Sua Segunda Vida Começa Quando Você Descobre Que Só Tem Uma

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Alta literatura vs. literatura de entretenimento

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Foto feita em Amsterdã por Struan Teague; o trabalho dele pode ser visto em struanteague.com

Raquel Cozer, em A Biblioteca de Raquel

Estava conversando por email esses dias com o Felipe Pena, organizador do “Geração Subzero – 20 Autores Congelados pela Crítica e Adorados pelos Leitores”, e comentei que felizes são os escritores que independem de resenhas para ter o trabalho conhecido –caso, entre os autores que ele selecionou, de Thalita Rebouças, com mais de um milhão de exemplares vendidos; André Vianco, que já passou dos 700 mil; Eduardo Spohr e Raphael Draccon.

Os números de vendas desses quatro são muito mais expressivos que os de quaisquer autores brasileiros, jovens, velhos, vivos ou mortos, cujos livros os jornais costumam repassar a críticos para avaliação. Por via das dúvidas, “O Globo” deste final de semana aceitou a provocação e publicou texto de João Cezar de Castro Rocha sobre o “Geração Subzero”.

Pouco depois daquela conversa com Pena, que antecedeu o lançamento do livro, discussão similar veio à tona na mesa de Jonathan Franzen na Flip.

Franzen é um personagem raro no mercado, um best-seller aclamado pela crítica. Figura tanto na capa do austero “New York Times Review of Books” quanto em discussões do clube de leitura de Oprah Winfrey. Acostumado com o gigantesco mercado americano, ficou assustado ao saber que seu “Liberdade” vendeu “só” 20 mil exemplares no Brasil –sem ter noção de que o número equivale a sete vezes a tiragem inicial média de uma obra literária por aqui.

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Em Paraty, ele comentou: “Estranhamente, [embora venda muito], sinto que culturalmente estou do outro lado. Estou do lado dos que não vendem nada”. O subtexto, levando em conta o tom pouco elogioso que dedicara pouco antes a John Grisham e Stephen King, seria: os maiores vendedores de livros hoje em geral não têm valor literário. Mas ele foi além.

“A literatura está de fato com problemas”, ele disse. “Por dois séculos, o romance foi a forma de arte dominante. Gente como Faulkner, Conrad, podia contar com muitos leitores. Mas hoje o romance não é mais uma forma dominante na cultura. Então, mais do que nunca, é preciso lembrar que ele surgiu como uma forma de entretenimento.”

Aqui ele fez a ressalva de que a palavra entretenimento tem conotação mais negativa em outros idiomas do que em inglês. “Não digo que a meta seja escrever como James Patterson. Mas vivemos num mundo cheio de distrações, então precisamos pensar em como reter a atenção das pessoas. Isso podemos fazer com uma narrativa que atraia. A função do romance sério é usar essa capacidade de suspender as pessoas e ao mesmo tempo ser pertinente.”

Ao mesmo tempo em que admite a mágoa por “não existirem departamento inteiros de estudos sobre Franzen”, ele não quer que a preocupação com a escrita seja central ao ponto de se tornar um empecilho. “Não quero que ninguém pare para pensar na linguagem. Que ninguém diga: ‘Isso é uma metáfora, isso é uma frase formulada com tal objetivo’.”

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(mais…)

Artistas brasileiros criam labirinto de livros

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Publicado originalmente na Revista Galileu

Que tal se perder em um labirinto de livros? Os artistas Marcos Saboya e Gualter Pupo usaram 250 mil volumes para criar este labirinto em Londres. Batizado de aMAZEme (trocadilho com “amaze” – surpreender – e “maze” – labirinto), ele foi construído com a ajuda de voluntários. A instalação faz parte do Festival de Londres, que acontece durante as Olimpíadas. Confira as fotos:

 

Fenômeno na web, fantoche Marcelinho lê trecho do best-seller erótico “Cinquenta Tons de Cinza”

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Capa de "50 Tons de Cinza", de E. L. James

Capa de “50 Tons de Cinza”, de E. L. James

Mariana Tramontina, na UOL

Sucesso absoluto nas prateleiras da “literatura adulta”, “Cinquenta Tons de Cinza” tem colecionado amores e ódios, tanto pelos detalhados relatos de sexo quanto por seus clichês. O primeiro volume da apimentada trilogia sobre a relação entre a recatada estudante Anastasia Steele e o jovem bilionário Christian Grey é um fenômeno de vendas: foram mais de 100 mil unidades em apenas uma semana.

Para entender o sucesso dos livros, o primeiro deles lançado neste mês no Brasil com tiragem de 200 mil exemplares, o UOL convidou outro atual fenômeno do “universo sensual” para ler –e interpretar– um trecho da obra: Marcelinho, o fantoche que lê contos eróticos na internet. Sucesso na web desde o final de fevereiro, quando veio ao mundo, os vídeos de Marcelinho já registram mais de 15 milhões de visualizações.

Dublado por Erik Gustavo, criador do fantoche e integrante da produtora Alta Cúpula, Marcelinho e sua voz infantil –afinal, ele tem só 12 anos no mundo dos bonecos–, debocham dos contos, desde os enredos até os erros de português ao longo dos textos. E toda narrativa vem direto da internet, nada é escrito por Erik. Nem por Marcelinho. Assim, nada mais justo do que deixar o fantoche penetrar no mundo de fantasias de “Cinquenta Tons de Cinza”.

