolantes sobre o futuro — que muitos escritores de ficção científica prestam consultoria a empresas como Google, Microsoft e Apple e até para o governo dos Estados Unidos.

“Explorar futuros fictícios liberta o nosso raciocínio de falsos limites e nos desafia a pensar se estamos mesmo fazendo as perguntas certas”, resume Peper. “Isso nos força a reconhecer que às vezes a imaginação é mais importante do que a análise”.

Homenagem na Flip faz editoras investirem em relançamentos de obras de Lima Barreto

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Prateleiras com livros de Lima Barreto, e sobre ele, na Livraria da Travessa de Paraty - Mônica Imbuzeiro

Prateleiras com livros de Lima Barreto, e sobre ele, na Livraria da Travessa de Paraty – Mônica Imbuzeiro

 

Romances em folhetim, crônicas e biografias compõem ampla oferta de títulos

Leonardo Cazes, em O Globo

PARATY — Na Livraria da Travessa montada especialmente para a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), as obras de Lima Barreto se multiplicam, num reconhecimento que o autor nunca teve em vida. A razão para a profusão de publicações é simples: toda a obra do autor entrou em domínio público em 2002, 80 anos após a sua morte, de acordo com a legislação brasileira. Em 15 edições da Flip, esta é apenas a segunda em que um autor em domínio público é homenageado. Antes de Lima, só Machado de Assis, reverenciado em Paraty em 2008, podia ser publicado livremente.

Na corrida para aproveitar o burburinho gerado pela festa em torno da obra do escritor, cada editora apostou numa leitura diferente de sua obra. A Carambaia, casa paulista que há dois anos vem se destacando por publicar edições caprichadas de obras em domínio público, decidiu investir na reedição de dois romances menos lembrados de Lima: “Os bruzundangas” e “Numa e a ninfa”.

Ambos foram publicados originalmente como folhetins, em jornais da época. Suas edições originais eram muito simples e basicamente aproveitavam as chapas montadas para imprimir os textos no jornal. A editora Graziella Beting, da Carambaia, explica que os jornais foram a inspiração do projeto gráfico concebido pelo designer Fernando Vilela, que fala hoje na Casa do Papel, (Av. Otávio Gama 142) às 13h30m.

— O Fernando enlouqueceu com essa história de ter saído no jornal e foi à Biblioteca Nacional ver os originais onde foram publicados — conta ela.

Graziella explica que o fato de a obra ser de domínio público não torna a edição mais fácil. A própria fixação do texto é difícil, já que os jornais do início do século XX vinham com muitos erros, as chamadas “gralhas”. Na Biblioteca Nacional, onde está depositado o arquivo de Lima Barreto, ficam os originais anotados dos dois romances. Mas mesmo isso provoca discussões. A solução encontrada foi recorrer a uma especialista, a crítica Beatriz Resende, que assina a organização e posfácio.

— O processo de edição é também uma forma de interpretação da obra — diz Graziella. — Agora, esses textos estão sendo editados como clássicos.

Já a Autêntica preparou a edição de uma seleção de crônicas de Lima Barreto sobre o Rio de Janeiro, também organizada por Beatriz Resende, “Lima Barreto — Cronista do Rio”. A editora Maria Amélia Mello conta que a casa já preparava a reedição da biografia “A vida de Lima Barreto”, de Francisco de Assis Barbosa, e queria fazer algo especial para a Flip. A proposta do livro surgiu a partir da própria Beatriz.

— Já tínhamos reeditado o “Lima Barreto e o Rio de Janeiro em fragmentos” e estávamos pensando em algo para a Flip. Ganhamos um edital da Biblioteca Nacional e fizemos essa parceria para publicar fotografias históricas da cidade que estão no acervo da instituição — conta Maria Amélia.

Já a Global Editora aproveitou a homenagem a Lima na Flip para colocar na rua “Lima Barreto para jovens”, uma seleção de crônicas destinados a adolescentes. A série “para jovens” já publicou vários autores, como Marina Colasanti e Ignácio de Loyola Brandão. O editor Gustavo Henrique Tuna explica que, para selecionar os 29 textos, o critério foi buscar os que ainda soam atuais.

