Sua Segunda Vida Começa Quando Você Descobre Que Só Tem Uma

Posts tagged Mario Vargas Llosa

Vargas Llosa considera que dar o Nobel a Bob Dylan foi “um equívoco”

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Mario Vargas Llosa recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Burgos   |  EPA/ Santi Otero

Mario Vargas Llosa recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Burgos
| EPA/ Santi Otero

 

Talvez no próximo ano a Academia Sueca dê o prémio a um futebolista, disse o escritor, que recebeu o Nobel em 2010.

Publicado no Diário de Notícias

A cultura “tende a converter-se em espetáculo” e aquilo que se apresenta como uma democratização cultural não é mais do que “banalização do frívolo”. Estas foram as palavras do escritor peruano Mario Vargas Llosa, que ganhou o Nobel da Literatura em 2010, quando, ontem, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Burgos, em Espanha. E considerou que um dos exemplos mais recentes do domínio da cultura do espetáculo é o facto de a Academia Sueca ter atribuído o prêmio Nobel da literatura ao músico Bob Dylan.

Vargas Llosa deixou claro que gosta de Dylan como cantor mas, na sua opinião, este prêmio foi um equívoco. E perguntou se, para promover ainda mais o Nobel, no próximo ano o vão dar a um futebolista. Na sua opinião, o premio deveria distinguir uma grande obra que tenha marcado um tempo, ou a obra de um autor até aí pouco conhecido mas que mereça esse reconhecimento, “e não o espetáculo de um grande cantor”.

Na conferência de imprensa que deu na ocasião, o escritor reconheceu que “há um público que exige” esta cultura do espetáculo e que, graças às novas tecnologias e redes sociais, “é impensável a censura”. Porém, esta cultura tem aspectos “preocupantes” e “aterradores”, como o facto de a mentira poder espalhar-se com facilidade. Cabe, por isso, às elites culturais (“que não resultam do privilégio mas do esforço e do talento”) contrariar esta tendência. E não estimulá-la, como fez a Academia Sueca.

Mario Vargas Llosa dará palestra em São Paulo nesta segunda

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O escritor peruano Mario Vargas Llosa, vencedor do Prêmio Nobel – Foto: Divulgação

O escritor peruano Mario Vargas Llosa, vencedor do Prêmio Nobel – Foto: Divulgação

 

Ganhador do Nobel de Literatura em 2010, o escritor peruano vai abrir o ciclo “Fronteiras do Pensamento” no Instituto Tomie Ohtake

Publicado na Brasileiros

O escritor peruano Mario Vargas Llosa, que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 2010, estará em São Paulo nesta segunda-feira (9) para dar uma palestra na abertura do ciclo Fronteiras do Pensamento 2016, no Teatro Cetip, localizado no Instituto Tomie Ohtake. Em seguida, Llosa irá a Porto Alegre para dar outra palestra na quarta, dia 11.

Em seu artigo Uma pausa no caminho, publicado no jornal El País, ele comenta a experiência de completar 80 anos: “Não há mérito algum em completar 80 anos; em nossos dias, qualquer um que não tiver maltratado excessivamente seu organismo com álcool, tabaco e drogas pode conseguir. Mas, talvez, seja uma boa oportunidade para fazer uma pausa no caminho e olhar para trás antes de retomar a cavalgada”.

Após falar de sua infância, ele lista os escritores que mais o impressionaram: “É difícil dizer a imensa felicidade e riqueza de sentimentos e de fantasia que os bons livros que li me deram — e continuam me dando. Nada me acalma mais quando estou inquieto ou me eleva o espírito se me sinto deprimido do que uma boa leitura (ou releitura). Ainda me lembro da fascinação maravilhada com a qual li os romances de Faulkner, os contos de Borges e Cortázar, o universo crepitante de Tolstói, as aventuras e desventuras de Don Quixote, os ensaios de Sartre e de Camus, e os de Edmund Wilson, especialmente a obra-prima Rumo à Estação Finlândia, que li do começo ao fim pelo menos três vezes. O mesmo poderia dizer das sagas de Balzac, de Dickens, de Zola, de Dostoiésvki, e o difícil desafio intelectual que foi poder conseguir desfrutar de Proust e Joyce”.

