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A Sede | Assassino com sede de sangue é o novo desafio de Harry Hole, protagonista de Jo Nesbo

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Publicação será lançada pela editora Record

Fabio de Souza Gomes, no Omelete

A Record lança este mês no Brasil A Sede, novo livro de Jo Nesbo focado em Harry Hole, seu protagonista que esteve em livros como Boneco de Neve, O Leopardo e Polícia. Confira a capa:

Um assassino está a solta. Ele está na sua casa. E tem sede de sangue. Harry Hole está de volta para enfrentar o único assassino que escapou de suas garras. Uma mulher é morta em seu apartamento depois de um encontro marcado pelo Tinder. As marcas no corpo mostram que a polícia está lidando com um assassino peculiar, quase sobrenatural. No pescoço, uma mordida brutal, com alguns fragmentos de tinta e ferro. Em toda a parte, indícios de que o criminoso bebeu o sangue de sua vítima. Logo em seguida outra mulher morre em condições semelhantes.

A equipe de investigação, agora liderada por Katrine Bratt, se vê pressionada pela mídia a solucionar esses casos o quanto antes. A repercussão é tamanha que o chefe de polícia, Mikael Bellman, precisa resolver os crimes o mais rápido possível para que sua reputação permaneça inabalada. Sua única saída é chantagear Harry Hole para trazê-lo de volta à Divisão de Homicídios. Ele não parece disposto a ajudar, mas semelhanças com casos passados colocam Harry frente a frente com o único monstro que já escapou de suas caçadas.

Problemas no casamento? Quer superar uma traição? Você precisa ler Laços

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Rodrigo Casarin, no Página Cinco

“Caso tenha esquecido, egrégio senhor, permita-me recordar: sou a sua mulher. Sei que antigamente isso lhe agradava e agora, de uma hora para outra, já começou a aborrecê-lo. Sei que faz de conta que não existo e que nunca existi, porque não quer fazer feio diante da gente culta que você frequenta. Sei que ter uma vida regrada, ter de voltar para casa na hora do jantar, dormir comigo e não com quem lhe dá na telha faz com que se sinta um cretino. Sei que você tem vergonha de dizer: vejam, me casei no dia 11 de outubro de 1962, aos vinte e dois anos; disse sim na frente do padre, numa igreja do bairro Stella, e o fiz só por amor, não porque precisasse me proteger; vejam, tenho minhas responsabilidades, e se vocês não entendem o que significa ter responsabilidades, é porque são pessoas mesquinhas. Sei disso, sei perfeitamente. Mas, quer você queira, quer não, o dado concreto é este: eu sou sua mulher e você é meu marido, estamos casados há doze anos – doze anos em outubro – e temos dois filhos, Sandro, nascido em 1965, e Anna, nascida em 1969. Preciso mostrar os documentos para refrescar sua memória?”

É assim que começa “Laços”, do italiano Domenico Starnone, recém-publicado no Brasil pela Todavia e certamente um dos melhores romances que li neste ano. Aldo, a quem a carta é destinada, deixou sua mulher, Vanda, a autora da missiva, para viver uma aventura amorosa com uma jovem por quem se apaixonou. Foi claro com a esposa quando expôs seus sentimentos, saiu de casa e, por mais que tentasse cumprir um teatro protocolar vez ou outra, acabou por se distanciar dos filhos. No entanto, quando a paixão se extinguiu, regressou ao antigo lar, à família que ele supunha estar bovinamente esperando que voltasse. Por mais que as aparências eventualmente fossem ao encontro da capenga teoria, a relação entre o casal e seus filhos já estava condenada.

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Domenico Starnone.

Em um texto breve – o livro tem 144 páginas – e fragmentado, formando um quebra-cabeças cujas peças se destinam a diferentes atores da história, Starnone constrói uma narrativa que se passa em diferentes cenários da Itália e atravessa mais de 50 anos da vida do casal. São diversas as questões que balizam “Laços”: crise da meia idade, a liberação sexual dos anos 1970, o casamento enquanto instituição, o machismo, as responsabilidades de pai e mãe no trato com seus rebentos…

 

No entanto, o grande pilar da obra é outro: as relações de confiança que uma vez quebradas jamais retornam ao seu estado original. Assim que Aldo volta à casa, uma guerra fria imediatamente se instala entre ele e Vanda, que se posta como a legítima e exclusiva dona daquele lar. Sem que nenhum dos dois tenha força, estrutura ou disposição para uma ruptura definitiva, ambos passam a se arrastar pela vida tendo o outro como fardo – ela exalando rancor, ele numa insustentável posição de vítima. Isso, evidentemente, impacta diretamente na formação de Sandro e Anna, que crescem olhando de forma no mínimo desconfiada para os pais. Toda essa complexa e abalada relação é construída de forma magistral por Starnone.

