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Aos 95 anos, aposentado de Sorocaba diz ter alcançado a marca de dez mil livros lidos

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Cid Odin Arruda diz que um de seus recordes foi terminar um livro de 1.110 páginas em apenas cinco dias

José Maria Tomazela, no O Estado de S. Paulo

SOROCABA – O aposentado Cid Odin Arruda, de Sorocaba, acaba de atingir um recorde: aos 95 anos, ele alcançou a marca de dez mil livros lidos. Simbolicamente, o décimo milésimo volume foi retirado no último dia 9 do Gabinete de Leitura Sorocabano, quando Arruda levou para casa o volumoso “O Cemitério de Praga”, do escritor Umberto Eco. “Estava curioso, mas fiquei um pouco decepcionado com a história”, comentou três dias depois, com a leitura quase no final. A marca obtida pelo homem que se diz “viciado em livros” é simbólica. A rigor, ele acha que leu alguns milhares de títulos a mais. “Antes, minha média era de quatro livros por semana”, diz.

Epitácio Pessoa/Estadão Aposentado ganhou medalha cultural em 2008

Epitácio Pessoa/Estadão
Aposentado ganhou medalha cultural em 2008

O aposentado não guarda livros em casa. Ele prefere viajar em busca de boas leituras e se tornou conhecido em bibliotecas até de outros Estados, como o Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás. Em Guarapari (ES), esteve 22 vezes e em todas visitou a biblioteca. Funcionários desses locais veem-se no dilema de encontrar um livro que Arruda ainda não tenha lido e já se referem a ele como o “senhor Biblioteca”. No Gabinete de Leitura, em Sorocaba, fundado em 1866, ele é um dos sócios vivos mais antigos. Em 2008, foi agraciado com a medalha cultural concedida a pessoas compromissadas com a cultura. O problema é que ele já leu quase todo o acervo, segundo a funcionária Nilcéia Alves dos Santos. “Quando ele pede um livro, tenho de buscar lançamentos.”

Na companhia da mulher, a professora Elza Bertazini Bracher, de 86 anos, também amante dos livros, Arruda viaja entre oito e dez vezes por ano e escolhe como destino cidades que têm bibliotecas. Ele prefere edições volumosas, mas com personagens bem definidos. Um de seus recordes foi um livro de 1.110 páginas lido em cinco dias. “Sou ruim para nomes, mas lembro que a coleção mais detalhada de Os Miseráveis (Vitor Hugo), com sete volumes, foi lida em uma semana.”

O hábito da leitura vem de família. O avô, José Antão de Arruda, foi o primeiro bibliotecário do Gabinete Sorocabano, cargo depois exercido por seu pai, José Odin de Arruda. Era função do bibliotecário indicar livros para estudantes e sócios. “Como meu pai não tinha tempo de ler todos, pegava um pacote de livros e pedia que eu lesse e contasse a história para ele.” O então menino de 12 anos pegou gosto. “Lia às vezes um livro inteiro no dia e, quando eu dizia que era ruim, meu pai vetava.” Ele também era incentivado pela mãe, professora.

Apesar da paixão pela leitura, Arruda não gostava de estudar e, ao contrário dos pais, que hoje dão nome a escolas da cidade, não se tornou professor. “Sempre preferi o comércio e só estudei até o primeiro ano da antiga escola normal.” Arruda leu todos os clássicos, de “Os Lusíadas” (Camões) a “Dr. Jivago” (Boris Pasternak) e a Bíblia completa, várias vezes. Entre os preferidos estão obras que versam sobre reis, imperadores e faraós. Entre os brasileiros, Machado de Assis, Graciliano Ramos e Jorge Amado. “Oh, caboclo bom!”, diz sobre o baiano. Sobre os autores modernos, uma crítica. “Eles criam personagens demais, deixam o livro difícil de entender.” Arruda ainda toma ônibus para ir à biblioteca e se considera um dos mais antigos leitores do Estadão. “Ele é um fã, a primeira coisa que lê na biblioteca é o jornal”, diz dona Elza.

