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Saga quixotesca de um recém-formado à procura de emprego na Pauliceia

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Eliane Trindade na Folha de S.Paulo

Ele desembarcou em São Paulo em 1º de agosto após 18 horas de viagem desde Foz do Iguaçu em um ônibus de sacoleiros. Trazia na bagagem o diploma em Letras pela Unila (Universidade Federal de Integração Latino Americana ) e os sonhos, definidos como “fumaça na penumbra, belos e efêmeros”.

Bruno Eliezer Melo Martins, 27, logo descobriu que sonhar na Pauliceia, para um rapaz “latino americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior” como ele, é tarefa quixotesca.

Tal qual Dom Quixote de la Mancha, do romance de 1605 de Miguel de Cervantes, o mineiro de Poços de Caldas tenta vencer seus moinhos de ventos, enquanto busca emprego como mediador cultural, tradutor (de espanhol e francês), revisor ou educador.

Nas entrevistas de emprego, ele usa o terno comprado no Paraguai com dinheiro emprestado por um amigo para fazer bonito na cerimônia de colação de grau em julho.

Um outro amigo descolou a casa na qual ficou alojado nos primeiros 20 dias em Sampa. A aclimatação à metrópole inóspita foi em meio aos livros da sortida biblioteca da família em viagem aos Estados Unidos.

“Creio que nesse período li uns 15 livros. Tenho uma meta de, copiando o exemplo de José Mindlin [bibliófilo], ler ao menos dois por semana”, diz o recém-formado bacharel, filho de um serralheiro e de uma dona de casa.

Leu tanto (de Samuel Beckett a Julio Cortázar, passando por José Lezama Lima, autor pelo qual se apaixonou na graduação), que “na solidão de uma casa de artista até pensei que poderia ser feliz ali.”

Com a volta dos donos, Bruno foi parar numa ocupação do Movimento dos Sem-Teto no centro de São Paulo. Pesadelo que durou dez dias.

“Não gosto nem de lembrar, fiquei doente, vi gente passando fome, tentei organizar qualquer coisa e não consegui diálogo, assembleias todos os dias, vi gente usando muita droga, pessoas enfermas e em estado degradante. Ainda é difícil falar de tudo que vi e vivi ali. Foi duro, triste.”

De lá saiu para um quartinho, com um beliche e uma cama, sobre a qual abriga seus livros, um guarda-roupa e uma pequena mesa. Aluga o cômodo no apartamento de uma senhora simpática, que o faz lembrar da dona de pensão do conto “As Formigas”, de Lygia Fagundes Telles.

É dali que pesquisa sobre possibilidades de empregos, envia currículos. “Não para poetas, mas qualquer vaga.” Ele conta que dia desses foi à avenida Paulista ler poemas de Manuel Bandeira: Estrela da Manhã, Pasárgada.

“Mas os pedintes pareciam receber mais moedas que eu. Percebi que recitar Bandeira e não ser escutado era um desrespeito com o próprio. Poesia não pede esmola, tampouco a literatura precisa disso.”

O recém-formado também desbrava a riqueza cultural de uma São Paulo cosmopolita e cara. “A cidade oferece muitas opções e dentro das minhas possibilidades tenho participado, algumas (a maioria, na verdade) são pagas, os cursos são caríssimos e nem todos oferecem bolsas ou descontos”, lamenta, mas se joga nas bibliotecas públicas e em cursos gratuitos que garimpa.

Sua preocupação maior, admite, é a absoluta falta de recursos financeiros. “Meu salário é o pouco do cheque especial que ainda tenho. A situação é de completa pindaíba, as contas chegam, sei que em breve conseguirei algo, mas penso quase com desespero neste momento.”

Em meio ao “ciclo vicioso dos desprovidos de recursos”, Bruno relata como é duro saber que sem um tostão não se pode nada. “Porém sigo como um Quixote inabalável em busca do literário, da paixão, da vida, dessa busca pela dignidade através do poema, da cultura, da beleza.”

“Não sou um sujeito revoltado, mas a minha intensidade da busca pela cultura é uma grande forma de protesto frente ao capital agressivo, ao imediato, à causa e ao efeito.”

A seguir, trechos das “Quixotadas Paulistanas”, o diário que o bacharel em letras, está escrevendo sobre suas vivências na Pauliceia, embrião do primeiro romance de um jovem sonhador.

“O que quero mesmo é escrever não sobre o que me passa, mas sobre a ficção prazerosa da própria vida. Não sei que será do futuro, como se dará minha vida. Às vezes, a única certeza é a incerteza. Mas nessa incerteza há também um prazer incontido de estar vivo e acreditar, por mais que digam o contrário, que o sonho é o caminho mais belo para a realidade.”

QUIXOTADAS PAULISTANAS

Prestes a completar dois meses em São Paulo e na antevéspera de seus 27 anos, nosso personagem vai a uma reunião que definiria seus rumos.