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“Metamorfose de Narciso”, de Salvador Dalí.

“Toda a estrutura deste romance, na verdade, me parece uma série de caixas chinesas, com cada elemento da trama inserido de forma discreta e impecável dentro do elemento seguinte. Não há furos na construção, nada de fissuras. Nenhum detalhe escapou à atenção do autor; assim como na casa de Aldo e Vanda – o marido e a mulher que estão no centro da narrativa -, cada coisa está em seu lugar, em perfeita ordem”, analisa a escritora e tradutora Jhumpa Lahiri no prefácio do volume.

Outro dia vi algum amigo dizer no Facebook que “Laços” era um monumento sobre o rancor. Infelizmente não lembro quem foi, mas concordo absolutamente. O romance de Starnone é realmente um monumento ao rancor de gênese conhecida, mas que encontra corpos que não estão dispostos a tratá-lo de fato, pois a única cura possível, no caso, seria o afastamento definitivo de duas pessoas que fingem se amar, se amam de um modo absurdamente peculiar, querem evitar a fadiga de uma separação ou, o que é mais provável, têm um relacionamento que é uma mistura disso tudo junto. O grande problema é que, como vemos no final do livro, essa vida arrastada sobre uma piscina de ódio sempre acaba por perpetuar sentimentos danosos.

HQs de 007 vão ganhar um especial dedicado a Moneypenny

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Jody Houser será a primeira mulher a escrever uma HQ relacionada a James Bond

Publicado no Omelete

Além de publicar uma HQ regular do agente 007, a editora Dynamite Entertainment vai criar um especial, em agosto, dedicado a Moneypenny, a assistente do MI-6 que é uma das personagens mais longevas da série de filmes e livros de James Bond. Veja a capa por Tula Lotay:

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ody Houser escreve o especial em edição única; ela será a primeira mulher a escrever uma HQ relacionada ao espião. Na trama, Moneypenny sai para uma missão de rotina mas descobre um plano de assassinato que se assemelha a um ataque terrorista que ela testemunhou na sua infância.

James Bond: Moneypenny sai em 30 de agosto lá fora.

Após dez anos, Flip volta a ter uma mulher na curadoria

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A jornalista Joselia, nova curadora da FLIP. Foto: Arquivo pessoal

A jornalista Joselia, nova curadora da FLIP. Foto: Arquivo pessoal

 

A edição 2017 da festa literária será comandada pela jornalista Josélia Aguiar, autora de biografia de Jorge Amado com lançamento previsto para o mesmo ano

Jamyle Rkain, na Brasileiros

A Festa Literária Internacional de Paraty terá uma mulher no comando da 15ª edição. Nesta sexta-feira (07), o nome de Josélia Aguiar foi anunciado para curadoria da FLIP 2017. Depois de dez anos tendo homens à frente do evento, a presença de uma mulher é extremamente importante para a organização, que foi acusada de ser machista e racista nas últimas edições.

Josélia é uma jornalista e historiadora nascida em Salvador. Vive em São Paulo há alguns anos, onde cursou o mestrado e agora o doutorado. Como jornalista especializada em literatura, com passagens pela revista mensal EntreLivros e os jornais Folha de S.Paulo e o Valor Econômico, marca presença na FLIP desde a primeira edição da festa, realizada em 2003. Entregou recentemente o livro Jorge Amado – uma biografia, o qual levou cinco anos para conceber, entre pesquisas e escrita. “A estreia mundial terá de ser em Salvador”, diz, bem-humor da, à Brasileiros. O livro sairá pela Editora Três Estrelas e está previsto para 2017, antes da FLIP.

A primeira e, até então, única mulher a comandar a FLIP foi Ruth Lanna, em 2005 e 2006. Em uma de suas curadorias, Ruth convidou a jornalista para mediar uma mesa no evento. “É mais fácil para uma mulher ver a outra naquela posição”, referindo-se ao fato de que a curadoria e a mediação são posições altas na hierarquia de grandes eventos literários, geralmente condicionadas aos homens.