Astros do pop ganham biografia mesmo com pouca idade

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Artistas como Justin Bieber, McFly e Lady Gaga já são retratados em livros, que formam um filão milionário
História do grupo McFly vendeu 14 mil exemplares em 2 meses
No Brasil, as biografias não autorizadas ainda são proibidas

Artistas do mundo pop ainda não chegaram aos 30, mas já têm biografias Divulgação

Artistas do mundo pop ainda não chegaram aos 30, mas já têm biografias Divulgação

Michele Miranda, em O Globo

RIO – Justin Bieber, Katy Perry, Rihanna, Lady Gaga, Adele, McFly e The Wanted. Além de alcançar a fama bem antes dos 30 anos, serem milionários, verem suas vidas estampadas em tabloides pelo mundo, o que mais eles têm em comum? Esse elenco estelar da música pop é protagonista de autobiografias ou títulos não autorizados sobre suas histórias — apesar da pouca idade. Com expressivos números de vendas, esses jovens artistas, com incontáveis fãs do Ocidente ao Oriente, viraram alvo do filão que tem sido motivo de comemoração em editoras nacionais e internacionais.

— Se alguém fizer o leite, a tesoura ou a mochila da marca Justin Bieber, vai vender. Qualquer produto com o nome dele vai ser um sucesso. Por que não uma biografia para contar a história desse tipo de fenômeno? — indaga Chas Newkey-Burden, jornalista britânico e biógrafo especialista em celebridades instantâneas. — As pessoas adoram ler sobre seus heróis, saber de onde vieram e o segredo para chegar onde estão. Quanto mais velha a pessoa, mais fácil de escrever, porque há mais capítulos. Mas meus livros mais vendidos são sobre as pessoas mais jovens que já escrevi: Justin Bieber e Adele.

Com seus livros traduzidos para 13 idiomas, Newkey-Burden conta nunca ter tido problema com o conteúdo abordado por ele. No Brasil, foram lançadas “Adele” (Leya), “Justin Bieber” (Editora Prumo) e “Amy Winehouse – Biografia” (Globo Livros), esta última chegou às lojas em 2008, três anos antes de a cantora morrer, aos 27, por abuso de bebidas alcoólicas.

Nascida da mesma Inglaterra do escritor em 2003, a boy band McFly, com integrantes de vinte e poucos anos, lançou em outubro sua primeira biografia (publicada no Brasil em março), que contém 336 páginas de relatos sobre o amor, família, crises e até uma sessão de massagem bem apimentada durante uma das turnês. No principal argumento do grupo para lançar “McFly: unsaid things… Nossa história” (BestSeller), que vendeu 14 mil exemplares no Brasil em dois meses, está o aniversário de uma década.

— Esperamos completar dez anos para fazer este projeto. Queríamos ser honestos sobre a nossa vida, e falar de coisas que não costumamos abordar em entrevistas. Passei por uma crise de ansiedade e depressão aos 17 anos e nunca falei disso com tanta sinceridade como no livro. E essa é a idade em que muita coisa acontece, temos dilemas, conflitos e coisas legais para dividir — conta o músico Tom Fletcher, de 28 anos, que já tem ideia para uma continuação da saga. — Espero que na próxima biografia possamos contar detalhes do nosso primeiro show na Lua ou em Marte — brinca.

Na próxima semana, chega às lojas a autobiografia da boy band britânica The Wanted pela Record. Entre os títulos mais vendidos da história do grupo editorial está “One Direction — a biografia”, escrito por Danny White, que foi lançado em outubro e já vendeu cerca de 60 mil exemplares. “Adele” foi um dos mais bem-sucedidos da Leya, com 15 mil livros vendidos desde o lançamento em janeiro de 2012, ocupando por duas semanas a lista de mais vendidos no Brasil. O detalhe é que as duas são biografias não autorizadas. E nem sempre o sucesso das vendas é encarado com bons olhos pelos artistas envolvidos.