Na verdade, sua reunião era mais do que uma simples entrevista de emprego marcada pela recrutadora para cumprir sua meta diária de entrevistas, era a primeira vez em todo o período de sua estada em São Paulo que lhe convocavam para uma reunião/entrevista.

O dia de nosso personagem e candidato começou com uma parcimoniosa preparação com o requinte de um primeiro dia de trabalho, colocando aquele seu melhor terno e chamuscando a si com o restinho do perfume almiscarado, presente de tantos anos, de um amigo rico.

Nosso personagem tinha certeza de que a vaga seria sua, tinha confiança e pensava que seria um presente do céu que viria para sanar suas relações com cruéis credores e mercenários bancos.

Não viu problema em tomar um café numa boa cafeteria, comer dois croissants, pedir geleia de damasco e mais um expresso, para pagar, usou elegantemente seu cartão de crédito cujo limite foi atingido com aquela última compra.

Marcada para às 10h da manhã, lá vai o nosso candidato à vaga de professor em uma escola particular.

No prédio em que fica o escritório da agência de empregos, na rua Sete de Abril, é muito cordialmente recebido pelo porteiro que lhe indicou o sétimo andar na sala 107.

Por alguma razão, nosso candidato se sentiu oprimido por tantos setes e até se lembrou do sétimo pecado na lista dos dez melhores mandamentos, não roubarás, lembrou-se então de que não cometeria nenhum deslize e jamais mentiria em uma entrevista.

A sala 107 estava repleta de todas as pessoas, na recepção após pedirem-lhe a carteira de identidade, mandaram-no aguardar. Sentiu-se um pouco incomodado por ter um tratamento tão padrão, mas não deu muita importância a isso. Queria mesmo é falar de literatura e dos romances que já lera.

Possivelmente o candidato observou todas as outras pessoas e imaginou histórias, todos eles estavam como ele, desempregados e inservíveis, fora das engrenagens, nas margens da população economicamente ativa, sem dinheiro para pagar as contas mais básicas e comendo no crédito.

Nosso candidato pensou na dureza da vida e nos nãos que todos aqueles poderiam ouvir, mas para si, visualizava em sua primeira entrevista um glorioso sim e começaria a trabalhar como professor de literatura com um modesto salário, mas que seria o suficiente para vida digna, isto é, com as contas pagas.

Quando foi chamado, nosso candidato falou muitas coisas interessantes e que serviam para a vida, falou até de Dom Quixote resumindo a história para a entrevistadora que disse não conhecer, um cúmulo para o entrevistado.

Em resumo, disse a ela, Dom Quixote é a aventura de um leitor fascinado.

No final, a entrevistadora agradeceu muito a disponibilidade do candidato, mas não poderia dar prosseguimento ao processo seletivo, sem explicar o porquê, ela desejou-lhe boa sorte.

Nosso candidato não exigiu explicações, preferiu aceitar dignamente seu primeiro não e sair de cabeça bem erguida e também sorrindo para disfarçar que bem dentro de si ocorria uma tormenta que faziam os olhos marejar daquilo que chamam de decepção.

QUIXOTADAS NÚMERO 2

Nosso candidato, ao sair de seu primeiro e sonoro não, caminhou pelas ruas desconhecidas até uma casa de velas.

Velas e alfazema, mesmo sem ter o que comemorar não resistiu e comprou um robusto, se não para fumar, ao menos para guardar, marcando esse dia. Pagou o charuto com as moedas e as notinhas amassadas que ainda restavam em seus bolsos.

Sentiu as alfazemas como um perfume que lhe traria boas notícias, fechou os olhos e respirou profundamente o ar a loja de produtos esotéricos e saiu com o havano no bolso e ainda sem rumo.

É muito difícil saber o que realmente se passa com nosso candidato, um sujeito de tanto maravilhamento, mas também meio triste com a vida, com as coisas e com os sem rumos de seu itinerário.

Seus pés querem leva-lo em várias direções e por isso, parado espera para pensar para onde poderia ir. Vê uma banca de doces, se pudesse compraria um pé-de-moleque, já não há dinheiro.

Vê um viaduto, e do outro lado da calçada, um antiquário. Resolve caminhar até lá para conhecer um pouco das histórias de pessoas tão desconhecidas que um dia usaram aquelas quinquilharias.

O candidato viu um divã e ficou impressionado com seu formato, nada que fugisse as regras de um divã convencional, mas os pés eram dourados e era revestido por couro branco. Se possuísse um studio poderia comprar aquele divã e nele leria as obras completas de Freud e Lacan.

A dona do antiquário acompanhada de sua cadeira giratória observa todos os passos do candidato, muito provavelmente sabendo que não conseguirá dele nenhum tostão.

