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Filho de operário, ex-servente se torna escritor e se prepara para lançar o sexto livro da carreira, em São João de Meriti
0Publicado por Extra
Na certidão de nascimento, ele é Cláudio Alves, homem nascido e criado em São João de Meriti. Nos livros, ele é Lasana Lukata, escritor de cinco livros. O mais recente deles é “Urdume” — o segundo de sua trilogia —, que foi lançado em janeiro deste ano.
— Este é um nome angolano, significa poeta caçador. Antes de “Urdume”, escrevi “Exercício de Garça”. O que completará a trilogia é o livro “Azul-Ardósia”, que já está pronto e deve ser lançado no dia 21 de agosto — explica o autor.
Além desses livros, ele escreveu “Meu Cartão Vermelho & Outras Crônicas”, “Separação de sílabas” e “Caçada ao Madrastio”.
— Me pai era mestre de obras e já fui seu servente. Ele era analfabeto e queria ver o filho puxando um “balde de palavras” (e não de massa) em outra obra: a literária — destaca, orgulhoso, Lasana Lukata.
A literatura da mulher negra
0Marina da Silva Santos, no Blogueiras Negras
Particularmente, eu, mulher e negra – e que, eventualmente me considero escritora, anônima, mas ainda assim escritora – conheço pouco de literatura feminina, quem dirá feminina e negra (aceito sugestões!).
Há pouco comecei a ler “Quarto de despejo – Diário de uma Favelada”, da maravilhosa Carolina Maria de Jesus. Me apaixonei por suas palavras… Portanto, esse texto segue com suas bases em cima da favelada que se letrou só, catando papel no lixo na década de 50, criando uma literatura própria e extremamente pessoal, que escrevia todos os dias pra mostrar a realidade da favela. Quero ressaltar que, tão pessoal quanto o diário de Maria Carolina, o meu texto também o é.
O livro abre portas para um contingente gigantesco de questões que permeiam e embasam a discussão sobre etnias, gêneros, divisões de classes… Mas o que quero propor de fato é uma reflexão pensada a partir de uma única questão: o que é uma literatura feminina e negra? Venho pensando nisso e sinto que é mais uma das formas de lutar, diariamente por uma identidade excepcionalmente deturpada, a de ser mulher e ser negra.
Há um imenso arsenal de livros conhecidíssimos sobre negros e não propriamente escritos por negros. E Quarto de Despejo, pode ser entendido como um marco (pouco conhecido), por trazer maravilhosamente a ideia de uma cultura negra existente e ativa, escrita por uma pessoa que vive na pele a condição de o ser. Carolina se demonstrava muito segura de si em relação à sua cultura e etnia bem como ao seu sexo, percebendo que poderia viver como quizesse (algo que em sua época ainda era muito contestado), mesmo que dentro das limitações impostas por sua condição social .
A nossa autora sabe que para cuidar de seus filhos, por exemplo, pode o fazer sozinha sem sucumbir aos preconceitos que recebe por conta de suas decisões. Assim, percebo na escrita da Carolina uma busca por uma identidade própria num período onde o “ser negro” é ainda tido como inferior ao mesmo tempo em que, em todos os momentos, ressalta sua etnia com orgulho.
“…Eu escrevia peças e apresentava aos diretores de circos. Eles me respondia:
- É pena você ser preta.
Esquecendo eles que eu adoro a minha pele negra, e o meu cabelo rústico. Eu até acho o cabelo de negro mais iducado do que o cabelo de branco. Porque o cabelo de preto, onde põe, fica. É obediente. E o cabelo de branco, é só dar um movimento na cabeça ele já sai do lugar. É indisciplinado. Se é que existe reincarnações, eu quero voltar sempre preta…Um dia, um branco me disse:
- Se os pretos tivessem chegado ao mundo depois dos brancos, aí os brancos podiam protestar com razão. Mas, nem o branco nem o preto conhece a sua origem.
O branco é o que diz que é superior. Mas que superioridade apresenta o branco? Se o negro bebe pinga, o branco bebe. A enferminade que atinge o preto, atinge o branco. Se o branco sente fome, o negro também. A natureza não seleciona ninguém.” Carolina Maria de Jesus
O curioso no livro como um todo é a ferrenha crítica social que esta mulher emprega à sociedade em que vive, onde lembra-se sempre da condição em que o “preto” se encontra, bem como a questão pessoal de ter optado por não ter marido e cuidar de seus três filhos sem ajuda externa. São situações que se pensadas atualmente, se renovam e se impõem diante de inúmeras de nós. A sensibilidade que ela cria em suas narrações e descrições faz com que tenhamos o seu universo percebido em nossas vidas. Dessas percepções tão sutis dela, tiro as minhas próprias.
Acredito fielmente no poder da literatura. E acredito que a luta negra e feminista está muito bem encaminhada, pois é cada vez mais conhecida e propagada (embora, muito se conteste sobre nós e nossos direitos, seja o de recebermos cotas, abortar, ir e vir sem sofrer com humilhações…). Sinto que uniar literatura à busca por ideais é um meio tão tranformador que pode gerar fins que antes talvez nem fossem cogitados.
Carolina Maria de Jesus percebia isso e, todos os dias em sua lida diária para colocar comida dentro de sua casa, não se cansava nunca de escrever. Sinto que nós, mulheres e negras, com nossos poemas, nossas palavras, nossos manifestos pessoais, temos muito a dizer. Vejo que nossa literatura que exalta o que somos e reafirma de onde viemos e o porque do nosso orgulho, precisa existir, para mostrar não só o poder da palavra, mas o poder do existir pelo que somos.