— Tento ficar longe das biografias não autorizadas — diz Danny Jones, de 27 anos, também integrante do McFly, banda protagonista de muitos produtos não oficiais. — Não me importo com o que escrevem sobre mim. Muita coisa não é verdade, e a gente sabe que vão tocar em assuntos delicados. Não quisemos mentir e não houve assuntos proibidos no nosso livro, porque, no fim das contas, nós somos humanos, e não somos perfeitos.

Ao contrário da Inglaterra, país de origem de Newkey-Burden, no Brasil as biografias não autorizadas ainda são proibidas. Mas o desfecho parece estar perto. No início de abril, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, em caráter conclusivo, a alteração do artigo 20 do Código Civil, que assegura o direito à privacidade, e tem sido usado como argumento de personalidades públicas para suspender a publicação deste tipo de gênero. Caso não haja recurso, a proposta segue para o Senado, liberando a divulgação de informações em biografias mesmo sem autorização. O caso mais conhecido pelos brasileiros é “Roberto Carlos em detalhes” (Planeta), escrita por Paulo César Araújo em 2006 e proibida depois de o cantor entrar na justiça alegando justamente a invasão de privacidade. O episódio foi lembrado pelo britânico, que revelou sua estratégia para ser aceito pelos artistas.

— Nunca escrevi sobre alguém que já tenha demonstrado falta de vontade de ter sua história contada, como aconteceu com o Roberto Carlos aí no Brasil. Só escrevo sobre pessoas de que eu gosto, com perspectiva positiva. Costumo procurar os artistas, suas famílias e amigos para darem depoimentos. Em alguns casos, como aconteceu com Simon Cowell (“Simon Cowell: The Unauthorized Biography”), eles leem e até adicionam informações. Mesmo que seja contra a vontade do artista e o que está escrito não seja justo, ainda assim, abiografia aqui (Inglaterra) é comercializada. Na biografia sobre Amy Winehouse, retratei a relação dela com as drogas, mas essas notícias estavam todos os dias nos jornais e todos sabiam detalhes dessas histórias.

Garrincha, sim. Justin Bieber, não

Ruy Castro é autor da biografia “Estrela solitária – Um brasileiro chamado Garrincha” (Companhia das Letras), que enfrentou entraves judiciais para continuar em circulação – e a editora ainda precisou pagar uma indenização à família do jogador. O escritor, que também é responsável por títulos como “O Anjo Pornográfico – A Vida de Nelson Rodrigues” (Companhia das Letras), não considera que a vertente teen seja uma vilã.

— Sempre houve livros oportunistas e sérios. Pode ser uma boa forma de introduzir os leitores muito jovens neste universo. Quem compra esses livros são as mesmas pessoas que ouvem seus discos. Um dia, crescerão. Espera-se — diz o escritor, aproveitando para opinar sobre a possível mudança nas regras sobre biografias não autorizadas. — Se a lei for mudada e acabar essa censura, todo mundo sairá ganhando: biógrafos, editores e, principalmente, os leitores.

Já que não é contrário às biografias de jovens artistas, será que Ruy Castro aceitaria um desses projetos?

— Está brincando? Ainda não estou completamente familiarizado nem com o Donga e o João da Baiana, e você quer que eu biografe o não-sei-o-quê Bieber? — arremata.

Uma minilivraria na porta de casa

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Little Free Library é feita de material reaproveitado e pode ficar no quintal

Alice Sant’Anna, no O Globo

Um exemplar do projeto Little Free Library Divulgação

Um exemplar do projeto Little Free Library Divulgação

Apesar do tamanho exíguo, a ideia é grandiosa. Inaugurada em 2009 nos Estados Unidos, a intenção da Little Free Library é, como diz o nome, ser uma pequena biblioteca de graça, onde os livros circulam livremente. É uma biblioteca de bairro: pode ficar dentro de um café, por exemplo, ou no quintal de casa. A condição é que a casinha, feita com material reaproveitado, sirva como ponto de partida e de chegada de obras literárias.

O projeto, que inicialmente almejava algo em torno de 2.500 pontos, deslanchou. Se em 2011 os criadores Todd Bol e Rick Brooks festejavam a marca de cem bibliotecas, em 2013 viram o número extrapolar para seis mil, somando um total de dois milhões de livros trocados em mais de 32 países.