O candidato sai, continua sem rumo, mas, mesmo sem querer encontra um caminho conhecido, seus pés que o querem em todas as direções encaminha-o para o quarto alugado.

Sem pretensões entra no quarto, tira o calçado, deita e olha a luminária de duas lâmpadas, mas que só tem uma. Não sabemos que pensa o candidato. Mas é possível perceber que ele ainda sonha em trabalhar, talvez como poeta.

QUIXOTADA NÚMERO 3

De como passou o candidato uma manhã fria, sem ter onde ir.

É na brisa empoeirada da manhã que nosso candidato se debate em pensamentos de ternura para com seu primeiro emprego imaginário.

Sonha acordar cedo, preparar a valise com cadernos e canetas, tomar o café preparado por ele mesmo e sair para labutar os versos da vida.

Pensar na vida enquanto lavra as réstias de um equilibrado poema sobre a desventura de viver nesse tempo….

Nosso candidato caminha ainda com o comércio fechado, observando os pictogramas nas portas sem identificar qualquer coisa de compreensível…

Caminhava olhando atentamente o chão com a sujeira e os paralelepípedos semi soltos, fixava o olhar em bitucas de cigarro procurando identificar a marca, recolhia algum pedaço de papel para ler, pensando ser um trecho de algum poema.

Nosso preocupado candidato corria os olhos nas placas, nos stands, nos vendedores de bolos e cafés que se acumulam nas calçadas. Pensou que poderia fumar, mas não havia cigarros e se lembrou que havia deixado de fumar.

O sal do suor frio que lhe descia nas pestanas e a respiração ofegante de uma manhã de caminhos apressados para lugar algum conferiam ao nosso candidato o sono do desalento de suas aventuras.

Não poderia ser diferente, a busca por emprego era um segredo só seu e permitir que os outros soubessem de sua falta de ocupação corresponderia a reconhecer o fracasso de tantos anos.

Por isso, nosso candidato mantém uma série atividades como sair apressado pela segunda-feira e procurar em todos os lugares, inclusive embaixo das pedras e nos bancos indicativas de empregos quaisquer.

Nesse momento o candidato pensou até na vaga de pedinte, porém, sabemos que nosso candidato tem muito orgulho e, caso recebesse essa oferta, recusaria tal vaga.

O varredor, que varria a rua pela qual passava o candidato, sorria cantando uma trova muito alegre, mas o cantante não fez mais que aumentar a tristeza de nosso candidato.

Nesse meio tempo já se passara mais da metade da manhã e muito cansado o candidato resolveu se sentar próximo a uma praça. Sem querer adormeceu e não teve nenhum sonho. Mas foi acordado por um carinhoso vendedor de amendoim.

UM PEQUENO ROMANCE

Conheci o autor das “Quixotadas” por indicação de um amigo comum, que vive na Espanha, e pediu que o recebesse para uma conversa, na qual sugeri que Bruno escrevesse crônicas sobre as tantas histórias relatadas no almoço.

Dois dias depois, ele me enviava os primeiros textos, transcritos em parte acima. Neste domingo, o recém-formado candidato ao primeiro emprego enviou também o primeiro capítulo do que chama de “romanceto”.

“Estou escrevendo um livro novo, minha amiga desconhecida. O título provisório é ‘São Paulo, me Abrace’. Estou me sentindo afogado pela fumaça desse elegante tabaco que me consome a vida. Estou me sentindo perdido e imóvel, estou vendo minha vida passar nas gretas do vazio.”

Aplicativo mapeia locais em Recife eternizados por Clarice, Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto entre outros

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Estátua de João Cabral de Melo Neto na Rua da Aurora, centro do Recife

Estátua de João Cabral de Melo Neto na Rua da Aurora, centro do Recife

 

Rodney Eloy, no Pesquisa Mundi

Os recifenses e turistas que visitam a capital pernambucana já podem trocar os Pokémons por autores da literatura brasileira. Idealizado pelo cineasta Eric Laurence e realizado por meio do Funcultura, o aplicativo Ruas literárias do Recife tem como objetivo aproximar as pessoas do espaço urbano e da cultura literária da cidade. Com 150 pontos de localização e 82 autores de diferentes épocas e estilos, as ruas da cidade são mapeadas montando um roteiro literário e poético no qual a população pode descobrir como as ruas e suas edificações foram descritas e representadas por escritores pernambucanos. Dentre os autores pesquisados e citados no aplicativo estão nomes como Clarice Lispector, Raimundo Carrero, Ronaldo Correia de Brito, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira e Carneiro Vilela. O aplicativo é gratuito e está disponível para Android e iOS.

via Publishnews

Os livros infantis que os grandes autores brasileiros fizeram

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Poucos sabem que Drummond fez duas obras para crianças

Poucos sabem que Drummond fez duas obras para crianças

Nomes como Drummond, Graciliano Ramos, Clarice Lispector e Cecilia Meireles escreveram obras para os pequenos leitores

Publicado no Jornal do Commercio
As duas mãos de Carlos Drummond de Andrade, que escreviam sobre o sentimento do mundo e as pernas brancas, pernas amarelas, também se voltaram para elefantes que falam, histórias de infância, amores entre pulgas. Da mesma forma, o retrato de uma dona de casa que encontra e devora uma barata ou o trágico e cômico destino de Macabea não são o único tipo de universo de Clarice Lispector: ela também criava histórias em que seu cãozinho, Ulisses, falava e revelava as aventuras que viveu.

