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‘Não escrever nunca foi uma opção’, conta Eduardo Spohr à PublishNews TV
0PublishNews TV entrevista o autor de A Batalha do Apocalipse
Publicado por PublishNews
Já está no ar, no canal do site www.publishnews.com.br/tv, mais uma entrevista da PublishNews TV. Desta vez o entrevistado é o craque Eduardo Spohr, autor do fenômeno editorial A Batalha do Apocalipse, lançado em 2007, e que lança agora seu novo livro Anjos da Morte (Verus).
Nessa entrevista, Spohr fala sobre as metáforas dos personagens, o processo da escrita e a pesquisa, inclusive in loco, por trás de seus livros. “A primeira escala é a pesquisa na internet, depois você precisa ler livros inteiros e por último procurar estar nos lugares e viajar”, conta Spohr.
Mas nem só de rigor vivem seus livros: “O romance precisa ter um cuidado histórico, mas ele não só pode como deve tomar certas liberdades artísticas”, conta o ex-jornalista, cujos títulos saíram do nicho dos leitores nerds e atingiram o grande público com grande sucesso. Até leitoras da Avon viraram fãs e, conta Spohr, lhe escrevem pedindo cenas mais “calientes”.
Curiosidades do Jornal de Letras, 1949-1951
0Roberta Fraga, no Livros e Afins
O Jornal de Letras foi uma publicação que teve edições de 1949 a 1993, sob e edição de José Condé e seus irmãos João Condé e Elysio Condé. Era um panomara da arte no cenário do Rio de Janeiro e também nacional. Lá, caso algum de vocês tenham o privilégio de ver algum dia in loco um exemplar do periódico, poderão ver o cotidiano da vida artística de grandes vultos das artes e da literatura. Era também um pouco de revista de fofoca dos artistas, mostrando cenas do dia-a-dia da cidade, rotina de lanches na Academia Brasileira de Letras, opiniões, picuinhas artísticas, publicidade relacionada. Aliás, a publicidade é uma diversão à parte.
Como eu tive o privilégio de trabalhar pesquisando uma encadernação das edições do ano de 1949 a 1951, vou mostrar umas degustações interessantes. São fotos feitas com celular e sem iluminação adequada, portanto, contentem-se e não chiliquem muito pela qualidade das imagens.
Lendo o conteúdo delas, vocês terão uma boa ideia de quão divertidas são as matérias, se bem que, algumas com altíssimo conteúdo político e ativista, naturalmente para uma publicação desse tipo.
Vejamos…
Abaixo, registro de uma cena do cotidiano com uma figura bem ilustre
Publicidade mostrando desde sempre o quão importante as bibliotecas são
Reconhecem este senhor simpático? Pois é, Cândido Portinari em Veneza
Ranking dos escritores
Novo livro reúne os mais de 600 poemas escritos por Paulo Leminski
0Cassiano Elek Machado, na Folha de S.Paulo
A Besta dos Pinheirais, Boia-Fria do Texto, Bandido que Sabia Latim ou Polaco Loco Paca, tradutor de Joyce, Petrônio e Mishima, faixa preta de judô, professor de cursinho, compositor parceiro de Caetano Veloso, Moraes Moreira e Itamar Assumpção, biógrafo de Trótski e de Jesus, roteirista de quadrinhos, ensaísta, jornalista, publicitário, contista, autor de infantojuvenis, romancista, o acima de tudo poeta Paulo Leminski, mestiço de negra e polonês, nascido na capital do Paraná sob os signos de Virgem e Macaco, escreveu para si o seguinte epitáfio:
“Aqui jaz um grande poeta.
Nada deixou escrito.
Este silêncio, acredito,
são suas obras completas”.
Leminski (1944-1989) viveu pouco, 44 anos, mas o silêncio está longe de ser a maior de suas marcas.
Prova disso é um catatau laranja fosforescente de mais de 400 páginas que, com um desenho de seu característico abastado bigode na capa, chega às livrarias com o final deste fevereiro.