No Google Maps, há um mapeamento de todas as coleções registradas, incluindo três na África (bit.ly/JDzl7o). Na América do Sul, ainda não há nenhuma. A estimativa é que, seguindo esse ritmo, até o fim do ano o projeto alcance impressionantes 25 mil registros.

As pessoas que doam seus livros são encorajadas a escrever um pequeno bilhete apresentando o conteúdo. E os leitores seguintes, de preferência, devem adicionar suas impressões ao papel. A ideia é que a seleção seja formada por “títulos preferidos” — incluam-se aí romances e histórias infantis — e também por ensinamentos práticos, como manuais.

Para cadastrar uma biblioteca na Little Free Library em sua cidade, é preciso pagar uma licença no valor de US$ 35. O preço cobrado pela casinha varia, mas no site (littlefreeli brary.org.) há instruções completas para se construir uma (aí sim, de graça), usando elementos recicláveis e resistentes. A criatividade cuida do resto.

‘Estudar virou hábito’, diz aprovado em 13 concursos públicos, no AM

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Vida de concurseiro iniciou pelo interesse em estabilidade financeira.
Oficial de Justiça, João Victor continua estudando para outros concursos.

João Victor Tayah passou em mais de dez concursos públicos (Foto: Girlene Medeiros / G1 AM)

João Victor Tayah passou em mais de dez concursos públicos (Foto: Girlene Medeiros / G1 AM)

Girlene Medeiros, no G1

Muitos querem passar em concurso público atraídos pela estabilidade e remuneração acima do que é praticado na iniciativa privada. Se engana, porém, que todo concursado opta sempre por fazer da aprovação fonte de remuneração para o resto da vida. Há uma tendência em se acostumar – e até gostar – de manter o ritmo de estudo acelerado, pautados em editais. Foi o que aconteceu com o Oficial de Justiça João Victor Tayah, de 26 anos que é concursado e continua a buscar outras aprovações. “Estudar para concurso virou um hábito que sinto falta quando não mantenho”, disse.

No currículo, João Victor carrega a aprovação de mais de 13 concursos públicos. De assistente administrativo da Prefeitura de Manaus à Oficial de Justiça com aprovação nos processos do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), Tribunal Regional Federal (TRF) e Tribunal de Justiça de Roraima (TJ-RR), o início da vida de concurseiro foi motivada pela estabilidade financeira.

“Decidi estudar para concursos porque a estabilidade sempre me chamou a atenção. Depois que vi que poderia passar em outros, me acostumei a tentar oportunidades melhores”, ressaltou Tayah. O sucesso, no entanto, é resultado de cinco horas diárias de estudos. As aprovações também são fruto de fins de semana sem pensar em ir a festas ou encontros com amigos. O saldo de poder escolher o cargo que quiser é a marca do reconhecimento por tanto afinco.

“Tem aquela questão de não poder sair, mas quando consigo a aprovação é a minha vitória. Vale a pena passar horas focado nos livros”, comemorou. Bacharel em Direito, João Victor acredita que a formação jurídica auxilia o candidato na hora de prestar um concurso público devido às disciplinas indicadas nos editais. “Levamos uma certa vantagem porque temos a oportunidade de ver com calma os vários leques do Direito. Mas, na prática, há oportunidades para todos. É só estudar”, afirmou João Victor de maneira positiva.

A vida de concurseiro está aliada a viagens por todas as regiões brasileiras. Para prestar concursos, João já viajou à Santa Catarina, Roraima, Pará, Ceará e Rio de Janeiro. Rondônia, Rio Grande do Norte e Mato Grosso do Sul.

A estabilidade do concursado chamou a atenção de João Victor (Foto: Girlene Medeiros / G1 AM)

A estabilidade do concursado chamou a atenção de João Victor (Foto: Girlene Medeiros / G1 AM)

Concurseiro iniciante

Para quem está atraído pela ideia de passar horas a fio rodeado de livros, a dica do concurseiro veterano é se matricular em um curso preparatório. De acordo com João Victor é importante frequentar um cursinho que eduque o candidato novato a se manter no ritmo e adquirir disciplina.