Se os nomes acima e outros, como Manuel Bandeira, Jorge Amado e Graciliano Ramos são presenças obrigatórias em qualquer historiografia da literatura brasileira, têm um lado muitas vezes menos conhecido. Em paralelo a nomes como o patrono da prosa infantil brasileira, Monteiro Lobato, vários mestres da nossa escrita se dedicaram a inventar histórias para crianças, em um mundo que se alimenta das fábulas, da cultura popular e das brincadeiras com as palavras (confira ao lado).

São histórias que podem parecer – ou mesmo ser – obras menores desses autores, mas não por sua pretensão. A maioria deles levava o ofício muito a sério, e suas produções são exemplos de como pensavam a poética voltada para o público infantil. É como o encenador russo Constantin Stanislavski já disse: para dialogar com as crianças, é preciso criar uma obra “igual a dos adultos, só que melhor”.

Drummond, por exemplo, defendia que não havia separação entre uma prosa adulta e uma infantil, e reclamava de quem tentava instaurar uma separação clara entre elas. “Será a criança um ser à parte, estranho ao homem, e reclamando uma literatura também à parte? Ou será a literatura infantil algo de mutilado, de reduzido, de desvitalizado – porque coisa primária, fabricada na persuasão de que a imitação da infância é a própria infância. Vêm-me à lembrança as miniaturas de árvores, com que se diverte o sadismo botânico dos japoneses; não são organismos naturais e plenos; são anões vegetais. A redução do homem, que a literatura infantil implica, dá produtos semelhantes”, argumentava o mineiro.

Os livros infantis que os grandes autores brasileiros fizeram

Outra autora prolífica em obras infantis, Clarice dizia ter três sentidos para a vida: amar os outros, escrever e criar meus filhos. Juntou os objetivos em um só, depois de ser provocada pelo filho Paulo, quando já tinha uma sólida carreira literária. Ele queria saber por que a mãe só criava obras para adultos, nunca para os pequenos leitores como ele. Como conta a escritora e pesquisadora Geórgia Alves no artigo Os infantis de Clarice Lispector, o desafio foi aceito em 1967, com a publicação de O mistério do coelho pensante.

De uma história que contava para o filho João Jorge dormir, Jorge Amado também se viu ligado à literatura infantil. Escreveu o texto de O gato malhado e a andorinha Sinhá em 1948, quando morava em Paris. Depois de voltar para o Brasil, deixou a narrativa de lado por muito tempo e até se esqueceu dela. Só a reencontrou quase 30 anos depois, e logo o amigo e ilustrador Carybé criou desenhos para acompanhar a história. O autor baiano, que nem gostava tanto assim do texto, se viu obrigado a publicá-lo – e gostou da experiência, tanto que deu continuidade a ela com outro livro, A bola e o goleiro.

“Por que escrevo?” – 19 depoimentos que você precisa conhecer

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Mariana Gonçalves, no Homo Literatus

– Por que você escreve?

1No livro Por que escrevo?, organizado por José Domingos de Brito como parte da série “Mistérios da Criação Literária”, a pergunta parece ser feita a todos os mais variados cânones da literatura, da poesia, e do jornalismo – pessoas que, enfim, constroem e desconstroem com palavras. De A a Z, as respostas vão sendo traçadas uma a uma, em um espírito íntimo em meio ao qual o leitor tem, certas vezes, a impressão de ouvir da boca de seu grande ídolo as razões que o levaram a tal árdua profissão . Enquanto Allen Ginsberg diz que escreve porque gosta de cantar quando está só, Gabo diz que escreve para que seus amigos o amem mais. E assim o livro nos mostra, em uma coletânea despretensiosa e sem ornamentos — e com uma rica bibliografia sobre o ofício da escrita —, das respostas mais simples e definitivas às mais reflexivas, abrangentes e complexas possíveis.

Aqui vão algumas delas*:

01. Allen Ginsberg:

“(…) Eu escrevo poesia porque gosto de cantar quando estou só (…) Eu escrevo poesia porque minha cabeça contém uma multidão de pensamentos, 10 mil para ser preciso (…) Eu escrevo poesia porque não há razão, não há porquê. Eu escrevo poesia porque é a melhor forma de dizer tudo que me vem à cabeça no intervalo de um quarto de hora ou de toda uma vida.”