Ele elogia sobretudo “Flaubert, o mais amado dos autores”: “Nunca esquecerei aquele dia, recém-chegado a Paris, no verão de 1959, quando comprei na La Joie de Lire, da Rue Saint-Séverin, um exemplar de Madame Bovary, que me deixou enfeitiçado a noite inteira, lendo sem parar. Devo a Flaubert não apenas o prazer proporcionado por seus romances e contos e sua correspondência formidável. Devo a ele, acima de tudo, ter me mostrado o escritor que queria ser, o gênero de literatura que correspondia à minha sensibilidade, aos meus traumas e aos meus sonhos”.

Ele assinala ainda que escrever é uma maneira de viver: “Não se escreve para viver, embora se ganhe a vida escrevendo. Em vez disso, se vive para escrever, porque o escritor de vocação continuará escrevendo, mesmo que tenha pouquíssimos leitores ou seja vítima de injustiças tão monstruosas como as vivenciadas por Lampedusa, cuja obra-prima absoluta, O Gattopardo, o melhor romance italiano do século XX e um dos mais sutis e elegantes já escritos, foi rejeitado por sete editoras, e ele morreu acreditando que tinha fracassado como escritor. A história da literatura está cheia dessas injustiças, como o primeiro Prêmio Nobel de Literatura, que os acadêmicos suecos deram para o esquecido e esquecível Sully Prudhomme, e não para Tolstói”.

Vargas Llosa comemora 80 anos com festança e novos livros

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O escritor peruano (e marquês espanhol) Mario Vargas Llosa completa 80 anos nesta segunda-feira (28) (Foto: Divulgação)

O escritor peruano (e marquês espanhol) Mario Vargas Llosa completa 80 anos nesta segunda-feira (28) (Foto: Divulgação)

 

O escritor peruano manda recado ao Peru em novo romance e seu mais recente livro infanto-juvenil ganha edição brasileira

Ruan de Sousa Gabriel, na Época

O escritor peruano Mario Vargas Llosa comemora 80 anos nesta segunda-feira (28) com uma festa de arromba que se estenderá por três dias. Quase 400 pessoas são esperadas para um regabofe no luxuoso hotel Villa Magna, em Madri. Na lista de convidados estão ex-presidentes sul-americanos, como o colombiano Álvaro Uribe e o chileno Sebastián Piñera; o escritor turco Orhan Pamuk, Nobel de Literatura; e um ou outro membro da realeza espanhola – o próprio Vargas Llosa é cidadão espanhol e ostenta o título de marquês. Dos três filhos do escritor-marquês, apenas Álvaro, o primogênito, estará presente. Os outros dois, Morgana e Gonzalo, cortaram relações com o pai no ano passado, quando ele pôs fim ao casamento de 50 anos com a mãe deles, Patricia, e engatou um namoro com Isabel Preysler, ex-mulher do cantor espanhol Julio Iglesias.

As celebrações continuam na terça (29) e na quarta (30). O seminário Vargas Llosa: cultura, ideas y libertad discutirá a obra do escritor e o futuro da América Latina. Os debatedores são nomes destacados nas letras e na política do continente, como a blogueira cubana Yoani Sánchez. O evento é organizado pela Fundação Internacional para a Liberdade (FIL), presidida por Vargas Llosa, que já sabe qual será seu presente de aniversário. O Comité de Amigos de Vargas Llosa, que congrega escritores como o chileno Jorge Edwards e o uruguaio Rubén Loza Aguerrebere, produziu o livro Vargas Llosa: ideas en libertad, uma reunião de ensaios sobre a obra literária do peruano, um dos maiores expoentes da literatura contemporânea e autor de clássicos latino-americanos como Tia Julia e o escrevinhador, Travessuras da menina má e A guerra do fim do mundo, que reconta a Guerra de Canudos. Em 2010, Vargas Llosa recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. A Academia Sueca elogiou “sua cartografia de estruturas de poder e suas imagens vigorosas sobre a resistência, revolta e derrota individual”.

Vargas Llosa costumava viajar à Arequipa, a cidade peruana onde nasceu, todos os anos em seu aniversário. Ainda que as celebrações de seus 80 anos ocorram na Espanha, o Peru continua no centro das preocupações do escritor. Cinco esquinas, seu novo livro, publicado no início do mês nos países de língua espanhola, é ambientado em Lima, a capital peruana, durante a ditadura de Alberto Fujimori (1990-2000). Uma das figuras centrais no romance é Vladimiro Montesinos, chefe do serviço de inteligência do ex-ditador – ambos estão presos por crimes contra a humanidade. Cinco esquinas narra a relação promíscua entre a ditadura e a imprensa sensacionalista, especializada no assassinato de reputações. Veículos alinhados ao regime se converteram em fábricas de escândalos cujo único propósito era destruir os opositores de Fujimori. “Foi algo original da ditadura fujimorista, criar e financiar diários para castigar seus críticos”, afirmou Vargas Llosa à imprensa espanhola.