Para celebrar a autora, recomendo o video de nando reis cantando Negra Livre.
dica do Tom Fernandes
Promoção: “Meu amigo rico”
7Por meio de uma linguagem singela, direta e emocionante, Luciano Maia relata o improvável encontro fraternal entre dois mundos distantes e antagônicos, o de um garoto pobre e o de um garoto rico.
A partir das crises existenciais do garoto pobre que, em parte, são consequência deste choque sócio-cultural, o autor extrai e apresenta ao leitor as muitas alegrias, dores e descobertas feitas pelo protagonista.
Saudade, inveja, felicidade, aceitação, decepções, ansiedade, perdão, injúrias, traumas, persistência, sonhos e sexo, são alguns dos temas distribuídos no dramático enredo, permitindo ao leitor explorar, com um toque de bom humor, coisas doces e doloridas sobre o contato entre seres humanos.
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Literatura brasileira, os silêncios e as exclusões
0Márcia Lira, no - 1 na estante
Um estudo sobre a literatura brasileira divulgado ontem é literalmente um tapa na cara da sociedade, e sem luva de pelica. Regina Dalcastagnè é jornalista, doutora em teoria da literatura, professora e dedicou 15 anos à pesquisa que mostra o quanto ainda somos preconceituosos, machistas, patriarcalistas e como ainda estamos muito aquém do que acreditamos quando o assunto é aceitar as diferenças.
A pesquisadora se debruçou sobre “um total de 258 obras, correspondente à soma dos romances brasileiros do período entre 1990 e 2004, publicados pelas editoras Companhia das Letras, Record e Rocco e identificados pelo grupo de pesquisa” (de artigo sobre a pesquisa). A pesquisa foi chamada “Eu quero escrever um livro sobre literatura brasileira”. Só para dar um exemplo, ela mostra que o personagem médio do romance brasileiro é um homem branco, heterossexual, intelectualizado, sem deficiências físicas ou doenças crônicas, membro da classe média e morador de grande centro urbano.
Com tantas informações interessantes, representadas no infográfico abaixo originalmente publicado no Ponto Eletrônico, há de se esperar um debate também no campo literário sobre o valor das diferenças e a importância de dar voz à nossa multiplicidade também nessa área cultural. E não acho que é o caso de apontar um ou outro autor porque ele segue o padrão, afinal a liberdade criativa merece respeito. A meu ver é o caso de coletivamente pensar e repensar como o nosso discurso de multiplicidade fica na superfície, a ponto de não ser refletido na nossa produção cultural.
Ah, o título do blog foi inspirado no nome de um livro da Regina pelo qual me interessei bastante.
Aposentada fica 31 anos sem estudar, passa na Fuvest 2013 e será caloura do próprio filho
0Lucas Rodrigues, no UOL
Esta sexta-feira (1º) foi de comemoração para os aprovados na Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular) 2013, que seleciona alunos para a USP (Universidade de São Paulo) e para a Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo. A lista foi divulgada por volta das 14h.
Lindamir Monteiro da Silva é uma dos estudantes que têm muito a celebrar. Prestes a fazer 54 anos, a aposentada passou no curso de geografia após 31 anos fora das salas de aula e será caloura do próprio filho. “Consegui me aposentar em 2011 e no ano passado comecei a fazer cursinho extensivo”, contou. “Eu tive que estudar muito, porque estava longe da escola há um bom tempo”.
Acompanhada da filha de 17 anos, Inae Monteiro Negrão, que prestou arquitetura, mas não entrou na primeira chamada, a aposentada conta que o dia da matrícula será ainda mais especial. “Meu próprio filho irá fazer o meu trote. Ele é veterano do segundo ano no curso de geografia também”, disse, rindo da coincidência.
Antes procuradora do Estado e formada em direito em 1981, Lindamir agora pensa em exercer a carreira de professora. “Prestei só na Fuvest mesmo, e agora é só alegria. Talvez eu queira lecionar depois de terminar essa nova faculdade”, afirmou.
Dedicação
A estudante Beatriz Balthasar, 18, é outra aprovada da Fuvest 2013. A agora caloura do curso de gestão ambiental também havia prestado hidráulica e saneamento ambiental na Fatec (Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo) e passou em letras pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
“Eu fiquei muito feliz porque foi um ano inteiro batalhando com os meus amigos e é uma satisfação muito grande”, disse. “Lembro que quando ficava ansiosa para a prova tinha insônia e estudava a madrugada inteira”.
Beatriz não é a única. Isabeli Ariel, 19, passou no curso de psicologia e usava a mesma técnica. “Quando ia mal nos simulados, eu virava a madrugada em cima dos livros”. A estudante também conseguiu uma vaga na Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro).
Já Ramon Silva de Lima, 17, afirma que estudou com tranquilidade para as provas da Fuvest 2013. “Eu fiz Olimpíadas Científicas. Eu acho que isso me ajudou bastante”, afirma o aprovado em engenharia da computação, que conciliou o último ano do ensino médio com cursinho.
Luís Toledo, 23, que passou em engenharia química na Escola Politécnica da USP, também falou da sua superação. O estudante fez dois anos de cursinho e teve de abrir mão da vida social. “Foi muito sofrimento, mas eu só cheguei aqui com o apoio da minha família, da minha mãe, da minha irmã, e dos meus amigos próximos”, disse. “Foi fundamental para eu ter força”.