02. Augusto dos Anjos:

“A princípio escrevia simplesmente
Para entreter o espírito… Escrevia
Mais por impulso de idiossincrasia
Do que por uma propulsão consciente.

Entendi, depois disso, que devia,
Como Vulcano, sobre a forja ardente
Da ilha de Lemnos, trabalhar contente,
Durante as 24 horas do dia!

Riam de mim, os monstros zombeteiros.
Trabalharei assim dias inteiros,
Sem ter uma alma só que me idolatre…

Tenha a sorte de Cícero proscrito
Ou morra embora, trágico e maldito,
Como Camões morrendo sobre um catre!”

03. Carlos Drummond de Andrade:

“Posso dizer sem exagero, sem fazer fita, que não sou propriamente um escritor. Sou uma pessoa que gosta de escrever, que conseguiu talvez exprimir algumas de suas inquietações, seus problemas íntimos, que os projetou no papel, fazendo uma espécie de psicanálise dos pobres, sem divã, sem nada. Mesmo porque não havia analista no meu tempo, em Minas.”

04. Clarice Lispector:

“Eu tive desde a infância várias vocações que me chamavam ardentemente. Uma das vocações era escrever. E não sei por que foi essa que segui. Talvez porque para as outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é mesmo escrever. Adestrei-me desde os sete anos de idade para que um dia eu tivesse a língua em meu poder. E, no entanto, cada vez que vou escrever, é como se fosse a primeira vez. Cada livro meu é uma estréia penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que eu chamo de viver e escrever.”

05. Fernando Pessoa:

“Eu escrevo para salvar a alma.”

06. Fernando Sabino:

“Tenho a impressão de que se eu soubesse responder a essa pergunta deixaria de ser escritor. Não haveria condição. Não saberia dizer, não. Está além da minha compreensão. Esta pergunta é tão grave como se perguntassem: ‘Por que vive? Por que ama? Por que morre? ’. Talvez eu escreva para atender a essas três presenças que são as únicas que existem na vida de um homem. No verso de Eliot: ‘Birth, copulation and death’; eu diria ‘nascimento, amor e morte’. Não sei por que escrevo. Eu nasci, virei homem e vou morrer.”

07. Gabriel García Márquez:

“Para que meus amigos me amem mais.”

08. George Orwell:

“Meu ponto de partida é sempre um sentimento de proselitismo, uma sensação de injustiça. Quando sento para escrever um livro, não digo a mim mesmo: ‘Vou produzir uma obra de arte’. Escrevo porque existe uma mentira que pretendo expor, um fato para o qual pretendo chamar a atenção, e minha preocupação inicial é atingir um público. Mas não conseguiria escrever um livro, nem um longo artigo para uma revista, se não fosse também uma experiência estética. Quem se dispuser a examinar meu trabalho perceberá que, mesmo quando é uma clara propaganda, contém muito do que um político de tempo integral consideraria irrelevante. Não sou capaz de abandonar por completo a visão de mundo que adquiri na infância, nem quero. Enquanto viver e estiver com saúde, continuarei a ter um forte apego ao estilo da prosa, a amar a superfície da Terra, a sentir prazer com objetos sólidos e fragmentos de informações inúteis. De nada adianta tentar reprimir esse meu lado. O trabalho é conciliar os gostos e os desgostos arraigados com as atividades essencialmente públicas, não individuais, que esta época impõe a todos nós.”

09. Jean-Paul Sartre:

“Porque a criação só pode encontrar seu acabamento na leitura; porque o artista deve confiar a outro a tarefa de concluir o que ele começou; porque somente através da consciência é que ele pode se ter como essencial a sua obra e toda obra literária é um apelo. Escrever é apelar ao leitor para que ele faça passar à existência objetiva o descobrimento que empreendi por meio da linguagem.”

10. João Cabral de Melo Neto:

“Por que escrevo é um negócio complicado… Eu tenho a impressão de que a gente escreve por dois motivos. Ou por excesso de ser — é o tipo do escritor transbordante, como a maioria dos escritores brasileiros; é uma atitude completamente romântica — ou por falta de ser. Eu sinto que me falta alguma coisa. Então, escrever é uma maneira que eu tenho de me completar. Sou como aquele sujeito que não tem perna e usa uma perna de pau, uma muleta. A poesia preenche um vazio existencial. Às vezes, eu escrevo porque quero dizer determinada coisa que eu acho que não foi dita; às vezes, porque me interessa que conheçam meu ponto de vista. Às vezes, escrevo também por prazer.”

11. José Saramago:

“Antes eu dizia: ‘Escrevo porque não quero morrer. ’ Mas agora eu mudei. Escrevo para compreender. O que é um ser humano?”