Vargas Llosa, quando moço, fazia coro a outros escritores latinos, como o colombiano Gabriel García Márquez, que sonhavam com o socialismo nos trópicos. A passagem dos anos, porém, levou o peruano a caminhar a passos largos rumo à direita. Em 1990, ele concorreu à presidência do Peru pela coalização Frente Democrático (Fredemo), defensora de reformas neoliberais e cujo programa de governo ganhou o apelido de “thatcherismo andino”. Vargas Llosa foi derrotado por Fujimori, que soube capitalizar o receio que as medidas de austeridade propostas pela Fredemo despertavam nos mais pobres. Os adversários do escritor também apelaram para o conservadorismo popular e liam – em público – trechos tórridos dos romances do libidinoso candidato liberal, um mestre do erotismo literário. Ao recuperar os horrores dos anos Fujimori em Cinco esquinas, Vargas Llosa manda um recado ao Peru, que vai às urnas escolher um novo presidente no dia 10 de abril. Keiko Fujimori, filha do ex-ditador, lidera as pesquisas.

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10 livros de Mario Vargas Llosa para ler

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10 livros de Mario Vargas Llosa que você tem que ler Créditos: Reprodução

10 livros de Mario Vargas Llosa que você tem que ler
Créditos: Reprodução

 

Publicado no Guia da Semana

O escritor peruano Mario Vargas Llosa é conhecido por suas obras intensas, profundas e densas, que criticam e abordam temas que rondam a hierarquia de castas sociais e raciais no Peru e em toda América Latina.

Sua principal abordagem é a luta pela liberdade individual na realidade opressiva do Peru e, assim como vários outros intelectuais de sua geração, Vargas Llosa sofreu a influência do existencialismo de Jean Paul Sartre. Entretanto, alguns de seus livros são auto biográficos, como A Cidade e os Cachorros, que recebeu o Prêmio Biblioteca Breve da Editora Seix Barral e o Prêmio da Crítica de 1963.

Assim, para que você conheça mais sobre seu trabalho, o Guia da Semana lista 10 livros incríveis que você deveria ler. Confira:

A CIVILIZAÇÃO DO ESPETÁCULO

A banalização das artes e da literatura, o triunfo do jornalismo sensacionalista e a frivolidade da política são características da sociedade contemporânea – a ideia temerária de converter em bem supremo a natural propensão humana para o divertimento. Este é o tema central do ensaio de Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura em 2010. Nele, o escritor diz que no passado a cultura era uma espécie de consciência que impedia que virássemos as costas para a realidade. Hoje, lamenta Llosa, a cultura atua como mero mecanismo de distração e entretenimento. Para ele, ‘a ideia ingênua de que, através da educação, se pode transmitir cultura à totalidade da sociedade, está destruindo a ‘alta cultura’, pois a única maneira de conseguirmos essa democratização universal da cultura é empobrecendo-a, tornando-a cada dia mais superficial’.

TRAVESSURAS DA MENINA MÁ

O peruano Ricardo vê realizado, ainda jovem, o sonho que sempre alimentou – o de viver em Paris. O reencontro com um amor da adolescência o trará de volta à realidade. Lily – inconformista, aventureira e pragmática – o arrastará para fora do pequeno mundo de suas ambições. Ricardo e Lily – ela sempre mudando de nome e de marido – se reencontram várias vezes ao longo da vida, em diferentes cidades do mundo que foram cenários de momentos emblemáticos da História. Na Paris revolucionária dos anos 60; na Londres das drogas, da cultura hippie e do amor livre dos anos 70; na Tóquio dos mafiosos dos anos 80; e na Madri em transição política dos anos 90. Assim, ao mesmo tempo em que conta a história de um amor arrebatador, ‘Travessuras da menina má’ traça um quadro das transformações sociais europeias e convulsões políticas da América Latina.