Para além da questão de gênero, Josélia acredita que existem outras demandas de representação na FLIP, como as pautas do movimento negro, dos nordestinos, dos LGBTs, entre outros. Na edição deste ano, por exemplo, o evento foi acusado de racismo e elitismo ao não escalar autores negros para as mesas mais importantes. Josélia aborda essas questões desde sempre em sua carreira, por isso acredita que não será um desafio. “Até porque sou baiana e mulher”, pontua.

Para ela, o maior desafio será trazer novidades à FLIP. No começo, pelo ineditismo de feiras e festas literárias pelo Brasil, o trabalho era mais fácil: “O desafio é tentar inventar coisas interessantes para que a festa continue sendo referência”. Diante da atual diversidade de eventos com a mesma finalidade, Josélia imagina que a escolha curatorial da edição de 2017 contribuirá para que haja pontos de vistas diferentes.

A FLIP deve anunciar o homenageado de sua 15ª edição no próximo mês. Josélia não esconde seu preferido: Lima Barreto. Enquanto fazia as pesquisas para a biografia de Jorge Amado, a jornalista descobriu o amor do autor de Capitães da Areia pela obra de Barreto. Decidiu, então, conhecer um pouco mais sobre o autor e ficou fascinada pela história do carioca, pois em meio a situação adversa do preconceito que encarava por ser negro e pobre, conseguiu manter-se firme e construir uma obra imponente, que a baiana considera genial. “Ele achava que o fato de ser negro e pobre impediria que ele acontecesse. Era a imagem da pessoa deslocada na sociedade”, comenta. Em 2013, quando passaram a especular os nomes da edição de 2014, Josélia fez uma campanha no Twitter para que Lima Barreto fosse o autor homenageado. Segundo ela, foi apenas uma brincadeira, mas ganhou grande repercussão com a ajuda de outros jornalistas e escritores. Josélia segue na torcida por seu favorito, mas pretende fazer um lindo trabalho, independentemente de quem seja o escolhido – ou a escolhida, claro.

Quando a mulher era proibida de ler livros

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Rachel Weisz como Hipátia em cena do filme Alexandria.

Rachel Weisz como Hipátia em cena do filme Alexandria.

 

Mario Sérgio Lorenzetto, no Campo Grande News

Em uma tarde de março de 415 d.C. uma mulher de 60 anos é tirada de sua carruagem por uma multidão enfurecida, em Alexandria, no Egito. Em seguida, é despida e tem sua pele e carne arrancadas com ostras (ou fragmentos de cerâmica, segundo outra versão). É destroçada viva pela turba alucinada. Já morta, arrancam seus braços e pernas. O cadáver é queimado em uma pira nos arredores da cidade. Era o fim da trajetória impressionante de Hipácia de Alexandria. Hipácia foi a primeira mulher de fama internacional no mundo da matemática, astronomia e da botânica. Hipácia foi a primeira intelectual de renome e imensa influencia. “As mulheres que leem são perigosas”, assim pensavam, e agiam, os homens por dezenas de séculos.

Ilustração de Hipátia sendo retirada de sua carruagem. (fonte: irenesoldatos.eu)

Ilustração de Hipátia sendo retirada de sua carruagem. (fonte: irenesoldatos.eu)

 

Somente no século XIX o livro se tornou comum para as mulheres. Foi, e continua sendo, sua maior arma para a conquista da liberdade, sua possibilidade de existência, de se lançar em novos horizontes.

Entre a mulher e o livro estabeleceu-se uma aliança. Com ele, ela podia desejar e imaginar um mundo para si própria. Gesto um tanto ousado – e perigoso. Daí os homens desejarem impedi-la de ler ou controlar o que liam. Até o século XIX, os homens marginalizavam as mulheres que liam, rotulando-as de neuróticas e histéricas. Sobretudo as mulheres que liam “demais”. A leitura permitiu que tomassem consciência do mundo. A leitura, esse ato tão intimo, tão secreto, terminou por colocar a mulher para fora. Fora do núcleo familiar opressor. O vazio do mundo real foi tomado pela ficção.

Para quem vivia, e vive, na prisão do casamento sem amor, das regras sociais sufocantes, a leitura foi a possibilidade de viver em outro mundo que não o seu e, em seguida, mudar a própria vida. De adquirir prazer que lhe era negado. Um prazer solitário de início. Mas que passou à voz. E, depois um grito… de liberdade.

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