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Indie Book Day: Ação mundial incentiva produção e consumo de livros independentes

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Evento visa valorizar autores independentes em todo o mundo. Foto: Twitter/Reprodução

Evento visa valorizar autores independentes em todo o mundo. Foto: Twitter/Reprodução

 

Esta é a primeira vez que o Brasil participa do evento mundial

Publicado no Diário de Pernambuco

O Brasil participa pela primeira vez neste sábado (18) do Indie Book Day, uma iniciativa mundial para incentivar a produção e circulação de livros independentes. Mais de 30 livrarias estão na promoção e elas foram convidadas a expor, neste dia, obras com mais destaque. A proposta é que leitores visitem os locais de venda, comprem esses livros e compartilhem mensagens com a hashtag #IndieBookDay nas redes sociais.

O primeiro Indie Book Day foi há 5 anos em Hamburgo, na Alemanha, encabeçada pela editora Mairisch. Entre 2014 e 2016, outros países – Reino Unido, Holanda, Itália e Portugal – aderiram ao convite de dedicar um dia à exaltação da publicação independente.

No Brasil, a ação foi trazida pelos editores Gustavo Faraon, da Dublinense, e João Varella, da Lote 42, depois que eles participaram da Feira do Livro de Frankfurt e conheceram os organizadores do Indie Book Day. No Recife, as obras independentes podem ser encontradas nas livrarias Cultura do Paço Alfândega e RioMar Shopping. A lista dos locais que participam da ação pode ser encontrada aqui.

Mercado
Varella destaca o bom momento do mercado editorial independente no país. “É difícil apontar uma explicação para isso, mas algumas pistas talvez venham dessa questão que os independentes exploram projetos gráficos. A nova onda de editores tende a explorar a materialidade do livro. Todo mundo está consumindo muito texto na tela, no computador, no tablet. Para justificar porque este texto merece ser impresso, o livro vai dar uma experiência que só o impresso faz”, disse.

O mercado editorial independente tem como característica o contato direto com o leitor por meio das feiras, sem intermediários. Mas Varella destaca que uma das propostas do Indie Book Day é também fazer um “chamado às livrarias para que elas apoiem essa movimentação”.

Ele explicou ainda que o setor não trabalha com grandes investidores e não tem capital vinculado a grandes multinacionais. Além disso, a produção “é mais experimental em termos de narrativa, de temáticas, em termos de formatos”, explicou o editor da Lote 42.

Varella critica a excessiva publicação de traduções no mercado editorial brasileiro. “Uma editora tradicional está muito vinculada à busca do best-seller, muita tradução”, apontou. Na avaliação do editor, perde-se uma rica produção literária brasileira pela necessidade de apostar “no que já é certo”. “Grandes editoras estão muito interessadas no que já foi testado e aprovado no mercado externo”, finalizou.

Editora abre microlivraria em banca no centro de São Paulo

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Thiago Blumenthal, Cecilia Arbolave e João Varella, da editora Lote 42, na banca na região central de SP (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

Thiago Blumenthal, Cecilia Arbolave e João Varella, da editora Lote 42, na banca na região central de SP (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

Regiane Teixeira, na Folha de S,Paulo

A partir de 1º de outubro, a rua Barão de Tatuí, em Santa Cecília, região central, contará com uma banca que venderá jornais, mas não revistas sobre moda, fofoca, economia ou saúde. A banca Patuí, instalada na altura do número 275 da via, terá suas prateleiras ocupadas pelos sete livros lançados pela editora Lote 42.

Além das obras da casa, como o “Manual de Sobrevivência dos Tímidos” (R$ 39,90), de Bruno Maron, e “Seu Azul” (R$ 42,90), de Gustavo Piqueira, a ideia é ter publicações de tiragem limitada, voltadas para arte, fotografia e ilustração, com preços entre R$ 30 e R$ 50.

Segundo João Varella, 29, sócio da Lote 42, as bancas de jornais hoje não são atrativas. “Elas perderam a magia vendendo cigarro, recarga de celular”, afirma. Ele e os sócios, Cecilia Arbolave, 28, e Thiago Blumenthal, 33, pretendem oferecer ainda internet sem fio a quem passa na rua, música ao vivo e um parklet (vagas de estacionamento transformadas em uma minipraça).

Apesar do risco do negócio, não é a primeira vez que a Lote 42 faz uma aposta inusitada no mercado editorial. No dia 8 de julho, quando o Brasil enfrentou a Alemanha na Copa, a editora divulgou que daria 10% de desconto em sua loja virtual para cada gol tomado pela seleção brasileira.

Após o 7 a 1, a empresa manteve a promessa e deu 70% de desconto, esgotando o estoque de 2.000 livros. “Vendemos livros abaixo do preço de custo, mas a exposição compensou o prejuízo”, diz Varella.

Nessa nova empreitada, já existe um concorrente: a banca Tijuana. A lojinha funciona com a mesma proposta, mas dentro da galeria Vermelho, na rua Minas Gerais, 372, região central. O negócio existe há um ano e vende hoje 188 publicações nacionais e estrangeiras.

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