“Depois de um certo tempo, a gente já sabe o que cada concurso, dependendo da carreira, vai solicitar no edital. Daí nem precisa estar o tempo todo em sala de aula e é mais você e os livros. Para quem está começando, recomendo manter um ritmo de estudos dentro e fora do cursinho. É questão de disciplina”, enfatizou Tayah.

Estudar até passar

Conforme João Victor, a meta de todo concurseiro deveria ser “estudar até passar”. A concorrência acirrada, principalmente nos cargos que exigem o curso superior em Direito, não devem amendrontar o concurseiro. É o que pensa João Victor.

“É difícil, mas não é impossível. Tem gente que começa a estudar e quando vê que não passa de primeira já desiste logo. É importante continuar estudando incansavelmente que um dia a pessoa consegue. É assim com todo mundo”, recomendou.

Aos 80 anos, escritor Philip Roth se revela em documentário e exposição de fotos

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Author Philip Roth no seu apartamento de Manhattan durante a filmagem de "Philip Roth: Unmasked", dos diretores William Karel e Livia Manera (de costas) (foto: François Reumont/Divulgação)

Author Philip Roth no seu apartamento de Manhattan durante a filmagem de “Philip Roth: Unmasked”, dos diretores William Karel e Livia Manera (de costas) (foto: François Reumont/Divulgação)

Francisco Quinteiro Pires, na Folha de S.Paulo

O escritor americano Philip Roth diz ter “duas grandes calamidades para enfrentar”, enquanto lida com as exigências da velhice. Uma é a sua morte. A outra, a sua biografia. “Vamos esperar que a primeira chegue primeiro.”

A afirmação jocosa é feita na abertura de “Philip Roth: Unmasked”, documentário dirigido por Livia Manera e William Karel.

Em conjunto com uma exposição de fotografias do ficcionista e uma conferência da The Philip Roth Society -centro de estudos sobre o autor-, o filme marca o seu aniversário de 80 anos, a ser comemorado na próxima terça.

Embora tenha cultivado por décadas um comportamento reservado, Roth decidiu expor detalhes da sua vida pessoal. Ele explica que é melhor fazê-lo agora, pois ainda pode exercer certo controle sobre a sua história.

Pelo mesmo motivo, Roth começou a colaborar com Blake Bailey, designado no ano passado para ser o autor da sua biografia autorizada.

“Nos últimos anos Roth tem se mostrado mais confortável com o fato de ser uma celebridade literária”, diz Aimee Pozorski, presidente da The Philip Roth Society. “Ele se cerca de amigos confiáveis e isso o acalma quando está sob escrutínio do público.”

A fama de Roth teve início em 1969, quando publicou “O Complexo de Portnoy”. Além de acusado de antissemita, ele foi associado ao protagonista Alexander Portnoy, causador de escândalo por falar abertamente de sexo.

À época, era comum o escritor sair à rua e ser chamado de Portnoy. A partir dali Roth seria confundido com os seus personagens –como o protagonista do romance “Homem Comum”, um dos retratos cortantes sobre a velhice criados pelo autor.

Criador de uma ficção de conteúdo autobiográfico, ele é hoje considerado o maior escritor americano vivo.

“Philip Roth: Unmasked” resulta de quase 15 horas de entrevistas feitas por Manera entre 2010 e 2012.

Além de amigos de infância do autor, dão depoimentos no documentário a atriz Mia Farrow, os escritores Jonathan Franzen, Nicole Krauss e Nathan Englander.

O filme será exibido pelo canal americano PBS no dia 29 deste mês e será lançado em DVD a partir de abril.

Roth revela ter cinco pessoas de confiança para quem envia os manuscritos dos seus livros. “Elas dizem as suas impressões num gravador e depois, sozinho, eu as transcrevo”, explica o escritor.

Ele avalia essas opiniões e faz as revisões de pé, debruçado sobre uma mesa alta. “Estar de pé”, ele conta, “libera a imaginação”.

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