12. Julio Cortázar:

“(…) O fascínio que uma palavra produzia em mim. Eu gostava de algumas palavras, não gostava de outras, algumas tinham certo desenho, uma certa cor. Uma de minhas lembranças de quando estava doente (fui um menino muito doente, passava longas temporadas de cama com asma e pleurisia, coisas desse tipo) é a de me ver escrevendo palavras com o dedo, contra uma parede. Eu esticava o dedo e escrevia palavras, e via as palavras se formando no ar. Palavras que eram, muitas vezes, fetiches, palavras mágicas. Isso é algo que depois me perseguiu ao longo da vida. Havia certos nomes próprios — e sei lá por quê — que para mim tinham uma carga mágica. Naquela época havia uma atriz espanhola que se chamava Lola Membrives, muito famosa na Argentina. Bom, eu me vejo doente — aos sete anos provavelmente — escrevendo com o dedo no ar Lo-la-Mem-bri-ves, Lo-la-Mem-bri-ves. A palavra ficava desenhada no ar e eu me sentia profundamente identificado com ela. De Lola Membrives, a pessoa, eu não sabia muita coisa, nunca a tinha visto e nunca a vi. Na realidade, eram meus pais que iam ver as peças onde ela trabalhava. E foi nesse mesmo momento que comecei a brincar com as palavras, a desvinculá-las cada vez mais de sua utilidade pragmática e comecei a descobrir os palíndromos, que depois apareceram nos meus livros… Desde muito pequeno, minha relação com as palavras, com a escrita, não se diferencia da minha relação com o mundo em geral. Eu não acho que nasci para aceitar as coisas tal como estão, tal como me são oferecidas.”

13. Manuel Bandeira:

“Na verdade, faço versos porque não sei fazer música… Jamais senti que meu destino fosse a Poesia, sobretudo assim com esse P maiúsculo que pressinto na sua garganta. Creio que se fui poeta em alguns momentos, só o fui por incidente patológico ou passional.”

14. Moacyr Scliar:

“Quando criança, eu era adicto à literatura, não podia ficar sem ler. A minha conexão com a vida acontecia via literatura. Eu lia para aprender a viver, para saber o que fazer. É claro que isso provoca muitas desilusões, muitos choques, porque a vida não é a literatura. Assim, quando comecei a escrever, foi porque lia. Outra razão é que meus pais foram grandes contadores de história. Numa noite quente como essa, as pessoas do meu bairro se reuniam para contar histórias, o que, desde muito cedo se incorporou em mim, passou a ser uma coisa que eu também queria fazer, só que à minha maneira, escrevendo.”

15. Paulo Francis:

“Escrevo romances para me perpetuar, para ter fama, glória, dinheiro, amor, essas coisas comezinhas da vida.”

16. Rachel de Queiroz:

“Acho que para cada escritor há uma razão diferente. No meu caso, num certo sentido, é o desejo interior de dar um testemunho do meu tempo, da minha gente e principalmente de mim mesma: eu existi, eu sou, eu pensei, eu senti, e eu queria que você soubesse. No fundo, é esse o grito do escritor, de todo artista. Creio que o impulso de todo artista é esse. É se fazer ver. Eu existo, olha pra mim, escuta o que eu quero dizer: tenho uma coisa pra te contar. Creio que é por isso que a gente escreve.”

17. Sérgio Milliet:

“Quer saber de uma coisa? Não acredito na predestinação literária. São circunstâncias acidentais que fazem o escritor e é o acaso de um primeiro êxito que o leva a perseverar. Um homem de inteligência média faz qualquer coisa; basta que a vida o exija. Qualquer camarada de algumas letras escreveu versos na mocidade; se não continuou, foi porque outra coisa lhe interessou.”

18. Truman Capote:

“Sou um escritor essencialmente horizontal. Não posso pensar mais do que quando estou encostado, com um cigarro nos lábios e uma xícara de café ao alcance da mão. A xícara de café pode ser trocada por um copo de vodka, não há por que ser maníaco. Não uso máquina de escrever, redijo à mão, com lápis. Trabalho quatro horas por dia durante quatro meses por ano. Sou um estilista: me preocupa mais onde colocar uma vírgula que ganhar o prêmio Nobel.”

19. William Faulkner:

“Para ganhar a vida.”

E você, por que escreve?

***

*Todos os depoimentos a seguir transcritos pertencem à coletânea “Por que escrevo?”, organizada por José Domingos de Brito (editora Novera), com suas respectivas fontes individuais.