— Há crônicas sobre política e sobre as reformas urbanas que podem ser lidas hoje tranquilamente, mantêm uma atemporalidade. Por exemplo, quando o Lima fala das mudanças no Rio de Janeiro. A cidade passou por outra reforma urbana recentemente. O jovem pode se surpreender — afirma Tuna.

Já a Penguin-Companhia, que vem reeditando toda a obra do escritor há alguns anos, preparou para a Flip novas edições de “Numa e a ninfa” e “Impressões de leitura e outros textos críticos”, todas comentadas. Tem-se, assim, um múltiplo Lima nas livrarias: do cronista do Rio ao autor que ganha um tratamento editorial destinado aos clássicos de capa dura. As novas edições dos seus romances ganham prefácios, ensaios e comentários inéditos, gerando um movimento de renovação na recepção de sua obra. Mais de cinco décadas após Francisco de Assis Barbosa fazê-lo renascer com a edição de suas obras completas, as leituras de Lima vivem, em 2017, um recomeço.

Livro de Bill Clinton pode ser adaptado para o cinema por J.J. Abrams, Steven Spielberg ou George Clooney

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Breno Damasceno, no Cinema com Rapadura

O ex-presidente e um dos maiores nomes da política mundial, Bill Clinton, e o autor best-seller James Patterson estão se reunindo com produtores de Hollywood para debater a adaptação do livro “The President Is Missing” para os cinemas, de acordo com informações do site The Hollywood Reporter.

Fontes dizem que Clinton e Patterson se encontrarão pessoalmente com J.J. Abrams (“Star Wars: O Despertar da Força”), Steven Spielberg (“O Bom Gigante Amigo”) e George Clooney (“Caçadores de Obras-Primas”) na próxima semana para discutir o projeto. Supostamente uma proposta de 10 páginas já foi enviada aos compradores e principais produtoras.

O projeto seria a primeira adaptação de um livro de Clinton para o cinema. Ele já escreveu três livros desde que deixou o cargo de presidente, em janeiro de 2001. Já Patterson viu cinco de seus livros adaptados para a tela grande e foi produtor dos três mais recentes filmes.

Os detalhes do enredo são escassos, mas uma declaração anterior indicava que trama vai conter “detalhes privilegiados que apenas um presidente pode saber”.

Sem mais informações, Clinton e Patterson supostamente planejam lançar o filme em junho de 2018.

Por que a leitura faz um bem tão grande?

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Reprodução/Global Empregos

Reprodução/Global Empregos

Saiba mais sobre os benefícios que a leitura pode trazer para o seu dia a dia.

Kevin Andrade dos Santos, no 1News

leitura geralmente faz parte do dia a dia de qualquer ser humano. Pode ser de um livro, revista, gibi ou mesmo um simples outdoor; a leitura está presente no cotidiano. E, apesar de passar despercebida algumas vezes, ela pode trazer um bem enorme a sua mente, exercitando-a e prevenindo contra algumas doenças. Confira:

Ajuda a diminuir o estresse: a leitura pode ajudar a evitar o estresse, especialmente se for uma leitura prazerosa, algo que a pessoa goste de ler. Se a leitura for à noite, ela ainda pode ajudar pessoas com insônia. 
Enriquecimento pessoal: seu repertório cultural e conhecimento aumentam. Quanto maior for a quantidade de livros, mais enriquecimento se tem. Além disso, a leitura também ajuda a se ter uma ortografia melhor, visto que, ao ler, várias palavras são aprendidas.

Memorização: pode ajudar a memorizar melhor as informações, já que o leitor precisará estimular a memória e lembrar-se do que leu anteriormente (principalmente se for um livro grande).

Concentração: com a concentração, há a oportunidade de treinar a mente e exercitá-la, principalmente em locais com muito barulho.

É uma ótima terapia: há pessoas que, quando leem, sentem-se mais relaxadas e seguras. Ou seja, é uma ótima forma de “fugir da realidade” e se sentir mais livre.