“Toda Poesia” reúne mais de 630 poemas do escritor, dos primeiros publicados, em edição artesanal, como “Quarenta Clics em Curitiba” (1976), aos póstumos de “Winterverno” (2001).
Fosse isso era muito, mas é quase. Com o livro, que rompe um comprido, aí sim, silêncio, já que os principais livros de poemas de Leminski estavam esgotados há décadas, também voltam textos importantes sobre o poeta.
Estão no volume ensaios de Caetano Veloso, comentando “Caprichos & Relaxos”, de 1983 (“Este livro de poemas é uma maravilha”), de Haroldo de Campos, de Wilson Bueno e o precioso “ensaio bonsai” de Leyla Perrone-Moisés “Leminski, o Samurai Malandro” (de 2000).
“Olhe nos olhos dos poemas de Paulo Leminski e você verá que ele está por dentro, no centro. Tudo o que não interessa cai fora, sem demora”, escreve Perrone-Moisés.
Alice Ruiz S, poeta, viúva do poeta e sua musa, assina o texto de apresentação do volume, lembrando com linguagem singela e emocionada a trajetória leminskiana.
Na breve introdução, não deixa de contar as dificuldades dele para começar a publicar e como o poeta encontrou na editora Brasiliense e em um de seus editores, Luiz Schwarcz, a primeira chance de edições nacionais.
Há 30 anos, Leminski publicou, com ele, “Caprichos & Relaxos”, um best-seller, guardadas as proporções das vendas de poesia.
Coube ao mesmo Luiz Schwarcz trazer Leminski de volta. É por sua Companhia das Letras que sai a lírica completa do poeta.
VULCÃO
“Vulcão” é como o editor se lembra do escritor, com quem conviveu nos tempos de Brasiliense. “Ele nos ligava todos os dias e de vez em quando vinha a São Paulo e aparecia na editora com seus tamancos de madeira. Estava o tempo todo criando, como um Picasso que faz esculturas com palitos enquanto almoça”, diz Schwarcz.
Além dos caudalosos 630 poemas publicados, Leminski teve uma produção difícil de encaixar em 44 anos de vida. Atividades muitas à parte, escreveu, além dos
19 livros de poemas, outros de prosa, incluindo o marco do romance experimental “Catatau” (1975), publicou nove traduções, dois livros para crianças, quatro breves biografias.
E assinou quantidade não calculada de letras de música (e algumas melodias).
O lado musical dele, que vem sendo cartografado por uma de suas filhas, Estrela, não entra em “Toda Poesia”, mas no volume há um texto inédito de José Miguel Wisnik (que já musicou poemas do autor) sobre seu cancioneiro.
O próprio Wisnik deverá fazer uma aula-espetáculo na Casa das Rosas, em São Paulo, em meados de março, para comemorar o lançamento de “Toda Poesia”.
Por “Toda Poesia”, vale esclarecer, entende-se aquela que foi publicada. Não há inéditos, embora 11 poemas (alguns reproduzidos nesta página) tenham saído só em edições caseiras no Paraná.
É, na visão de Alice Ruiz S, o extrato máximo do poeta: “A visão total do que foi a poesia para Leminski e do que é Leminski para a poesia”.
*
QUASE INÉDITOS
Poemas pouco conhecidos, incluídos na antologia:
tão
alta
a
torre
até
seu
tombo
virou
lenda
*
vão é tudo
que não for prazer
repartido prazer
entre parceiros
vãs
todas as coisas que vão
*
eu vi o sol ao quadrado
o sol de olho saltado
multiplicado pelo sol
*
no campo
em casa
no palácio
está nas últimas
a última flor do lácio
cretino
beócio
palhaço
dê o último adeus
à última flor do lácio
a fogo
a laço
ninguém segura
a queda da última flor do lácio
Poemas de Paulo Leminski que compõem o livro “Toda Poesia” (Companhia das Letras)





