USP vai receber mais de cinco mil cartas inéditas de intelectuais brasileiros

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Pastas e fichários têm ainda cartas de autores como João Cabral de Melo Neto e Jorge Amado
Acervo pertencia ao embaixador Mário Calábria, morto há um ano

Em carta a Mário Calábria, em 1962, Afonso Arinos de Melo Franco descreve problema dentário da mulher Reprodução / Reprodução

Em carta a Mário Calábria, em 1962, Afonso Arinos de Melo Franco descreve problema dentário da mulher Reprodução / Reprodução

Maurício Meireles, em O Globo

RIO – Quando João Guimarães Rosa chegava perto das jaulas do zoológico de Munique, na Alemanha, girafas, macacos e elefantes se aproximavam. O escritor olhava-os por trás dos óculos fundo de garrafa e conversava com todos eles. Seu amigo, o embaixador Mário Calábria, observava curioso a intimidade estabelecida com os animais. A girafa era como “uma velha amiga” do autor de “Grande sertão: veredas”, já que o bicho inclinava o pescoção e “parecia entender tudo” que lhe era dito.

Esta é uma das histórias a que, em breve, o público poderá ter acesso e consultar. Mário Calábria morreu em junho de 2012, mas deixou um tesouro: cartas trocadas com grandes intelectuais brasileiros, às quais O GLOBO teve acesso.

Guimarães Rosa, que gostava de rechear as folhas com assuntos literários, é apenas um. A correspondência soma mais de cinco mil cartas trocadas com Jorge Amado, João Cabral de Melo Neto, Afonso Arinos de Melo Franco, Manuel Bandeira — e muitos outros. Além de cultural, a coleção tem também valor para a história política do Brasil, por conta das missivas que Mário Calábria trocava com políticos e outros diplomatas. Embaixador do Brasil na Alemanha Oriental, antes da queda do Muro de Berlim, Calábria também acompanhou, mais tarde, as atividades culturais do Itamaraty naquele país, como a organização da Feira de Frankfurt de 1994.

Agora, os herdeiros do diplomata querem doar tudo para uma instituição de ensino. A ideia surgiu depois que a filha Vera Lucia Calábria encontrou nos papéis do pai uma carta de Marta Rossetti, então professora da Universidade de São Paulo. Biógrafa de Anitta Malfatti, ela pedia a ele, no documento escrito no fim dos anos 1990, que doasse seu acervo à instituição. Marta já faleceu, mas Vera procurou a USP, que se movimentou para receber o material. A universidade enviou o professor aposentado de literatura brasileira Flávio Wolff à casa dos Calábria, em Berlim, para emitir parecer sobre a conservação do material e avaliar seu valor.

— Enviei parecer positivo à USP. O acervo é um tesouro cultural e está em ótimo estado. Também me surpreendeu a organização dele. Tudo está guardado em pastas e fichários — afirma Wolff. — E ainda há a biblioteca, cheia de livros raros sobre o Brasil publicados na Europa, além de várias primeiras edições com dedicatórias.

As cartas trocadas com os intelectuais brasileiros chamam a atenção pela elegância do estilo. Mesmo em assuntos que de literários não têm nada. Em 1962, por exemplo, a mulher de Afonso Arinos teve uma infecção do siso que ficou feia. O marido, mesmo preocupado, estava encantado com a cirurgia: “O remédio é extrai-lo, mas isto representa um trabalho delicado de abertura da gengiva e do próprio maxilar. Aqui há um cirurgião especialista, que opera em ambiente pomposo, com assistentes, enfermeiras, anestesista, ficando a paciente deitada, com o rosto coberto por um pano verde esterilizado etc. Como você vê, uma beleza para quem não sofre nem assiste ao espetáculo.” Ele e Calábria trocaram 125 cartas, durante 38 anos.

Já as escritas por Jorge Amado não mostram uma relação de amizade tão próxima: o baiano comunica o envio de livros autografados. “Como estou com o pé no estribo, ou seja, no avião, remeterei esses livros para você de Portugal, onde estarei nos meados de novembro. Chegarão mais rapidamente do que se eu os mandasse daqui, por via maritma.” A carta é de 1980. Em outra, Jorge Amado agradece pelos “recortes e xerox” enviados a ele por Calábria.

O melhor amigo era mesmo Guimarães Rosa. Sempre que voltava à Alemanha, Rosa ficava hospedado na casa da família. Nas cartas, ele se refere aos filhos do amigo como “os Três Calabrinhas”. Mário Calábria foi consultor informal na tradução para o alemão de “Grande sertão: veredas”, de Curt Meyer-Clason, a preferida do autor. Em nome de Guimarães Rosa, o embaixador ajudava Mayer-Clason a traduzir termos do sertão.

A correspondência entre os dois chega quase a 200 cartas, só cessou com a morte de Guimarães Rosa, em 1967, e está entre as maiores travadas pelo escritor mineiro. Eles falam do cotidiano e de literatura, o que torna essa parte do acervo um material valioso para pesquisadores interessados na obra rosiana. O escritor também reclama da forma como o Itamaraty tratava a literatura: “Foi ela sempre a gata borralheira, a irmã pobre, madrasteada no Departamento Cultural.”