A GUERRA DO FIM DO MUNDO

Em 1977, Mario Vargas Llosa começou a escrever um romance que seguia um caminho diferente – em vez de usar suas memórias para compor uma história de forte veia cômica, ele decidiu recontar a dramática Guerra de Canudos, impressionado pela leitura, alguns anos antes, de ‘Os Sertões’, de Euclides da Cunha. Em 1980, após exaustivas pesquisas em arquivos históricos e viagens pelo sertão da Bahia, ele terminava ‘A guerra do fim do mundo’. Nele, o escritor peruano constrói uma saga que engloba tudo – honra e vingança, poder e paixão, fé e loucura. O autor dá uma nova dimensão à história de Antônio Conselheiro, em que personagens de carne e osso, alguns reais, outros imaginados, empreendem uma saga sem paralelos na história do país.

TIA JULIA E O ESCREVINHADOR

“Tia Julia e o escrevinhador” é um dos livros mais originais de Vargas Llosa. Mesclando humor e romance, o escritor narra a história de Varguitas, um jovem peruano com ambições literárias que se apaixona por uma tia com quase o dobro da sua idade. Em paralelo a esse romance proibido, na Lima dos anos 50, Varguitas conhece Pedro Camacho, autor excêntrico de radionovelas cujos enredos mirabolantes fascinam os peruanos. As novelas vão muito bem, até o dia em que Pedro Camacho, sobrecarregado, começa a confundir enredos e personagens. E, ao mesmo tempo, o romance entre Varguitas e tia Julia é descoberto pela família.

A ORGIA PERPETUA

Neste ensaio memorável, Vargas Llosa mescla memória e erudição para falar de um autor essencial para a arte do romance: Gustave Flaubert. Vargas Llosa não descreve apenas “por que Madame Bovary remexeu camadas tão profundas do meu ser, por que me deu o que outras histórias não conseguiram me dar”, descreve também das circunstâncias em que Flaubert o escreveu, de suas dificuldades para encontrar “a palavra justa” em cada frase, e de suas frequentes discussões e ideias sobre a literatura. “A orgia perpétua” é uma porta de entrada ao mundo flaubertiano, mas é também uma experiência emocionante sobre a força transformadora da ficção.

O HEROI DISCRETO

Este é um romance que entrelaça histórias de crimes e intrigas, amores e reviravoltas. Felícito é o dono de uma empresa de transportes em Piura, no norte peruano. Um dia, antes de ir ao trabalho, se surpreende ao encontrar uma carta anônima, presa à porta de sua casa. Sua família e sua empresa serão protegidas, diz o texto, mediante um pagamento mensal. Como assinatura, uma sinistra aranha, atrás da qual se escondem os chantagistas. Mas ele é um homem que (mais…)

Alfaguara lança o brilhante ensaio de Vargas Llosa sobre romance de Flaubert

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Euler de França Belém, no Jornal Opção

Livro mostra que um latino-americano é o melhor explicador do mais celebrado romance de Flaubert

Livro mostra que um latino-americano é o melhor explicador do mais celebrado romance de Flaubert

Esqueça o filósofo Jean-Paul Sartre, autor de um “calhamaço menor” sobre Gustave Flaubert. Um dos melhores livros sobre Flaubert e sua obra-prima, o romance “Ma­dame Bovary”, foi escrito por um peruano, Mario Vargas Llosa, Nobel de Lite­ratura. “A Orgia Perpétua — Flaubert e Madame Bovary” já havia sido publicado em português, mas só pode ser encontrado em sebos. A Alfaguara lança nova edição, com tradução precisa de José Rubens Siqueira.

Em meras 280 páginas, Vargas Llo­sa escreve uma crítica brilhante sobre um dos romances mais emblemáticos da história da literatura. O escritor e crítico leu, releu e virou de ponta-cabeça o polêmico livro de Flaubert, esticando o cérebro do leitor para um entendimento mais amplo de uma história que se tornou, por assim dizer, patrimônio de todos nós. Emma Bovary “era” Flaubert, como ele disse, e todos nós — um verdadeiro poço de contradições e desejos reprimidos e, às vezes, liberados.

O que o autor de “Travessuras da Menina Má” — quem sabe, uma Bovary menor — diz ao leitor, com palavras candentes e claras, é que o romance tem muito mais a dizer que o mero adultério de Emma, motivo da fama da história. A delícia do texto, e como Flaubert o elabora e conta a história, é exibida de maneira exemplar por Vargas Llosa.
Consta que franceses sentem ciúme de um de seus maiores escritores — talvez o maior, ao lado de Marcel Proust — ter sido analisado de modo tão percuciente por um crítico estrangeiro (muitos franceses se acham “o” povo, não “um” povo). É provável que ninguém fez tanto por um romance — transformando-o numa catedral de arquitetura bela e sólida — quanto Vargas Llosa.

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