Previne doenças: ler previne Alzheimer e Demência, pois, assim como citado anteriormente, a leitura exercita o cérebro, mantendo-o ativo.

O Portal 1News Brasil visa trazer conteúdo autêntico e informativo aos seus leitores, mas não é responsável pelos artigos publicados por seus colunistas. Estes são de inteira responsabilidade do colunista que o fez, incluindo opiniões íntegras ou parciais a respeito dos assuntos abordados.

Genocídio em Ruanda transformou Scholastique Mukasonga em escritora

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Scholastique Mukasonga e Noemi Jaffe na Flip, nesta quinta, 27 Foto: Walter Craveiro/Divulgação

Scholastique Mukasonga e Noemi Jaffe na Flip, nesta quinta, 27 Foto: Walter Craveiro/Divulgação

Autora está em Paraty para lançar dois de seus livros; ela também dividiu uma mesa da programação principal com Noemi Jaffy, cuja mãe sobreviveu a Auschwitz

Guilherme Sobota, no Estadão

PARATY – Scholastique Mukasonga – nascida em 1956 em Ruanda e hoje escritora francófona respeitada mundo afora – passou à força pela provação de ver 27 membros de sua família mortos no genocídio naquele país em 1994. Centenas de milhares de tutsi, sua etnia, foram dizimados pelo exército de maioria Hutu, numa guerra civil que ainda desabrigou outros dois milhões de pessoas. Esse trauma, e a necessidade de salvar a memória da família, Scholastique transformou em literatura, que ela apresentou nesta quinta-feira, 27, como convidada da 15.ª Flip.

A Editora Nós publica dois de seus livros por aqui: Nossa Senhora do Nilo e A Mulher dos Pés Descalços, este muito marcado pela história real de sua mãe.

Scholastique dividiu uma mesa da programação principal com Noemi Jaffe, cuja mãe foi sobrevivente de Auschwitz. “São casos completamente diferentes. Scholastique escreve a guerra, eu escrevo sobre a guerra. As missões são distintas. Além de eu saber que tenho uma mãe que passou por aquilo, tenho uma culpa sem sentido de eu mesmo não ter passado. Minha mãe preferiu esquecer para sobreviver. Eu, como escritora, preciso lembrar o que ela precisa esquecer”, disse Noemi no debate no fim da noite de quinta-feira. Noemi é autora e organizadora de O Que os Cegos Estão Sonhando? (Editora 34), inspirado nos diários de sua mãe.

“Escolhi abordar esse assunto tão duro porque na verdade ‘mãe’ significa força, mas também amor, afeição, ternura e doçura”, comentou Scholastique, mais cedo, numa entrevista coletiva. “Tive grande dificuldade, me senti como se lanças atravessassem o meu corpo enquanto escrevia, mas A Mulher… é o livro ao qual eu me sinto mais vinculada como autora”, comentou a escritora, que já publicou cinco outras obras na França, onde vive desde 1992.

Antes disso, ainda nos anos 1960, ela e a família foram forçados a viver numa área subdesenvolvida de Ruanda. Mukasonga depois fugiu para o Burundi e se estabeleceu na França em 1992, dois anos antes do massacre. O sofrimento pós-1994 só começou a cicatrizar doze anos depois, quando a Gallimard publicou seu primeiro livro, Inyenzi ou les Cafards (Inyenzi ou as Baratas), relato autobiográfico que faz alusão à maneira como seu povo era tratado.

Apesar de toda dor, Scholastique dá valor à responsabilidade de contar essas histórias a partir de um país sem tradição escrita. “Em tudo isso existe algo de muito positivo, porque eu convivi com a minha família e tive tempo de guardar os costumes. O fato de poder me lembrar dessas coisas e hoje ser considerada uma guardiã dessa tradição”, comentou na Flip.

Os livros também foram bem recebidos em Ruanda, segundo a autora. “A impressão que eu ainda tenho, quando vou para lá, é a de encontrar minha verdadeira identidade”, afirmou. “Eles me dizem que estavam esperando essas histórias. Agora, cada vez que vou, tenho até que me esconder porque as pessoas começam a cobrar pelo próximo livro”, disse, bem humorada.

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