Parte do acervo quase veio à tona em 2008. O poeta Alexei Bueno visitou a casa de Calábria e conseguiu cópias de cartas. A editora Bem-te-vi tentou publicar, mas não chegou a um acordo com os herdeiros de Rosa.

Outro amigo foi o poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto. Os dois se conheciam desde os tempos de Instituto Rio Branco e, por um período, foram próximos. Isto fica claro em uma carta de Cabral de 29 de novembro de 1945: “Vejo que você continua o mesmo lírico de antigamente. Como já o conhecia, sei que o atual lirismo não é de cerveja. Aliás: há cerveja aí? Vejo também que você continua adiando nosso encontro. Veja se se decide, ‘hombre’!”

Mas a amizade acabou rompida. Calábria foi acusado por Cabral, em 1952, de divulgar uma carta que fez o poeta ser tachado de comunista e afastado do Itamaraty. Mário Calábria sempre afirmou não ter espalhado a carta. Mas ele e o poeta nunca voltaram a se falar.

As cartas

Jorge Amado

Salvador, 7 de outubro de 1980

Caro Calábria,

Venho de receber a sua carta e fico sabendo quais livros faltam à sua coleção: “Tieta do agreste”, “O gato malhado e a andorinha sinhá” e “Farda fardão camisola de dormir”. Como estou com o pé no estribo, ou seja, no avião, remeterei esses livros para você de Portugal, de onde estarei nos meados de novembro. Chegarão mais rapidamente do que seu os mandasse por aqui,
por via marítima.
Recomendações a todos os seus,
meus e de Zélia.
Um abraço cordial do velho amigo

Jorge Amado

Guimarães Rosa

Rio de Janeiro, 14 de novembro de 1964

Meu caro Mário,

De repente, houve o vácuo, fiquei com saudades, mais. Também está chegando o Natal, Weihnacht, as Festas, e quero pôr aqui, em papel e formulação, os votos, lautos, vivos, muitos, altos: de alegrias e felicidade para a Família completa, os Calábrias usufruindo e sorrindo, festando: Paz na terra aos de boa-vontade. De vez em quando, torno a sentir-me em Munique. Vocês merecem muito; e eu sou um dos que mais sabemos disso. Canto, junto, o “Oh tannenbaum…” Vocês. Uschi abre uma lata daqueles “frutti di mare”, uma garrafa de Mosel ou de “branca-berlinêsa”. Eu, também. — “Prosit!…”
Você já deve saber, esteve aqui a Snra. De Siervi. E gostei muito dela, conversamos de verdade. Sua gente é sempre de primeira. (…)
Por via aérea, recebi o primeiro exemplar de “CORPO DI BALLO”, roba da Feltrinelli, uma beleza. Achei a tradução estupenda, notável, insuperável, meyer-clasoniana. (…)

Abraço enorme do

Guimarães Rosa

João Cabral de Melo Neto

Londres, 3 de janeiro de 1945

Meu caro Mário:

Coincidência: sua carta me chega na manhã mesma em que lhe estou mandando seus três Mirós. Portanto, a pergunta última que você me fez está respondida. Botei dedicatória no seu e deixei os outros em branco. Como você os oferece, você é que deve dedicá-los.
Vejo que você continua o mesmo lírico de antigamente. Como já o conhecia, sei que o atual lirismo não é questão de cerveja. Aliás: há cerveja aí?
Vejo também que você continua adiando o nosso encontro. O Geraldo, com quem estive há dois dias em Paris, também prometeu vir e não veio. Veja se se decide, hombre!

Grande abraço. (…)

Do seu

João Cabral de Melo Neto

Afonso Arinos de Melo Franco

Genebra, 15 de junho de 1962

Compadre,

(…) Anah teve uma repetição daquela infecção dentária que a fez sofrer uma operação a bordo, há cerca de 30 anos. Coincidência curiosa: em 1932 ela veio se operar em Genebra como agora. Felizmente, desta vez, não só a infecção foi muito menos séria, como também a operação — pois se trata de verdadeira operação — pode ser feita em muito menos tempo e com muito menor sofrimento. (…) Provocada pelo dente siso incluso no osso da face, e que nunca nascera, mas que, de repente, provoca dores fortes e grande inflamação do rosto. O remédio é extrai-lo, mas isto representa um trabalho de abertura da gengiva e do próprio maxilar. Aqui há um cirurgião especialista, que opera em ambiente pomposo, com assistentes, enfermeiras, anestesista, ficando a paciente deitada, com o rosto coberto por um pano verde esterilizado etc. Como você vê, uma beleza para quem não sofre nem assiste ao espetáculo. O resultado é que ela perdeu três quilos (…)

Grande abraço do compadre e amigo,

Afonso Arinos

Colaborou Graça Magalhães-Ruether, correspondente em Berlim

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