MARCELINHO LENDO CONTOS ERÓTICOS EM: “CINQUENTA TONS DE CINZA”

Bienal do Livro de São Paulo traz seleção eclética e reformas na infraestrutura

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A escritora Cecily von Ziegesar, que criou o livro da série "Gossip Girl"

A escritora Cecily von Ziegesar, que criou o livro da série “Gossip Girl”
Alexandre Campbell/Folhapress

Publicado originalmente na Folha de S. Paulo

A CBL (Câmara Brasileira do Livro) anunciou na manhã desta terça-feira (31) a programação da 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

A feira acontece entre os dias 9 e 19 de agosto no Pavilhão de Exposições do Anhembi.

Como nas edições anteriores da Bienal, a programação prima pelo ecletismo. Há desde fenômenos da cultura pop a romancistas e acadêmicos consagrados pela crítica.

Entre os convidados internacionais confirmados estão a americana Cecily von Ziegesar, autora da série “Gossip Girl”, o filósofo italiano Mauro Maldonato, o antropólogo francês Bruno Latour e o autor chileno Alejandro Zambra, destaque da última Flip.

Já a lista brasileira traz Cristovão Tezza, Milton Hatoum, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os campeões de venda Thalita Rebouças e André Vianco.

A programação da Bienal também vai prestar homenagens a Jorge Amado e Nelson Rodrigues, que completariam cem anos neste mês, e à Semana de Arte Moderna de 22.

A 22ª edição tem como tema “Livros Transformam o Mundo, Livros Transformam Pessoas”. A curadoria é de Antonio Carlos de Moraes Sartini, diretor do Museu da Língua Portuguesa, e dos jornalistas Paulo Markun e Zeca Camargo.

Markun também comanda o Salão de ideias, principal espaço de debate do evento. Já Camargo fica à frente da programação voltada ao público jovem.

A programação completa será divulgada em breve no site da Bienal.

REFORMAS

Karine Pansa, presidente da CBL, anunciou que o investimento total na feira é de R$ 32 milhões, contra R$ 30 milhões na última edição, em 2010.

A estimativa é que 1.100 selos editorias participem da Bienal e que o número de visitantes chegue a 800 mil.

A CBL também anunciou mudanças no espaço físico e no serviço de transporte da feira em relação a 2010.

A área da bilheteria e a praça de alimentação serão duplicadas. Já os ônibus que levam gratuitamente o público para o Anhembi partirão, além da estação de metrô Portuguesa-Tietê, também da estação Barra Funda neste ano.

Em 2010, a organização reconheceu como falhos os serviços de alimentação, transporte e acesso ao pavilhão da Bienal.

Sites e livros infantis ensinam de biologia molecular a código de HTML

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Editora Globo
Giovanna Montemurro, na Revista Galileu

Nada de conto de fadas ou álbum de figurinhas. O mercado editorial para bebês e crianças pequenas está recheado de volumes de ciência e tecnologia. Um dos mais recentes é o Coloring Book for Very Young Scientists (Livro de Colorir Para Cientistas Muito Jovens, ainda não publicado no Brasil). Nele, a artista americana Tiffany Ard, mãe de um menino de 6 e outro de 8 anos, ensina às crianças o básico da biologia molecular por meio de figuras que vão de mitocôndrias a indicadores de pH para colorir. A publicação também vem com um jogo em que se deve ajudar a personagem Lucy a conseguir seu Ph.D. “O livro é feito mais para entreter pais nerds. Se as crianças aprenderem algo, será um excelente bônus.”

Com seu Ensine Ciência a Seu Filho, lançado no ano passado no Brasil, o escritor e historiador de ciência americano Michael Shemer já havia falado na ideia de tornar temas como química, física e astronomia divertidos para os pequenos, e também para os pais. São eles, em geral geeks, que querem estimular os filhos dentro dessa cultura, que também inclui gadgets e tecnologia. “Muitos dos novos pais querem incorporar na vida do bebê ícones de sua época. E a geração dos anos 80, que cresceu com os símbolos geeks, está tendo filhos agora”, afirma a jornalista Gisela Blanco, 28 anos, autora do blog maegeek.com.

Incluir programação de web e mitocôndrias na vida das crianças seria uma forma de tornar esses temas parte de sua educação fundamental. Válido ou não, há muita gente apostando nisso. Conheça ao lado outros sites e livros para geeks mirins.

FILHO DE NERD, NERD É | Confira as melhores páginas de internet e publicações de ciência e tecnologia para pequenos
ThinkGeek.com
O site, que existe desde 1999 e se consolida como o maior na venda de produtos nerds, criou uma seção apenas para crianças. Lápodem ser encontrados livros e brinquedos recém-lançados para os pequenos geeks.

GeekDad.com
Ken Denmead, autor de O Curioso Livro dos Geeks, dá dicas para pais interessados em ensinar ciência e tecnologia a seus filhos. “As crianças não sabem o que existe no mundo. Então, esses tópicos são tão atraentes como qualquer outro”, diz. Para os bebês, é tudo novidade.

Mylittlegeek.com
O livro homônimo (vendido no endereço acima) ajuda pais nerds a alfabetizar seus filhos. No ABC, o “A” não é de amor, mas de Android. O “Z” não é de zebra, mas de zumbi. Além aprender o abecedário as crianças podem treinar suas habilidades para o Guitar Hero jogando uma versão baby do game.

HTML e CSS for babies
No codebabies.com, é possível adquirir dois livros que ensinam linguagem de programação para quem não sabe nem falar ainda. O HTML For Babies (HTML Para Bebês) e CSS for Babies (CSS Para Bebês), ainda não publicados no Brasil, são uma introdução ao web design e contêm mensagens positivas, como “lar, doce lar”, escritas em fontes coloridas.

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